9 de dezembro de 2009

pnht

Alimento-me de sopas e sanduiches. Parece decente.
Hoje desejei seus dentinhos no meu pescoço.
Fiquei olhando horas pra você.
Reparei no queixo, nos olhos e na boca.
O fato é que me impressiono com o queixo e com a repetição das histórias.
Confesso que não gosto disso, mas...que fazer, né?
E você nem existe, né?
Mas meu blogue taí e não me deixa mentir: gosto dos meu delírios.
Daí que te invento e que crio conflitos terríveis: sua implicância com meu cigarro, minha intolerância com suas crenças, o sexo sem nenhum palavrão, etc.
Vou longe que só vendo.
Devia era cair dentro da mina de sampa. Meio estranha, mas fumante. Essa queixa não ouviria.
Mas, na verdade, tudo e todo o resto é só pra escrever no blogue porque, bem, acho bacana escrever aqui todo dia.
Que seja.

8 de dezembro de 2009

relatinho.

Comida pronta e cerveja estalando. Uma leve pressão nos pulmões por excesso de cigarro, mas nada que chegue a abalar.
A long neck tava mais barata e comprei. Acho o fino beber no gargalo. Goladas longas que combinam com o calor do Rio de Janeiro. O lance é segurar no neck da garrafinha e virar bem a cabeça pra trás. O risco é babar, mas minha barba também serve pra reter esse tipo de coisa.
Hoje fiz o circuito que faria no sábado: acordar, chapar de café, cigarro e merda sem pressa. Depois hortifruti com açai e mercado: sabão, kiboa, algum queijo e, claro, amendoins da elma chips que são enormes e inteiros.
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(lembrei agora de você e digo: o hortifruti na segunda de tarde não tem um décimo do charme que tem no sábado. só haviam mulheres gordas e velhas e feias. todas com pressa e disputando batata baroa contigo. um horror. não recomendo.)
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Em casa um naco de pizza na chapa e deitar com um livro novo em punho. O soninho chegando e o pau quase duro pelo relaxamento sanguíneo. Telefone toca e é mamis. Com mãe eu falo.
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(Mãe é uma dor é uma falinha da peça da vez. Fico bem satisfeito quando as pessoas riem ao ouvir isso.)
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Agora salada pronta e terceira long neck pega pelo neck e bebida no gargalo.
Não acredito em felicidade, mas a paz é possível.
Às vezes.

7 de dezembro de 2009

agora sim.

Vamos lá.
A satisfação de fazer teatro é estranha e encantadora. E isso ao mesmo tempo.
A bola da vez é o que podemos chamar de 'teatro alternativo': sem grana, sem estrutura, mas à base de desejo e vaquinha. É bonitinho, eu confesso.
Esse desejo todo que se enfia em roubadas alimenta, de certa forma, a alma. Mas a verdade é que o 'teatro alternativo' pra mim não é um ideal. É o possível, o que posso fazer, o que faço.
Na verdade queria ter condições de trabalho: grana, espaço, tempo pra pensar, contra regra... Não queria ser alternativo. Queria ter toda a estrutura que um Meyerhold tinha, por exemplo. Porque é justo, ora pois. Eu ralo, corro atrás, leio a porra toda. Se tudo fosse causal o mundo seria outro e eu não estaria limitado ao 'teatro alternativo'.
Mas é o que faço porque é o que posso. Não vou chorar por isso. Não é o caso.
Um dos meu baratos com teatro é que você lida com o possível. Em teatro a coisa é muito objetiva. Ou dá ou não dá. Essa coisa de que tudo é possível é estúpido de maneira geral e mais estúpido ainda no caso de teatro.
Seja como for, fizemos e estamos lá. Uma peça que é o que é. Que não pretende ser nada além de um teatro reto e simples. Um teatro que, como sempre tentamos, busca provar que teatro não precisa ser chato.
Porque, vamos lá, devemos admitir que há muito teatro chato por aí. E chato, principalmente, porque é um teatro que não se basta como teatro. É uma coisa de querer outras coisas através do teatro: provar que é bom ator/diretor/autor/cenógrafo/pensador, etc. Um porre.
Teatro não é importante, nunca foi e não precisa ser. O Brecht com a coisa do 'mostrar que pensar é divertido' fala sobre o lugar objetivo que o teatro pode ter. Um entretenimento que não é babaca, como telenovela por exemplo.
E agora que estreamos tenho certa paz. É isso que fazemos porque é isso que podemos fazer. E isso não quer dizer que não existam outras ambições.
Desejar é diferente de ter. Ficar satisfeito com o que se têm é achar que tudo deu certo, mesmo sem esquecer que as coisas sempre podem melhorar.
É da dinâmica da vida ou das coisas. Sei lá.
No mais, a alegria besta e solitária que não precisa ser explicada.
-
p.s. vá ver. me liga. me deseje merda.

6 de dezembro de 2009

Teatro Irresponsável. (d2)


(pra mim é 9194-1029 - e hoje é dia de framengo no Rio de Janete!)
se você não entende que
nem é isso que me pega,
eu digo, sem medo de errar:
meu bem, você é uma prega.

5 de dezembro de 2009

Teatro Irresponsável.


4 de dezembro de 2009

pra roer o osso é preciso osso.

ou tem ou não tem, ou é ou não é.
gentinha chata que põe as manguinhas de fora sem notar que o braço tá coberto.
elegância não é entender 30 línguas, elegância não é conhecer 66 países, elegância não é nunca deixar de falar.
por isso prefiro a alma discreta dentro do corpo. mesmo que o corpo seja imenso e a alma mínima. sou dos que preferem um passarinho na mão, embora saiba me divertir com corpos.
meu cu é mais escuro que todo o resto. é um cu normal e honesto. onde há luz há cor, onde não, escuridão.
simples, bem simples. matemática de soma apenas.
por isso me escondo aqui. no blogue, no teatro, nas escritas e na vida. é meu cu protegido, por assim dizer. já que pouca luz chega lá, sou eu, e apenas eu, quem decide a luz que o iluminará.
meu cu só brilha quando eu quero.
porque cu, me desculpem, não foi feito pra brilhar.

3 de dezembro de 2009

Dezembrão me pegando como um gato de unhas afiadas. Meu Deus, onde vamos parar?
Olho pro céu e pergunto sobre as putas natalinas, mas ninguém me responde.
O céu está aberto, sem nuvens e num silêncio brutal.
O calor provoca tédio e apatia.
A cerveja gela a garganta e os cigarros são regulados nos bares.
Um dia, e espero estar morto, só haverão evangélicos e artistas nas ruas. Será o inferno, o Apocalipse. A guerra mais imbecil pela razão menos lógica: quem berra mais alto.
Pra dezembrão emplacar preciso de UMA buceta. Não duas, não três, UMA buceta. Com nome, telefone e pequenos lábios quase simétricos - coisa mais rara do que se imagina.
Se essa UMA me acha e me diz, como se fosse acaso, que nesse calor é só dando que se recebe, eu tenho um troço e, juro, sempre lembrar do nascimento de Jesus na noite de natal.

2 de dezembro de 2009

Sempre desejando o que não existiu.

1.
Olho pra frente e pra trás e sinto ternura por uns e raiva por outros. A escola e a euforia de fazer parte da turma, os planos de plenitude e os amores calmos que haveriam de existir.
2.
O filme termina com o cara pegando o ônibus e sorrindo sem muita convicção. Ele não está alegre nem nada. Também não está triste. Ele está apenas pegando o ônibus que o tira daquele lugar e o põe em outro. É justo e decente.
3.
Toda estrada é um purgatório: ela passa por nós que estamos parados e a vemos passar. A velocidade acontece fora e não dentro. É uma percepção e tanto que só mesmo no cinema é possível ser captada.

1 de dezembro de 2009

Se pudesse eu lhe dizia uma verdade bem bonita.
Mas sabe como é: seus amigos te estragaram e agora você confunde vaia e aplauso.
A culpa não é sua, fique tranquila. Inclusive lembro de você me dizer: culpa é tão careta, comigo não que sou moderna.
E eu fiquei em silêncio e pensei: ela se acha a cima da culpa, meu deus.
Mas até aí tudo certo. Achar-se isso ou aquilo sempre acontece. O problema é o excesso de confiança na opinião dos amigos. Porque eles mentem, sabe. Não por mal e até o contrário. Mentem porque são seus amigos.
E eles elogiam você e você acredita. E aí, já viu, a velha confusão dos diabos.
Então você começa a sorrir o tempo inteiro e acha que por está sorrindo, está em paz.
Eu, que não sou seu amigo, digo: você está sorrindo porque o tédio é enorme.
Falo por mim que também ando sorrindo muito.
E hoje a lua tava bonita e, como não poderia deixar de ser, você me perguntou: - essa lua não tá um troço de tão linda?
Eu fiz que não ouvi e continuei andando. Pensei que prefiro a lua quando ela é apenas bonita, quando ninguém, além de mim mesmo, me avisa sobre a beleza da lua.

29 de novembro de 2009

Suei o domingo inteiro.

Enrola fios, abre machos e fêmeas, desce e sobe, fuma cigarros, descasca fios e acopla ao macho ou à fêmea, ri da piada idiota, cansa e reclama, pensa na vida, pisa na lâmpada, carrega microondas, passa fitas e faz testes, passa fita e faz contas, reclama de novo, ri de novo da mesma piada idiota, descasca parede, sangra o dedo no cobre, segura escada, limpa suor na camisa, tampa o espelho, estica o pano, muda o sofá, desce e sobe o sofá, põe o vaso no vão, descobre o curto e conta as lâmpadas.
Então mijo num jato grosso e extremamente amarelo. Quase laranja.
Sinto-me macho e satisfeito.
Macho pela cor do mijo e pelo cheiro.
Satisfeito porque fizemos o que era pra ser feito.
-
Agora é torcer porcas e ter a bendita sorte bem dita.
Três cervejas pra janta e a alma quase em paz por lembrar que há rosbife na geladeira.
AMA
NÃO
AMA
SE
AMA
ME
CHAMA
QUE
EU
VOU
(os mutantes)


28 de novembro de 2009

Mais uma histórinha pra contar.



Pretendo viver assim: cheio de histórinhas e balançando a pança. Uma cerveja pra espantar o tédio e, com sorte, uma dama bonita que me ame e me afague as carnes em dias ruins.
No mais as histórias que não me interessam: as casas grandes, a natureza e sua pureza, os amores passionais, os gritos que só comovem no escuro, as conquistas pelo suor, o conta gotas de quem mantêm a conta poupança, as loucuras com data marcada, os risos sem som, as bocas sem dentes, os corpos sem alma, etc e etc.
O mundo é um desbunde idiota quando se afirma tudo pode ser e se esquece que nem tudo importa.
Por isso fico quieto e vejo mais do que falo. Tenho bom senso pra não ser o chato que repete diante dos outros: isso é velho, isso é velho e falso.
Mas claro, e como não, cá comigo, muitas vezes penso: isso é velho, isso é velho é falso.
E então fico calado e me sinto ótimo.
Que desafio vale apenas para as lutas e os maus filmes americanos. Que o bom da América não fala disso e acho que até fala do oposto.
O bom da América é sobre aquilo que não dá certo no mundo ideal que a América vende como possível.
Seja como for, me repito: os dias são longos e querer ser feliz é o primeiro passo pra eterna frustração. Por isso me dedico à tentar ser mais esperto e ter sorte.
E sorte ainda é o mais importante.

27 de novembro de 2009

de lado.

toda
criança esperta
me satisfaz
quando
me
manda
bilhetes.


26 de novembro de 2009

-°-

A cabeça rodando e o pau, lá embaixo, amassado em meio ao suor. Viver no RJ nunca será civilizado. O calor não permite, a informalidade não permite e é melhor assim.
Mas nem importa isso. É que gosto de escrever e disparo. Perco o ponto.
Volto:
A cabeça roda quando a gente não sabe o que fazer. Sabe como é: você vê a coisa e julga a coisa, descobre que há problemas na coisa, mas não faz ideia de como os resolver. Isso podemos chamar de inferno. E o inferno é quente e cheio de capetas e capetinhas. Uns tem cara e outros não. São os capetas-sombras: você nunca tem certeza se eles existem ou se os inventou.
Amanhã terei o dia pra me dedicar à punheta da vez. Com sorte o pau fica duro e mata, num único jorro, 70% dos demônios. Sem sorte nem sei e nem quero saber.
E eu que não sou imbecil de achar que sorte não existe. Existe e é quase concreta. Assim como um relâmpago é.

25 de novembro de 2009

Uns trecos bonitos que se vê na rua.
Mesmo agora, com essa pulga que me devora lenta e implacável, sinto esse treco bonito.
E esse treco bonito não tem nada a ver com felicidade ou harmonia. É uma coisa besta que te basta.
Como aquele casal que atravessou a rua e estava de mãos dadas e sem conversar. Ela parou pra arrumar a sandalía e ele apenas esperou. Depois seguiram do mesmo jeito que antes.
Minha pulga é simples: achei que tinha resovildo uma coisa, mas não resolvi. E é triste porque antes, embaixo do meu abajur, a solução era clara e certa.
E o tempo é terrível e tortura e, infelizmente, sempre acaba faltando.
No mais: mulheres bonitas que falam comigo. Queria elas de olhos abertos diante da minha imensa pança e do meu pau semi duro desejando ser chupado. Mulheres são exigentes demais. Não todas, mas as que agora desejo.
E meu pau e minha pança, tadinhos, nem sempre causam boa impressão.

24 de novembro de 2009

abismo.

Nunca
mais
me
viram
aqueles
olhos
bonitos
onde
deveria
ter
me
afogado

o fino.


(Pryscila Vieira)
ela é enorme e gostosona, tem aquele sotaque curitibano que só é bonito mesmo em mulheres grandes. O blogue dela tá linkado aí.
Uma estranha loucura sem nome e endereço. Não sei se me importo ou não. Ver os loucos ou falar com os loucos? O risco de falar é que há loucos que são convincentes. E alguns, não muitos, têm um puta charme sedutor.
Por hora não falo nada e penso alto. Tomando o devido cuidado pra não mexer a boca enquanto penso.