No último dia vou na peça do Domingos Oliveira. Gosto da peça porque gosto do Domingos Oliveira. Quero dizer que não tenho nenhum distanciamento e que estou lá para ver o que sei que gostarei. A peça é boa, já tinha lido e tudo. Mas ler teatro é sempre meio chato. Falta o teatro da coisa. E o teatro da coisa tava lá. Com o Domingos e os atores e a direção do Domingos e aquilo que eu sempre entendi e entenderei.
Ele fala da familia dele. Ele fala dele. Ele fala dele do jeito que entendo e aprecio e admiro. Vejo um monte de graça que, secretamente, penso que só eu entendo.
O Domingos tá velho. Infelizmente deve morrer nos próximos 20 anos. Mas ele tem essa coisa positiva/otimista que meio que me constrange. Porque é real. E porque eu não tenho isso, mas me sinto profundamente contemplado quando vejo ele agindo nesse lugar.
No finalzinho da peça, ele aparece como Domingos. Explico: ele sempre é ele - mesmo quando vestido de velha -, mas, nesse momento, ele é ele representando à si próprio. E ele tá falando: do tempo, das pessoas, dele mesmo e da vida. Mas ele é foda. E sabe falar. Causa encanto quando fala.
Finalizou com algo como: "e ele (o personagem dele jovem) tá aqui, vivo e fazendo teatro". E o Domingos, o real, tá super feliz com aquilo. E quem tá na platéia nota isso. É bonito. Bonito pacas. O Domingos, que admiro, felizão com aquilo.
Bato palmas entre os estranhos que não são o Domingos e saio. Vou no banheiro pra mijar e choro. Choro não pela peça, mas pela vitalidade do Domingos - que admiro e invejo. Velho filho da puta me deixando no chinelo.
Volto e bebo cervejinhas. Penso na vida e prefiro o Domingos. A vida parece mais justa ou decente quando penso nisso. Espero que o puto viva mais de 100 anos - como a Dona Moçinha.
25 de junho de 2010
23 de junho de 2010
consulta.
Segundo a astróloga tenho sentido tesão nas pessoas erradas.
Eu tentei explicar.
Disse que não era tão simples.
Que haviam mulheres que só eu enxergava a potência.
Ela disse bobagem, bobagem e foi logo tirando o tarô pra confirmar o meu erro.
Falou que a loira era o problema. Que eu tava preso à ela, a loira.
Quando eu falei que não conhecia nenhuma loira, ela me xingou.
Disse que eu era medroso, que eu era incapaz de assumir meus sentimentos.
Eu desisti e paguei os 150 pila.
Fiquei pensando na loira.
Quem será essa maldita loira que amarra a minha vida, hein?
21 de junho de 2010
O único calor verdadeiro e um prenúncio de morte no ar.
Queria entrar dentro de você pra tentar descobrir alguma paz. Sua santa buceta e meu pau sem borracha buscando compreender o que nunca foi dito. Nem me mexeria. Ficaria acoplado, em volto em suas carnes e fixaria meu olhar em seu rosto. Tentaria notar se existe algo de muito antigo em seus traços que só eu veria e que, portanto, seria apenas meu. Mulher ancestral e buceta-cova me arrancando do dia após dia e do conta-gotas fatal.
Dentro de você. Apenas o pau e a buceta. Os corpos pelados. E meu olhar fixo para enxergar o que ninguém nunca viu. Poderia morrer ali, dormir ali, dissolver ali e - quem sabe - por um tipo de mistério, ser sugado lá pra dentro e ver as ranhuras, o útero e as trompas. Perderia lentamente meu ar e veria o caixão se fechando, mas morreria calmo porque, finalmente, o impossível teria se materializado.
19 de junho de 2010
meu anti câncer.
às vezes sinto vontade de morder e dar porrada. idiotas atrapalham sua vida. fazem idiotias e você fica lá: resolvendo merda de terceiros. e nem são grandes merdas. são merdas médias, nem fedem direito. e lembro de outros idiotas que não entendem a raiva, o ódio e a violência. uma paz forjada pela indiferença. nada é muito pra essa gente. tudo é normal pra essa gente. jogo que não arrisca. opinião que não se compromete. é o nelsão dizendo: "se cai uma bomba atômica na cabeça deles, apenas dizem: - morri."
indiferença morna à ser cuspida pelo bom Deus.
É um mundo velho e engraçado. A gente se repete e ta aí: metendo o nariz onde não é chamado. E se parar pra pensar, você estará na merda. Pensar é, muitas vezes, o grande masoquismo enrustido.
Então coço meu saco e toco punheta.(Dediquei pra você, bonita.) Fico fazendo contas e planos. Até revisões eu faço. Há os cigarrinhos e os livros. Há também o Gikovate na CBN.
Eu me divirto, confesso.
Então coço meu saco e toco punheta.(Dediquei pra você, bonita.) Fico fazendo contas e planos. Até revisões eu faço. Há os cigarrinhos e os livros. Há também o Gikovate na CBN.
Eu me divirto, confesso.
17 de junho de 2010
minha vantagem é não sofrer de bruxismo.
A verdade é que mulheres me perturbam. Assim que deixo uma entrar na minha vida fico na merda e sofro mais do que preciso.
"Mulheres são mais perigosas que espingardas", ouve o M. Corleone antes de se aproximar da mulher por quem ele acabará se apaixonando.
É isso. Mulheres são perigosas e eu me sinto tremendamente ameaçado. De um dia pro outro lá estou eu ouvindo dela o que não deixaria ninguém falar.
E é terrível.
Porque o que ela fala, na hora em que ela fala, eu escuto. Ela diz: você é louco. Eu digo: tem razão, eu sou louco.
E, vejam, nem acho que eu seja louco, mas quando ela fala parece ser uma verdade.
Mulheres - não todas, mas algumas - me influenciam de um jeito fatal e cego que eu nem sei se aprecio.
Acabo ficando com a bunda de fora, na mão do palhaço e cheio de dúvidas que nem são minhas. Eu me influencio demais. E, nessas, eu perco a mim mesmo e falo coisas que nem penso ou imagino.
Em outras palavras: eu sou fraco e me deixo levar.
Por um lado, tudo certo. Se for uma grande paixão, que seja: estou aí e não vou resistir por orgulho.
Por outro lado, que merda: mulheres sentem prazer em influenciar um tipo fraco como eu, mesmo que estejam cagando.
Então eu jogo amarelinha com as crianças do prédio e vou ao médico sozinho.
Por incrível que pareça sei me cuidar e até vivo bem - ainda que sem acreditar na aceitação-total budista ou no tudo-pode-ser neo hippie.
Eu sou eu e tenho meus preconceitos. Meus preconceitos valem a pena por dois motivos:
1 - são reais, mesmo que errados.
2 - o fato deles serem errados não quer dizer que não façam sentido.
E também porque tenho a arrogância de me sentir livre pra mudar de opinião quando é o caso.
No mais, minha costela fraturada e um analgésico sublingual que custa R$ 1, 90 a unidade.
É um mundo cheio de gracinhas, não é?
Eu acho.
"Mulheres são mais perigosas que espingardas", ouve o M. Corleone antes de se aproximar da mulher por quem ele acabará se apaixonando.
É isso. Mulheres são perigosas e eu me sinto tremendamente ameaçado. De um dia pro outro lá estou eu ouvindo dela o que não deixaria ninguém falar.
E é terrível.
Porque o que ela fala, na hora em que ela fala, eu escuto. Ela diz: você é louco. Eu digo: tem razão, eu sou louco.
E, vejam, nem acho que eu seja louco, mas quando ela fala parece ser uma verdade.
Mulheres - não todas, mas algumas - me influenciam de um jeito fatal e cego que eu nem sei se aprecio.
Acabo ficando com a bunda de fora, na mão do palhaço e cheio de dúvidas que nem são minhas. Eu me influencio demais. E, nessas, eu perco a mim mesmo e falo coisas que nem penso ou imagino.
Em outras palavras: eu sou fraco e me deixo levar.
Por um lado, tudo certo. Se for uma grande paixão, que seja: estou aí e não vou resistir por orgulho.
Por outro lado, que merda: mulheres sentem prazer em influenciar um tipo fraco como eu, mesmo que estejam cagando.
Então eu jogo amarelinha com as crianças do prédio e vou ao médico sozinho.
Por incrível que pareça sei me cuidar e até vivo bem - ainda que sem acreditar na aceitação-total budista ou no tudo-pode-ser neo hippie.
Eu sou eu e tenho meus preconceitos. Meus preconceitos valem a pena por dois motivos:
1 - são reais, mesmo que errados.
2 - o fato deles serem errados não quer dizer que não façam sentido.
E também porque tenho a arrogância de me sentir livre pra mudar de opinião quando é o caso.
No mais, minha costela fraturada e um analgésico sublingual que custa R$ 1, 90 a unidade.
É um mundo cheio de gracinhas, não é?
Eu acho.
15 de junho de 2010
Meu fetiche pelo delírio. Meu, só meu. Solidão-solução e outras bobagens. Leio livros de psicologia. Ego na superfície tentando controlar as coisas. Superego como a ameaça real. O ego, primo pobre, leve culpa àtoa. Superego é o problema. Id é a coisa toda - que tudo contém. Não sei se entendi direito, mas não importa. Como a falinha do House:
- mas ele não me ama, ele apenas acha que me ama.
E o House, fodão, responde:
- e qual é a diferença?
Então me infernizo e tomo analgésicos. Tem a babaquice denuncista do CQC na TV e pizza de pão. Minha barba está feita e tenho novos lençóis. Agora só falta conseguir falar com a NET.
- mas ele não me ama, ele apenas acha que me ama.
E o House, fodão, responde:
- e qual é a diferença?
Então me infernizo e tomo analgésicos. Tem a babaquice denuncista do CQC na TV e pizza de pão. Minha barba está feita e tenho novos lençóis. Agora só falta conseguir falar com a NET.
13 de junho de 2010
tombo
A queda meu deixou com dores. Principalmente no lado direito e nas costelas. Deitar e levantar são os novos desafios. A tosse e os espirros como terríveis agulhadas.
O álcool me faz telefonar. Tento mover uma rocha e falo o que não devo. Abro o jogo e deixo minha bunda de fora. As repetidas negativas como agulhas enferrujadas.
Agora tomo chocolate quente e lamento pela queda e pelo telefonema. As agulhas estão aí e, volte e meia, me espeto com elas.
O álcool me faz telefonar. Tento mover uma rocha e falo o que não devo. Abro o jogo e deixo minha bunda de fora. As repetidas negativas como agulhas enferrujadas.
Agora tomo chocolate quente e lamento pela queda e pelo telefonema. As agulhas estão aí e, volte e meia, me espeto com elas.
12 de junho de 2010
aquilo tudo.
Estou falando sobre nostalgia. E também sobre saudades. Incluo no assunto as dores - as grandes dores. Aquelas dores solitárias que, quando ditas para alguém, se tornam ainda mais solitárias e doloridas.
Estou falando sobre solidão e isolamento. Sobre incompreensão. Sobre o tempo escorrendo lento e fatal nos relógios derretidos do quadro do Dalí. É sobre a perda do viço e o enrigecimento dos músculos. É sobre o cansaço de sonhar.
Não é sobre as pombas às cinco da manhã no parapeito da minha janela e não é sobre o fim das minhas séries preferidas.
Estou falando sobre olhos cansados e mortes precoces. Não sobre manchas de pele, paus moles e vaginas secas. É sobre desesperos e suores noturnos. Sobre chorar com comédias românticas, sobre ver velhos e ficar triste, sobre crianças esquecidas diante da escola.
Não tem mais o culpado. Não tem mais o mundo mau. Não tem mais a doença degenerativa que me aleijaria lentamente.
Agora é o oceano imenso me causando arrepios. O céu azul ameaçando que eu caia pra cima. É uma escada de cordas em cima de um balde de lata no meio de um palco vazio. São precipícios particulares e abismos internos.
As tirinhas do Charlie Brown. As tirinhas do Charlie Brown quando o Snoopy tenta escrever cartas de amor e não consegue. A foto do meu pai jovem e eu bêbe em cima da moto CB400 preta.
Estou falando sobre o que era e não é. Sobre memórias idealizadas com o passar do tempo. Sobre o primeiro amor que acaba se tornando o único.
É sobre impossibilidade. Sobre o Tempo-Seta seguindo adiante. Tempo-Trator com combustível ecológico: mais esperto e mais triste.
10 de junho de 2010
Tenho que beber menos e fumar menos. Tenho que exercitar mais meu corpo e sentir mais prazer em ficar suado. Tenho também que conseguir relaxar o esfíncter durante o orgasmo. Preciso de uma bela foda, de um emprego e de mais frutas na geladeira. Seria saudável também sair mais de casa e conhecer gente nova. Talvez devesse ir à terapia de grupo. Tenho que aparar melhor minhas unhas e preciso comprar um sabonete esfoliante para as espinhas da bunda. Tenho que reprimir minha mania de arrancar sebo do coro cabeludo enquanto assisto TV. Deveria acordar cedo e ficar sem fumar até depois do almoço. Talvez fazer ioga e conhecer mulheres calmas em roupas de algodão cru. Tomar chá verde, beber água de côco e andar no calçadão. Poderia perder meu nojo pela Baía de Guanabara. Parar de cutucar o nariz e jogar fora minhas cuecas com elástico esgarçado. Tenho que telefonar pra minha avó e mandar um e-mail pro meu primo. Conseguir contatos para a mini-temporada em São Paulo e, quem sabe, fazer um curso de massoterapia. Tenho que pôr ordem nas pastas, fazer arquivos e economizar na xerox. É uma vida estranha, eu acho. É uma vida bem estranha.
eu mesmo.
Não me foda com suas fodinhas!
Eu não sou o seu amigo saltitante que as vezes te come
e também não sou o garoto da banda -
que acha tudo muiiito intenso e vive "como se não houvesse amanhã".
Eu sou eu.
Chato pra caralho e recluso.
E, por isso,
eu não me meto na vida dos outros.
Então aviso:
ou venha sem dúvida
ou nem me apareça.
Que fetiche por "não sei"
é antiquado e sem sentido.
Lembre-se: meus preconceitos são meus amigos.
Então ratifico:
nunca apareça
ou seja uma deusa.
Se você não pode contemplar
meus delirios de grandeza
é porque você pouco me interessa.
Ser apenas mulher
é o que todas são -
e isso, você sabe -
não me basta.
Prefiro o erro sem fim
que o 'quem sabe , pode ser'.
Prefiro morrer sozinho
do que ter menos
do que,
acho,
posso ter.
9 de junho de 2010
()=()
minha mãe me chama de 'lindinho', veja só. é algo antigo e velho. quase ancestral. lembro quando P me chamou de 'neguinho'. me incomodei horrores porque é assim que meu pai e minha mãe se chamam. não sempre, mas às vezes. neguinho e neguinha. freud explica, não explica?
os pais de P se chamavam de 'pai' e 'mãe'. ela achava horrível aquilo. eu entendia. há qualquer sexualidade que é aniquilada com esse apelido. sei lá.
penso em apelidos. penso nos casais com apelidos. é estranho, bonito e patético ao mesmo tempo. eu tive 'mô, môzão' e 'bayb, bayb-bayb'. estranhos, bonitos e patéticos. tentei, recentemente, chamar uma mulher de 'bonita', mas acho que não emplacou. quer dizer, ela, no máximo, me chamou de 'fê', o que não é lá muito exclusivo.
exclusivo, exclusivo. talvez seja meu próximo apelido pra uma mulher limpa. 'exclusiva'. mentira. seria idiota chamar alguém assim. mas quero dizer: apelido pra ser exclusivo, exclusivo para amar e ser amado, amar e ser amado para ser exclusivo(a).
ah...fernandinho é auto ajuda... agora só resta vibrar e ser feliz....
mentira de novo. mas, agora, sem maiores explicações.
8 de junho de 2010
dedede e dadada
Sou eu e meu duplo, segundo minha generosa amiga Cássia. Gostei daquilo. Uma explicação sobre mim que me satisfaz. Fernandinho do bar e Fernandinho do blogue. Eu mesmo.
Ma-ra-vi-lha.
Há jogadas simples e delícias imbecis. Eu topo. Eu-sou-legal-eu-sei.
Como comer a guriazinha que vi crescer. Quando me mudei pra cá ela tinha 10 anos no máximo. Agora tá aí. Cheia de si e gostosa como só com 19 é possível. Me olha com tanta indiferença que sei que é mentira. Há limites pra indiferença.
Perguntei a idade dela e ela me ofereceu um chiclete. Legal, né? Eu acho. Estúpido e legal. Disse que chiclete era coisa de criança e ela soltou: - problema seu.
Ma-ra-vi-lha. Sou-legal-eu-sei.
Ouço Garota de Ipanema com o Dick Farney e sinto saudades. Sou legal e melancólico. Voz de veludo me causando comoções. Sou um fraco.
Finalizo isso aqui pra preparar um tody com sanduíche de queijo.
Está frio no RJ. É fácil fazer frio aqui: 17 ° já merece cachecol e galochas.
As... as galochas... as galochas...
Ma-ra-vi-lha.
Há jogadas simples e delícias imbecis. Eu topo. Eu-sou-legal-eu-sei.
Como comer a guriazinha que vi crescer. Quando me mudei pra cá ela tinha 10 anos no máximo. Agora tá aí. Cheia de si e gostosa como só com 19 é possível. Me olha com tanta indiferença que sei que é mentira. Há limites pra indiferença.
Perguntei a idade dela e ela me ofereceu um chiclete. Legal, né? Eu acho. Estúpido e legal. Disse que chiclete era coisa de criança e ela soltou: - problema seu.
Ma-ra-vi-lha. Sou-legal-eu-sei.
Ouço Garota de Ipanema com o Dick Farney e sinto saudades. Sou legal e melancólico. Voz de veludo me causando comoções. Sou um fraco.
Finalizo isso aqui pra preparar um tody com sanduíche de queijo.
Está frio no RJ. É fácil fazer frio aqui: 17 ° já merece cachecol e galochas.
As... as galochas... as galochas...
7 de junho de 2010
não é uma história de amor.
Pela 10° vez havíamos rompido.
Eu havia dito pra ela:
- não adianta, nós não conseguimos nos entender.
E ela concordou:
- realmente, é melhor a gente não se ver mais...
Nem nos despedimos.
Ela foi embora enquanto eu colocava o lixo pra fora.
Então voltamos à ser como éramos:
eu voltei a fugir do mundo para me proteger,
ela voltou a chafurdar no mundo para se salvar.
Um dia ela me telefonou dizendo que estava feliz
porque havia conversado com o tio
com quem não falava há anos.
Eu gostei da sua ligação,
mas, mesmo assim,
preferia ter ouvido outra coisa.
No meu sonho, ela diria:
- te fritei um bife... venha me ver... tô morrendo de saudades... eu te alimento, meu amor.
6 de junho de 2010
bye bye, bonita
faltou ternura e milagre
e sobrou briga e chatice.
Mas, mesmo assim, me pego pensando:
- tardes frias e noites longas,
menos álcool e menos papo.
Apenas corpos deitados olhando pela janela.
e sobrou briga e chatice.
Mas, mesmo assim, me pego pensando:
- tardes frias e noites longas,
menos álcool e menos papo.
Apenas corpos deitados olhando pela janela.
4 de junho de 2010
Prazer, me chamo Fernando.
Esperar milagres e catar conchinhas. Eu mesmo, muito prazer.
Também tenho delírios de grandeza e acho a grande maioria da humanidade um equivoco sem tamanho.
Sim, arrogante eu sei. Tão arrogante que eu mesmo, prazer, me acuso de arrogante.
Seja como for, espero milagres. Assim: uma fêmea fatal que me pegue pra si. E também: emplacar minhas coisas pelo meu talento e não pela minha habilidade social.
Catar conchinhas é bem mais simples e prazeroso: escrevo livros, projeto peças, preencho editais e aos domingos e feriados bebo 2 cervejas antes do almoço ouvindo Zeca Pagodinho.
Então sou eu e repito com ares formais:
Também tenho delírios de grandeza e acho a grande maioria da humanidade um equivoco sem tamanho.
Sim, arrogante eu sei. Tão arrogante que eu mesmo, prazer, me acuso de arrogante.
Seja como for, espero milagres. Assim: uma fêmea fatal que me pegue pra si. E também: emplacar minhas coisas pelo meu talento e não pela minha habilidade social.
Catar conchinhas é bem mais simples e prazeroso: escrevo livros, projeto peças, preencho editais e aos domingos e feriados bebo 2 cervejas antes do almoço ouvindo Zeca Pagodinho.
Então sou eu e repito com ares formais:
- muito prazer, me chamo Fernando. Tenho alguma consciência da minha chatice, mas, mesmo assim, me acho um cara suuuperrr legal, pois sei ouvir lamentos e acalmar desesperos alheios. Vejo fotos de mulheres nuas pra me distrair e sinto saudades de um monte de coisas que aconteceram. Não acredito em felicidade como objetivo de vida, mas acho possível descobrir alguma paz e algum jeito de se viver bem. Não gosto de todo mundo, mas gosto muito de alguns. Sou desconfiado e sinto raiva quando acho que perdi tempo com idiotas. Antes de dormir costumo ler e mexer no meu saco. Às vezes sento diante da janela fumando um cigarro e olho a lua enquanto penso na puta vida. Gosto da lua, mas não gosto de quem fala você já viu a lua hoje, cara?. Tenho um bocado de preconceitos. Principalmente quando ouço: ecologia, qualidade de vida, consciência ambiental, faça a sua parte, quero ser feliz, sou muiiito livre, não sinto culpa, não me arrependo de nada e etcs. Sou chato, eu repito. Mas, contra mim mesmo, acredito em milagres e delírios de grandezas - como acabei de escrever numa cartinha.
Ah...tem isso também: eu falo cartinhas.
Como coelhos.
Dizer eu te amo e dizer até logo. O lance é um verão, uma estação. No máximo um inverno, mas bem... inverno compromete demais, cria intimidades que devem ser evitadas. Dormir de conchinha pode ser uma ofensa, a gente sabe.
O lance é resistência e dureza. Talvez sarcasmo possa pegar bem. As sacadinhas em forma de suposta ironia sutil e a velha jogada de demonstrar desprezo como uma manifestação de inteligência.
Dar para idiotas a faz parecer uma mulher muito livre. Comer imbecis o deixam muito macho e viril. Pica dura, buceta semi-úmida e borrachinha politicamente correta. Jovens conscientes e fortes, engajados na luta ambiental e zelosos pelo declínio das tribos indígenas.
É um espetáculo fascinante: luzes e drogas sintéticas. Para dançar basta subir e descer - apenas usando os joelhos...
3 de junho de 2010
pra dizer e pra ouvir.
E todas essas loucuras que não me interessam. Que acho falsas, que sou chato e sinto vontade de morder. Que falta alma em tudo e quase todos. Que preciso de uma boa foda, que não invento novos amigos e não consigo foder sem um mínimo de ternura.
E também não acredito. Não mesmo. Tua cara enorme e desesperada. Você, você mesma. Seus olhos confusos que nem sabem quem é quem, o que é o que, que ainda acham a pergunta uma grande virtude. Você-perguntadora-maluca. Porque assim facilita.
Garotos saltitantes que te agradam, que lhe fazem elogios idiotas e convenientes, que te comem como os coelhos comem as coelhas. Você coelha dentuça facilitando as coisas e criando falsas profundidades. Como se profundidade fosse uma matemática de desejos saciados e rápidos. Como se masturbação significasse alguma coisa. Como quem diz: conheço meu corpo porque toco siriricas.
É velho, é bem velho. É caído e antiquado. Usurpar o corpo como maneira de libertação. O recalque masoquista que só compreende o prazer como alivio da dor. Que não vislumbra a foda perfeita e o orgasmo fatal, que só entende o prazer como resultado da dor.
Praticantes de fistings e merda do tipo. Gente saltitante que berra a força do presente. Como se o presente fosse explicação pra algo, como se existisse, como se o presente, assim que consciente, não virasse o passado.
Discursos articulados para comer bucetas que gostam de misticismos. Eu toco punheta e nem pretendo ser feliz. Eu não falo de cháckras e tempo presente pra te agradar. Eu sou chato, eu sou chatérrimo. Gente que salta é sempre mais divertida, não há duvida.
2 de junho de 2010
durantes as aulas.
- Você sente a corda. É isso: você está amarrado e participa de um show de bondage. Você é o protagonista e receberá um cachêzinho. 60 R$ por 1 hora e 1/2. Até que é justo, não é? Se fossem 6 horas por dia e 5 vezes por semana, você teria um salário de 4.800 reais. Poderia até ficar rico. Você só, solteiro. Gastando mesmo em cigarrinhos e álcool, cinema 1 vez por semana e sexo pago 1 vez por mês. Praticamente a vida de um padre, um padrezinho de 1900.
- da merda toda. eu ali. eu aqui. eu ouvindo um chato atrás de mim.
- ela mexe suas mãos e fala sobre corporações - Deus me ajude.
- Ah... o fetiche pela dúvida... o fetiche, sempre ele, mascarando.
- São garotas tristes de unhas sujas.
- Em silêncio ela era linda - até galochas usava. Antes, diria até, que ela tinha estilo. Agora não. Agora ela fala e suas narinas se dilatam de uma maneira impressionante: uma tristeza.
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