15 de abril de 2011

mmc -

minha raivinha me maltratava e eu estava só. não podia fazer nada, não podia reclamar de nada. caçava culpados e ria por não achar nenhum. pensei que prefiro dinheiro. não gosto de gente fina e não me impressiono com prêmios. di-nhei-ro. que todo resto é pélasaquismo e um gostar de todo mundo que é impossível. quem, tendo alma, pode gostar de todo mundo?
minha raiva era discreta e eu tinha duas vantagens: saber sorrir e ser discreto. mostrava meus dentes e alisava minha pança. estava delirante e murmurava pra mim mesmo no mictório: o único afeto que quero é de quem vê minha peça, porque quem vê minha peça pode falar de mim, porque afeto é ver a minha peça porque me conhece. o xixi era um amarelo escuro e encorpado, sentia-me macho com aquele mijo. lembrava dos videos de "chuva dourada" na internet.
então eu voltava e virava mais um copinho. coisa de criança, eu pensei. beber, fuder, cheirar, fumar, falar palavrão... tudo coisa de criança. eu era uma criança estranha, minha mãe me disse. coisa de criança... quem entende? é como ontem: vi a moça e reparei no quanto seus olhos eram apáticos. ela exalava apatia, mas só eu notava. por isso estava só.
meus cigarrinhos se multiplicavam e eles são meus brinquedos. mesmo com tosse, mesmo com catarro. soltei minha última fumaçinha e me despedi educadamente. o ônibus chegou rápido e eu sentei na janela. olhei a orla e fechei os olhos pra sentir o vento que vinha. sorri e balançei a cabeça. coisa de criança.

12 de abril de 2011

Abano a mão para o cachorro que me abana o rabo. Sinto-me bem e tenho sete histórias pra contar. Lá fora não há ameaça de chuva ou de sol. É um dia comum, muito embora a coxinha da padaria estivesse com uma aparência especialmente apetitosa. Eu chacoalho as minhas mãos e não dou dinheiro pros pedintes. Me nego a dar dinheiro pra quem me desafia a dar dinheiro. Sou um homem antiquado, é minha conclusão. Seja como for, meu vizinho ouve ópera e as pombas não cagam mais no parapeito da minha janela. Lembro do que se diz sobre liberdade e resolvo: liberdade é um mundo sem pombos.

11 de abril de 2011

Mil é nenhum - há urgência.


  • Os dedos crispados. Aquele tesão que não sabia o que fazer e arranhava. Era coisa de criança, resposta de bicho: dois adolescentes que, repentinamente, descobrem o inferno que burramente se chama de orgasmo. Eram dois animais juntos fazendo o que os animais treinam separados. Orgasmo vinha com dor. Tesão era pavor. E amor era compartilhar essas loucuras.

  • Nenhuma paciência para desentendimento. Que estou velho e gosto de quem me entende e de quem por mim é entendido. Distrair-se é legal, mas nem é o caso. Graças ao bom Deus inexistente eu não gosto de tensão sexual. E graças ao bom inimigo de Deus, o Diabo, eu desconfio de quem gosta de tensão sexual. É meu preconceito velho: quem valoriza a tensão tende a preferir a tensão. E, cá comigo e meus Lowens, a tensão deve ser esvaziada e não acumulada à ponto de nunca se esvaziar.

  • Ver bundas me acalma. Se eu estivesse com a Branca e dissesse isso ela teria raiva e/ou ciúmes. E eu gostaria do ciúmes e/ou raiva dela. Porque a raiva/ciúme tinha sentido de ser e a recíproca seria a mesma. Porque ciúmes não precisa ter sentido ou porquê. É parte do lance do amar. Lembro quando Sônia teve ciúmes. Ela me disse que seu desejo era escrever com batom no meu computador. Nesse dia entendi que Sônia gostava da cena do ciúmes. Sônia não tinha ciúmes. Era o bafo do óbvio: a gente não se amava.

  • Casais são terríveis e sofrem. Estar só é bem mais simples, garanto. Digo isso porque recebi um telefonema no qual mais um casal sente sua agonia de casamento. Porque estar só é mais fácil mesmo que mais triste. Confesso que gosto de telefonemas como esse: sinto-me útil, sinto-me preparado pra compartilhar dores que já senti. E isso é mesquinho e verdadeiro ao mesmo tempo... não sei explicar...

  • Então dou meu tchauzinho. Porque terá gente em casa e devo ser útil. Há utilidade no mundo, mesmo sem sabermos qual é. Estar vivo é essa mumunha mesmo: um dia de cada vez. E seja lá o que for. Que venham os milagres, os grandes acontecimentos. Que o roer ossos é toda minha especialidade.

9 de abril de 2011

como tudo fosse a mesma coisa.


Tusso igual um filho da puta


e assôo do meu nariz


o que parecem litros de ranho.


E meus cigarrinhos ganham ares de vilão


quando abro um novo maço.


Mas baixo séries americanas


e preparo tortas de palmito no forno.


De modo que espero o fim da tosse,


do rânho e da torta.


8 de abril de 2011

Ver o oceano e se acalmar.

Eu, eu mesmo, muito prazer: o animal mais pacífico do planeta. Que tenho raiva, mas dura pouco. Que legítimo o ódio, mas esqueço rápido. -
Lembro do pouso do avião no Santos Dumont. O Rio de Janeiro constrange a gente, é uma cidade linda, com morros, praias e uma gente folgada que é só aparência. O Rio é um lugar que deixa saudades. Não é Curitiba e todas as soluções, não é São Paulo e as mil oportunidades... É um lugar que índio, preto e português se misturam sem fazer da mistura uma virtude. -
E, por isso, amanhã vou ver oceano. E vou ficar triste e vou ficar feliz e vou achar que a vida é boa de maneira geral. Porque sou um otimista mesmo que não aparente, porque me acalmo vendo o oceano e porque, de vez em quando, uma música do Chico Buarque volta a me comover como me comovia quando eu tinhas 16 anos de idade. -
E penso: No meu pai e na minha mãe, o amor capengo que eles aceitaram. Na minha irmã e meu cunhado, um casal que tantas vezes parece adolescente. Na minha avó que se anima e divulga suas viagens. Nos atores e suas inseguranças eternas. E penso em mim: eu mesmo, muito prazer, a pessoa mais calma do planeta.

7 de abril de 2011

do ônibus.

( foi mais ou menos isso que eu ouvi. a idéia era essa. a primeira frase é uma reprodução exata. em outras palavras: diversão de nerd.)


O tesão é tipo uma criança triste, tá ligado? Se você dá atenção, te ama pra sempre. E, de repente, aquela criança esquece que era triste e que foi por ser triste que ela te amou. Daí ela vai continuar te amando pra caralho, mas vai achar que não é feliz. E pior: vai achar que tem que buscar a felicidade. E ela vai buscar a felicidade, ainda te amando e tudo e não vai achar. É quando chega a hora em que ela te culpa por ser infeliz... aí tu tá fudido. Todo dia uma cobrança, todo dia uma tristeza que agora é sua culpa. Então chega a hora de falar sério. Ela vai falar de insatisfação, de falta de liberdade, de como antes ela era feliz. Mas ela nunca foi feliz. Só que disso ela não se lembra e se você a lembrar, tá na merda. É a hora em que você vira o algoz, tá ligado? Porque todo mundo precisa de um algoz e porque foi você que teve tesão. Pinto duro vira ofensa, vontade de não fazer nada vira indiferença e a raiva vira culpa. Ela voltou a ser uma criança triste, mas se esqueceu que sempre foi uma criança triste... nessa hora... amigo... é melhor nem estar perto.


E é por isso que eu me separei, tá ligado?

6 de abril de 2011

Teatro Irresponsável.



É tipo um vício, um recalque.

E como todo bom vício é algo sério, bem sério.

(ou alguém nega que os vícios revelam pessoas?)

Porque a gente se fode um bocado, sofre um bocado, mas sempre, e sempre tímidos, teremos um puta tesão se tudo der certo.

É que há migalhas que alimentam um batalhão: uma frase bem escrita, uma foda com risco de morte, um bêbe que sorri num berço ou uma boa apresentação na reestréia de uma peça teatral.

Porque uma BOA apresentação é toda resposta que quero dar ao mundo. Porque o sentido está em 3 ou 4 segundos de silêncio ou então no aplauso que costuma vir após uma tampa que encaixa numa panela.

E tem a vida real... que nem importa muito e que é sempre menos intensa.

Que sobre 'intensidade' só faz sentido em falar em termos artísticos ou atléticos: as mulheres do Picasso, a revolta de Arturo Bandini ou a insistência da maratonista que está torta na linha de chegada.

Particularmente prefiro os artísticos. Questão de gosto.

Só isso e tudo isso.

E isso mesmo.

5 de abril de 2011

É Tudo Sobre Mim e Minhas Mentiras.

Eu não entendo o que eles falam, eu não entendo o que eles fazem, eu não entendo quando eles sorriem para mim como se eu entendesse.
Então assumo: o problema sou eu.
Eu me impressiono com a facilidade que garotas novas praticam sexo anal, com o sucesso dos cantores omissos, com a peça cult que ninguém entende, mas é super recomendada.
Então simplifico: o mundo é uma merda.
Eu gosto de ver a senhora que alimenta pombos, as crianças que brincam no corredor do meu prédio, o bêbado que conversa sozinho em sua anônima decadência.
Então deliro: há que se ter uma camêra para tudo filmar.

3 de abril de 2011

Fui Assim.

Rio de Janeiro, 08 de Fevereiro de 2004.

A tarde esteve abafada, amor. Lembrei de ti enquanto suava e quase te liguei, mas não liguei. É que eu sou durão, né? Como era domingo imaginei você acordando cedo e comprando Abacaxis. Daí me acordava pra minha irritação e dizia que conversou com o cara do caminhão e que, na verdade, é Ananás e não Abacaxis. E falaria que ficou conversando meia hora com ele e que ele é do Espirito Santo e que têm 3 filhos e que sua esposa tem muito ciúmes de quando ele pega a estrada.
Porque você adora falar, né mô? E porque você me irrita, mas eu te adoro.
Fiz, pra almoçar, aquele risoto que você adora. Sei que já tá achando que eu bebi cervejinhas antes do almoço, mas eu não bebi. Comi apenas um prato e muita salada.
Já sabe quando vem? Fiquei pensando que páscoa é muito legal e que vou esconder o seu ovo no prédio. Daí você terá que encontrar ele de noite e só de pijama. O que acha? Mas não pode ser pijama transparente... que sua bundinha é minha e só minha e nem comento sobre a peitaria porque sou elegante. rá.
Sabia que a mulher do André tá grávida? Eu falei com a tia dele e ela me disse que os dois tão super animados... Lembra que ele acha Robson um nome bonito? A mulher dele me disse aquele dia que odiava esse nome e que só não comentou nada porque ficou com vergonha de você... quando você tiver aqui a gente pode ir visitar eles, né?
Bem. Vou dizer beijinho, vou dizer até logo, vou dizer eu te amo e vou me deliciar com um pouco de risoto.
E seu concurso? Saiu a data? Bem que podia antecipar, né? Daí a gente brincava de casinha por 4 meses e você me falava mais sobre o cara do caminhão de Abacaxi que é Ananás e não Abacaxi... (hoje, as 10 e meia, ele já não tava lá...)
Beijos na boquinha que me chupa... rá... (e imagino você dizendo "ai, seu fernando") falamos falamos amo amo e PÉQUENTECABEÇAFRIA. Fê.

1 de abril de 2011

blopunheta



  • a falta de solução. os sorrisos que eram bonitos e tristes. a guria que me faz sonhar e prova que nem larguei o osso como gostaria.


  • as bancas de livros do metrô de botafogo. os achados à 1 real, 5 reais. o livro da Ana Cristina César que não consigo ler sem esquecer que ela se suicidou. o livro de uma suicida é um preconceito, né? e os anos 80 berrando em sua escrita: love, baby, essas coisas... um americanismo quase virginal para nossos tempos de facebook.


  • o Rio de Janeiro como problema: como deixar essa cidade? gente calma e folgada, botecos a cada meia esquina e o descompromisso que parece tão natural aqui. largar o osso é largar o Rio de Janeiro.


  • meu prédio da perspectiva do Coimbra é como um milagre. penso: por que nunca pego elevador com essas bundinhas que vejo entrando no prédio daqui? e lembro da injustiça do planeta e das gracinhas do mundo.


  • a merda do mundo, a merda do povo. o cretino que diz que o tsunami veio pra provar a força da natureza e a força de Deus. porque, ele explicou, os japas não acreditam em Deus, mas em Budas de ouro. e ele, o cretino, acha que Deus é mais cretino do que ele. à ponto de promover tsunamis para quem Nele não acredita. e ele dizia aos berros: alguém aqui conhece um japa que acredita em Deus? e ficava radiante diante da negativa generalizada.


  • pizzas com broa é a mania da vez. deveria chamar de brusquetas, mas não tenho estilo ou saco. pizza de pão, minha mãe falava. minha mãe sabe das coisas. e não chamar pizza de pão de brusquetas prova isso.

30 de março de 2011

fica assim:



Linda

de maneira geral.

Chata

de maneira específica.

O pau balançava e a vida seguia. (s.r)

Imaginava milagres, imaginava fugas incriveis. Lembrava do 007, do Kerouac na estrada, dos churrascos que fazia com os amigos quando tinha treze anos de idade. - Esqueceu o nome da primeira garota que beijou, mas lembra que quando perdeu a virgindade lembrou-se da garota sem nome que lhe fez pensar o mesmo que pensou quando trepou pela primeira vez: "Então é isso que eles fazem..." E pensou no sexo entre seus pais, nos beijos de língua dos seus avós e nas primas com quem assistia videos pornôs do Tio Zé aos treze anos de idade. - Daí o teatro, os sonhos e os primeiros livros que leu com tesão. O Rubem Fonseca, a professora de português que era ruiva e falava palavrões, a turma reunida em sua primeira viagem sem os pais ou a irmã com quinze anos de idade. Na cidade de Antonina dançou e fez parte de rodinhas de violão pela primeira vez. O Caetano era um gênio, o Djavan era um gênio e O Mundo de Sofia era um livro super importante que rendia papos fantásticos na cidade de Antonina. - Veio o olho cego, a última brincadeira de substituir a irmã e a Nova Zelândia sem nenhum sentido para um garoto de quase Dezeseis anos. O retorno, a língua inglesa e novamente Antonina. E turma. E teatro. - Daí a cidade enorme, a Av. Paulista, o curso com D.R.T e todas as profundidades que parecem realmente profundas aos Dezesete anos. - Foi a vez do tiro na perna, do retorno da ameaça do olho cego e do terrível e fatal primeiro Amor aos dezenove anos de idade: o sexo como milagre, a mulher que mais lhe amou e a cidade mais linda com praias, samba e calor escaldande mostrando suas garras vermelhas. - (continua...)

27 de março de 2011

Eu rodava porque eu rodo.

Sentia-me bem e ouvia músicas do Charlie Brown Jr.

Porque gosto dessa banda mesmo sem ter disco deles e porque ele, o Chorão, deu um bom murro na cara do Los Hermanos, que esqueci o nome agora, mas que é aquele que deflorou a menina Internet Malu Magalhães com a autorização dos pais.

Ele tinha 3o e algo e ela 16 - sei que é bobagem, mas minha moralidade católica se manifesta assim também.

(Além da verdade absoluta: esse cara dos Los Hermanos é um chato. Chato tipo perguntador maluco, tipo o que procura essências e coisas do tipo).

Então simpatizo com o Chorão e não com o chato. Porque o Chorão é feio, maloqueiro e tem um rosto digno de Bukowski, mas principalmente por ter a atitude de socar um chato.

Socar um chato... quantas vezes desejei socar um chato? Jesus, lá da cruz, abençoa minha justiça primitiva: olho por olho e dente por dente. E o fato de eu não socar chatos faz com que eu simpatize com quem soca chatos...

É que tem essa coisa que enaltece o bom mocismo apático e cuzão. "A ordem da ternura"... como explicar? Não sei... mas há uma nova ordem que berra: todo afeto é afeto. E essa nova ordem se manifesta em redes sociais e twitters variados com o papo "Bom Dia à Todos" ou "Dia Astralizado Pra Todos!"

Então ouço as músicas do Charlie Brown Jr. e concluo que, quase sempre, são músicas de amor e de otimismo. Mesmo que haja raiva, rap, palavrões e adolescentes neo-nazistas como público.

O olho roxo do Marcelo Camelo (viva o google) é uma forma primitiva de justiça.

Jesus entendia.

E Deus, quando fez o dilúvio, também.

trivoé.

Sentir tesão é tão bom, tão inofensivo.
Que hoje tarei as coxas da loira que estava ao meu lado no busão.
Conversamos:
- foi pra praia, é?
- fui.
(É que o ônibus estava vazio e ela sentou ao meu lado,
o que fez com que eu perguntasse sobre a praia.
Mas isso só depois d'ela se mexer no banco e
encostar sua coxa em mim.
Pediu desculpas, a bobinha.)
Após uma início de pau durecência, ela mudou de banco.
Achei estranho, mas não muito.
O ônibus é um circo variado e sem controle;
e as mulheres, loiras ou não, querendo ou não, confundem os homens.
Daí que cogitei ir ao seu banco, mas não fui.
Imaginei uma bela cena onde ela ficaria surpresa e eu sorridente, falante e cheio de atitude.
Mas como não fiz o que pensei
voltei ao meu livro e li.
Ler, muitas e tantas vezes, é uma atitude desesperada:
ignora-se a realidade para apreciar o mundo controlado que as palavras propiciam.
Então chega o meu ponto e reparo que há um negro lindo ao lado dela.
Olho de soslaio, mas ela me vê e abre um riso que é uma borboleta branca.
Eu rio também e desço.
-
À caminho de casa descubro o óbvio:
mulheres não apenas confundem os homens,
mulheres têm um enorme prazer em confundir os homens.

26 de março de 2011

A culpa é da escuridão.

  1. Sem luz as pessoas berram de suas janelas, fazem piadas e brincam com lanternas. O escuro como proteção e a euforia em ver que Botofago inteiro sofre do mesmo mal. Somos animais interessantes, mas limitados. A euforia dura os cinco primeiro minutos, talvez dez. Concluo que não ter uma lanterna em casa é um erro.
  2. Porque o mundo é engraçadinho meu celular não tinha carga para ouvir rádio. Imaginei-me no escuro de Botafogo ouvindo um radinho e pensei que seria legal. Mas o mundo é cheio de gracinhas e meu notebook é viciado em energia.
  3. Hoje bebi por culpa da falta de luz. Geralmente bebo pelo tédio. Por mais estúpido que pareça, devo dizer: beber é fazer algo. E, sem luz, desci pra ver a escuridão e me informar melhor. Parei no bar da esquina e reparei que eram dez e pouco da noite e que havia muita gente se preparando para a balada de sexta. Grupos variados de mulheres que rachariam o táxi. Pensei que gosto da moda atual, na qual saias curtas com cintura alta estão em voga. Tesão. Tesão sobretudo nas mulheres altas com esse traje.
  4. Quando a luz volta todos batem palmas e fazem barulho. Repito: somos animais interessantes. Gostamos da luz. Somos mariposas. E ficamos em volta da luz. Mesmo batendo a cabeça na luz, adoramos a luz. Mariposas não são borboletas, claro está.
  5. Acontece que bebi mais do que beberia e cá estou. Blogue é (ou deveria ser) coisa de bêbado. Lembro dos ótimos textos que o Bortolotto escrevia quando estava bêbado e aproveitava a in-utilidade de todo blogue. E salve Leminskão.
  6. No mais, banho quente e energia na tomada. Que nem gosto de mato ou acampamento. Que tenho dificuldade pra compreender quem acha que a falta de recursos e o excesso de natureza tornam as pessoas melhores. Porque tenho um blogue e gosto de beber. Porque bebo e escrevo. Porque tanto o álcool quanto a internet são maneiras de combater o tédio.
  7. E finalmente: gostamos de explicações. Porque explicar é uma tentativa de entender o mundo. O mundo, essa coisa que nos carrega e que entendemos tão mal. Explicar é caçar sentido. E sentido a gente quer, inventa e formula. Porque é assim. Porque eu, infelizmente, não acredito em Deus.

24 de março de 2011

Tem enxofre na água, eu aprendi.

Dentro da água eu observava meu pau. Ele flutuava. Mas reparava mesmo na pentelheira. Enorme, preta e quase a esconder meu pobre pau. Pensei que assim não haverá generosidade em possíveis boquetes.
Era uma banheira com água sulfurosa. Eu estava em Águas de São Pedro no Balneário Municipal. 12 reais para 20 min. de uma água escura, melada e com péssimo cheiro. Dizem fazer bem, dizem operar milagres. Eu acredito. Até porque a pessoa que faz o tratamento completo toma um banho todo dia durante 2 semanas. E, inevitável, pensa sobre a própria cura.
Eu pensei sobre minha cura. Sobre milagres. E sobre essa coisa ancestral que é ficar imerso em águas que vêm do fundo da terra para nos curar.
Quem tem câncer não pode ir. Segundo os funcionários do Balneário Municipal, a água sulfurosa acelera o processo. Uma velhinha que estava com a gente não foi por isso e ficou decepcionadíssima. Ela, como todo mundo, queria se curar. Mas a cura dela era mais objetiva: além do câncer, anda torta e de bengala. Pede ajuda pra se levantar. Mas, surpreendentemente, tinha uma gargalhada de Dick Vigarista.
Em Águas de São Pedro as casas são lindas e não têm muros. A cidade é pequena, estúpida e só é conhecida por suas águas. Por essas razões as pessoas de lá pareciam tranquilas: por morarem em uma cidade estúpida, pequena e com águas milagrosas. A paz está nisso: nessa falta de tudo. Vive-se bem bestamente, eis uma verdade. A ambição, por mais divertida que seja, é sempre dolorida. Em Águas de São Pedro a dor não sabe que é dor porque o tédio não sabe que é tédio. Como explicar? Não sei. Somos nós, os urbanos com várias opções, que sofremos de tédio.
Daí que houve parabéns surpresa e uma vela. E, já na varanda, houve a lição de vitalidade que não temos, mas admiramos. E dormimos bem nessa noite. Porque em Águas de São Pedro tudo parecia possível. Inclusive a paz.

17 de março de 2011

Confundia charme com indiferença.(s.r)

"Ser ignorada me dá tesão", ela confessou.
Por um lado fazia sentido e era óbvio. Por outro, o óbvio ululava alto demais.
(E Nelsão, que nem tem nada a ver com isso, se revirava no caixão).
Falava "pau", mas não falava "pinto".
Dizia, como se sua sacada fosse divertida: "pinto só se amarelo".
E advertia: "Já transei com um japa, tá ligado?"
Eu não tava ligado. Eu não queria estar ligado. Eu não gostava das informações desnecessárias que ela me dava:
1. Foi umas fase antropológica, sabe? Testei as raças, todas as raças: africanos, amarelos, europeus e asiáticos. Concluí que gosto mesmo da América do Sul. Saca o Belchior? Sou da turma dele.
2. Eu li na revista. Olha só. 83% das mulheres casadas têm problemas intestinais. Mas o bizarro é que a faixa etária não determina isso. Mesmo mulheres nascidas na década de 90 e que casaram sofrem disso. Vê? Ainda acha o machismo ultrapassado? Hein?
3. Pra mim não importa. Eu quero é que se foda. Mulher traída merece a traição. Já tive homem casado. Lindo ele. Casado! Eu morria de tesão. Acho que é o proibido, né? Uma vez eu viajei de navio com a minha tia e me masturbei pensando nos marinheiros que poderiam, se quisessem, me estuprar... mas é fetiche, né? Coisa de adolescente... sei lá... A verdade é quando uma amiga minha se envolve com um homem comprometido eu dou a maior força. Eu digo: 'se joga amiga, você não tem nada a ver com a traição dele, você não tá traindo ninguém, tá?' E nem adianta que eu sei: não to errada, tô? Sou mó cabeça aberta, não sou?
Eu não sabia. E também não queria saber. E tinha praticidade. A buceta dela era quente, abraçava meu pau e, às vezes, parecia ser um tipo de caixão que me deixava em paz.
Foram meses. Antes do ano virar ela precisava de alguma coisa que eu não tinha. Fazia sentido. Eu não tenho um monte de coisas que ela precisaria. Era justo ela ir e ela se foi.
Eu fiquei porque eu fico. Porque eu gosto de ficar.
Porque me sinto vivo ficando.
E ela foi porque vai. Porque gosta de ir.
Porque se sente viva indo.
Foi quase perfeito. Quase.
Tua tristeza me incomoda.
Talvez porque não te conheça
e estranhe coisa que julgo minha
em pessoas que me prometiam e falavam,
com uma desenvoltura que quase me constrangia,
sobre felicidade e paz no mundo.
-
Porque teve um dia que sonhei com Jesus
que me disse, coçando a boa barba:
- você é um anjo, gordinho.
E Ele, o filho de Deus disse anjo,
e, talvez por vaidade, eu acreditei.
-
Então me mantive gordo,
olhei pro céu
e agradeci ter sido batizado.
-
Daí que Jesus voltou:
- gordo bom olha muito e fala pouco.
E eu sorri pr' Ele
e Ele me deu uma piscadela
e disse:
- gordinho... só manera o cigarro, OK?
E eu ri de novo
e ele sumiu sorrindo
dentro da nuvem onde Ele passeava.

14 de março de 2011

7 curtinhas, eu roubei.

  1. O tempo passa e não há jeito. Quero ler outro livro do García Marquez pra ter certeza que seu assunto é o tempo. E se não for, é a saga de uma (ou duas ou três ou várias) existência (as). E se mesmo assim não for, dane-se: tio Gabo é um puta escritor e nem precisa de defensores.
  2. Então me reduzo. Reduzir-se é legal. Vejo à mim. E vejo aos meus. E eles e eu estamos juntos. Na glória e na desgraça. E até, como não?, no bar da esquina onde vejo as melhores bundas do Rio de Janeiro inteiro.
  3. Se seu afeto é ver meu blogue, eu digo: você me adora. Se não, eu deduzo: você é pior do que eu pensava.
  4. Foder é uma coisa. Foder com prazer é outra coisa. Foder e amar é um céu. Amar enquanto fode-se é o próprio sentido da existência. E isso só acontece à cada 12 anos, como o Horóscopo Chinês.
  5. O telefone toca e é Vovó. Ela ficou feliz com o que escrevi e fez com que meu blogue tivesse mais visitantes do que jamais imaginaria. Vovó rocks e tem uma rede na Internet que trascende qualquer feed de facebook. Vovó não tem Facebook ou Orkut, mas vovó consegue ser viva - V Maiúsculo - até nessa coisa virtual.
  6. Mando minhas cartas e meus recados. Acho, e acho mesmo, que o asfalto cinza em baixo dos pneus são um belo divã sem - é bom ressaltar - a opressora figura do analista e seus cabelos grisalhos e óculos minúsculos.
  7. Fumar é minha muleta. Se fosse Curitiba e seu frio, estaria na TV e no sono. O Rio de Janeiro é difícil de largar também por essas coisas. E o Aramis que concorde comigo.