14 de julho de 2009

Ah, um dia após o outro até o fim.
E quem é que dá conta disso? Eu que não e eu que nunca.
Depois da raiva plena um coisa fantástica via e-mail e que nem caibo em mim. Como se só fosse aquilo, como se Deus fosse real e dissesse: é isso aí!
E vamo-que-vamo-no-vai-que-vai. É bom ter ódio quando o ódio pinta. É bom saber que o ódio pode acabar via e-mail.
Como se fosse simples assim.
Como se em si coubéssemos.
Que seja:
Minha ternura esparramada a partir de um e-mail:
O ódio se foi e nem se lembra de que porque motivo veio.
Com apenas 4 horas de diferença o mundo pode ser outro:
ter calma no momento ruim é sempre pra esperar o conforto.

13 de julho de 2009

Essa raiva que me consome e que não tem nenhum sentido. Porque eu poderia morder os canalhas e chutar os cretinos, mas não mudaria nada: os canalhas continuariam como são e os cretinos talvez até piorassem. Mas dar vazão ao ódio me parece saudável e precioso. Questão de estar vivo e de ser capaz de sentir as coisas. É nessas que não compreendo quem está sempre feliz ou sempre triste ou sempre mal humorado ou sempre sorridente. Falta ser atravessado, mas não atravessado assim, como quem quase cai, mas não cai, como quem quase voa, mas não voa. A derrota tem que ser total e profunda, assim como a glória quando a glória vier. Porque ela vem, e também vem a derrota, e ficar passando de uma pra outra com a mesma cara blasé e prendada é fazer de conta que você não tá no meio do turbilhão doente, louco e encantador que é a vida. A vida sim. Sempre a vida, só a vida, o único assunto. Então que seja o ódio e a raiva de agora, mesmo que sem sentido. Querer sentido é diferente de saber, e as vezes sofrer, pela falta de sentido que nos ataca quando temos da vida uma ideia de grandeza. Porque querer ser melhor não é ser louco, porque ser louco não é bonitinho, porque jogar dados só tem graça quando se aposta muito. É fácil perder ou ganhar quando se aposta pouco. Nem muito rico e nem muito pobre, a média morna e fedorenta que acha que o ser humano deve ser de ferro e/ou estável e/ou ponderado e/ou seguidor do caminho do meio. Só idiotas no caminho do meio, lutando contra as coisas que podem lhe abater. Esquecem-se que ser abatido é parte da aposta e pode ser um prazer imenso e fodão: nada desse roçar de grelos, nada dessa punheta auxiliada por sites pornográficos, nada desse riso causado por cócegas, nada desse mar sujo de copacabana, nada de fazer sua parte e se sentir bem. Nada dessas coisas que evitam a dor, mas que diminuem, na mesma proporção, a chance de prazer imenso. Desses que dissolvem o ego, desses que despertam a besta fera que carregamos dentro de si. Porque as explosões devem ser doloridas, mas são reais e criam universos carregados de potência infinita. E é para o infinito que se deve caminhar, mesmo sabendo que o abismo será inevitável.

12 de julho de 2009

uma forma de adeus.

Meu bom Jesus arrota com a graça de Deus Nosso Senhor.

Não espero milagres, mas quero ser capaz de reconhece-lôs. Como quem vê de longe e que, por isso, tem o privilegio de primeiro ver e depois pensar. É estúpido achar que o milagre, além de milagre, é surpreendente. O milagre não acontece de uma hora pra outra. O milagre-é-um-milagre-é-um-milagre pelo impossível que ele carrega e não pela sua velocidade de acontecimento.
O combinado me parece claro: o milagre é cultivado, mas quando surge é maior e mais inviável do que havíamos imaginado.
Só dessa maneira, pra mim, o milagre terá sentido.
Antecipar o milagre é fazer dele estratégia. E estratégia é coisa de guerra e não de amor.
(27/08/07)*
* texto antigo que gostei. título e sub-titulo inventei depois de reler.**
** é que agora sou uma pessoa séria e cronológica.

ONTEM UMA PEÇA RUIM E HOJE UMA PEÇA CHATA. SOU MAIS A DE ONTEM: PREFIRO UM RUIM AO CHATO. SEJA ALGO OU ALGUÉM. CHATOS ANDAM EM GRUPOS E SE PROLIFERAM. IDENTIFIQUE UM CHATO PELOS CHATOS QUE O RODEIAM. É UMA APLICAÇÃO LÓGICA, MAS NÃO IMPLACÁVEL.
SEJA COMO FOR, PRO RUIM HÁ ESPERANÇAS.
MELHORAR É POSSÍVEL AO LONGO DO TEMPO. JÁ O CHATO, NESSE SENTIDO, TEM ENORMES DESVANTAGENS. ATÉ PORQUE O CHATO, AO SER RODEADO POR GRANDES TURMAS DE CHATOS, RECEBE MUUIITTOSS ELOGIOS E SE SENTE MUITO-BEM-OBRIGADO.
O RUIM PODE MELHORAR, EU REPITO.
E ME PEGO PENSANDO QUE:

  1. - fazer força não é ser forte.
  2. - olhar pra frente não é ver as coisas.
  3. - saber de si não é uma solução.
  4. - chorar pelo leite derramado pode ser sinal de inteligência.
  5. - ter esperança é uma convicção possível e bela.
  6. - achar que convicções são ruins é não entender a imensidão do homem.
  7. - nunca mudar de convicções é estúpido.
  8. - ter boas lembranças de tragédias não melhora nem as lembranças e nem as tragédias.
  9. - sorrir pra desconhecidos é mostrar os dentes pra otários.
  10. - abraçar o mundo é achar que o mundo cabe no abraço.
  11. - resolver milhares de coisas por dia não é necessariamente viver.
E ISSO E AQUILO E MILHARES DE COISAS QUE ME DÃO PRAZER, MESMO QUE PELO LADO ERRADO: COMO VER UMA PEÇA RUIM OU CHATA.
GOSTO DE TEATRO, POR ASSIM DIZER. ASSIM COMO GOSTO DE GENTE, MESMO QUE ISSO NÃO INCLUA O MUNDO INTEIRO.
TEATRO BOM EXISTE E GENTE PRA SE GOSTAR TAMBÉM.
TODOS NÃO INTERESSAM E TEATRO NUNCA É A MELHOR GARANTIA DE DIVERSÃO.
POR ISSO, E PELO PRAZER, EU DIGO:

- O PEITO ABERTO E O PRECONCEITO NO GATILHO. MUDAR DE OPINIÃO NÃO É O GRANDE OBJETIVO, MAS FAZ PARTE DA JOGADA.

11 de julho de 2009

então digo:

  • me comovo facilmente e bato palminhas. é bom isso: a fase, o pode ser. a esperança berrando porque é o que ela sabe fazer.
  • a esperança é limitada e sabe disso: logo será trocada e aproveita.
  • eu vejo sempre distante porque é esse meu estilo e, por que não?, minha desgraça. e digo pra mim mesmo: 'calma lá, rapazinho, desconfie sempre porque essa é sua regra'.
  • contrariar a regra é bonitinho, mas é estúpido, não é?
  • menos idiota que a média tem sido minha ambição. parece decente e palpável.
  • o que não quer dizer que meu tropeço não seja enorme e meu vómito nem se fale.
  • mas é assim: menos idiota ao longo do tempo. é bom e confortável. hum!
  • gracinhas variadas e pops. meu momento de adaptação e idiotia consciente.
  • berrar é um estilo que respeito e sigo. como se fosse só isso.
  • a vantagem de estar só é que os demônios são íntimos e velhos amigos de infância.
  • sempre eles: com ternura e chifres, entre pesadelos e delírios.
  • beleza enorme e sem sentido. me calo porque ainda tenho bom senso.
  • coisas belas e surpreendentes me fazem idiota e feliz.
  • é bom saber disso: idiota e feliz ao mesmo tempo.
  • chega chega e vamo que vamo. hum, eu repito.
  • ai, que agora vai, ei, que agora pode, ufa, que tudo acaba, eita, que a merda assusta menos do que antes.

10 de julho de 2009

é uma beleza
esse suor
que as vezes se faz:
seja pra melhorar a vida,
seja pra cagar em paz.

8 de julho de 2009

  • - pra mim mulher tem que ter pele bonita. Pode ser até feiazinha, mas a pele, ah...a pele tem que ser bonita.
  • - o bom não é ganhar muito, é gastar pouco com remédio.
  • - ela tava fora de si, dizia 'eu te amo, eu te amo, eu te amo'.
  • - eu não vou falar pra ele aquilo que eu sei que ele não gosta. É estúpido.

6 de julho de 2009

Tenho blogue há algum tempo. E gosto. Gosto mesmo. Fez com que eu escrevesse mais, fez com que tivesse pretensão literária e os cambau.
Ter blogue, nessa coisa de internet/orkut/msn, é parte da jogada. E mesmo que eu não jogue sempre, eu gosto de jogar.
A coisa blogue surgiu como princípio de diário virtual. E, mesmo tendo se expandido, pra mim, ainda hoje, um blogue bom mantém isso. O que não quer dizer que lá no meio, e de vez quando, o blogueiro não ponha suas asinhas de fora. Sejam grandes ou pequenas. Tanto faz.
Blogue, pra cagar uma regra, prova que tamanho não é documento.
E tudo isso porque hoje escrevi um textinho em papel e caneta que resolvi não transcrever aqui. Porque aqui, num blogue, poderia parecer uma coisa outra e que nem seria o caso. E isso é uma das peculiaridades brutais de um blogue: ele será lido, mesmo que apenas por sua mãe ou seu melhor amigo, ele será lido.
E nessas de saber que x ou y lerá, eu resolvi que hoje, apenas hoje, não era o caso de por esse textinho aqui.
Não que seja um texto grandioso ou coisa do tipo, mas apenas porque soará como recado pro meu pai ou pra minha mãe. E nem é esse o caso.
Então deixo esse textinho de papel pra depois e escrevo isso.
Porque tenho a coisa de diário e porque acho divertido.
É mais simples e evita constrangimentos. Ainda não estou na fase de mandar recados, afinal.
Beijos de orkut ou saudades de Msn é um apenas um jeito prático de encerrar a questão.
E praticidade nunca foi meu forte.

5 de julho de 2009

4 de julho de 2009

Os olhinhos pequenos e apertados dentro da cara gorda. As duas mãozinhas, gordas também, esticando os dedos pra pedir mais. Os bracinhos curtos e retraídos. Os olhinhos muito pretos, a pele muito branca e a boca vermelha-exagerada de batom com cheiro de morango. Uma porquinha à pururuca, deliciosa e bem assada.
Tudo isso servindo dois, e por apenas 60 Reais.

2 de julho de 2009

disso e dessa: a calma feliz.

Agora sim.
Devagarzinho: as bordas me comendo pelas beiradas.
Como deve ser, como acho bom, como acredito que proceda.
A euforia foi abanada sem pressa. Dia após dia com um abano insistente de uma única mão. Só a esquerda.
Apaguei e morri. Sentia-me ótimo e morto. Morto era ruim. Mas era e era mesmo. Morto sem esperança de ressuscitar.
Morto e livre: cirandas feitas em torno de um carrossel de cavalos de plástico.
Nunca imaginei cavalos de verdade. Eles eram de plástico e tinham aqueles olhos enormes e pintados de tinta vagabunda. Já estavam desbotados, mas, mesmo assim, me impressionavam.
Mas agora tem essa turma aí: juntando-se de novo pra tentar achar um milagre. A chance de dar certo é a mesma de dar errado. 50 a 50 avisados com antecedência. Sem enganos e enganações.
Mais uma vez um monte de coisa.
Talvez seja essa, talvez não.
O peito aberto não e uma virtude, mas ainda é tudo que posso ter.

1 de julho de 2009

minifisti - A Coisa.

Meus livros espalhados me consolam.
E me sinto como me sentia há 5 anos atrás,
quando acordava cedo e x me regulava o café antecipando minha morte.
Era só a ternura de x.
Só hoje eu vejo.
E nessa antiga tática reparo como eu sabia viver melhor do que sei hoje.
É assim: três livros na fita.
Como eu não tinha muitas 'obrigações', eu lia.
E ler, pra mim, é ser ativo.
Sinto - me radiante quando leio 100 ou 200 páginas num dia.
É algo que me basta, mesmo que seja inútil.

Há 5 anos atrás eu nunca questionava isso.
Era bom e útil ler, eu sabia.
E lia e lia.
Hoje leio também, assim como também não tenho muitas 'obrigações',
mas é uma diferença brutal.
Porque antes A Coisa era e tinha horizonte azul e de sol.
E hoje A Coisa pensa e faz contas querendo ser útil e eficiente.
Como se A Coisa pudesse ser premeditada e medida,
como se A Coisa tivesse que ser socialmente responsável,
como se um plano de marketing ou a auto promoção pudesse dar conta d' A Coisa.

Mas A Coisa não mora nesse lugar de auto controle e qualidade de vida.
A Coisa tá pensando em outros mundos possíveis.
A Coisa não sente culpa e nem tem medo de amar.
A Coisa não quer ser feliz ou salvar o mundo.
A Coisa quer ser.
A Coisa é.
A Coisa tem esperânça em chegar lá.

lá fora
os gritos
são os mesmos.
E aqui dentro também.
Gritar bem
é gritar com a voz que se tem
e não com a voz
que se deseja ter.

Nem bom dia,
nem com licença.
Delicadeza nunca foi
virtude de princesas.


29 de junho de 2009

Lóki - o filme.



Tem coisas que sei que me pegam. Por antecipação.
Quando li sobre o filme O Equilibrista sabia que seria o caso.
Assim como quando li sobre Lóki, o filme que conta a história do Arnaldo Baptista dos Mutantes.
E não deu outra. Fui pego.
Se o filme é bom ou ruim não importa. Se é bom ou ruim nunca importa. Só trouxas justificam suas experiências com 'foi bom pra mim' ou 'foi ruim pra mim'.
E o filme tá lá. Bonito pra cacete. Chorei duas vezes e me perguntei porque.
É um treco bonito ver a vida daquele cara.
Glória e Tristeza, a mistura infernal.
E também o desejo profundo e toda loucura que é querer se comunicar e outras milhares de coisas que sempre ficam estúpidas quando tentamos falar sobre elas.
Tem que ver o filme. Saber, de antemão, se te pega ou não. Ser pego de surpresa parece intenso, mas quase nunca é.
E no filme tá lá aquele quase demente querendo mais do que talvez se possa ter. E o demente é bonito e genial.
E você, na cadeira escura, se comove com tudo aquilo e entende o demente como se você pudesse alcançá-lo.
É bom, é bem bom.
E também é bem bom que eu já soubesse que seria.



  1. Cadelas tristes não latem de alegria.
  2. Você é o tipo de pessoa que sempre reclama do banheiro. Mesmo quando ele está limpo.

em alto e bom som.


Lançando para o ar
a última merdinha
transformada em peido,
penso no quanto,
depois da cerveja,
os gases ganham força:
longos e ferozes,
fieis ao álcool ingerido,
saem do meu cu
para ganhar o mundo.

25 de junho de 2009


de dentro da masmorra, há uma bela visão panorâmica.
Confunde-se alhos com bugalhos principalmente porque ninguém sabe o que é bugalhos. Isso, salvo engano, é uma tirada do Millôr, e faz todo sentido.


É fácil confundir coisas quando uma das coisas lhe é desconhecida.


E nessas a gente faz uma mistura dos diabos e confunde amizade com amor, sorriso com alegria, genialidade com excentricidade, vitalidade com movimento. Etc.


Cá comigo mantenho umas ambições que inventei. São uns potes que eu mesmo coloquei no fim do arco-íres. Pra não andar por aí como se fosse só passeio e aventura, pra não minimizar as coisas graves e terríveis que a vida tem. E também pra não fechar os olhos em dias ensolarados.


Reconhecer um dia ensolarado, as vezes, é uma arte.


E confundir chuva e sol é sempre estúpido. Ainda mais quando se sabe que chuva é chuva e sol é sol.




24 de junho de 2009

rua.

  1. a vitória mais triste é ganhar de fantasmas.
  2. se ela não tivesse buceta, eu nem conversava com ela.
  3. os filhos de Deus falam muita merda. Prefiro ser orfão.
  4. eu só tenho raiva que é pra não ter ódio.

22 de junho de 2009


Palavras doces e ternura imaginada. Não se precisa de muito. Vejo você distante e forte. Como sempre foi, afinal.

Não saber quem você é me acalma. Porque tenho essa tara por alma, e alma, alma mesmo, só se revela com proximidade da carne. E carne, só carne, nunca foi nosso forte.

E também cogito que tenhamos o mérito de não confundir carne e alma com facilidade. Coisa que é mais rara do imaginávamos.

Seja como for, a imagem que fiz pra você é: falando muito com um sorriso na boca num parque durante uma ensolarada tarde de domingo.

Então guardo sem pressa meus delírios e penso que ter 1 ou 2 coisas é melhor do que ser dono do mundo. Até porque o mundo é grande e ser dono de tudo é estúpido e falso.

Preparo minha água quente pro miojo e imagino o horror que isso poderia lhe causar. Porque fiz você assim, acima dessas coisas.

Porque prefiro isso.
Range-se os dentes pela manhã. O café, forte e requentado, cria um arroto azedo e morno. Arrota-se satisfeito, mas sem ostentação. Um arroto quase interno, eliminado com um sopro.
Lá fora, um dia bonito de inicio de inverno. O céu azul e discreto, como devem ser as coisas verdadeiras.

20 de junho de 2009

cls

Ela me pergunta por que eu bebo tanto, e eu pergunto por que ela nunca bebe.
Sorrimos os dois e tentamos entrar em sintonia. Um erro.
Sintonia é coisa espontânea.
Muda - se de assunto. Falamos da vida.
Meu Deus! Falar da vida é qualquer nota, já que vida é o único assunto. Ou seja, ao falarmos da vida, estamos apenas disfarçando mal e porcamente o nosso profundo constrangimento.
Nós dois somos bonitinhos e nos esforçamos. Claro que não vale a pena. Essa coisa de que tudo vale a pena é uma besteira pra quem só faz merda e quer lustrar a própria bosta.
A gente se despede com beijinhos e educação.
Mentalmente os dois pensam em sintonia: roubada do caralho.
-
Em casa, estalando a 5° lata num sábado à tarde, vejo uma foto dela e penso que bater punheta vale mais a pena do que o tudo do versinho.

18 de junho de 2009


os olhos secos,
meu bem,
é apenas
uma imagem
que pega bem.
-
pisca - se mais
do que precisa
e os olhos
têm
a mesma
cor indecisa.
-
até aí
tudo certo
e tudo merda
velha e morta:
o lançe
é o mesmo
que antes -
sentir muito
é coisa
de instantes.
-
a paz,
o domingos me disse,
só é possível
em profunda solidão.
já a alegria,
ele disse,
tem o mérito
da decisão.
-
seja como for
e seja como é
uma que te dá
e outra
que te faz café.
-
cada um
só de si
sabe.
-
se arrepender
é,
muitas vezes,
não
ser covarde.

porre entre coleguinhas


Eu estava falante e satisfeito.
Há dias em que tudo é simples e besta.
E nos sentimos bem e batemos palminha.
Eu era o perguntador maluco
- ou o gordogabriela -
e me sentia radiante e idiota.
Uma maravilha.
É um mistério isso e mais um monte de coisas.
Mistério existe e tá aí.
Só não vê os cegos e sua turma.
Toda
farinha
tem
seu
dia
de
mingau.
Toda
farinha
que
é
do
mesmo saco.

0 à 0

A página em branco e brilhante. Gosto do Bukowski por essas também. Lembro dele falando do computador e de como era bom poder escrever mais rápido e com menos força. Claro que não há o charme da máquina de escrever, mas charme por charme há escritas que querem velocidade. E computador é mais veloz.
Desde que éramos macacos buscamos isso: velocidade. E facilidade também, por que não?
Esse desejo é coisa de bicho. E como bicho, entendemos.
Acho que um dia haverá uma máquina que será ligada direta ao cérebro e que transcreverá tudo aquilo que pensarmos. A gente a acionará e então ela transcreverá a coisa toda. E haverá blogues e twitters disso e será um inferno.
Mas acho que será bem bacana. Até porque escrever, com a mão ou com o pensamento, não é um mérito em si. Talento é real, mesmo que o esforço pegue bem.
Claro que vai ter um excesso de coisas escritas, mas acho que Escritores com Talento terá a mesma quantidade.
Bem, são achismos e tá tudo certo.
É que muitas vezes enquanto caminho 'escrevo' coisas.
E essas coisas que escrevo andando são sempre ótimas até encarar a tela branca e brilhante.
Isso não quer dizer nada. Todo idiota de blogue já sentiu isso. Já criou um texto na cabeça que na tela nem ficou tão bom quanto era.
É sempre um risco.
Que seja.
Sempre é.

16 de junho de 2009

Era o que era.

Lá estávamos nós: eufóricos e contentes por ver mulheres nuas.
Era o terceiro puteiro da minha vida e no máximo o quinto da vida dos meus amigos. A gente tinha 20 anos ou pouco mais. Até tínhamos trepado, mas assim, sem convicção e sem alma.
Ainda achávamos que qualquer xota que permitisse nosso pau lá dentro poderia se tornar a mulher das nossas vidas. Apaixonar-se por uma buceta é bem mais simples.
E tinha umas 30 mulheres nuas naquele salão. Sobrava mulher. De homens, nosso grupo de 5 e 3 duplas que nem sequer batiam palmas após o show das garotas. Um absurdo.
A gente era barulhento e feliz. Comemorávamos cada empinada de bunda com uivos verdadeiramente sinceros. Aquelas mulheres mostravam o cu sem fazer firulas. Eram mulheres simples e profissionais, gostavam dos nossos uivos porque sabiam que éramos inocentes e felizes.
Eram umas 30, eu repito. E na média eram boas. Ou de corpo ou de cara. Umas 10 com corpo e cara boas ao mesmo tempo. Quase um milagre.
E como nós éramos o grupo mais animado e mais gastador, elas conversavam e dançavam apenas pra gente. Éramos 5 reizinhos gordos com 30 fêmeas. E o mais surpreendente é que elas deixariam a gente colocar o pau nelas. Bastava pagar.
Mesmo já tendo estado em puteiro antes, eu não havia, até então, entendido isso. Era simples: 40 na caixinha e pau dentrão!
Era um milagre. 40 não era muito. E pau dentrão, nessa época, era bem mais complicado.
(...)
-
Porque fui num puteiro e vi um grupo que se divertia a valer. Eram 5 e tinham 20 e poucos anos. Eles presenciavam o milagre que eu observava e entendia. Ter uma bela buceta por 40 (hoje 70), é sempre milagroso.
Eu acho,
continuo achando.

15 de junho de 2009

o tacanho com roupas coloridas.

O que me sobra é raiva e o desejo de rasgar algumas carnes com os dentes. Não quero proteger animais e não acredito na força do pensamento positivo. A gente caça o que a gente não tem. Estamos numa selva muito mais complexa do que as de antigamente. O desespero ganhou estatus e virou estilo, como se a loucura e a depressão fossem doenças convenientes para participar da modernidade. Então pega bem ser depressivo e louco.
E nessas milhares de blocos e ongs se organizam para promover festas tristes onde celebram essa suposta alegria e desespero. Como se o movimento fosse uma energia vital e como se o fazer muito fosse um preenchimento eficaz.
Os neo hippies, os neo nazis e os eco chatos ganham força através de um discurso de quarenta anos atrás. A merda velha é engolida em restaurantes lounges.

13 de junho de 2009

s/r

Depois de 1 ou 2 dias você chega a conclusão fatal:
os urubus querem a carniça
e oferecer carniça é prazeroso e doentio.
(Ninguém duvida da liberdade de um Napoleão de hospício)
Lá fora, as crianças choram como sempre choraram e chorarão.
É decente crer em destino.
É normal se apegar as próprias crenças.
A sobrevivência é necessária, mas não chega a lugar nenhum.
Os fortes sobrevivem. Sobreviver é virtude dos fortes.
Ocupar-se com a sobrevivência é não ter tempo para a inútil beleza grandiosa,
é achar que a merda é ouro por só conhecer a merda.
Sacis acham que ter uma perna é melhor do que não ter nenhuma.
Sacis não quiseram ser Sacis,
apenas nasceram assim.
Eles pulam por falta de opção e não por entendimento.
Achar que um Saci pula porque é feliz é confundir as coisas,
é misturar prazer e luta. É ser estúpido e se achar genial.
*
Sem mais e sem menos
termino isso daqui.
Acredito em Fadas,
mas nunca em Sacis.
É melhor ter asas e não voar
do que ter só uma perna
e crer que pode andar.

11 de junho de 2009

sonho bizarro. de luta. sai de uma ponta do quadrado e destrói as coisas que estão nas outras pontas. na ponta em diagonal oposta, a maior das coisas. uma mandinga, uma macumba, sei lá. chuta-se aquilo em desafio. guerra. luta de poder. embate físico. sem ganhador. afasto o inimigo que antes de sumir me pega pela cintura e pela mão e se apresenta. diz seu nome de preto e usa terno e chapeú - azul?. some. eu acordo.

10 de junho de 2009

Excitamento de cadáveres.






Uma bicha lambe o cu da outra. Não é bonito ou excitante. Mas há uma ternura no ato. Não se trata de enfiar a língua cu adentro, mas sim de lamber, com calma e afeto, as bordas do cu que se oferece para ser lambido.
Lambe-se o cu um do outro. Um troca troca, um ‘primo de bundinha’, uma verdade com prazo de validade. É uma grande loucura tudo isso. E segurar os demônios pelos chifres ainda é uma espécie de dança.
Imbecis não erram, imbecis não se arrependem, imbecis quando erram super valorizam o erro, imbecis berram aos 4 cantos do mundo: - faria tudo da mesma forma!
Imbecis são imbecis.
A roda gigante tem uma fila imensa: 40 min. na fila para 5 min. de giro e diversão. Imbecis preferem a fila, esquecem que estão nela pela roda gigante. Confundem o giro e a diversão com esperar na fila.
A loucura é que essa confusão é real, profunda e concreta. Lembro de uma ótima professora que disse: “quem super valoriza o processo não sabe onde quer chegar”.
Lamber cu é bom, ter o cu lambido é melhor ainda. Mas nada se compara à um pau duro dentro das carnes. É por esse inferno que lambemos os cus.
A roda gigante existe sem a fila.

Mesmo o parque de diversões existe.
Eles estarão lá, com ou sem filas.

9 de junho de 2009


O frio tem alma e faz com que dormir seja um grande prazer. Dorme-se pesado, envolvido por mil cobertas grossas e cheias de lãs dos mais diferentes animais.
Outro prazer imenso que o frio proporciona é cutucar o nariz. O ranho seco e sólido, o trabalho com o dedo e a conquista que sai inteira e pesada, pronta pra ser lançada no chão ou na janela.
Tem também a boa comida e as lembranças da doce P. É só me deitar na velha cama que lembro de tudo. A euforia do se esquentar junto, o pé mais gelado que conheci e aquele riso fácil, que é como uma foto na minha cabeça de tão bem que me lembro.
A pena é a cervejinha, que perde seu charme e seu sentido. Claro que há o whiskey e o vinho. Mas sou um cara de cerveja, por assim dizer.
Acho que o tempo de embriagues da cerveja é perfeito. O whisky é ótimo, mas veloz. O vinho é bom, mas enjoa.
Seja como for, reparo que escrevo menos por aqui. Há algo na solidão que me provoca mais, como se o excesso de mim mesmo me deixasse mais ‘falante’. Sei lá.
E lembro agora do livro da vez. O cara que ta preso é o narrador e comenta que o pior da prisão é a promiscuidade. Promiscuidade não no sentido sexual que usamos hoje em dia, mas na coisa de sempre haver alguém por perto, de nunca conseguir estar sozinho.
Segundo ele, isso é o pior de se estar preso: “numa prisão sempre há alguém do seu lado.”
Faz sentido.
Eu acho.


5 de junho de 2009

¨

Puxação de cabelo pra que? Meu bom deus, meu bom jesus. Tantas fitas, tantas jogadas, tantas habilidades. Um horror. Era uma coisa profissional: bem feita e fria. Alma nenhuma, mas um corpo colossal e brilhante. A voz incompatível, os dentes com pequenas manchas brancas e a casa era a minha, mas de outra cor. Com outra vista.

Aí uma sensação de desmaio e a última visão do copo - como filme: a camêra explicando que havia alguma droga ali dentro. Tenta-se resistir, mas não consegue. A lombra lenta fechando os olhos. O misto de medo e prazer antes da queda.

3 de junho de 2009

é tudo sobre mim.

  1. Mais uma história pra contar.
  2. Há quem ache que isso é uma grande coisa, mas eu mesmo não concordo. Idiotas geralmente são seres cheios de histórias, medem sua vida pela quantidade de histórias que têm e são, como já disse, idiotas.
  3. Eu me comovo mais com aquele velho triste que repete sempre o mesmo causo. Pra mim é o velho triste que entende/entendeu alguma coisa. Ele sim tem UMA história. O resto é aquela gastação de saliva que acredita que ser articulado é ser inteligente.
  4. E ser inteligente é bem mais em baixo.
  5. Claro que ter histórias pra contar é bom, facilita a vida e dá a impressão de que se é muuuiiito inteêêênso numa mesa de bar.
  6. Enganar gente estúpida é fácil. Não chega a ser um grande mérito.
  7. E digo isso porque essa história é uma daquelas que eu vou contar sempre que puder.
  8. Claro que darei meus recados, melhorarei a mim mesmo e, por que não?, até acreditarei na minha invenção.
  9. Mas de qualquer maneira, ainda prefiro o velho que se repete. É aquele papo conhecido de que um escritor escreve apenas um livro, um ator tem só um papel e um jogador um único blefe. Eu entendo, e desejo, essa pegada.
  10. Bem, sem me estender ainda mais, escrevo pra mim mesmo e penso: também sei fazer micro contos. Micro contos é a instituição da sacadinha na literatura. Não precisa desenvolver a escrita, mas sim, e como não?, ter uma sacadinha.
  11. Que seja:

- o nome da nossa prática sexual era amor.
Ela me disse antes de começarmos uma nova amizade.

2 de junho de 2009

pra confortar o imbecil que existe dentro de nós.

*Muita loucura e doença por aí.

Não há muito a fazer. Dia bom dia ruim. A repetição é parte da jogada: as vezes confirma a loucura e a doença, as vezes confirma o encanto e a plenitude.

Não se ganha sempre e não se perde sempre. Claro que essa afirmação não quer dizer que perder é melhor. Ganhar é melhor. Ganhar seja o que for ou de quem for. Querer ganhar também é parte da jogada.

Nesse pacote profundo e desnecessário, eu digo: ninguém consola ninguém. Dor é a prova da solidão e cada um sabe dos seus próprios dêmonios. Minha única recomendação é pra que eles não sejam ignorados. Dançar com dêmonios é uma catequese que busco seguir, mesmo que nem sempre eu consiga.

Fala-se demais, sofre-se demais. A única fuga seria a morte, mas se matar é deselegante e egoísta. "Nunca confie num suicida", eu ouvi uma vez. Ainda acho que é uma boa frase.

Dia após dia até o suspiro final. E que seja um suspiro. E que seja dormindo. Morrer dormindo é bonito e calmo. É um desejo fácil de ser compartilhado.

Mas que da morte, Deus me livre. Viver pra sempre é também um desejo bom e compreensível. Como se as coisas não tivessem fim, como se a eternidade fosse uma matemática e não um sonho. Desejar o impossível é rolar os dados e crer na sorte.

A sorte existe, eu acho. Assim como acredito em destino e amor. É o meu pano verde, por assim dizer.

*apenas pra dizer que isso passa e que haverá uma saída. passar pela saída ou não é uma história completamente diferente e/ou mais cruel do que essa.

quem decide somos nós. mas isso não quer sejamos bons em tomar decisões.

31 de maio de 2009

ouvindo cazuza e pensando em lulu santos. isso não pode ser um bom sinal.
domingo é um dia lento. meus dêmonios são mais fortes aos domingos.
e geralmente os encaro nesses dias. não combinei nenhum almoço, desmarquei a janta marcada e vejo o cazuza no youtube falando que o tempo não para.
o cazuza e o lulu santos têm grandes momentos. a vantagem do cazuza é que ele morreu.
mas nada disso importa.
escrevo uma carta, vejo mais um episódio do seriado americano da vez e faço um peixe que cheira bem, mas que não me dá apetite.
de qualquer maneira é bom saber que a comida tá pronta.
o cazuza tá magro e feio no clipe. a aids era uma doença que deixava as pessoas feias. agora, graças as evoluções da medicina que idiotas acham que é besteira, é uma doença crônica e mais ou menos controlável. melhor assim, né cazuza?
domingo depois de sábado depois de sexta e antes de quinta. reconhecer a profunda tristeza numa pessoa é sempre um experiência chocante. há tristezas que não têm tamanho e que, provável e tristemente, nunca terão fim.
estar errado, nesse caso, é uma esperança.
Arroz,
peixe,
saladinha.
É estranho
cozinhar
sozinho.

30 de maio de 2009

===

Nada como uma bela ressaca pra fazer você pensar na vida. O mau humor lhe provocando azia, a boca azeda de cigarro e a pança proeminente do excesso de cerveja. Você até pensa que isso não é vida, mas é sim e é por aí que caminhamos.
A ressaca melhora quando você estala a lata de cerveja que sobrou da noite anterior. É uma verdade antiga e popular: a melhor coisa pra ressaca é beber uma.
(A verdade não é relativa. Os imbecis que acham isso pedem desculpas por existirem e serem quem são.)
No meio da tarde, com a ressaca provocando peidos realmente fedorentos, você finalmente consegue responder àquela coisa que lhe martelou a cabeça em todo esse processo de loucura e desespero.
A resposta é simples e vem como um raio. Você fica surpreendido por não ter entendido antes. Tão óbvio e tão invisível.
Pra cortar a boca azeda, você masca chiclé e lê um novo blogue de uma garota que parece perfeita pra você: arrogante, genuína, boa de escrita e mais velha.
No sua imaginação semi bêbada você se casa com ela, manda flores e tem direito a sexo anal uma vez por mês.

#*#

Por Deus.
A loucura ocorre as vezes e quase nunca há charme nessas coisas. Copacabana bêbado ninguém merece. Muito assédio de travesti, muita investida de puta. O Rio de Janeiro é os travestis e as putas numa bela paisagem. Cidade linda e idiota. Só o Rio de Janeiro pode produzir essas coisas, como a Lapa: um shopping de miséria e gente estúpida.
Seja como for, há horas em que se deve desistir das coisas. Ir pra Copacabana bêbado é, e sempre será, uma idéia de merda. Travestis e putas podem ficar muito parecidos. Um risco imenso.
No quiosque do calçadão tomo uma saideira. Olho pro Copacabana Palace e pra areia. A diferença é menor do que se pensa. Os mistérios desvendados perdem seu encanto. Bom mesmo é ver o Rio de Janeiro pela televisão.

27 de maio de 2009

[]

um dia depois do outro até a loucura completa.
se pensarmos que no máximo, e com sorte, em 60 anos estaremos todos lá: do lado Dela e finalmente desvendando o último mistério.
por essas é importante gastar bem o seu tempo. aproveita-se como quer ou pode, mas o fato é que ninguém ganha tempo.
perde-se tempo. gota boa ou ruim, tanto faz. gasta-se sempre, independente de tudo.
o lance é não cagar muito sobre a própria vida. uma cagada ou outra faz parte da jogada. dá até um charme.
o risco é confundir merda com ouro e cagar como quem ganhou na loteria.
espalha-se merda e deseja-se fortuna.
deus que me livre.

26 de maio de 2009

enquanto os vizinhos gritam

Lentidão estranha e prazerosa. Quase não me suporto: falo com todos, me dou mal com todos e me sinto bem. Tão bom ninguém dizer que você é maluco, que você tá errado e que tem que melhorar. Meu livro aberto me conforta. Meus arquivos de textos também. Eu era eu em 2005. É curioso comparar datas e inventar coincidências: meu delírio de anjo, meu amor mais perfeito, os gritos que servem pra chamar a atenção de imbecis e, por fim, a manipulação dos imbecis que consideraram seus gritos.
Sem mais, sem menos. Indo bem e cuspindo melhor ainda: minhas gracinhas verbais, minha escrita vaidosa e minha rainha com uma coroa que lhe pesa a cabeça por excesso de ouro.
É bom não acreditar na felicidade. É conveniente ter pai e mãe que lhe apoiam. Se meu grupo é uma pessoa a considero a única pessoa importante.
Nem feliz
Nem triste
pois um ou outro
é burrrice.

blog do solda, série: amigos do peito


25 de maio de 2009

A Maldição do Bem.

Que fique claro. Que sejamos francos. Não por obrigação, mas por prazer.

Porque simplesmente fiz o óbvio. E óbvio pode ser tudo, mas nunca deixará de ser óbvio.

Claro que eu julgo. Meu Deus! É normal, e honesto, julgar! Não confio em gente que não julga! Não confio em quem acha que julgar é feio!

Julgar é simples. E, por que não?, natural.

Requer apenas um mínimo de discernimento: se saímos pro mundo, estamos no mundo e o mundo faz com que julguemos as coisas.

Pode ser um julgamento tímido ou extravagante, tanto faz.

O ponto é que julgar é óbvio - e honesto - na minha não humilde opinião.

Mas essa palavra pega mal: julgar. Julgar. J-u-l-g-a-r.

Lembra -se logo dos chavões que se disfarçam de diversas virtudes:
humildade, beleza, fazer o bem, fazer sua parte, oferecer a face ao inimigo, telefonar pro criança esperança, dar sopa aos pobres, não dizer 'dar sopa aos pretos', não associar os pretos ao crime, não falar preto, mas afro, achar que a suzana vieira é forte, admirar as pequenas ações sociais, valorizar a colheta seletiva, ser contra o desmatamento, crer na função social das novelas, amar ao próximo, participar das passeatas, preservar a água do planeta, fazer sua parte, fazer sua parte, fazer sua parte, tratar todos como iguais, acreditar que todos são iguais, não julgar sem conhecer, não dar esmolas pra não colaborar com a exploração, e por aí vai.

Mas o ponto, se é que há ponto, é que vivemos num mundo bundão. Num mundo onde a omissão virou virtude e a coisa clean pega bem. Tudo muito discreto e elegante, tudo muito sútil e razoável. Mas o clean é frio, a omissão carece de alma e os elegantes apenas seguem têndencias ditadas por revistas ou grupos cult.

Nenhum pau na mesa, nenhuma alma. Nenhum pensamento próprio, apenas sacadinhas e subversões delicadas: o casseta e planeta, as cruzes na areia de copacabana, os vários parceiros sexuais da ivete sangalo, o jô soares e suas meninas, etc.

Bem, o texto está longo e não sei se fui claro.
É mais ou menos assim:

22 de maio de 2009

Sexta Feira. Dia dos loucos. Não saio nem por um decreto.
Estou exausto. Acho que foi essa simpatia toda. Exercer simpatia cansa. Suga.
O mundo lhe suga quando você quer participar da coisa. Talvez seja por isso que alguns escritores que eu gosto tenham sido hostis ou reclusos. Participar da coisa, cansa. Ver é mais tranquilo, você se senta e apenas olha. Como sexo quando a mulher está por cima.

a irmã do imbecil.

O imbecil sorri sempre e tem olhos pequenos. Fala com todos, anda de um lado pro outro e me disse, assim que chegou, que se sentia radiante. Radiante, ele repetiu.
Depois disse sobre seus três projetos de arte e, como não poderia deixar de ser, me convidou pra participar de um deles. Eu aceitei. Patrocínio quase certo. Sou simpático e tô legal.
- Quantas coisas geniais já não foram resolvidas na mesa de um bar? Crianças acreditam nisso. E hoje eu era uma criança. Limitada e dependente, como todas as crianças são.
A irmã do imbecil e eu, simpático e falso, lhe disse maravilhas. Uma moça que fazia fisioterapia. Fisioterapia! Coisa encantadora! 22 anos de idade e já pensando na velhice! Ela tem lá sua inteligência, não é?
Nem bonita nem feia. Faz parta da média. Tem lá seu repertório de filmes cults, leituras convenientes e amores fracassados. Deu pra muitos e amou pouco. Sente que sente: acho que hoje em dia a situação feminina é mais delicada do que era na época do Feminismo.
Ela tem razão. Ela tem - e terá - sempre razão. Eu sou simpático e tô legal e precisando de mulher. Ela é perfeita, pensando bem. Nem bonita nem feia. Peito ok, bunda ok, cérebro ok. Quem sou eu, afinal?
O imbecil interrompe o papo e diz que ela é a única irmã que ele poderia ter. Os 2 são os únicos filhos, então o que ele disse foi uma piada radiante. Eu rio. Sou simpático e tô legal.
Eu sozinho bebo mais do que a mesa inteira. A tragédia se configura e me ponho no meu lugar. Tomo 1 coca, 2 cocas, e continuo sendo simpático e legal.
40 min. e deu pra mim. Não preciso comer uma mulher, mesmo que ela tenha uma buceta e seja fisioterapeuta. Os verdadeiros males do cigarro só um fumante conhece.
Dou tchau pra todos que estão na mesa e combinamos de nos adicionar no orkut.
Pensando bem, hoje eu também estava radiante.

21 de maio de 2009

-

Aquele papo reto e alguma luz no fim do túnel.
Bebo uma cervejinha com meu bom amigo e fico ali, olhando pro lado e reparando na quantidade de gente que passa:
Nerds neo hippies, crianças desengonçadas, bêbados burros, bundinhas claras e escuras, mendigos charmosos, adolescentes modernos, senhoras com gatos em coleiras, etc.
Eu estou no circo, mas agora, e só agora, me sinto um espectador privilegiado. É um mistério, mas tem dias que a gente se sente ótimo e dá bom noite pra todos que passam. Um mistério, eu repito.
E as horas passam rápido e o papo é bom e as visões do inferno nem me afligem.
Volto pra casa meio manco e converso horas com o porteiro.
Antes de dormir ligo o rádio e ouço as noticias. Durmo com a voz do locutor que anuncia alguma desgraça, mas que nem chega a me abalar.
Apenas lembro do Kléber e sua morte sem sentido.

20 de maio de 2009

tricot.

Bem chatinho, sejamos francos. Podia até ser. Mas todo aquele esforço. E o excesso de sorriso. E também a mania de descascar o esmalte com os dentes. E isso sem falar em como é estúpido unhas pintadas de roxo.
Então é melhor encerrrar. Bem rápido, bem fulgáz, como é, como deve ser. Como acontece nessa coisa moderna e pop. Aquela mania que gente burra tem de achar inteligente o que não consegue entender. Como se 2 mais 2 pudessem ser diferente de 4. Ou mesmo o pop e moderno que tem uma sacadinha com isso: quando 2 mais 2 nunca são cinco e explicação é fraqueza.
Podia ser, eu sei. Tudo pode ser, não é? Mas, olha, sabe, nem quero discutir isso. Nem mesmo acho que tudo pode ser. Quer dizer: sim, tudo pode ser, mas desde que tudo seja apenas um 'jeito de falar'. Me desculpe, mas usar 4 vezes 'meu jeito de falar' em menos de 1/2 hora de papo é, pra mim, que sou antiquado e ainda acho que 2 e 2 são 4, uma coisa insuportável e que atesta sua burrice.
Olha, eu também disse isso. A gente diz muita merda. É normal. Não é pecado nem nada. Mas depois de um tempo a gente entende que o que díssemos foi merda e então assumimos. Sem achar que assumir seja uma grande sacada. Apenas dizemos pra nós mesmos: aquilo que eu disse foi uma merda. E de preferência em casa, na paz do próprio banheiro e segundos antes de passar a primeira leva de papel higiênico.

Claro que há sempre um barato pela jogada. Foi legal. Domingo é um dia ruim pra nós e, por isso mesmo, ideal pra que a gente sempre faça isso. Distrai e faz a gente pensar menos na gente mesmo. Todo domingo até o fim da vida. Assim poderia ser, mas só aos domingos. E só por poucas horas. Não é inteligente abusar da sorte. É só meu jeito de falar.

18 de maio de 2009





Ao lhe ver cansada eu me comovo.


Sinto essa estranha atração por mulheres tristes. Mulheres que não me deram, que não me amaram, que não encostaram no meu pau,


mas que assim, quase sem saber, deixaram que eu percebesse algo que só eu seria capaz.


Minha antiga obsessão pela exclusividade. A mesma que ofereço e exijo.


E elas tem isso em comum. Essa tristeza dita e redita por vários; e que as feministas imbecis julgam ser apenas machismo. Feministas imbecis, eu disse.


E longe desse jogo de forças elas pairam. Lindas e tristes, como devem ser.


Um sorriso que se arranca por uma gracinha. Uma gargalhada infantil numa tarde inútil. O pecado super dimensionado num relato que se pretende muito intimo.


A beleza calma das mulheres tristes. Dessas que eu e todos tanto veneram.


Que entenderam que a guerra passou. Que a diferença entre homem e mulher é bonita e não repressora. Que pararam de achar que delicadeza é coisa de mulherzinha. Que lhe fazem uma sopa quente num dia frio sem achar que isso é um sacrifício pelo amor.


E depois de tudo há aquele sorriso sem pressa que não deseja sexo ou mesmo gratidão. Aquele sorriso simples e conhecido.


Que é o mesmo sorriso de quando você conserta o chuveiro.






relatinho.

Conforme o marcado, eu estava presente. E prevenido, porque conheço essa gente. Acham-se ótimos porque sabem que você precisa mais deles do que eles de você. Você é um passageiro e eles são a roleta. Nada justo, mas na selva é normal usar a vantagem que se tem.
Estava preparado: livro e lápis na manga, cinismo exercitado, essas coisas. Também uso meu sorriso para conquistar idiotas. Dou bom dia a torto e a direito.
O rapaz me chama. Sente-se muito especial em sua roupa e gosta de explicar tudo. Enfia-me os tubos, passa álcool na minha testa e pede coisas estúpidas:
- conte até 50 de 2 em 2.
- fecha o olho. foca na luz.
- 3 frutas amarelas.
E por aí vai. Vento quente, vento frio. De olho fechado lembro de tudo e sinto arrepios. Cada uma que a gente se mete. E tem a vida pela frente. E o que cargas d' água significa 'a vida pela frente'? Qual seria a outra opção? Minha vó de 80 anos também tem a vida pela frente.
Mais alguns desafios:
- contagem regressiva de 30.
- acompanhar a luz com os olhos.
- 3 praias.
Saio com saudações de melhoras e não entendo nada já que me sinto bem.
No caminho pra casa lembro da guria cheia de gracinhas, mas que fica séria e melancólica no outono. As coisas são misteriosas e, cada vez mais, sinto tara por mulheres grávidas. Ainda mais quando querem táxi e você as ajuda.
Você é um cavalheiro / Você é tesuda.

Todo Domingo.



e

15 de maio de 2009

Arrega-se aqui ou arrega-se lá.
Tanto faz.
Quem não reclama da vida?
Eu não confio em quem não reclama da vida.
É só estar vivo e mais ou menos acordado.
*
E hoje digo isso porque justamente hoje não é o caso de reclamar.
A vida é boa, mais ou menos boa. Tanto faz de novo. É apenas como é. E, bem, 'é apenas como é' é dizer nada parecendo algo.
Então eu também digo. Eu também, ora pois. É claro que prefiro eu mesmo quando sou só eu e não o resto do mundo, mas até aí...
É o mínimo de inteligência que posso ter: eu estou no mundo, no maldito e gracioso mundo. Eu também tenho meus momentos e todas essas babaquices que a gente usa pra dar sentido pras coisas.
É justo, é justíssimo isso. Somos animais em busca de carne.
E carne há de tudo que é tipo: ciência, sangue, arte, amor.
Farinhas do mesmo saco. Ninguém gosta de imaginar que a merda é eterna.
Nada que existe é eterno, afinal. A eternidade é mais um desses conceitos grandiosos que ajudam a gente a dar sentido pras coisas.
A gente, bicho homem, tem lá esses conceitos na manga e os usamos pra justificar o que fazemos. Pega bem e ameniza a culpa. Viver sem culpa é um tremendo desafio. Só idiotas acham que a culpa é um mero 'conceito cristão'.
Mas deixa os idiotas pra lá.
*
Quero terminar e digo:
o mundo é tão fundo
quanto o seu umbigo.

14 de maio de 2009

O equilibrista.




Nada pra ser dito. Ta tudo lá. Tudo que importa, tudo que faz sentido. Grandes histórias, grandes sonhos, grandes amores.
Uma coisa inexplicável. Tem que ver.
Depois todas as mulheres eram bonitas na rua. Milhares de mulheres lindas passeando pelas ruas de Botafogo. E nenhuma tinha pressa.
Essa coisa sem explicação que temos ao ver uma obra de arte. Uma obra de arte sim. Mas sem o discurso tacanho da semiótica tacanha dos explicadores tacanhos do que não precisa de explicação. O Por Que dos americanos, ele diz.
Soube desse filme aqui. E aqui diz algo que sempre me comove: falta capacidade de acreditar no impossível.

-l-



Morde - se fronhas,
lambe - se cus,
sente amor por gatos, peixes e cachorros.
Dá uma volta na quadra,
olha pro céu,
e repete pra si mesmo
a mesma velha ladainha:
- todos mortos,
todos mortos e tristes,
todos mortos e tristes com um sorriso na boca.
Caveiras também sorriem,
ele pensa
achando que
quem sabe o que
e que agora sim
a coisa vai.
Cinema sozinho na tarde de outono,
uma gorda que lhe masturba com alguma ternura
e não esquecer de anotar que:
olhar pras próprias mãos quando se está bêbado é apenas uma maneira discreta de se lembrar da própria existência.

13 de maio de 2009


Foi isso
e foi
como foi.
Mais
um
bracinho
pra
nadar
no
oceano
de
bosta.

12 de maio de 2009

*

No metrô as palavrinhas formam as frases mais certeiras.

Eu novamente. Nenhuma vantagem ou novidade.
Essa história de vantagem me incomoda. Muita gente esperta por aí. Esperteza a encher os sacos vazios.
Tudo certo. A mesma jogada. Pulo pra frente e pulo pra trás / ah!, como me sinto em paz.
Encontrar ritmo é o grande lance.
Sem pressa e sem afobação: mirar o pau, rever a vida e esquecer da morte.
O quadril voltando a funcionar.

wm.com


Você peida e alguém te elogia.
Pense bem no benefício que isso pode ter.
Nenhum.

Mas há os grupos de peidos organizados.
Alguns são ongs,
outros são igrejas
e tem também os mais pobrinhos,
que são apenas comunidades de orkut.

11 de maio de 2009

flor no asfalto -




Ver o grande foda-se.

Libertar-se das grandes correntes.

Acho justíssimo cuspir pra cima. Mesmo quando o grande cuspe me cai na cara. Não é de um dia pro outro. O cuspe tem um tempo de queda lento e irresistível. A precisão tem um tempo próprio. É-como-deve-ser.

Na peça de hoje tem a máxima fatal: estar pronto é tudo.

Por mim é isso. Até o fim. Não acredito facilmente nas coisas e por isso sou sério. E também não me sinto mal por me achar um cara inteligente. Quiseram me por culpa. Eu mesmo me pego querendo me por culpa.

Mas tenho lá as minhas garras e os meus. Os meus é um círculo pequeno, mas fatal. É uma meia dúzia que gosta de mim e que me quer sem medo.

É isso. É uma boa explicação: os meus são aqueles que me querem sem medo.

E apenas eles importam nesse mundo imbecil e mesquinho, onde o encanto está mais na marca da cerveja do que no sabor. É a meia dúzia que eu levaria pro abrigo. Simples assim.

Minhas contas são modestas e meu delírio de grandeza é extremamente pessoal. Não atrapalha ninguém, além de mim mesmo.

Com todas as doenças e todos os delírios. Mesmo os piores e mais loucos. Com toda a merda que jorra de todos os cus imbecis que cruzam a minha vida.

Com tudo isso, e por isso, a paz só existe em 2 lugares: na meia dúzia que importa e nas coisas em que eu acredito.

Sem medo. Como deve ser.

9 de maio de 2009

Labirin*




O ponto é que a gente se acostuma. O ser humano tem essa dádiva. Para o bem e para o mal, como não poderia deixar de ser.

O lance da capacidade de se adaptar é bacana e bonitinho. A merda é que isso é feito pra sobrevivência. A vida, ou melhor, o júbilo, o tesão, é bem diferente da sobrevivência.

Macacos sobrevivem na selva, rinocerontes na lama, homens nos bares e putas nas pistas.

Os cavalinhos do carrossel tem olhos vidrados e andam em círculo.

6 de maio de 2009

Como não bastasse agora tem esse tipo de água na minha cabeça. Entre o cérebro e o crânio. É uma coisa que pede pra eu ficar parado. Bem estranho. Depois de qualquer movimento um pouco mais brusco, sinto que lá dentro chacoalha. Como se fosse o fim daquela tontura que se tem depois de girar sobre si mesmo. Um mistério.

5 de maio de 2009

--

Perde-se a mão, morre-se sozinho.

Muito percalço, tropeçada com charme e discurso no final. E nem digo nada daqui, apenas assim, como quem olha e repara só pra antagonizar quem olha e não vê.
É claro que enquanto isso tudo ocorre, a multidão dança e comemora. O Flamengo é campeão e não é necessário desculpa nem motivo. Dançar por dançar, comemorar por comemorar: a grande festa de não parar nunca. Defender minhas ideias e meus modelos eu também sei. É aquela parte de mim que se manifesta no espaço. Que acha importante se afirmar diante dos outros. A velha conhecida teoria da arte: 'a arte existe pra provar pros homens que eles existem'. É bonito sim. Assim como beleza nunca pôs mesa e banquete é pra gula e não pra fome.
Depois: cócegas no queixo, sacanagem no corredor e uma punheta com objeto de carne.
Daqui 10 anos espero apenas não escrever o mesmo texto.

()

com as mãos crispadas sob os seios pequenos:

- ah,
por favor,
fale sério comigo.
se você não entende
o que eu digo,
eu nada posso fazer.

4 de maio de 2009


Garotas de 16 anos dando pra desconhecidos e se sentido muito espertas.
Garotos de 16 anos jogando futebol e se sentindo muito machos enquanto as garotas que eles queriam comer dão para caras mais velhos.
-
O mundo é um circo dourado e idiota.
O bizarro é que você é a próxima atração.


3 de maio de 2009

*


Sem ter que provar nada à ninguém, eu chego quase longe.





Acho que essa é grande vantagem da solidão. Nada te atravessa. Você só e cagando pro mundo. Ou melhor: cagando no mundo. Liberdade de peidar alto, de enfiar o dedo no próprio cu, de usar a mão ao invés do papel higiênico.

Sua própria sujeira não lhe assusta. São velhos amigos.

Claro que a loucura passa por aí, pelo excesso disso aí. Mas usando a solidão em doses certas, ela é a coisa mais preciosa do mundo. É o veneno bom, que dá mais anti corpos do que doenças. Quase um banho gelado.

E loucura mesmo é esquecer que o mundo existe. E isso não acontece na solidão. Na solidão o mundo está distante, mas está lá, como um John Wayne pronto pra puxar o gatilho.

(Lembro do livro que li sobre contos infantis e que falava da mania das crianças quererem ouvir sempre a mesma história. Coisa que irritava os pais. Mas lá explicava o lance da auto-afirmação pela repetição. Dizia que era uma coisa importante pro desenvolvimento da criança. Ela gostava daquilo que lhe era conhecido. Ela se sentia bem por já saber que as aconteceriam da mesma forma que ela já conhecia. A clara evidência é sempre encantadora. Crianças ou adultos, tanto faz.)

Seja como for, gosto da minha solidão, mas desconfio dela. É simples: solidão é sempre conveniente. Nada te assusta e você não precisa de ninguém. Cagar é um grande prazer. Cagar pra tudo, mais ainda.

Então crio minha fórmula de doses homeopáticas do mundo e do que me atravessa. Saio pra ver gente e conversar com desconhecidos. É uma receita eficaz e prazerosa.

Ver a loucura alheia sempre prova que você não é louco.


(acho que todo mundo mundo já reparou como os idiotas sempre dizem que são loucos. é um clichê e pega bem. mal do mundo moderno, por assim dizer.)

Novo Marcador.

Zero à Zero é bem diferente de Um à Um!