29 de janeiro de 2010

28 de janeiro de 2010

Aquela mãozinha miúda que me masturbava.

(senta que lá vem história)


Eu tinha 15 anos. Era virgem ainda e começava a me dar bem com as menininhas. O nome dela era Júlia. Tinha 16 ou 17 e tinha acabado de sair de um namoro longo. De 3 anos, acho. Ela não era virgem.

A Júlia era amiga da Liane que era namorada do Thél, o melhor amigo dessa época. Foi a Liane que arranjou as coisas. Era como funcionava na época. Ela me disse que a Júlia tinha gostado de mim. Um dia, numa festa, a gente ficou. Era como se falava: fulano ficou com fulana.


A Júlia foi responsável pelos meus primeiros amassos. Amassos mesmo, com o pau duro se esfregando nas pernas. Lembro que na nossa primeira ficada estávamos na cozinha do salão de festas do prédio da Liane. E foi lá que eu dei o meu primeiro amasso sem sentir vergonha por estar com o pau duro.


(Quando tinha 12, 13, 14 anos, achava, junto com os meus amigos, que quem ficava de pau duro por estar beijando uma menina era inexperiente, tinha beijado pouco e só por isso ficava de pau duro. Então todos nós, nessa época, faziámos um esforço secreto. Ou pra não ficar de pau duro, ou pra esconder o pau duro: da menina, dos amigos e de si mesmo. Agora isso parece estúpido. E é. Mas com 13, 14 anos é difícil entender que pau duro pode ser uma sincera demonstração de afeto.)


A Júlia sentou na pia e eu fiquei em pé. Ela ficou com as pernas afastadas e eu me encaxei. Nôs beijamos sem parar e ficamos naquela esfregação que só com 15 anos é possível. Durou horas. Eis aí o meu primeiro amasso de verdade.


Lembro que a Liane entrou na cozinha, deu risada, disse eu sabia e saiu cheia de satisfação. A gente parou e decidiu voltar para a festa. Antes de descer da pia, ela fez uma coisa que nunca vou esquecer: esticou a gola da blusa, mostrou seu cólo e disse: olha só, olha como tá vermelho. Eu não entendi direito, mas entendi que era bom.


Nunca vou esquecer daquela imagem. Seu cólo era sardento e ossudo, e estava cheio de pequenas manchas vermelhas que pareciam neurônios: mais escuros no centro e perdendo intensidade nas pontas. Entendi, intuitivamente, que aqueles neurônios vermelhos na pele sardenta dela eram a aprovação do meu desempenho no meu primeiro amasso.


A Júlia era pequena, magra e tinha mãos finas e geladas. Foram essas mãos que me deram minha primeira punhetinha-de-mão-alheia. Isso, com 15 anos e virgem, é quase um milagre, um acontecimento. E a Júlia era dedicada e generosa. Em qualquer canto e em qualquer oportunidade lá estava ela com suas mãos finas e geladas me ensinando como viver melhor.


Não lembro quanto tempo nosso caso durou. Acredito que semanas. Também não sei porque paramos de ficar. Lembro que depois de um bom tempo a Liane comentou que a Júlia e o ex tinham reatado. Fazia sentido. Entre as punhetinhas eu havia entendido que eu era seu objeto de vingança. Era isso que fazia suas mãos trabalharem tanto e em todos os lugares: sofá da Liane, casa de máquinas do elevador, escadas do prédio, festas com mocós para adolescentes, cinema, etc.


O curioso é que ela me proibia todo e qualquer acesso à sua buceta. É uma coisa que até hoje não entendo. Talvez o lance da vingança explique. Talvez a idade. O fato é que tudo era permitido, menos sua buceta. Eu nunca conseguia por a mão ali, por mais que ela estivesse só de calcinha. Calcinha azul.


Mas o que mais me encanta quando me lembro da Júlia é que ela era (será que ainda é?) fascinada pelo produto da punheta. É isso mesmo. A Júlia adorava porra. Tinha uma relação com a porra que nunca mais vi em nenhuma outra mulher. Ela gostava daquilo, gostava de ver aquilo, ficava sorridente quando aquilo saia de mim. É a lembrança mais forte que eu guardo: ela e a minha porra.


E o incrível é que toda nossa relação era calcada nisso. Amassos, beijos longos, punhetinhas e, pra epifânia dela, minha porra. Minha abençoada porra. Assim como no primeiro dia ela havia me dito olha só, olha como tá vermelho, ela dizia: olha, olha - mas agora se referindo à sua mão melada que ostentava meus resíduos bem próxima do me rosto. Pra que não houvesse dúvidas sobre o que era pra ser olhado.


Nosso ápice aconteceu no sofá da sala da Liane. Ela de calcinha azul, peitos pequenos e pontudos e maravilhosas sardas espalhadas no cólo e nos ombros. Estávamos, como sempre, num amasso infinito. Eu em cima dela com aquela afobação dos 15 anos: dificuldade para abrir botões e soltar sutien, pressa constante e a típica cara de pau da adolescência - que permite você fazer isso no sofá branco e rico da sala da mãe da sua amiga porque sua amiga está no quarto com o namorado e disse fiquem à vontade.


Não sei como fui parar lá, mas lá estava eu: sentado em cima dela que estava deitada. O pau pra fora, as mãos frias e habilidosas que ela trabalhava com dedicação e os peitos sardentos e bicudos à um palmo de distância, esperando o jato fatal. O jato veio com um movimento muito habilidoso da Júlia. Enquanto uma das mãos trabalhava, a outra, prevendo o futuro, ia de um seio ao outro enquanto a dona das mãos e dos peitos dizia: goza aqui, goza aqui.


Eu tinha 15 anos e obedeci. Não imaginava que essas coisas existiam. Quer dizer, imaginava, mas não achava que aconteceriam comigo. Não naquela época pelo menos. Eu já me dava por satisfeito com beijo na boca e mão na bunda. Aquilo era mais do que eu podia esperar. Deus era bom pra mim. Eu tinha uma garota que me tocava punhetas. As vezes com uma rapidez que quase irritava. Era ir pro mocó e a punheta começava: veloz e infalível.


Nunca mais soube da Júlia ou da Liane. O Thél tá trabalhando na África e já não o vejo há 2 anos. As vezes, quando estou eu mesmo tocando minha própria punheta, me lembro da Júlia e da sua dedicação. É algo que até hoje me impressiona. Não deixa de ser uma nostalgia. É mais fácil viver quando uma simples gozada nos peitos lhe soa como um milagre.

Gozar com 15 anos é sempre mais simples.

27 de janeiro de 2010

26 de janeiro de 2010

morrem para nos salvar.

Essas loucas insatisfeitas jogam dados em cassinos clandestinos e arregalam os olhos e ficam lhe encarando de frente. Elas sabem de tudo e de todos e têm uma habilidade enorme para rebolar. E rebolam bem, as desgraçadas. As bundas anunciam os anjos que você vai ver e você começa a rezar.
Elas acham graça da sua reza e riem com os dentes enormes e brancos enquanto pedem pra que você lhes pague mais um drink. E você topa. Você tá no inferno, sente simpatia pelo demônio e quer ver os anjos que saem dos rêgos daquelas bundas.
Não há nenhuma ternura, mas elas falam o que você quer ouvir. É a contra parte da reza. É a hora que Deus ouve suas preces. Ele mesmo, lá de cima, também acha graça da sua falta de jeito com elas. Ele gosta delas. Ele também aprecia as bundas e os rebolados. Sabe que é apenas outra forma de reza.
É Ele, enfim, quem libera os anjinhos.

24 de janeiro de 2010

Escorrendo no sofá com o Faustão. Lento e idiota. O tempo crescendo cheio de unhas dentro do meu estômago. Um mau humor que atinge o fígado e o pâncreas. As velhas formas, as moças loucas e as crianças que choram pra chamar atenção. Nada de novo e nada de velho. O mesmo.

23 de janeiro de 2010

Antes do Boa Noite.

Eu lá mais ou menos como sempre:
Mas acontece que a guria cresceu e tem peitos enormes. Me pego impressionado com isso e também com o fato de eu reparar nisso. Não era o caso. É coisa antiga, amiga de infância, quase parente e bla-blá-blá.
Isso não tá certo.
Mas pior é ela me pegar sacando seus enormes peitos.
E pior ainda é eu, em tentativa frustrada de auto repressão, gostar dela ter me pego sacando seus enormes - e por que não? - deliciosos peitos.
Meu inferno seria uma casa cheia de gurias como ela. Que cresceram e ficaram gostosas e fartas. Elas já têm pêlos em seus corpos, é o que me digo para evitar a inevitável culpa.
Outro assunto:
Deveria ser mais decisiva e menos coluna do meio. Preciso de bunda de fora. Não gosto de convencer à mim mesmo. Prefiro fêmeas que confirmam o que penso. Sem deixar que eu note, esteja claro.
No mais aquele desejo que se mistura com curiosidade e que, portanto, é apenas um desejo infantil. Desses que crianças têm: como se o único mistério estivesse naquilo que não se conhece. E cá comigo prefiro o mistério próximo e intimo, que fica sempre à um átimo de ser revelado.
Em outras palavras e simplificando a coisa: gosto apenas do que posso realmente ter. E ter o que se gosta é o milagre que uns aí chamam de amor.
Coisa que não precisa ser abastecida por novidades para que tenha sentido.
Pra sair:
Meu gosto é estranho e sobre os meus hábitos eu nem comento. Sinto quase vergonha ao ver, como só eu posso ver, minhas manias sendo executadas por mim mesmo como um doente que conhece sua cura, mas que, mesmo assim, prefere a própria doença.
Estar vivo e pensar é um coisa perigosa as vezes.
Mas prefiro assim.
Estar apenas vivo é coisa de plantas e plantas,
graças à Deus,
não me bastam.

22 de janeiro de 2010

enfeite e auto controle. tudo certo.

Preparo posts prum futuro.
Porque não é o caso de aparentar o que não é o caso.
Sem jogos.
Eu sou discreto. Eu insisto: eu sou elegante.
Prefiro a coisa reta à linha curva. Ambiguidade, acho eu, só cola quando você menospreza seu interlocutor. Como acontece quando você fala palavras de dicionário pra crianças.
Mas não agora. E não por isso.
Prefiro imaginar ELA como uma rainha má, mas esperta. Dessas que falam, mas que só importam quando o silêncio é calmo e absoluto.
É como escolho e como invento.
E toda invenção é minha, afinal.

21 de janeiro de 2010

Pastos velhos para éguas novas.

(foto de Ernesto Matos)

Punheta do passado. É isso que ela gosta de fazer. Ama ter amado os amores que não deram certo. Adora sentir saudades de todos que a desprezaram. Seus olhos apertados e escuros fazendo sombra em seus enormes dentes brancos.

Fêmea com cara de cavalo. Potranca forte e de pata dura. Comendo pasto, procurando pasto, tentando galopar. Sem cela, sem arreio. Os olhos fixos como os olhos vidrados de um cavalinho de carrossel. A agonia petrificada e pintada de tinta preta.

O cavalinho do carrossel funciona assim: não para nunca, olha sempre pra frente e nem nota que gira em círculos. Ele se incomoda com as criancinhas que trepam nele e esquece que ele, como cavalinho de carrossel, foi feito justamente pra ser trepado por criancinhas ranhentas e desagradáveis.

Mas ela segue. E ela sofre e come pasto. Combate o tédio com grama verde. Lembra da sua enorme tristeza e se sente muito vital. Porque, em algum momento, ela entendeu a própria tristeza. E interpretou a própria tristeza como um lado poético de sua personalidade de mulher-cavala.

Nas noites sem lua ela relincha satisfeita e se vê em grandes parques de diversão, fazendo parte de um carrossel imenso, dourado e cheio de luzes que piscam frenéticas. Um carrossel de ouro que faz um giro belíssimo com 100 metros de diâmetro.

Ela cavalga veloz e sente o vento na cara. Ela se considera feliz, apesar de tudo. Ela não é boa, ela não é má. Ela é apenas o que pode ser. E isso, infelizmente, não é muita coisa.

19 de janeiro de 2010

Idiotas abrem caixinhas pra desvendar mistérios.

Falo sobre isso porque sou esse tipo de idiota. E a minha autoridade nesse assunto só procede por meu cu ser enorme e conter várias e múltiplas caixinhas. Mas sejamos francos: quem acredita que realmente pode mudar?
Imbecis crêem nisso. Apaixonados também. Loucos podem até serem visionários, mas sofrem mais com a própria loucura do que com a loucura alheia.
E é aí que a idiotez se revela: porque não é possível entender nada de nada que ocorra em outra pessoa que não em você mesmo. E mesmo você em você mesmo entende-se mal e porcamente.
Porque esse lance de siconhecermelhor é bonitinho, pega bem e tá na moda. Assim como é inútil e equivocado.
(Embora eu ainda prefira um cabeça dura à um topa tudo. Questão de gosto apenas.)
Seja como for insisto que:
  • berrar bem não é ter boa voz.
  • amor à primeira vista só é crível em bons filmes.
  • suor e talento são duas coisas distintas.
  • dizer 'eu tô feliz' é coisa de suicida.
  • pássaros na mão de maneta não chega a impressionar.
  • blogue é tédio por escrito.
  • vitória só serve pra humilhar inimigos.
  • comer mulher de amigo é prazer em dobro.
  • ser bipolar é condição de estar vivo.
  • arranhar sem unhas é uma coisa possível.
  • facebook é melhor que orkut.

No mais, um peido fedido

e uma cerveja gelada

atualizar o próprio blogue

é uma tremenda parada.

18 de janeiro de 2010

16 de janeiro de 2010

telhado de casa desconhecida.

De madrugada, quase amanhecendo, ela me procura como uma gata que ronda telhados que deseja conhecer melhor. Como que pra ter a garantia de correr por eles no escuro sem o risco da queda. Ela, como qualquer ser decente e adulto, quer segurança.
Eu vejo seus passos e as vezes formulo conexões estranhas entre ela e meus vícios. Penso nisso e naquilo, choro e sorrio baixinho enquanto digo pra mim mesmo: não se afobe e nem se apresse. Ter exatidão, nesse caso, é vencer do Tempo.
Imagino que ela perceba o mesmo que eu. A visão do abismo e a atração que exerce lento, enorme e profundo. Lançar-se no abismo pra sempre ou pra quebrar a cabeça. 1 possibilidade em 2 e o medo repentino que surge quando se percebe que a segurança, assim como a felicidade, é só um desejo; e não um algo palpável que se modela com o pensamento e as mãos.
Minha gata ronrona distante em terras quentes e chuvosas. Vislumbro ela dormindo de camiseta e calcinha e sinto um frisson ao notar que suas pernas, levemente abertas, estão voltadas em minha direção.
Brasília
meu cu.
I do not
love you.

14 de janeiro de 2010

relatinho com os hollywods de mamãe.

Sendo descolado na night curitibana.
-

Vejam vocês: agora falo night e vou para a dita balada. É simples. Uma lógica que usei nas vezes em que me mudei de cidade. Quando você não conhece ninguém ou não sabe o que fazer, você topa tudo. Ou quase tudo.
E nessas vou pra balada e curto-a-night.
Tenho amigos daqui de quem me afastei um bocado. Não por nada, mas porque houve as namoradas, os quase casamentos, as drogas, as mudanças de turma, etc.
Mas agora, eu e um velho amigo, o grande Titones, saímos como nos velhos tempos e nos sentimos muito bem, obrigado. Meu limite é a balada country que ele me chama e eu não vou, mas, tirando isso, até em sambinha tô indo.
E sambinha em curitiba é ainda pior do que no rio de janeiro. Ou seria melhor, já que a farsa-sambinha fica mais escancarada?
Não importa.
O fato é que ainda me mantenho longe da muvuca que gosta de pipocar na beira do palco ou na pista e, pra manter um mínimo de integridade e elegância, bebo os chopes duplos de terça feira no balcão.
A novidade da vez é falar com as gurias. Com uma cara de pau que nem é minha e que nem chega à ser sincera. É o velho sistema que já disse: quando você não conhece ninguém ou não sabe o que fazer, você topa tudo.
E nessas fiquei de papo com duas gurias. Eu tava me exibindo é claro. Mostrando pros amigos de 12 anos atrás que agora eu abordo as loucas no meio do bar e que sou capaz de descolar telefones e coisas do tipo. Tudo certo. Tudo falso e prazeroso. Uma maravilha.
Mas o que eu quero contar é:

Uma guria, de nome Iane se não me engano, era de manaus e tinha um belo nariz grande com traços feminos do tipo que eu adoro. E eu conversando com ela e então ela me fala que tava com um namoradinho aí, que na verdade é da grécia, e que ela havia o conhecido no chile ano passado e que, desde então, eles mantém contato num romance meio virtual, e que agora ele tava aí e ficaria até abril e todo esse papinho que se têm com desconhecidos. E a gente conversando e o papo era bom e o grego aparece com camiseta do brasil e ele quer ser músico e é legal e bom de papo também, e fala do samba e eu pergunto dos gregos e ele é legal mesmo e tudo o mais. Mas é um gringo, um gringo grego, e eu, vendo os dois, noto que tem qualquer coisa de estranha alí e então ela, semi estúpida e afastando o grego que ficava a agarrando o tempo todo, manda ele ir pegar cerveja e o grego vai lá como o cara legal que realmente é. E daí o álcool causa a epifania que é o grande ponto dessa história.
Sou curto, sincero e grosso. Olho bem pra cara dela e solto:
- posso te falar uma coisa desagradável?
- claro.
- qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade nota que você não tá nem um pouco apaixonada por esse cara.
Ela fica séria, esconde os dentes com a boca imensa e sinto que meu pau se mexe dentro da cueca.
Daí o grego volta e a coisa fica flagrante. Ela o trata cada vez pior e cada vez mais ela me dá trela. O grego nota, eu noto que ele nota, mas que se foda. Ele é gringo é grego e é legal, legal demais eu diria. Meu pau não para de mudar de lado dentro da cueca e ela pede meus contatos e o grego gringo pergunta por que e ela diz da sua viagem à bahia e que deve passar pelo Rio e eu só vendo e ficando com uma puta vontade de que aquele gringo desapareça pra eu dar um bote semi-canalha, porém profundamente sincero. O que, infelizmente, não ocorreu. Mas num vacilo do gringo ela sentou e eu a pilhei, com a devida distância do gringo, pra ela me ligar aqui mesmo em curitiba e ela lançou que tava pensando seriamente naquilo que eu tinha dito e eu perguntei aquilooquê e ela repetiu exatamente a frase que eu havia dito e que tá escrita aí em cima e eu me senti um gênio.
Mas o gringo voltou e meus amigos queriam ir embora e o gringo queria a levar pra perto do palco para bancar a pipoca. Dei um abraço afetuoso no grego gringo que, apesar de tudo, era gente boa e bom de papo e na hora de me despedir dela, fiz uma manobra e fiquei de costas pro gringo e falei, bem colado no ouvido dela:
- me liga mesmo, porra. até abril vai ser foda.
- eu sei, eu sei.
- pensa no que eu te falei.
- to pensando.
E meus amigos chegaram e fomos andando até o carro comentando sobre o bela manaura e o bondoso gringo grego.

12 de janeiro de 2010

Para aparentar profundidade a gente faz citações. Antes isso era a praxe necessária: basta ler o D. Quixote e reparar como o Cervantes cita e cita.
Na época dele um romancista tinhaque mostrar erudição, como um tipo de aval para seu talento.
A ironia é que agora, dizendo isso, entro pra turma que aparenta profundidade fazendo citações.
Acontece que o D. Quixote é genial - uma puta obra de arte que nem eu e nem ninguém precisa defender. Ele está lá e existe. Basta ler 35 págs. pra sacar que citar é o que há de menos relevante na coisa.
O relevante é o gênio. E o gênio, quando fodão, é da ordem dos mistérios. Desvendar o gênio é matar o gênio. Assim como o amor. Ou como o Nelson Rodrigues explicando o por que de ser contra a Educação Sexual. É mais ou menos assim: "se você educa alguém sobre o sexo, você mata o mistério do sexo. e sexo sem mistério é coisa de gata vadia e não de ser humano, pra quem sexo pode ser amor."
Seja como for, falo isso porque vejo as citações dos canalhas. Os canalhas são uma gente pop, bem relacionada e capaz de fazer barulho. E os canalhas, como tais, usam e abusam das citações. Provando, como no séc. XV, que são eruditos por conhecer tal ou tal obra.
Daí me pego pensando no sucesso alheio e na minha capacidade de fazer barulho - que é nenhuma. E vejo que posso até citar, mas que, mesmo assim, nunca serei pop e bem relacionado. Simplesmente porque não tenho habilidade pra isso.
Confesso que até gostaria de ter, pois assim, sendo divertido e sociável, acho que minhas citações renderiam bem mais. Mas não é o caso e saber disso e daquilo é apenas confirmar uma merda velha e conhecida.
Acontece que eu leio umas coisas aí e que também faço mestrado - onde citações ainda provam que a erudição idiota é necessária para ser um um romancista pop ou um Doutor com voz anasalada e alma inexistente.
Nenhuma paixão porque a distância é necessária para a visão crítica. Artaud é só um visionário lunático e viciado - ainda que seja capaz de causar comoção entre phds metódicos e comedores de cus adolescentes.
Cá comigo ainda dispenso os cus e a erudição.
(Por pura falta de habilidade, esteja claro.)
Que se apenas citações
me rendesse os tais cus
já tava feito e regalado,
com direito à
dinheiro no bolso
e pau esfolado.
Mamicas douradas
em céu de Brigadeiro.
Penso em você
o tempo inteiro.

11 de janeiro de 2010

O mau humor é um rato no meu estômago. Dentes salientes e garras afiadas arranham meu esôfago quando o rato tenta escapar. Penso nos paliativos anti mau humor: punheta, cachaça, t.v., livro, internet, carícia na cachorra Frida, etc.
Mas escolho o blogue e deixo estar.
Livros chatos pra ler, trabalhos estúpidos pra cumprir e a repetição de um discurso falso e confuso que se pretende profundo e auto consciente. A puída noção da humildade como virtude.
(A vantagem do egoísta é que ele só se justifica em própria defesa. O egoísta pode até ser um cretino, mas é um cretino que mente apenas pros outros e não pra si próprio. O ego enorme gosta de comer e come sem culpa. É o devorador destrutivo que não se faz de rogado ou seletivo: qualquer carne é carne e toda carne alimenta.)
Seja como for, uma cerveja e uma blogada pra voltar pros livros chatos e pra farsa toda. Ninguém sai imune dessa merda. Ou melhor: só imbecis saem imunes dessa merda.

10 de janeiro de 2010

blábláblá.

Cabeça enorme e mãos pequenas. Queria dizer uns trecos bonitos aí. Pra você. Pra ver se você sabe que você é você. Porque eu, cá comigo, sempre desconfio que eu sou eu quando aquilo/isso é escrito pra ou por mim.
Minha alma de curitibano desconfiado mostra as manguinhas, sabe como é? Não sabe, mas te explico:

na minha cidade os pontos de ônibus são tubos. não são placas ou painéis. são tubos. redondos, enormes e pretos-transparentes. a gente espera os ônibus dentro dos tubos. a gente gosta dos tubos. a gente se identifica com os tubos.

E nessas eu sou eu aqui. E eu aqui, meu deus, sei lá quem é. Bebo pouco e vejo novela. Um-horror-uma-maravilha. 10 horas de televisão é uma coisa de outro mundo. Como a primeira vez que se trepa ou que se usa drogas. Fica-se achando que algo mudou dentro de você. É horrível, não é? É fatal, eu digo. Achar que algo mudou dentro de você é uma coisa com a qual tem que se preocupar.
Mas é que venho pra cá e fico com a minha mãe. E mãe é uma gente que não se pode fugir. E nem é o caso. Até porque moro longe dela e sei que, se tudo der certo, ela morrerá antes de mim.
Então ficamos no sofá competindo pra ver quem fuma mais. É um páreo duro e cheio de afeto. As vezes ela limpa os cinzeiros - no plural mesmo - e as vezes eu.
Ela, como mãe, pelo menos nos fins de semana, me alimenta.
Eu, como filho, pelo menos nos fins de semana, bebo vinho argentino.
E assim passam os dias e as horas e voltimeia me pego pensando em você.
E se: 1, você é você. 2, você sabe que você é você. 3, você existe ou é uma invenção minha.
Seja como for, agradeço à azia que me deixou beber quase 3 garrafas de vinho sem se manifestar.
E também ao vinho argentino (que mesmo sem me agradar porque prefiro cerveja ou whiskey) contribuiu pra mais um post no meu bomblogueamigoblogue.

"Beijos no coração
é a conclusão
pra minha
contribuição".

9 de janeiro de 2010

Estrelas
estalam
na minha
cabeça.
E eu aqui
sofrendo à beça
por não ter
entrado
na sua buça.

8 de janeiro de 2010

Dou dicas prum velho amigo meu.
Nem sou e nem nunca fui bom nisso.
Mulheres são coisas estranhas e misteriosas.
Mas mesmo assim eu falei:
- Quando voltar põe a mão nas coxas dela.
E ele achou que era o caso e fez.
Perdi a carona
por uma boa causa,
acho.

4 de janeiro de 2010

Fico te bolindo na minha imaginação.
3.
Veja só, ontem você ficou brava comigo porque falei obscenidades durante nosso sexo de bons sonhos. Você me disse que não era assim, que hoje não tava com esse clima e que eu devia ter notado. Me acusou de insensível e machista e dormiu brava e sem deixar eu te encoxar.
2.
Semana passada foi você que me procurou. Acho que foi a primeira vez que me ligou tão decidida. Vou praí, tá? Levo bebinha pra gente. Chegou com uma carinha triste, de moleton e chinelo de dedo. Achei tão engraçado. Disse que beberia vinho, mas que tinha me trazido uma cerveja importada, pois sabia que de vinho eu não era lá muito fã. Mas bebi vinho e foi sua vez de achar graça. Nunca imaginei. Depois fizemos sexo lento, longo e numa sincronia quase assustadora. Dormimos melados, como você diz. O som ligado, a janela aberta e os moletons engruvinhados na beira da cama.
1.
Você disse que não dava no primeiro encontro, mas que faria uma exceção. Abriu as pernas compridas e me deixou ficar alí, naquela pequena batalha contra a morte. Uma ou outra arrumação prum encaixe melhor e sua vergonha em manter os olhos abertos. O orgasmo fatal, o grito surpreendentemente agudo e a velha história de culpar o álcool pelos excessos.
Desencana.
Não tô encanada.
Dorme aqui?
Não.
Por que?
Você não merece duas exceções.
Mereço.
Mas mesmo assim nada feito, vou pra casa.
E foi se arrumar escondida no banheiro e demorou horas e horas e horas.
Quando acordei vi o bilhete na mesa: nos falamos.
Concordei baixinho e voltei à dormir.
A rebeldia de mostrar a bunda.
Como se mostrar a bunda fosse sinal de liberdade, como se liberdade fosse feita por atos e atitudes.
Nenhum piercing em nenhuma teta prova o que quer que seja.
Mas há algo que precisa ser provado por alguém que eu não conheço.
-
ou:
-
Ela anda de patins e usa uma sombra azul, e também dança com bichas e sapatões em festas eletrônicas que tentam imitar os sons que os índios faziam.
E ela dançando se sente bem e livre porque ela gosta de esquecer. Beija desconhecidos no meio das festas e pega em paus que nem duro ficam. E ela roda e roda e roda. E diz que todas mulheres querem dançar e que ninguém aproveita os momentos como ela.
Mantém todos os piercings lustrados e toma drogas que lhe deixam em pura-potência.
Sorri a toa e se sente bem.
De noite, bem tarde, seus fantasmas lhe visitam.
Mas ela não liga porque acreditar em fantasmas é antiquado e careta.

1 de janeiro de 2010

relatinho.

Daqui eu vejo o oceano. É bacana ficar olhando pra ele. Nos últimos dias tenho passado horas imerso ali. Vou até onde não dá pé e me deixo boiar. É um oceano calmo e idiota como são as coisas bestas e boas. Se minha família não fosse tão grande e invasiva eu tentaria tocar uma punhetinha lá dentro. Acho que daria certo. Deve ser bom ejacular na água salgada, misturar a porra e a espuma. Cada um no seu lugar.
Ontem dei uma bela cagada lá pelas 10 da noite. Limpei o dito ânus e fiquei olhando praquela merda toda e pensei: adeus merda velha, agora só merda nova. Puxei o cordão da privada e um pequeno troço resistiu à queda d'água. Fiquei pensando que troço era esse e tive quase uma visão mística. Esperei a caixa encher e puxei novamente o cordão. Agora sim só merda nova.
Eu tava bêbado porque eu acho importante ficar bêbado em eventos como o Ano Novo. O excesso nessas datas é uma coisa de bicho que a gente preserva e eu embarco.
No Ano Novo só como depois da meia noite. Ou não como. O que não faço é comer antes, tipo 10:30. Dá um azar tremendo na minha cabeça. Porque se se comer antes, você estará, justo na hora da virada, fabricando merda. E, bem, no Ano Novo a brincadeira é achar que tudo será melhor e mais fodão. E por essas prefiro deixar meu intestino em paz.
Mais um dia aqui e agora o oceano idiota deu pra ficar agitadinho - o que impede que eu boie com a minha adorável pança pra cima.
Não gosto de ficar brigando com as ondas, prefiro boiar.