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22 de dezembro de 2011

23 de maio de 2011

(*)

O grito é desagradável
e pertubador.
Mas a sala está vazia
e, por isso, nenhum ouvido
será ferido.
É uma lei antiga:
cão que ladra, não morde,
mesmo que gire em torno de si mesmo
e tente morder o próprio rabo.

14 de março de 2011

7 curtinhas, eu roubei.

  1. O tempo passa e não há jeito. Quero ler outro livro do García Marquez pra ter certeza que seu assunto é o tempo. E se não for, é a saga de uma (ou duas ou três ou várias) existência (as). E se mesmo assim não for, dane-se: tio Gabo é um puta escritor e nem precisa de defensores.
  2. Então me reduzo. Reduzir-se é legal. Vejo à mim. E vejo aos meus. E eles e eu estamos juntos. Na glória e na desgraça. E até, como não?, no bar da esquina onde vejo as melhores bundas do Rio de Janeiro inteiro.
  3. Se seu afeto é ver meu blogue, eu digo: você me adora. Se não, eu deduzo: você é pior do que eu pensava.
  4. Foder é uma coisa. Foder com prazer é outra coisa. Foder e amar é um céu. Amar enquanto fode-se é o próprio sentido da existência. E isso só acontece à cada 12 anos, como o Horóscopo Chinês.
  5. O telefone toca e é Vovó. Ela ficou feliz com o que escrevi e fez com que meu blogue tivesse mais visitantes do que jamais imaginaria. Vovó rocks e tem uma rede na Internet que trascende qualquer feed de facebook. Vovó não tem Facebook ou Orkut, mas vovó consegue ser viva - V Maiúsculo - até nessa coisa virtual.
  6. Mando minhas cartas e meus recados. Acho, e acho mesmo, que o asfalto cinza em baixo dos pneus são um belo divã sem - é bom ressaltar - a opressora figura do analista e seus cabelos grisalhos e óculos minúsculos.
  7. Fumar é minha muleta. Se fosse Curitiba e seu frio, estaria na TV e no sono. O Rio de Janeiro é difícil de largar também por essas coisas. E o Aramis que concorde comigo.

13 de março de 2011

Porque sou implicante. (s.r)

Devo dizer que o seu sorriso é verde. E também que sua frequência em feeds e mostras de fotografia digital fazem com que eu pense mal de você.
Aproveito pra lembrar que falar sobre amor na Internet é piegas e sem sentido. Que amor na Internet é como os feeds que ficam em páginas não atualizadas. Amor e Ternura estão na moda de tal forma que se tornaram suspeitos e nada espontâneos. Coisas de Neo-Hippies, em outras palavras.
Volto a ressaltar que comida japonesa é Fast Food. Não dá pra dizer "Bora comer um japa" como se isso fosse cool ou cult ou pop ou descolado. Fast Food. Tá provado.
Dê uma volta no Shopping (aquele lugar de consumo, você chama) e repare: Japas em excesso e com kombos à lá o original Mc"Donalds.
- número 1, por favor
- 6 salmão skin e 3 sashimi atum, confirma senhor?
- confirma.
Entre outros detalhes, lembro que:
a vibe oriental não é natural;
natural, de natureza, não tem nada de bonzinho porque na natureza, essa coisa supervalorizada, reina a cruel lei do mais forte;
achar que um índio é uma pessoa boa por ser índio é como a Regina Casé que inventou que qualquer coisa da periferia é ótima por ser da periferia - o nome disso é preconceito;
o cinema americano ainda é o melhor cinema do mundo, mesmo que haja um esforço muito nobre do cinema nacional.
Então encerro aqui e deixo a dica: você é comum e todo seu lance alternativo vem daquilo que você nomeia de ilhas de consumo. E até aí tudo certo. A gente vive num mundo de merda que, querendo ou não, nôs influencia. O que não dá e pega mal e achar que você tem autenticidade. Simplesmente porque ninguém que seja autêntico fala por aí "sou atêntico, sou autêntico."
E muito menos "ilhas de consumo".

27 de fevereiro de 2011

Domingo-Oiés.

Meus planos são ótimos. E, agradecendo ao bom Deus inexistente, devo dizer: rio de mim mesmo e me sinto bem de maneira geral.
Não que tudo esteja ótimo e perfeito, não que eu não tenha ataques de pelanca dia sim/dia não, não que eu ache, como o mais alegre dos cegos, que tudo vai dar certo.
Meus planos são ótimos porque são planos. E porque, como todo plano, conta que haverá futuro. E, também como todo plano, vê o futuro melhor do que o presente. Simplesmente porque é assim que é: ao pensar no futuro não pensamos nas merdas, mas nas glórias. E é assim que deve ser. (Que ter planos pra pior seria o cúmulo da imbecilidade arrogante que, por tanto se levar à sério, crê ser a Realidade, R maiúsculo).
Então rio e sorrio e até gargalho. Planos! Que beleza!
E estou satisfeito com eles. Contra meu riso, devo dizer: são planos práticos e, razoavelmente, objetivos. Não são afetados nem pretensiosos, são planos cheios de cotidianaria e cálculos simples. Soma e diminuição: simples.
(Então separo os feijões. Cada vez mais separar feijões é uma tarefa inútil. É que máquinas separam com uma margem de erro bastante pequena. Quantas pedras se acha em um pacote de 1 kg de feijão preto hoje em dia? Poucas, muito poucas. E é o que é. Até porque, contra nós mesmos, devemos admitir o mundo muda pra caralho - mesmo que a gente insista em separar feijões.)
De forma que: planos, palmos, jogadas de aliteração e risos abafados que gostam de soltar perdigotos impertinentes. E os domingos e o verão do RJ. Belezinha e sono. Seriados americanos, Cinema da Argentina, Teatro de Improviso na TV.
Tá tudo certo, tá tudo ótimo. E as gracinhas, cheias de dengo, continuam a vir.
Resumo: a gente se diverte, né Mirolão?

22 de fevereiro de 2011

Faço as unhas, corto o cabelo e aparo barba e bigode.

Então é assim:
  1. Ou você é cínico ou é equivocado. O cinismo a gente entende e põe no bau idiota que leva a idiota etiqueta: 'coisa de gente'. Mas o equivoco... ah... o equivoco não tem baú e toca punheta com a mão esquerda por supor que, sendo destro, a mão é de outrem. Em outras palavras: lambe-cus só satisfazem imbecis. Ou será que realmente todos meus amigos que disseram 'a-do-rei sua peça' foram superrrr sinceros?
  2. Todo homem é uma criança. Digo: todo homem que inventa um programa com uma mulher é uma criança. Corrijo: todo homem que gosta de mulher e inventa um programa com uma mulher é uma criança. Demora pra ser indiferente ou pra ser amigo de mulher sem, secretamente, imaginar comê-lá. Diria que é questão de tempo e insistência. E com 'insistência' quero dizer uma íntima e solitária lavagem cerebral em que o homem repete mântricamente pra si mesmo diante do espelho: não quero comê-lá, não quero comê-lá, não quero comê-lá...
  3. Ter sucesso é o desejo mais imbecil e comum do mundo. E sucesso, se se pensar na palavra, é uma coisa estúpida e sem sentido. E nessas, a gente (os metidinhos de plantão com blogues e projetos artísticos variados), usa a palavra reconhecimento. Por um lado é decente e soa melhor, por outro apenas ratifica a idiotia dos nossos desejos diários. É um tipo de labirinto, onde os atores, mesmo com bons cachês, sentem-se envergonhados pelo sucesso que fazem.

-

De barba feita

e manguinhas de fora

meu pau precisa

descobrir aonde mora.

14 de fevereiro de 2011

sobre teatro -

Não parece, mas é.
-
Não me infernize.
Deixe-me mais ou menos em paz.
É mais uma reclamação, mais uma raiva, mais uma injustiça.
Que o mundo apenas roda em torno do sol enquanto dá voltas sobre si mesmo.
E imbecis recebem medalhas. E dinheiro.
E a conveniência é um treco que ganhou importância. Ser bem relacionado, se juntar aos bons nomes, participar de festas e gostar de coisas que não se entende é mais importante do que alma, amor, decência ou, no mínimo, capacidade de se comunicar.
Seja simpático, tenha um exército à sua volta e compre imovéis para empreendimentos culturais. É velho. É falso. É uma ''jogada'' que agrada aos que lhe beneficiam. Ser bem relacionado, garantir os amigos, lavar a mão que lava a sua. O equilíbrio social e a condenação à quem fuma, quem bebe, quem gosta de café e também à quem acredita em histórias.
Houvesse justiça e raios cairiam. Porque nem questiono a injustiça que julgo sofrer, mas sim os benefícios de quem, mesmo sendo chato e incompetente, consegue colher flores por ser bem relacionado. Alimenta-se defuntos com homenagens que apenas reforçam que o defunto em questão é um bom nome para se ganhar dinheiro. E dinheiro existe, e dinheiro ganha-se.
Então reclamo. E fico só. E nem quero parceiros pras minhas reclamações.
E mesmo sem acreditar em Deus imagino justiças divinas: um filho viciado em crack, por exemplo. Seria chocante para um ser humano que nem em vícios acredita. Até o arquétipo do desejo de matar o pai, ele nega.... Meu Deus! Crack ou algo que ainda será inventado.
-
Pai Comerciante, Mãe Dona de Casa, Esposa que Nem Importa-se em Ser Corna E Filhos Loiros em Colégios Bilingues.
É disso que se trata, é disso que estou falando. A Morte não é um problema, mas algo à ser retardado. Viver até 100 anos é seu objetivo. E ele conseguirá. Morrerá com 101.
Alma, ele me ensinou, é coisa pra fracos.

1 de fevereiro de 2011

minha visita excessiva.

Certezas estúpidas porque inúteis:
  1. Faltou trinta coisas, mas principalmente amor. Quando se ama! Ah... Quando se ama! Queríamos amor, acreditávamos no amor, desejávamos amor. Mas amor, amor mesmo, é. Não diz respeito a desejo ou impressão. Só um idiota diria: "acho que ele/ela me ama". Amor é certeza sem margem para achismos. A regra é clara: ou amou ou não amou, ou foi amado(a) ou não foi. O amor é real e palpável, não é um UFO que vemos no céu. É, no máximo, o balão à gás que soltamos e chamamos de UFO. Ñão é, definitivamente, um objeto voador não idenfiticado.
  2. O erro também é bastante claro: supôs-me apaixonado e não recebeu as delicadezas como simples delicadezas. Isso deturpa. Põe o tempo na frente sem nem sequer pensar no atrás. Erro. Meu, seu e nosso. Somos (seríamos) um casalzinho cheio desses defeitos que encantam a humanidade. Casalzinho que vira assunto de filme e teses de doutorado. Casalzinho moderno e estúpido como é, enfim, todo casal moderno.
  3. O amor é uma invenção, a gente sabe. O fato de sê-lo não o faz menos real e até o contrário. Leminskão falou disso com bem mais inspiração. Seja como for, digo: o amor é o que sempre foi desde inventado: uma teimosia, uma rejeição ao mundo apenas real. Amor não é o amor de hoje, amor é o amor de sempre. Não é mutável nesse sentido mesquinho de um dia após o outro ou de regar plantinhas. É fatal como uma planta carnívora, dessas que se alimentam de insetos voadores e outros sangues.
  4. Pra me culpar: meu erro é velho. Espero superar o primeiro-idealizado amor. Erro terrível e inevitável: ou você é melhor do que ela ou não é. Se não foi, a culpa é minha. Porque ela é minha e porque nem me deixei levar. Tem a ver com crença. E com teimosia. E, como não?, com insistência. Insistência que seria nossa, assim: por que essa mulher/homem me ama tanto? Resposta: porque o amor existe.
  5. Ao notar que seu afeto se manifestava por patadas e agressividades eu me senti feliz. Ora, eu havia entendido seu afeto. Mas entre entender e topar há um lapso enorme. O mesmo que separa o UFO do balão de gás que eu soltei. Se notei isso e te falei foi pra dizer "deixa disso" e não pra repetir "é um UFO, um UFO."
  6. Meu tesão existe porque você é bonita. Como explicar? Impossível. Mulher bonita é mulher bonita. E ser bonita é ser bela, gostosa e tesuda e, ainda assim, deixar um naco de alma transparecer. É por esse naco de alma que não serei seu amigo, seu bródinho ou seu confidente. E bonita é bom pra mim: sou gordo e pouco atraente. Sinto-me ótimo em desfilar com belezas que me dão ou querem me dar.
  7. Se você acha que o você desse texto é você, eu afirmo: você está errada e nunca entendeu o que digo. Eu falo de mim, apenas de mim. Por incompetência e limitação. E se misturo verdade e mentira é porque também dependo das minhas invenções. Fraquezas antigas e desejos bregas de ser original. Ser original? Sim, como a cerveja que todo mundo bebe e acha ser encorpada. Em outras palavras: uma imagem bem vendida.
  8. O UFO são meus sonhos e sua data de nascimento. Eu gostava daquilo: signos, cadomblés e Jesus Cristo no pacote. Um lindo exemplo de sincretismo, uma beleza mal disfarçada em insatisfação. Sua bela e irritante insatisfação. A gente amava quando queríamos amar e não quando estávamos juntos. Era inocente, pensando bem... como se amor fosse apenas desejo de amor.
  9. Pra terminar: o tempo avançando e nós deixando que o tempo passe. Como vítimas, como quem berra "as coisas mudam" sem perceber que a mudança ocorre também por causa da gente. Amor, nosso sonho. Sinceridade, nosso delírio. Erramos porque não houve nós, porque não soubemos de tudo aquilo que seria inventado. Porque, enfim, achávamos que o amor era natural e espontâneo.

15 de dezembro de 2010

óvulo e espermatozóide.

papai e mamãe se matam em doses homeopáticas. é estúpido e pouco eficiente. há que se morrer com elegância: um ato suicida, uma queda no banheiro, uma cãibra de riso que chegue ao cérebro.

os demônios existem e é um fato. as possibilidades são poucas: enfrenta-se o demônio com suas garras e sede de sangue ou ignora-se o demônio como se fosse um brinquedo quebrado. o dêmonio, enfrentado ou ignorado, continuará existindo. o que fazer com o demônio é, nesse caso, a grande questão.

deve-se também tomar cuidado com ameaças que não existem. culpar os outros por mal próprio é tão natural quanto estúpido. se sua vida é ruim, a culpa - se culpa há - é sua. e digo isso sem nenhuma alegria. (adoraria culpar o mundo e os que nele vivem por minhas desgraças. mas o mundo apenas existe e os outros, como nós mesmos, vivem como conseguem e podem).

de forma que dou meu recado: pra mim mesmo, pra atualizar o blogue e também para a família e amigos. a vida é uma tortura lenta e, segundo o marcelino freire, o tempo é longo demais e daí o problema. que se fosse mais curta a vida, as dúvidas e as dores seriam menores. como um namorico que durou três meses e nem chega a afetar a existência.
fica a dica e o desabafo indireto fica também.
o tempo urge e, infelizmente, não há culpados. somos nós, nós mesmos, e toda nossa agonia de ser humano que existe ao longo do Tempo.
os problemas e os inimigos sempre existirão. e, por sempre existirem, devem ser renovados. porque há muita confusão e falta de foco por parte de quem encara os próprios demônios.
via de regra eles são vermelhos, chifrudos e carregam tridentes. também costumam espetar quando você está no caldeirão do diabo.
mas, em defesa dos demônios, eu afirmo: eles são o que são e obedecem ordens que não controlam. a exitência dos demônios nunca impediu que as coisas sigam e surjam, em outras palavras.
há que se parar de viadagem, frescura, demônios, previdências privadas e sonhos de se aposentar a beira mar. como se todos velhinhos fossem felizes, como se demônios pudessem ser eliminados, como se dinheiro fosse o único problema e não apenas um dos problemas.
tenho blogue, escrevo livros rejeitados e faço teatro sem patrocínio. e meus velhinhos? o que andam fazendo?

29 de novembro de 2010

Era sexta, mas poderia ser quinta.

- tesão é coisa pra criança. É simples: basta roçar o pau (ou a buceta, tanto faz) em uma quina de mesa.
Mas ela não me entendia. Dizia que eu nunca tinha tido tesão na vida. Que tesão é foda, que tem tesão que surge do nada e vira paixão, amor e sei lá mais o quê. Ela falava que havia vários graus de tesão. Tesão de amigo, tesão de amor, tesão de primo, tesão de cuca, tesão de... Era infinito os graus de tesão, ela me explicou:
- tipo os céus do Chico Xavier, tá ligado?
Eu não tava ligado. Eu tava bêbado. Eu tava satisfeito de estar ali. Eu queria conversar. Apenas conversar. Eu não queria discutir tesão ou Chico Xavier ou filmes de arte.
Conversar. Tão decente conversar. Um fala e o outro fala. Ninguém prova nada pra ninguém e as horas passam agradáveis entre uma cerveja e outra.
- quero ficar bêbada, cara! quero tomar vodka, cara!
- bebe aí.
- me acompanha?
- nem...
- chatinho você, hein?
Sorri balançando a cabeça. Não entendi nada de nada. Por que alguém que quer ficar bêbado precisa anunciar isso? Por que não querer vodka faz de mim chatinho? O mundo é complicado. Vodka deve ser mais legal pra ela do que pra mim. Vai ver eu sou chatinho. Vai ver eu deveria ter dito:
- pode crer, vodka-bayb.
As cervejinhas me bastavam. Eu não me incomodava dela beber vodka, cachaça ou o que fosse. Eu só não queria beber vodka, cachaça ou o que fosse. Era simples. Deveria ser simples.
- mó caído você não me acompanhar na vodka.
Minha cabeça balançava e eu sorria. Eu pensava que devia sumir, cair fora. Que é melhor ficar só do que ficar numa mesa com um mulher que acha que discussão é o maior barato.
Ela também falava "questões", "contemporaneidade", "geração Y" (ou "X", tanto faz) e, como não podia faltar, "transcendência" e "atitude zen".
Conversar. Apenas conversar. Parece tão decente. Não precisamos foder, não precisamos sentir tesão, não precisamos de questões. Conversar é uma coisa simples, não é?
- o que você não entende é que tudo, tudo mesmo, têm um significado. Não há acaso, há destino. Tudo fala. Seu corpo fala, sua respiração fala. Tá tudo conectado, cara... não há coincidência.
Eu fazia contas. Deveria ir embora assim que a vodka acabasse. Talvez pagar a conta direto no balcão e desaparecer. Talvez dar tchau e levantar. Eu precisava sair. Eu estava satisfeito, já disse. Mas precisava sair, sumir, etc. A saideira e a conta pedida direto pro garçom foram a solução. Sem consultas, sem histórias, sem "caras" e sem "caído" isso ou aquilo.
Vem a conta. Há um milagre no ar, mas ela se esqueceu que coincidências não existem. Ela tá no telefone e é a minha brecha. Deixo a metade do dinheiro, engulo meu copo e faço sinal pra ela de que "vou nessa". Antes dela falar me levanto e me despeço. Sou simpático e digo "até a próxima".
Na rua a vida volta a ficar boa, ter dinheiro pro táxi é outro milagre que ela não percebeu. Tenho whisky em casa e um maço cheio no bolso. Finalmente converso. O taxista é um cara bacana que gosta de música boa e têm uma foto da patroa no carro. Selma, o nome da patroa. Casado há 8 anos e continua apaixonado, ele diz.
- minha mulher é linda, tá vendo? Claro que é difícil, mas eu sou apaixonado por ela até hoje. Amanhã é dia da gente sair. Todo sábado saímos. A gente vai prum barzinho perto da área e fica bebendo e conversando. No domingo a gente almoça na casa dos irmãos dela.
- mas vocês nunca brigam?
- claro que a gente briga, pô... mas olha pra ela... ela linda ou não é?
Mexo minnha cabeça dizendo sim enquanto reparo nas belas sardas que a mulher dele tem. Digo que mulher sardenta é um charme e ele retruca sem nem pensar no que diz:
- não é? E nos peitos então...nossa senhora!!!!
Ele ri e eu também. Saindo do táxi eu solto um "bom passeio com a patroa amanhã". Ele diz que amanhã a coisa é séria, que vão num baile aí e que ele terá que dançar. Ele nem gosta de dançar, mas dança com ela, ele explica.
- as mulheres gostam de dançar, você sabe.
Resmungo um "sei, sei" e dou boa noite.
É sexta. É quase uma da manhã. Subo pra casa e lembro da Selma Sardenta.
Se ela tivesse falado sobre "tesão em sardas" eu teria entendido o que ela disse. Mas ela não falou sobre isso e eu não entendi.
É... devo ser mesmo chatinho.

24 de novembro de 2010

o cretino com asas.

ele voa. e a cada três meses se manifesta. nesse caso, a cretinice é não saber morrer.
morrer decente, de terno, como foi o Seu Batata, pai do Tél. a vida inteira um bebum de chinelos.
mas no caixão a morte decente e formal: terno, algodão no nariz e mãos sobre o peito.
mas o cretino não. o cretino não entende nem mesmo que morreu e que, como morto, deve estar num caixão, desfrutando a paz gelada e inevitável de quem está embaixo da terra.
mesmo lá de baixo o cretino põe suas mãozinhas pra fora. é como um filme de terror b que se esquece do humor que ser 'b' deveria ter. mãozinhas em agonia que se levam à sério.
o cretino é isso. leva-se à sério e nem desconfia da estupidez que lhe é própria e percebida por todos. o cretino é puro e cheio de boas intenções.
ele dança, ele ressuscita, ele multiplica peixes e faz ressalvas sobre suas ações estúpidas. o cretino é sempre sincero e, ainda pior, sensível. ele sempre faz questão de dizer: sou muiito sensível.
quando ele tira férias, ele anuncia: vou tirar férias.
quando ele come sushi, ele diz: comi sushi.
quando ele participa de uma promoção, ele põe o site no facebook para os amigos desfrutarem: www.cretinofeliz.com e, na mesma hora, ele curti a si mesmo.
o cretino sempre curti a si mesmo, além, claro está, de compartilhar qualquer coisa com qualquer um.
quando o cretino morre, ele não morre. porque o cretino é eterno e sempre será. a cada aniversário de morte do cretino haverá uma festa. se há uma chance do defunto-cretino aparecer, ele aparecerá.
o cretino sempre aparece.
além de curtir à si próprio, ele é coerente: nasceu cretino, viveu cretino e morrerá cretino.
e... bem... para o cretino...a morte... - até ela - ... é apenas uma passagem.

10 de outubro de 2010

dora

Assim
e pra sempre.
Sem boca
e sem dente.
-
O humor do Barão de Itararé
e a raiva sempre discreta.
Lições da vida
e outras bobagens.
Há que ser discreto,
há que ser esperta,
há que ver sua própria tristeza,
há que apaixonar
quando o amor
demora a aparecer.
Há que não se confundir facilmente.
-
Eu tenho o meu jeito
e você tem o seu.
Melhor não falar sobre isso.
Eu sei,
você sabe
e também o mundo inteiro.
-
E há milagres no caminho
e excesso de tédio,
também desprezo e raiva,
também rotina
e amor por teimosia.
-
Como se resistência fosse o único sentido do amor,
como se você se chamasse Maria
e eu me chamasse João.
-
Como
se fossemos
apenas
uma música.

28 de julho de 2010

nove.

  1. Aquela língua que se enfiava na minha boca durante a noite me fazia bem. A conveniência mais sincera e mais tola. Lamber. Lamber como os cachorros lambem, igual eu escutava na infância: sabia que cachorro lambe porque não sabe beijar?
  2. Tinha o pau duro. O riso era travado e o corpo era aberto. Sempre o sr. Álcool forjando intimidade e desculpas. Eu me desculpava e ela também. Dois desculpadores lado à lado...parecia tão perfeito, mas nem era.
  3. Falava da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Dizia que só lá havia o mundo real. Eu não sabia o que era o mundo real. Eu pensava: por que, então, na mora no tal mundo real?
  4. A boca pintada de batom parecia um coração. Uma coisa muito linda: eu sendo chupado por uma mulher que nunca havia tomado sol em toda sua vida. Parecia uma grande coisa, mas era bobagem.
  5. Vampiros soltos e amigos que dizem ter parado de usar cocaína. Deus abençoou o RJ, segundo a mãe de um grande amigo. A mãe desse meu amigo, numa foto que vi, tinha, por coincidência, a boca em forma de coração.
  6. Quero a glória, entendeu? Eu disse sim e menti. Ela mentia também. Não queria a glória. Queria era que eu me masturbasse pensando dela. Eu me masturbava pensando nela. Depois entendi: ela se sente mulher quando algum idiota lhe dedica uma punheta.
  7. Essa coisa de reparar com quem fulano anda é bíblico. Por um lado, parece apenas mais um preconceito cristão. Por outro, é o óbvio sendo ululado por um Jesus pintado pelo A. Warhol.
  8. A louca de rua berrava, como quem diz uma pérola: "depois que fechar os olhos, acabou. aproveitem enquanto estão vivos". Até tentei encarar o que ela dizia como algo fodão por ela ser uma autêntica louca de rua. Mas nem deu: ser maluca não a impedia de falar merda.
  9. Arrancar os cabelos e comer a raiz do couro cabeludo. Há uma grande explicação psicológica pra essa patologia. Algo como: no oculto há a ideia de essência. É bacana de pensar isso, mas, cá comigo, penso que só mesmo um cretino arranca os próprios cabelos. Ainda mais se faz isso pra achar o que quer que seja.

10 de junho de 2010

eu mesmo.


Não me foda com suas fodinhas!
Eu não sou o seu amigo saltitante que as vezes te come
e também não sou o garoto da banda -
que acha tudo muiiito intenso e vive "como se não houvesse amanhã".
Eu sou eu.

Chato pra caralho e recluso.
E, por isso,
eu não me meto na vida dos outros.
Então aviso:

ou venha sem dúvida
ou nem me apareça.
Que fetiche por "não sei"
é antiquado e sem sentido.
Lembre-se: meus preconceitos são meus amigos.
Então ratifico:

nunca apareça
ou seja uma deusa.
Se você não pode contemplar
meus delirios de grandeza
é porque você pouco me interessa.
Ser apenas mulher

é o que todas são -
e isso, você sabe -
não me basta.
Prefiro o erro sem fim

que o 'quem sabe , pode ser'.
Prefiro morrer sozinho
do que ter menos
do que,
acho,
posso ter.

3 de junho de 2010

pra dizer e pra ouvir.

E todas essas loucuras que não me interessam. Que acho falsas, que sou chato e sinto vontade de morder. Que falta alma em tudo e quase todos. Que preciso de uma boa foda, que não invento novos amigos e não consigo foder sem um mínimo de ternura.
E também não acredito. Não mesmo. Tua cara enorme e desesperada. Você, você mesma. Seus olhos confusos que nem sabem quem é quem, o que é o que, que ainda acham a pergunta uma grande virtude. Você-perguntadora-maluca. Porque assim facilita.
Garotos saltitantes que te agradam, que lhe fazem elogios idiotas e convenientes, que te comem como os coelhos comem as coelhas. Você coelha dentuça facilitando as coisas e criando falsas profundidades. Como se profundidade fosse uma matemática de desejos saciados e rápidos. Como se masturbação significasse alguma coisa. Como quem diz: conheço meu corpo porque toco siriricas.
É velho, é bem velho. É caído e antiquado. Usurpar o corpo como maneira de libertação. O recalque masoquista que só compreende o prazer como alivio da dor. Que não vislumbra a foda perfeita e o orgasmo fatal, que só entende o prazer como resultado da dor.
Praticantes de fistings e merda do tipo. Gente saltitante que berra a força do presente. Como se o presente fosse explicação pra algo, como se existisse, como se o presente, assim que consciente, não virasse o passado.
Discursos articulados para comer bucetas que gostam de misticismos. Eu toco punheta e nem pretendo ser feliz. Eu não falo de cháckras e tempo presente pra te agradar. Eu sou chato, eu sou chatérrimo. Gente que salta é sempre mais divertida, não há duvida.

30 de março de 2010

A verdade é que sou cristão.

É uma gente muito chata.
E, pensando bem, não quero fazer novos amigos. Basta o orkut, o facebook e sua horda de solitários. Eu tô ativo lá e, portanto, também sou um solitário. Se não desejo novos amigos é apenas porque não quero e nem acredito.
Ah!, esses amigos intensos de meses. A intensidade cheia de carinhos infinitos porque tem prazo de validade e passagem de volta marcada. Assim é fácil. E fácil nem sempre é bom. Assim como o difícil não garante nada.
O mundo tem mais sutilezas do que o não e o sim - pra minha desgraça.
Seja como for, eu volto. Eu mesmo, meu terror e minha glória, o único que posso ser. O que, infelizmente, jamais me impediu de fazer merda ou de mentir. Eu mesmo - meu egoísmo sem se importar com fidelidades de conveniência.
Repito: é muita gente chata.
Quando decido por mim e meu umbigo é isso: chato por chato, sou mais eu. Convivo há 28 anos comigo e sei da minha própria chatice. Eu driblo, sou goleiro e artilheiro ao mesmo tempo. Bem melhor e bem menos desgastante. Nada de procurar sentido em frases ditas por outrem.
(Ah, a liberdade. A liberdade e sua ilusão. Discursos sobre liberdade que provam o contrário. Ah, o grito. Comovente e frágil como todo grito. A força do grito provando o contrário. O grito de verdade deveria ser mudo. Ah, o amor. O desejo dele e a confusão. Ama à alguém ou ama ao amor? A incapacidade de amar revelada em números 'eu te amo')
-
Tô lendo M.M e acho que ele me faz mal. Entendo toda raiva e desilusão que M.M sente. Como se me soprasse verdades antigas.
A gente é um cuzinho muito medroso. Inventamos desculpas pra enfrentar o tédio, a morte e as dores em geral. Como se houvesse pau - ou buceta - capaz de trazer a redenção. Como se houvesse redenção.
(E vislumbro que os neo-modernos considerarão "redenção" uma simples invenção católica. Garanto que me acusarão de tacanho e moralista. O que os neo-modernos não entendem é que a "invenção católica" não inventou nada que não existia, apenas se aproveitou das loucuras e pavores que já rondavam nossa espécie. Assim como não entendem que, dentro do cérebro, a invenção e a realidade acionam as mesmas áreas.)
Então leio ainda mais o M.M e o acompanho. Seus caminhos tristes e sua falta de auto indulgência. Ele é um cara cruel, é óbvio. Mas também é cruel consigo próprio. Ele cospe na própria cara e sofre com/por seu próprio cuspe. Há qualquer coerência nisso que me encanta.
E sei que me engano aqui também, mas tanto faz. Melhor se enganar do que mudar quem você é por ter medo de se enganar. Que a enganação seja inteira e completa.
Mentira boa é longa e bem elaborada. Tende, inclusive, a ser confundida com a triste verdade.

21 de março de 2010

loucas e adoráveis, eu digo.

Pensam e falam muito.

Meu Deus! Quem é que entende?
Nem e nunca. Mistérios.
Deve permanecer isso: mistério.
Querem ter controle de tudo,
querem saber de tudo.
Querem entender o que não se entende.
Tímido e minoritário, arrisco:
- é impossível entender um homem e uma mulher quando decidem ficar juntos.
É o meu máximo,
é o que posso falar.
Elas tão em bando e elas têm razão.
Mulheres do século XXI são muito articuladas
e conscientes
quando falam sobre seus problemas.
Arrisco de novo:
- tão fácil nos manipular. Se sabem disso pra quê fazer de conta que não sabem?
Mas quem sou eu ali?
Meu pau duro não vale 6 clitóris acordados.
Ouço e ouço.
Não me arrisco mais.
Mas, cá comigo,
ainda me pergunto:
- por que sendo tão espertas elas não fazem aquilo que caso fizessem resolveria todos os seu problemas?
Mistério, mistério e mistério,
eu concluo e desisto:
é melhor assim.

13 de março de 2010

nenhuma ameaça lá fora.

Saquei os movimentos daqui de fora. Pensei por que fiz distinção entre o último e o penúltimo. As coisas que interessam são sempre poucas sempre poucas. E olhei pela janela e vi o rapaz: ululava o óbvio com uma cara simpática e semi suja. O legal descolado visto nas festas alternativas e nos cinemas do unibanco trajando casacos listrados e retrôs. Lembrei do lance da persona que li esses dias. O risco de se confundir com a imagem que se projeta.
Me lambi mais um pouco e fiquei olhando as paisagens: casas de hippies, ladeiras de Santa Tereza, móveis rústicos herdados pelo avós italianos e garotas lindas que imitam pin ups. A flora repetida do popcultmoderninho. Gente parecida demais.
Como explicar?
Minha vaidade é ser amigo de A, por exemplo. Ele usa camisas de gola, calças vermelhas e dança nos sambinhas da Lapa. E a gente se encontra pra beber e falamos por horas. Eu volto bêbado pra casa e ele vai pro seu sambinha. Nôs damos bem, mas não somos cópias um do outro.
Nas paisagens que vi era tudo muito colorido e encantador. Belos sorrisos, euforias imensas e amigos íntimos feitos há duas horas atrás. Todos, sem exceção, com casacos listrados e retrôs.
Por isso me acalmei. Prefiro outras paisagens. Com mais decadência é certo, mas também com mais mistura e resquícios daquilo que chamo de alma.
Alma é um treco que se inventa e se desenvolve. Alma não nasce com a gente. Como diz o Tio Jung: ter alma é a ousadia da vida.

5 de março de 2010

3, 2, 1.

1 -
Os caras tão atrás do seu pózinho. Tudo certo. A gente tenta se divertir como pode. Se não consumo pó é apenas por falta de habilidade pra lidar com traficantes. Acho eles chatos e pegajosos. Não é uma gente direta, que faz negócio e pronto. É uma gente que sempre te supõe como amigo de infância. Um inferno.
2 -
O carro é pequeno e cheio de vidros fumê. Impossível perceber quem está dentro. Para, confere e anda. Depois da uma ré e liga o pisca alerta na frente do prédio. Sai um e põe um tipo de papelão no porta malas. Playboy perfeito. Cabelo, roupa, o estereótipo quase irreal. O amigo sai e o ajuda. Playboy perfeito também. Dois playboys perfeitos, uma dupla e tanto: um preto e outro branco.
Demoram horas. Conversam sem entusiasmo. Entram e saem do carro.
A piranha 1 desce. Não lembro de ter visto a fuça dela no prédio. Usa uma blusa que brilha e mantém o sorriso estúpido das piranhas tristes. Papos e papinhos sem nenhum entusiasmo à vista. A piranha 1 usa seu celular cor de rosa e está de saia jeans - mal tesudo que me excita nesse tipo de piranha.
A amiga, piranha 2, surge. Não sei se do prédio ou da rua. O modelo é parecido. As duas são uma, ainda que os cabelos sejam diferentes. Mais papos e papinhos sem entusiasmo e entram no carro.
Uma-atrás-outra-na-frente. Esquema armado e sei lá pra onde essa gente vai.
Boate? Sambinha? Bar com música ao vivo?
Tento pensar onde eu levaria uma mulher que usa blusas que brilham. Se fosse só ela, levava num restaurante Japônes - um tiro certo e óbvio, mas que sempre cola. Comer Japa tá na moda.
Mas nessa coisa de duplinhas eu estaria fudido. Não sairia nesse esquema, é a minha conclusão. Mesmo que me custasse uma buceta a menos eu não saia.
Será que me falta o carro com os vidros fumê?
3 -
Em um só dia o inferno e o céu.
Acho que isso acontece com todos, mas não consigo achar normal.
É um intervalo muito curto pra pensar tantas e tão diferentes coisas.
Picos de euforia plena com picos de confusão extrema. E tudo misturado e permeado com a mesma frase-refrão que digo a mim mesmo: te acalma, te acalma, te acalma.
E passa e volta. Como um diabo de estimação por quem se tem muito apreço.
O céu e o inferno, eu repito. E pobre daqueles que não acreditam nem em céu e nem em inferno.
Tanto um quanto o outro estão logo ali. São ideias-potência que merecem ser frequentadas.
O céu ou o inferno não são ruins ou bons, mas existem. Basta ir até um deles e perceber o quanto eles te atingem. Para o bem ou para mal. E tanto faz. Tanto faz mesmo.
O céu e o inferno são apenas dois lugares.
Não são quem você é ou o que você quer. São lugares que recebem visitas. Como a boate, o sambinha e os carros com vidro fumê.
E, os visitando ou não, eles não deixarão de existir.

17 de fevereiro de 2010

Pra ver e pra ouvir. Meus números.

1 -
Pra lembrar de nostalgias antigas e chorar.
Porque sempre choro com os filmes americanos, mesmo quando não consigo soltar as lágrimas.
Tenho que confessar que acho os filmes americanos uma coisa impressionante.
O último eram dois irmãos: ela com um filho de 8 anos e ele sem ninguém e se aventurando pela vida afora.
A história do filme é o tempo que ele fica com ela.
E é bonito à beça. E triste também. Triste e cheio de beleza, eu diria.
2 -
Mas nem é disso que eu quero falar.
Quero falar dessa coisinha chamada mundo e do qual, as vezes, eu sinto falta.
Porque tenho uma capacidade pra me isolar que é quase incrível. Mas minha mãe diz que não é saudável e eu confio nela.
Mãe, a gente sabe, mesmo quando faz merda, quer o bem da gente. E é por essas que mãe é imbatível.
3 -
Mas volto?
A atual foto dela tá bem mais bonita do que ela era. Me pergunto porque. Tento entender o que faz com que ela seja mais atraente hoje do que era a 2 anos atrás. E o mistério é quase misterioso até eu lembrar que agora ela namora.
E, como namora, agora ela é mais segura e calma - coisa que não era. A ironia é que na época em que em que ela era minha, eu pensava: ela precisa namorar alguém para saber que pode ser amada.
E ela soube e tá mais bonita.
Faz sentido, mesmo que eu não seja mais o cara que tem direito à suas carnes. Uma pena.
4 -
Devo dizer:
Mania de escrever é terrível. Pensa bem. É só ver eu aqui. Estou quase tarado e quase doente. Escrevo apenas por compulsão, como é com o álcool e com o cigarro. Jesuisolhosazuis, onde vamos parar?, é a minha pergunta engraçadinha, mas sincera.
5 -
Na verdade queria escrever sobre a guria de 4 pálpebras, mas acho melhor não.
É que ela me disse que lê menos o meu blogue agora pra me deixar mais a vontade.
Eu entendo. Eu acho até bonito.
Mas, na verdade, eu nem entendo e nem acho bonito.
É que eu prefiro mulheres obcecadas por mim. Eu funciono melhor assim. Simpatizo quando as loucas gostam de mim por motivos que eu desconheço.
Como se o milagre só existisse em territórios estranhos.
6 -
Sei que, em última análise, é uma pulsão boba e infantil, mas fazer o que?
Ainda não me contradisse nesse aspecto, pelo menos.
Repito que prefiro assim.
É como posso marcar meu território já que eu não sou o cão-macho-fodedor que mija nas paredes e reza pra que o cheiro do próprio mijo seja reconhecido pelas fêmeas quase, e apenas quase, perfeitas.
7 -
A saudades é um tapete de grama verde num domingo de sol.
Isso não quer dizer que eu lembre de um dia, ou de uma grama, assim.
Quer dizer que eu acho que saudades é isso.
É como eu tento entender a saudades.
E veja, saudades mesmo, só sinto de uma coisa.
E essa coisa tem um nome que não digo, mas que era a coisa mais estranha e louca que eu sentia por ter certeza que essa coisa existia.
8 -
Independente de tudo:
as simpatias ainda são feitas por pretas feias e cheias de espírito.
A conta de 2 mais 2 só funciona no primário e ainda
prefiro choros do que sorrisos.
Por motivos que mesmo eu, pleno e arrogante, desconheço.