29 de novembro de 2009

Suei o domingo inteiro.

Enrola fios, abre machos e fêmeas, desce e sobe, fuma cigarros, descasca fios e acopla ao macho ou à fêmea, ri da piada idiota, cansa e reclama, pensa na vida, pisa na lâmpada, carrega microondas, passa fitas e faz testes, passa fita e faz contas, reclama de novo, ri de novo da mesma piada idiota, descasca parede, sangra o dedo no cobre, segura escada, limpa suor na camisa, tampa o espelho, estica o pano, muda o sofá, desce e sobe o sofá, põe o vaso no vão, descobre o curto e conta as lâmpadas.
Então mijo num jato grosso e extremamente amarelo. Quase laranja.
Sinto-me macho e satisfeito.
Macho pela cor do mijo e pelo cheiro.
Satisfeito porque fizemos o que era pra ser feito.
-
Agora é torcer porcas e ter a bendita sorte bem dita.
Três cervejas pra janta e a alma quase em paz por lembrar que há rosbife na geladeira.
AMA
NÃO
AMA
SE
AMA
ME
CHAMA
QUE
EU
VOU
(os mutantes)


28 de novembro de 2009

Mais uma histórinha pra contar.



Pretendo viver assim: cheio de histórinhas e balançando a pança. Uma cerveja pra espantar o tédio e, com sorte, uma dama bonita que me ame e me afague as carnes em dias ruins.
No mais as histórias que não me interessam: as casas grandes, a natureza e sua pureza, os amores passionais, os gritos que só comovem no escuro, as conquistas pelo suor, o conta gotas de quem mantêm a conta poupança, as loucuras com data marcada, os risos sem som, as bocas sem dentes, os corpos sem alma, etc e etc.
O mundo é um desbunde idiota quando se afirma tudo pode ser e se esquece que nem tudo importa.
Por isso fico quieto e vejo mais do que falo. Tenho bom senso pra não ser o chato que repete diante dos outros: isso é velho, isso é velho e falso.
Mas claro, e como não, cá comigo, muitas vezes penso: isso é velho, isso é velho é falso.
E então fico calado e me sinto ótimo.
Que desafio vale apenas para as lutas e os maus filmes americanos. Que o bom da América não fala disso e acho que até fala do oposto.
O bom da América é sobre aquilo que não dá certo no mundo ideal que a América vende como possível.
Seja como for, me repito: os dias são longos e querer ser feliz é o primeiro passo pra eterna frustração. Por isso me dedico à tentar ser mais esperto e ter sorte.
E sorte ainda é o mais importante.

26 de novembro de 2009

-°-

A cabeça rodando e o pau, lá embaixo, amassado em meio ao suor. Viver no RJ nunca será civilizado. O calor não permite, a informalidade não permite e é melhor assim.
Mas nem importa isso. É que gosto de escrever e disparo. Perco o ponto.
Volto:
A cabeça roda quando a gente não sabe o que fazer. Sabe como é: você vê a coisa e julga a coisa, descobre que há problemas na coisa, mas não faz ideia de como os resolver. Isso podemos chamar de inferno. E o inferno é quente e cheio de capetas e capetinhas. Uns tem cara e outros não. São os capetas-sombras: você nunca tem certeza se eles existem ou se os inventou.
Amanhã terei o dia pra me dedicar à punheta da vez. Com sorte o pau fica duro e mata, num único jorro, 70% dos demônios. Sem sorte nem sei e nem quero saber.
E eu que não sou imbecil de achar que sorte não existe. Existe e é quase concreta. Assim como um relâmpago é.

25 de novembro de 2009

Uns trecos bonitos que se vê na rua.
Mesmo agora, com essa pulga que me devora lenta e implacável, sinto esse treco bonito.
E esse treco bonito não tem nada a ver com felicidade ou harmonia. É uma coisa besta que te basta.
Como aquele casal que atravessou a rua e estava de mãos dadas e sem conversar. Ela parou pra arrumar a sandalía e ele apenas esperou. Depois seguiram do mesmo jeito que antes.
Minha pulga é simples: achei que tinha resovildo uma coisa, mas não resolvi. E é triste porque antes, embaixo do meu abajur, a solução era clara e certa.
E o tempo é terrível e tortura e, infelizmente, sempre acaba faltando.
No mais: mulheres bonitas que falam comigo. Queria elas de olhos abertos diante da minha imensa pança e do meu pau semi duro desejando ser chupado. Mulheres são exigentes demais. Não todas, mas as que agora desejo.
E meu pau e minha pança, tadinhos, nem sempre causam boa impressão.

24 de novembro de 2009

abismo.

Nunca
mais
me
viram
aqueles
olhos
bonitos
onde
deveria
ter
me
afogado

o fino.


(Pryscila Vieira)
ela é enorme e gostosona, tem aquele sotaque curitibano que só é bonito mesmo em mulheres grandes. O blogue dela tá linkado aí.
Uma estranha loucura sem nome e endereço. Não sei se me importo ou não. Ver os loucos ou falar com os loucos? O risco de falar é que há loucos que são convincentes. E alguns, não muitos, têm um puta charme sedutor.
Por hora não falo nada e penso alto. Tomando o devido cuidado pra não mexer a boca enquanto penso.

22 de novembro de 2009

Ela tocou mais uma siririca na tarde quente e insuportável do Rio de Janeiro. Queria dormir, mas não tinha sono. Achou que a siririca iria ajudar. Errou.
Desde que havia descoberto o clitóris, ela tocava siririca pelo menos 3 vezes por semana. Ficou encantada quando pegou um espelho e, movendo as peles, descobriu o que chamou de pirâmide vermelha. Tão pequeno e tão potente, pensou.
Quando foi perder a virgindade ficou horrorizada com aquele negócio que queria entrar nela. Entrar pra que? Doer pra que? Mas tava decidida e queria fazer parte da turma. Pegava mal ter 18 anos e continuar virgem.
Deixou entrar, sentiu a dor e achou muito estranho aquele entra e sai. Parecia inútil na cabeça dela. Bem mais simples girar a pirâmide vermelha. E mais higiênico também.
Quando viu a ejaculação do rapaz, achou aquilo parecido com vómito de bebê. Não entendia porque o sexo tinha que fabricar tanta sujeira.
Imaginou aquilo sendo jorrado dentro dela e sentiu uma ojeriza fatal. Decidiu que não teria filhos e que nunca, nunca mesmo, permitiria à um homem usá-la como receptáculo.
Achava a camisinha uma bênção. Era grata a existência da AIDS, pois, quando era o caso, argumentava sobre os riscos do sexo sem proteção.
De qualquer maneira, preferia a siririca. Não gostava do vai e vem, do entra e sai. Achava agressivo e desnecessário. Fora que era demorado. A siririca era objetiva: em minutos estava satisfeita.
Quando transou com um rapaz que, durante o chatíssimo entra e sai, lhe tocou o clitóris, se apaixonou.
Namoraram por 5 meses, mas ele começou a reclamar da obrigatoriedade da camisinha e eles terminaram. Ela nem chegou a ficar triste, mas lamentou e sentiu que nunca seria compreendida por ninguém.
Decidiu que seria sozinha e auto suficiente. Ela não precisava de ninguém e era feliz. Era uma mulher independente, com um bom emprego e uma casa própria. Viver era simples e ela sabia disso. Cogitava fazer, antes dos 40, uma inseminação artificial.

21 de novembro de 2009

O que mais me irrita é esse desejo por homens delicados ou por mulheres masculinas. Fetiche de idiota, isso sim. Quando quero uma garotinha quero ela justamente por ser uma garotinha. E repito: se fosse pra dar um cu, dava pro cara mais macho da cidade.
Que eu é que não entendo isso. Uma mulher não é bonita por parecer qualquer outra coisa que não uma mulher. Acho, de novo, que é só uma maneira de 'turvar as águas pra as fazer parecer mais profundas', como diz o d. oliveira.
É chato e falso. Uma ladainha tão coerente com esse tempo nosso, 2009, onde confusão se tornou virtude na cabeça dos eternos indecisos.
A indecisão é parte da jogada de quem tá vivo e respira por aí, mas indecisão não é um estilo, uma virtude ou um jeito de aceitar tudo de tudo. Indecisão só pode ser legítima quando passageira.
A eternidade da indecisão inverte a coisa, como se o imbecil lhe afirmasse com os olhos injetados: - decidi ser indeciso, bonito não acha?
Só idiotas - ou ignorantes de alma - aceitam tudo de tudo. De graça nem injeção na testa, que achar que 'de graça' é a grande vantagem que não desejo ter. Prefiro pagar certos preços.
Não deixo de roer meu osso, mas sei que um osso é um osso. Não vou inventar uma sobra de carne que não me alimenta. Se for pra inventar, invento um banquete ou um milagre.
Mentir pra se safar ou pra se sentir melhor é uma coisa indecisa e mal resolvida.
Radicalizar, mesmo em ninharias, ainda me parece mais decente.

20 de novembro de 2009

19 de novembro de 2009

Sonho de novo com ela.
Sonho que se parece com novela e que não tem nada de extraordinário.
Apenas falação, tentativa de convencimento e uma amiga do contra.
Depois de acordar, vejo o que vi e penso na coisa do destino. De desejar o destino.
Não é simples assim, mas certas coincidências simplesmente me apavoram.

Quando você
estiver comigo
e quiser dançar,
acorde bem cedo
e prepare um belo
café da manhã.

Porque, bem,
na verdade,
eu não gosto de danças.
E talvez isso,
pra você,
seja um grande problema.

Então peço:
- me trate bem
e com alguma ternura
nesse dia.

Pra que de noite,
diante da pergunta fatal,
eu apenas lhe responda “vamos lá”.
Porque agora,
e só agora,
eu aprendi:
eu não gosto de danças,
mas,

mesmo assim,
eu posso dançar
se isso for lhe agradar.

Mas, veja bem,
não abuse de mim.

E quando for,
finalmente,
dormir comigo,
não se esqueça

de forma alguma,
de nunca,
e nunca mesmo,
me desejar,

segundos antes
do sono terrível,
bons sonhos.

18 de novembro de 2009

Nem ternura nem descaso.
-
Meu saco pra lua ao ver a repetição: gente burrinha e chata, reclamando com pontos de exclamação e achando que são originais.
Eu tão chato que, se fosse cachorro, mordia meu rabo. Ou, se a barriga deixasse, roía as unhas do meu pé.
É uma mania estranha que, como não é minha, eu não reconheço: dizer que ama quem adora e chorar porque acha as lágrimas bonitas.
É tudo muito confuso. E tem muita jogada nisso e naquilo. E jogo por jogo, prefiro o meu blogue. Que é meu e eu sei.

Gosto da posse. Daquela posse tranquila que é olhar por horas e horas a buceta da mulher amada. Remexendo ali, descobrindo pintas e rugas sem nenhum medo de gostar menos por ver isso assim, tão revelado e arreganhado.
Separar os lábios e ver a cor cintilante da carne nevrálgica que pode roubar minha alma.
Abrir a buceta da mulher amada e ver lá dentro é como encarar o abismo.
Sentir o terror e a tentação.
E decidir, mesmo sabendo de todos os riscos, cair ali dentro.

17 de novembro de 2009

><

Aquela gorda do metrô era um escândalo. Pena eu implicar com gorda.
Porque sou gordo - e gordo e gorda trepando é um ballet triste de se ver.
Ela era uma dessas gordas fartas, de peitos enormes e braços roliços. Pensei que ao lado dela estaria sempre protegido porque aqueles braços eram fortes e vigorosos.
Ela tinha um rosto delicado e uma boquinha de desenho animado. A boquinha, muito vermelha de batom barato, era quase um coração.
Gorda sim, mas não roliça. Gorda que mantêm as curvas e as formas, que não parece uma azeitona ou um pino de boliche.
A gorda desceu em Botafogo e andava calma e sonhadora, como só uma gorda poderia.
Dava uma mordida na barra de chocolate e passeava em direção à saída da São Clemente.

16 de novembro de 2009

Daqui e de lá.
-
a única opção é ser discreto,
mas mesmo assim
não muito.
falar e escutar,
roer o próprio osso
ou outro.
sem saco
pra isso
sem saco
praquilo.
dez mil que se parecem entre si.
-
meu cu arde
e o sal acaba no meio da carne assada.
não quero bater palminha,
não vou bater palminha,
me pego batendo palminha.
-
gente-maldita-gente
eu entre eles
e nós,
todos nós,
contando vantagens
uns para os outros.
-
uma beleza.

14 de novembro de 2009

Passeio.

Ressaca curada com PF e vou ao meu Shopping de sábado à tarde que é o Hortifruti e seu ar condicionado perfeito.
  • As mulheres mais lindas do planeta vão ao Hortifruti aos sábados.
  • Uma mãe e uma filha. A mãe belíssima e penso que deve ser terrível ter uma mãe tão bonita assim.
  • Reparo no zelo do velhote que escolhe tomates e imagino, pela quantidade, que é ele, há 50 anos pelo menos, o responsável pela macarronada de domingo.
  • A caixa de amoras é quase um bibelô. Se eu tivesse uma guria linda e esperta me esperando em casa, compraria uma caixinha de amoras pra ela.
  • Ao escolher um bife pro domingo, uma mulher me desdenha. Penso que deve ser uma vaca vegetariana que acha que não comer carne a faz superior.
  • Mulheres elegantes de 40 anos deixam claro, pelas compras, que não têm marido ou namorado. Eu adoraria ser o pau amigo de uma delas: seria generoso no sexo oral e as ajudaria a lavar o alface.
  • Na volta vejo que mesmo entre os prédios as crianças ainda jogam futebol na rua.
  • Agora: arroto meu almoço e confirmo que o PF estava mesmo delicioso.
  • Em segundos: cortinas fechadas, eu peladinho e o ventilador no talo. Depois posiciono a luminária, abro o livro e espero o soninho.
  • Dormir à tarde é quase voltar a ser criança.

13 de novembro de 2009

Cinco dias e cinco noites.

Uma paz quase chata e duas doses antes de dormir.
Tudo lento e sem pressa: meu velho mau humor brotando junto com as minhas ironias.
Uma dose a mais e é possível perder cabeça. Silêncio pra passagem do caixão e farra na hora de beber o morto.
Se dançar é chacoalhar o corpo, eu concluo que também sou dançarino.

12 de novembro de 2009

arms.

Cara virada pro asfalto.
Até a lapa pode ser um paraíso.
Questão de pegada, de jeito de olhar, de dia bom.
Fala-se o caralho a quatro. Devem ser lentos os bons papos.
Recheios pra todas as crianças: fofocas com goiabada, verdades com sorvete e confissões com mariola.
Tudo é uma homenagem e, ao mesmo tempo, uma bobagem que deve ser compartilhada.
Lenta, bem lenta, como deve ser.
Que não eu é que não queimo rádios. Que você é que não trata lesmas com alface.
Papo reto e simples de gente que cresceu e decidiu partilhar umas coisas.
Sem forçar, sem exagerar, sem declarar amor eterno à cada novo porre.
-
Bato três palmas sonoras e calibro meu longo copo de whisky. Sei celebrar sozinho,
mas, as vezes, os amigos colaboram sem saber.
A vida tá acontecendo e o tempo passa veloz e implacável.
Uns seguem e outros somem.
O risco é o mesmo e o trágico
ainda é notar
que você não ouviu
a sua velha intuição
e que, de novo,
era ela,
e apenas ela,
que estava certa.
-
A esperança é que fiquemos mais espertos.
Acho que estou.
E ele também.

10 de novembro de 2009

sem vogal.


Aquela dança era só um jeito de se desesperar. A gente se vira com o que pode e com o que tem. Somos os macacos que em volta de uma árvore inventaram o join de vivre. Não por desejo, mas por tédio.
E tem tanta gente que confunde tédio e desejo que nem falo nada. Minha aparência de arrogante paga seu preço por não ser tão simpática assim.
Mas lá fora tem aqueles dois ou três que realmente importam. Falta a fêmea, a fêmea fatal: guria esperta pra quem venderei minha alma e por quem, no auge da loucura que o amor provoca, jurarei, cheio de sinceridade e crença, que, por ela, deixo de ser eu mesmo e viro seu herói/príncipe dos sonhos encantados.
É por acreditar que o amor existe que eu não danço. Não quero dançar assim: apenas pra provar que também sou capaz de mexer o meu corpo e meu quadril. Se o lance é o desejo e não o tédio, eu berro sem medo de queimar a mão: deseje apenas o impossível.
O possível é o playcenter dos que não acreditam que a vida pode ser melhor. Como quem facilita a sujeira ao se concentrar apenas no lado bom de tudo.
Merda velha e repetida de gente que não sou eu e que não quero do meu lado. Poliana é uma metáfora e não, por Deus, um exemplo que deve ser seguido.
*
No mais, estou pelado e meu pau toca minha canela. Com minhas pernas dobradas, o ventilador ligado e uma música boa, sou capaz de nunca mais sair da minha casa.

8 de novembro de 2009

***
Acordo antes da sete. Lembro da infância e ligo a TV. Criança no domingo acorda e vai direto pra cama dos pais, onde assiste, com interesse médio, o globo rural. Minha mãe fazia torradas e a gente comia. Ficava eu e meu pai lá, comendo torradas e vendo o globo rural.
***
Como acordei cedo, tomei café na padaria e lembrei de quando ela acordava antes e comprava abacaxi no caminhão que ficava aqui do lado. Ela voltava e me acordava com nacos de abacaxi na boca. Tão bom comer abacaxi com a boca pastosa de sono. De manhã ela era falante e, a cada naco, me contava do papo que teve com o dono do caminhão que vinha do Espírito Santo até aqui pra vender abacaxis que na verdade eram ananás. E me explicava a diferença entre um e outro que o dono do caminhão tinha explicado pra ela.
***
Dia com cara de passeio, mas me falta uma boa fêmeazinha. Talvez devesse descobrir o telefone dela e fazer uma surpresa. Seria uma ousadia e tanto. Pra mim e pra ela, acho. A gente caminharia em um lugar bonito, comeria algo leve e saudável e só beberíamos sucos naturais. Um boa fêmeazinha é um perigo: penso até em mudar quem eu sou.
***
Já fiz tudo e mais um pouco, mas as horas passam lentas. Agora uma geralzinha na casa e, quem sabe, uma volta pelo bairro e uma ida ao hortifruti. Nesse calor da preguiça de comer. Talvez devesse ler os livros chatos e voltar a dormir, talvez dobrar as roupas, não sei. Mais um cigarrinho e, depois de cagar, tomo uma decisão. Quem sabe.

6 de novembro de 2009

É essa faca no peito e umas coisas que eu sei.


Porque vivi por aí e me joguei em 3 ou 4 roubadas, vi o inferno 2 vezes e quase conheci o céu uma única vez.
E por isso meço palavras e faço fita. Meu auto controle deseja ser mantido.
Pago os preços e aviso: a paz acaba se uma fêmea ganha estatus de deusa.
Porque mulheres são loucas e todos sabem disso.
Mulher, eu sei, pode me perturbar a alma.
Eu perco a mão, eu topo a merda, eu chafurdo na loucura que se faz pro encontro das carnes - o encontro, o encontro real e raro quando os 4 olhos abertos deixam de ser usados pra enxergar e se tornam uma suruba de anjos.
Os corpos colados, os orgasmos evoluindo em sintonia e uma pulsão de morte na qual você se abandona. A pequena morte da língua fresca, o inferno abençoado pelo padre do Seu Chico e a dissolução absoluta do ego dos meus livros de auto-ajuda.
Por isso e por essas vou manter minha discrição e controlar minha capacidade de delírio.
Fazer de conta que sou indiferente, deixar o telefone tocar e, como sempre, dormir bem bêbado e rezar pra não ter pesadelos.
Têm uns preços altos que se pagam por aí. Arrependimento é um deles. E à merda os imbecis que não se arrependem jamais! Imbecis, eu disse.
Hoje senti uma dor estúpida: lembrei que nunca, nunca mesmo, fui buscar ELA na rodoviária. Meu Deus! Isso faz séculos! E me doeu tanto. E me senti tão idiota ao lembrar de quem eu era lá. Uma pena, uma terrível pena. Até porque nunca mais houve ninguém chegando de ônibus na horrorosa rodoviária do Rio de Janeiro.
Mas o tempo passa e é fatal. Não poderia ter seguido, seria desonesto se tivesse seguido.
Um novo começo cheio de alvoroços seria um milagre maldito que me deixaria doente e satisfeito. O velho delírio do rapto com cavalo branco.
Acho que está claro que a ideia de destino me apraz.
Seja como for, sonho com ela e, sobretudo, que seja ela a figura misteriosa que me caça no google no Sul do país.

5 de novembro de 2009

Hoje sai de casa sem cagar, o que me incomoda profundamente.
Prefiro perder sono à sair assim. Geralmente adianto o relógio, preparo o café, bebo e espero a pressão. Então fumo meu primeiro cigarro durante o ato como se fosse um cronômetro.
E assim saio preparado para enfrentar o imenso mundinho.
Mas hoje o sono tava bom e o sobre o calor nem comento. De forma que nem caguei e meu cronômetro ficou desregulado e passou o dia inteiro a me cobrar miudezas.
E fui pra lá e pra cá e, bem, confesso que prefiro mesmo é não sair de casa. Essa coisa de fazer mil atividades pra completar o dia me parece estúpido. Não é completando cruzadinhas que me sentirei mais vivo. Eu não, pelo menos.
Pra terminar, minha casa só minha e meu banheiro só meu. Não tá limpo, mas é confortável. Cago lento e impassível e agradeço que amanhã as cruzadinhas serão só minhas e secretas - que é assim que deve ser.
-
Meus pés ainda doem, mas meus amigo me tranquilizam: - não é gangrena, idiota!
Confio neles.

4 de novembro de 2009

>>

Dia de sol e sofrimento. Porque gordo sofre no sol. É inevitável.
-
Andei pelo mundinho e até participei: dei beijinhos e perguntei 'tudo bem', sorri sem vontade e até cedi meu assento pra uma velhinha do metrô.
A tarde vi uma mulher alta que acho bonita e misteriosa. Misteriosa porque ela não deve ser quem aparenta ser.
(Ela é todo o estereótipo de mulher anti feminina que não precisa de nada e que acha a feminilidade uma fraqueza. Mas, ao mesmo tempo, quando nos cumprimentamos e somos educados, fico com uma pulga que me diz que não é nada disso, que isso, essa atitude anti feminina dela, é apenas uma defesa como outra qualquer).
Depois o de sempre e a novidade que meus dois pés doem. Pode ser o tênis, o peso, ou, quem sabe, a gangrena chegando lenta.
Tenho lá minhas defesas. não tenho?
E, acredite, atualizar o blogue diariamente é uma delas.

2 de novembro de 2009

dd

Nenhum desejo extravagante me perturbou. Papiei aqui e ali, vi a chuva da minha janela e dormi quase sempre cedo.
Na internet a mesma tristeza de sempre: umas notícias trágicas, a apatia generalizada e uma ou outra manifestação de afeto. Tudo muito contido e elegante.
Lá fora houve grandes churrascos e festas. Não fui em nenhum, mas eram todos chatos e previsíveis como o metrô lotado em dia de sol.
Uma birita com a nova maturidade da minha boa amiga e o sorriso sacana da minha velha conhecida que gostaria de ver de quatro. Apenas por ser do contra e por acreditar, piamente, que ela deveria dar pra mim por uma semana, pois, assim, do alto da minha arrogância, afirmo que ela aprenderia a trepar.
Mais umas atividades supostamente úteis e rever, pela 10° vez, o poderoso chefão. Dessa vez revi o segundo.
E afirmo, sem medo de errar, que sempre entendi tudo de tudo daquele filme, ou melhor, daquela trilogia.
É a ética como assunto interessante. Não a ética regida por leis/sociedade, mas a ética profunda dos que não temem em usar a palavra empenhada como assinatura reconhecida em cartório.
*
Pra finalizar: a expectativa de uma manifestação alheia que inventei e que desejo. Porque sei que o tempo é cruel e escorre lento, porque o milagre pode, muitas vezes, se manifestar em quem não acredita em milagres.