30 de maio de 2008

Paulo Fernandinho Coelho.

Essa vida triste e bonita. O lance é segurar a ansiedade. Os momentos fantásticos vêm só de vez em quando. Nada de tão extraordinário e, no entanto, a gente vai que vai e segue que segue. Tem dias que é bem bom acordar de manhã: ela mais carinhosa que de hábito, mais beijoqueira. Uma delicadeza de pernas entrelaçadas que é difícil de explicar. Então você começa o dia entendendo que você tem que ter calma mesmo. Que as coisas acontecem mesmo que você não note. Que a vida não é aquilo que você esperava que ela fosse. Que a vida já vem acontecendo a mais tempo do que você imagina.
E tá tudo muito bem, embora nem sempre ocorra milagres.

29 de maio de 2008

toda vez que acordo tarde.

raiva súbita e desnecessária.
vontade de morder o próprio dedo,
de bater na mãe,
de passar álcool no pau.
mas
daqui a pouco volta o paraíso
e os milhares de anjinhos pelados
com seus pintinhos sem pentelhos.

26 de maio de 2008

Esse chiclete de merda na minha barba. Nem sei o que faço. Descobri ele agora, mas já deve estar grudado a mais tempo. Sabor tutifrutti o desgraçado. E tá de tal maneira que passo a língua e sinto seu gostinho. O desgraçado mantém o açúcar apesar de tudo.

Melhor é nem fazer nada. Deixo ele lá grudado que ninguém sabe mesmo. Se não lambo ele hoje eu lambo amanhã.

Outras Mentiras.


21 de maio de 2008

lógica infantil: genial.

(by Inaie Duarte)

Laerte

ROUBADO DA SR. FERNANDA D'UMBRA, MOÇA DE MUITO BOM GOSTO.


*

Daqui donde eu vejo, eu digo: sou chato, sou chatérrimo. Quase qualquer merda pode me incomodar. E sei que é merda, mas me debato com isso. Não gosto sempre de quem eu sou e nem da minha falta de tranquilidade. Acho até 'bonitinho' eu não ter aproveitado as chances de suruba que tive, mas preferia ter trepado com essa gente sem alma que já apareceu. Eu, aqui, sou uma criança, ela diz. Ou o homem caverna que, pelo menos, tem humor. Tudo muito divertido e cínico, como dever ser, afinal.

19 de maio de 2008

&

Essa bundinha até parece um sol. Olho pra ela e vou ficando quentinho. Branquinha como o quê e com 2 curvinhas em cada banda. Meu pau ficando duro por cada curvinha: 4 x duro. Meu pau duro fica feliz. Eu também, afinal. A bundinha passeia pra sair do banho, passa toalha pra secar e creminho pra ficar macia.
Anda devagar e empinada pra abrir a geladeira e beber água do gargalo. E eu só finjo que leio enquanto coço a cabeça do meu pau.

15 de maio de 2008

i love you.

O fato é que eu não tenho o que falar. E é por isso que eu me repito nas velhas formas. Porque aquilo sou eu ao avesso no meu estereótipo antigo e já superado por nós. Porque eu não sou meu umbigo e você também não é envenenada. E essas coisas acontecem pra que eu, que sempre falo muito e sei de tudo, fique burro e em silêncio. Porque falar disso é sempre pouco. Porque ninguém vai entender nunca e porque sempre haverá os olhos dos outros sobre nós. E eles não importam porque eles não sabem das tardes e dias e noites e berros e gemidos e beijos. Porque eu sou outro contigo. Outro que me agrada mais, mas que me obriga a assumir as fraquezas e ficar cheio de remelas nos olhos. Porque agora tem essa luz terrível lá no fim de tudo. Essa luz que dá medo porque cada vez mais e mais e mais e mais. Porque sinto saudades da minha potência aparente e do meu mundo simples e auto suficiente. Porque desprezar é simples e mentir encanta. Porque, afinal, o amor dói e aumenta o medo da morte.

14 de maio de 2008

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Não sei se toco uma punheta com esse pau mole desgraçado.
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A Filha da Puta não me chupa a 3 semanas. Eu pedi com toda delicadeza possível e ela disse que não era assim que essas coisas funcionavam, que tinha que vir de dentro, de ser um ato espontâneo. Blá-blá-blá. Espero apenas que essa coisa de dentro surja quando eu estiver por perto. Porque se não é bem capaz dessa espontaneidade toda me enfiar um par de chifres. Aí eu vou tá na merda de vez. Prefiro ser punheteiro do que corno. E todos meus amigos sabem que sou paranóico com essa coisa de corno. Já fiz o diabo pra descobrir um chifre e nunca descobri. E o pior é que o fato de eu nunca ter sido corno só me leva a crer que eu serei. É uma vida desgraçada essa.
E agora essa Filha da Puta deu pra regular o sexo. Fica alí com a bunda empinada e se ofende quando eu me aproximo. Diz que eu não sou romântico e que só gosto dela por causa da buceta. Como se buceta não fosse motivo suficiente. 3 semanas sem uma chupada e 16 dias sem trepar. É foda. Assim não dá. Aí é melhor voltar aos velhos hábitos, ligar pras mesmas piranhas de sempre e voltar a fazer aquele sexo sem alma que, pelo menos, eu fazia.
Mas não, eu tinha que ser um viadinho fresco. Tinha que ter essa mania de sexo com alma. Porra. Enfia a piroca e futuca pra ver se a alma sai. Nunca se sabe onde cargas d'agua a alma se esconde.

12 de maio de 2008

1-

ESSES GRITOS QUE ELA NÃO DISSE E QUE ME TORTURAM.

QUE A LOUCURA VENHA RÁPIDA E NUM ÁTIMO DE DOR E RAIVA.

NÃO QUERO O SORRISO TRISTE DA CRIANÇA QUE NÃO TEM MÃE.

NÃO QUERO O CARINHO LIMITADO DE QUEM NÃO TEVE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

NINHARIA POR NINHARIA EU PREFIRO AS MINHAS.

CÉU AZUL É VISTO ATÉ POR CEGO.

ASFALTO CINZA É LÓGICA DE CAIPIRA-CULT.

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E TODOS OS MEUS SONHOS SÃO BELOS E TRISTES,

E SÓ SÃO BELOS PORQUE SÃO TRISTES E NÃO O CONTRÁRIO.

E AS DESCULPAS QUE EU OUVI NÃO ME CONVENCERAM E

OS MEUS PAIS SÓ ME AMAM PORQUE NÃO ME CONHECEM

E AS MULHERES FRIAS QUE EU COMI ERAM APENAS PERNAS ABERTAS COM PÊLOS NO MEIO].

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( E FICO EM CASA SONHANDO SOZINHO

E PENSO NO MUNDO E ACHO UMA MERDA

E PENSO NA IMAGINAÇÃO E ACHO UMA MERDA

E VEJO EU MESMO NO ESPELHO E ACHO UMA MERDA COM HUMOR.

"O HUMOR, OH CÉUS, O HUMOR":

A ÚNICA SALVAÇÃO DOS IDIOTAS PREPOTENTES).

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E LÁ FORA HÁ GENTE DE TUDO QUE É TIPO

E TODOS ELES SÃO ELES E, EM NENHUM DELES, HÁ NENHUM RESQUÍCIO DE MIM

E EU OS DESPREZO POR ISSO.

PORQUE SOU PREPOTENTE,

PORQUE SOU IDIOTA,

PORQUE ESCREVO PARA SER LIDO PELA MULHER QUE TOMA BANHO NO MEU CHUVEIRO.
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( E REPARO, QUASE SEM VIDA, QUE OS MORCEGOS FAZEM UM BARULHO FINO E SEM DEFINIÇÃO E LEMBRO QUE SÃO OS ÚNICOS MAMÍFEROS QUE VOAM DAS PEGADINHAS DE ESCOLA QUE DANIFICARAM MEU CÉREBRO).










*

Minha mesquinharia gosta de boa companhia e é por isso que ando com poucas pessoas.
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Claro que gosto de falar merda e ser admirado. Não gosto é de pedir coisas, mas gosto de exigir. Diferença mais sutil do que imagina a criança velha com quem gosto de rivalizar mentalmente.
Dane-se.
Eu me sinto muito bem, obrigado. Não peço migalhas publicamente e nem faço questão de parecer bem informado e/ou pop-com-muitos-amigos. Meu orgulho é de outro tipo: é nunca ter ido ao "Democrático", é nunca ter nadado no mar de merda de Copacabana.

11 de maio de 2008

Homenagem ao Dia das Mães.

Qualquer idiota com o mínimo de decência já pensou em comer a própria mãe. O Sr. Freud falou disso e vamos combinar que o Sr. Freud era mesmo um judeu espertinho. Ele deu o nome do outro, o Édipo, que, enfim, chegou as vias de fato com mamãe. O que não é bacana e sim sim, Sr. Fátima, é tabu no sentindo tão profundo que você queria que eu dissesse e eu não disse.
Mas o fato é que mãe é mãe e que todo o resto gira em torno disso. Uma vez, conversando com o Aramico, eu disse e ele aprovou: o único amor real é o de mãe. E ficamos os dois bebendo, lembrando de nossas mães e as coisas que elas têm e que todas as outras mulheres nunca vão ter. É mesmo uma pena. Sorte de papai, pelo menos. Ele come sua mãe e se lambuza, e ainda pode fazer isso sem culpa. Uma maravilha.
E mãe é pra vida toda. É aquela buceta sagrada pela qual passou*. Aquela que foi dona dos primeiros peitos que chupou, que o alimentou do modo mais brutal que poderia: com as excrescências do próprio corpo. Mãe é a prova que somos todos animaizinhos tristes em busca da própria autonomia.
E afirmo, com os meus 26 anos, que minha mãe é gostosinha pacas. Ela tem 53 e uns peitinhos que resistem ao tempo. A bundinha também, sem marcas aparentes e empinada na medida do possível. Mamãe é um espetáculo e papai continua se dando bem.
Mas o que importa é que quero ter filhos e que, um dia, serei eu à comer a mãe deles. Uma maravilha: até imagino a inveja que eles terão de mim.

* E realmente me sinto muito frustrado por não ter nascido de parto natural.

10 de maio de 2008

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De manhã tem essa tristeza louca e quase bonita. Uma dorzinha que você lida com certa indiferença porque sabe que passa. Todos gritos da noite e todos os pesadelos de humilhação e desprezo. O mesmo medo de sempre: medo da morte que é o medo do fim, medo do mundo que existe independente de nós mesmos.
É claro que tem que ser assim. É grande e é terrível e é assim. Não é simples e nunca será. Não pra mim que invento manias de grandeza e faço de conta que a vida pode ser mais do que é.
Sou bem infantil, afinal.

9 de maio de 2008

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Durmo demais e fico num puta mau humor. Todo café é pouco e a rotina é parecida.
Vejo os blogues de sempre e outros de estranhos. Comprovo minha matemática que sempre me protege: um péla-saco se afirma na repetição.
Gente demais por todos os cantos. Desesperos parecidos e antigos. Toda opinião é uma vaidade mal disfarçada.
Um friozinho bom e uma mulher do meu lado. Não tenho do que reclamar, mas reclamo assim mesmo .
( E lembro que um chato é um chato e sorrio sozinho me sentindo muito bem, obrigado).

7 de maio de 2008

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A técnica dessa piranha é óbvia e previsível: ou me trata muito bem ou me trata muito mal. Alterna de um pra outro sem transição. Tenta me confundir com excessos. Nos momentos em que está inspirada ela aperta seus olhinhos miúdos e faz um tipo de chiado com a boca. Eu aproximo meu ouvido e ela solta uma gargalhada louca. Depois vira de costas e sai fazendo barulho com as botas do exercito que herdou sei lá de que morto.

%

Sem nenhum saco pra nada. Bla-bla-blá demais. Velho demais. Repetido e gasto demais. Já me basta a gorda com cheiro de morango que sentou do meu lado na peça mais estúpida dos últimos anos. Prefiro eu mesmo como sempre. Não quero ouvir o que já foi dito. Não quero saber das mesmas merdas que todos fazem pra se sentir vivo e confortável. Eu sou isso, eu sou aquilo. Uma legião de idiotas e eu no meio deles: falando sobre mim como se eu soubesse algo de oculto.
Não sou modelo de mim mesmo. Não sou grato por nenhuma das minhas trapalhadas. Minhas invenções sem alma eu asfixio rapidamente. Minha vaidade ainda me salva por excessos.

5 de maio de 2008