22 de dezembro de 2011

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O clichê sempre tem razão de ser.
Pode ser estúpido, pode ser genial.
O clichê tem a ver com aquilo que nos é comum, que nos torna como todos, que é ordinário.
Esse filme é o clichê du bom e bem usado.
E ainda me deu essa belíssima canção para chorar quando chorar for o caso - ou a vontade.
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bundinha.

Pra ser subjetivo
e elegante:
não dá pra acreditar
em nenhum instante.

21 de dezembro de 2011

Tentar entender as coisas através dos outros e ver que não tem muita saída. A velha sensação de deslocamento. Garras no esôfago, cerveja em uma mão e cigarro em outra. Tento decifrar isso e aquilo. Entender as piadas, as demonstrações de afeto e as duplas que se formam. Nada faz muito sentido, mas ninguém liga muito pra isso e, portanto, estão todos felizes. Felizes de modo geral, falantes de modo geral. Olho e tento entender. Não há nada pra entender, mas eu não me conformo.
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O tesão passeia distraído. É estranho, mas está tudo bem. O grande lance, eu aprendi, é rir nas horas certas.     

19 de dezembro de 2011

A gente toma sorvete de frutas no verão e faz amor nos domingos em que há chuva e o frio aproxima os corpos.

Em dois ou três anos ela pensa em engravidar, mas eu mesmo não sei se é isso que quero.
Uma vez por mês ela fica louca com sua TPM e ouvi na rádio que os casos de depressão pós-parto são mais comuns em mulheres que sofrem de TPM severa.
Também ouvi que a capacidade orgástica da mulher pode estar relacionada a intensidade de sua TPM, o que, pelas poucas namoradas que tive, me pareceu uma verdade absoluta, pois quanto mais loucas na TPM, mais intensos eram seus orgasmos.
A mais louca, inclusive, me brindava com jatos de sua transparente secreção.
 

15 de dezembro de 2011

Acho que foi em 1996 que comecei a ter tesão em mulheres desesperadas.

A gente tinha 'ficado' e ela era minha primeira 'ficante' completa. Quero dizer: era constante, havia incursões à bunda, aos peitos e roçadas que ostentavam meu pau duro de adolescente. Antes dela, por algo que amigos haviam me dito, eu sempre disfarçava o pau duro. (Os amigos diziam que pau duro por causa de beijo era coisa de quem nunca havia beijado... Amigos idiotas e idiota eu). 
Não lembro como foi, mas lembro que um dia ela teve ciúmes e, pela primeira vez, discuti a relação - que, à bem da verdade, não havia. O fato é que o ciúmes dela fez com que houvesse a pergunta fatal: - você quer ou não quer que eu seja a sua namorada?
Lembro que essa pergunta veio inesperada e me pegou de surpresa. Pela cara dela, eu entendia que era uma pergunta que desejava respostas. Eu não sei se queria que ela fosse minha namorada ou não, mas lembro que na minha cabeça de 14 ou 15 anos parecia ridículo namorar com alguém de 12 ou 13 anos. E tinha também meu amigos. Deus! Nessa época, os amigos influenciam muito a gente. De alguma maneira, eu sabia que seria 'zoado' caso eu tivesse uma namorada tão novinha.
(A lógica adolescente, se bem me lembro, é que peitos pequenos eram coisa de novinha. Não era lógico. Era idiota e confuso. Caso uma menina de 11, 12 anos tivesse peitos grandes - ou mesmo médios - nós, os caras de 14, 15 anos, a consideraríamos uma mulher. Vai entender...)
O fato é que fugi dela - infelizmente esqueci seu nome - e atrasei minhas experiências sexuais em dois anos.
Quando perdi a virgindade, aos 16, entendi que essa coisa de mulher desesperada sempre se repetiria. Não que a Dani - dela eu lembro o nome - fosse desesperada, mas é que ela também queria namorar e eu não.
E o mesmo ocorreu com a Júlia, que nem me deu nem nada, mas que me masturbava na época em que eu nem desconfiava que outra pessoa poderia fazer isso por você.
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Termino aqui. Pela decisão de terminar. Porque 1996 durou mais do que eu imaginava.
E porque, não resisto, recebi uma cartinha importante.  

14 de dezembro de 2011

O amor estava na esquina.

Era barato e razoavelmente generoso.
Não fazia promessas que não podia cumprir e explicava tudo tintim por tintim:
- cu é mais caro, neném.
Expliquei que não ligava pra cus e fui chamado de homem raro.

11 de dezembro de 2011

só de mim, monamur

Fugir da pena de si mesmo e tentar achar as grandes soluções. No meio do caminho ouvir o disco do Criolo, que é meio bola da vez e porque é um jeito de acompanhar o mundo. Ler a coluna da Martha Medeiros desse domingo e gostar de tudo menos da frase estúpida. Justamente a frase que a editoria escolheu para destacar. Pensar o óbvio e ver o mundo: estúpido e bom ao mesmo tempo.
Bom: a coluna da M. Medeiros. Estúpido: a frase destacada da coluna da M. Medeiros.
O fim de ano e os planos inevitáveis. Coisas que não dependem só de mim e que é melhor assim. Ser sozinho eu já sei e aprendi. Não acho vantagem, não acho bonito, apenas reconheço. E penso nas coisas grandiosas que ficaram pra trás.
Tantas coisas pra trás, tanto sonho abandonado, tanta gente que ficou e se achou e se perdeu e mudou para o bem e para o mal. Coisas que ficaram pra trás. De todos os tipos e por todos os motivos. Por tristeza, por cansaço, por medo, por comodismo. E a certeza mais dolorosa de todas: "porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca."    
Os passinhos ensaiados, a vida planejada, as etapas concretizadas de uma vida burocrática e mesquinha. A satisfação de ser fiel a si e de nunca se abalar. A força como virtude é a coisa mais triste do mundo. Gente forte, com casca e preparada para as piores desgraças do mundo. Como se fosse um jogo, no qual quem sofre menos ganha mais. Como a matemática mais comezinha: em casa com um lápis entre contas de mais e menos.
Fumando meus cigarrinhos e vendo o belo sol do RJ. Meio teimosia meio desejo. Lembrando que nada disso foi planejado, mas que, mesmo assim, prefiro as grandes frustações aos chatos que passeiam blasés em suas auto-suficiências. Porque alma ainda me parece importante, porque sou antigo e deliro com grandes sonhos. Porque ainda é permitido e porque poucos são os REALMENTE satisfeitos. Que satisfação não tem nada a ver com felicidade. E ser satisfeito é mais relevante do que ser feliz.  

24 de novembro de 2011

você mesmo até o fim. seja lá o que isso for. blo-punheta-gue-solidão. pensar em si. essa coisa que a gente faz. a gente pensa em si mesmo, não é? pode ser na praia, na natureza, no bar. confesso que tenho preconceitos. assim: as pessoas acham que um banho de mar é mais importante do que um metrô cheio. como explicar? nada pra explicar. faço contas, penso em mim e implico com gente que acha que no campo(seja lá o que isso for) existe algo que não existe em outros lugares. idealismo de idiotas. gente chata. os mesmos que acham são paulo a meca do teatro nacional. repare: se há a meca, vá até ela. s.p ou campo. sobram questões. todos falam em questões. eu também. não queria, mas adimito: estou entre eles. deveria ter trepado mais e menos com camisinha. quem sabe uma doença ou um filho faziam algo que as questões não fazem. quem sabe. e é nessas que a meca atrai. porque ela é a possibilidade. a meca não precisa ser real, é a meca. uma ideia, uma bela ideia por sinal. teatro? pufff, aprendi. gente? puffff. eu mesmo.
tarde demais. vontade é fácil ter. desejo também. ouvir o que sempre se ouve quando se espera ouvir algo diferente é a morte gargalhando. a risada da morte. não acho graça, mas entendo porquê a morte ri. a morte, imaginando que ela é uma mulher e que usa uma foice, ri porque ela acha um absurdo que se surpreendam com o fato d'Ela existir. a morte ri. eu rio também. não porque acho graça, mas porque reconheço o riso que a morte dá antes de usar a sua foice. tem quem ache que a morte é uma questão. o bom é que não é. a morte é a morte e mata. só isso, tudo isso. bem melhor que o marasmo da normalidade.  

22 de novembro de 2011

'só falta de sorte.'

O amor era um detalhe e ela não existia, mas, mesmo assim, passeava pelas calçadas de Copacabana e repetia pra si que um dia amor havia existido.
Ao mesmo tempo em que chorava, achava a vida boa. Tinha estilo. Tinha um otimismo irritante. Tinha o único dedo que me fez fio-terra.
Amor é bom porque daí a gente trepa sem camisinha, eu aprendi ao assistir Sex and The City. E meu papo era bom e variado. Sabia tudo, ela achava. Deus abençoe a TV a cabo e os nossos pecadinhos.
Música, porre e piada barata. Eu conquistava mulheres como ela e ficava cada vez mais triste, cada vez mais gordo. Linda demais, livre demais, leve demais. Eu ria.
Ria e ria e ria. Ela concordava e eu era o amor pra sua vida.
Filhos, móveis retrô e café da manhã com mamão para os intestinos. (E se não falo sobre peidos reprimidos é porque sou discreto).
Veio o natal, veio o ano-novo e eu pensava em coisas erradas: caminhões, Argentina, Norte do Paraná e caronas que não levavam à lugar algum.
Adeus, coração - foi ela quem disse.
Peido preso e eu te amo também.
Até logo, até breve, até daqui a pouco e até nunca mais.

16 de novembro de 2011

Amar as garotinhas, ver a lua e gostar da chuva. Uma vida besta, uma vida boa. Vontade do caralho que me dá de chorar quando vejo fotos das minhas sobrinhas. Deus deve saber porquê. O inferno quentinho dos nossos sonhos, a procrastinação das nossas obrigações, a idade veloz que se aproxima da velhice e da morte. Sem fim de ano na praia, sem projetos aprovados para o próximo ano, a reunião eternamente adiada que talvez seja hoje.

12 de novembro de 2011

tão linda com sua cara tímida.

Eu pensava em amores, em delicadezas incríveis, em paixões movidas a esforço de vontade.
Ela linda e protegida. Sua máquina, seu mundo. Os sapatinhos baixos que tinham tudo para serem bregas, mas não eram.
Ela me falou sobre os "Rolling Stones" e riu quando fiz uma piada idiota. Poderia me apaixonar, poderia ser feliz pra sempre, poderia a levar em um show do Erasmo Carlos.
Pequena, quase gorda e com um tipo de sorriso que me comove. É estúpido e sem explicação. Tinha também o queixo meio pra frente, algo que sempre retorna nas minhas ideias sobre beleza e mulheres lindas.
Falou seu nome, me adicionou no facebook e virou curtidora de minhas frases tristes.
Pensei em amor, em destino, em filhos de férias em casas de campo.
Uma foto, duas fotos. Eu mais gordo do que deveria e ela sem nunca aparecer. Pensei em mortes repentinas, em gente que trabalha todo dia de 8 às 18:00, em assistir o Faustão para ouvir a opinião da Suzana Vieira sobre o sexo após os 60.
Um dia, uma semana, um mês. Medos de velho e novelos no umbigo por causa das camisetas de algodão.
Ela acharia graça, eu beberia menos e nós dois... ah... nós dois seríamos minha mais séria invenção.

7 de novembro de 2011

tipo twitter.

&
nosso amorzinho reverbera:
ela não se interessa pelo o que eu falo,
eu não me interesso pelo o que ela fala.
Por que, então, Meu Deus?
&
A menina do ponto de ônibus nunca será superada.
As coisas que a ignorância e a miopia faz por você.
&
Ela falava de tesão como se tesão fosse algo de fora dela. Via espíritos, tinha fotos de ectoplasmas. Ela, linda por sinal, dizia tesão de um jeito lindo. Mas trepava mal porque trepava mu-ii-to bem. Quero dizer: não era uma mulher, era uma atriz de filme softcore.
&
O coração, a alma. Sou esse tipo de viado. Viado que diz "coração", "alma". Gostar de homens e ser viado são coisas distintas. Quero dizer: há viados muito machos por aí. A macheza, eu aprendi, é ser indiferente ao máximo possível de coisas. As mulheres que me ensinaram. Elas, cada vez mais, provam que conseguem ser machos. Uma pena, uma tristeza.
&
Se eu viro outro, posso até virar deus. Assim: foi ele que disse que aquilo. E o ele é mais importante que o aquilo. Como o discurso do S. Jobs, o discurso mais lugar-comum com estatus de sabedoria. Concluo: mundo de merda.
&
Quando mamãe comprou meu laptop no Carrefour pareceu um grande lance. É que o tempo passa e as parcelas ficam cada vez mais suaves. Quero dizer: uma beleza como o tempo engana a gente, né?

6 de novembro de 2011

começa de dia e termina de noite.

*
Há noites frias em que a gente tenta entender o mundo. E pensa nisso e naquilo e sorri meio besta olhando o volume da própria barriga deitado na cama: a pança que estufou, os pentelhos que há tempo não são aparados, os pés que uma namorada achava lindos porque têm, ela explicava, a curva mais perfeita.
*
Saudades da primeira namorada é o retrato da estupidez. Estou sorrindo nele. Estou também com uma camisa florida, bermudas branca e minhas mãos fazem um sinal que, à época, era engraçado. Não há mal nenhum e nem tristeza há. S-a-u-d-a-d-e-s, essa palavra que não denota nem tristeza nem alegria.
*
Ela dizia que tinha tesão na imagem de uma mulher dando o cu. Mas ela não dava o cu. Dizia ter dado e sofrido pra um primeiro namorado que não era eu. Eu queria comer seu cu. É normal, em certo sentido. O namoro faz com que você ache que pode tudo. E o cu é parte desse tudo. O cu, inclusive e de modo geral, é a parte menos problemática. Seja como for, eu penso: não comi o cu dela e nem ouvi eu te amo. Não consigo deixar de pensar: "realmente não era amor."
*
Nunca mais cartinhas. Estou falando de uma moça que pisca como poucas e por quem me esforço pra não sentir seja lá o que: tesão, amor, paixão, etc. Alimento apenas a fraternidade. Mas o mundo ta aí e oferece sua ironia: "O risco de desejar sem controle deve ser domado pelos animais que dominam a palavra e a linguagem. Ou seja, os humanos. O desejo carnal é a forma mais natural de se relacionar com outrem, por isso é perverso: faz com que humanos se comportem como animais.", diz o livro que leio com a barriga encostada no balcão.
*
No bar há gente triste e decadente. Estou entre eles, mas me sinto especial. É parte da jogada ''decadente'' se sentir especial. Aprendi um bocado por lá e, por ora, confesso: a tristeza concentrada é uma visão infernal. Meu sonho, se sonho há, é não perder minha alma. Pode parecer pouco e talvez seja. Importa-me menos as grandes conquistas do que a certeza de que tenho uma alma que resiste. Estou, agora e deliberadamente, me comparando com os outros. E, a gente sabe, a comparação é um método idiota e ineficaz. Mas, mesmo assim, eu insisto: tenho alma. tenho alma.

3 de novembro de 2011

R$ 3, 80 de salaminho.

  • Tive um amigo que se intitulava "adestrador de fêmeas" e ele era imbecil porque era vaidoso, mas era verdadeiro porque era imbecil. Ele realmente era hábil com as fêmeas e comia as melhores mulheres do mundo, dessas que só não oferecemos a própria alma porque, um dia, o seu amigo escroto a vulgarizou e porque sim, e infelizmente, somos muito impressionáveis.
  • O tesão é bom e passageiro. Assim, na mesma proporção. O equilíbrio mais cruel e a mais dura realidade. Tesão, onde se chega? Tesão, meus orgasmos já foram melhores. Tesão, mulheres nuas quase sempre são melhores do que mulheres vestidas. Tesão, onde foi parar o sexo tabu que, mesmo sem sentido, ainda entendia a importância do sexo?
  • Com o tempo fui sentindo mais desejo por mulheres com narizes enormes. Meus amigos gays falam de falos, Freud e repressões variadas. Penso nos narizes e penso nos meus amigos gays. Não quero nada com homens e/ou falos, mas quero que essas mulheres com narizes enormes me dêem. Por que, enfim, os gays se importam tanto com isso?
  • Sair do esquemão. Não ter amigos na rede e nem ter conquistas pra compartilhar. Fugir com o circo, mudar de vida, deixar de querer participar, essas coisas. Tem as cervejas, eu sei. A pulsão gregária também. Mas... ah.... mas... Que tal eu mesmo como RP de mundos que não os meus? Eu seria feliz e ainda assim saberia que felicidade não importa. Sentiria-me bem e casava com a melhor trapezista do pior circo. Em outras palavras: seria invulnerável.

2 de novembro de 2011

=(.¨)(.¨)=

tento desvendar mistérios e nada acontece. Talvez a vida seja apenas isso, mas e daí? Quem suporta a vida assim, sendo isso, apenas isso? Não estou falando de milagres nem nada. É mais simples: se a vida é mesmo só isso, eu jogo a toalha e me dedico a atividades que não exijam alma ou sangue.
é só jogada. Uma gente distraída que tem coqueluche por arte, poesia ou coisas do tipo. Quem se importa? Sou eu no balcão. Houve uma época em que eu no balcão parecia levar à alguma coisa. Hoje o que? Um gordo que descansa a barriga e folheia um livro.
devo sumir, devo mudar, devo tirar o sitemeter do blogue. É velho, antigo e gasto. E se não sou claro é apenas porque, agora e assim, minha vontade é um caminhão ladeira abaixo. É velho, eu disse. Como a vagina mais larga que se apaixona pelo pênis mais fino e não entende porque o amor não deu certo.
tem atum aberto na geladeira e, ao que tudo indica, a energia permitirá que a TV fique ligada. Enquanto isso, ouço vozes que não são minhas e escrevo no blogue que perdeu o sentido que nunca teve. "Sonhei demais e os meus olhos arregalados ficaram viciados", diz o livro que leio enquanto finjo não procurar soluções para problemas insolúveis.
ser chato não é bom. Ser quem se é, é inevitável.
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a criança tão linda que brincava com armas de brinquedo e matava as pessoas por pura diversão. era justo, era decente e, sobretudo, era belo. daí que a criança cresceu. e a arma de brinquedo continuou. e os anos passaram e passam e passarão. ficou a criança, ficou a arma de brinquedo. a inocência não ficou. e o touro, o velho touro, foi para poço.

30 de outubro de 2011

por ora.

É tipo um fetiche, um fetiche no ar. Sonho baixinho, solto meus resmungos e tento entender. Entendo menos do que eu queria, mas paciência. Fosse precipitado acusaria à todos: bundões, limitados, satisfeitos com migalhas, felizes por terem saúde, aventureiros mequetrefes com visto, motivo, passaporte e objetividade tacanha. Mas nem sei. E nem é isso. Sei do meu sonho, dos meus problemas, do meu ronco, de ser grosso pela manhã. Mas não é isso também. É meio romântico, assim: - o que é que você quer da sua vida? E nem vale dizer "felicidade", "simplicidade" ou "horinhas calmas de alegria distraída." Acho que a melhor palavra é TESÃO. Porque a vida comezinha, o dia a dia já é e já tá dado. Estou falando de grandes experiências, de gente que crê sem provas e que te convence que essa mania de controlar tudo é a fuga mais covarde dos mais covardes dos seres. Pra sonhar posso sonhar sozinho. Mas, por se só e nem achar a solidão é ruim, insisto: o TESÃO precisa ser compartilhado.

25 de outubro de 2011

antes da janta.

Era um jeito de sentar e passar o tempo. Se sentir bem, achar que a vida tá boa, essas coisas. A mesa era farta e havia uma mulher que me alimentava. Beleza.
Dia depois de dia até o dia mais besta e mais triste.
O verdadeiro adeus não tem acenos de mãos ou epílogos. É uma bobagem, uma distração, um até logo.
O incrível é que as crianças gostam de aniversário, mas já sabem que com 30 não gostarão tanto assim.
O tempo gotas. As coisas acontecendo. Não como os belos planos, mas como são: lentas, lindas às vezes, ordinárias geralmente.
Cigarrinhos que cansam, mania de culpar os outros e devaneios de ano-novo são coisas que passam. Não é bom, não é ruim. É o que é: a vida comesinha que não passa nos filmes da sessão da tarde.

23 de outubro de 2011

é domingo e tem r. charles na vitrola.

  • ouvir as músicas dos pretos e achar que o mundo é bom. Não resolve nada e isso não é importante. Prazer: essa delícia que é tirar as casquinhas de uma ferida.
  • fosse paixão escolha, resolvia: a moça que tirava fotos e de quem não ouvi a voz. Descobri seu nome por facilidades de facebook, mas concluí: essa coisa de romance pela Internet é um bocado brega.
  • os coleguinhas estão tristes e eu também. É falta de coisas antigas. Utopia, por exemplo. É difícil sem o mínimo de utopia. A realidade é uma cidade feia; a utopia é a satisfação de um desejo. Tenho que entender isso melhor. Porque é fatal e tem que querer ser fatal, desejar ser fatal. Ou então será apenas mais um aspecto da vida. Assim, como um super-mercado que divide seus produtos em gôndolas. É prático e eficiente, ninguém duvida; mas, ah, vamos lá, ainda é legal sonhar que a vida pode ser inteira.
  • onde está sua realização? Sentir-se realizado é o fino e o sentido. Sentido inventado, é bom lembrar. Então cumpre-se missões, dedica-se a projetos, esforça-se para fazer junto o que poderia ser feito separado. O que há? O que sustenta? Devo estar numa fase mística-amorosa e, por isso, respondo: ou sua vida tem importância para além de si mesmo ou sua vida é um monte de cacos reunidos num suspeito mosaico. Ter bons cacos não é ter uma boa vida. Se é pra ser utópico: que a vida seja inteira e enorme e, não a soma de diversas 'coisas positivas.'
  • o amor é bom e acalma. A merda é que deixa as pessoas apáticas e satisfeitas. Ama-se com facilidade e conveniência. O amor é um bem que facilmente vira mal. Torna-se o deposito de tudo que pode ser e não é. Amor que é apenas coqueluche. Amor como caixinha dourada, como plantinha semeada para que vire árvore e forneça sombra. Sombre pra quê? Amor que só dá paz e não produz, que não se mistura com a vida e nem cria coisas novas.
  • lembrei hoje: o cara do ônibus que fez um discurso choroso dizendo ser HIV positivo. Fiquei encarando ele porque acho apelativo esse tipo de coisa. Ser HIV não justifica nada. Ele pedia dinheiro. Não lembro se só pedia ou se vendia algo para pedir. Eu tava no meio do ônibus. Antes de passar por mim, teve duas pessoas que deram dinheiro pra ele. Fiquei olhando. Ele passou e foi até o fim do ônibus. Depois voltou, parou onde eu estava e disse: "- obrigado por me olhar enquanto eu falava". Ele falou choroso como antes e fiz um sinal de cabeça. Pensei o óbvio: o mundo tá todo errado. Eu o olhava por desconfiança e não por generosidade. De qualquer maneira - e também por gracinhas do mundo - acreditei que ele era realmente HIV positivo. Mas não dei dinheiro pra ele. Jamais daria.          

18 de outubro de 2011

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Seu sorriso tem rugas e meu pau tem sardas.
Poderíamos considerar um destino, um milagre,
um mistério a ser desvendado... essas coisas.
Meu pau tem sardas e seu sorriso tem rugas.
Mas gente é simples: basta-nos um empate.
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Tenho os meus sonhos e faço contas. Sinto um medo terrível dos meus sonhos. Porque são bons de sonhar e porque a euforia me agrada. Sinto tesão e deliro com facilidade. Parece simples e isso - isso de parecer simples - é algo muito suspeito. Porque sonhos não são simples e porque sonhos são construídos lentamente: um dia após o outro, uma dor depois da outra, um furúnculo do qual nunca se extrai o carnegão. Sonhos: não os realizar é uma tristeza, realizá-los é um perigo.
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Em 2003 a vida era mais simples. Em 2006 também. Se tudo der certo, em 2012 a vida será ótima, mesmo sem ser simples. As continhas são boas e o impossível é apenas um detalhe lógico que não deve ser levado em consideração. Estou falando de radicalidades, por mais discreto que eu seja.
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Há muita confusão: o fato de eu escrever um blogue não faz de mim um escritor.
Há muito confusão: o fato de ter livros publicados não faz de mim um bom blogueiro.
Há muita confusão: um bom blogueiro não é necessariamente um bom escritor. E vice-versa.
Há muita confusão: um autor publicado não é um bom escritor.
Há muita confusão: um bom escritor não é necessariamente um artista.
Há muita confusão: um artista não faz bem tudo que ele faz.
Há muita confusão: fazer tudo não é ser eclético, é ser bundão.
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Controlar a ejaculação é simples. Requer alguma técnica e um bocado de punheta. O lance é, e continua sendo, o pau duro e a buceta úmida. E, veja, nem estou falando, dos encaixes perfeitos que podem rolar, mesmo sendo mais comuns em amor e coisas do tipo. Quero dizer: depende-se do mínimo (nem tão mínimo assim) que é uma buceta verdadeiramente úmida e um pau verdadeiramente duro. Isso porque existe muita buceta seca que satisfaz e muito meia-bomba que causa comoções. Em outras palavras: há muito erro nessas jogadas.      

14 de outubro de 2011

Bukowski, Pé Na Estrada - Volta Redonda, Petrópolis e Macaé.

O Governo do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura apresentam o projeto SIGA O BUK, adaptação de contos de Charles Bukowski - da Anti Cia de Teatro.
Em cartaz desde 2008,
Buk na Rua - Teatro Noturno Para Adultos Insones
foi visto por aproximadamente 15.000 pessoas; e se apresentará pelo Circuito Estadual das Artes nas seguintes cidades:

Volta Redonda:............ 14 e 15 de Outubro às 22:00 na Praça da Colina.
Petrópolis:.............. 21 e 22 de Outubro às 21:00 na Praça D. Pedro II.
Macaé:................. 28 e 29 de Outubro às 22:00 na Praia dos Cavaleiros.

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TEATRO GRÁTIS.
Faixa Etária Recomendada: 16 anos.

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Serviço:
· Realização: Anti Cia de Teatro.
· Peça: Buk Na Rua – Teatro Noturno Para Adultos Insones.
· Autor: Charles Bukowski.
· Adaptação: Anti Cia de Teatro.
· Duração: 50 min.
· Elenco: Bruno Aragão / Fabiana Fontana / Helen Miranda / Janaína Russeff.
· Direção: Fernando Maatz.
· Cenário: Ricardo Marques.
· Luz: Aramis David Correa e Anderson Ratto.
· Trilha Sonora ao Vivo: Rodrigo Rua e Henrique Martins.
· Sinopse: Contos de Charles Bukowski encenados de noite na rua.

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Sinopse dos Contos:
“A mulher mais linda da cidade”: história sobre Cass, a mulher mais linda, que não tolera a própria beleza num mundo que se basta com as aparências.
“Uma senhora ressaca”: alcoólatra convicto não se lembra do que fez na noite passada e é acusado de ter molestado uma criança.
“Todo grande escritor”: um dia na vida de Henry Mason, editor que é obrigado a aturar os escritores malucos que não se conformam em não serem publicados.
“Dei um tiro num cara lá em Reno”: colagem de textos de Bukowski onde os 4 atores preparam drinks que oferecem pra platéia.

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11 de outubro de 2011

A invasão do mundo e os textos solitários.


Enquanto ela passeia por cidades-maravilhas e vislumbra que tudo é possível. Enquanto ela faz comida para agradar um homem que gosta de comer hot-dogs na rua. Ali, do outro lado da cidade, tem uma criança chorando por motivos que os pais jamais entenderão, por mais legais que sejam.
Tem um show fantástico de uma banda de Rock que eu não fui. Tem uma festa, festinha, celebração caseira, que eu deixei de ir. Tem a mulata magrela que passa na Rua da Passagem e que, embora linda, é apenas uma desculpa para pensar e sentir tesão.
(Assim também o livrinho à tira-colo enquanto beberico no bar... as cervejinhas, meu deus.... as cervejinhas... álcool e literatura combinam tanto... como explicar?...)
Foi ontem mesmo. O verão do Rio de Janeiro mostrou suas garrinhas e me veio um terrível arrepio na alma: não suportarei esse calor. E ainda ontem me surpreendi: nem houve gritos lancinantes para a virada do Flamengo.
Ontem, a missão. Ontem, as cinco laudas. Ontem, o dormir cedo.
Querer explicação é normal, conseguir explicar é complicado. Falar o quê? Falar pra quem? Porque falar é fácil e bom, e até decente; mas falar, falar mesmo, como um carioca que não se sente ridículo ao comer um milho após pegar uma praia em Ipanema, eu não consigo.
Lamento. Fosse mais volúvel, menos tímido e um pouco mais limpo estaria participando das grandes jogadas, dos dinheiros, dos coletivos bem intencionados, da revolução pela internet, do clube otimista, dos professores frustrados, das dívidas dos cartões de crédito, sei lá, o diabo.
Fosse não é; e Fernandinho escreve sempre em seu blogue enquanto engorda a olhos vistos.
(E teve uma adolescente cretina que me deixou enfiar os dedos em sua vagina e nunca mais apareceu. A adolescente cretina lia meu blogue e me chamava de "fernandinho", o que, à época, não percebi como a ironia que é...o tempo... o maldito tempo... minutos atrás eu era um gênio.... o tempo)
Fica o calor que volta e voltará e essa sensação de solidão que só importa mesmo quando penso que pra ser sozinho não se precisa de grupos. 
Tocar o gado, eu toco. Ser gado, eu sou. Gosto de gente, mas não gosto de toda gente. Sou chato, sou chatérrimo, sou o Fernandinho da cretina adolescente que permitiu meus dedos em sua vagina, mas não me deu.
Alguém explica. Alguém sempre explica. "A lógica é o método de questionamento de todos os que acham que conquistaram o que tem", diz o Frings Blá-blá que esqueci o nome. Ele, o tal Frings Blá-blá ainda diz que "nada pior do que não reconhecer que sorte existe. Deus jamais perdoa aos que não acreditam em sorte. Deus sabe que o fato d'Eele existir foi determinado por isso."
Um choro quando nasce,
um choro quando descobre que morre.
Um pena:
o empate agrada a todos.

6 de outubro de 2011

diversão de nerd.

é meu marcador e explico. tem a ver com coisa gratuita e estúpida. dessas que fazem rir um sem prejudicar outro; e que são mais divertidas na teoria do que na prática.
tesão deveria ser sinônimo apenas de algo muito teso. simples assim. porque o tesão virou um mal. assim: se você não tem tesão, você não tem alma. e alma, bá... vamos lá... tem mais a ver com milagre do que com paus duros ou clitóris pretuberantes...
quero dizer: tesão é super-valorizado hoje em dia.
como se tesão fosse algo além do que é: uma complexa reação hormonal - o que, convenhamos, não é, e nunca será, pouco.
o fato é que meu tesão nem sempre tem a ver com pau duro ou com bucetas úmidas. estou sendo deliberadamente vulgar. e.... bá... vá lá... nem é esse o caso...
tesão é inventar frases e autores. é inventar textos apócrifos para a rede. é divertir-se sozinho como quem toca uma punheta ou trepa olhando a própria imagem no espelho.
tesão. essa coisa hormonal e sem sentido que faz bem à quem sente, mas que é apenas o que é.
tesão: meu facebook fazendo de conta que não tem inimigos e que gosta de tudo e todos.
tesão: um peido fedido que soltamos com a certeza de que jamais seremos identificados.

4 de outubro de 2011

Pai, os cavalinhos estão presos no carrossel!

  1. Os e-mails são frios e o óbvio ulula dentro de caixas que se pretendem feitas com esmero. Meu peido pra você; e também a triste confirmação da merda velha: muita pose pra pouca carne.
  2. Melhorar a própria vida. Estou velho. Porque penso nisso, estou velho. Não que vá começar a ter aulas de ioga ou ser simpático com idiotas. Mas, como velho, penso em melhorar a própria vida e concluo: tem a ver com ignorar por completo os idiotas.
  3. Falar é fácil e escrever aqui é prazeroso. Ou seja, estou fudido, estou mal pago e nem tenho as tendências gregárias que acho belas por aí. Meu limite são dois ou três que juntam mais quatro ou seis e que, em união, fazem seu barulho com satisfação e sem tirar vantagem de ninguém. Acho que é o meu ideal mais romântico: não tirar vantagem de nada e de ninguém.
  4. Beber é contar carneirinhos. Mas quem me entende? Estou falando de textos que não escrevi para coletivos de que não participo. Não estou triste e nem estou reclamando. Mas, cá comigo, o raio é velho: estou só. E atualizo: estou só demais.
  5. Tem mamãe, tem papai, tem a irmã e as sobrinhas. É coisa de sangue. É família e é sagrado. O Corleone e o Papa sabem, mas há imbecis que rejeitam qualquer vínculo que não seja controlado. Os amigos, que a gente escolhe, são super-valorizados por essa gente. Amigo, amigo mesmo, a gente torna parente. Chama pra padrinho, madrinha, esposa ou coisa que o valha. Sangue, bebê - esse vermelho lindo que você menstrua mensalmente com tanta indiferença.
  6. Fiz piadinha com um colega que tem filho e que me perguntou quando eu teria filhos. Eu: - a merda é achar uma mulher que presta. Ele: - arranja uma mulher que quer ser mãe que já tá de bom tamanho. "Gênio", eu pensei e não disse.
  7. Acordar às 7:00, fazer exercício e comer maçã. Planos que faço e realizo. Às vezes. Fumar menos também é importante. No mercado compro seis energéticos genéricos e penso que isso não é lá muito saudável. Mas fazer o quê? Cocaína é pior e, de um tempo pra cá, nem quero saber porque associo a lares destruídos e idiotas vitimizados. Fazer o quê? Guaraná em pó é pra gringos e não há estômago que aguente impunemente aquele líquido preto e quente o dia inteiro. Fazer o quê? Overdose de maçãs ou pedir remédios para o primo da farmácia?... Mas o primo mora longe e remédios de farmácia são alcalóides legalizados... Fica o sono, o soninho, essa coisa de dormir e achar bom: o tempo voa e dormir é só outro jeito estúpido de matar o tempo. Fazer o quê? Despertador regulado e a esperança que as maçãs, combinadas com os energéticos, sejam a solução dos meus problemas.

28 de setembro de 2011

  • O pau como uma maneira de preencher vazios alheios. Sou um cristão e sou legal. Eu dou, eu dôo, eu gosto da ideia cristã que o Z. Ramalho sintetizou tão bem: "e dar muito mais do que receber". Às vezes é simples. A exigência é pouca e qualquer pau duro pode causar comoções. Eu topo, eu preciso. E sou generoso também. Uso dedo, uso língua e, em manhãs inspiradas, levo café na cama e acordo com a voz baixa e a cortina semi-aberta. Preencher vazios alheios com o pau... Todos ficam satisfeitos porque é apenas o que é: uma foda conveniente que mostra que dois mais dois é sempre quatro.
  • O milagre, o amor, a coisa, o encontro, etc., são de outra ordem. O corpo pede e o corpo fica satisfeito ao ter o seu pedido atendido. É como peidar. Soltar um peido desejado e adiado sempre causa um grande prazer. Sexo como atividade fisiológica, essa bobagem da qual participamos e que tão bem está descrita aqui.
  • A mulher mais nova quer ser inesquecível e causar espanto. A mulher mais velha quer provar que trepa bem independentemente de com quem. Estou cagando regras? Estou cagando regras. Estou generalizando? Estou generalizando. Quero dizer: dá ou não dá, mas se dá, dê. Não queira que dar seja o seu lance. Se você tem um lance, se você realmente tem uma lance, eu garanto: não é dando que esse lance virá à tona. Chave de buceta ou sova de pau é uma idéia que só impressiona os semi-virgens.
  • Há a punheta, há a siririca, há a vasta pornografia da internet e há os encontros casuais. O amor, ele mesmo, pode vir de um encontro casual ou de uma amizade que dura anos e que se descobre como desejo carnal. Tanto faz. A questão é: foder bem não garante amores e boas amigas não garante boas fodas. É um mundo complicado. Eu sei, você sabe, o mundo sabe. Então, fica assim: nem pau, nem buceta, nem cu garantem nada de nada. Se quiser os usar, os use; mas ó, vá lá, eles não garantem promessas e nem fazem milagres. São instrumentos, por assim dizer. E só isso e tudo isso.
  • Há pizzas de pão à serem feitas e ainda não jantei. E blogue, vá lá, é um tipo de vício.       

Os Rocks do Erasmo.

Na vitrola tem a música dele. "O gênio da dupla", eu aprendi com o livro do Midani. Se esfragasse a lâmpada nem titubeava: - quero ser o Erasmo, não quero ser Roberto; e gastava dois dos três pedidos e me sentiria bem pra cacete.
Que o Roberto é rei e quem duvida disso está por fora ou, pior, acha que estar por fora é estilo. Não é. O rei é o rei. O rei não precisa de talento, competência e nem mesmo carisma. O rei precisa de coroa e cetro - é isso que faz o rei. E o Roberto tem isso. E lida bem com isso. E acho, acho mesmo, que ele tem talento e carisma, mas insisto: rei é coroa e cetro. Isso tudo, isso apenas.
Por isso o Tremendão. Feio e acabado como o diabo, com um grande amor suicída nas costas e sem muita habilidade para ser conveniente. (No Kibeloco tem um programa matinal com ele falando sobre sexo oral que é um ótimo exemplo).
Seja como for, desejo: Erasmo e não Roberto. Por tudo e mais um pouco. Por uma manifestação que me atrai mais e por não querer cetro, corae ou Israel. Porque Erasmo tá lá e não faz alarde, não enche o saco e nem tem problemas em assumir as próprias merdas.
Estilo... acho que tem a ver com estilo... Erasmo tem estilo.

27 de setembro de 2011

Meu cigarro Free, o surfista viciado em pó e a garota auto-sustentável.

Aquela beleza toda; e também as grandes jogadas. Eu devia ficar em silêncio. Apenas olhando, apenas pensando só  as coisas que eu pensaria de qualquer maneira.
Mas não tinha como se conter. Ela falava as merdas velhas com olhos marejados e desejava, assim lacrimosa, receber a atenção de todos que estavam na mesa. E eu estava na mesa e ela recebia minha atenção.
Não pelos motivos certos, não pela comoção.
Falei e não devia ter falado. A conclusão, agora, é simples. Mas conseguir ficar quieto diante de idiotas aplaudidos ainda é uma habilidade que me falta.
Um dia chego lá e viro o Buda Gordão que minha mãe punha de costas pra rua por algum misticismo que ficou esquecido com a década de 80.
Não deu. Falei e virei o Buda Gordão Resmungão que atravessa a rua sem olhar para os lados e sem se despedir de estranhos.
Ela, imagino, deve ter culpado, com os olhos ainda marejados, o álcool e a minha displicência com as coisas simples da vida.
"Uma manhã ensolarada", "um simples banho de mar" e "lembrar-se sempre que respirar é um privilégio dos vivos" foram as mensagens que não tive a profundidade (sic) de entender.
Pensei que apesar de tudo vou muito bem, obrigado.

23 de setembro de 2011

<>

A generosidade dos omissos, a tolerância dos omissos, a turma.
Fala-se bem, mas sem alma. Há interesse na omissão. "Não fecho portas, não tenho desafetos, sou de todo mundo e todo mundo me quer bem." E em momentos exaltados: "Cara, a Marisa Monte é uma diva, diz aí."
A beleza dos idiotas que usam óculos e dizem "am" ao invés de "hum" porque pensar diante dos outros aparenta estar ouvindo os outros.
Cá comigo: pensa-se em casa. Deus! Eu penso, ele pensa, nós pensamos. É uma atividade íntima, séria e importante. Mas é privada. Não se levanta questões de bate pronto. Questões, pra usar o termo corrente, devem ser formuladas e refletidas. Não devem ser o " E se" maluco e mágico. Ai se...
Sou eu. Só eu. E falo de mim. Por isso, o blogue.
Que eu, só eu e minhas questões são minha terapia mais legítima - já que nem obrigo ninguém a ouvir minhas queixas e meus problemas. Que queixas e problemas todos têm. E eu tenho blogue.
É isso: façam blogues e não aluguem os coleguinhas.
A subjetividade é bonita, mas é incompetente. Não é um livro, é um blogue. É o que é.
Erro, nesse caso, é confundir as coisas.

22 de setembro de 2011

o pecado do dinheirinho

Que se tem uma gente que acusa é essa: gente que acha que acusar é feio. Daí você acusa e é acusado de acusador. Porque eles não acusam, eles são bons, tolerantes e acham que ser diferente é exceção enquanto ser diferente é a regra.
Valorizam tanto a diferença que acham que toda merdinha pode ser de todos. Mas não pode. Há merdinhas intimas e privadas: de casal, de pequenos grupos, de si com si mesmo, de porquê faço isso e não aquilo, etc.
Não há sentido, em reuniões, valorizar a subjetividade do indivíduo. Em reuniões, acho eu, importa o que te junta e não o que você faz para estar junto de tudo e de todos.
No mais, a impressão que estou dez anos depois e que nem acho, mesmo, que falar sobre dinheiro seja pecado ou errado. Pode ser (e isso no máximo) feio.

19 de setembro de 2011

sósim

A mão abana fraca. Não há despedida, não há adeus, não há prazer em conhecer. A mão está mais branca do que o normal e isso, a palidez, tem a ver com ausência de sangue nas extremidades do corpo. É patético e cientifico na mesma proporção. Porque agora é isso: todo adeus é até logo, todo sexo é amor, todo contato é rede e toda boa intenção vira um coletivo.
-
Tinha a mocinha. Tesudinha. Assim: no diminutivo. Mas a mocinha é forte demais, bruta de mais e se não tem pau é por puro acaso. Gosto de mulherzinha. Essas que nem disputam quem está por cima no ato sexual. Mulherzinha porque tá fora de moda e me parece mais autêntico. Mulherzinha tipo passional. Que nada tem a ver com passividade, que nada diz respeito à gasta "mulher-moderna".
-
A primavera tá aí. Tem a ver com esperança que é coisa bem decente - e comum - de se ter. O otimismo não precisa de fatos para ser real, é como Deus. A ideia, a crença, a possibilidade basta. Viver bem ou mal só é importante para os desocupados que acreditam em uma vida que é só morro acima. A vida não tem nada a ver com isso e nem deve ter. Há números que não dizem nada e conquistas que só satisfazem o cinismo. Mesmo cheio de inveja mantenho minha convicção - que é um jeito generoso de nomear minha teimosia. Ou então, como diz o bom Renatinho, teria que acreditar que o melhor filme da história é o Titanic, já que foi, até hoje, o filme mais premiado do Óscar.

18 de setembro de 2011

Carta à

Pensar a vida - como quase sempre - entre copos, churrasquinhos baratos e chicletes de menta.
A gente pensa. Eu penso. E, às vezes, aquela puta sensação de solidão. Não tem a vez com ter alguém ou com estar só. Tem a ver com quem você divide seus sonhos, suas angústias, suas revoltas, essas coisas. Porque, ultimamente, os meus têm me dito "deixa disso", "é normal", "paciência", etc. E eu me incomodo.
Porque a violência nem sempre é ruim. Porque combater injustiças e defender crenças é decente e exige um mínimo de violência.
Quando cogitei contestar os resultados, ouvi: - acho que a gente se queima.
Mas quem, depois da infância, não cozinha por medo do fogo? E, outra coisa, se queima com quem? Quem é esse que tem tanto poder e que pode nos queimar tão gravemente? E nós, nós mesmo, quem somos para achar que "não se queimar" é tão importante?
Mas do que valem as perguntas se insistem no "deixa disso". Solidão como dor é isso: ouvir dos companheiro que o melhor, o melhor mesmo, é não fazer nada, absolutamente NADA.
Por isso e coisas do tipo estou só. Por isso adoraria que F fosse parte ativa das brigas. Por isso cogito fugas e cidades lindas, onde o mundo pode ser melhor.
Não quero pena e nem quero aceitação. Quero julgar os julgamentos que fazem. Não preciso estar certo e nem preciso receber as graças da rainha-xota. Quero apenas usar os recursos que me cabem. Quero não desistir por circunstâncias, mas sim (quando e se for o caso de desistência) por convicção.
Não há nenhum desmérito na desistência. Mas há a desistência covarde e conformista que acha é assim que é e que paciência. Desistência que é covarde porque espera pacificamente a próxima chance, como se apenas a insistência fosse legítima, como se revoltar-se fosse apenas e sempre uma questão egóica.   

15 de setembro de 2011

Conclusão.

TRÊS ANDARES RESOLVEM MINHA VIDA:
LAR, DINHEIRO E DESEJO.
TRÊS ANDARES EM UM ÚNICO ESPAÇO.
-
MAMÃE SATISFEITA
PAPAI TAMBÉM
E EU COM ASINHAS PRA BATER E TEIMAR.
-
(TEIMAR, PRA MIM, É O "COME CHOCOLATES" DO F. PESSOA)
-
HAVERÁ ROTINA
HAVERÁ AFETO
HAVERÁ BELAS ESPERANÇAS PARA SEREM ROÍDAS.
-
TRÊS QUE O NÚMERO É BOM:
PAI, FILHO E ESPÍRITO-SANTO.
AQUELA BELEZA QUE A LINGUAGEM NOS ENSINOU.
TRÊS, UM TRI-CAMPEÃO
TRÊS, SIM NÃO E TALVEZ
TRÊS, QUE EMPATE NÃO OCORRE.
-
EU, EU MESMO E MEU UMBIGO.

14 de setembro de 2011

/maldita solange/

  1. São tesãozinhos e euforias repentinas. Mas quem se importa? Nem eu. Punhetinhas como luz no fim do túnel e essa mania de roer unhas que nunca passa.
  2. É simples: penso em mim. Egoísmo é a virtude ensinada pelos psicanalistas. Assim: o que é importante pra você é importante pra você. Achar que o que te importa deveria importar a todos é uma prática comum em pélas-sacos e chatos em geral.
  3. Façamos as contas por percentagem. Fica mais simples e o dinheiro compensa a irritação. É uma maneira prática de dizer: não pode, eu faço. E faço e recebo; usa-se o dinheiro como paliativo para chatices generalizadas. (ou alguém acha que algum padeiro adora trabalhar em um forno de 4:00 às 12:00, mesmo que adore fazer pão?).
  4. Meu amorzinho é limitado. Preciso de perspectiva, de sonhos, de desejos - coisas de bicha, a gente sabe. Sou uma boa bicha: quero apenas o que me alimenta. Macho, macho mesmo, é aquele que bate no peito e diz: não dependo das circunstâncias. Sou fraco, invejo os machos. Eu - uma pena, eu sei - dependo sempre das circunstâncias.
  5. O telefone apita e a torta está pronta e dourada. Há salada lavada e um ótimo enlatado de seleta. Poderia falar sobre saúde e cuidar do corpo, mas não é o caso. Sonhei que tinha problema de pressão alta e, o dia inteiro, lembrei do sonho. Devia me acalmar aos 30. Disse isso pro Miguel e ele me falou que casar é a solução. Falei: - e mulher que presta, onde arranja? E ele, sempre fatal, nem titubeou: - no interior do Ceará elas existem... foi lá que arranjei a minha. Nos despedimos e ele falou: - até amanhã.   

12 de setembro de 2011

blocos por conveniência.(s.r)

  • O Carlos Careqa me perturba. Parece-me um grande absurdo ele não ser um ovacionado, um cult aceito, um milagre realizado. Há tanta beleza e tristeza nas cantorias dele. Há algo de muito importante em suas músicas. E, em tese, o mundo devia o conhecer. Mas o mundo... ah, o mundo... o mundo tá mais pra floresta encantada da Disney, sei lá. E o Careqa solta sua voz meio ruim e é genial. E na capa do segundo caderno tá um imbecil que nem cócegas faz.
  • Foi o tempo. Acho. Tenho pensado em coisas importantes. Não estou falando de mim e do meu umbigo agora. Estou pensando sem saber onde chegar: Política Cultural, A Consequência do Investimento Público, a Arte para Além da Coqueluche, a Função Social do Artista, etc. É algo sério, bem sério e que deve ser pensado, bem pensado. Não sei se por mim, se pelo Careqa, pela Fontana ou pelo último bem intencionado que recebeu uma bela fatia do bolo. Insisto mesmo sem saber: deve ser pensado, deve ser muito bem pensado, deve, inclusive, ser profundo e trazer consequências.
  • Meu limite é pensar em mim. Falta-me a generosidade de pensar em todos porque não sou todos e porque não me acho verdadeiramente representativo. Estou velho talvez? Coisa de luta de classes talvez? Mas sou limitado e digo: meu 2011 é bem resolvido, preciso é de um bom 2012 - ou então o abismo, o desespero e todas essas mesquinharias do umbigo.
  • Jesus, na cruz, me dá uma piscadela.
  • Tenho tesão e interesse pelo deboche. Tem a ver com limitação, com campo de ação e com instinto de sobrevivência. Gosto, inclusive, do deboche como manifestação artística. Estou falando sério e Reinaldo Moraes me contempla. Assim como Bukowski, Evrainov, Rabelais, Oswald, etc. Questão de gosto, de preconceito cuidadosamente construído, etc. Erro seria gostar de TUDO. Só imbecis gostam de tudo - o que, todavia, não me impede de achar o Ratinho uma figura verdadeiramente significativa do imaginário nacional.
  • Culpa é como o algodão acumulado no umbigo. Arranca-se com o dedo indicador e o opositor. Dá tesão também. E tesão é diferente de prazer. Prazer é coçar a barriga.
  • Cervejinha e churrasco do Miguel. A vida é besta: nem boa nem ruim, besta: o morno cuspido. E assim as contas, o dia após o outro, as viagens que se programam, os milagres que parecem resolver tudo. Assim: vem cá/não vou, te amo/te odeio, agora/depois. Ah... essa coisinha... Ah... o álcool.... Ah... a moça bonita que se tornou mais bonita.... Ah, os versinhos que eu escrevia na adolescência... os versinhos, os versinhos.   

11 de setembro de 2011

F Faz Fita.

Vou ser agradável e falar sobre estrelas, sobre luas cheias, sobre ternuras perdidas e sobre a falta de "consciência global"(sic).
Vou ser legal, vou concordar sobre o gênio do Arnaldo Antunes, as músicas da Marisa Monte e a versatilidade do Carlinhos Brown.
Serei amável, serei calmo e ela me abrirá suas pernas com um sorriso que será bonito.
E, assim, entre uma falsidade e outra, a comerei por meses e talvez anos.
E falarei do Oriente, sobre não-ser, sobre meditações e estados de ausência.
Invocarei o Osho, o Castãneda e direi o clichê de sempre: o que importa nessa vida é ser feliz.
E será mentirá.
E ninguém ligará.
E o sexo será bom.
E concordarei que o Destino é mesmo uma coisa muita forte...

De cá.

O imbecil é sorridente e já comeu uma mulher que você achou bonita, muito bonita. E o imbecil te incomoda. E está na T.V e dá dicas e aparenta ser um cara mui-i-i-to legal. O imbecil causa suspeita em você: questão de estilo, de maneira de se vestir, de pousar pra fotos com boca aberta, etc. Meu último imbecil presencial usava camisa xadrez e calça jeans apertada. Eu o olhava e pensava: ele se preparou para estar aqui e por isso é um imbecil. Ele investe em sua aparência, tem uma voz calma e faz piadas com uma desenvoltura que prova o quão fake ele é. Em última instância o imbecil é um gênio: nesse caso ele é cínico. Em última instância o imbecil é só um imbecil: trata todos de maneira igual idêntica.

9 de setembro de 2011

Pizza lá.

  • O amorzinho é aquela beleza. A gente goza, quase trepa/tipo trepa e se sente bem de modo geral. Amor eterno como pau e buceta (ou pau e cu, vá lá). Mas tem mais, não tem? Aquela promessinha que a se mantêm em segredo: na próxima vez será bem melhor.
  • Afeto por crianças, por animais e árvores é fácil e pega bem. Quero mesmo é ver: adotar um pretinho, perdoar um canalha, casar com uma puta, fuder uma gorda, etc. Pega bem o afeto indiscriminado. Jesus, o próprio, brigava por putas.
  • Hoje acordei de um sonho que era como jogo de videogame. Fases, atalhos, mânhas de viciados que eu não tinha. Sonho bom da porra. Diverti-me com ele o dia inteiro, a pergunta de sempre: o que esse sonho quer me dizer que eu não entendi?
  • Como sempre: mais do que tenho e menos do que mereço. Sim, a vida não é justa. Mas e daí? Todo idiota no seu galho e um macaco festivo no centro da cidade. Quero dizer: acusar é prazeroso, mas limitado; bom mesmo é sofrer em paz, repetindo pra si mesmo "sou meu dono, sou meu dono, mesmo que o mundo não me obedeça."
  • Gosto do churrasquinho que como e dos cigarros que fumo. Que Deus, essa coisa que nem sei, seja bom comigo e me deixe assim: com cigarros, churrasquinho e algum humor. Porque tá tudo certo e o corpo aguenta: tragédia mesmo seria ser uma vítima que acusa os outros. Liberdade, pra mim, é ser dono das próprias merdas.   

8 de setembro de 2011

Troll

O Carlos Careqa toca seu disco e eu faço contas por pura diversão. Ou tédio. E tá tudo certo e tá tudo normal.
Sempre falta algo, sempre falta aquilo. E, bem, quem foi que inventou que o mundo era super interessante? Eu não, eu também.
"Ser gente é tão triste, né benzinho?", ela costumava me perguntar quando estava de TPM, mas achava que não estava de "TPM ainda".
Eu dizia sim porque a amava. Amar é dizer sim para perguntas idiotas - era o que devia estar escrito nos quadrinhos cristãos que traziam desenhos de um estranho casal peladinho.
Hoje mesmo: os vídeos fantásticos de sexo fake e a punheta que só serve mesmo para esvaziar. E a pergunta gracinha do mundo: o que será preenchido assim que esvaziado?
E há uma pornografia verdadeiramente vasta na rede. Deveria achar isso um mistério, mas não acho e lembro da minha santinha: "Ser gente é tão triste, né benzinho?"

5 de setembro de 2011

´<>`

A diversão é variada e estúpida. Eu me divirto de maneira geral. Há dias, inclusive, em que troco punhetas por vídeos verdadeiramente importantes que falam sobre teatro e sociedade.
Mas, agora, é assim:
  • O tesão passeia na minha cabeça. "Coisa de sêmem acumulado", diria meu amigo. Sonhei com uma desconhecida que, por dois erros, é minha amiga de Facebook. E era bem real e tesudo. "Detalhes tão pequenos de nós dois" e coisas do tipo.
  • A merda do tesão involuntário. Sonhei que contratava uma prostituta. E ela era boa pra mim e surpreendetemente generosa. Masturbava-me até que resolvia me dar. Eu dizia: não foi esse o combinado. Ela dizia: não importa, eu não vou cobrar mais. E vestia a maldita borracha em meu pau e dizia com uma calma que é muito rara em mulher: é que eu gostei de você. Ainda no sonho, durante a foda em si, eu temia: vou me apaixonar por uma puta... tô fudido.
  • Baixo um disco de desconhecido. É sobre amor, o disco. O amor está na moda. Como explicar? O amor virou um fenômeno pop. E isso é uma pena. É que amor não tem a ver com felicidade ou mundo perfeito. E o amor, esse da moda, tem esse registro. Esquecem que os crimes passionais ainda são os crimes mais cometidos e que amor tem mais a ver com loucura e excessos do que com um paraíso no qual as pessoas brincam com leões sem nunca serem devoradas.
  • Queria ter sentido tesão. Queria ter sentido tesão a ponto de dizer "vamos trepar, bayb". Mas não e nem. Uma pena. Essa ilusão que o tesão é espontâneo a limitar nossas fodas potenciais. Estou falando de praticidade e de sexo sem afeto. Foder, às vezes, é pura conveniência. Inevitável, né? Uma pena, né?
  • Eu e o mundo os velhos inimigos. Tenho me esforçado. Sorrio mais, minto mais e descubro que o mundo é menos exigente do que eu supunha. Aos meus amigos digo que tem a ver com o meu último aniversário. Mas gosto mesmo é de imaginar um duelo de faoreste: os passos contados, a virada e a precisão em sacar a pistola na hora exata.
  • Pensei em dizer, mas não disse: só não me apaixono por ela porque me controlo e porque só nos relacionamos virtualmente. E seria sincero e seria idiota como toda sinceridade. De qualquer maneira, estou falando uma verdade. Conheço-me minimamente e apaixonar-se por ela, pra mim, seria quase óbvio. 
  • Salaminhos e cerveja, a vida pode ser apenas isso. Não entendo quem não gosta de álcool, não entendo quem é vegetariano por pena de boizinhos ou por intolerância a morte. Saliminhos, cerveja, comer, foder e etcs. Que é isso e tem a ver com regalo. Poesia é regalo, arte é regalo, teatro é regalo. Precisa-se de muito pouco, é fato. Mas quem, em sã consciência, quer apenas o necessário? Leminskão e sua síntese são o próprio sentido da vida.
  • A profundidade dela é uma falsa questão. Porque é otária e acha ser esperta. Porque procura razões que não existem ou não precisam ser achadas. Gosta de ter "questões", mas esquece que "questões" exigem tanto perguntas bem formuladas quanto busca de respostas concretas. Mas a falsa questão é mais atraente, eu aprendi. Na falsa questão todos são interessantes e todas as possibilidades são reais. Somar ou diminuir pra essa gente é uma agressão. Qualquer certeza deve ser eliminada, eles dizem enquanto proclamam a dúvida como o deus mais cruel de todo panteão. Vai entender...
  • O bye, bye é uma mão esticada com cinco dedos. Toda despedida se supõe mais importante do que realmente é. É coisa de gente: esse bichinho triste que inventou as palavras e, consequentemente, os delírios todos. Saímos do esquema comer e cagar, viver e sobreviver, etc. Gente: esse bichinho que faria graça em seres extra-terrenos por ter inventado a eternidade da alma. Vejo ETs que diriam: não dá pra entender porque vocês cultivam tanto a ilusão. E nós, bichinhos pacíficos, chamaríamos os ETs pra um cinema, um teatro e uma cervejinha depois. E daí, o ET, já no fim da noite, confessaria: têm razão, a ilusão é muito prazerosa.         

3 de setembro de 2011

*

Fazia biquinho pra falar. Aquela coisa de arcada dentária em U.
Tesão.
Era também a última mulher da mesa e bebia com facilidade e estilo: o copo pego com firmeza, goles grandes e em etapas: cerveja na boca e depois engole.
Reparei no papo que ela tinha com os amigos. Parecia séria, inteligente e falava sobre educação.
Olhei pra ela até ser visto e ela me viu e se sentiu incomodada. Tesão enorme quase amor. Ela, bobinha, põe a mão na coxa do colega de mesa. Sinto-me desafiado e sorrio pra que ela me veja sorrindo. O colega é um tipo sem graça que não a acompanha no copo ou no papo, olha pra mim com cara de bunda.
Levanta. Passa perto, bem perto.Vai mijar, a bonitinha. Fala do Poderoso Chefão que está na TV. "Tesão é coisa de criança, te amo pra sempre".
Sai sorrindo. Leva a chave do banheiro que tem um pedaço de cabo de vassoura como chaveiro.
Ela ri. Eu rio.
Pago a conta e volto pra casa. Não quero que ela me encontre quando voltar do banheiro.
Tesão, amor, coisa de bar, biquinho em U, mistério de sexta-feira, o Poderoso Chefão, etc.
Deixo o bilhetinho: - santinha, santinha, volte dia 9, ok?

2 de setembro de 2011

@

Em clima de Twitter:
- Se ela soubesse que sendo trágica é engraçada eu a amava pra sempre.
Em clima de feed de Facebook:
- Devo dizer: só os chatos são curtidos.
Em clima de Blog:
- olhava pra cima e pensava: não me chamo André, não tenho família, mas acho reclamar uma arte.
Em clima de reunião de "coletivos":
- aqui eles me vêem e eu sou parte da turma. Tenho muitos amigos e sou simpático que só vendo. E claro que eu escolhi muito bem a roupa que vestiria hoje.
Em clima de bar:
- O Chico Buarque é um gênio.
Em clima de estudante de cinema:
- Tem a hierarquia, saca? A produção. A gente, nossa espécie, sabe dialogar com as massas e ser artístico. Filme independente é uma falácia: sonho mesmo mesmo é ser Tarantino.
Em clima de escritor respeitado:
- Gosto mesmo. Daquilo que. Enquanto reparo calmamente no azul do ceú.
Em clima de adeus:
- Essa saudade que eu sinto é o que eu entendo como amor. Se nunca mais te ver, te amo pra sempre.
(...)
(isso não tem fim)

31 de agosto de 2011

  • Não houve cartinha esse ano. Talvez não haja, talvez haja a última. Concluo que estou virando um homenzinho e, também, que tenho um bocado de humor.
  • Ontem: eles reclamam que o RJ é o RJ e não BH ou SP. Reclamam também que 2011 não é 1978 ou 1992. Há ainda a queixa contra a Globo - porque supõem que o ator do interior de Santa Catarina não ambiciona entrar para uma novela.
  • Do mesmo. Ou quase. Generosidade. Eu acredito em generosidade. Não estou falando em ser servil ou legal com todos. Generosidade é o mínimo que se espera de amigos, por exemplo. Não é nobre ou grandioso. É mesquinho e pequeno como: oferecer um drop's, um pedaço do sanduba, uma moeda que completa a conta, uma carona, uma caixinha pro cara que serve a cerveja, um cigarro pro bêbado, uma mochila emprestada, um papo com tia solteirona e chata, etc.
  • Meu dedo pra lua. Está tudo bem. Um dia de cada vez como mantra. Não é bonito nem divertido, mas é o que é. E lembro do meu humor e repito: estou mesmo virando hominho.  

29 de agosto de 2011

  • As lufadas de ternura / Um dia após o outro / É essa a tortura.
  • Ela me elogiava e eu achava bom, bem bom. Secretamente pensava: ela quer dar pra mim. Podia ser, ainda pode ser. Mas vi, pelas maldições do mundo em rede, que ela bate palmas pra idiotas com bastante desenvoltura. Fiquei triste. Pensei: ela pode até querer me dar, mas não será a mesma coisa.
  • A dor é minha e o problema sou eu. Essa frase é toda minha vaidade. Simples: ser vítima é generosidade demais, uma vez que pressupõe um algoz. Sofro sozinho. Não sofro nem mais nem menos, mas sofro sozinho. É vaidade, eu sei.
  • Saudades de brincar com os lábios que lentamente umedecem. Aquela bába fantástica que a vagina produz. Lembro de uma bába dessas que grudou em minha barba e que esticou sobremaneira. Fio longo e transparente que cintilava na luz indireta que há agora em minha casa. Olhei aquilo e pensei em dizer pra ela reparar também, mas não o fiz. Medo de ser mal interpretado, essas coisas. Uma pena.
  • Os planos, os projetos, as boas intenções. A coisa toda que é sincera, mas e daí? Sinceridade é super estimada, amor também. Há, de modo geral, um excesso de valorização dos bons sentimentos. O que é meio estúpido e tem a ver com o mundo de hoje: a ilusão da voz que a Internet dá e coisas do tipo. A individualidade como um tipo de virtude. E que Deus nos perdoe e ignore as bobagens que são escritas em rede. Porque a palavra escrita já teve força de lei, porque a palavra escrita já foi a palavra de Deus em pedras que versavam sobre a moralidade do planeta. E agora é o que? Um feed cheio de sacadinha, uma reclamação engajada que deseja ser curtida por muitos ou uma expressão de idiotas que se sentem únicos?
  • A originalidade é um fetiche que faz mais sentido para uma gôndola de supermercado do que para a expressão artística. Mas estou por fora e há muito a ser feito, eu aprendi. E o que é feito tem grande capacidade gregária e pouco mérito artístico. Aprendi, mas não concordo: se todos lhe disserem um gênio, um gênio será.
  • Arrancar caspas com as unhas é minha última mania. Além de tudo, que é: a farta barriga, a boca aberta, o sotaque confuso, os dedos amarelos, a raiva inevitável, o pouco interesse pelo desconhecido, os porres diários, os olhos arregalados, etc. É mais um nojinho na fita. Mais um problema que uma boa mulher tentará resolver e com quem implicarei por não me aceitar como eu sou. E sei que é um absurdo e que a boa mulher tem sempre razão e que, com a devida paciência, me convencerá a ser quem eu não sou e eu nem me importarei. Porque será a boa mulher. E irei a praia, e farei exercícios, e deixarei de fumar, e pararei de roncar, e verei filmes sem falar, etc. E direi eu te amo e será verdade. E ela dirá eu te amo e será verdade também. Morreremos velhinhos, bem velhinhos. Com diferença de dias entre uma morte e outra - que é como sempre teremos desejado.      

26 de agosto de 2011

a união faz a estratégia

Se pudesse
ser outro
que não eu,
seria aquele que,
sempre sorrindo,
se junta aos outros
que sorriem sempre também.

Que assim estaria
mais idiota
e mais alegre
e pensaria em mim
como um grande mobilizador
de boas intenções.

E não pensaria no inferno
e não falava mal de ninguém.

Ficava apenas esperando
o bem que vem
pra quem também
só faz o bem
e diz inveja branca
e, mesmo achando o contrário,
fala que a-d-o-r-o-u
o que fez 
o amigo de infância do
último mês.

Se fosse outro
que não eu
fazia tudo
que fazem
e mais um pouco:
comprava presentes pra todos
pagava contas de bar
repetia pro mundo
e ainda postava no facebook
pra registrar:
você merece m-u-i-t-o
as suas conquistas.

Fosse quem não sou
fazia um monte
e nem achava feio
essa mania de amor
que só ama
quando se equilibra
no meio.

23 de agosto de 2011

As fotos do http://www.modsmut.com e também uma porrada de coisas

Que viver é estranho e indecente. Basta, além de viver, pensar na vida. Não é muito. Mas pensar é coisa de fraco, eu aprendi com uma ex-namorada e viver, VIVER é tão intenso, ela dizia também. Mas e daí? Qual é o mérito da intensidade per si? Existe? Por mim e minhas práticas, afirmo: a intensidade é terrível e nos maltrata. Tem aquele poema do F. Pessoa que a M. Bêthania popularizou e que diz que a vida chega a doer - o que, enfim, é uma dessas verdades que devem ser repetidas e que são o próprio sentido da vida quando escritas por um cara como o F. Pessoa.
Por ora, uma prontidão arrogante e auto-suficiente. E daí? 2 - a missão. Mas há graça, há humor. Sou um gordo divertido: depois de comprar frutas no hortifruti e programar uma vida mais saudável, parei no bar pra beber duas cervejinhas e comemorar. Comemorei, comemoro. E reli um conto do Kafka que, bem... vá lá... penso em adaptar para um projeto... Ah, a doçura dos projetos! Os sonhos dos projetos! O tiro no escuro dos projetos! Deus abençoe os projetos, esse paliativo para sonhos de artistas que programam as grandes obras que nunca fizeram.
Mas, devo dizer, estou otimista. O que, em papo inteligente, entende-se por chato. Nada mais chato que o otimismo - aquela alegria causada por esperanças e convicções. Ou então ( e isso seria pior) a alma cheia de amor indiscriminado. Que amor indiscriminado é um desses grandes absurdos que põem na boca de Jesus e que... vá lá 2... nem era tão besta assim, já que ele, o Nazareno, promovia chicotadas em locais sagrados e dava piti contra os que queriam, após um dia exaustivo de trabalho árduo, jogar pedras em prostituta - algo que, muito possivelmente, era bem mais divertido e vital do que as lutas de vale-tudo... sobretudo por ser mais arbitrário...
Me perdi. Escrevi e escrevo. Tem a ver com tédio, com a noite e também com o álcool que tão bem nos ilude. O álcool, a gente sabe, Deus abençoa e a Igreja Católica também. Nada mais católico que os padrinhos bêbados e cheios de perdão, dando hóstia pra gente que, diferentemente deles, tem uma vida bem mais mundana.
Seja como for, o dia foi bom e rendeu uns trecos chatos que têm que render. O Carlos Careqa me impressiona com sua bela música e prova que há muito mistério - e equívoco -  no mundo, já que ele, o Careqa, não é cultuado como merecia ser. Lamento, todavia, não ser mais o adolescente voraz que eu era e que decorava todas as letras das músicas que me impressionavam - o que nem é bem uma queixa, mas uma observação. E bem humorada, por sinal.
      

22 de agosto de 2011

porque sim.

  • Mulheres que alimentam pombos. Já vi uma, já vi duas, já vi várias. Nunca vi um homem que alimenta pombos. Pode parecer machismo, mas não é. Onde estão os homens que alimentam pombos? Porque eles existem, mesmo que não os veja. E devem ser o coqueluche nessa turma de mulheres que alimentam pombos. É um ruído que percebo em bares.
  • Meu ódio é algo imenso. Deixe-me explicar: se estivesse em terapia, faria perguntas: - Por que sinto tanto ódio? Ódio é normal ou estou só? O que posso fazer pra conter esse ódio que sempre aparece e que nem sei se é assim mesmo ou se é só tristeza? Devo tentar ter pensamento positivo ou isso é estúpido como parece? E os otimistas que falam pelos cotevelos e sorriem pelos póros? Só eu desconfio deles?
  • Teve o dia genial. Eu me sentia bem. Era tudo simples, mesmo que doloroso. Quero dizer: eu dizia pra mim mesmo: tudo normal. Estava satisfeito. Era como se tudo fosse questão de tempo. Algo que mamãe sempre fala, por sinal. Mas, meu Deus, é só isso? Viver, morrer e lidar com os delírios? Queria mesmo era a outra coisa. O quê? Não sei. Talvez um dia.
  • Desaparecer é um tesão. Como idéia. Simples: sumo daqui e viro outro, ou nenhum. Tanto faz. A fodinha do mal é a sequencia: um dia após o outro, a aceitação de que é assim mesmo e a necessidade de ganhar a vida biblicamente.
  • Solidão tem a ver com piadas sem graça e com vontade de virar outra pessoa. Nada perdoa nada e, agora, os meus amigos são chatos e repetitivos. A palavra "amigos" é super-valorizada em nosso século. Queria mesmo era foder uma buceta como um cão fode uma cadela. Sente o cheiro e arrisca a cópula. Se grudar que Deus abençoe ou a água separe. É uma pena não ser apenas cão/cadela, não é?
  • Beijinho pra ti, minha paulista. Tesão secreto para o Kuati. Que Rj e Sp sejam as cidades do até logo. E que Deus, que deve ser o cara que cuida do mundo inteiro, seja velho, tenha perdão e seja bom de papo.   

19 de agosto de 2011

Éfinho vê teatro.

É uma peça chata em que ficam brincando de ser ou não ser teatro. Como se houvesse dúvida, como se - de fato e realmente - os atores em cena pudessem não estar em cena e, portanto, não estarem interpretando. Um flerte com essa ideia que anda por aí e que se convencionou chamar de não-interpretação.
A tal peça tem alguma inteligência que eu, infelizmente(ou seria felizmente?), não compreendo. É o teatro como sacada, como situação "atores-diante-do-público" levada ad infinitum. Eu não entendia porque riam. Quando ri, sorri e fui honesto. Quero dizer: o aparte (esse recurso ancestral e legítimo) é legal e tudo, mas, bem, há limites. Ainda mais um aparte que 'conversa' com a plateia - como se fosse natural e não artificio.
Olhando aquilo pensei em tudo que não quero e não me interessa. Teatro pra dentro, voltado pra uma ideia de inteligência de salão que faz com que os momentos engraçados sejam um desfrute para os que captaram a mensagem - ou melhor: a sacada.
É o teatro blasé e cheio de referências pós-dramáticas - esse termo/conceito que está aí e que explica o melhor e o pior do teatro contemporâneo.
Na peça chata havia champanhe e taças e belezas e tudo, tudo mesmo, era lindo. Os atores, a luz indireta, os movimentos de corpo que significavam alguma coisa que eu nunca entenderei... um mistério.
E o texto brincava uma única brincadeira: o ator dizendo sobre o personagem que ele representa: "- então ele resolve sair" (o ator que é o ele, o personagem, o performer consciente do aqui agora, etc ad infinitum) "e ele fala pra ela: te adoro". E então esse ator faz agora o 'ele' com mais 'verdade' e diz: "te adoro." E a cena continua. E muda para atriz: "- e ela sorriu", e a atriz sorri, "e disse: eu não te adoro", e a atriz, cheia de sacada diz: "eu não te adoro."
90 min. E não gosto de sair no meio Deus sabe porquê. Deve ter a ver com meu catolicismo e o lance da culpa...
Seja como for, estive lá, me aborreci e nem doeu. Ver teatro chato e afetado assim me dá uma puta vontade de montar a banca do meu teatrinho - que pode não contemplar a inteligência cheia de sacadas, mas que não te aluga e vai pra fora.
Não alugar, em se tratando de obras de arte, é, pra mim, um puta dum mérito.

*
Tem uma frase de uma música do R. Seixas que gosto muito e que, as vezes, me parece o próprio sentido da vida: "Só vou curtir meu roquezinho antigo/que não tem perigo de assustar ninguém".