17 de abril de 2010
blogueiro, não escritor.
atualizo e subo meu blogue. coisas pra dizer, mas sem a coisa-verve que faz escrever parecer um milagre. mas teimo mesmo assim. tenho blogue. sou blogueiro. não tenho culhão de ser escritor. não tenho culhão de dizer: sou escritor. culhão e talento, fique claro. como o já citado e deixa de novo pra lá.
então digo. assim: a água bate na bunda. é assim. uma mulher esperta faz isso com ele. ele outro, não eu. ele sabe. a fêmea fatal lhe dá letra precisa e ele sente o arrepio inteiro: da fêmea, da novidade, do fim, do desafio, do risco, da possibilidade do mal, etc. essas coisas. ele sofre. do jeito dele que conheço e posso afirmar: ele sofre. sai rápido e sente o peso da vida. me abandona no meio da cerveja. ele tá certo. ele frita e deve fritar. que frite em paz, eu insisto.
outra: no dia seguinte vi que meu pau sangrou. isso mesmo: sangrou. após 28 anos de convivência duras e moles, ele sangrou pela primeira vez. notei depois. pela cueca manchada de marrom claro. pensei: essa moça me faz o pau sangrar. questionei: o que isso significa? quem é a fêmea que sangra teu pau pela primeira vez? é rainha? é diaba? é louca? é xota-rainha? é o quê? a mulher que sangra meu pau devia ser um título de um belo conto de um puta escritor da pesada. meu pau sangrando. a água do chuveiro causa uma ardência mais dolorida que as ardências passadas.
eu e meu amigo. roupas diferentes, danças diferentes e fêmeas diferentes. elas sempre. terríveis. cheias de coisas que nem eu nem ele ativamos. elas loucas. elas sempre loucas. loucas porque é difícil entender e fácil se encantar. elas lindas. choros e desesperos em peito seu. eu e meu amigo e nossas dores. não se fala sempre, mas nunca deixa de ser entendido. ternura, casamentos, filhos e outros troços.
a vida arreganhada e estranha. sem medo e cheio de medo. porque é o que é, porque reconhecemos as grandiosidades, porque somos dois e, mesmo sem falar, entendemos que há dores intranponiveis.
cada um na sua e um zelo comum e cristão: desejar o bem do próximo.
15 de abril de 2010
quando ela me deixou.
14 de abril de 2010
lamento
13 de abril de 2010
relatinho, afinal.

Em casa e com foie-gras. Whiskey também. Deus abençoe papai e mamãe. E as sobrinhas, a irmã e o cunhado. Os amigos também, como não? Afinal, Deus é Deus.
12 de abril de 2010
fosse ressaca.
11 de abril de 2010
apenas três.
- As crianças não param de correr. Têm pernas e correm. Aquela vitalidade que quando não irrita, encanta. Até os cachorros fogem delas. Energia excessiva e explosiva. Amor e ódio em segundos. Vitalidade, eu repito. Capacidade de reagir à tudo. Falta de filtro: infância. É uma pena não poder voltar à ser criança.
- O ar gelado de Curitiba entra mais compassado. A ponta do nariz, fora das cobertas, começa a gelar. Enfio o nariz dentro das cobertas. Lembro de uma coisa e meu pau endurece desafiando o frio. Mexo nele, mas não insisto. Melhor dormir.
- Sexta Feira de Sanduiches e Pizza. Eu, meu pai e as crianças. Elas de uniforme da escola. Elas falam, elas não param de falar. Crianças, shopping, fila e sanduiches. Todos dormem à tarde. É um tipo de paz. É um tipo de mistério.
8 de abril de 2010
ela disse mais ou menos assim:
- eu não quero ser feliz. felicidade é um saco, um tédio. eu não. feliz fico chata, sabe? achando que tudo é como deve ser. vê se pode? prefiro bem mais a tristeza. ah, a tristeza. ela sim, cheia de coisa que me faz pensar. fico triste e contemplativa, sabe? entro numas, faço anotações e até telefono pros meus parentes do sul. tristeza é mais divertido, não é? faz a gente andar e pensar. eu ando um bocado quando tô triste, sabia? dô um monte de voltas, vou na praia e até na lagoa. até de noite eu ando. mas isso só quando tô triste. porque feliz, ah, feliz, é um saco, eu fico só me amando e roendo as unhas, achando que tudo tá bom como tá. um absurdo, não acha?
7 de abril de 2010
aquela beleza toda.
Então existe um inferno onde é possível dormir. Torturas lentas e agonias profundas. Sem motivos para reclamar. O inferno às vezes é apenas o inferno. O desenho na parede é cheio de imagens e cores - como os azulejos do banheiro da casa da minha vó que formava rostos sinistros e íntimos.
O sangue também forma desenhos. Esparramado e facilmente confundido com sujeira por olhos mais desatentos. O sangue-ninho e colo. O sangue que esteve no primeiro e também no último dia. Coincidências infernais e delicadas, gracinhas do mundo e flores no asfalto.
O som começa a sair. Mais claro e mais próximo. Um som que quero conhecer e que é mais velho que o mundo. Um trovão que treme entre os lábios ainda fechados.
6 de abril de 2010
No maldito facebook pululam os clichês: "a culpa é do povo e dos lixos nas ruas", "galera, vamos refletir e assumir que somos co-responsáveis" e "isso que dá jogar lixo nas ruas". As explicações bestas e velhas. Automáticas. As pessoas falando a mesma coisa que o prefeito fala pra justificar sua omissão. É um circo. Uma bizarrice. Gente transmitindo consciência pelo facebook é quase um abraço na Lagoa: inútil, porém chamativo. E o que mais me impressiona é o como isso é repetido de boca cheia, como se fosse uma descoberta, uma eureca, uma verdade. Queria ter culhão pra responder à todos que escrevem essas baboseiras. Seria cínico: "olha que engraçado, o E. Paes falou a mesma coisa." ou "realmente, o único culpado é o lixo nas ruas. Sem lixo nas ruas o mundo seria perfeito e feliz."
Mas não tenho esse culhão e sou discreto.
Na cbn a merda velha e gente mandando 30 mil mensagens que dizem exatamente a mesma coisa. O inferno, mas o inferno conhecido e sem surpresas. O inferno flat, o inferno lounge. O diabo não existe e é apenas um boi vermelho de patas invertidas num desenho animado na TV Xuxa. Nem medo dá pra ter.
Blogue, é?
A fêmea ideal é a única que importa. Todo o resto é arremedo e tentativa de conserto. Ela não existe, mas quem precisa da realidade?
- Uma vez por semana ela te acorda com uma pequena xícara de café. Sem pão, sem frutas. Apenas ela sentada na beira da cama com uma xícara de café, dizendo: “- ta na hora, meu amor”.
- Pelo menos a cada 6 meses há um boquete do nada. Ela começa a te chupar sem explicação. Você pode estar dormindo, vendo o sagrado futebol ou apenas distraído. Quando você pergunta “Que isso?”, ela apenas diz “Aproveita”. Você goza e ela ri cínica e poderosa.
- Em uma noite fria e de chuva, ela lhe oferece uma sopa. Diz: “caprichei no bacon que sei que você adora”.
- De manhã, você cheio de mal humor nota que ela quer falar ALGUMA COISA. Você pergunta “o quê?” e ela apenas fala “Depois te conto”.
- Após uma briga triste e destrutiva, ela confessa: “ Eu tava de TPM, desculpa.”
- Ela manda uma mensagem por celular. Escreve “saudades”, você não responde e ela nunca mais comenta sobre isso.
- A cada 3 meses ela elogia seu pau. Fala que ele é o do tamanho ideal. Nem grande nem pequeno. Perfeito pra vagina dela. “ A curvatura perfeita”, ela ressalta.
- Depois do restaurante, ela diz que você tinha razão ao discutir com o garçom.
- Ela consegue te chamar de “meu homem” sem ser piegas.
- Acha que todas suas amigas lhe dariam apenas porque ela te dá.
- Ela diz “eu te amo” como quem conta um segredo.
- No meio da mais fantástica foda, ela te xinga e sente raiva. Você entende o elogio.
- Uma noite, depois de gozar muito alto e com muitos gritos, ela diz: “ ai, não sei o que aconteceu comigo”.
- Ela lê seu blogue e nunca comenta. Deixa você escrever o que quiser sem se sentir afetada.
- Ela fala em filhos e casamento antes da hora e nem nota que falou disso.
- À tarde ela te liga e pergunta se você ta ocupado. Conta um monte de coisa sem sentido e, antes de desligar, solta: “- que bom que eu posso desabafar com você”.
5 de abril de 2010
outro coelho.
4 de abril de 2010
Via Sacra - Sexta Feira da Paixão.
Então atacamos em dupla: noite quente, álcool no sangue e ela quer se mexer. Eu topo.
Sexta Feira Santa: da Figueiredo até à Prado Júnior.
1 de abril de 2010
O peito aberto pro infinito.
A organização do meu mundinho e da minha confusão na tela brilhante do computador.
Escreve-se para se salvar. Escreve-se para ser mais bonito, mais triste, mais doente, mais louco. Escreve-se para ser mais: para cometer pecadinhos infantis e para forjar controle nas coisas incontroláveis.
(Escrever, pra mim, é a tortinha de limão lambuzando sua boca e te deixando risonha.)
A escrita como fuga e salvação. É diferente do cara que diz cheio de culhão - como um Mirisola: eu sou um escritor.
Eu sou bundão pra isso. Me peguei emocionado, veja só, em ver virar papel 45 págs que eu tinha escrito. E fiquei tão feliz. E sabia que aquela felicidade era tão besta, mesquinha e infantil. E tava alí, orgulhoso de ver as 45 págs escritas transformadas em papel.
Olhei aquilo e disse pra mim mesmo: bonito!
E morri de medo ao pensar em dizer: eu sou escritor. Sou bundão, eu repito.
Ser blogueiro de alguma maneira me satisafaz. Vez em quando um comenta e penso: que ótimo, nem tinha essa intenção.
Talvez seja meu apego ao controle, talvez seja meu medo dos que leêm, talvez seja só mais uma pretensão que tenha receio de se arriscar.
Então, pelo sim pelo não, eu escrevo: cartas, arquivos secretos, contos e peças inacabadas. Tanto faz. Minha fuga-escrita e meu tédio ansioso. Eu sou minha merda sendo eu mesmo, Mirisola me ensina. Que seja.
Cada um tem a terapia que merece. Mais ou menos eficaz é apenas uma tentativa de se salvar.
Seja pela escrita, pela foda ou pelo especialista que te diz o que fazer. Desespero materializado em formas diversas: a mesma jogada.
Por isso rôo meu osso sem tentar me afobar. O mundo tá rodando e, pra minha infelicidade, eu tô nele.
Sou triste e sou feliz e sei que triste/feliz não é importante. A mesma moeda e o cara e coroa da mesma moeda: acho bom assim, aprendi assim e me sinto mais esperto por saber disso assim.
As palavrinhas escritas e brilhantes: minha satisfação secreta e minha ambição velada.
Sou discreto, eu insisto. Sou bundão, eu novamente repito.
"30 vezes em 1 dia e nenhuma comoção. 30 x 1 é 30 e 30 é o que será. Confundir 30 com 300 é tão idiota quanto ver 3 e pensar em 30. E que fique claro que ninguém falou de 1.000."
31 de março de 2010
"vem vem vem ver o circo de verdade"
( explico: no meio desse texto, quando saí, essa música voltou da minha infância com o quarteto em cy. não achei com esse grupo no youtube e nara é nara e é narinha. fez sentido, é o que quero dizer. em último caso, digo: leia o post e ouça a música. ou vice versa. uma coisa de cada vez. como, às vezes, deve ser.)
Quando você for me dá. Se você for me dá de novo, eu peço: abra as pernas com ternura como quem oferece uma preciosidade.
Eu sei. Teve muita gente que passou por aí e que passou batido, eu sei.
As camas sãos frias e tristes às vezes. Os porres e os excessos são as velhas desculpas.
A ressaca e o ôco no dia seguinte são, tantas vezes, inevitáveis. É uma pena, eu concordo.
As luzes que brilham tanto na night de orgia e libertação quase não resistem ao nascer do dia.
Entenda: não há julgamento. Todos nós passamos por isso e, de certa forma, é importante ter essas experiências. Inclusive para não confundir as coisas, achando que o giroflex da boate é um mini-sol preso dentro de uma caixa elétrica que roda em 110 v.
Só por isso eu peço: me dê com calma e generosidade. Sem pressa pra gozar ou pra mudar de posição. Deixe que as próprias carnes encontrem o seu ritmo. Talvez nem seja a melhor foda do mundo. Talvez seja péssimo. Talvez haja uma descarga profunda - dessas ancestrais que molham colchões e estouram borrachas.
Quem sabe? A chance de uma ou outra coisa acontecer é exatamente a mesma.
Eu confesso: gosto de sacralizar a buceta. Não sempre, mas às vezes gosto. E, de vez em quando, como no seu caso, faço questão: aquele amontoado de carnes sobrepostas em lábios grandes e pequenos se tornam a Xota-Rainha diante dos meus olhos. O milagre da transformação.
Não porque a água de fato virou vinho, mas porque todos os presentes acreditaram - e acordaram - que a água era vinho. Ou como a hóstia que ao invés de ser simples água e farinha se torna o corpo do Cristo.
Se for pra me dá, eu insisto: esqueça esses paus idiotas que a frequentaram. Por mim prometo o mesmo: deixarei de lado essas bucetas que são apenas carne.
Sexo é fácil. Sexo se faz por aí: pagando drinks ou sendo indiferente - tanto faz. Os drinks não são caros e a indiferença é só um exercício de flexão da própria personalidade.
(E lembro do velho Nelsão berrando: - sexo é para gatos vadios! Nelsão: seu gênio e suas fatalidades.)
Portanto: que as carnes se resolvam e que sejamos inteligentes. Sem jogadas, sem promessas de eternidade e sem o excesso de habilidade que apenas denuncia o auto-controle que teme (e deseja) se perder.
Foder todos fodem, gozar todos gozam, falar todos falam. A diferença, pra mim, é o que se cria já se sabendo criação: o acordo do vinho e o acordo da hóstia em outras medidas. "A interferência do bicho-homem quando levada às últimas consequências".
Sem medo, sem receios e sem dó: os milagres possíveis flertanto com o Impossível. A única saída. A única esperança.
30 de março de 2010
A verdade é que sou cristão.
E, pensando bem, não quero fazer novos amigos. Basta o orkut, o facebook e sua horda de solitários. Eu tô ativo lá e, portanto, também sou um solitário. Se não desejo novos amigos é apenas porque não quero e nem acredito.
Ah!, esses amigos intensos de meses. A intensidade cheia de carinhos infinitos porque tem prazo de validade e passagem de volta marcada. Assim é fácil. E fácil nem sempre é bom. Assim como o difícil não garante nada.
O mundo tem mais sutilezas do que o não e o sim - pra minha desgraça.
Seja como for, eu volto. Eu mesmo, meu terror e minha glória, o único que posso ser. O que, infelizmente, jamais me impediu de fazer merda ou de mentir. Eu mesmo - meu egoísmo sem se importar com fidelidades de conveniência.
Repito: é muita gente chata.
Quando decido por mim e meu umbigo é isso: chato por chato, sou mais eu. Convivo há 28 anos comigo e sei da minha própria chatice. Eu driblo, sou goleiro e artilheiro ao mesmo tempo. Bem melhor e bem menos desgastante. Nada de procurar sentido em frases ditas por outrem.
(Ah, a liberdade. A liberdade e sua ilusão. Discursos sobre liberdade que provam o contrário. Ah, o grito. Comovente e frágil como todo grito. A força do grito provando o contrário. O grito de verdade deveria ser mudo. Ah, o amor. O desejo dele e a confusão. Ama à alguém ou ama ao amor? A incapacidade de amar revelada em números 'eu te amo')
-
Tô lendo M.M e acho que ele me faz mal. Entendo toda raiva e desilusão que M.M sente. Como se me soprasse verdades antigas.
A gente é um cuzinho muito medroso. Inventamos desculpas pra enfrentar o tédio, a morte e as dores em geral. Como se houvesse pau - ou buceta - capaz de trazer a redenção. Como se houvesse redenção.
(E vislumbro que os neo-modernos considerarão "redenção" uma simples invenção católica. Garanto que me acusarão de tacanho e moralista. O que os neo-modernos não entendem é que a "invenção católica" não inventou nada que não existia, apenas se aproveitou das loucuras e pavores que já rondavam nossa espécie. Assim como não entendem que, dentro do cérebro, a invenção e a realidade acionam as mesmas áreas.)
Então leio ainda mais o M.M e o acompanho. Seus caminhos tristes e sua falta de auto indulgência. Ele é um cara cruel, é óbvio. Mas também é cruel consigo próprio. Ele cospe na própria cara e sofre com/por seu próprio cuspe. Há qualquer coerência nisso que me encanta.
E sei que me engano aqui também, mas tanto faz. Melhor se enganar do que mudar quem você é por ter medo de se enganar. Que a enganação seja inteira e completa.
Mentira boa é longa e bem elaborada. Tende, inclusive, a ser confundida com a triste verdade.
29 de março de 2010
ausência de título evita confusões, acho.
28 de março de 2010
"Foi só quando a bola dourada caiu dentro do poço que Joãozinho viu como ela brilhava."
também
eu sei eu sei muitas coisas foram ditas mas quem se importa dizer os idiotas dizem ouvir os idiotas aplaudem eu não e eu nunca eu fico aqui eu estou só como sei estar não agarro guelras de peixes pre-históricos e não uso nenhuma maquiagem eu me acho eu me sinto bem eu cago regras via internet e eu declaro amor antes do amor ser real eu gosto eu falo sobre mim e não gosto das jogadas por isso invento eu mesmo e morro e mato por invenções que brinquedo por brinquedo eu brinco e se não brinco no esquema de lá é porque quero ser dono ser dono ser dono é normal desejar ser dono é ainda mais normal sou dono de mim porque sou arrogante e livre sou de mim porque não minto e porque abro o peito sem pensar que peito aberto é risco de assassínio e é e deve ser e quero que seja participar é bonitinho mas não comove prefiro um matemático que descobre o amor à um que berra sobre o amor sem nunca ter sentido a alma e a morte que o amor envolve gente que se proclama leve e tranquila e ignora o inferno minha vaidade é essa eu não ignoro o inferno eu meto essa eu grito eu erro eu deixo a bunda de fora pra provar que bunda de fora é o milagre que quero e evito ao mesmo tempo de fora os outros as histórias e os passados fazer todos fizeram caçar pérola é o meu barato e erro e peno pelos erros mas nem e daí as crianças se impressionam com passáros mortos e não sou criança mesmo que seja capaz de chorar com morte de coisas com asas eu quero asas sim e sempre mas eu não quero asas que sejam só desespero e tristeza irrustidos é pra ser muito que seja muito é pra ser nada que caia no esquecimento minhas gotas sou eu e meu delírio sou eu não quero provar e não quero cair no convencimento meu desafio é meu e não de quem quer ser desafiado dono de si milagre de encontros e jorros de esperma velocidade e potência é bonito e solitário e solitário é só o que é e não loucura os bois as cabras e as galinhas são mortos pra o natal jesus abençoa isso e tá tudo certo só me desesperarei por o que for realmente desesperador
27 de março de 2010
Escrevi numa carta e gostei.
Claro que generalizo.
26 de março de 2010
Bang-Soul-Bang
Enfiar o pau naquelas carnes e perder a cabeça. Perceber a taquicardia que aumenta e arriscar a morte precoce. A gente morre, você sabe. A maldita borrachinha separando as carnes.
voltas e voltinhas.
25 de março de 2010
23 de março de 2010
Quem sabe a beleza vinha em potes?
quando beijo minhas mãos.
22 de março de 2010
Então percebo. Como um que vê os próprios olhos. Aqueço minhas mãos esfregando uma na outra. Tática antiga. Igual quando era pequeno e desenhava com fósforos. Ou então comia pasta de dente escondido. Parecia tão ousado. Era simples ser ousado. Se pensar bem ainda é simples ser ousado. Mas não é mais o caso. Não to escondido com a pasta de dente.
21 de março de 2010
loucas e adoráveis, eu digo.
Pensam e falam muito.
20 de março de 2010
não agora.
Ao ver aquilo tudo tive a certeza que não dava pra escrever sobre aquilo. Porque não teria sentido. Seria besta. Diminuiria uma coisa que era o que era: uma festa de 60 anos do pai de um bom amigo. E era só isso. E foi só isso. E foi bom estar lá mesmo tendo pensado umas 30 vezes: o que to fazendo aqui? Simplesmente porque isso é uma coisa que eu sempre penso. No Coimbra, numa aula de mestrado e até numa buceta quente que se pretende muito generosa.
Podia falar do tombo da mulher, do velho que dançava pra escapar da morte e também da bela criança que dormia em paz como só uma criança dorme.
Mas nem. E menos agora. Há qualquer delírio de álcool que me berra: é o que é e nem é bom nem é ruim é apenas o que é.
Então me basto e vejo o relógio. É tarde. Há sono e cigarros em excesso. O Sérgio Sampaio sofre com suas canções e eu entendo de tudo que ele fala. E entendo porque sempre entendi e sempre entenderei. E isso não se explica. Assim como a bela festa que fui. Uma festa que não é minha e que nem é a que eu faria. Mas uma festa que era o que era e que não precisava de nenhuma aprovação de um gordo deslumbrado ou da turma do teatro pra existir.
Era uma festa e isso eu entendi. É o que basta.
19 de março de 2010
Ela não gostou quando eu lhe chamei de bonita.

Mudei de assunto e lhe falei dos meus escritores americanos
Me perguntou seu eu era bi ou careta.
Pensei na minha vó e na minha mãe.
- já tá tarde, nénem. Vai me arrastar pra sua casa ou não vai?
Pensei nos animais do Zoológico.
- então tá certo, nénem. Eu não sou mulher pra você num é?
Pensei nas 4 farmácias da Rua da Passagem.
- tá aqui o dinheiro de 4 cervejas. Eu divido a conta, né nénem?
Pensei nas tatuagens da estilista paulista.
- mÓ prazer te conhecer, nénem. A gente se vê por aí.
Pensei no "Além do Horizonte" do Roberto e do Erasmo.
18 de março de 2010
Eram planos e planos. Toda uma delícia matinal de brincar de Deus e programar a própria vida. Como se a programação garantisse a execução. Era inocente e singelo. 20 ou 21 anos. Até fazer café era divertido: parecia muito maduro por a água pra ferver e preparar o pó no coador.
Havia divisão de tarefas e escrita à 4 ou 6 mãos. Em tardes quentes, as vezes, havia um sexo brincalhão: mim putinha tu cafetão. Muita exibição do próprio corpo e sons altos que pareciam desafiar o mundo e provar nossa terna liberdade. Éramos crianças, acho.
O mundo ainda se revelava aos poucos. Não tínhamos sacado as jogadas, as loucuras, o troca-troca, o bem e o mal.
Eram filhotes que corriam porque tinham pernas e não porque queriam ou precisavam correr.
16 de março de 2010
sobre a paz possível.
PARA LER A TRADUÇÃO ESPONTÂNEA DO MALUCO DA ESPANHA CLIQUE AQUI.
15 de março de 2010
quando o possível basta.
- Mulheres com mais de 30 e poucos carregando sacolas de supermercado após o horário de expediente é algo deslumbrante. Há quase um padrão: poucas sacolas, tailleurs e um rosto calmo de cansaço satisfeito. Há qualquer vaidade bonita nessas mulheres: vaidade bíblica do comprará seu pão com o suor do seu rosto. Sempre as imagino morando sozinhas, chegando em casa e tirando as compras da sacola. Daí tomam banho, arrumam a jantinha e se preparam pra dormir. Os lençóis lindos e cheirosos com 13.000 fios.
- Elegância é um treco realmente difícil de explicar. Não tem a ver com roupa e não tem a ver com beleza. Elegância é dessas coisas veladas e misteriosas. Quando você se depara com uma elegância, você tem certeza da sua existência. Quando não há elegância você nem lembra que elegância existe.
- A Maria é uma bêbada antiga que eu sempre cumprimento com um movimento de cabeça. Já tá velha e bebe na mesa das mulheres bêbadas. Há nessa mesa uma bêbada muito bonitinha. Você só nota que ela é uma bêbada profissional quando repara no cabelo: muito ralo e apagado. O engraçado é que não lembro de ouvir sobre os cabelos quando se fala dos malefícios do álcool. Acho que só os bêbados poderiam falar com propriedade dos malefícios do álcool. Os médicos são limitados nesse sentido: só notam o óbvio.
- Há casais surpreendentes que provam que o amor existe. Assim: por que aqueles dois estão juntos? E como não é possível nem uma explicação razoável, você conclui: eles se amam.
- Um dos caras que tá envolvido no churrasquinho muda a mesa das carnes de lugar. Ele é chato. Seus companheiros de churrasquinho o acham chato, mas preferem deixar a mesa no lugar que ele diz ser perfeito. O mundo dá suas liçõeszinhas: o chato tem muita força.
- É impressionante a força do movimento hippie. Ainda agora, 2010, ele se manifesta. Sou preconceituoso. Só baixei minha guarda quando li o Domingos Oliveira falando do Movimento Hippie, explicando a Contra Cultura e como aquelas idéias eram belas por acreditar que o homem, enquanto espécie, poderia evoluir e melhorar. Mas mesmo assim me incomodo com o garoto fantasiado de hippie que compra crédito pro seu celular na banca de jornal. Ele está fantasiado, eu repito. Não há como ser espontâneo aquilo. Ele tenta reproduzir uma coisa que já passou. É o anti desapego hippie. É o blablabla hype que falam por aí. A ironia é que ele deve ser um garoto cheio de boas intenções e até legal. Mas ele é consciente demais pra ser sincero. Não sei explicar...
- As mulatas do Rio são uma coisa. Vejo 2, 3, 4, 5 e todas são uma coisa. Lembro dos Novos Baianos que ouvia na época em que me mudei pra cá: "Pela Morena eu passo o ano olhando o Rio".
- A satisfação dos que voltam pra casa depois de uma segunda feira estafante de trabalho quase me dá vontade de ter um emprego como o da maioria. Lembro da Bíblia novamente. Mas mudo de idéia: quero fazer o que já faço com o plus de ganhar um salário decente. Me parece justo mesmo sem achar que o mundo seja justo.
- Nas calçadas eu gosto de me impor. É besta. É assim: não dou passagem pra carro quando eu estou na calçada. Calçada é lugar de pedestre e eles que se fodam. As vezes, por pirraça, até ralento o passo. Lembro da única explicação eco-chata anti carros que ouvi e que fez uma puta sentido: 600 kg que transportam 60 kg não parece nada inteligente.
14 de março de 2010
BwanaBwana ou ninguém - quando a cobra morde o rabo.

Sexta-feira, Julho 20, 2007
Eu ando por aí contando meu passos.
Eu prefiro chutar as latas pelas ruas.
posted by fmaatz @
13 de março de 2010
relatinho sem fazer a barba.
Meu arquivão tá aberto desde que acordei, mas há pouco o encarei e fiquei satisfeito. Escrevi, reli, gostei e senti que era o caso de estalar uma lata.
Tenho que ir almoçar. Só cigarro e cevada não dá certo. Mas sei que não vou beber muito. 4 latas no máximo do máximo. É um sábado calmo e quem sabe, daqui a pouco, eu beba um chá.
Nos últimos dias tenho lido com compulsão. Espalho os da vez na cama e fico lá, pelado e com o ventilador na fuça lendo 3 ou 4 páginas por vez de cada livro. Sou quase um monge.
A Ro Ro me acompanhou nesse sábado. É uma descoberta ouvir ela gemendo suas coisas. Assim como o Erasmão, que é um dos da vez mesmo sem ter tocado hoje.
No sabadão há uma quantidade enorme de punheteiros que vêm parar no meu blogue. Fico impressionado com o que eles perguntam ao google, coisas como "vejo orkut me masturbando punheta", "adolescente de 15 anos se masturbando" e "buceta miúda" os fazem parar por aqui. Peço a bênção ao sitemeter e concluo que ter filhos em tempos de Internet acarreta em preocupações que meus pais não tiveram.
Agora o fim do cigarro e a 4° lata. Uma sincronia quase perfeita.
Hoje é sábado e há belas mulatas pelas ruas cariocas.
Tomar banho, almoçar e ver o mundo.
Quem sabe até beber um chá em boa companhia.
nenhuma ameaça lá fora.
Me lambi mais um pouco e fiquei olhando as paisagens: casas de hippies, ladeiras de Santa Tereza, móveis rústicos herdados pelo avós italianos e garotas lindas que imitam pin ups. A flora repetida do popcultmoderninho. Gente parecida demais.
Como explicar?
Minha vaidade é ser amigo de A, por exemplo. Ele usa camisas de gola, calças vermelhas e dança nos sambinhas da Lapa. E a gente se encontra pra beber e falamos por horas. Eu volto bêbado pra casa e ele vai pro seu sambinha. Nôs damos bem, mas não somos cópias um do outro.
Nas paisagens que vi era tudo muito colorido e encantador. Belos sorrisos, euforias imensas e amigos íntimos feitos há duas horas atrás. Todos, sem exceção, com casacos listrados e retrôs.
Por isso me acalmei. Prefiro outras paisagens. Com mais decadência é certo, mas também com mais mistura e resquícios daquilo que chamo de alma.
Alma é um treco que se inventa e se desenvolve. Alma não nasce com a gente. Como diz o Tio Jung: ter alma é a ousadia da vida.
12 de março de 2010
amor no tempo do clitóris.
Ele é apenas um mamilo mais poderoso e melhor localizado. Não é o óconcur das suas partes, ó fêmeas fissuradas! Ele é, no máximo, a campainha para a única entrada realmente santa que vocês trazem no corpo. A entrada, a fenda, a racha, a japonesa peluda, a caverna, o abismo, a buceta, a buceta, a buceta.
Então repito: venha até aqui e me declare amor eterno. Amor eterno e buceta. Buceta que gosta do Don Pilar. Que prefere pau à dedo ou língua. Só assim o amor eterno poderá ser consolidado.
O amor eterno precisa de profundidades.
E coisas profundas nunca ficam nas partes visíveis.
