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5 de março de 2012

morzin

Meu amorzinho passeava com sua capa vermelha. Chapeuzinho urbana cheia de liberalidades.
Falava aquelas besteiras de sempre. Banho de cachoeira, ser feliz, fazer sua parte, ter sacola retornável, etc.
Meu amorzinho era tesudão e tinhas uns peitos que pareciam milagres: grandes e pontiagudos. Eu gostava de tudo, eu concordava com tudo. Sorvete, Paquetá, cinema de shopping aos sábados e comida japa como sinônimo de saúde.
(O amor é essa coisa impressionante. Acha tudo lindo, faz tudo. Ama.)
Meu amorzinho perdeu o tesão e tive paciência. 1 mês, 2 meses e tudo normal. Sexo como vitória, TPM como tolerância e sim, sim, a eternidade está logo após o 9° mês.
Meu amorzinho se foi e nem fiquei triste. Amor demais, vida demais, liberdade demais. Meu amorzinho era lindo e era a chapeuzinho e me chamava de lobo mau.
Meu amor tão perfeito ficando fraco por amor demais, por amor errado, por amar o amor e não um pau, uma buceta, um homem, uma mulher.
Meu amor de conveniência e 1 'casalzinho' de filho. Meu amor matemática e meu amor acordo de casal.
Meu amor ladeira abaixo, atrasando a vida, facilitando a comodidade que é achar que a vida é apenas isso.

3 de março de 2012

Nunca entendi muito bem meus amigos que curtem o Luciano Huck no Facebook.

Agora tenho um espelho e uma balança na minha casa. Olho minha barriga, vejo os três números na balança e penso no tempo que passa.
Quinta Feira conversei com meu bom amigo. Uma sensação velha e confortável de não estar maluco. Porque partilhar agonias e desconfianças melhora a vida. Posso estar só, mas não estou louco.
Conforta saber que existem amigos que não querem a vida apenas como a vida é. Porque essa realidade toda faz mais mal do que bem e porque fugir do esquemão é desejar que a vida não seja essa coisa besta de sobreviver e lutar.
Sobrevivem todos. Amebas, seres uni-celulares, anfíbios, insetos, parasitas, mamíferos. Sobreviver é natural e comum. Não é mérito, não é virtude, não é o motivo da vida.
"Qualquer sombrinha me refresca", me disse ela em um dia inspirado e pensei que a frase era boa e de efeito, mas era apenas isso: uma frase boa e de efeito.

15 de fevereiro de 2012

O álcool e aquela euforia.

Tão fácil sonhar, tão bom sonhar.
Mas o principal: tão importante sonhar.
Essa imensa quantidade de gente que não sonha e me deixa constrangido.
Porque acham que sonhar é coisa pouca.
Como se não houvesse sangue nos sonhos, como se não houvesse dor nos sonhos.
Sonhar é decente e, esquecer-se disso, é a tristeza do mundo.
É a garota que desistiu do príncipe e reclama da companhia do sapo.
(Os casamentos tristes que vi e vejo. Os casamentos que teimam por fraqueza. Os casamentos sem convicção. Os casamentos que enfraquecem casais e maltratam bebês. Os casamentos que ficaram cansados e agora se arrastam pela conveniência de dividir as contas do mês.)
Sonhar porque a outra opção é a morte em vida:
achar que é assim mesmo e que SÓ assim pode ser.
Como se nada mudasse, como se o mundo e o ser humano fossem os mesmos de 50 anos atrás.
Achar que a vida é apenas isso e tornar-se duro para poder ser forte.
Ser duro é triste, achar que não tem jeito é triste, manter a companhia de sapos é triste também.
Que princípes não precisam existir,
que o sonho tá aí e não depende da realidade.
A realidade nunca foi, ou será, uma boa conselheira.
A realidade é o plebiscito que aprova a pena de morte, é o foco da imprensa no alcoolismo do Sócrates-Magrão, é o PT fazendo aliança com o Kassab.
A realidade é uma mulher deslumbrante que te fez pensar em amor à primeira vista, e que já no fim da noite lhe oferece sexo anal à 60 Reais.
A realidade é uma puta linda e barata que insiste em dizer que ser puta foi sua única opção.
Então o sonho. Aquilo que sangra e dá dor. Aquilo que não põe preço no delicioso sexo anal.
É questão de gosto, de estilo, de ambição.
Prefiro o sonho.
A realidade é o inevitável
e existe por si.
A realidade não precisa de invenções
e jamais depende de mim.
E isso, em último caso,
é a mínima explicação necessária.

3 de fevereiro de 2012

lálélí.

Estou só pela primeira vez. Quero dizer: depois da liberdade. Liberdade que é real e não idéia. Compromissos que acabam e contas pagas.
Para além da liberdade comecei a cumprir os compromissos que inventei: fugir da rotina, beber pouco no bar e escrever uma primeira cartinha. Além do blogue que, vá lá, só faz sentido enquanto prazer.
Tenho ainda uma liberdade pra ganhar. Coisa de contas e, depois, simples pingos nos is.
Daí será a vida toda com todos os sonhos e planos, com todos os conflitos e loucuras, com todos os seres antigos e novos. E mais cartinhas e mais blogues e mais vida solitária plena que é quando penso que sim, as coisas podem dar certo.
Às vezes ninguém percebe, mas sou um otimista. Um otimista tímido, é verdade, mas um otimista. Um otimista que debocha dos otimismos e faz graça com idéias pessimistas, mas, ainda assim, um otimista. E consola-me achar que Maria sabe - e sempre soube - disso.
Em outras palavras: sou simples assim. Mesmo que eu ainda desconfie de todas as alegrias postadas no Facebook.
Otimismo com convicção e com a certeza que contraria meus pares: sim sim, as coisas mudam; sim sim, as pessoas mudam; sim sim, continue; sim sim, um grande passo pode acontecer sem que ninguém veja.

29 de janeiro de 2012

Hamlet se finge de louco e faz justiça com as próprias mãos.

Agonia serena. Era isso que ela me falava. Eu tentava entender qual era o ponto, mas não havia ponto. Era apenas uma negação. Um NÃO sem sugestão de caminhos ou exigência de mudanças. NÃO redondo disfarçado em consciência: o velho medo da precipitação. A idéia de que um dia existirá o momento certo: pra casar, pra ter filhos, pra comprar a casa própria, pra se precipitar. Pensei em dizer "sacrifício é a vida cotidiana e não a arte", mas me calei porque a frase era piegas e também porque não era o caso de criar polêmicas. Queria entender, mas não sei se há o que entender. É o óbvio travestido de ousadia, uma idéia de que fazer a sua parte basta. Talvez em 2022 estejamos preparados, mas o mais provável é que não. Prefiro a frase do Hamlet fatal: "Estar pronto é tudo."

21 de janeiro de 2012

2012

Ouvir as músicas, pensar na vida. Tentar entender o que te dizem. Ser decente, ser bom. Ver os dias de verão em Curitiba como quem sai sem guarda chuva para tomar banhos de chuva. Escrever pros amigos e atualizar os e-mails e feeds e blogues. Ser bom de modo geral, mas sem nunca falar disso. Dar dinheiro pros bêbados honestos que dizem precisar de cachaça e não de pão. Amar as loucas, ter paciência com as loucas, dizer para as loucas que elas não são loucas não. Rir com os quadrinhos do Laerte e ser macho para confessar que as pernas do Laerte são muito, muito tesudas. Rever todas as andorinhas do Laerte. Todas as tirinhas do Laerte. Reler os Fantes, os Bukowskis, os Dostoiévskis. Reler Dom Quixote. Encarar o alemão bigodudo e perder o medo de sonhar. Cultivar medos normais. Não acreditar nesse papo de ser livre, de não ter medo, de ser de todo mundo e todo mundo querer bem. Mais cinema sozinho, mais teatro acompanhado, mais livros na cama e menos no bar. Menos bar. Bar como fetiche e não como hábito. Virar noites com prostitutas animadas. Conversar sobre Deus e coisas espirituais. Mandar cartões postais! Perder a implicância. Com o Caetano, com o Chico, com o Gil. Ouvir o disco novo do Chico. Fumar menos, foder mais e perder pança. Menos cerveja e mais exercício. Fernandinho-atleta em 10 kms corridos por manhã. Ver os velhos que usam gravatas borboletas e entender o homem e sua solidão e dignidade. Mais postais, mais bourbons, mais garotas e menos teimosia. Dedinho no cu, pode. Dedinho na vagina, também. Sexo ainda não. Ter calma, ter muita calma. E criar coisas. Criar fatos. Criar um ' fato novo', eu aprendi. E mais 12 meses de agonia e beleza que, vá lá, a vida é mesmo a merda mais encantadora que se têm.

16 de novembro de 2011

Amar as garotinhas, ver a lua e gostar da chuva. Uma vida besta, uma vida boa. Vontade do caralho que me dá de chorar quando vejo fotos das minhas sobrinhas. Deus deve saber porquê. O inferno quentinho dos nossos sonhos, a procrastinação das nossas obrigações, a idade veloz que se aproxima da velhice e da morte. Sem fim de ano na praia, sem projetos aprovados para o próximo ano, a reunião eternamente adiada que talvez seja hoje.

6 de novembro de 2011

começa de dia e termina de noite.

*
Há noites frias em que a gente tenta entender o mundo. E pensa nisso e naquilo e sorri meio besta olhando o volume da própria barriga deitado na cama: a pança que estufou, os pentelhos que há tempo não são aparados, os pés que uma namorada achava lindos porque têm, ela explicava, a curva mais perfeita.
*
Saudades da primeira namorada é o retrato da estupidez. Estou sorrindo nele. Estou também com uma camisa florida, bermudas branca e minhas mãos fazem um sinal que, à época, era engraçado. Não há mal nenhum e nem tristeza há. S-a-u-d-a-d-e-s, essa palavra que não denota nem tristeza nem alegria.
*
Ela dizia que tinha tesão na imagem de uma mulher dando o cu. Mas ela não dava o cu. Dizia ter dado e sofrido pra um primeiro namorado que não era eu. Eu queria comer seu cu. É normal, em certo sentido. O namoro faz com que você ache que pode tudo. E o cu é parte desse tudo. O cu, inclusive e de modo geral, é a parte menos problemática. Seja como for, eu penso: não comi o cu dela e nem ouvi eu te amo. Não consigo deixar de pensar: "realmente não era amor."
*
Nunca mais cartinhas. Estou falando de uma moça que pisca como poucas e por quem me esforço pra não sentir seja lá o que: tesão, amor, paixão, etc. Alimento apenas a fraternidade. Mas o mundo ta aí e oferece sua ironia: "O risco de desejar sem controle deve ser domado pelos animais que dominam a palavra e a linguagem. Ou seja, os humanos. O desejo carnal é a forma mais natural de se relacionar com outrem, por isso é perverso: faz com que humanos se comportem como animais.", diz o livro que leio com a barriga encostada no balcão.
*
No bar há gente triste e decadente. Estou entre eles, mas me sinto especial. É parte da jogada ''decadente'' se sentir especial. Aprendi um bocado por lá e, por ora, confesso: a tristeza concentrada é uma visão infernal. Meu sonho, se sonho há, é não perder minha alma. Pode parecer pouco e talvez seja. Importa-me menos as grandes conquistas do que a certeza de que tenho uma alma que resiste. Estou, agora e deliberadamente, me comparando com os outros. E, a gente sabe, a comparação é um método idiota e ineficaz. Mas, mesmo assim, eu insisto: tenho alma. tenho alma.

30 de outubro de 2011

por ora.

É tipo um fetiche, um fetiche no ar. Sonho baixinho, solto meus resmungos e tento entender. Entendo menos do que eu queria, mas paciência. Fosse precipitado acusaria à todos: bundões, limitados, satisfeitos com migalhas, felizes por terem saúde, aventureiros mequetrefes com visto, motivo, passaporte e objetividade tacanha. Mas nem sei. E nem é isso. Sei do meu sonho, dos meus problemas, do meu ronco, de ser grosso pela manhã. Mas não é isso também. É meio romântico, assim: - o que é que você quer da sua vida? E nem vale dizer "felicidade", "simplicidade" ou "horinhas calmas de alegria distraída." Acho que a melhor palavra é TESÃO. Porque a vida comezinha, o dia a dia já é e já tá dado. Estou falando de grandes experiências, de gente que crê sem provas e que te convence que essa mania de controlar tudo é a fuga mais covarde dos mais covardes dos seres. Pra sonhar posso sonhar sozinho. Mas, por se só e nem achar a solidão é ruim, insisto: o TESÃO precisa ser compartilhado.

25 de outubro de 2011

antes da janta.

Era um jeito de sentar e passar o tempo. Se sentir bem, achar que a vida tá boa, essas coisas. A mesa era farta e havia uma mulher que me alimentava. Beleza.
Dia depois de dia até o dia mais besta e mais triste.
O verdadeiro adeus não tem acenos de mãos ou epílogos. É uma bobagem, uma distração, um até logo.
O incrível é que as crianças gostam de aniversário, mas já sabem que com 30 não gostarão tanto assim.
O tempo gotas. As coisas acontecendo. Não como os belos planos, mas como são: lentas, lindas às vezes, ordinárias geralmente.
Cigarrinhos que cansam, mania de culpar os outros e devaneios de ano-novo são coisas que passam. Não é bom, não é ruim. É o que é: a vida comesinha que não passa nos filmes da sessão da tarde.

11 de outubro de 2011

A invasão do mundo e os textos solitários.


Enquanto ela passeia por cidades-maravilhas e vislumbra que tudo é possível. Enquanto ela faz comida para agradar um homem que gosta de comer hot-dogs na rua. Ali, do outro lado da cidade, tem uma criança chorando por motivos que os pais jamais entenderão, por mais legais que sejam.
Tem um show fantástico de uma banda de Rock que eu não fui. Tem uma festa, festinha, celebração caseira, que eu deixei de ir. Tem a mulata magrela que passa na Rua da Passagem e que, embora linda, é apenas uma desculpa para pensar e sentir tesão.
(Assim também o livrinho à tira-colo enquanto beberico no bar... as cervejinhas, meu deus.... as cervejinhas... álcool e literatura combinam tanto... como explicar?...)
Foi ontem mesmo. O verão do Rio de Janeiro mostrou suas garrinhas e me veio um terrível arrepio na alma: não suportarei esse calor. E ainda ontem me surpreendi: nem houve gritos lancinantes para a virada do Flamengo.
Ontem, a missão. Ontem, as cinco laudas. Ontem, o dormir cedo.
Querer explicação é normal, conseguir explicar é complicado. Falar o quê? Falar pra quem? Porque falar é fácil e bom, e até decente; mas falar, falar mesmo, como um carioca que não se sente ridículo ao comer um milho após pegar uma praia em Ipanema, eu não consigo.
Lamento. Fosse mais volúvel, menos tímido e um pouco mais limpo estaria participando das grandes jogadas, dos dinheiros, dos coletivos bem intencionados, da revolução pela internet, do clube otimista, dos professores frustrados, das dívidas dos cartões de crédito, sei lá, o diabo.
Fosse não é; e Fernandinho escreve sempre em seu blogue enquanto engorda a olhos vistos.
(E teve uma adolescente cretina que me deixou enfiar os dedos em sua vagina e nunca mais apareceu. A adolescente cretina lia meu blogue e me chamava de "fernandinho", o que, à época, não percebi como a ironia que é...o tempo... o maldito tempo... minutos atrás eu era um gênio.... o tempo)
Fica o calor que volta e voltará e essa sensação de solidão que só importa mesmo quando penso que pra ser sozinho não se precisa de grupos. 
Tocar o gado, eu toco. Ser gado, eu sou. Gosto de gente, mas não gosto de toda gente. Sou chato, sou chatérrimo, sou o Fernandinho da cretina adolescente que permitiu meus dedos em sua vagina, mas não me deu.
Alguém explica. Alguém sempre explica. "A lógica é o método de questionamento de todos os que acham que conquistaram o que tem", diz o Frings Blá-blá que esqueci o nome. Ele, o tal Frings Blá-blá ainda diz que "nada pior do que não reconhecer que sorte existe. Deus jamais perdoa aos que não acreditam em sorte. Deus sabe que o fato d'Eele existir foi determinado por isso."
Um choro quando nasce,
um choro quando descobre que morre.
Um pena:
o empate agrada a todos.

4 de outubro de 2011

Pai, os cavalinhos estão presos no carrossel!

  1. Os e-mails são frios e o óbvio ulula dentro de caixas que se pretendem feitas com esmero. Meu peido pra você; e também a triste confirmação da merda velha: muita pose pra pouca carne.
  2. Melhorar a própria vida. Estou velho. Porque penso nisso, estou velho. Não que vá começar a ter aulas de ioga ou ser simpático com idiotas. Mas, como velho, penso em melhorar a própria vida e concluo: tem a ver com ignorar por completo os idiotas.
  3. Falar é fácil e escrever aqui é prazeroso. Ou seja, estou fudido, estou mal pago e nem tenho as tendências gregárias que acho belas por aí. Meu limite são dois ou três que juntam mais quatro ou seis e que, em união, fazem seu barulho com satisfação e sem tirar vantagem de ninguém. Acho que é o meu ideal mais romântico: não tirar vantagem de nada e de ninguém.
  4. Beber é contar carneirinhos. Mas quem me entende? Estou falando de textos que não escrevi para coletivos de que não participo. Não estou triste e nem estou reclamando. Mas, cá comigo, o raio é velho: estou só. E atualizo: estou só demais.
  5. Tem mamãe, tem papai, tem a irmã e as sobrinhas. É coisa de sangue. É família e é sagrado. O Corleone e o Papa sabem, mas há imbecis que rejeitam qualquer vínculo que não seja controlado. Os amigos, que a gente escolhe, são super-valorizados por essa gente. Amigo, amigo mesmo, a gente torna parente. Chama pra padrinho, madrinha, esposa ou coisa que o valha. Sangue, bebê - esse vermelho lindo que você menstrua mensalmente com tanta indiferença.
  6. Fiz piadinha com um colega que tem filho e que me perguntou quando eu teria filhos. Eu: - a merda é achar uma mulher que presta. Ele: - arranja uma mulher que quer ser mãe que já tá de bom tamanho. "Gênio", eu pensei e não disse.
  7. Acordar às 7:00, fazer exercício e comer maçã. Planos que faço e realizo. Às vezes. Fumar menos também é importante. No mercado compro seis energéticos genéricos e penso que isso não é lá muito saudável. Mas fazer o quê? Cocaína é pior e, de um tempo pra cá, nem quero saber porque associo a lares destruídos e idiotas vitimizados. Fazer o quê? Guaraná em pó é pra gringos e não há estômago que aguente impunemente aquele líquido preto e quente o dia inteiro. Fazer o quê? Overdose de maçãs ou pedir remédios para o primo da farmácia?... Mas o primo mora longe e remédios de farmácia são alcalóides legalizados... Fica o sono, o soninho, essa coisa de dormir e achar bom: o tempo voa e dormir é só outro jeito estúpido de matar o tempo. Fazer o quê? Despertador regulado e a esperança que as maçãs, combinadas com os energéticos, sejam a solução dos meus problemas.

28 de setembro de 2011

Os Rocks do Erasmo.

Na vitrola tem a música dele. "O gênio da dupla", eu aprendi com o livro do Midani. Se esfragasse a lâmpada nem titubeava: - quero ser o Erasmo, não quero ser Roberto; e gastava dois dos três pedidos e me sentiria bem pra cacete.
Que o Roberto é rei e quem duvida disso está por fora ou, pior, acha que estar por fora é estilo. Não é. O rei é o rei. O rei não precisa de talento, competência e nem mesmo carisma. O rei precisa de coroa e cetro - é isso que faz o rei. E o Roberto tem isso. E lida bem com isso. E acho, acho mesmo, que ele tem talento e carisma, mas insisto: rei é coroa e cetro. Isso tudo, isso apenas.
Por isso o Tremendão. Feio e acabado como o diabo, com um grande amor suicída nas costas e sem muita habilidade para ser conveniente. (No Kibeloco tem um programa matinal com ele falando sobre sexo oral que é um ótimo exemplo).
Seja como for, desejo: Erasmo e não Roberto. Por tudo e mais um pouco. Por uma manifestação que me atrai mais e por não querer cetro, corae ou Israel. Porque Erasmo tá lá e não faz alarde, não enche o saco e nem tem problemas em assumir as próprias merdas.
Estilo... acho que tem a ver com estilo... Erasmo tem estilo.

22 de setembro de 2011

o pecado do dinheirinho

Que se tem uma gente que acusa é essa: gente que acha que acusar é feio. Daí você acusa e é acusado de acusador. Porque eles não acusam, eles são bons, tolerantes e acham que ser diferente é exceção enquanto ser diferente é a regra.
Valorizam tanto a diferença que acham que toda merdinha pode ser de todos. Mas não pode. Há merdinhas intimas e privadas: de casal, de pequenos grupos, de si com si mesmo, de porquê faço isso e não aquilo, etc.
Não há sentido, em reuniões, valorizar a subjetividade do indivíduo. Em reuniões, acho eu, importa o que te junta e não o que você faz para estar junto de tudo e de todos.
No mais, a impressão que estou dez anos depois e que nem acho, mesmo, que falar sobre dinheiro seja pecado ou errado. Pode ser (e isso no máximo) feio.

19 de setembro de 2011

sósim

A mão abana fraca. Não há despedida, não há adeus, não há prazer em conhecer. A mão está mais branca do que o normal e isso, a palidez, tem a ver com ausência de sangue nas extremidades do corpo. É patético e cientifico na mesma proporção. Porque agora é isso: todo adeus é até logo, todo sexo é amor, todo contato é rede e toda boa intenção vira um coletivo.
-
Tinha a mocinha. Tesudinha. Assim: no diminutivo. Mas a mocinha é forte demais, bruta de mais e se não tem pau é por puro acaso. Gosto de mulherzinha. Essas que nem disputam quem está por cima no ato sexual. Mulherzinha porque tá fora de moda e me parece mais autêntico. Mulherzinha tipo passional. Que nada tem a ver com passividade, que nada diz respeito à gasta "mulher-moderna".
-
A primavera tá aí. Tem a ver com esperança que é coisa bem decente - e comum - de se ter. O otimismo não precisa de fatos para ser real, é como Deus. A ideia, a crença, a possibilidade basta. Viver bem ou mal só é importante para os desocupados que acreditam em uma vida que é só morro acima. A vida não tem nada a ver com isso e nem deve ter. Há números que não dizem nada e conquistas que só satisfazem o cinismo. Mesmo cheio de inveja mantenho minha convicção - que é um jeito generoso de nomear minha teimosia. Ou então, como diz o bom Renatinho, teria que acreditar que o melhor filme da história é o Titanic, já que foi, até hoje, o filme mais premiado do Óscar.

5 de setembro de 2011

´<>`

A diversão é variada e estúpida. Eu me divirto de maneira geral. Há dias, inclusive, em que troco punhetas por vídeos verdadeiramente importantes que falam sobre teatro e sociedade.
Mas, agora, é assim:
  • O tesão passeia na minha cabeça. "Coisa de sêmem acumulado", diria meu amigo. Sonhei com uma desconhecida que, por dois erros, é minha amiga de Facebook. E era bem real e tesudo. "Detalhes tão pequenos de nós dois" e coisas do tipo.
  • A merda do tesão involuntário. Sonhei que contratava uma prostituta. E ela era boa pra mim e surpreendetemente generosa. Masturbava-me até que resolvia me dar. Eu dizia: não foi esse o combinado. Ela dizia: não importa, eu não vou cobrar mais. E vestia a maldita borracha em meu pau e dizia com uma calma que é muito rara em mulher: é que eu gostei de você. Ainda no sonho, durante a foda em si, eu temia: vou me apaixonar por uma puta... tô fudido.
  • Baixo um disco de desconhecido. É sobre amor, o disco. O amor está na moda. Como explicar? O amor virou um fenômeno pop. E isso é uma pena. É que amor não tem a ver com felicidade ou mundo perfeito. E o amor, esse da moda, tem esse registro. Esquecem que os crimes passionais ainda são os crimes mais cometidos e que amor tem mais a ver com loucura e excessos do que com um paraíso no qual as pessoas brincam com leões sem nunca serem devoradas.
  • Queria ter sentido tesão. Queria ter sentido tesão a ponto de dizer "vamos trepar, bayb". Mas não e nem. Uma pena. Essa ilusão que o tesão é espontâneo a limitar nossas fodas potenciais. Estou falando de praticidade e de sexo sem afeto. Foder, às vezes, é pura conveniência. Inevitável, né? Uma pena, né?
  • Eu e o mundo os velhos inimigos. Tenho me esforçado. Sorrio mais, minto mais e descubro que o mundo é menos exigente do que eu supunha. Aos meus amigos digo que tem a ver com o meu último aniversário. Mas gosto mesmo é de imaginar um duelo de faoreste: os passos contados, a virada e a precisão em sacar a pistola na hora exata.
  • Pensei em dizer, mas não disse: só não me apaixono por ela porque me controlo e porque só nos relacionamos virtualmente. E seria sincero e seria idiota como toda sinceridade. De qualquer maneira, estou falando uma verdade. Conheço-me minimamente e apaixonar-se por ela, pra mim, seria quase óbvio. 
  • Salaminhos e cerveja, a vida pode ser apenas isso. Não entendo quem não gosta de álcool, não entendo quem é vegetariano por pena de boizinhos ou por intolerância a morte. Saliminhos, cerveja, comer, foder e etcs. Que é isso e tem a ver com regalo. Poesia é regalo, arte é regalo, teatro é regalo. Precisa-se de muito pouco, é fato. Mas quem, em sã consciência, quer apenas o necessário? Leminskão e sua síntese são o próprio sentido da vida.
  • A profundidade dela é uma falsa questão. Porque é otária e acha ser esperta. Porque procura razões que não existem ou não precisam ser achadas. Gosta de ter "questões", mas esquece que "questões" exigem tanto perguntas bem formuladas quanto busca de respostas concretas. Mas a falsa questão é mais atraente, eu aprendi. Na falsa questão todos são interessantes e todas as possibilidades são reais. Somar ou diminuir pra essa gente é uma agressão. Qualquer certeza deve ser eliminada, eles dizem enquanto proclamam a dúvida como o deus mais cruel de todo panteão. Vai entender...
  • O bye, bye é uma mão esticada com cinco dedos. Toda despedida se supõe mais importante do que realmente é. É coisa de gente: esse bichinho triste que inventou as palavras e, consequentemente, os delírios todos. Saímos do esquema comer e cagar, viver e sobreviver, etc. Gente: esse bichinho que faria graça em seres extra-terrenos por ter inventado a eternidade da alma. Vejo ETs que diriam: não dá pra entender porque vocês cultivam tanto a ilusão. E nós, bichinhos pacíficos, chamaríamos os ETs pra um cinema, um teatro e uma cervejinha depois. E daí, o ET, já no fim da noite, confessaria: têm razão, a ilusão é muito prazerosa.         

31 de agosto de 2011

  • Não houve cartinha esse ano. Talvez não haja, talvez haja a última. Concluo que estou virando um homenzinho e, também, que tenho um bocado de humor.
  • Ontem: eles reclamam que o RJ é o RJ e não BH ou SP. Reclamam também que 2011 não é 1978 ou 1992. Há ainda a queixa contra a Globo - porque supõem que o ator do interior de Santa Catarina não ambiciona entrar para uma novela.
  • Do mesmo. Ou quase. Generosidade. Eu acredito em generosidade. Não estou falando em ser servil ou legal com todos. Generosidade é o mínimo que se espera de amigos, por exemplo. Não é nobre ou grandioso. É mesquinho e pequeno como: oferecer um drop's, um pedaço do sanduba, uma moeda que completa a conta, uma carona, uma caixinha pro cara que serve a cerveja, um cigarro pro bêbado, uma mochila emprestada, um papo com tia solteirona e chata, etc.
  • Meu dedo pra lua. Está tudo bem. Um dia de cada vez como mantra. Não é bonito nem divertido, mas é o que é. E lembro do meu humor e repito: estou mesmo virando hominho.  

29 de agosto de 2011

  • As lufadas de ternura / Um dia após o outro / É essa a tortura.
  • Ela me elogiava e eu achava bom, bem bom. Secretamente pensava: ela quer dar pra mim. Podia ser, ainda pode ser. Mas vi, pelas maldições do mundo em rede, que ela bate palmas pra idiotas com bastante desenvoltura. Fiquei triste. Pensei: ela pode até querer me dar, mas não será a mesma coisa.
  • A dor é minha e o problema sou eu. Essa frase é toda minha vaidade. Simples: ser vítima é generosidade demais, uma vez que pressupõe um algoz. Sofro sozinho. Não sofro nem mais nem menos, mas sofro sozinho. É vaidade, eu sei.
  • Saudades de brincar com os lábios que lentamente umedecem. Aquela bába fantástica que a vagina produz. Lembro de uma bába dessas que grudou em minha barba e que esticou sobremaneira. Fio longo e transparente que cintilava na luz indireta que há agora em minha casa. Olhei aquilo e pensei em dizer pra ela reparar também, mas não o fiz. Medo de ser mal interpretado, essas coisas. Uma pena.
  • Os planos, os projetos, as boas intenções. A coisa toda que é sincera, mas e daí? Sinceridade é super estimada, amor também. Há, de modo geral, um excesso de valorização dos bons sentimentos. O que é meio estúpido e tem a ver com o mundo de hoje: a ilusão da voz que a Internet dá e coisas do tipo. A individualidade como um tipo de virtude. E que Deus nos perdoe e ignore as bobagens que são escritas em rede. Porque a palavra escrita já teve força de lei, porque a palavra escrita já foi a palavra de Deus em pedras que versavam sobre a moralidade do planeta. E agora é o que? Um feed cheio de sacadinha, uma reclamação engajada que deseja ser curtida por muitos ou uma expressão de idiotas que se sentem únicos?
  • A originalidade é um fetiche que faz mais sentido para uma gôndola de supermercado do que para a expressão artística. Mas estou por fora e há muito a ser feito, eu aprendi. E o que é feito tem grande capacidade gregária e pouco mérito artístico. Aprendi, mas não concordo: se todos lhe disserem um gênio, um gênio será.
  • Arrancar caspas com as unhas é minha última mania. Além de tudo, que é: a farta barriga, a boca aberta, o sotaque confuso, os dedos amarelos, a raiva inevitável, o pouco interesse pelo desconhecido, os porres diários, os olhos arregalados, etc. É mais um nojinho na fita. Mais um problema que uma boa mulher tentará resolver e com quem implicarei por não me aceitar como eu sou. E sei que é um absurdo e que a boa mulher tem sempre razão e que, com a devida paciência, me convencerá a ser quem eu não sou e eu nem me importarei. Porque será a boa mulher. E irei a praia, e farei exercícios, e deixarei de fumar, e pararei de roncar, e verei filmes sem falar, etc. E direi eu te amo e será verdade. E ela dirá eu te amo e será verdade também. Morreremos velhinhos, bem velhinhos. Com diferença de dias entre uma morte e outra - que é como sempre teremos desejado.      

7 de agosto de 2011

ao vento

  • Ver as gentes, participar do mundo, tomar cuidado para não ser indiferente demais. Andar 20 min. por dia e, após a caminhadinha, acender um cigarro e encher e esvaziar o pulmão como um ato voluntário. Dormir 6 horas por noite, evitar a vasta pornografia da Internet e, a cada 15 dias, telefonar para a avó. Quem sabe perder uns quilinhos.  
  • Creio que a massagem finalizada com ejaculação é uma das melhores práticas sexuais já inventadas. Estou falando de modo geral e também de modo específico. Geral: o corpo massageado relaxa e se torna mais sensível. Específico: o preço é justo e mais importante do que beleza são boas mãos. E o risco de doenças contagiosas, em ambos os casos, é quase nulo: no máximo uma sarna adquirida de um lençol mal lavado. Coisa simples que qualquer pomada resolve.
  • Leio Ana C. - que é um nome bem melhor do que Ana Cristina Cesar. É legal, mas não sei. Quero dizer: não entro numas com Ana C. Parece-me datado e super-estimado. Mas é que sou ignorante e poesia é um treco difícil pra chuchu. Li poesia na adolescência: Pessoa, que é quase um clichê; Leminskão por curitibanice e Vinícius, que é um poetinha muito do bacanudo mesmo. Depois disso teve M. Bandeira e o M. Quintana... e.... e... não lembro...Quer dizer: lembro, mas não vale. É que depois desses foi só na onda de ler aquilo que a gente acha que é importante ler. E, pra mim, isso da muito pouco certo. Sou um leitor limitado: não gosto de escritores que tenho que desvendar, a obscuridade não me atrai.
  • As moscas estão voando por aqui. É uma pena, uma grande pena. Porque as moscas aparecem mesmo com a casa sendo limpa quase diariamente. Penso o que poderia fazer a respeito, mas nenhuma conclusão me agrada. Melhor me conformar com às moscas. Ou então partir para as fotos de nudez que tanto movimentam a Internet.
  • Faço minhas contas. O plano ainda é o mesmo, mas evito o sofrimento. Sofrer não é importante, como achava uma ex-namorada. Sofrer é, no máximo, inevitável. Mas importante IMPORTANTE,  não é. Meus planos, por ora, me bastam. Não são milagrosos, mas fazem parte do possível... Possível: as pedras que apenas pedras são.