23 de agosto de 2011

As fotos do http://www.modsmut.com e também uma porrada de coisas

Que viver é estranho e indecente. Basta, além de viver, pensar na vida. Não é muito. Mas pensar é coisa de fraco, eu aprendi com uma ex-namorada e viver, VIVER é tão intenso, ela dizia também. Mas e daí? Qual é o mérito da intensidade per si? Existe? Por mim e minhas práticas, afirmo: a intensidade é terrível e nos maltrata. Tem aquele poema do F. Pessoa que a M. Bêthania popularizou e que diz que a vida chega a doer - o que, enfim, é uma dessas verdades que devem ser repetidas e que são o próprio sentido da vida quando escritas por um cara como o F. Pessoa.
Por ora, uma prontidão arrogante e auto-suficiente. E daí? 2 - a missão. Mas há graça, há humor. Sou um gordo divertido: depois de comprar frutas no hortifruti e programar uma vida mais saudável, parei no bar pra beber duas cervejinhas e comemorar. Comemorei, comemoro. E reli um conto do Kafka que, bem... vá lá... penso em adaptar para um projeto... Ah, a doçura dos projetos! Os sonhos dos projetos! O tiro no escuro dos projetos! Deus abençoe os projetos, esse paliativo para sonhos de artistas que programam as grandes obras que nunca fizeram.
Mas, devo dizer, estou otimista. O que, em papo inteligente, entende-se por chato. Nada mais chato que o otimismo - aquela alegria causada por esperanças e convicções. Ou então ( e isso seria pior) a alma cheia de amor indiscriminado. Que amor indiscriminado é um desses grandes absurdos que põem na boca de Jesus e que... vá lá 2... nem era tão besta assim, já que ele, o Nazareno, promovia chicotadas em locais sagrados e dava piti contra os que queriam, após um dia exaustivo de trabalho árduo, jogar pedras em prostituta - algo que, muito possivelmente, era bem mais divertido e vital do que as lutas de vale-tudo... sobretudo por ser mais arbitrário...
Me perdi. Escrevi e escrevo. Tem a ver com tédio, com a noite e também com o álcool que tão bem nos ilude. O álcool, a gente sabe, Deus abençoa e a Igreja Católica também. Nada mais católico que os padrinhos bêbados e cheios de perdão, dando hóstia pra gente que, diferentemente deles, tem uma vida bem mais mundana.
Seja como for, o dia foi bom e rendeu uns trecos chatos que têm que render. O Carlos Careqa me impressiona com sua bela música e prova que há muito mistério - e equívoco -  no mundo, já que ele, o Careqa, não é cultuado como merecia ser. Lamento, todavia, não ser mais o adolescente voraz que eu era e que decorava todas as letras das músicas que me impressionavam - o que nem é bem uma queixa, mas uma observação. E bem humorada, por sinal.