18 de abril de 2011
Entendia o amor como perseguição.
Adorar, pela voz que usava, tinha a ver com dor, com sofrimento, com agonia. Devo confessar que eu gostava e me achava macho. Muito macho. "Macho é ela dizer que me adora com essa voz".
Inventei regras pro jogo. Disse de dor, de sofrimento e de agonia. Era um campo de pesquisa... falava as palavras e reparava como ela reagia. Como ela sempre ria e/ou gargalhava, eu achava que sabia onde estava indo.
Fui pra São Paulo sem avisar. A viagem mudou de repente e durou mais do que eu pensei. Telefonei de Curitiba. Tinha dor, sofrimento e agonia na voz. Quase gostei. Expliquei que ía ficar 2 dias fora, mas que tinham virado 6.
A voz veio com mágoa:
- Eu só adoro quem me persegue.
Ri porque a frase era boa e denotava humor. Errei. Errei feio. Era uma frase séria e que exigia respostas. Fiquei quieto.
- Quem me ama, me persegue, tá ligado?
Disse que ligava assim que estivesse no Rio. Mas ela nem riu nem gargalhou.
Disse:
- Até logo.
Ela disse:
- É.
16 de abril de 2011
a alegria suspeita.
ou raiva,
ou desprezo,
ou amor.
A merda é que foder é oscilar.
Em outra palavras: fode-se mais com outras coisas do que com essas três.
Eu sofria,
eu sofro.
Tinha raiva por força,
fodia por tédio
e dormia muito muito mal após a foda.
Mas dormia abraçado quando abraçar era o caso.
Era legal,
sou legal.
Contentei-me:
as pequenas fodas,
os orgasmos eufóricos,
o sexo oral como substituto da penetração:
sêmem desperdiçado em tetas ou bocas...
Lamentava,
lamentei e lamentaria.
#
Vieram as estrelas,
vieram os gritos,
vieram as velhas histórias sobre ser ou não ser feliz.
Adeus.
#
À merda a felicidade
e o otimismo dentro da gaveta
que só espera a abertura da gaveta.
À merda o entusiasmo de três noites
e os amores por doentes terminais.
#
Eu,
cá comigo,
acho
a
solidão
bem
decente.
declaração:
Eu gosto tanto de você,
mas tanto,
que se
você
morresse
agora,
eu
ia
te
amar
pra
sempre.
15 de abril de 2011
mmc -
minha raiva era discreta e eu tinha duas vantagens: saber sorrir e ser discreto. mostrava meus dentes e alisava minha pança. estava delirante e murmurava pra mim mesmo no mictório: o único afeto que quero é de quem vê minha peça, porque quem vê minha peça pode falar de mim, porque afeto é ver a minha peça porque me conhece. o xixi era um amarelo escuro e encorpado, sentia-me macho com aquele mijo. lembrava dos videos de "chuva dourada" na internet.
então eu voltava e virava mais um copinho. coisa de criança, eu pensei. beber, fuder, cheirar, fumar, falar palavrão... tudo coisa de criança. eu era uma criança estranha, minha mãe me disse. coisa de criança... quem entende? é como ontem: vi a moça e reparei no quanto seus olhos eram apáticos. ela exalava apatia, mas só eu notava. por isso estava só.
meus cigarrinhos se multiplicavam e eles são meus brinquedos. mesmo com tosse, mesmo com catarro. soltei minha última fumaçinha e me despedi educadamente. o ônibus chegou rápido e eu sentei na janela. olhei a orla e fechei os olhos pra sentir o vento que vinha. sorri e balançei a cabeça. coisa de criança.
14 de abril de 2011
12 de abril de 2011
11 de abril de 2011
Mil é nenhum - há urgência.
- Os dedos crispados. Aquele tesão que não sabia o que fazer e arranhava. Era coisa de criança, resposta de bicho: dois adolescentes que, repentinamente, descobrem o inferno que burramente se chama de orgasmo. Eram dois animais juntos fazendo o que os animais treinam separados. Orgasmo vinha com dor. Tesão era pavor. E amor era compartilhar essas loucuras.
- Nenhuma paciência para desentendimento. Que estou velho e gosto de quem me entende e de quem por mim é entendido. Distrair-se é legal, mas nem é o caso. Graças ao bom Deus inexistente eu não gosto de tensão sexual. E graças ao bom inimigo de Deus, o Diabo, eu desconfio de quem gosta de tensão sexual. É meu preconceito velho: quem valoriza a tensão tende a preferir a tensão. E, cá comigo e meus Lowens, a tensão deve ser esvaziada e não acumulada à ponto de nunca se esvaziar.
- Ver bundas me acalma. Se eu estivesse com a Branca e dissesse isso ela teria raiva e/ou ciúmes. E eu gostaria do ciúmes e/ou raiva dela. Porque a raiva/ciúme tinha sentido de ser e a recíproca seria a mesma. Porque ciúmes não precisa ter sentido ou porquê. É parte do lance do amar. Lembro quando Sônia teve ciúmes. Ela me disse que seu desejo era escrever com batom no meu computador. Nesse dia entendi que Sônia gostava da cena do ciúmes. Sônia não tinha ciúmes. Era o bafo do óbvio: a gente não se amava.
- Casais são terríveis e sofrem. Estar só é bem mais simples, garanto. Digo isso porque recebi um telefonema no qual mais um casal sente sua agonia de casamento. Porque estar só é mais fácil mesmo que mais triste. Confesso que gosto de telefonemas como esse: sinto-me útil, sinto-me preparado pra compartilhar dores que já senti. E isso é mesquinho e verdadeiro ao mesmo tempo... não sei explicar...
- Então dou meu tchauzinho. Porque terá gente em casa e devo ser útil. Há utilidade no mundo, mesmo sem sabermos qual é. Estar vivo é essa mumunha mesmo: um dia de cada vez. E seja lá o que for. Que venham os milagres, os grandes acontecimentos. Que o roer ossos é toda minha especialidade.
9 de abril de 2011
como tudo fosse a mesma coisa.
Tusso igual um filho da puta
e assôo do meu nariz
o que parecem litros de ranho.
E meus cigarrinhos ganham ares de vilão
quando abro um novo maço.
Mas baixo séries americanas
e preparo tortas de palmito no forno.
De modo que espero o fim da tosse,
do rânho e da torta.
8 de abril de 2011
Ver o oceano e se acalmar.
Lembro do pouso do avião no Santos Dumont. O Rio de Janeiro constrange a gente, é uma cidade linda, com morros, praias e uma gente folgada que é só aparência. O Rio é um lugar que deixa saudades. Não é Curitiba e todas as soluções, não é São Paulo e as mil oportunidades... É um lugar que índio, preto e português se misturam sem fazer da mistura uma virtude. -
E, por isso, amanhã vou ver oceano. E vou ficar triste e vou ficar feliz e vou achar que a vida é boa de maneira geral. Porque sou um otimista mesmo que não aparente, porque me acalmo vendo o oceano e porque, de vez em quando, uma música do Chico Buarque volta a me comover como me comovia quando eu tinhas 16 anos de idade. -
E penso: No meu pai e na minha mãe, o amor capengo que eles aceitaram. Na minha irmã e meu cunhado, um casal que tantas vezes parece adolescente. Na minha avó que se anima e divulga suas viagens. Nos atores e suas inseguranças eternas. E penso em mim: eu mesmo, muito prazer, a pessoa mais calma do planeta.
7 de abril de 2011
do ônibus.
( foi mais ou menos isso que eu ouvi. a idéia era essa. a primeira frase é uma reprodução exata. em outras palavras: diversão de nerd.)
O tesão é tipo uma criança triste, tá ligado? Se você dá atenção, te ama pra sempre. E, de repente, aquela criança esquece que era triste e que foi por ser triste que ela te amou. Daí ela vai continuar te amando pra caralho, mas vai achar que não é feliz. E pior: vai achar que tem que buscar a felicidade. E ela vai buscar a felicidade, ainda te amando e tudo e não vai achar. É quando chega a hora em que ela te culpa por ser infeliz... aí tu tá fudido. Todo dia uma cobrança, todo dia uma tristeza que agora é sua culpa. Então chega a hora de falar sério. Ela vai falar de insatisfação, de falta de liberdade, de como antes ela era feliz. Mas ela nunca foi feliz. Só que disso ela não se lembra e se você a lembrar, tá na merda. É a hora em que você vira o algoz, tá ligado? Porque todo mundo precisa de um algoz e porque foi você que teve tesão. Pinto duro vira ofensa, vontade de não fazer nada vira indiferença e a raiva vira culpa. Ela voltou a ser uma criança triste, mas se esqueceu que sempre foi uma criança triste... nessa hora... amigo... é melhor nem estar perto.
E é por isso que eu me separei, tá ligado?
6 de abril de 2011
Teatro Irresponsável.
5 de abril de 2011
É Tudo Sobre Mim e Minhas Mentiras.
Então assumo: o problema sou eu.
Eu me impressiono com a facilidade que garotas novas praticam sexo anal, com o sucesso dos cantores omissos, com a peça cult que ninguém entende, mas é super recomendada.
Então simplifico: o mundo é uma merda.
Eu gosto de ver a senhora que alimenta pombos, as crianças que brincam no corredor do meu prédio, o bêbado que conversa sozinho em sua anônima decadência.
Então deliro: há que se ter uma camêra para tudo filmar.
3 de abril de 2011
Fui Assim.
A tarde esteve abafada, amor. Lembrei de ti enquanto suava e quase te liguei, mas não liguei. É que eu sou durão, né? Como era domingo imaginei você acordando cedo e comprando Abacaxis. Daí me acordava pra minha irritação e dizia que conversou com o cara do caminhão e que, na verdade, é Ananás e não Abacaxis. E falaria que ficou conversando meia hora com ele e que ele é do Espirito Santo e que têm 3 filhos e que sua esposa tem muito ciúmes de quando ele pega a estrada.
Porque você adora falar, né mô? E porque você me irrita, mas eu te adoro.
Fiz, pra almoçar, aquele risoto que você adora. Sei que já tá achando que eu bebi cervejinhas antes do almoço, mas eu não bebi. Comi apenas um prato e muita salada.
Já sabe quando vem? Fiquei pensando que páscoa é muito legal e que vou esconder o seu ovo no prédio. Daí você terá que encontrar ele de noite e só de pijama. O que acha? Mas não pode ser pijama transparente... que sua bundinha é minha e só minha e nem comento sobre a peitaria porque sou elegante. rá.
Sabia que a mulher do André tá grávida? Eu falei com a tia dele e ela me disse que os dois tão super animados... Lembra que ele acha Robson um nome bonito? A mulher dele me disse aquele dia que odiava esse nome e que só não comentou nada porque ficou com vergonha de você... quando você tiver aqui a gente pode ir visitar eles, né?
Bem. Vou dizer beijinho, vou dizer até logo, vou dizer eu te amo e vou me deliciar com um pouco de risoto.
E seu concurso? Saiu a data? Bem que podia antecipar, né? Daí a gente brincava de casinha por 4 meses e você me falava mais sobre o cara do caminhão de Abacaxi que é Ananás e não Abacaxi... (hoje, as 10 e meia, ele já não tava lá...)
Beijos na boquinha que me chupa... rá... (e imagino você dizendo "ai, seu fernando") falamos falamos amo amo e PÉQUENTECABEÇAFRIA. Fê.
1 de abril de 2011
blopunheta
- a falta de solução. os sorrisos que eram bonitos e tristes. a guria que me faz sonhar e prova que nem larguei o osso como gostaria.
- as bancas de livros do metrô de botafogo. os achados à 1 real, 5 reais. o livro da Ana Cristina César que não consigo ler sem esquecer que ela se suicidou. o livro de uma suicida é um preconceito, né? e os anos 80 berrando em sua escrita: love, baby, essas coisas... um americanismo quase virginal para nossos tempos de facebook.
- o Rio de Janeiro como problema: como deixar essa cidade? gente calma e folgada, botecos a cada meia esquina e o descompromisso que parece tão natural aqui. largar o osso é largar o Rio de Janeiro.
- meu prédio da perspectiva do Coimbra é como um milagre. penso: por que nunca pego elevador com essas bundinhas que vejo entrando no prédio daqui? e lembro da injustiça do planeta e das gracinhas do mundo.
- a merda do mundo, a merda do povo. o cretino que diz que o tsunami veio pra provar a força da natureza e a força de Deus. porque, ele explicou, os japas não acreditam em Deus, mas em Budas de ouro. e ele, o cretino, acha que Deus é mais cretino do que ele. à ponto de promover tsunamis para quem Nele não acredita. e ele dizia aos berros: alguém aqui conhece um japa que acredita em Deus? e ficava radiante diante da negativa generalizada.
- pizzas com broa é a mania da vez. deveria chamar de brusquetas, mas não tenho estilo ou saco. pizza de pão, minha mãe falava. minha mãe sabe das coisas. e não chamar pizza de pão de brusquetas prova isso.
30 de março de 2011
O pau balançava e a vida seguia. (s.r)
27 de março de 2011
Eu rodava porque eu rodo.
trivoé.
Que hoje tarei as coxas da loira que estava ao meu lado no busão.
Conversamos:
- foi pra praia, é?
- fui.
Achei estranho, mas não muito.
O ônibus é um circo variado e sem controle;
e as mulheres, loiras ou não, querendo ou não, confundem os homens.
Daí que cogitei ir ao seu banco, mas não fui.
Imaginei uma bela cena onde ela ficaria surpresa e eu sorridente, falante e cheio de atitude.
Mas como não fiz o que pensei
voltei ao meu livro e li.
Ler, muitas e tantas vezes, é uma atitude desesperada:
ignora-se a realidade para apreciar o mundo controlado que as palavras propiciam.
Então chega o meu ponto e reparo que há um negro lindo ao lado dela.
Olho de soslaio, mas ela me vê e abre um riso que é uma borboleta branca.
Eu rio também e desço.
-
À caminho de casa descubro o óbvio:
mulheres não apenas confundem os homens,
mulheres têm um enorme prazer em confundir os homens.
26 de março de 2011
A culpa é da escuridão.
- Sem luz as pessoas berram de suas janelas, fazem piadas e brincam com lanternas. O escuro como proteção e a euforia em ver que Botofago inteiro sofre do mesmo mal. Somos animais interessantes, mas limitados. A euforia dura os cinco primeiro minutos, talvez dez. Concluo que não ter uma lanterna em casa é um erro.
- Porque o mundo é engraçadinho meu celular não tinha carga para ouvir rádio. Imaginei-me no escuro de Botafogo ouvindo um radinho e pensei que seria legal. Mas o mundo é cheio de gracinhas e meu notebook é viciado em energia.
- Hoje bebi por culpa da falta de luz. Geralmente bebo pelo tédio. Por mais estúpido que pareça, devo dizer: beber é fazer algo. E, sem luz, desci pra ver a escuridão e me informar melhor. Parei no bar da esquina e reparei que eram dez e pouco da noite e que havia muita gente se preparando para a balada de sexta. Grupos variados de mulheres que rachariam o táxi. Pensei que gosto da moda atual, na qual saias curtas com cintura alta estão em voga. Tesão. Tesão sobretudo nas mulheres altas com esse traje.
- Quando a luz volta todos batem palmas e fazem barulho. Repito: somos animais interessantes. Gostamos da luz. Somos mariposas. E ficamos em volta da luz. Mesmo batendo a cabeça na luz, adoramos a luz. Mariposas não são borboletas, claro está.
- Acontece que bebi mais do que beberia e cá estou. Blogue é (ou deveria ser) coisa de bêbado. Lembro dos ótimos textos que o Bortolotto escrevia quando estava bêbado e aproveitava a in-utilidade de todo blogue. E salve Leminskão.
- No mais, banho quente e energia na tomada. Que nem gosto de mato ou acampamento. Que tenho dificuldade pra compreender quem acha que a falta de recursos e o excesso de natureza tornam as pessoas melhores. Porque tenho um blogue e gosto de beber. Porque bebo e escrevo. Porque tanto o álcool quanto a internet são maneiras de combater o tédio.
- E finalmente: gostamos de explicações. Porque explicar é uma tentativa de entender o mundo. O mundo, essa coisa que nos carrega e que entendemos tão mal. Explicar é caçar sentido. E sentido a gente quer, inventa e formula. Porque é assim. Porque eu, infelizmente, não acredito em Deus.
24 de março de 2011
Tem enxofre na água, eu aprendi.
Era uma banheira com água sulfurosa. Eu estava em Águas de São Pedro no Balneário Municipal. 12 reais para 20 min. de uma água escura, melada e com péssimo cheiro. Dizem fazer bem, dizem operar milagres. Eu acredito. Até porque a pessoa que faz o tratamento completo toma um banho todo dia durante 2 semanas. E, inevitável, pensa sobre a própria cura.
Eu pensei sobre minha cura. Sobre milagres. E sobre essa coisa ancestral que é ficar imerso em águas que vêm do fundo da terra para nos curar.
Quem tem câncer não pode ir. Segundo os funcionários do Balneário Municipal, a água sulfurosa acelera o processo. Uma velhinha que estava com a gente não foi por isso e ficou decepcionadíssima. Ela, como todo mundo, queria se curar. Mas a cura dela era mais objetiva: além do câncer, anda torta e de bengala. Pede ajuda pra se levantar. Mas, surpreendentemente, tinha uma gargalhada de Dick Vigarista.
Em Águas de São Pedro as casas são lindas e não têm muros. A cidade é pequena, estúpida e só é conhecida por suas águas. Por essas razões as pessoas de lá pareciam tranquilas: por morarem em uma cidade estúpida, pequena e com águas milagrosas. A paz está nisso: nessa falta de tudo. Vive-se bem bestamente, eis uma verdade. A ambição, por mais divertida que seja, é sempre dolorida. Em Águas de São Pedro a dor não sabe que é dor porque o tédio não sabe que é tédio. Como explicar? Não sei. Somos nós, os urbanos com várias opções, que sofremos de tédio.
Daí que houve parabéns surpresa e uma vela. E, já na varanda, houve a lição de vitalidade que não temos, mas admiramos. E dormimos bem nessa noite. Porque em Águas de São Pedro tudo parecia possível. Inclusive a paz.
17 de março de 2011
Confundia charme com indiferença.(s.r)
Por um lado fazia sentido e era óbvio. Por outro, o óbvio ululava alto demais.
(E Nelsão, que nem tem nada a ver com isso, se revirava no caixão).
Falava "pau", mas não falava "pinto".
Dizia, como se sua sacada fosse divertida: "pinto só se amarelo".
E advertia: "Já transei com um japa, tá ligado?"
Eu não tava ligado. Eu não queria estar ligado. Eu não gostava das informações desnecessárias que ela me dava:
1. Foi umas fase antropológica, sabe? Testei as raças, todas as raças: africanos, amarelos, europeus e asiáticos. Concluí que gosto mesmo da América do Sul. Saca o Belchior? Sou da turma dele.
2. Eu li na revista. Olha só. 83% das mulheres casadas têm problemas intestinais. Mas o bizarro é que a faixa etária não determina isso. Mesmo mulheres nascidas na década de 90 e que casaram sofrem disso. Vê? Ainda acha o machismo ultrapassado? Hein?
3. Pra mim não importa. Eu quero é que se foda. Mulher traída merece a traição. Já tive homem casado. Lindo ele. Casado! Eu morria de tesão. Acho que é o proibido, né? Uma vez eu viajei de navio com a minha tia e me masturbei pensando nos marinheiros que poderiam, se quisessem, me estuprar... mas é fetiche, né? Coisa de adolescente... sei lá... A verdade é quando uma amiga minha se envolve com um homem comprometido eu dou a maior força. Eu digo: 'se joga amiga, você não tem nada a ver com a traição dele, você não tá traindo ninguém, tá?' E nem adianta que eu sei: não to errada, tô? Sou mó cabeça aberta, não sou?
Eu não sabia. E também não queria saber. E tinha praticidade. A buceta dela era quente, abraçava meu pau e, às vezes, parecia ser um tipo de caixão que me deixava em paz.
Foram meses. Antes do ano virar ela precisava de alguma coisa que eu não tinha. Fazia sentido. Eu não tenho um monte de coisas que ela precisaria. Era justo ela ir e ela se foi.
Eu fiquei porque eu fico. Porque eu gosto de ficar.
Porque me sinto vivo ficando.
E ela foi porque vai. Porque gosta de ir.
Porque se sente viva indo.
Foi quase perfeito. Quase.
14 de março de 2011
7 curtinhas, eu roubei.
- O tempo passa e não há jeito. Quero ler outro livro do García Marquez pra ter certeza que seu assunto é o tempo. E se não for, é a saga de uma (ou duas ou três ou várias) existência (as). E se mesmo assim não for, dane-se: tio Gabo é um puta escritor e nem precisa de defensores.
- Então me reduzo. Reduzir-se é legal. Vejo à mim. E vejo aos meus. E eles e eu estamos juntos. Na glória e na desgraça. E até, como não?, no bar da esquina onde vejo as melhores bundas do Rio de Janeiro inteiro.
- Se seu afeto é ver meu blogue, eu digo: você me adora. Se não, eu deduzo: você é pior do que eu pensava.
- Foder é uma coisa. Foder com prazer é outra coisa. Foder e amar é um céu. Amar enquanto fode-se é o próprio sentido da existência. E isso só acontece à cada 12 anos, como o Horóscopo Chinês.
- O telefone toca e é Vovó. Ela ficou feliz com o que escrevi e fez com que meu blogue tivesse mais visitantes do que jamais imaginaria. Vovó rocks e tem uma rede na Internet que trascende qualquer feed de facebook. Vovó não tem Facebook ou Orkut, mas vovó consegue ser viva - V Maiúsculo - até nessa coisa virtual.
- Mando minhas cartas e meus recados. Acho, e acho mesmo, que o asfalto cinza em baixo dos pneus são um belo divã sem - é bom ressaltar - a opressora figura do analista e seus cabelos grisalhos e óculos minúsculos.
- Fumar é minha muleta. Se fosse Curitiba e seu frio, estaria na TV e no sono. O Rio de Janeiro é difícil de largar também por essas coisas. E o Aramis que concorde comigo.
13 de março de 2011
Porque sou implicante. (s.r)
Aproveito pra lembrar que falar sobre amor na Internet é piegas e sem sentido. Que amor na Internet é como os feeds que ficam em páginas não atualizadas. Amor e Ternura estão na moda de tal forma que se tornaram suspeitos e nada espontâneos. Coisas de Neo-Hippies, em outras palavras.
Volto a ressaltar que comida japonesa é Fast Food. Não dá pra dizer "Bora comer um japa" como se isso fosse cool ou cult ou pop ou descolado. Fast Food. Tá provado.
Dê uma volta no Shopping (aquele lugar de consumo, você chama) e repare: Japas em excesso e com kombos à lá o original Mc"Donalds.
- número 1, por favor
- 6 salmão skin e 3 sashimi atum, confirma senhor?
- confirma.
Entre outros detalhes, lembro que:
a vibe oriental não é natural;
natural, de natureza, não tem nada de bonzinho porque na natureza, essa coisa supervalorizada, reina a cruel lei do mais forte;
achar que um índio é uma pessoa boa por ser índio é como a Regina Casé que inventou que qualquer coisa da periferia é ótima por ser da periferia - o nome disso é preconceito;
o cinema americano ainda é o melhor cinema do mundo, mesmo que haja um esforço muito nobre do cinema nacional.
Então encerro aqui e deixo a dica: você é comum e todo seu lance alternativo vem daquilo que você nomeia de ilhas de consumo. E até aí tudo certo. A gente vive num mundo de merda que, querendo ou não, nôs influencia. O que não dá e pega mal e achar que você tem autenticidade. Simplesmente porque ninguém que seja autêntico fala por aí "sou atêntico, sou autêntico."
E muito menos "ilhas de consumo".
Vovó - s.r
Quando e se minha vó morrer, vou me abalar. Porque ela é um tipo que não morre. É uma velha com quase 83 e que, muitas vezes, imagino me enterrando. Simplesmente porque ela tem uma vitalidade invejável e vive de um jeito que eu gostaria de viver quando tivesse sua idade.
Uma vez, já faz um tempo, em um aniversário meu, ela telefonou e me disse: "espero que tenha uma vida feliz como a minha." E eu chorei pra caramba depois porque ela tem uma relação com vida que não é pacífica, ela briga com a vida, mal diz a vida. Mas, mesmo assim, ela fala de sua vida com a felecidade no meio. E chorei. E ela nem sabe. Mas chorei.
Minha avó tem uma relação com a vida que admiro e invejo. Ela vive. E vive. E é uma das poucas pessoas que conheço que realmente vivem. Sem fazer com que a vida seja um mar de rosas ou um mar de espinhos. Ela vive e fala sobre felicidade, mesmo sabendo das merdas todas, das dores no corpo e das injustiças do mundo. Ela não faz de conta que merdas não existem, por exemplo. E isso, isso de ter as merdas e poder falar sobre felicidade é que fazem dela alguém que importa e que, mesmo sem saber, me serve de exemplo. Porque se for pra ser velho como ela é, eu topo.
Bem, esse post virou isso e eu sei porquê. Vovó Rocks e faz tempo. Desde que morei com ela sei que faz tempo. Vovó é duca e não pode morrer. Vovó não morre. Ela tem um nome lindo e vive. Está viva bem mais do que eu, meu pai ou suas netas. Vovó nunca mentiu pra viver melhor e por isso vive como nunca eu, meu pai ou suas netas entenderão.
Vovó não pensa na vida, vovó vive. E sabe que tudo tá certo e que é como é: seja as dores no corpo, os espinhos de flores ou não, Vovó vive e viverá. Vovó, mesmo sem saber, sabe das coisas.
11 de março de 2011
(s.r)
Escrevo aqui, como muitas vezes ocorre, quando não consigo escrever em meus arquivos. Escrever no blogue é fácil e conveniente. Escreve-se e pronto. Não tenho tantos e nem tão fiéis leitores e, pra ser franco, isso, o blogue, em última estância, é a terapia ocupacional mais barata que existe. De forma que cá estou enquanto o Erasmão dá seus recados na já recomendada rádio UOL.
Seja como for, quero escrever histórias. E escrever histórias é bem mais embaixo do que alimentar um blogue. Porque temos pretensões que nos devoram e nos machucam. E concluo que a minha vida está toda errada porque está fadada à frustração. Explico: um dia inventei-me artista e, por isso, consumi grandes artistas, repito: GRANDES ARTISTAS; e isso, como acontece, acabou por me foder ainda mais. Porque há grandes obras, há Dom Quixote e há Doistoiveski. Há essas obras realmente fodas e GRANDES. E podemos nos consolar dizendo que é um dia após o outro, que a gente vai aprendendo, que a insistência é uma virtude, etc, mas e daí? Quando inventa-se artista crê-se com talento e quando questiona-se o talento um tipo de morte começa à ocorrer. Lembro do único poeminha do W.Benjamim que conheço: cada vez mais cansado, cada vez mais cansado.
E vejo as pessoas girando e o mundo acontecendo. Noto que nem gosto do mundo ou das pessoas. Tento lembrar da tristeza mais bonita e não consigo. Então baixo uma comédia romântica americana e imagino que devo estar deprimido já que nem consigo me revoltar. Mas mesmo o papo de deprimido não cola porque há qualquer deboche que ainda me agrada. "Eu não sou um, eu sou muitos", eu deveria dizer para agradar os amigos neo-hippies que super-valorizam a ternura e o desprendimento. Como se ternura fosse simples, como se despreendimento fosse natural...
Fernandinho chato demais pintando na área.
Vou me reprimir que ainda mantenho a decência de não achar que auto-repressão é datado.
"Há limites", é um bordão que volta e meia uso. Gosto dele. Faz sentido: há limites.
9 de março de 2011
A vida inteira e todas as jogadas.
8 de março de 2011
E lembro de uma alegria estúpida que via nos churrascos da minha infância. Meu pai e Orestes em risos e euforias bêbadas que de tão alegres revelavam a tristeza inevitável. E eu tinha 5, 6 anos e percebia isso porque com 5, 6 anos a gente percebe muita coisa. Acho que nem o Orestes nem meu pai são ainda capazes dessa alegria estúpida. Porque o tempo maltrata e a tristeza ganha mais importância do que deveria. É uma pena.
Ler o García Marquez tem me dado essa agonia. Porque a vida inteira não é boa nem ruim, nem alegre nem triste. E mesmo o amor - essa doce idéia por nós inventada - é despojado de arroubos e delírios que só fazem sentido se pensados em prazos curtos. (Minha avó e seus 51 anos de casada entende isso como se isso fosse simples). E ontem, antes de dormir, fiquei vendo esses rostos terríveis que surgiam no pré alfa e eu sentia medo e não entendia se os rostos vinham do livro ou do Carnaval.
Seja como for, minha solidão está reestabelecida e o controle que se deseja de maneira geral é mais objetivo quando se está só. Em todos os sentidos: no banheiro que é só meu ou na certeza de que ninguém ou nada me permeará se eu não desejar. Provavelmente deixarei um livro ou um filme me permear. E isso será uma escolha. E escolher, ainda acho, é legal pra caralho.
6 de março de 2011
- Faço contas e vejo o mundo. Pouca coisa importa. E isso faz tempo. Tem a louca que fala sozinha ao meu lado e pede desculpas. Ela, eu já vi, tem o costume de alimentar pombos. Cogitei perguntar sobre pombos, mas preferi não. Muito arriscado. Ela falaria horas sobre os pombos e eu nem estava tão animado assim.
- O Carnaval é um beleza. Gente animada, diversão barata e o mendigo que sambava enquanto playboys o perguntavam sobre sua fantasia. (Ele não usava fantasia). Os playboys riam das próprias sacadinhas e o mendigo apenas dançava. O mendigo que dança solitário prova o sentido do Carnaval. Os playboys provam o óbvio: gostar de Carnaval não torna ninguém melhor. (Um dia sairei com uma bela máscara de demônio. Porque fantasia faz mais sentido se, de fato, aniquila sua individualidade. A minha máscara imaginária será assim: ninguém me reconhecerá e eu não serei eu. 4 dias e meio por ano pra isso. É um bom número.)
- Todo domingo me repito. No bar da esquina leio o jornal e bebo 2 cervejas. Hoje, pelo Carnaval, bebi 3. O fato é que todo domingo leio a coluna do Caetano no globo. E o Caetano piora cada vez mais. Impressionante sua conversa só, na qual ele se lambe cheio de parênteses e citações de supostos e-mail recebidos. Não dá pra entender. Mas, ao mesmo tempo, chego à uma brilhante idiotez: a gente está sempre condicionado à imagem que temos de si.
- Sinto-me muito vital com a realidade dos outros. É simples: nesse Carnaval há parentes em minha casa. Eles vieram pro Carnaval no RJ, mas dormem muito e nem se animam tanto com o Carnaval do RJ. Dormem muito e nem seguem os blocos que passam. Parece estranho: se você vai ao Carnaval você faz disso um programa. (Como eu em Ctba nas ditas baladas). Não sei explicar, mas me sinto jovem e vital durante essas visitas.
- Tesão em desconhecidas é um dos prazeres do Carnaval. Elas passam e as assediar é parte da jogada. Não há ofensas, há risos. Uma foda de Carnaval parece uma bênção porque é exatamente isso: uma foda de Carnaval.
- Com a Branca, provavelmente pelo tempo longo, cogitei travessuras para evitar o inevitável tédio das longas relações. Carnaval era uma das possibilidades. Branca, como boa católica, se encantava com a idéia. E eu também. Era, e sempre seria, uma maneira de preservar o casal. Mas, nessa coisa Carnaval, cheguei a conclusão de que eu sairia perdendo. Ela era linda e mulher. Eu sou homem e nem sou lindo. Nada mais complicado do que um casal que se ama, é a minha conclusão.
- Fica a dica e também eu mesmo como brinde. Um gordo como chaveiro é uma bela fantasia. E há Internet, os filmes em rmvb e o Cinco Vezes Favela - que é um ótimo projeto, mas nem sei se é um bom filme. No mais: Carnaval e parentes. Em outras palavras: a vida segue.
4 de março de 2011
sssnsaps
Gosto das mulheres que eu invento
1 de março de 2011
Eu mesmo, muito prazer.
O celular agora é fonte de música: porque tem rádio MEC e porque a minúscula caixa de som lá é melhor do que a daqui. E isso prova que nada faz sentido.
Fernandinho fica de pinto duro vendo "Bruna Surfistinha" e lembra que teve um sonho erótico. Em pornografia internética prefere as milfs e as mons. Fernandinho reflete com ares profundos: preciso de buceta.
Fernandinho imagina-se com bastante dinheiro e chega a óbvia brilhante conlusão que teria putas semanais. Questão de conveniência e praticidade. 800 Reais em lazer constaria no orçamento.
Fernandinho tenta ler literatura contemporânea, mas não consegue e acaba lendo outras coisas.
Pensa que está estagnado no Rio de Janeiro e culpa o Rio de Janeiro. Fernandinho erra enquanto abre cds com fotos antigas nas quais era 20 kg menos gordo. Imagina-se mais feliz nas fotos: boa companhia e um RJ que nem tinha dois anos. Nessa época Fernandinho amava e era amado. Fernandinho sente saudades com facilidade e alegria.
Hoje mesmo espremeu uma espinha verde e enorme no próprio rosto. Durante o espremer soube que cometia um erro, mas persistiu. Fernandinho tem, agora, uma ferida em sua bochecha direita e lembra que a minancôra acabou.
Fernandinho quer desligar o rádio e o computador, mas não quer parecer antipático. Há sempre o risco de ser mal interpretado e Fernandinho não gosta de ser mal interpretado quando deseja ser bem interpretado ou nem interpretado ser.
Fernandinho fica sem palavras.
E se repete.
E deixa que o bom piano da rádio MEC seja o fim desse post.
28 de fevereiro de 2011
Uma foto linda que me fez lembrar.
27 de fevereiro de 2011
Domingo-Oiés.
24 de fevereiro de 2011

- Ouvir música clássica como quem bebe uma cerveja. A intenção por trás da coisa é a mesma: sentir-se bem, viver melhor, essas bobagens.
- Música clássica é o fino. Será que um dia só ouvirei música clássica? Lembro do bom Buk falando de música clássica. Faz todo sentido. É como se tudo estivesse lá. É como se fosse uma arte superior. (e sim, sim, sei que esse papo de arte superior é algo velho e chato)
- Arte é do caralho. E nem toda manifestação artística é do caralho. Mas pra quem gosta de arte há momentos em que tudo é aquilo. Pode ser uma música do Lobão, dos Beatles, um trecho do Domingos Oliveira falando ou o início de O Idiota. Tanto faz. De repente, por algum mistério, a gente sabe que está diante de um treco fodão. Pode ser uma tela do Picasso ou a Laura de Vison no teatrinho gay que ficava Travessa dos Tamôios. O que quero dizer: Arte não é um monte de perguntadores malucos diante de um quadro. Arte é e é imediata: ocorre diante de todos.
- Esse papo de que todos são artistas potenciais é a coisa mais imbecil que já se disse. Um auto ajuda destrutivo, desses que supõe a solução ser a auto estima (outra falácia). Uma pessoa feia sabe-se feia e reconhece a feiúra e a beleza. Ela não precisa estimular sua auto estima diante do espelho. Ela sabe quem é e faz o que faz. E, caso esse/essa, seja artista ele fará um quadro fodão, como o bom anão Lautrec. (Ou alguém acha que as putas que serviram de modelo para nosso anão não cobravam por hora?)
- Que venham os anões fodões e as músicas clássicas. Que o Dostoievski continue ensinando as coisas pros seguidores de Freud e que o Bortolotto explique por quê é sem sentido querer ser famoso. Que Reinaldo Moraes mostre que o sexo é divertido (e constrangedor) pra caralho e que o Nelsão nos diga sobre a importância de ter manias, taras e obsessões em geral. Que haja Picasso pra mostrar a guerra e Oticica pra revelar que o Brasil consome os ícones americanos como quem consome cocaína. Que os sambinhas representem nossa dor de corno e melancolias de machos latinos, que a MPB seja nossa inteligência e que o Win Wenders nos mostre o jeito certo de olhar as paisagens.
23 de fevereiro de 2011
(sr)
- Ver filmes de boxe e se acalmar. Boxe é realmente legal. E, fato, rende bons filmes. Homens que lutam é o máximo resumo. Faz sentido. Acho que sempre fará.
- Das manias recorrentes: Rádio UOL, música de Cello. E, Meu Deus, é tão triste e tão bonito. Imagino-me velho, com uma rotina e salário fixo resolvendo aprender tocar Cello. Seria uma boa velhice, acho.
- No bar da esquina bebo duas cervejas. Penso na janta. Preguiça do peixe que não descongelou para o almoço. Na esquina as pessoas passam. Reparo que os shorts das adolescentes estão cada vez mais curtos. É bom ver as coxas jovens: já meio escangalhadas, mas ainda jovens. Lembro do Nabokov com Lolita e concluo que Lolita é nova demais pra mim: garotas de 16 já me constrangem. Esse tesão sem direção é uma beleza, ainda que seja inútil.
- Durante o filme cago regras: todo homem deseja uma mulher que lhe salve. É um fato e nem sei o que fazer com isso. Tem um monte de homem que me acompanha: o Vinícius, o Dostoievski, o Domingos, etc. Imagino-me cagando essa regra (e descoberta tardia) para uma mulher do nosso tempo e concluo que fudeu. As maiores revoltas viriam à tona. Querer uma mulher que nos salve é, hoje em dia, algo que não deve jamais ser falado.
- Vencer uma luta de boxe deve ser do caralho. Da esquina eu reparava nos meninos que trabalham na farmácia e que brincavam de lutar. Um clássico. Lembrei das minhas lutinhas contra primos, amigos. Eram lutinhas de brincadeira, e, como toda brincadeira, serviam de ensaio para a vida adulta. É... filmes de boxe são mesmo ótimos: vou rever a saga do Stallone pra confirmar o óbvio.
22 de fevereiro de 2011
Faço as unhas, corto o cabelo e aparo barba e bigode.
- Ou você é cínico ou é equivocado. O cinismo a gente entende e põe no bau idiota que leva a idiota etiqueta: 'coisa de gente'. Mas o equivoco... ah... o equivoco não tem baú e toca punheta com a mão esquerda por supor que, sendo destro, a mão é de outrem. Em outras palavras: lambe-cus só satisfazem imbecis. Ou será que realmente todos meus amigos que disseram 'a-do-rei sua peça' foram superrrr sinceros?
- Todo homem é uma criança. Digo: todo homem que inventa um programa com uma mulher é uma criança. Corrijo: todo homem que gosta de mulher e inventa um programa com uma mulher é uma criança. Demora pra ser indiferente ou pra ser amigo de mulher sem, secretamente, imaginar comê-lá. Diria que é questão de tempo e insistência. E com 'insistência' quero dizer uma íntima e solitária lavagem cerebral em que o homem repete mântricamente pra si mesmo diante do espelho: não quero comê-lá, não quero comê-lá, não quero comê-lá...
- Ter sucesso é o desejo mais imbecil e comum do mundo. E sucesso, se se pensar na palavra, é uma coisa estúpida e sem sentido. E nessas, a gente (os metidinhos de plantão com blogues e projetos artísticos variados), usa a palavra reconhecimento. Por um lado é decente e soa melhor, por outro apenas ratifica a idiotia dos nossos desejos diários. É um tipo de labirinto, onde os atores, mesmo com bons cachês, sentem-se envergonhados pelo sucesso que fazem.
-
De barba feita
e manguinhas de fora
meu pau precisa
descobrir aonde mora.
21 de fevereiro de 2011
fosse verdade que fosse mentira
17 de fevereiro de 2011
Pacífico e infantil como toda paz.
Amar pra sempre
e dizer até logo.
Como quem vira a moeda,
como se o abismo
tivesse dois lados.
2.
Ver os adolescentes
que se beijam
nos bares da Voluntários da Pátria
e lembrar que pau duro
já foi sinônimo de constrangimento.
Os amigos que diziam:
- quem fica de pau duro quando beija é porque tá beijando pela primeira vez.
Então inibia-se a pau-durecência
em beijos públicos
para que sarros variados
ocorressem em frestas de festinhas americanas:
Meninus-Bebis/Mininas-Comis.
3.
Era bem simples
e bem decente
e intenso.
Tesão era uma mão na bunda,
uma roçada mais agressiva
ou mesmo o simples desfile com a garotinha.
14 de fevereiro de 2011
sobre teatro -
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Não me infernize.
Deixe-me mais ou menos em paz.
É mais uma reclamação, mais uma raiva, mais uma injustiça.
Que o mundo apenas roda em torno do sol enquanto dá voltas sobre si mesmo.
E imbecis recebem medalhas. E dinheiro.
E a conveniência é um treco que ganhou importância. Ser bem relacionado, se juntar aos bons nomes, participar de festas e gostar de coisas que não se entende é mais importante do que alma, amor, decência ou, no mínimo, capacidade de se comunicar.
Seja simpático, tenha um exército à sua volta e compre imovéis para empreendimentos culturais. É velho. É falso. É uma ''jogada'' que agrada aos que lhe beneficiam. Ser bem relacionado, garantir os amigos, lavar a mão que lava a sua. O equilíbrio social e a condenação à quem fuma, quem bebe, quem gosta de café e também à quem acredita em histórias.
Houvesse justiça e raios cairiam. Porque nem questiono a injustiça que julgo sofrer, mas sim os benefícios de quem, mesmo sendo chato e incompetente, consegue colher flores por ser bem relacionado. Alimenta-se defuntos com homenagens que apenas reforçam que o defunto em questão é um bom nome para se ganhar dinheiro. E dinheiro existe, e dinheiro ganha-se.
Então reclamo. E fico só. E nem quero parceiros pras minhas reclamações.
E mesmo sem acreditar em Deus imagino justiças divinas: um filho viciado em crack, por exemplo. Seria chocante para um ser humano que nem em vícios acredita. Até o arquétipo do desejo de matar o pai, ele nega.... Meu Deus! Crack ou algo que ainda será inventado.
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Pai Comerciante, Mãe Dona de Casa, Esposa que Nem Importa-se em Ser Corna E Filhos Loiros em Colégios Bilingues.
É disso que se trata, é disso que estou falando. A Morte não é um problema, mas algo à ser retardado. Viver até 100 anos é seu objetivo. E ele conseguirá. Morrerá com 101.
Alma, ele me ensinou, é coisa pra fracos.
13 de fevereiro de 2011
Todo Domingo Faço Planos.
11 de fevereiro de 2011
Anúncios: O Globo - 13 Fevereiro de 2011.
- Preciso de gente chupando o meu pau. Não precisa ter boa feição ou habilidade em engolir porra. Nem mulher precisa ser. Exijo ausência de barba, bigode ou língua áspera. Não é necessário amor, alma, dedicação. Precisa-se de técnica e capacidade de ficar calado(a). É proibido falar e não pode abrir os olhos durante a felação. Há restrições quanto a excesso de saliva e boca de velhinha(o).
- Pago bem por boas punhetas. Tem que ser mulher. Não quase mulher e/ou homem e/ou travesti. Mulher com mão de mulher: pouco (ou nenhum) pêlo e sem sudorese. Unhas longas e, preferencialmente, mal pintadas ganham mais. O ideal é esmalte vermelho descascando. Aceito anãs, velhas e portadoras de vitiligo. Não precisa ficar de olhos fechados que eu mesmo fecho os meus.
- Aceito bucetas para um fraterno e inofensivo papai-e-mamãe. Não pode ser de quatro, frango assado, de ladinho, por trás ou em pé. Papai-e-mamãe é a exigência. A dona da buceta pode ter nascido homem. Não exijo uma buceta nata. Basto-me com a racha e o papai-e-mamãe. Beijo na boca, nessa clássica posição que a língua inglesa -debochadamente - chama de missionária, é um mal necessário. De forma que bigodes, barbas e pêlos excessivos não serão aceitos.
