21 de agosto de 2011
19 de agosto de 2011
Éfinho vê teatro.
É uma peça chata em que ficam brincando de ser ou não ser teatro. Como se houvesse dúvida, como se - de fato e realmente - os atores em cena pudessem não estar em cena e, portanto, não estarem interpretando. Um flerte com essa ideia que anda por aí e que se convencionou chamar de não-interpretação.
A tal peça tem alguma inteligência que eu, infelizmente(ou seria felizmente?), não compreendo. É o teatro como sacada, como situação "atores-diante-do-público" levada ad infinitum. Eu não entendia porque riam. Quando ri, sorri e fui honesto. Quero dizer: o aparte (esse recurso ancestral e legítimo) é legal e tudo, mas, bem, há limites. Ainda mais um aparte que 'conversa' com a plateia - como se fosse natural e não artificio.
Olhando aquilo pensei em tudo que não quero e não me interessa. Teatro pra dentro, voltado pra uma ideia de inteligência de salão que faz com que os momentos engraçados sejam um desfrute para os que captaram a mensagem - ou melhor: a sacada.
É o teatro blasé e cheio de referências pós-dramáticas - esse termo/conceito que está aí e que explica o melhor e o pior do teatro contemporâneo.
Na peça chata havia champanhe e taças e belezas e tudo, tudo mesmo, era lindo. Os atores, a luz indireta, os movimentos de corpo que significavam alguma coisa que eu nunca entenderei... um mistério.
E o texto brincava uma única brincadeira: o ator dizendo sobre o personagem que ele representa: "- então ele resolve sair" (o ator que é o ele, o personagem, o performer consciente do aqui agora, etc ad infinitum) "e ele fala pra ela: te adoro". E então esse ator faz agora o 'ele' com mais 'verdade' e diz: "te adoro." E a cena continua. E muda para atriz: "- e ela sorriu", e a atriz sorri, "e disse: eu não te adoro", e a atriz, cheia de sacada diz: "eu não te adoro."
90 min. E não gosto de sair no meio Deus sabe porquê. Deve ter a ver com meu catolicismo e o lance da culpa...
Seja como for, estive lá, me aborreci e nem doeu. Ver teatro chato e afetado assim me dá uma puta vontade de montar a banca do meu teatrinho - que pode não contemplar a inteligência cheia de sacadas, mas que não te aluga e vai pra fora.
Não alugar, em se tratando de obras de arte, é, pra mim, um puta dum mérito.
*
Tem uma frase de uma música do R. Seixas que gosto muito e que, as vezes, me parece o próprio sentido da vida: "Só vou curtir meu roquezinho antigo/que não tem perigo de assustar ninguém".
A tal peça tem alguma inteligência que eu, infelizmente(ou seria felizmente?), não compreendo. É o teatro como sacada, como situação "atores-diante-do-público" levada ad infinitum. Eu não entendia porque riam. Quando ri, sorri e fui honesto. Quero dizer: o aparte (esse recurso ancestral e legítimo) é legal e tudo, mas, bem, há limites. Ainda mais um aparte que 'conversa' com a plateia - como se fosse natural e não artificio.
Olhando aquilo pensei em tudo que não quero e não me interessa. Teatro pra dentro, voltado pra uma ideia de inteligência de salão que faz com que os momentos engraçados sejam um desfrute para os que captaram a mensagem - ou melhor: a sacada.
É o teatro blasé e cheio de referências pós-dramáticas - esse termo/conceito que está aí e que explica o melhor e o pior do teatro contemporâneo.
Na peça chata havia champanhe e taças e belezas e tudo, tudo mesmo, era lindo. Os atores, a luz indireta, os movimentos de corpo que significavam alguma coisa que eu nunca entenderei... um mistério.
E o texto brincava uma única brincadeira: o ator dizendo sobre o personagem que ele representa: "- então ele resolve sair" (o ator que é o ele, o personagem, o performer consciente do aqui agora, etc ad infinitum) "e ele fala pra ela: te adoro". E então esse ator faz agora o 'ele' com mais 'verdade' e diz: "te adoro." E a cena continua. E muda para atriz: "- e ela sorriu", e a atriz sorri, "e disse: eu não te adoro", e a atriz, cheia de sacada diz: "eu não te adoro."
90 min. E não gosto de sair no meio Deus sabe porquê. Deve ter a ver com meu catolicismo e o lance da culpa...
Seja como for, estive lá, me aborreci e nem doeu. Ver teatro chato e afetado assim me dá uma puta vontade de montar a banca do meu teatrinho - que pode não contemplar a inteligência cheia de sacadas, mas que não te aluga e vai pra fora.
Não alugar, em se tratando de obras de arte, é, pra mim, um puta dum mérito.
*
Tem uma frase de uma música do R. Seixas que gosto muito e que, as vezes, me parece o próprio sentido da vida: "Só vou curtir meu roquezinho antigo/que não tem perigo de assustar ninguém".
17 de agosto de 2011
auto suficiência.
Só conseguia gozar
quando trepava por cima.
Explicava que assim
o clitóris encostava melhor.
Quando gozou por baixo
se revoltou,
disse ser opressivo
a mulher estar por baixo
e dedicou-se à paixões lésbicas.
Os orgasmos vinham da fricção
e lhe lembravam o travesseiro
que a fez gozar pela primeira vez.
Desistiu.
A solução veio da Internet:
um dedal com bateria mínima
que a satisfazia como ninguém
nunca a satisfez.
Descobriu:
essa coisa de trepar com gente é muito complicada.
quando trepava por cima.
Explicava que assim
o clitóris encostava melhor.
Quando gozou por baixo
se revoltou,
disse ser opressivo
a mulher estar por baixo
e dedicou-se à paixões lésbicas.
Os orgasmos vinham da fricção
e lhe lembravam o travesseiro
que a fez gozar pela primeira vez.
Desistiu.
A solução veio da Internet:
um dedal com bateria mínima
que a satisfazia como ninguém
nunca a satisfez.
Descobriu:
essa coisa de trepar com gente é muito complicada.
16 de agosto de 2011
as loucas que me dão tesão.
- perco a mão aqui ou ali, mas o que fazer? Sou sucetível e meu pinto, ele mesmo, o pau, anda todo errado. Quer entrar em carnes que nem sabe e nunca viu. Imagina massagistas que se apaixonam por ele, o pobrezinho.
- vem da esquina. As mulheres mais lindas do Rio de Janeiro estão ali. Fico inflado e penso: casarei com uma dessas mulheres lindas. Porque são lindas. E porque casar com feia não rola, fico solteiro. Não sei se estou limitado, mas afirmo: as mais lindas desfilam na Rua da Passagem com a São Manuel.
- o otimismo é uma praga e uma bênção. Assim: na mesma proporção. O empate mais escroto da terra. 3X3 no último minuto de jogo. OK, ta aí a emoção do jogo... mas, Meu Deus, quem, depois dos 30, acha que a emoção do jogo é tão emocionante assim?
- Tinha essa magrela, de sobrancelhas finas demais e voz fina que eu realmente gostaria de ter comido. Comê-lá, no caso, seria a cereja do bolo. Não por nada, mas porque ela me dar seria um processo natural, mesmo que lento. Ela não me deu. Ela sumiu de um jeito meio idiota que super-valoriza o ato de sumir. Eu não comi a magrela e descobri que a cereja do bolo só é boa quando o bolo já foi devorado.
- se fosse pra eu agir loucamente pela necessidade de mulher, eu iria até o Itaú. Que aquela gerente com cara de passarinha não me sai da cabeça e tá aqui do lado diariamente das 10:00 às 16:00. Além da linda cara de passarinha ela usa saias floridas que ressaltam sua bunda surpreendentemente empinada. Tem grandes chances, inclusive, dela não ser do RJ - o que é ótimo, pois logo estabelece um assunto simples e que pode render horas. Seja como for, ainda mando no meu pinto(pau, que é como macho fala) e sei que ele não é lá o meu órgão mais confiável.
14 de agosto de 2011
(*_*)
Soltava peidinhos como quem marcava gols em partida empatada.
"Prisão de ventre é um problema tão solitário", ela dizia.
Cada pum, uma vitória. Cada ventinho, uma satisfação.
E, assim, caminhando pelas calçadas, levantava os braços em uma comemoração que quem visse jamais entenderia.
11 de agosto de 2011
Tesão tá tudo certo, ela diz.
*
- Parece tesão, mas não é.
- Como assim?
- É mais como um monte de luzinhas que piscam quando estou quase dormindo.
- ...
- Entende?
- Claro, claro
*
- Foi meio de repente. Eu disse não e ele insistiu e me beijou.
- E?
- Ah, querida, aquela coisa: tesão do caralho em ser contrariada, né?
*
- Fiquei olhando, olhando. Pela primeira vez achei um pau bonito.
- Sério?
- Claro, olha aqui.
- O quê?
- Aqui... meu pescoço...
- O que é isso?... Uma marca...?
- Um chupão!
- ...
- Achei o pau dele tão bonito que deixei me dar chupão.
- ...
- É amor, não é?
- É, é.
*
- Amiga, vou te pedir uma coisa...
- Pede!
- Não me chama de flor, tá?
- Mas...
- Essa coisa de pétalas acaba comigo!
8 de agosto de 2011
Santinha, só você.
*
Estou triste,
Estou cansado.
*
Preciso de uma mulher boa,
Que me chupe o pau com ternura
e, eventaulmente, me chame de meu amor.
*
Que tenha os cabelos longos
e que acorde calma pela manhã.
Que me convença a comer frutas
porque o beta-caroteno das maçãs
é mais eficiente do que a cafeína.
*
Estou cansado
e preciso de uma boa mulher
que tudo me explica
e à tudo me convençe
porque tanto me ama.
*
Uma mulher boa
porque,
amado assim,
acredito em tudo
dos absurdos
que me dirá.
7 de agosto de 2011
Angeli -
Ele mesmo. O cara. O fino. O que só sai de casa pra se encontrar com o Laerte.
E também porque o "da pesada" merece voltar.
ao vento
- Ver as gentes, participar do mundo, tomar cuidado para não ser indiferente demais. Andar 20 min. por dia e, após a caminhadinha, acender um cigarro e encher e esvaziar o pulmão como um ato voluntário. Dormir 6 horas por noite, evitar a vasta pornografia da Internet e, a cada 15 dias, telefonar para a avó. Quem sabe perder uns quilinhos.
- Creio que a massagem finalizada com ejaculação é uma das melhores práticas sexuais já inventadas. Estou falando de modo geral e também de modo específico. Geral: o corpo massageado relaxa e se torna mais sensível. Específico: o preço é justo e mais importante do que beleza são boas mãos. E o risco de doenças contagiosas, em ambos os casos, é quase nulo: no máximo uma sarna adquirida de um lençol mal lavado. Coisa simples que qualquer pomada resolve.
- Leio Ana C. - que é um nome bem melhor do que Ana Cristina Cesar. É legal, mas não sei. Quero dizer: não entro numas com Ana C. Parece-me datado e super-estimado. Mas é que sou ignorante e poesia é um treco difícil pra chuchu. Li poesia na adolescência: Pessoa, que é quase um clichê; Leminskão por curitibanice e Vinícius, que é um poetinha muito do bacanudo mesmo. Depois disso teve M. Bandeira e o M. Quintana... e.... e... não lembro...Quer dizer: lembro, mas não vale. É que depois desses foi só na onda de ler aquilo que a gente acha que é importante ler. E, pra mim, isso da muito pouco certo. Sou um leitor limitado: não gosto de escritores que tenho que desvendar, a obscuridade não me atrai.
- As moscas estão voando por aqui. É uma pena, uma grande pena. Porque as moscas aparecem mesmo com a casa sendo limpa quase diariamente. Penso o que poderia fazer a respeito, mas nenhuma conclusão me agrada. Melhor me conformar com às moscas. Ou então partir para as fotos de nudez que tanto movimentam a Internet.
- Faço minhas contas. O plano ainda é o mesmo, mas evito o sofrimento. Sofrer não é importante, como achava uma ex-namorada. Sofrer é, no máximo, inevitável. Mas importante IMPORTANTE, não é. Meus planos, por ora, me bastam. Não são milagrosos, mas fazem parte do possível... Possível: as pedras que apenas pedras são.
5 de agosto de 2011
Mi Profeta Frustrado
- ESTILO seria me telefonar às 01:34 da madrugada, dizendo: "- Bora beber a saideira. Estou bêbada e eufórica e a culpa é sua. Não aceito um não."
- Desaparecer é mérito de mágico: exige treino e perícia. Desaparecer não é sumir. Estou falando sobre um ato bem ensaiado X um ato mal ensaiado. A idéia de que "simplesmente desaparecer" é um grande número é um erro que nenhum mágico comete. O mágico sabe que 40% do efeito da mágica está na antecipação do mistério, quando o bom mágico, canastrão como deve ser, anuncia: "- E agora vocês verão algo que seus olhos não podem acreditar..."
- A vingança de J é um bordão. J tem vinganças que sempre se manifestam - o que a torna uma pessoa bastante confiável. Mesmo que seu bordão, como não poderia deixar de ser, seja cheio de uma terrível maldade paulista - dessas que desconfiam de toda generosidade gratuíta. Mas, cá com meu umbigo, penso divertido: "- o que falta a J é a tolerância com os pecadinhos, a permissividade católica."
4 de agosto de 2011
Júlia Não é da Família.
4 -
- fim -
E foi isso. 3 dias geniais. Posso até dizer que me apaixonei. A Júlia foi a mulher da minha vida. Cheia de vitalidade e falante pra caralho. Uma coisa. Fodas sem fim e até café da manhã me trouxe na cama. Me disse, cheia de doçura: “- acredita que mesmo sendo dadeira (adoro essa palavra. Aprendi com o Caetano, sabia?) nunca tinha levado café na cama pra ninguém?”. Claro que não acreditei, mas que diferença faz? E depois que ela foi embora lembrei que tinha dito que sempre trepava em motel, pois ninguém que ela conhecia morava sozinho. Achei coerente. Acreditei nela: sou seu primeiro café na cama.
Júlia, Julinha, amiga irmã da minha prima preferida. Corpão absurdo e facilmente impressionável. Chegou até falar que, se viesse morar no Rio, ia me querer de vez quando. “Pode ser meu pau-amigo, né?” Descolada pacas, admito. Até fiquei com vergonha quando, em homenagem ao último dia, me ofereceu seu cuzinho. Descolada pacas. Será que minha prima é assim? Deus queira que não.
No último dia dela aqui era o dia da tal prova de resistência física. As provas eram sempre pela manhã. A Júlia voltava cedo, 14 no máximo. E, pra minha sorte, havia chuva e nenhuma chance de praia. Nesse último dia dei o melhor golpe da minha vida: comprei carne assada no bar e fiz arroz e salada. Requentei a carne assada com um tiquinho de rum e disse que eu que tinha feito em sua homenagem. Carne assada com rum importado nem pensar. Nem se fosse eu quem realmente tivesse feito carne assada. Mas colou e eu faturei seu cuzinho. Be-le-za, digo em sua homenagem.
A Julinha foi rápida. Descolada pacas, eu disse. Na hora de dormir se virou pro lado e lançou: não me encosta que eu não respondo por mim. Encostei e, bem, é como eu disse: Julinha a mulher da minha vida e quiçá minha futura buceta-amiga. 21 anos, meu Deus! Como pode? Quando contei pro Roberto ele achou que eu mentia. O Roberto, católico como eu, só acreditou quando jurei pela alma da minha mãe.
Minha prima me mandou um recado no Orkut: “Julinha te adorou, falou que você foi super gentil com ela. Brigadinha, primo”. Respondi: “que isso? conte comigo” e fiquei pensando se ela também é assim descolada. Deus queira que não.
- fim -
2 de agosto de 2011
be-ze-la ou be-le-za.
Entre as 21:34 e 23:47 me dediquei à mim (sic). Era uma bicha elocubrante diante da janela: olhava o Cristo e pensava, ouvia a música do Villa Lobos e pensava. Em outras palavras: eu pensava. E era isso que eu queria e foi isso que fiz. De modo que, mesmo seduzido, nem posso reclamar: era o que eu queria.
Não desejava encontros, papos de amigos, celebrações que nem cogitam a realidade do tempo. Porque o tempo é real, bem real. E dói e é bom e ruim e melhora também e tudo de tudo e etc - mas o tempo, ele mesmo, passa e, passando, fica. E a realidade do tempo é o que desejo pra mim e acho decente - porque, cá comigo, a merda seria achar que o tempo não existe ou é relativo, como uma fórmula matemática pop que se usa por aí quando se esquece que a tal fórmula foi formulada (sic) especificamente para reflexões matemáticas.
(Deus, em um sonho me disse, que perdoa e perdoará todos aqueles que um dia disseram "o tempo é relativo, Senhor." E à isso chamemos, sem pensar muito, de Coerência Divina. Porque Deus, se Deus existe, é só perdão.)
Fica assim: satisfação de experimentar uma ego-trip simbólica que só diz respeito à mim.
Como um tesão enrustido ou uma punheta secreta.
Fé, Fi, Fó, Fú(s.r)
- entrar naquelas carninhas que conheço bem. Lembrar dos lábios, levemente tortos, que você me acusava de ser responsável pela tortice. E à isso a gente chamava amor. E éramos felizes. Felizes de maneira geral; que feliz - FELIZ MESMO - só o Tom pegando o Jerry.
- os diminutivos eram o fetiche mais velado de todos. Só noto hoje: os anos passados, a vida pior, a generosidade promovida pelo tempo... poderia dizer SAUDADES, mas não seria preciso. SAUDADES é passional demais e, veja bem, éramos tão calmos em nossa agonia diária que SAUDADES seria fazer de conta que não prestávamos atenção naquilo que vivíamos... uma injustiça.
- posso tentar achar sua próstata?/ Pode./ Pensa bem, é meio viado isso./ Não é nada. / É sim./ Eu deixava até você usar uma dessas cintas. / Credo! / Como assim? / Imagina que escroto... eu com aquele troço... / Tem razão./ (...) / Mas é que eu te amo, entendeu? / Entendi, entendi... mas cinta não, né? / É... credo... cinta não. / Rá, eu te amo. / Eu sei... eu sei...
- tinham as férias. Tinha a certeza. Tinha o dia após o outro mais lento e pacífico do mundo. Uma briga pra foder melhor, um ciúme pra lembrar do amor e a vida... a vida era mesmo um grande plano, não era?
- não me chame de QUERIDÃO, não me chame de AMADO./ Você é intolerante, cara./ É, eu sou intolerante.
31 de julho de 2011
Domingo de quase verão no Rio de Janeiro.(s.r)
No bar da esquina não leio o jornal, mas estou com uma revista Piauí à tira colo - revista que é o melhor e o pior ao mesmo tempo: afetada, deslumbrada e metida à besta, mas ainda assim uma revista que traz coisas ótimas como as cartas do Cortázar(de quem nunca li livros) e matérias de cunho social nada suspeitos.
Seja como for, estou lá e faço planos. (Fazer planos... fazer planos é o "come chocolates" do F. Pessoa.) E, entre os planos e as carta do Cortázar, vejo as pessoas que passam e penso que meu tesão anda triste - já que se trata de um tesão sem direção e voltado pra qualquer par de pernas que use saias com rasgos laterais lindos e deslumbrantes.
Lembro, agora, da gerente do banco: linda. Cara de passarinha com asa quebrada, jaqueta jeans à lá anos 80 e um vestido que tinha o tal o rasgo tesudo. O vestido era, como uma "pérola no fundo do copo", estampado com flores. E, cá com meu umbigo, acho que a passarinha-gerente me olhava com generosidade - à ponto de eu, mesmo tímido, ter pensado seriamente em lhe deixar um bilhete esperto com meu telefone(o que não fiz porque pensei no ridículo e antecipei o ridículo; e também porque, ora pois!, sou tímido mesmo). E, mesmo tímido, tive a capacidade de fazer mil perguntas pra gerente que me atendia (que era outra: de terninho e sem estampas florais) de quem descobri coisas idiotas, mas divertidas: a) de Belém, mas na Tijuca há 2 anos, b) adora Tacacá, c) gosta de teatro, mas nunca viu, d) diz que comentará com as amigas que conheceu um diretor de teatro(sic), e) parou de fumar por conta de uma úlcera, f) adora o RJ, mas sente falta das amigas e g) me considera seu vizinho porque ela trabalha no Itaú aqui ao lado e exige que eu passe lá quando tiver uma peça no RJ(isso porque a conta que eu abria era pra apresentar minha peça em outras cidades).
Mas volto ao assunto: o tesão sem direção. Tem um puta texto ótimo que fala sobre sexo e que tem a ver com isso e que me fez pensar o óbvio que ulula pleno como sempre: mundo de merda. Esse texto, esse belo texto que poderia ter mais letras e frases, me faz desistir - com alegria - de escrever sobre isso.
E, mesmo tentando resistir, lembro do facebook e seus eternos feeds otimistas e falsos, nos quais o grau de desespero pode ser medido pelo grau de otimismo. (Como se otmismo tivesse a ver com alegria, como se otimismo fosse um "a vida pode ser boa, galera!" em uma atualização).
Fica o domingão e a revista metida à besta que é a Piauí.
Cortázar, amigo, confesso que tenho preconceito contigo por conta dos que tem lêem e que te evocam a cada vírgula e/ou micro conto. Mas é preconceito, eu sei. Quando eu te ler provavelmente mudo de idéia- assim espero. Ou então serei eu a vítima do preconceito, quando todos dirão: "que abusrdo você não gostar de Cortázar."
Mas, se for o caso, eu me consolarei: - "o que são esses feeds que não micro-contos mal resolvidos de um otmista fofoqueiro e auto-displicente?"
E dormirei em paz - porque paz pode vir em "horas descuidadas" quando o nosso preconceito, ternamente cultivado, se revela verdadeiro.
29 de julho de 2011
Talvez assim.
Sentindo a agonia de leve como quem tenta domesticar uma puta; como quem, em inocência forjada por telenovela, acha que é possível domesticar uma puta. Esquece-se da putisse da puta. Que tem a ver com sua sujeira, com excessos, com o curto prazo de validade, com os lugares sujos e as gentes degradantes que inevitavelmente aparecerão. Que não há luxo, nem cocaína pura, nem porres livres, nem erva boa, nem homens nem mulheres livres, nem nada, que liberdade é um ideia cheia de beleza e encanto, mas que é só isso, uma ideia - a não ser que você esteja preso e essa liberdade não seja uma punheta intelectual para filhos de hippies e de ex comunistas.
Sabendo que eventualmente vem o gozo, que a cara borrada tem charme, que Deus cospe uma gente morna, que assim, mesmo sem sentido, a puta tá na pista e aprendeu a apanhar - o que não é vantagem e, na maioria das vezes, apenas deixa a casca da puta dura, a pele amarela, o gozo histérico, essas coisas. Que apanhar só regenera idiotas, assassinos, pilantras e evangélicos.
Salvando as carnes com camisinha e lembrando, a cada nova investida do quadril, que foi a puta, sempre ela, quem nos pariu.
26 de julho de 2011
Júlia Não é da Família.
3 -
A coisa é estranha. Tem mais de 10 anos à menos e sou católico. Lembro da minha prima. Porra, será que minha prima é assim também? Mas prima é família e família é sagrado, o Papa falou e a gente sabe. Pecado antes dos 18 não conta. Eu 16 e ela 12. Quis ver meu pau e eu mostrei. Perguntei se ela queria encostar e ela topou. Esticou o dedo e tocou rapidamente. Não é pecado, né? Coisa de criança.
Mas a amiga. A amiga tem 21, veja só. Mais nova que minha prima – minha priminha que tocou meu pau com o dedo indicador. Mas ela não é família e, bem, o catolicismo é tolerante com os pecadinhos, a gente sabe. Deus abençoe os católicos.
Quando minha prima perguntou se ela podia ficar aqui eu perguntei: - mas ela é mesmo sua amiga? E ela disse: “sim, irmãzinha. Você vai gostar dela.” Confio na minha prima, confio na família. Sou um Corleone.
Eu tava meio com dedos com ela. Júlia o nome dela. Mas aí eu notei: to com dedos porque é novinha e amiga da minha prima. Família é sagrado, mas ela não é família. Pensava isso quando entrei no banheiro. Ela já tinha tomado banho. A casa é pequena e o banheiro é colado no quarto. Cagar é um problema. Os peidos sonoros atravessam a porta de plástico sanfonado. É constrangedor. Paciência. Fico sem cagar. Cago quando ela sair.
Mas quando tomava meu banho, eu vi: dermacity: sabonete íntimo para mulheres do séc. XXI. Vi e automaticamente fiquei livre. A Júlia não é família, afinal. É só amiga da minha prima. Da minha prima que, apenas por acaso e hormônios adolescentes, tocou no meu pau com o dedo indicador quando eu tinha 16 anos. E minha prima, até onde sei, não usa dermacity.
25 de julho de 2011
ea.
Nunca entendi as histórias que você conta e os amores que você perdeu. Sempre achei estranho isso tudo e sempre preferi o silêncio calmo e blasé.
É que tem esse ruído que você insiste. Algo estranho e chato. Como um que achando-se muito ocupado, não percebe que a vida não é, via de regra, tão interessante assim.
Estou sendo deliberadamente abstrato. Jorro minhas coisas e atualizo meu blogue. Mas o que quero dizer é idiota e mesquinho: sua arte de sumir, sua habilidade de ignorar não é charme ou tesão; é tédio e desejo de ficção... tão mais decente dizer NÃO, dizer NUNCA, dizer FODA-SE. O seu TALVEZ é a criatividade pela culatra...
Seja como for, fica a impressão que estou falando disso sendo que é daquilo que estou dizendo. A diferença não é muita, mas existe. É um corte fino e cruel que constrange todos nós: separa a idéia da ação.
É que tem esse ruído que você insiste. Algo estranho e chato. Como um que achando-se muito ocupado, não percebe que a vida não é, via de regra, tão interessante assim.
Estou sendo deliberadamente abstrato. Jorro minhas coisas e atualizo meu blogue. Mas o que quero dizer é idiota e mesquinho: sua arte de sumir, sua habilidade de ignorar não é charme ou tesão; é tédio e desejo de ficção... tão mais decente dizer NÃO, dizer NUNCA, dizer FODA-SE. O seu TALVEZ é a criatividade pela culatra...
Seja como for, fica a impressão que estou falando disso sendo que é daquilo que estou dizendo. A diferença não é muita, mas existe. É um corte fino e cruel que constrange todos nós: separa a idéia da ação.
23 de julho de 2011
Júlia Não é da Família.
2 -
Ela é mesmo serelepe. Quando viu minha casa deu risada. Falou “ih, só tem uma cama” e gargalhou. Finge que vai me dar. Sei não. Gratidão tem limites. E fingir que vai me dar é mais inteligente do que me dar. Mas, pensando bem, ela não é inteligente. Opa, sendo assim, eu como ela. “Vou te comer com muito amor, benzinho”.
Três dias. Até prova de resistência física tem. Vai correr 2 km em 20 min. Não faço idéia se isso é difícil ou não, mas solto um “Caramba”. Ela gosta e me pede um cigarrinho. Reclama do filtro branco, benzinho, reclama. Tem bebida sim, whiskey e rum. Rum pra temperar as carnes, eu minto. Ela me acha o máximo. Sei fazer carne de panela com rum e sou o máximo. Pena mesmo isso das provas serem de manhã. Quer dançar, vê só. Pergunta se toparia e eu desconverso.
22 de julho de 2011
Júlia Não é da Família:
1 -
Meu ódio é minha liberdade. Mas ela não entende isso e me acusa de piegas. Diz: “O lance é o amor, bonitão”. Meu cu, é o que eu penso e não falo. Amor sim é que é piegas. Até o cabeludo judeu falava isso em 00. Amor indiscriminado, Deus que me perdoe. Amar idiotas é pecado. Jesus, Judas e o Papa concordam.
Ela ainda me manda: “Quero ser feliz. Ser feliz é o que importa na vida”. Eu ouço e até sorrio, mas, por dentro meu ódio cresce e ganha um objeto. É você que eu odeio, benzinho. Mas ela nem desconfia. Tá serelepe porque acha que me deu uma letra. “Sacou a letra, né Bonitão?”.
Então eu falo pra ela sobre o amor. Ela acha lindo, diz “eu sabia que ai dentro morava um cristalzinho”. Falo bastante pra ver se ela cala a boca. Cristalzinho? O que vem depois? Na verdade eu to falando sobre o ódio, mas, por conveniência, troquei a palavra. Onde diria ódio, digo amor e ela se dá por satisfeita.
Amiga da minha prima. Gostosa e burra como a minha prima. Veio prestar concurso pra Marinha: assistente social. “Na Marinha tem vaga pra isso, é?” “Claro, TODO O MUNDO precisa de assistente social, ta ligado?” Claro que to, to super ligado. To tão ligado que penso que o mundo é mesmo uma bosta.
21 de julho de 2011
ngrm
Vivendo
apenas como quem
ganhando um tanto
adianta outros e imagina
belos dias quando,
unindo o útil ao agradável,
nem lembrará
daquela época em que
o mundo não era nada bom.
18 de julho de 2011
09082007.
(achei isso num desses arquivos que a gente tem e usei pra atualizar)
Os olhos cinzas dela não eram meus. Mas eu entendia a agonia e lembrava de mim mesmo e também das manhãs frias de Curitiba.
Levantava, sentia o frio na pele e limpava o rosto com as pontas dos dedos e um tíco de água fria. Escola, eu ía a escola. Tinha uniforme e, por conta do frio, eu usava ceroulas, toca e luvas. As manhãs de vento frio: mochila nas costas à caminho do ponto de ônibus. Eu estava vivo da maneira mais plena que se pode estar: não pensava em nada disso.
Era um desbravador, uma criança, um idiota que se sentia ousado por sair da vila. Mundo, vasto mundo, eu aprendia versinhos na aula de português e voltar de ônibus pra casa era um tipo de farra. Amigos andando no centro da cidade, pegando o ônibus pra vila no centro da cidade, sentando atrás, falando alto e as meninas que usavam calça jeans riam das nossas piadas. Tudo fantástico.
(...)17 de julho de 2011
nem Touradas, nem Boxe.
Sopro a fumaça do cigarro. A mesma que me da tosse e catarros incrivéis. Fumaça azul quando a luz é generosa e os olhos mais generosos ainda. Quem, sendo fumante, nunca se surpreendeu ao perceber que a fumaça do cigarro é verdadeiramente linda? E ainda tem os desenhos loucos que ela faz.
Telefono pra mamãe que pensa em mim e se preocupa comigo. É assim que é: ela se preocupa e eu digo que tudo tá bem. Há equilíbrio. Mamãe, eu sofrer é parte de estar vivo e paciência. Não volto ao seu útero porque não dá e porque Deus(seja quem for) não quis assim. Equilíbrio, lembra? Nada é perfeito e sofro por aí, mas, pense bem, o que você, como mãe, poderia fazer, já que colocar-me novamente no seu útero é impossível? Te acalma mulher, seu filho sofre como sofrem todos os filhos. E isso é uma benção: porque para sofrer é preciso estar vivo.
(Minha mãe se torna mais calma quando namoro. Acho que é uma lógica de bicho. Assim: há algum útero perto - mesmo que não seja o meu.)
Dou meus passeios e fico horas na cult livravria do pop cinema. Olhos preços, vejo títulos, tento me deixar levar, mas termino com um Hemingway Contos Volume 3. Gosto do tiro certo e do dinheiro bem gasto - o que é comprovado com o primeiro conto, no qual a história (ela mesma) é reta e boa e nem exige que você compre a idéia. Le-e-gal, sussuro enquanto lamento a derrota da Argentina.
No supermercado tinha carpaccio e rúcula. Invento que o mundo conspira a meu favor e vislumbro arrotos melhores dos que os já bons arrotos de sushi. Que, cá comigo, sei: o bom da comida japonesa é o arroto sabaroso que ela proporciona.
Então arroto: pelo passado e pelo futuro. Que o presente, vamos lá, é algo apenas valorizado por hippies decadentes e por jovens desesperados. Quem, vivendo bem, super-valoriza esse instante chamado presente?
Meu até logo e meu adeus. Na rádio UOL há música clássica na playlist e toda decência que a música clássica acarreta. Eu poderia falar mais, mas não é o caso.
Sofrer e gozar é muito parecido, eu aprendi.
Assim como a Elisa que, acima de nós, desempenha seu papel e conquista, sem saber, os homens mais idiotas da terra. A Elisa, no caso, é aquela que um dia redime a humanidade.
Como Maria, a virgem grávida e mãe de Deus. Ou seja: uma confusão dos diabos.
16 de julho de 2011
barriga cheia.
Sou limitado e dado à ataques. Imagino as coisas antes de as coisas existirem. E, óbvio que ulula, as coisas imaginadas são melhores.
Ah, essa beleza toda que invento e não vem. Que é a beleza linda, tão linda, que vi e esperei enquanto fazia as coisas sem pensar muito, sem sofrer muito, sem achar que subornar era uma boa estratégia de marketing.
Eu fiz minhas coisas. Eu gostava das coisas que eu fazia. E imaginei: eles vão ver e quando virem, verão que minhas coisas são bacanas.
Mas eu perdi. Esqueci de uma coisa bem importante: eles não vêem espontâneamente. Eles vêem se alguém disser que, se a propaganda garantir que, se o amigo for simpático que.
Perdi, meu momô, perdi.
E ouço sambas como quem ouve dores de viúvas, como quem vê em preto e branco e agradece por não ser cego e como quem, imaginando o pior, fica feliz por nem ser tão ruim assim.
Eu, agora, sou o paraplégico que agradece não ser tetraplégico.
E nem estou falando de otimismo ou de força positiva.
É porque voltei a ouvir Chico Buarque e lembrei que antes, ouvindo o Chico, o mundo era uma potência que me esperava. E eu era burro. E era feliz. Assim: na mesma proporção.
(E, claro está, o Chico não tem nada a ver com isso. A culpa, eu prefiro assim, é só minha).
Ah, essa beleza toda que invento e não vem. Que é a beleza linda, tão linda, que vi e esperei enquanto fazia as coisas sem pensar muito, sem sofrer muito, sem achar que subornar era uma boa estratégia de marketing.
Eu fiz minhas coisas. Eu gostava das coisas que eu fazia. E imaginei: eles vão ver e quando virem, verão que minhas coisas são bacanas.
Mas eu perdi. Esqueci de uma coisa bem importante: eles não vêem espontâneamente. Eles vêem se alguém disser que, se a propaganda garantir que, se o amigo for simpático que.
Perdi, meu momô, perdi.
E ouço sambas como quem ouve dores de viúvas, como quem vê em preto e branco e agradece por não ser cego e como quem, imaginando o pior, fica feliz por nem ser tão ruim assim.
Eu, agora, sou o paraplégico que agradece não ser tetraplégico.
E nem estou falando de otimismo ou de força positiva.
É porque voltei a ouvir Chico Buarque e lembrei que antes, ouvindo o Chico, o mundo era uma potência que me esperava. E eu era burro. E era feliz. Assim: na mesma proporção.
(E, claro está, o Chico não tem nada a ver com isso. A culpa, eu prefiro assim, é só minha).
14 de julho de 2011
Meu óculos novo
Tem os sorrisos bonitos e também o medo profundo. Não há sentido. E gente se bate por aí. E isso. E pronto.
E eu não disse que isso é bom. É que estou falando de tolerância, de separar o joio do trigo (algo bem cristão, por sinal) e também de mundo real X mundo ideal.
Há qualquer mínimo de ilusão que deve ser preservado. Quem, em sã consciência, destruiria todas as ilusões? Um idiota da objetividade!, e Nelsão é pai.
E esclareço: não gosto de quem quer ser feliz, de quem supõe felicidade um ponto de chegada, de quem cogita plenitude ou outras transcendências.
É mais simples:
Ter a vida, a coisa toda, o dia à dia, a agonia do tempo, etc, e ter, meio que sabendo-se do auto-engano, a ilusão.
Ilusão como escolha e não como equívoco.
Como explicar?
Tem aquele que vive em engano, achando que tudo é ótimo e/ou vai melhorar (um evangélico, por exemplo, pois neles, nos que conheço pelo menos, há sempre uma ambição perversa de sucesso) e tem o idiota que faz o que tem que fazer e, em sábados alegres, toma uma cachacinha e planeja coisas fantásticas (essa gente que sonha de maneira geral e que imagina uma velhice tranquila, por exemplo).
Não fui tão claro como gostaria, mas paciência...
Quero dizer o que já disseram bem mais precisamente:
veneno anti-monotonia / mágica no absurdo / acorde perfeito maior / amo tanto e de tanto amar acho que ela é bonita / é primavera te amo / mamãe mamãe não chore / só não vá se perder por aí / a tristeza é uma forma de egoísmo / por onde for quero ser seu par / quanto mais porpurina melhor / meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém.
E por aí vai.
10 de julho de 2011
Minha-mumunha: Bandini, quiçá.
Tusso e escarro. E uso isso para atualizar o blogue. E é impressionante a quantidade de muco que carregamos sem saber.
Leio também contos de novos autores. Homens, mulheres, etc: essa coisa que se acostumou chamar "novos autores" ou "nova literatura" ou "de lá pra cá".
Ao ler o que leio sinto-me apto para publicar e também, mesmo que timidamente, imagino-me um proeminente "novo autor". E, espero, a ironia está clara.
De qualquer maneira, ressalto minha falta de talento para coisas bem mais relevantes como ''festas", "espírito coletivo" e "crença na produção artística do meu tempo". E nem sou radical: admiro-me, deveras, com os clipes do Michael Jackson que assisto no youtube. Para deixar claro que acesso à Internet e que acho sim, como o Mano-Caetano-Chatão, o M.J a síntese máxima do Pop.
A verdade é que devo estar falando isso por conta da Flip e das inevitáveis matérias que pipocam nos Jornais. Hoje mesmo, por exemplo, descobri que a grande atração da Flip esse ano é realmente um grande autor. Não porque eu li seus livros, não porque tenham falado de seus livros com tanta empolgação que eu deseje ardentemente ler o que ele escreveu, mas porque, em sua mesa, ele levou a audiência aos prantos. Grande atração é isso. Há coerência. E, repito, nunca li seus livros, mas, quando comprá-los, espero ser levado ao prantos. A pobre da grande atração nem deve ter culpa do que falam sobre ele, mas, se for verdade as aspas da repórter - na qual fui informado que seu nome era em minúsculas porque "ninguém fala gritando" - devo confessar que, muito dificilmente o lerei com "os olhos livres", provavelmente o contrário: lerei-o com os preconceitos que me atacam quando alguém faz questão de que seu nome seja escrito em minúsculas...
Estou, muito provavelmente, sendo injusto. A grande atração com nome escrito em minúsculas deve ser ótimo e tudo, mas é que.
Como explicar?
Tem uma frase do André Dahmer que faz muito sentido: "Sobra anúncio, falta talento". E, veja bem, mesmo que a grande atração tenha talento não foi o seu talento que virou notícia, mas sim a outra coisa, no caso "o anúncio".
E tudo isso por conta da Flip e do espaço que ela tem num jornal de Domingo. Mas a lógica é a mesma: em teatro, em cinema, em música. E taí o Lobão-Também-Chatão que não me deixa mentir: "Sobra anúncio, falta talento."
Meu beijinho, meu até logo. O muco escorre e amanhã é segunda-feira. Amor, já faz tempo, virou uma moda na Net - e quem ninguém se deixe levar pelos casais-cantores que tanto abundam a Internet.
9 de julho de 2011
3 d.c.
O café desce com sabor e calma. Há paz em certas coisas. (E se não digo "felicidade em coisas simples" é por ser preconceituoso e julgar bem mal que usa essa frase).
Ela, em uma delicadeza que havia esquecido, trouxe broas. "Broinhas", ela disse; e resaltou que ainda estavam "quentinhas".
Por mistérios e também por distâncias que ocorrem reparei quase feliz: ela me conhece e eu a conheço. Somos íntimos de maneira geral e nos conhecemos de maneira específica. Ou o contrátrio. Provavelmente o contrário.
O encontro dura minutos, mas passa-se horas. E eu, como ela(suponho), me sinto bem e até, por que não dizer?, radiante.
Ser visto com generosidade por olhos alheios tem um efeito profundo em certas circunstâncias. Foi o caso. E também a certeza que existem afetos longos e gratuítos.
Despedimos-nos e "até breve" é o que penso. Imagino um encontro semanal ou à cada dez dias. Seria uma garantia de sânidade. Não é pouco.
Ela, em uma delicadeza que havia esquecido, trouxe broas. "Broinhas", ela disse; e resaltou que ainda estavam "quentinhas".
Por mistérios e também por distâncias que ocorrem reparei quase feliz: ela me conhece e eu a conheço. Somos íntimos de maneira geral e nos conhecemos de maneira específica. Ou o contrátrio. Provavelmente o contrário.
O encontro dura minutos, mas passa-se horas. E eu, como ela(suponho), me sinto bem e até, por que não dizer?, radiante.
Ser visto com generosidade por olhos alheios tem um efeito profundo em certas circunstâncias. Foi o caso. E também a certeza que existem afetos longos e gratuítos.
Despedimos-nos e "até breve" é o que penso. Imagino um encontro semanal ou à cada dez dias. Seria uma garantia de sânidade. Não é pouco.
8 de julho de 2011
Cada um com sua capelinha.
Tá tudo certo.
Uns fodem, outros bebem.
Questão de estilo e (pra ser claro e falar de mim) habilidade.
Quero dizer: a gente foge. A gente sempre foge. Fugir é uma maneira de melhorar... de tentar melhorar...(ó a merda...) Se dá certo ou não é outra história.
Quem, em sã consciência, enfrenta todos os seus problemas?
Fugir é questão de sanidade. De tentativa, de outras saídas, de formúlas novas pra problemas antigos, de dados num pano verde de um cassino Uruguaio.
Não quero ser condescendente nem generoso. Quero berrar e dizer: merda à todos que nunca cogitam a fuga.
Fuga. Coisa plena. Coisa objetiva. Foge-se porque a polícia está atrás e/ou porque o mundo é mau. Ou então porque o sofrimento é enorme e a culpa é de todos menos sua. A gente se consola na fuga. E é humano buscar consolo. E, pra minha desgraça, humano era o Hitler justificando a matança de judeus...
Fuga. Esse é o assunto: fuga. Quantos a praticaram mesmo? A fuga é uma idéia e não uma prática. E isso é uma pena, uma puta pena. E estou delirando, e estou só, e estou, contra mim mesmo, sentido pena, uma enorme pena. Que sofro e falo sozinho porque tenho preconceito de quem, muito pimpão, compartilha sofrimentos e agonias.
(como sempre repito: o blogue, esse mesmo que agora lê, é meu limite)
Fuga. E todos sinônimos: tempo em casos de amor, distância pra enxergar melhor(?), comportamento auto-destrutivo, porres diante da T.V, etc.
Queria ser claro, mas não estou sendo. Culpa do álcool, da dor, do julgamento que faço com orgulho e empafia. Culpa da injustiça generalizada. Ela, ela mesmo, que nem sabe que trabalho é mais importante do que contatos ou networks.
Sinto-me chato e é inevitável. Quem me entende? Meus melhores amigos me acusam, com razão, de levar à sério o catolicismo... essa religião tão tolerante e generosa com o Cordeiro de Deus... meus amigos não entendem e dizem, sem pensar, que estou preso e que devo ter novos horizontes.
Eles estão certos. Eles sempre estão certos. Preciso de novos horizontes. Mas, cá com meu umbigo, eu deliro: preciso mesmo é de um horizonte único.
7 de julho de 2011
tem sempre fim, clarice.
As carninhas que eu tanto adorava estavam tão distantes. Pareciam anos, séculos, milênios. Faltava meu travesseirinho: as peitucas mezzo fartas mezzo caídas.
Culpa minha, eu pensava. Culpa minha e dessa minha incapacidade de discar os números no telefone e usar a voz. Que ela bem queria que eu ligasse e eu também queria ligar, mas não ligava. Telefones de merda, mundo de merda.
Nem teve tchauzinho. Por ironia a despedida ocorreu ao vivo, mas com ela ao telefone.
As carninhas nunca mais voltaram e eu, todo culpado, fiquei com esse monte de areia na mão.
6 de julho de 2011
A cigarra canta lá fora e isso deve significar alguma coisa.
Olho pra frente e vejo belas bundinhas que passam. Estou no cinema e chego antes por puro fetiche. As gurias do cinema, as gurias que vão sozinhas ao cinema são, por ora, meu fetiche. Gosto do cinema antes, com luz acesa, silêncio e um desconforto generalizado. Desconforto que creio vir do fato que gente vai ao cinema para sumir diante da tela que brilha: a paz de não ser visto, a plateia como uma reunião de individualidades(coisa bem diferente do teatro, por exemplo. Porque, via de regra, no teatro chega-se antes e entra-se junto. Não há trailers no teatro)
Ao meu lado, já protegida pela escuridão, senta uma moça. Tem pipocas, refrigerantes e chicletes. Penso em absurdos, mas apenas penso. Cinema, eu me lembro. Estamos aqui pelo saudável isolamento. Ao lado esquerdo tem um velho que também está só e penso que a fila P é uma bela síntese de um tipo de gente, o tipo de gente que vai ao cinema sozinho em uma terça feira à noite.
O filme é bom e o Woody Allen é do caralho. O assunto é algo que posso chamar de meu assunto: nostalgia. Recebo o filme como quem tem tesão em apanhar e sabe que um tapinha não dói.
Deixo a luz acender e os créditos subirem e vejo os que tem pressa em sair que, como era de se prever, na grande maioria está em grupo. Grupos têm pressa, não indivíduos. A comedora de pipocas, vejo agora, é uma bela guria que me sorri semi-cúmplice e semi-constrangida. Penso novamente absurdos, mas deixo pra lá. O velho da esquerda demora mais do que eu e saio antes não sem reparar que trata-se de um ótimo velho - até cogitei ser o E.Coutinho. Acho que não era, mas poderia ser.
Na fila do banheiro há a comedora de pipoca que, exposta à luz fria, não me olha - o que entendo e respeito. Vou ao mercado do outro lado da rua e penso que adoro as cidades e seus bairros com super-mercados até às 22:00. Nas gôndolas descubro que nem a matemática tem sentido: o livro que paguei $45 foi caro, o whiskey à $49,80 foi uma pechincha. Mundo estúpido.
Bar da esquina e F que resolve parar. F, como eu, faz teatro. Tem a cara abatida de quem faz teatro. Sinto pena dela e sinto pena de mim, mas resolvo que pena, por ora, não é algo (pena é um sentimento?) a ser alimentado.
Casa, casinha, o primeiro LP do Lobão tocando e a Rádio UOL depois disso. Os Americanos são fodas, eu penso. Os Americanos gravam músicas do Brecht e, também por fazerem filmes sobre Paris, são fodas. Lembro do post-it-pálpebra-lenta que recebi e entendo que hoje não sai nada pra responder.
Casa, casinha, super-mercado. Há ovos, hambúrgueres, tomate e pão para a janta. Ao escrever ovos, hambúrgueres tomate e pão lembro da América e o L. Armstrong, em misteriosa sintonia, solta um agudo de seu impressionante trompete.
Casa, whisky-pássarofamoso e caminha. E também a América, a maldita-bendita América. Além dos projetos, os eternos projetos - meus e dos outros.
5 de julho de 2011
2 de julho de 2011
)(
É um monte de coisa.
E também aquele inferno - quentinho - que tanto nos da prazer.
É sobre solidão também.
E sobre Internet e redes sociais.
E hoje vi um feed que exaltava a felicidade das coisas simples...
e o feed era fake como fake é quase todo feed cheio de alegria.
Quem, estando feliz, tem tempo para atualizações variadas?
Seja como for, eu mantenho meu blogue.
É meu limite de descrição e interatividade.
Ainda taro as adolescentes de sexta feiras e penso
sempre nos pais que as criaram com tanta dedicação.
Concluo que sou moralista,
mesmo que à favor do casamento gay, da liberdade sexual e da discriminação da maconha.
E também aquele inferno - quentinho - que tanto nos da prazer.
É sobre solidão também.
E sobre Internet e redes sociais.
E hoje vi um feed que exaltava a felicidade das coisas simples...
e o feed era fake como fake é quase todo feed cheio de alegria.
Quem, estando feliz, tem tempo para atualizações variadas?
Seja como for, eu mantenho meu blogue.
É meu limite de descrição e interatividade.
Ainda taro as adolescentes de sexta feiras e penso
sempre nos pais que as criaram com tanta dedicação.
Concluo que sou moralista,
mesmo que à favor do casamento gay, da liberdade sexual e da discriminação da maconha.
1 de julho de 2011
Nem te conto, Clarice.
Aqueles peitinhos pequenos. Mamilos de moeda de 5 centavos: cor cobre. Eu afastava a boca pra olhar bem e lembrava do Dalton Trevisan. Sugava, sugava.
Tinha também os dedinhos. Um, veja só, um dia explorou minha próstata. "Tesão de cu latejante", ela me explicou. As sardas que se misturavam com o crucifixo de ouro herdado da avó.
A outra, meio bonita meio desengonçada, tinha mania de segurar com as mãos os peitos fartos e levemente caídos. Não entendia de natureza, não sabia de Darwin, mas chupava meu pau com uma habilidade de circo. Uma proeza. Mas faltava algo. Acho que era o fervor católico.
"Mulher sem culpa não dá pé", foi meu padrinho que disse. O canalhão tinha voltado pra titia depois de morar por 6 meses em Bonsucesso com a amante. Ele me explicou tudo. A culpa, eu aprendi, é o que faz um orgasmo feminino ser tão bonito.
O corpinho era pequeno, mas eu me fartava. A mesma do mamilo de cobre. Tocava punhetinha pra mim e mostrava o resultado. Sentia orgulho da mão manchada de branca. Um dia falei "porra" e ela desiludiu. Disse que eu era vulgar e nunca mais apareceu.
29 de junho de 2011
é assim:
- Os dedinhos ficam crispados porque no cinema é assim que se faz. Gozar? É coisa de fracos, de artistas, de bichas. O bom fodedor (a boa fodedora) imagina-se sendo filmado(a) durante o orgasmo.
- Há muita diferença entre o que se é e o que se pensa. Isso é velho. O Sr. Freud deu nomes pra isso: ego, superego, id? Sempre confundo os nomes, mas a regra clara: há uma imagem que se deseja, e há a outra que é - não há vantagem em uma ou outra. Em outras palavras: estamos fodidos.
- A guria quer causar efeito. Efeito peido, eu acho. Assim: dedos na buceta pode; manipular pau também. Não pode: o pau e a buceta. Como explicar? É difícil, mas me esforço: "eu gosto mesmo é de provocar" ou então: "i am a teaser."
- Tenho pensado em 1912. Quero dizer: tenho pensado em começar frases com 1912. Devo googlar esse ano. Quem sabe o milagre é apenas um pensamento que se repete?
- Imaginei algo simples e elegante. Eu diria: - venha até minha casa ver um filme do Cassavetes. Ela diria "não sei", "quem sabe" ou "pode ser". Não haveria perdas. No mínimo teríamos visto um filme do Cassavetes. Não é pouco.
- A segunda mulher que eu trepei me disse que eu era seu décimo primeiro. Por coisas que só se faz na juventude eu lhe falei que era a minha segunda. Ela ficou satisfeita e me deu por 8 meses. No sétimo mês a gente discutiu: ela queria namorar. Daí as fodas tristes do último mês quando ela (e eu também) ainda acreditava em chá de buceta. Ofereceu-me seu cu e eu aceitei vaidoso e de bom grado. Meu primeiro cu! Depois, na última discussão e inconformada por não namorarmos, disse: você foi meu sexto, meu sexto... Foi a primeira vez que notei o óbvio: mulheres são loucas.
- Um Diálogo: - o problema é que eu leio seu blogue./ - mas e daí? meu blogue é apenas um sintôma do meu tédio. / - eu sei, mas você vai me usar pra escrever lá./ - claro que não, a maioria das coisas são inventadas.../ - por isso mesmo, por isso mesmo que seu blogue é um problema. / - mas é tudo mentira. eu invento as coisas lá. / - então, pior ainda. (Segunda vez que notei o óbvio)
- Papai tem mania de grandeza, mamãe acha que entende tudo e todos e maninha esquece que não é mais adolescente. E tem eu: que aqui, e apenas aqui, aponto meus dedos vaidosos. Não gosto de quem guarda o passado como munição, não quero ser o mais compreensivo do planeta e nem acredito em milagres repentinos. Seja como for: tomo café, fumo cigarrinhos e aposto na MegaSena. Em outras palavras: merda do mesmo cu.
- Mania de promessa é uma desgraça. Digo por mim: inventei que 10 era um bom número.
- Solidão-minha-puta, Vida-minha-puta. Domar a puta vida e usar a solidão como estilo e não como fato. Telefonar pros amigos, mandar recados pras gurias, passear no calçadão mais lindo da praia mais suja, puxar conversa com a mulher que lhe sorriu no aeroporto, vender rifas caras pelo vakinha.com, escrever cartas pra desconhecidos, ter planos e rotina, convidar os amigos para almoços de fim de semana, essas coisas. A vida besta. O dia após o outro. O serviço público como autonomia financeira. O 10 desejado.
22 de junho de 2011
20 de junho de 2011
Atualiza-se.
- (coerência interna) Golpes na jogada. É comum. É idiota. Ganha-se dinheiro em cima de alguém. Se esse alguém tiver um lucro bacana, ele topará e fará contas. (E lucro não tem necessariamente a ver com dinheiro). Tudo certo. A questão é: querem ganhar dinheiro em cima de você e a porcentagem é muito irrisória. Além do óbvio: imprimir é, graças aos tempos atuais, tarefa simples. Editora e impressora são palavras diferentes, não?
- As loucas não entendem nada de nada. Elas acham que ser ''loucas'' é o lance. Mas não é, nunca foi. Homens não gostam de loucas... quer dizer... até gostam... mas não pela loucura. Loucas são promessas de sanidade. Interessa-me a louca que, por mim, vira sã. E não a louca que é e sempre será louca. A eterna louca é uma chatice, uma obviedade, um equívoco com uma buceta entra as pernas. Preço caro demais, em outras palavras.
- Nunca mais uma mulher decente, devo confessar. Só arremedo, só Patricinha Rock'and'Roll, só orfãs querendo provar algo. Deus tá no ceú e o diabo tá no inferno, é o meu limite. Que o quem sabe- talvez- pode ser/pode não ser é um infinito que não me interessa. Prediro o SIM ou o NÃO. Que essa idéia de INFINITOS POSSÍVEIS ou de MIL POSSIBILIDADES é um jogo desesperado pra quem nada tem e sente medo de TER.
- Não tenho mais idade pra quem acha que boquete é diferente de sexo. E, esteja claro, adoro boquetes. Sexo não é um pau na xota. Sexo é um princípio e uma prática. Há limites nisso: dar o cu e manter o hímem não mantém virgindade, por exemplo. Por essas não entendo... Que "chá de buceta" é coisa de crianças e não existe, que "sova de pica" é apenas um assunto de mesa de bar, que "a melhor foda da minha vida" depende mais de treino do que de paus e/ou bucetas milagrosos.
- Ter o que se tem é fácil. Por isso desconfio de mim. Por isso desconfio dos outros. Sou desconfiado, eu sei. Seja como for, quero dizer: até logo, até mais. Há um céu que fica muito bonito no inverno e há crianças que me constrangem por todas possibilidades que carregam por serem crianças. Por serem crianças, eu disse e repito. Que "começar de novo" e "se reinventar" só faz sentido em adultos armagurados.
- Chega.
17 de junho de 2011
Não Renderei.
*
há uma raiva e uma indiferença no ar. E, unidas, me consomem juntas e inutilmente.
Porque li isso e aquilo, porque estou vivo, porque recebi mensagens fofas e porque nem todo dia é, ou deve ser, santo.
Devo culpar o mundo. As amarras do mundo, a injustiça do mundo, a previsilidade do mundo. Mas o mundo nem é bem alguém ou algo à ser culpado. O mundo... tão estúpido e óbvio falar do mundo.
Retiro-me então.
Sem paciência, sem crenças contagiantes e sem frases otimistas.
Enganar a si próprio é uma habilidade que, definitivamente, preciso melhorar.
*
há uma raiva e uma indiferença no ar. E, unidas, me consomem juntas e inutilmente.
Porque li isso e aquilo, porque estou vivo, porque recebi mensagens fofas e porque nem todo dia é, ou deve ser, santo.
Devo culpar o mundo. As amarras do mundo, a injustiça do mundo, a previsilidade do mundo. Mas o mundo nem é bem alguém ou algo à ser culpado. O mundo... tão estúpido e óbvio falar do mundo.
Retiro-me então.
Sem paciência, sem crenças contagiantes e sem frases otimistas.
Enganar a si próprio é uma habilidade que, definitivamente, preciso melhorar.
15 de junho de 2011
Andy Maatz Warhol Fernandinho.
14:37 o telefone toca e desconfio. Sou desconfiado, por assim dizer. Deixo tocar. Desiste fácil. Nada importante.
14:48 volta a tocar. Penso. Olho o aparelho que deve estar com algum defeito. Faz uuuu e não o Trimmmm que programei. Mudo o botão que está atrás do aparelho e continua o mesmo uuuu que não era pra ser. Paciência.
Às 15:02 volta a tocar. Confiro o relógio e penso: Mãe? Não, porque falei com ela ontem. Vó? Não, pelo mesmo motivo. Amigo(a) precisando de palpite? Teriam ligado pro celular.
Espero tocar. Conto 6. Na sétima atendo:
- Alô?
- Sou eu...(diz o nome)...
- E daí,(digo o nome)? Mó tempão, hein?
- É... é...
- Diz aí.
- Porra, velho. Li teu blogue...
- ... Sério...?...
- Sério...
- Caraca, nem imaginava tu lendo aquilo lá...
- Eu leio, cara... entro todo dia.... nem sempre eu tenho saco de ler tudo, mas sempre entro...
- Ah... legal... mas e daí? O que conta? As novidades...
- Velhão... mó merda aquele seu texto sobre mim... mó sacanagem, porra...
- ...
- Eu até tô ligado que tenho essa fama, mas mesmo assim... escrito é foda....
- Velho, não to entendendo... tu deve...
- "Fama de comedor"... sacanagem, né?
- ...
- Escrito é foda...
- Aí... nem escrevi falando de você.
- ...
- Nem sabia que tu lia lá....
- ...
- (nome?)
- Rárárá! Essa foi boa, hein?
- Rá....
- Mas e daí, safado? Essa pançinha, como tá? Sabia que ia te pegar...
- Me pegou, me pegou...
Conversamos. Assuntos postos em dia: trabalhos, filhos, projetos e projetos, encontros com terceiros e promessas de "vamos marcar."
15:13 marca o relógio do computador.
- Caralho... bom falar contigo...
- Porra, é mesmo... tá marcado, né?
- Claro...
- Ah... e fique sabendo... eu leio o seu blogue... rár...
- Tô sabendo... nem imaginav....
- Cara, li aquilo e pensei: vou ligar e pilhar...
- Rárárá... foi engraçado, por um momento pensei que você tav...
- Então tá marcado, hein?
- Beleza. Falamos...
- Falamos.
O telefone faz tututu e olho o relógio. 16:03. Deve ter algo errado. Sempre há algo errado. Ligo pra J e conto a história. Ela confirma: - algo errado. Pergunto da vida e ela diz: -"Ok, isso aí". Desligo o telefone.
16:07.
Algo errado, repito.
14 de junho de 2011
tesão. eu te amo.
Ver a guria que me olha e que faz cara de quem me conhece, mas não, infelizmente não, nós não nos conhecemos. Ela passa (elas sempre passam) e tem o nariz adunco mais tesudo do Oeste. Peito pequeno, corpo magro e ossudo, calça feminina tipo terninho e uma bunda com o acúmulo de gordura mais Darwiniano do mundo. Imagino fodas fantásticas e imagino filhos que darão mais autoridade à ela. Ela tem seu belo nariz adunco e passa. Eu a vejo e escrevo no blogue, assim entre uma punheta e outra.
13 de junho de 2011
Relatinho.
FICA ASSIM:
- Uma tristeza que vejo e reparo. Digo: "-você está com a cabeça dura." Ela pede explicações e falo que ela tá com a lateral da cabeça tensa. Explico: "-parece que tá fazendo força pra mexer a orelha, sabe?" Ela diz que sabe, mas não sei. E tanto faz. Penso: "Se ela fosse minha mulher, eu estaria neurótico por essa agonia velada." Deixo-a em paz.
- Queria beber em paz. Assim: livrinho da vez, duas cervejas e casa. Tudo vai bem até que senta essa dupla de cinema ao meu lado. Falam sobre projetos, sobre leis de incentivo, sobre oficinas para um evento, sobre robótica, sobre... Tento abstrair, mas não consigo... sobre dinheiros atrasados, sobre o Circo Voador, sobre o cachê que não cobre o transporte... A segunda cervejinha desce com pressa e sinto algo que deve ser ódio. Quero pagar a conta. Resmungo à caminho de casa: "- Esse bar é meu, eles estão no lugar errado, por que sentar tão perto de alguém que bebe sozinho com um livro à tira colo?" Triunfo: "-Em Curitiba não teria esses problemas."
- Ouço algo que me deixa triste. Pela primeira vez pensei em telefones, em mensagens de otimismo, em porres inofensivos de ex-amantes. Gostaria de dizer que não é assim. Que ter opinião não é assim. Que se impor não é assim. Que inteligência não precede conflitos ou desconfortos. Que cada um faz o que tem que fazer e que atrapalhar a vida dos outros é apenas uma pauta do CQC. Queria, na demonstração de afeto mais sincera, dar-lhe um tapa na cara e dizer: "- Para com isso, se enxerga. Deixe de querer provar algo que não precisa de provas. Sua solidão não será aplacada por gritos no escuro."
- Descobrir que alguém tem fama de pau pequeno é algo que não vale a pena. Simplesmente porque agora, toda vez que ver o alguém em questão, lembrarei: "Ele tem a fama pau pequeno" E essa é uma informação estúpida e que só se descobre ao conviver com mulheres. Porque mulheres, mais do que homens, falam sobre isso. Até porque, entre homens, como esse assunto surgiria? Então lamento o conhecimento adquirido e, inevitável, pergunto pra mim mesmo:"Será que tenho pau pequeno? Ou pior: será que tenho fama de pau pequeno?" Mas eu mesmo me consolo: "Pelo menos poucas mulheres viram, de fato, meu pau."
11 de junho de 2011
Faço contas, faço testes.
Não consigo comprar o livro que eu queira e minha desconfiança aumenta. Primeiro porque sou desconfiado e segundo porque uma boa distribuição é o mínimo que se exige. Estou falando sobre mim e sobre coisas boas que ocorrem, mas que, mesmo boas, causam-me desconfiança. (Poderia chamar isso de curitibanice, mas nem. Ta aí a Banda Mais Bonita da Cidade e A Gazeta do Povo mostrando que esse papo de identidade é ultrapassado... "somos todos um só" é o subtexto que nem fede nem cheira. E viva a rede e foda-se o resto. Mas, cá com meu umbigo, ainda prefiro o Leminskão e seu deboche cheio de requinte.)
Mas volto. Tem algo a ver com ''medo de sonhar'' - coisa que volta e meia falo pra gente próxima e que, de maneira geral, é bem entendido. Porque sonhar é bom e é fácil e alimenta. Porque tenho feito isso há anos e, porque, com os anos que passam, a gente se torna, em maior ou menor grua, vítimas dos próprios sonhos.
Então recebo a boa noticia e sorrio. Daí, ainda sorrindo, vou desconfiando. Faço pesquisas, descubro lapsos e implico com cortes de cabelos.
Resta esperar. E também, entre um cigarro e outro, assistir ao ótimo Mad Man.
Mas volto. Tem algo a ver com ''medo de sonhar'' - coisa que volta e meia falo pra gente próxima e que, de maneira geral, é bem entendido. Porque sonhar é bom e é fácil e alimenta. Porque tenho feito isso há anos e, porque, com os anos que passam, a gente se torna, em maior ou menor grua, vítimas dos próprios sonhos.
Então recebo a boa noticia e sorrio. Daí, ainda sorrindo, vou desconfiando. Faço pesquisas, descubro lapsos e implico com cortes de cabelos.
Resta esperar. E também, entre um cigarro e outro, assistir ao ótimo Mad Man.
9 de junho de 2011
poesia contemporânea, eu aprendi.
é uma poesia aí
feita sempre
em versos curtos
e que nunca
usa vírgula
ou ponto
a síntese é um
fetiche
e as rimas
são muito suspeitas:
não rima falar de beliches,
não rima falar em efeitos
deve-se privilegiar a crueza
das palavras que nunca
por nada emitem opinião.
poderia dizer "geração tanto faz"
mas seria errado
porque certo é pensar
"tudo pode ser",
mesmo que vírgulas
e pontos
e aspas
desapontem minha
tímida clientela
estou só
e vejo charme
em rimas
e
sinto dó
de quem não fode
nem sai de cima
mas estou
por fora
não tenho twitter
e nem creio
que
amor verdadeiro
dure segundos
para meu
prejuízo
não acredito
em ternuras súbitas
e tão pouco em vídeos
postados no youtube
feita sempre
em versos curtos
e que nunca
usa vírgula
ou ponto
a síntese é um
fetiche
e as rimas
são muito suspeitas:
não rima falar de beliches,
não rima falar em efeitos
deve-se privilegiar a crueza
das palavras que nunca
por nada emitem opinião.
poderia dizer "geração tanto faz"
mas seria errado
porque certo é pensar
"tudo pode ser",
mesmo que vírgulas
e pontos
e aspas
desapontem minha
tímida clientela
estou só
e vejo charme
em rimas
e
sinto dó
de quem não fode
nem sai de cima
mas estou
por fora
não tenho twitter
e nem creio
que
amor verdadeiro
dure segundos
para meu
prejuízo
não acredito
em ternuras súbitas
e tão pouco em vídeos
postados no youtube
8 de junho de 2011
um dia faço um tratado
O tema é óbvio e velho. Enquanto o tratado não chega, eu cago regras. Com prazer, ora pois. Fica assim:
Breve caga regra sobre um arquétipo negligênciado: o imbecil.
Breve caga regra sobre um arquétipo negligênciado: o imbecil.
- Ele tem dentes brancos e sorri com facilidade. Gosta de exaltar a dor, o prazer, a alegria ou a tristeza. Tanto faz. O imbecil é um exaltador compulsivo.
- Como bom imbecil, ele procura coerência. Gosta de aplicar na bolsa, de aproveitar a valorização do Real em Buenos Aires e ama, como todas suas forças, as reprises da década de 80 no Canal Viva. O imbecil sente nostalgia pela década de 80. É um "ploc".
- Em festas ou bares, ele canta alto. Lembra de todas as músicas que ninguém mais lembra. Leu Paulo Coelho para poder criticar com embasamento e acha que as mídias sociais são o coqueluche dos artistas anônimos. O imbecil, como sempre, julga-se um visionário. Vê arte onde arte não existe. Faz curadoria de blogues e artístas plásticos virtuais.
- Como não poderia deixar de ser, o imbecil se julga um homem de seu tempo. Mas o imbecil, por imbecil ser, julga errado. Fala sobre a falta de tempo e sobre o suor que é o pão de cada dia. O imbecil super valoriza o cansaço e, sem saber, repete lições bíblicas. O imbecil, pra piorar, compartilha seu cansaço em feeds virtuais.
- O imbecil, em 2011, acha graça em ser múltiplo. Ele é escritor, diretor, ator, poeta, DJ, blogueiro, video-maker, inventor de coletivos e, entre outras coisas, pai de uma linda menininha de 3 anos. O imbecil é múltiplo e vasto, atua em várias áreas sem nunca ter a dignidade de usar um simples pseudônimo.
- O imbecil se supõe vários e está certo. Ele é nenhum.
6 de junho de 2011
Expremo limão no gim e vislumbro grandes possibilidades. Estou falando de sonhos, de desejos realizados, de generosidade do mundo.
(Queria pôr no Facebook o Rebento com o G. Gil cantando, mas só tinha uma versão da E. Regina - que, a gente sabe, canta como ninguém. Mas nessa música - e em algumas outras também - ela canta como quem precisa provar que é uma grande cantora. Coisa que ninguém questiona além dela mesma.)
E, na procura, passei pelo Realce: música pérola-manifesto contra o marasmo comedido das manifestações artísticas. E lembro do Zé Celso dizendo sobre a nomeação do G. Gil como ministro: " - a melhor coisa que ele faz pra Cultura Brasileira são suas músicas". E o Zé tinha razão. E Rebento e Realce tem a ver com isso.
E, inevitável, lembro que sou solidário aos que não gostam do C. Buarque como escritor. Porque, tirando as peças, os dois livros dele que li (Fazenda Modelo e Benjamim) são chatices presunçosas e afetadas que, cá comigo, "só" ( e as aspas desse só são honestas) foram publicadas porque ele é o Chico, aquele mesmo, que tem músicas fodas e que, mesmo sem querer, balbuciamos desde que nascemos. Chico Buarque, o das músicas, é um gênio.
E, como era de se esperar, vou falar do C. Veloso. Porque ele é ótimo e tem músicas absurdas e belíssimas - como a Tropicália e suas rimas e misturas verdadeiramentes modernas ou Muito Romântico, onde ele parece explicar seu gosto por falsetes e também sua ambiguidade sexual que, mesmo legítima, às vezes aparenta ser apenas uma jogada de artista que usufrui da Pop-Arte. E ele agora tem, além do banquinho e do violão (em outras palavras: a MPB mais pobre do mundo), uma Maria Gadú à tira colo - coisa que não entendo e nem quero. Porque, sejamos francos, M. Gadú é chato e velho. Imagine um Zumbi simpático e eis que surge a M. Gadú em cinema 3D.
De forma que encerro por aqui. Pode não parecer, mas estou sendo otimista como M. R. Paiva é. Estou falando algo antigo e repetido: o jôio e o trigo devem ser separados. Não porque haja o melhor e o pior, mas porque temos escolha e Deus, que nem precisa existir, nos deu uma árvore proibida como opção. E a gente optou. E assim seguimos.
4 de junho de 2011
* * *
A agonia deve ser uma elegância. Ou então deve ser contida. Quero dizer algo simples: divulgar a própria agonia esperando flores é algo muito (mas muito mesmo) idiota. É como alguém que tenta causar interesse em outrem pelo ato de respirar.
*
Sumir pode ser uma saída. Mas, nesse caso, sumir é sumir. Não se pode sumir anunciando que esta sumindo. Sumir é sumir, eu repito. Isso tem a ver com algo bastante cotidiano: a diferença entre pensar e fazer.
*
Não vou me estender sobre punhetas ou sobre sexo. É um assunto antigo. Sexo se faz por aí. Você pode cometer sexo ou se acometido(a) por sexo. Isso não importa. A questão é simples: não misture alhos com bugalhos, mesmo que, como disse o Millôr, ninguém saiba o que são bugalhos.
*
Sumir pode ser uma saída. Mas, nesse caso, sumir é sumir. Não se pode sumir anunciando que esta sumindo. Sumir é sumir, eu repito. Isso tem a ver com algo bastante cotidiano: a diferença entre pensar e fazer.
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Não vou me estender sobre punhetas ou sobre sexo. É um assunto antigo. Sexo se faz por aí. Você pode cometer sexo ou se acometido(a) por sexo. Isso não importa. A questão é simples: não misture alhos com bugalhos, mesmo que, como disse o Millôr, ninguém saiba o que são bugalhos.
3 de junho de 2011
Fernandinho escreve torto.
Elas eram quatro.
Por algo que nem quero saber me chamavam de "Fernandinho."
Uma delas, se não me engano a mais velha, estava bêbada pela primeira vez.
26 anos e primeiro porre. Há algo errado aí.
Tenho bebidas, tenho comidas, moro sozinho, sou educado e simpático também. Ofereço gin, ofereço vinho, ofereço whiskey. Sou super educado, pensando bem. Faço pão de queijo.
Elas conversam. Eu ouço e meio que participo. Assuntos comuns: paus grandes ou pequenos, quantidade de paus per vagina, amor e sexo, paixões que se supõem maiores do que foram.
Há vozes altas, ameaça de reclamação de vizinhos e as quatro dizem estar bêbadas. Acredito.
Vislumbro: peitos sardentos, primeiros beijos lésbicos, risos eufóricos e (por que não?) uma boquete com 2 ou 3 bocas.
Uma delas se vai. Outras ligam para suas casas pra avisar que dormirão na casa da amiga. Eu aperto quem eu posso apertar. É bom, é bem bom.
Sono da apertada e há duas que falam e acompanham no gin e no cigarro. Imagino ataques, imagino segredos e nem tento nada porque, é bom lembrar, sou educado e simpático.
É tarde, bem tarde e o sono da apertada atinge a todos.
Há sacanagem na cama e vómito no banheiro. Vómito (óbvio) da bêbada tardia, mas quem se importa?
Há uma bela bunda, peitos que são melhores do que sua dona acredita e dedos instruídos para dentro de uma buceta.
O vómito termina e meu quarto-e-sala está cheio. Há chances. Siriricas? Punhetas? Quem sabe algo de ladinho? Mas nada de nada.
Falta paciência, falta espaço, falta qualquer coisa que nem imagino o que seja.
-
Quando acordo penso se ronquei ou não. Concluo que sim porque simplesmente ronco.
Vejo-as saírem e penso que ainda falta.
Faço café e lembro do que gosto:
voz aguda, falsa segurança, meias-calças que desaparecem, medo discreto e - ainda que em menor grau - jogo cujas regras desconheço.
Mas quem se importa?
-
-
(Domingo à tarde. Assim: sem ser à noite e sem ser dia útil. [Almoço talvez]. Domingo à tarde. Tem O Globo e as horas arrastadas. Tem a casa e o cinema às 18:20. Domingo à tarde...)
Por algo que nem quero saber me chamavam de "Fernandinho."
Uma delas, se não me engano a mais velha, estava bêbada pela primeira vez.
26 anos e primeiro porre. Há algo errado aí.
Tenho bebidas, tenho comidas, moro sozinho, sou educado e simpático também. Ofereço gin, ofereço vinho, ofereço whiskey. Sou super educado, pensando bem. Faço pão de queijo.
Elas conversam. Eu ouço e meio que participo. Assuntos comuns: paus grandes ou pequenos, quantidade de paus per vagina, amor e sexo, paixões que se supõem maiores do que foram.
Há vozes altas, ameaça de reclamação de vizinhos e as quatro dizem estar bêbadas. Acredito.
Vislumbro: peitos sardentos, primeiros beijos lésbicos, risos eufóricos e (por que não?) uma boquete com 2 ou 3 bocas.
Uma delas se vai. Outras ligam para suas casas pra avisar que dormirão na casa da amiga. Eu aperto quem eu posso apertar. É bom, é bem bom.
Sono da apertada e há duas que falam e acompanham no gin e no cigarro. Imagino ataques, imagino segredos e nem tento nada porque, é bom lembrar, sou educado e simpático.
É tarde, bem tarde e o sono da apertada atinge a todos.
Há sacanagem na cama e vómito no banheiro. Vómito (óbvio) da bêbada tardia, mas quem se importa?
Há uma bela bunda, peitos que são melhores do que sua dona acredita e dedos instruídos para dentro de uma buceta.
O vómito termina e meu quarto-e-sala está cheio. Há chances. Siriricas? Punhetas? Quem sabe algo de ladinho? Mas nada de nada.
Falta paciência, falta espaço, falta qualquer coisa que nem imagino o que seja.
-
Quando acordo penso se ronquei ou não. Concluo que sim porque simplesmente ronco.
Vejo-as saírem e penso que ainda falta.
Faço café e lembro do que gosto:
voz aguda, falsa segurança, meias-calças que desaparecem, medo discreto e - ainda que em menor grau - jogo cujas regras desconheço.
Mas quem se importa?
-
-
(Domingo à tarde. Assim: sem ser à noite e sem ser dia útil. [Almoço talvez]. Domingo à tarde. Tem O Globo e as horas arrastadas. Tem a casa e o cinema às 18:20. Domingo à tarde...)
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