- Meu afeto diz mais ou menos assim: - eu mastigaria os seus cabelos. E não vai aí nenhuma figura de linguagem. Mastigar cabelos é uma ação que fala por si. Seria assim: - Por que você sente atração por ele? / - Porque ele mastiga meus cabelos. Ou então: - Por que ela é bonita? / - Porque eu adoraria mastigar os cabelos dela.
- Hoje, quando acordei, reparei que havia em minha cueca aquele úmido que podemos chamar de pré-porra. O pré-porra é natural, mas nem sempre acontece. É como se o pau existisse para independente do corpo.... Como explicar? Difícil... mas a lógica é: como o pau não sabe falar, ele usa a pré-porra como meio de comunicação.
- A passagem do tempo não é boa nem ruim. O tempo passar não garante nada. É apenas parte da natureza. Em 10 anos pode tudo ter sido péssimo ou ótimo, tanto faz. Tempo não equivale à melhor ou pior. Tempo passa apenas. Querer que o tempo resolva coisas é burrice. Achar que a experiência de alguém com mais tempo no mundo é superior à de pessoas com menos tempo no mundo é como achar que o tempo, per si, melhora as coisas. Com isso, quero dizer: infelizmente não é o tempo que resolve as coisas, é você.
- O terrível sou eu mesmo e o prazer de julgar as malucas que existem ou não, que invento ou não. Malucas que me deixam de pau duro e pras quais toco as mais delirantes punhetas. É como um ensaio que não pensa na estréia.
- Meu adeus e meu até logo. Meu umbigo e eu mesmo: a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas mentiras e o mesmo jardim. É algo que chamo de DIVERSÃO.
9 de maio de 2011
pensar durante o domingo.
7 de maio de 2011
- pensei em M ontem. E hoje vi uma tirinha do genial Laerte que deveria copiar e mandar pra M. Mas nosso "caso" é de outra ordem e antiquado. Porque, entre outros mofos, acreditamos em palavra no fio do bigode.
- Erasmão toca na minha rádio. Contra mim mesmo, afirmo: Marisa Monte sabe das coisas. Que Erasmão rock's e ela tava ligado sobre o que o Midane(?) falou: - Erasmo é o gênio da dupla.
- sou uma criança satisfeita. Implico com crianças como eu. É que intimidade em feeds de facebook me irritam. Meu limite, nesse sentido, é meu blogue. Inclusive confesso: sinto-me um bocado decente e ciber-vampirismo está na moda.
- Foder é necessário. Toda vez que saco 300 reais no banco cogito gastar com um puta. A merda é que 300 é pouco - não para a foda, mas para o mínimo de ternura que me garante uma boa ereção. Acho que com mais 200 resolvo a questão. Ternura, além da garantia de boa ereção, tem a ver com o que surge com a generosidade - financeira ou não.
- Filmes baixados no computador e a lembrança do caga-regra que me disse: - somos móveis. E isso é uma verdade cruel e fatal: - somos móveis. Que se vai e se volta. Que mudanças não quebram armários. E a gente vai levando - como a música que lembrei ao lembrar de M.
6 de maio de 2011
depois.
tudo está bem sem estar bem e isso é que importa. Que a vida não é legal ou perfeita. A vida é a vida e aí estamos. Que estar morto é, no mínimo, feio: o algodão nas narinas e a desagradável palidez.
então falamos. Choramingos dos bons e quem, além de nós mesmos, entende nossas dores? Por isso somos amigos. Choramingamos em dupla sem sequer saber que choramingos são. Tá tudo certo e assim que é.
Devo, por justiça, dizer: falei pra caralho. E gordo falando é uma beleza: a língua fofa, o risco de infartos e a falta de fôlego que entre corta as exclamações.
Então finalizo dizendo que meu mundo está mais organizado. O desabafo, ouvido ou falado, parece sempre ser eficiente. "Não teremos câncer", é uma piadinha que eu e/ou meu bom amigo acharíamos graça.
Ficam os planos, os delírios e a certeza de que jamais haverá acusação de contradição. Que só idiotas acham que contradição é errado. E eu e meu bom amigo, juro pela minha mãe mortinha, não somos idiotas - a despeito da aparência de O Gordo e O Magro que temos quando andamos lado à lado.
5 de maio de 2011
antes e depois.
vou ligar pro meu bom amigo e ouvir o que ele fala. Que ele fala pra caralho e eu sei. Mas a gente não se fala faz tempo e saudades, quando bem usada, é uma palavra linda.
Vou ouvir ele falar e ele é tipo carioca otimista: um inferno pra mim, curitibano cinza. Mas é por essas que tenho certeza quando o chamo de "amôr", sempre acentuando meu sotaque curitiboca enrustido.
Seja como for, estou animado e o puto que me aguarde. Que tenho mil coisas pra contar e ele que, depois de falar pra caralho, terá que me ouvir.
Nossa amizade não tem porquê e isso é o belo da coisa. Que "identificação" é coisa de idiota.
E disso, garanto, nós dois sabemos.
p.s. volto para o depois que sim sim, sou um nerd com blogue. (o nome disso é mea-culpa)
4 de maio de 2011
3 de maio de 2011
na pág. 23 de ACC
2 de maio de 2011
Benedito tenha dó.
Aquilo tinha sentido. Dançar ao invés de rezar. E a dança era uma reza.
Dava pra ver uns padres que não gostavam nada daquilo: cruzavam os braços, sorriam duros e, meio inconscientes, faziam gestos obscenos com as mãos.
-
Os cigarrinhos dos católicos, as cervejinhas dos católicos. Lembro do J. Fante falando sobre catolicismo e acho tudo legal, bem legal. Que católicos dizem 'pecadinho' e sabem que a carne é fraca. O cordeiro de Deus deixando a gente a morrer tranquilo. Que católico bom vive pra morrer bem - a vida aqui não importa, eles ensinam. O lance, eu entendi, é a Nossa Senhora da Boa Morte.
-
Nossa miséria brasileira dando lição pra todos eles. Que eles proíbem burca em local público e coisas do tipo. Que eles não entendem que tudo se mistura e tudo fica bem - e bem não é perfeito. E há batuques em igrejas, Nossa Senhora Pretinha e padres que, por trás do colarinho, têm um cordão de umbanda.
-
Então vou dançar enquanto me lembro da frase que acho ser do Nietzsche: "não acredito em um deus que não dance".
26 de abril de 2011
antes que.
A cabeça é uma pipa e está tudo certo. A vida besta me seduzindo com suas garras e a velha brincadeira de "eu não sou eu". E tudo está ótimo. E há paz e indiferença. Que sem indiferença, paz não haveria no encantado mundo de Fernandinho, eu mesmo, muito prazer.
Por ora ouço o Ramones e concluo que os Strokes são uma versão saxônica dos Los Hermanos. Ou seja: pode ser bom e/ou legal, mas nem tenho saco de ouvir. O desejo de ser sedado dos Ramones é mais fodão no mundo encantado de Fernandinho, eu mesmo. E também o "hey, ho, let's go" - que isso é sim tem o tal poder de síntese ufanado geralmente em coisas zen e blablablas orientais.
Daí que imponho minha rotina indo ao Coimbra. Levo meu livro e beberico entre uma ou outra olhada na TV. E na TV tinha esse Japa tarado por estatísticas que faz um jornal com curiosidades estatísticas nos jogos. E o Japa tarado disse que o ideograma Japa pra sorte também quer dizer felicidade. E pensei que acredito em sorte, mas não em felicidade. E agradeci muito, muito mesmo, por ser brasileiro e não japônes.
Descobri uma mulher histérica. Com "mulher histérica" quero dizer a histeria que o Freudinho explicou e que era bastante comum no fim do séc. XIX. Ou seja: é uma histeria clássica, dessas que vem da incapacidade de obter qualquer satisfação sexual. Algo que mudou muito de lá pra cá já que que a prática masturbatória perdeu o status de tabu. O caso da mulher histérica que descobri é bem raro: não é que falte a satisfação sexual real durante o ato sexual; é que a idéia de satisfação sexual é desconhecida - já que ela considera indecente (anti higiênico) uma mulher que mexe na própria buceta. Por exemplo: ela assume ter feito sexo anal, mas renega qualquer chance de tocar a própria buceta. Um mistério, no mundo de Fernandinho.
Eu não sou eu, a vida besta e nada importa. É a santíssima trindade do que posso chamar de felicidade. De forma que não confundir felicidade com sorte se torna fundamental. E além de Strokes e Ramones, tem o Chuck Berry que nos tira todas as dúvidas. A ausência de dúvidas poderia ser chamada de paz (como a morte que é a "paz eterna"), mas isso, agora, não vem ao caso.
18 de abril de 2011
Entendia o amor como perseguição.
Adorar, pela voz que usava, tinha a ver com dor, com sofrimento, com agonia. Devo confessar que eu gostava e me achava macho. Muito macho. "Macho é ela dizer que me adora com essa voz".
Inventei regras pro jogo. Disse de dor, de sofrimento e de agonia. Era um campo de pesquisa... falava as palavras e reparava como ela reagia. Como ela sempre ria e/ou gargalhava, eu achava que sabia onde estava indo.
Fui pra São Paulo sem avisar. A viagem mudou de repente e durou mais do que eu pensei. Telefonei de Curitiba. Tinha dor, sofrimento e agonia na voz. Quase gostei. Expliquei que ía ficar 2 dias fora, mas que tinham virado 6.
A voz veio com mágoa:
- Eu só adoro quem me persegue.
Ri porque a frase era boa e denotava humor. Errei. Errei feio. Era uma frase séria e que exigia respostas. Fiquei quieto.
- Quem me ama, me persegue, tá ligado?
Disse que ligava assim que estivesse no Rio. Mas ela nem riu nem gargalhou.
Disse:
- Até logo.
Ela disse:
- É.
16 de abril de 2011
a alegria suspeita.
ou raiva,
ou desprezo,
ou amor.
A merda é que foder é oscilar.
Em outra palavras: fode-se mais com outras coisas do que com essas três.
Eu sofria,
eu sofro.
Tinha raiva por força,
fodia por tédio
e dormia muito muito mal após a foda.
Mas dormia abraçado quando abraçar era o caso.
Era legal,
sou legal.
Contentei-me:
as pequenas fodas,
os orgasmos eufóricos,
o sexo oral como substituto da penetração:
sêmem desperdiçado em tetas ou bocas...
Lamentava,
lamentei e lamentaria.
#
Vieram as estrelas,
vieram os gritos,
vieram as velhas histórias sobre ser ou não ser feliz.
Adeus.
#
À merda a felicidade
e o otimismo dentro da gaveta
que só espera a abertura da gaveta.
À merda o entusiasmo de três noites
e os amores por doentes terminais.
#
Eu,
cá comigo,
acho
a
solidão
bem
decente.
declaração:
Eu gosto tanto de você,
mas tanto,
que se
você
morresse
agora,
eu
ia
te
amar
pra
sempre.
15 de abril de 2011
mmc -
minha raiva era discreta e eu tinha duas vantagens: saber sorrir e ser discreto. mostrava meus dentes e alisava minha pança. estava delirante e murmurava pra mim mesmo no mictório: o único afeto que quero é de quem vê minha peça, porque quem vê minha peça pode falar de mim, porque afeto é ver a minha peça porque me conhece. o xixi era um amarelo escuro e encorpado, sentia-me macho com aquele mijo. lembrava dos videos de "chuva dourada" na internet.
então eu voltava e virava mais um copinho. coisa de criança, eu pensei. beber, fuder, cheirar, fumar, falar palavrão... tudo coisa de criança. eu era uma criança estranha, minha mãe me disse. coisa de criança... quem entende? é como ontem: vi a moça e reparei no quanto seus olhos eram apáticos. ela exalava apatia, mas só eu notava. por isso estava só.
meus cigarrinhos se multiplicavam e eles são meus brinquedos. mesmo com tosse, mesmo com catarro. soltei minha última fumaçinha e me despedi educadamente. o ônibus chegou rápido e eu sentei na janela. olhei a orla e fechei os olhos pra sentir o vento que vinha. sorri e balançei a cabeça. coisa de criança.
14 de abril de 2011
12 de abril de 2011
11 de abril de 2011
Mil é nenhum - há urgência.
- Os dedos crispados. Aquele tesão que não sabia o que fazer e arranhava. Era coisa de criança, resposta de bicho: dois adolescentes que, repentinamente, descobrem o inferno que burramente se chama de orgasmo. Eram dois animais juntos fazendo o que os animais treinam separados. Orgasmo vinha com dor. Tesão era pavor. E amor era compartilhar essas loucuras.
- Nenhuma paciência para desentendimento. Que estou velho e gosto de quem me entende e de quem por mim é entendido. Distrair-se é legal, mas nem é o caso. Graças ao bom Deus inexistente eu não gosto de tensão sexual. E graças ao bom inimigo de Deus, o Diabo, eu desconfio de quem gosta de tensão sexual. É meu preconceito velho: quem valoriza a tensão tende a preferir a tensão. E, cá comigo e meus Lowens, a tensão deve ser esvaziada e não acumulada à ponto de nunca se esvaziar.
- Ver bundas me acalma. Se eu estivesse com a Branca e dissesse isso ela teria raiva e/ou ciúmes. E eu gostaria do ciúmes e/ou raiva dela. Porque a raiva/ciúme tinha sentido de ser e a recíproca seria a mesma. Porque ciúmes não precisa ter sentido ou porquê. É parte do lance do amar. Lembro quando Sônia teve ciúmes. Ela me disse que seu desejo era escrever com batom no meu computador. Nesse dia entendi que Sônia gostava da cena do ciúmes. Sônia não tinha ciúmes. Era o bafo do óbvio: a gente não se amava.
- Casais são terríveis e sofrem. Estar só é bem mais simples, garanto. Digo isso porque recebi um telefonema no qual mais um casal sente sua agonia de casamento. Porque estar só é mais fácil mesmo que mais triste. Confesso que gosto de telefonemas como esse: sinto-me útil, sinto-me preparado pra compartilhar dores que já senti. E isso é mesquinho e verdadeiro ao mesmo tempo... não sei explicar...
- Então dou meu tchauzinho. Porque terá gente em casa e devo ser útil. Há utilidade no mundo, mesmo sem sabermos qual é. Estar vivo é essa mumunha mesmo: um dia de cada vez. E seja lá o que for. Que venham os milagres, os grandes acontecimentos. Que o roer ossos é toda minha especialidade.
9 de abril de 2011
como tudo fosse a mesma coisa.
Tusso igual um filho da puta
e assôo do meu nariz
o que parecem litros de ranho.
E meus cigarrinhos ganham ares de vilão
quando abro um novo maço.
Mas baixo séries americanas
e preparo tortas de palmito no forno.
De modo que espero o fim da tosse,
do rânho e da torta.
8 de abril de 2011
Ver o oceano e se acalmar.
Lembro do pouso do avião no Santos Dumont. O Rio de Janeiro constrange a gente, é uma cidade linda, com morros, praias e uma gente folgada que é só aparência. O Rio é um lugar que deixa saudades. Não é Curitiba e todas as soluções, não é São Paulo e as mil oportunidades... É um lugar que índio, preto e português se misturam sem fazer da mistura uma virtude. -
E, por isso, amanhã vou ver oceano. E vou ficar triste e vou ficar feliz e vou achar que a vida é boa de maneira geral. Porque sou um otimista mesmo que não aparente, porque me acalmo vendo o oceano e porque, de vez em quando, uma música do Chico Buarque volta a me comover como me comovia quando eu tinhas 16 anos de idade. -
E penso: No meu pai e na minha mãe, o amor capengo que eles aceitaram. Na minha irmã e meu cunhado, um casal que tantas vezes parece adolescente. Na minha avó que se anima e divulga suas viagens. Nos atores e suas inseguranças eternas. E penso em mim: eu mesmo, muito prazer, a pessoa mais calma do planeta.
7 de abril de 2011
do ônibus.
( foi mais ou menos isso que eu ouvi. a idéia era essa. a primeira frase é uma reprodução exata. em outras palavras: diversão de nerd.)
O tesão é tipo uma criança triste, tá ligado? Se você dá atenção, te ama pra sempre. E, de repente, aquela criança esquece que era triste e que foi por ser triste que ela te amou. Daí ela vai continuar te amando pra caralho, mas vai achar que não é feliz. E pior: vai achar que tem que buscar a felicidade. E ela vai buscar a felicidade, ainda te amando e tudo e não vai achar. É quando chega a hora em que ela te culpa por ser infeliz... aí tu tá fudido. Todo dia uma cobrança, todo dia uma tristeza que agora é sua culpa. Então chega a hora de falar sério. Ela vai falar de insatisfação, de falta de liberdade, de como antes ela era feliz. Mas ela nunca foi feliz. Só que disso ela não se lembra e se você a lembrar, tá na merda. É a hora em que você vira o algoz, tá ligado? Porque todo mundo precisa de um algoz e porque foi você que teve tesão. Pinto duro vira ofensa, vontade de não fazer nada vira indiferença e a raiva vira culpa. Ela voltou a ser uma criança triste, mas se esqueceu que sempre foi uma criança triste... nessa hora... amigo... é melhor nem estar perto.
E é por isso que eu me separei, tá ligado?
6 de abril de 2011
Teatro Irresponsável.
