Os peitos estavam menores em função de problemas na coluna. Lembro de passar a mão e achar que haviam diminuído demais. Mas não me importava. Não muito, pelo menos.
Havia uma decisão que não era minha. Isso me incomodava apenas um pouco. Na verdade o que me preocupava era que a decisão fosse a meu favor, o que de fato ocorreu.
Era confuso e bom. Uma nova possibilidade, a gente dizia. O medo era enorme. Digo por mim, apenas por mim.
O sujeito era bacana e não havia nada de errado com ele. Era meio óbvio, meio comum, meio sem graça, mas só isso. Um sujeito cheio de dignidade e retidão. Não quis falar comigo porque, enfim, não era mesmo o caso. Mas me olhou e vi seus olhos de homem correto. Quase 40 anos, mas velho d'alma. Aquele esquema de churrasco, academia e cerveja.
Eles saíram para conversar. Havia dignidade na intenção que ele tinha. Eu vi isso, meu medo aumentou e torci para que a decisão fosse a favor dele. Não foi.
Depois ela me explicou sobre amor, apatia e a idéia fixa de que seus filhos só poderiam ser meus. Tinha uma loucura em mim que ela apreciava, me explicou.
Medo do caralho, o futuro todo escuro e aquela mulher que retornava de novo. E pra sempre.
27 de fevereiro de 2012
15 de fevereiro de 2012
O álcool e aquela euforia.
Tão fácil sonhar, tão bom sonhar.
Mas o principal: tão importante sonhar.
Essa imensa quantidade de gente que não sonha e me deixa constrangido.
Porque acham que sonhar é coisa pouca.
Como se não houvesse sangue nos sonhos, como se não houvesse dor nos sonhos.
Sonhar é decente e, esquecer-se disso, é a tristeza do mundo.
É a garota que desistiu do príncipe e reclama da companhia do sapo.
(Os casamentos tristes que vi e vejo. Os casamentos que teimam por fraqueza. Os casamentos sem convicção. Os casamentos que enfraquecem casais e maltratam bebês. Os casamentos que ficaram cansados e agora se arrastam pela conveniência de dividir as contas do mês.)
Sonhar porque a outra opção é a morte em vida:
achar que é assim mesmo e que SÓ assim pode ser.
Como se nada mudasse, como se o mundo e o ser humano fossem os mesmos de 50 anos atrás.
Achar que a vida é apenas isso e tornar-se duro para poder ser forte.
Ser duro é triste, achar que não tem jeito é triste, manter a companhia de sapos é triste também.
Que princípes não precisam existir,
que o sonho tá aí e não depende da realidade.
A realidade nunca foi, ou será, uma boa conselheira.
A realidade é o plebiscito que aprova a pena de morte, é o foco da imprensa no alcoolismo do Sócrates-Magrão, é o PT fazendo aliança com o Kassab.
A realidade é uma mulher deslumbrante que te fez pensar em amor à primeira vista, e que já no fim da noite lhe oferece sexo anal à 60 Reais.
A realidade é uma puta linda e barata que insiste em dizer que ser puta foi sua única opção.
Então o sonho. Aquilo que sangra e dá dor. Aquilo que não põe preço no delicioso sexo anal.
É questão de gosto, de estilo, de ambição.
Prefiro o sonho.
A realidade é o inevitável
e existe por si.
A realidade não precisa de invenções
e jamais depende de mim.
E isso, em último caso,
é a mínima explicação necessária.
Mas o principal: tão importante sonhar.
Essa imensa quantidade de gente que não sonha e me deixa constrangido.
Porque acham que sonhar é coisa pouca.
Como se não houvesse sangue nos sonhos, como se não houvesse dor nos sonhos.
Sonhar é decente e, esquecer-se disso, é a tristeza do mundo.
É a garota que desistiu do príncipe e reclama da companhia do sapo.
(Os casamentos tristes que vi e vejo. Os casamentos que teimam por fraqueza. Os casamentos sem convicção. Os casamentos que enfraquecem casais e maltratam bebês. Os casamentos que ficaram cansados e agora se arrastam pela conveniência de dividir as contas do mês.)
Sonhar porque a outra opção é a morte em vida:
achar que é assim mesmo e que SÓ assim pode ser.
Como se nada mudasse, como se o mundo e o ser humano fossem os mesmos de 50 anos atrás.
Achar que a vida é apenas isso e tornar-se duro para poder ser forte.
Ser duro é triste, achar que não tem jeito é triste, manter a companhia de sapos é triste também.
Que princípes não precisam existir,
que o sonho tá aí e não depende da realidade.
A realidade nunca foi, ou será, uma boa conselheira.
A realidade é o plebiscito que aprova a pena de morte, é o foco da imprensa no alcoolismo do Sócrates-Magrão, é o PT fazendo aliança com o Kassab.
A realidade é uma mulher deslumbrante que te fez pensar em amor à primeira vista, e que já no fim da noite lhe oferece sexo anal à 60 Reais.
A realidade é uma puta linda e barata que insiste em dizer que ser puta foi sua única opção.
Então o sonho. Aquilo que sangra e dá dor. Aquilo que não põe preço no delicioso sexo anal.
É questão de gosto, de estilo, de ambição.
Prefiro o sonho.
A realidade é o inevitável
e existe por si.
A realidade não precisa de invenções
e jamais depende de mim.
E isso, em último caso,
é a mínima explicação necessária.
14 de fevereiro de 2012
Relatinho.
É fácil ser inteligente entre outras pessoas. Mas isso não quer dizer nada, nem mesmo que você é - de fato - inteligente.
Muita vaidade em um único ser e diversas vezes eu pensava: - que merda é essa?
Um tipo de delírio de grandeza, um foco em si que embaça a vista. Falava apenas dos outros (sempre famosos) e me lembrou aquela tirinha que roda no facebook que diz: "pessoas medíocres falam de pessoas".
Fez sentido.
Um tipo de delírio de grandeza, um foco em si que embaça a vista. Falava apenas dos outros (sempre famosos) e me lembrou aquela tirinha que roda no facebook que diz: "pessoas medíocres falam de pessoas".
Fez sentido.
Pensei no meu acanhamento e no poder do álcool.
Tão fácil ser normal quando se está embriagado...
Tão fácil ser normal quando se está embriagado...
+
No domingo passado fui ao Turfe - que nada mais é do que o hipódromo e os cavalinhos que correm. Dá pra entender a sedução daquele lugar. Há diversas pessoas, mas sua solidão está protegida. Não sei se me faço entender...
É um ambiente grande, entre uma corrida e outra há longos intervalos e, em certo sentido, você está FAZENDO alguma coisa. Pode ser olhar os cavalos, estudar o programa ou simplesmente reparar nos outros. Graças ao intervalo e as conjunturas para as apostas, você pode pensar em si de um jeito calmo. E quando pensar em si se tornar insuportável, o corneteiro te salva e anuncia a entrada dos competidores.
Então é o momento de FAZER alguma coisa. Você se aproxima e tenta perceber se aquele cavalo e aquele jockey que você escolheu criam uma harmonia vitoriosa. Geralmente não, mas não importa.
A questão é que você tenta enxergar o invisível olhando aquele cavalo e aquele jockey, como se houvesse um mistério que talvez você consiga desvendar e ganhar algum dinheiro.
Joguei em 7 páreos, perdi vinte reais e ganhei quatro. O preço de um cinema com a vantagem de não enfrentar filas.
Na volta, bicicleta de garoto-propaganda do Itaú e a bela sensação de que sim, a vida é possível.
10 de fevereiro de 2012
Ouvir música clássica e sentir o gosto metálico do bourbon.
Agora sou eu e um tipo egoísta. Falo só de mim e cago pra outros que.
Não que antes não fosse. Não que tenha deixado de ser.
Mas quero dizer:
- qual é, enfim, a grande lição da terapia?
- Pense só em si que talvez seja feliz.
Felicidade não é o caso. Não tenho esse problema. Preocupar-se com a felicidade é coisa pra Ivete Sangalo e pra Xuxa. Eu não entendo de felicidade. Eu não consigo acreditar em que acha que ser feliz é o mais importante. A lista é grande: além de Xuxa, milhares e milhares.
Pensar em si faz mais sentido. É uma pena, confesso. Queria mesmo era me misturar com mais 4 ou 5 e me confundir. Mas não é caso. Quero dizer, não foi o caso. De modo que penso em mim e, em momentos otimistas, urro U-LÁ-LÁ.
Que pra reclamar da vida não preciso de parceria e mantenho o blogue. Que, ah, vá lá, quem em sã consciência acredita que um degrau após o outro leva ao céu?
Eu não. Eu nunca.
E por ter certeza que o céu existe, eu digo: ele não está no fim de uma escada.
Então vou pensar em mim. Aproveitar meus 30 anos e cagar regras cheio de convicção. Não quero o que eu tenho com quem eu tenho. Talvez queira demais, talvez esteja com pessoas erradas, talvez esteja equivocado. Mas isso não importa pelo mesmo motivo que a felicidade não importa.
Quero dizer: o sentido das coisas não está no cumprimento de suas funções.
É o banquete e não a fome que importa.
Quando lamentamos pelos que têm fome é porque eles ignoram a existência do banquete; e não porquê lhes falta a ingestão de nutrientes recomendada pela ONU.
Não que antes não fosse. Não que tenha deixado de ser.
Mas quero dizer:
- qual é, enfim, a grande lição da terapia?
- Pense só em si que talvez seja feliz.
Felicidade não é o caso. Não tenho esse problema. Preocupar-se com a felicidade é coisa pra Ivete Sangalo e pra Xuxa. Eu não entendo de felicidade. Eu não consigo acreditar em que acha que ser feliz é o mais importante. A lista é grande: além de Xuxa, milhares e milhares.
Pensar em si faz mais sentido. É uma pena, confesso. Queria mesmo era me misturar com mais 4 ou 5 e me confundir. Mas não é caso. Quero dizer, não foi o caso. De modo que penso em mim e, em momentos otimistas, urro U-LÁ-LÁ.
Que pra reclamar da vida não preciso de parceria e mantenho o blogue. Que, ah, vá lá, quem em sã consciência acredita que um degrau após o outro leva ao céu?
Eu não. Eu nunca.
E por ter certeza que o céu existe, eu digo: ele não está no fim de uma escada.
Então vou pensar em mim. Aproveitar meus 30 anos e cagar regras cheio de convicção. Não quero o que eu tenho com quem eu tenho. Talvez queira demais, talvez esteja com pessoas erradas, talvez esteja equivocado. Mas isso não importa pelo mesmo motivo que a felicidade não importa.
Quero dizer: o sentido das coisas não está no cumprimento de suas funções.
É o banquete e não a fome que importa.
Quando lamentamos pelos que têm fome é porque eles ignoram a existência do banquete; e não porquê lhes falta a ingestão de nutrientes recomendada pela ONU.
9 de fevereiro de 2012
Baixo o Let it Bleed do Rolling Stones e penso que estou atrasado.
- Há muita dúvida na jogada e nunca tive esse fetiche. Lembro da faculdade de Teatro e da dúvida como virtude e noto que já então eu não fazia parte da turma. Não me encantava com as questões e acreditava em método e Stanislavski.
- Bom mesmo são mulheres de narinas grandes, largas, profundas. A impressão que aquele suspiro pode lhe engolir. A mulher que te engole. Com a vagina e as narinas.
- Nota tipo twitter: nunca mais andar de bicicleta usando samba-canção.
- Nota tipo twitter 2: com as cuecas nas mãos, na fila do caixa da Renner, percebi o tamanho da minha solidão.
- Ainda na Renner: há qualquer coisa de muito triste nas pessoas que compram roupas sozinhas. Nenhum pitaco sobre ficou bom ou ruim. Nenhum motivo para sair do provador.
- Concentrar-se nas tarefas simples é muito difícil. Quando é assim, prefiro assistir ao seriados americanos.
- Gosto das mudanças que surgem de fora pra dentro. Não porque houve uma auto-descoberta ou uma revolução interna. Mas porque no meio do caminho tinha uma pedra.
- Sempre fui cúmplice dessa mãe que não é a minha. É como seu percebesse sua tristeza e sua rotina de mulher só. Ela não é triste, não é isso. Mas há uma melancolia que sempre vejo em seu sorriso. E também uma idéia maluca que sempre tive em relação à ela: ela adoraria que eu fosse seu genro. Caso eu e sua filha nos casássemos tenho certeza de que ela diria: - eu sempre soube.
7 de fevereiro de 2012
Enquanto passeava de bicicleta laranja pela orla do Rio de Janeiro lembrei das valetas abertas da minha infância
A gente brincava com sapos e girinos e não havia perigo. Criava pequenos sapinhos que eram lindos e para os quais preparava uma bacia com água e uma pedra.
Fazia o pequeno sapo mergulhar e dar saltos incríveis de alturas que, por vezes, o levavam à morte ou à deformidade. Mas não tinha maldade nem perigo e quando isso ocorria bastava pegar outro sapinho na valeta aberta em frente da minha casa.
Havia corridas de sapinhos e também campeonato para ver quem conseguia fazer com que ele saltasse de uma mão para outra.
Lembro de achar lindo ele nadando na bacia e, depois, como um atleta, sentar na pedra para novamente mergulhar.
Não tinha perigo e não era nada nojento.
O sapinho era o livro que eu passava horas olhando.
3 de fevereiro de 2012
lálélí.
Estou só pela primeira vez. Quero dizer: depois da liberdade. Liberdade que é real e não idéia. Compromissos que acabam e contas pagas.
Para além da liberdade comecei a cumprir os compromissos que inventei: fugir da rotina, beber pouco no bar e escrever uma primeira cartinha. Além do blogue que, vá lá, só faz sentido enquanto prazer.
Tenho ainda uma liberdade pra ganhar. Coisa de contas e, depois, simples pingos nos is.
Daí será a vida toda com todos os sonhos e planos, com todos os conflitos e loucuras, com todos os seres antigos e novos. E mais cartinhas e mais blogues e mais vida solitária plena que é quando penso que sim, as coisas podem dar certo.
Às vezes ninguém percebe, mas sou um otimista. Um otimista tímido, é verdade, mas um otimista. Um otimista que debocha dos otimismos e faz graça com idéias pessimistas, mas, ainda assim, um otimista. E consola-me achar que Maria sabe - e sempre soube - disso.
Em outras palavras: sou simples assim. Mesmo que eu ainda desconfie de todas as alegrias postadas no Facebook.
Otimismo com convicção e com a certeza que contraria meus pares: sim sim, as coisas mudam; sim sim, as pessoas mudam; sim sim, continue; sim sim, um grande passo pode acontecer sem que ninguém veja.
Para além da liberdade comecei a cumprir os compromissos que inventei: fugir da rotina, beber pouco no bar e escrever uma primeira cartinha. Além do blogue que, vá lá, só faz sentido enquanto prazer.
Tenho ainda uma liberdade pra ganhar. Coisa de contas e, depois, simples pingos nos is.
Daí será a vida toda com todos os sonhos e planos, com todos os conflitos e loucuras, com todos os seres antigos e novos. E mais cartinhas e mais blogues e mais vida solitária plena que é quando penso que sim, as coisas podem dar certo.
Às vezes ninguém percebe, mas sou um otimista. Um otimista tímido, é verdade, mas um otimista. Um otimista que debocha dos otimismos e faz graça com idéias pessimistas, mas, ainda assim, um otimista. E consola-me achar que Maria sabe - e sempre soube - disso.
Em outras palavras: sou simples assim. Mesmo que eu ainda desconfie de todas as alegrias postadas no Facebook.
Otimismo com convicção e com a certeza que contraria meus pares: sim sim, as coisas mudam; sim sim, as pessoas mudam; sim sim, continue; sim sim, um grande passo pode acontecer sem que ninguém veja.
29 de janeiro de 2012
Hamlet se finge de louco e faz justiça com as próprias mãos.
Agonia serena. Era isso que ela me falava. Eu tentava entender qual era o ponto, mas não havia ponto. Era apenas uma negação. Um NÃO sem sugestão de caminhos ou exigência de mudanças. NÃO redondo disfarçado em consciência: o velho medo da precipitação. A idéia de que um dia existirá o momento certo: pra casar, pra ter filhos, pra comprar a casa própria, pra se precipitar. Pensei em dizer "sacrifício é a vida cotidiana e não a arte", mas me calei porque a frase era piegas e também porque não era o caso de criar polêmicas. Queria entender, mas não sei se há o que entender. É o óbvio travestido de ousadia, uma idéia de que fazer a sua parte basta. Talvez em 2022 estejamos preparados, mas o mais provável é que não. Prefiro a frase do Hamlet fatal: "Estar pronto é tudo."
21 de janeiro de 2012
2012
Ouvir as músicas, pensar na vida. Tentar entender o que te dizem. Ser decente, ser bom. Ver os dias de verão em Curitiba como quem sai sem guarda chuva para tomar banhos de chuva. Escrever pros amigos e atualizar os e-mails e feeds e blogues. Ser bom de modo geral, mas sem nunca falar disso. Dar dinheiro pros bêbados honestos que dizem precisar de cachaça e não de pão. Amar as loucas, ter paciência com as loucas, dizer para as loucas que elas não são loucas não. Rir com os quadrinhos do Laerte e ser macho para confessar que as pernas do Laerte são muito, muito tesudas. Rever todas as andorinhas do Laerte. Todas as tirinhas do Laerte. Reler os Fantes, os Bukowskis, os Dostoiévskis. Reler Dom Quixote. Encarar o alemão bigodudo e perder o medo de sonhar. Cultivar medos normais. Não acreditar nesse papo de ser livre, de não ter medo, de ser de todo mundo e todo mundo querer bem. Mais cinema sozinho, mais teatro acompanhado, mais livros na cama e menos no bar. Menos bar. Bar como fetiche e não como hábito. Virar noites com prostitutas animadas. Conversar sobre Deus e coisas espirituais. Mandar cartões postais! Perder a implicância. Com o Caetano, com o Chico, com o Gil. Ouvir o disco novo do Chico. Fumar menos, foder mais e perder pança. Menos cerveja e mais exercício. Fernandinho-atleta em 10 kms corridos por manhã. Ver os velhos que usam gravatas borboletas e entender o homem e sua solidão e dignidade. Mais postais, mais bourbons, mais garotas e menos teimosia. Dedinho no cu, pode. Dedinho na vagina, também. Sexo ainda não. Ter calma, ter muita calma. E criar coisas. Criar fatos. Criar um ' fato novo', eu aprendi. E mais 12 meses de agonia e beleza que, vá lá, a vida é mesmo a merda mais encantadora que se têm.
22 de dezembro de 2011
-
O clichê sempre tem razão de ser.
Pode ser estúpido, pode ser genial.O clichê tem a ver com aquilo que nos é comum, que nos torna como todos, que é ordinário.
Esse filme é o clichê du bom e bem usado.
E ainda me deu essa belíssima canção para chorar quando chorar for o caso - ou a vontade.
-
21 de dezembro de 2011
Tentar entender as coisas através dos outros e ver que não tem muita saída. A velha sensação de deslocamento. Garras no esôfago, cerveja em uma mão e cigarro em outra. Tento decifrar isso e aquilo. Entender as piadas, as demonstrações de afeto e as duplas que se formam. Nada faz muito sentido, mas ninguém liga muito pra isso e, portanto, estão todos felizes. Felizes de modo geral, falantes de modo geral. Olho e tento entender. Não há nada pra entender, mas eu não me conformo.
-
O tesão passeia distraído. É estranho, mas está tudo bem. O grande lance, eu aprendi, é rir nas horas certas.
-
O tesão passeia distraído. É estranho, mas está tudo bem. O grande lance, eu aprendi, é rir nas horas certas.
19 de dezembro de 2011
A gente toma sorvete de frutas no verão e faz amor nos domingos em que há chuva e o frio aproxima os corpos.
Em dois ou três anos ela pensa em engravidar, mas eu mesmo não sei se é isso que quero.
Uma vez por mês ela fica louca com sua TPM e ouvi na rádio que os casos de depressão pós-parto são mais comuns em mulheres que sofrem de TPM severa.
Também ouvi que a capacidade orgástica da mulher pode estar relacionada a intensidade de sua TPM, o que, pelas poucas namoradas que tive, me pareceu uma verdade absoluta, pois quanto mais loucas na TPM, mais intensos eram seus orgasmos.
A mais louca, inclusive, me brindava com jatos de sua transparente secreção.
Uma vez por mês ela fica louca com sua TPM e ouvi na rádio que os casos de depressão pós-parto são mais comuns em mulheres que sofrem de TPM severa.
Também ouvi que a capacidade orgástica da mulher pode estar relacionada a intensidade de sua TPM, o que, pelas poucas namoradas que tive, me pareceu uma verdade absoluta, pois quanto mais loucas na TPM, mais intensos eram seus orgasmos.
A mais louca, inclusive, me brindava com jatos de sua transparente secreção.
15 de dezembro de 2011
Acho que foi em 1996 que comecei a ter tesão em mulheres desesperadas.
A gente tinha 'ficado' e ela era minha primeira 'ficante' completa. Quero dizer: era constante, havia incursões à bunda, aos peitos e roçadas que ostentavam meu pau duro de adolescente. Antes dela, por algo que amigos haviam me dito, eu sempre disfarçava o pau duro. (Os amigos diziam que pau duro por causa de beijo era coisa de quem nunca havia beijado... Amigos idiotas e idiota eu).
Não lembro como foi, mas lembro que um dia ela teve ciúmes e, pela primeira vez, discuti a relação - que, à bem da verdade, não havia. O fato é que o ciúmes dela fez com que houvesse a pergunta fatal: - você quer ou não quer que eu seja a sua namorada?
Lembro que essa pergunta veio inesperada e me pegou de surpresa. Pela cara dela, eu entendia que era uma pergunta que desejava respostas. Eu não sei se queria que ela fosse minha namorada ou não, mas lembro que na minha cabeça de 14 ou 15 anos parecia ridículo namorar com alguém de 12 ou 13 anos. E tinha também meu amigos. Deus! Nessa época, os amigos influenciam muito a gente. De alguma maneira, eu sabia que seria 'zoado' caso eu tivesse uma namorada tão novinha.
(A lógica adolescente, se bem me lembro, é que peitos pequenos eram coisa de novinha. Não era lógico. Era idiota e confuso. Caso uma menina de 11, 12 anos tivesse peitos grandes - ou mesmo médios - nós, os caras de 14, 15 anos, a consideraríamos uma mulher. Vai entender...)
O fato é que fugi dela - infelizmente esqueci seu nome - e atrasei minhas experiências sexuais em dois anos.
Quando perdi a virgindade, aos 16, entendi que essa coisa de mulher desesperada sempre se repetiria. Não que a Dani - dela eu lembro o nome - fosse desesperada, mas é que ela também queria namorar e eu não.
E o mesmo ocorreu com a Júlia, que nem me deu nem nada, mas que me masturbava na época em que eu nem desconfiava que outra pessoa poderia fazer isso por você.
-Termino aqui. Pela decisão de terminar. Porque 1996 durou mais do que eu imaginava.
E porque, não resisto, recebi uma cartinha importante.
14 de dezembro de 2011
O amor estava na esquina.
Era barato e razoavelmente generoso.
Não fazia promessas que não podia cumprir e explicava tudo tintim por tintim:
- cu é mais caro, neném.
Expliquei que não ligava pra cus e fui chamado de homem raro.
Não fazia promessas que não podia cumprir e explicava tudo tintim por tintim:
- cu é mais caro, neném.
Expliquei que não ligava pra cus e fui chamado de homem raro.
11 de dezembro de 2011
só de mim, monamur
Fugir da pena de si mesmo e tentar achar as grandes soluções. No meio do caminho ouvir o disco do Criolo, que é meio bola da vez e porque é um jeito de acompanhar o mundo. Ler a coluna da Martha Medeiros desse domingo e gostar de tudo menos da frase estúpida. Justamente a frase que a editoria escolheu para destacar. Pensar o óbvio e ver o mundo: estúpido e bom ao mesmo tempo.
Bom: a coluna da M. Medeiros. Estúpido: a frase destacada da coluna da M. Medeiros.
O fim de ano e os planos inevitáveis. Coisas que não dependem só de mim e que é melhor assim. Ser sozinho eu já sei e aprendi. Não acho vantagem, não acho bonito, apenas reconheço. E penso nas coisas grandiosas que ficaram pra trás.
Tantas coisas pra trás, tanto sonho abandonado, tanta gente que ficou e se achou e se perdeu e mudou para o bem e para o mal. Coisas que ficaram pra trás. De todos os tipos e por todos os motivos. Por tristeza, por cansaço, por medo, por comodismo. E a certeza mais dolorosa de todas: "porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca."
Os passinhos ensaiados, a vida planejada, as etapas concretizadas de uma vida burocrática e mesquinha. A satisfação de ser fiel a si e de nunca se abalar. A força como virtude é a coisa mais triste do mundo. Gente forte, com casca e preparada para as piores desgraças do mundo. Como se fosse um jogo, no qual quem sofre menos ganha mais. Como a matemática mais comezinha: em casa com um lápis entre contas de mais e menos.
Fumando meus cigarrinhos e vendo o belo sol do RJ. Meio teimosia meio desejo. Lembrando que nada disso foi planejado, mas que, mesmo assim, prefiro as grandes frustações aos chatos que passeiam blasés em suas auto-suficiências. Porque alma ainda me parece importante, porque sou antigo e deliro com grandes sonhos. Porque ainda é permitido e porque poucos são os REALMENTE satisfeitos. Que satisfação não tem nada a ver com felicidade. E ser satisfeito é mais relevante do que ser feliz.
Bom: a coluna da M. Medeiros. Estúpido: a frase destacada da coluna da M. Medeiros.
O fim de ano e os planos inevitáveis. Coisas que não dependem só de mim e que é melhor assim. Ser sozinho eu já sei e aprendi. Não acho vantagem, não acho bonito, apenas reconheço. E penso nas coisas grandiosas que ficaram pra trás.
Tantas coisas pra trás, tanto sonho abandonado, tanta gente que ficou e se achou e se perdeu e mudou para o bem e para o mal. Coisas que ficaram pra trás. De todos os tipos e por todos os motivos. Por tristeza, por cansaço, por medo, por comodismo. E a certeza mais dolorosa de todas: "porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca."
Os passinhos ensaiados, a vida planejada, as etapas concretizadas de uma vida burocrática e mesquinha. A satisfação de ser fiel a si e de nunca se abalar. A força como virtude é a coisa mais triste do mundo. Gente forte, com casca e preparada para as piores desgraças do mundo. Como se fosse um jogo, no qual quem sofre menos ganha mais. Como a matemática mais comezinha: em casa com um lápis entre contas de mais e menos.
Fumando meus cigarrinhos e vendo o belo sol do RJ. Meio teimosia meio desejo. Lembrando que nada disso foi planejado, mas que, mesmo assim, prefiro as grandes frustações aos chatos que passeiam blasés em suas auto-suficiências. Porque alma ainda me parece importante, porque sou antigo e deliro com grandes sonhos. Porque ainda é permitido e porque poucos são os REALMENTE satisfeitos. Que satisfação não tem nada a ver com felicidade. E ser satisfeito é mais relevante do que ser feliz.
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