4 de março de 2010

Era nós e nos sentiamos bem.

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A saudades é discreta e a falação imensa. Sempre e sempre.
As esperanças são tão claras quanto as coincidências.
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Os milagres, a gente sabe, se escondem com as baratas na curva do balcão.
Eu sou o cara que procura baratas, que gosta ou não de um bar pela média numérica de baratas.
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Não sou esperto e nem quero ser. A esperteza, a habilidade, o saber quantas baratas devem ser mortas me soam, sempre e sempre, como o cálculo frio que antecede a surpresa.
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Não quero e não me interessa.
Invento liberdades.
Sou arrogante e sou livre.
Ou melhor: só sou livre quando sou arrogante.
É assim. E nem importa. E tanto faz.
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Prefiro eu mesmo e o que só eu noto.
Meu júbilo é nem notar que o cuspe pra cima caiu na minha cara.
Ser discreto tem disso: limpar o escarro sem ser notado.
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Prefiro o escândalo e o dêmonio. São coisas que cismo e se repetem. A soma das minhas sombras são eu mesmo, é o grito.
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Solidão é a saída pra trouxas e cismados.
Havia sol antes disso, mas quem acha que o sol se basta?
A bola de fogo pode até preservar a vida, mas caga pra vida.
A bola de fogo mantêm sua própia auto regulação.
É por isso que o sol é bonito e fatal: ele só se importa com ele mesmo.
-
13 e 30. 12 e 90. Faço gracinhas, eu sei.
Minha matemática faz julgamentos apenas por erros de soma.
Meu charme são todos esses erros.

3 de março de 2010

03032010


Minha princesa gigante me telefona de seu castelo. Gostou da pequena cabeça de dragão que lhe enviei. Uma cabeça que caçei e que me deu certo trabalho. O dragão nem era daqui, pertencia à outros asfaltos.

Exigiu alguma luta, mas foi abatido.

Eu, Quixote gordo, estava num dia dos infernos. Noite mal dormida, boca de cinzeiro, pulmão no talo e obrigações idiotas a se cumprir. Tomava um café após a primeira obrigação idiota quando o telefone tocou.

A voz dela estava doce e pastosa. Minha pequena cabeça de dragão havia chego em seu castelo. Ela estava feliz com a oferenda e comentou sobre a casinha que acompanhava o pacote. Achei curioso o destaque dado a casinha e pensei que isso era bom porque, de tudo, a casinha é o item mais resistente.

Meu mau humor infernal se dissipou enquanto eu saia do Shopping. Terminei o café, acendi um cigarro e caminhei lento pra casa.

Na passagem subterrânea reparei no rosto das pessoas que passavam. Muita dor e loucura, muita força e desespero. Pensei que é isso. Viver não é a aventura dos filmes. Eu pensava na satisfação da minha princesa gigante e me sentia bem, apesar de tudo.

No metade da passagem subterrânea, onde é possível ver o céu, cruzei com o Fortão que mora no 2° andar do meu prédio. Nós sempre nos cumprimentamos com um aceno curto de cabeça. Dois machos que se cumprimentam com formalidades ancestrais.

Acho que por estar pensando na minha princesa gigante, o cumprimentei com um aceno de cabeça mais largo e um sorriso satisfeito no rosto.

Pra minha surpresa o rosto do Fortão carrancudo do 2° andar se transformou. Abriu a boca fina num sorriso frágil e sincero. Os dentes, muitos pequenos, se mostraram pela 1° vez.

Até acenamos com a mão.

Só me ofereça
o que me interessa.
Ou então
nada ofereça.
Não sou homem
de me bastar
com pequenas promessas.

2 de março de 2010

Dia de misteriosa paz.

Foi assim.
E é estranho.
Você termina seu dia e está satisfeito.
Feliz até, você diria.
-
Nada aconteceu. Minha vida correu lenta do jeito que sempre corre.
Tive a maravilha de acordar cedo. Eu gosto de acordar cedo. Não assim e não sempre, mas, como hoje, eu gosto: eram menos de 7 e eu acordei antes do despertador. Até tentei dormir mais, mas não consegui.
Levantei e café na fita. Café bom, desses que a gente acerta. Antes louça e tarefas domésticas. Acordar sem despertador é ótimo. Mesmo o mau humor se dispersa.
(Já reparei nisso e deveria fazer experimentos. Dormir entre 5 e 6 horas pra mim é ótimo. Se durmo mais, a preguiça é bem maior.)
Li como um cretino durante o cafézinho da Roca e me empolguei. O livro nem era tão chato assim e eu sofrendo por antecipação. O mundo é mesmo cheio de gracinhas.
Pensar coisas que não se pensa pode ser um prazer.
Depois outras tarefas e tarefinhas e um pequeno soninho de 30 min antes do almoço. Nesse soninho me esforço pra sonhar com aquilo que eu decido. Explico. É simples: fico lendo e sentindo o sono vir, daí o olho pesa, marco a hora no despertador e me concentro naquilo que quero sonhar. Quase sempre dá certo, quase sempre é ótimo. Cada boquete sonhada que nem comento.
Daí almoço e tarde. Sempre assim, sempre lento. O dia tá chuvoso e cinza e me sinto em paz. Tô em casa, tô em Curitiba, não sou dependente do sol carioca.
Várias coisas que não precisam ser ditas e mais umas outras que deixo pra lá.
Arranjo o feijão, preparo o macarrão e armo a sopa. Tá frio no Rio e isso é quase um milagre.
Cervejinha pra ver o mundo e pra escrever e banho quente.
Tudo lento e calmo como as vezes, e só as vezes, pode ser.

28 de fevereiro de 2010

Não sei viver e nem sei se quero saber.


Nem é nada disso. É simples. Não quero topar tudo que se topa por aí. Tenho lá meu critérios. E critérios são aleatórios, a gente sabe.
Critérios a gente inventa. Com mais ou menos convicção, a gente inventa.
É por isso que cago minhas regras nesse blogue.
Esse blogue é meu, apesar de tudo.
É meu, apesar de eu saber que ele é pouco frequentado e que 70% das pessoas que vem aqui, vieram por outros motivos, tipo:
limpar meu umbigo, meu umbigo fede, sexo sujo, pnht, peitos pontudos, peitos sardentos, bukowski contos, cinema e amassos, virgem mas só vive de pau duro, etc.
Mas não importa, meu caga regra ainda me satisfaz.
Não quero precisar de platéia pra cagar minhas regras, mesmo que não negue o prazer que a platéia pode proporcionar.
Tanto faz.
Gente não é simples e gente que se julga simples não é confiavél. Por mais simples, cheia de boas intenções e honesta que seja.
Ser gente acarreta certas coisas. Ficar entre o bicho livre e o humano consciênte é uma delas. Ser gente é ser partido, diria eu no máximo da minha egotrip.
Mas não importa e tanto faz. De novo e de novo.
Acho que as coisas ficaram confusas por aqui. Acontece.
Mais um textinho na fita e mais coisas estranhas que acontecem, como esse latejar da minha bola esquerda nesse domingo.
Vai entender. Eu não e menos ainda agora.
Esquecendo tudo ainda acho a elegância e a discrição uma grande parada. São coisas que tem a virtude de se bastarem em si. Elegância e discrição para os outros não cola e nunca colou.
Melhor assim, é como prefiro.
elas
nunca
nos
dão
aquilo
que
a gente
quer

esquecem
que
dar
é coisa
típica
de mulher

27 de fevereiro de 2010

delíriozinho na tarde cinza.

Noite de pipoca e filme. Guaraná ou Mate. Muito gelo nos copos e play no aparelho. Daria um jeito de me recostar nos seios. Brincar de almofada no corpo alheio. Ouvir a respiração e, com sorte, perceber a pulsação. Ficar sem pensar. Filme simples, nem cabeçudo nem babaca. Woddy Allen talvez. Notar os pedaços do filme que mudam ali: nos seios, na respiração e na pulsação. Encaixar um beijo na hora certa. Sem língua só boca. Mudar de posição, descobrir um outro encaixe. Roçar a pele lenta, notar o sangue fluindo e os créditos que começam a surgir na tela. Mais pele roçada e um silêncio bom. Encaixa-se melhor, beija-se mais. Língua agora e língua lá. Entrar e sentir o risco. Os riscos. A aventura dos corpos, os sons sem sentido, o excesso de ar, a morte e seu arrepio. A boa derrota, a derrota de quem se entregou. Mais silêncio. Vontade de falar, mas não se sabe o que. Um sono, um soninho bom e o nariz grudado na nuca.

- boa noite.
- durma bem.

2° Coimbra do Ano.

Deve confessar que fico muito satisfeito em dizer que é a 2° vez que vou naquela decadência chamada "Bar do Coimbra" nesse ano.
Não estou, de modo algum, negando minhas raízes. Sei, e jamais duvidaria, da importância que o Coimbra e sua turma tiveram praquilo que eu posso chamar de "minha formação no RJ".
Acontece que esse boteco decaiu muito. Antes até jantava/almoçava lá. Havia o Bigode, o Sassá, o Sorriso e sempre, como o copo d'água que melhora a imagem da TV, o Coimbra.
Ele, o Coimbra, ainda está lá. Mas, na prática, só ele. Jamais comeria as iscas de frango que ele, ele mesmo, prepara. Ainda mais quando só ele tá no bar e sabendo do fascínio que a TV exerce sobre ele.
Tenho bom senso.
E agora o Coimbra tá dez anos mais velho e fica sentado com o pé esticado e uma faixa amarrada. Uma veia do pé dele estourou fazem dois anos e, bem, é o tipo de coisa que nunca teve e nunca terá cura prum cara como o Coimbra.
Não entro numas.
Vou lá por praticidade. É em frente da minha casa e posso trazer garrafas pra cá sem ter que me preocupar com os cascos. Se eu tiver sem dinheiro posso até fazer fiado. Se eu tiver sem dinheiro e com uma mulhézinha na fita posso até pedir dinheiro emprestado.
- pô, Coimbra, descola vintão...
- ...
- to com essa mulhézinha aí e tá foda...o banco tá fechado...
Ele olha a mulher. Faz cara de quem come muitas mulheres e solta.
- tranquilo, conheço você.
E por essas ainda vou lá.
Mesmo quando não é o caso como hoje.
Hoje nem precisava de cervejas e nem tinha mulhézinha.
Bebi duas no balcão e vi o mundo.
Agora, pelo bem/mal da lei anti fumo, fico no balcão da frente. Sem me esconder lá dentro e sem livro pra ler. Já li um bucado no Coimbra, mas isso não vem ao caso agora.
O caso são as duas garrafas do balcão e as coisas que eu vi.
  • o jogo dos caras é pif-paf, descobri. é um jogo simples que conheço. 9 cartas, vale trincas e sequências de 3. se se compra o descarte tem que mostrar. descobri que eles apostam alto. um ganhou 150. se fosse aposta mais baixa me arriscava com os canalhas. por 2 pilas o bate, eu toparia. mas não entendi quanto vale cada rodada. melhor assim, né não?
  • uma menina do outro lado no ponto de ônibus. eu sou um cara que usa óculos e que está no balcão de um pé sujo. ela me nota. eu noto que ela me nota. eu a julgo: semi gostosa e semi bonita com sandália e meia que espera o ônibus. divertido. olho pra ela de um jeito vulgar e estúpido. quero que ela fique sem graça e consigo. me sinto bem e vital. quando ela entra no ônibus levanto meus óculos pra dizer adeus. ela vê e enfia a cabeça no chão. eu me divirto. eu me acho "o cara".
  • a filha sapatão da dona da padaria imita a mãe. a mãe nem é sapatão, mas é como se fosse. a filha deve ter 13 anos e me causa medo. é dessas sapatões bem macho, que são grandes e debochadas. já vi ela discutindo com o pai que sabe, mesmo negando, que a filha é mais macho que ele. deus, eu me impressiono. é macheza demais pra uma garota que começou a menstruar no máximo há 4 anos.
  • a guria bonita do meu prédio mora ou no 2° ou no 3 ° andar. digo porque ela vai de escada. quer dizer: pode ser dessas que vai de escada pra se exercitar. mas daí, sei lá, meu preconceito já não a achará tão bonita. seja como for, adorei ver que ela parou na escada pra me olhar. e sou desconfiado. e digo sem margem de dúvida. ela parou pra me olhar. no canto da escada vi ela, achando que não era vista, parando e virando pra trás. meu ego gosta e meu pau se mexe dentro da cueca.
  • terminei uma histórinha aí. da Angélica. to com uma euforia boa e estranha. sou quase uma bicha, penso ao reler isso. mas a histórinha cola e é o que eu queria. final melhor do que eu imaginava. viva a Angélica que não existe. que é só minha porque eu que a inventei. Angélica é, agora, a única mulher que importa.

26 de fevereiro de 2010

As sacolas tavam cheias de latas de cerveja vazia.





pra atualizar o blogue misturo merda velha com merda nova. caço arquivos, vejo as lutas e cuspo pra cima.


  • nem tenho bebido tanto, mas também não tenho tirado o lixo. Minha média ideal são 6 latas. E, de preferência, escrevendo alguma coisa. De maneira que não penso, só escrevo. Uma paz que se procura, mas que nem sempre se acha. Paciência. As letrinhas, as vezes, têm vontade própria.
  • quando sinto raiva de você estou lhe demonstrando todo meu afeto. não devia explicar, mas explico. explico demais, falo demais. pra não me deixar abater eu explano a merda, remexo pra que ela feda. táticas tacanhas, ok. mas táticas ainda. porrada eu não sei levar. melhor, eu sei. qualquer idiota sabe. mas não quero. não acho bonito ou comovente a imagem do cara que se levanta do chão. ninguém sacode poeira porque quer, mas porque precisa. eu prefiro o querer. com doença ou não. querer é querer. saber o que quer é precisão. quero o cassius clay. ele sim. até toma porrada. até dá porrada. mas sempre tá com a guarda abaixada. é isso que faz dele, ele. só as pernas que mexem muito. a guarda, a guarda mesmo, está abaixada. é quase constrangedor lutar com um cara que abaixa a guarda. lutar com a guarda baixa é o que chamo de estilo. ou charme. ou alma.
  • Sua solidão mata as pessoas. E me sinto morto. Você provou que é forte. Mas eu não queria sua força, nunca quis. Eu queria justamente a outra coisa: onde eu, ou você, poderíamos ser fracos sem se sentir mal ou culpado, porque seriamos fracos em companhia divina. Companhia divina é o amor. E Chega. Nunca tem fim uma dor. Adeus. De novo. Despedidas são ruins, eu aprendi com você.
  • Hum. Bodinho vem e bodinho vai. Meu Deus. Quanta jogada e loucura. Todos cheios de idéias. Todos patinando na bela pista de gelo. O u-lalá da dançarina só excita gringos.
    Bem, a solução de ontem, hoje é menos encantadora. E então? Como faz? Mija pra frente e caga pra traz. Quando pararei de me identificar com Jesus? Quando deixarei as ovelhas em paz?
    Ah. Essa coisa de escrever é uma grande punheta. Escreve como quem faz terapia, como quem não se compromete muito. O sistema: uma pitada de amor, uma mijada fora do vazo e uma bela briga pra esquentar o relacionamento de 22 anos.
    Sem muito mais, mas, mesmo assim, cheio de desejos secretos e mesquinhos. Sim, mesquinharia grossa. Que que há? Não há porque não rir do tombo alheio, não há porque não se divertir da desgraça do outro.
    O outro é o outro e você é você. De onde tiraram essa idéia idiota de que não se deve achar melhor do que os outros? Pelo amor. Do bom Deus, claro está. Se achar melhor que todo mundo é uma auto-ajuda legítima. Assim como rir da própria merda é auto-ajuda.

25 de fevereiro de 2010

Veja você.

Você que some e deixa que eu fuja.
-
Ontem me masturbei pensando em ti. Fazia tempo que não me dedicava tanto a uma punheta. Você sabe, a Internet e sua pornografia incrível acaba criando maus hábitos. Confesso que fazia anos que eu não tocava uma punhetinha apenas usando a imaginação.
Há punhetas e punhetas. As vezes é só uma questão de esvaziar. Ou de ter sono. Ou de falta do que fazer. O tédio é, muitas vezes, o agente da punheta.
Mas não foi o caso.
Estava lendo, com o ventilador na fuça e deitado na cama. Luminária ligada, pernas cruzadas, uma mão segurando o livro e a outra coçando o saco.
Por algum mistério lembrei de você. Seu corpo comprido, seus olhos enormes, sua boca bem desenhada e uma nesga de bunda que guardei na memória.
Nessas o pau começa a se espreguiçar. O sangue ganhando o corpo cavernoso e o pau, semi-duro-semi-mole (ou demibombê, como diz o R. Morais no Tanto Faz) ganhando destaque na cueca.
Tiro a cueca e decido: ela merece.
Agora sou eu e meu pau. São duas horas da tarde e ele incha cada vez mais. Começo os movimentos. Crio cenas com você e aciono as imagens que guardei. Os pés no meu peito, o balançar dos seios, o pescoço dobrado, a nesga da bunda, o olhar depois do beijo roubado, os pêlos e a umidade cheia de sangue.
Outras lembranças tentam me invadir. Ex namoradas, outras fodas, mas eu não deixo. To resolvido: essa punheta é tua, só tua.
Invento coisas que nunca fizemos, posições e mordidas que não existiram, confissões que não houveram. São duas e dez e o pré-gozo começa a se manifestar na espinha. Mudo de posição e, quase descontrolado, mordo o bico do seu seio esquerdo com mais força do que deveria. Há um pequeno grito e um desculpa ofegante.
Estamos em sintonia fina. A pressão aumenta gradativa e ritmada. Você abre os olhos e eu mordo o seu queixo.
Gozo.
Gozo invocando seu nome e num esforço irracional de onde ela estiver, ela lembrará de mim agora.
Minha barriga está melada. Meu umbigo é um poço de porra em sua homenagem. Penso se isso é normal ou se sou maluco. Decido que é normal e não penso mais nisso.
O papel higiênico faz a higiene e se esfacela. Olho o montinho de papel na minha mão e digo pra você antes de o lançar no lixo.
Me visto. Há coisas pra fazer.
Nenhuma flor em nenhum asfalto. Apenas carnes que se roçam e evitam o tédio como podem.
O abatimento é antigo e o tempo age com seu conta gotas fatal. Nenhum mistério de amor e nenhuma mulher generosa com braços e pernas abertas. Porque não há mais mulheres que saibam abrir as pernas. Agora elas apenas se arreganham e confundem entrega com dar de quatro. Como se habilidade fosse o que importasse.

24 de fevereiro de 2010

aquilo e eu depois.

Depois de fazer certas coisas é possível morrer. Morrer em paz, de olhos abertos e sem frescura. A morte já não importa porque você fez AQUILO. E AQUILO é um milagre, um sentido que pode bastar pra sempre. Depois de AQUILO há a tranquilidade e a paz. A vida inteira só serve pra AQUILO, o resto é ensaio, cumprimento de função, obrigações miúdas que se cumpre bestamente: banco, contas, projetos, jogadas e etc.
O AQUILO pode te abastecer por meses. Ou então pela vida inteira. Depende do AQUILO.
Os AQUILOS que considero de morte - pois fazem com que a morte não seja mais um tormento - são alguns.
Mas cito 3 agora:
"Todas Mulheres do Mundo", do D. Oliveira.
"O Caminho de Los Angeles", do J. Fante.
e o "Cello Suite N. 1", do Bach.
-
E é ele que segue aí em baixo. Se possível, apenas escute. Sem pensar. O AQUILO fará a sua parte. O AQUILO é sempre fatal.


(e viva Karen Coelho)

recado.

Deixo mais uma postagem sem publicar. Como se eu fizesse contas por motivos misteriosos. Que de misteriosos não tem nada. Se não publico um post ou outro aqui é porque eu tenho uma razão muito clara pra não publicar. Quando não publico é justamente porque sei que vai parecer um recado.
E claro está, pra qualquer idiota que leia meu blogue, que volte e meia eu o uso para mandar recados. É confortável pra mim. Sei que fulaninha vai ler e aproveito. É uma diversão bem conveniente prum cara como eu: que prefere à si mesmo do que ao mundo.
Então se não publico é porque não quero mesmo publicar. Se depois eu reler e achar o post bom, eu vou publicar. Muito provavelmente mudando o título ou então usando o marcador memória.
Pode não parecer, mas, na média, na grande média de merda, eu sei o que eu faço. O que não quer dizer que eu acerte sempre.
O fato é que esse post é um recado. Nem era pra ser, mas eu tava sem assunto e os idiotas que me lêem sabem que tento escrever todos os dias. É uma maneira que tenho de provar algo pra mim mesmo e que não precisa de nenhuma justificativa clara.
Então fica tudo assim. Um post recado pro post não publicado e a minha vaidade satisfeita por ter escrito aqui mais um dia.
Cada um se satisfaz com o que quer. Eu me satisfaço com isso.

23 de fevereiro de 2010

pra uma mulher bonita.

A mulher que não peida
não sabe de nada.
Não entende
como pode ser
íntimo
o cheiro
do peido
da mulher amada.

22 de fevereiro de 2010

Acordei bem antes do relógio. 4:30. Fritei um pouco, li outro tanto e quando vi que amanhecia, desisti.
Antecipei a lista e fui pra tal caminhada. Gordo caminhando é uma coisa triste de se ver. Digo por mim e pelos outros. Andamos tortos e suamos tanto que chega ser ridículo. Sofri e praguejei, mas fui até o fim. O cérebro frenético e o pulmão apitando quando eu respirava mais longamente.
Já em casa tive o requinte de pegar o pesinho e fazer exercícios para os ombros. Porque meus ombros podem cair segundo os médicos. E dia desses eles tavam doendo.
Até aí tudo certo. A gente é um bicho estranho e patético que fica muito serelepe e faceiro quando faz o que disse que faria.
O foda são os cigarrinhos. Já estou no 2° cigarro do 2° maço. Até tentei marcar o tempo no inicio pra evitar os cigarros que vêm em sequência compulsiva. Talvez tenha dado certo e eu não saiba, já que nunca fiz a conta de quantos tubinhos eu como por dia.
Seja como for, hoje sou um animalzinho satisfeito. Mesmo que o mundo e a felicidade não sejam meu forte.

Pra pisar no chão do inferno.

(Posso dizer que estou livre porque meu pacote foi completo).

1 -
Domingo sinistro nas ventas. O dia mais longo do ano de 2010. Por algum mistério do maldito cosmos é assim que estão todos. A amiga que terminou seu romance, a outra amiga com sua intensidade interna em conflito com seu instinto de preservação e o amigo que, do contra, mas cheio de sentido, se sente bem pela possibilidade de um futuro verdadeiramente novo. Estamos todos lá. Fazemos firulas e implicamos uns com os outros. Por prazer e intimidade.
2 -
O motivo da reunião é nobilíssimo: uma criança que comemora. Cerveja e salgadinhos pros adultos e escorrega e trepa-trepa pras crianças. Um equilíbrio quase perfeito. Claro que há muitas ironias no ar. A tristeza de um casal que finge não ter tristeza, a ruiva-falsa e sua mudança de data de retorno, a mulher mais bonita que é lésbica e nunca olharia pra mim - mesmo que olhe de um jeito que não é o que eu gostaria.
3 -
Mas não importa. Estamos no mundo e ele gira cheio de crueldades. Reparar em flores é sempre uma fraqueza: pra mim, pra nós e pro ser mais poderoso da terra. Em outras palavras: o mundo só gira porque não repara nas flores.
4 -
Volto antes da expectativa. Eles reclamam e argumentam que agora é a hora: a maioria irá embora e haverá cerveja e maconha. Concordo com o bom argumento, mas volto mesmo assim. Ando com uma gravata de Carnaval pelas ruas. Gravata da festa e que pus pela festa. Vermelha de bolinhas amarelas. Passo em frente a uma casa e abaixo a cabeça. A ironia é eterna e o mundo é cheio de gracinhas.
5 -
Decido que devo tocar o chão do inferno. Se a loucura existe eu não posso a ignorar. Na caminhada decido que vou até o fim. Farei o circuito, me entregarei na mão de um monte de trágicos-palhaços e dormirei bem morto hoje. A morte, ainda que me pareça terrível, pode ser a paz.
6 -
Estratégia feita e Coimbra na fita. Faz anos que não vou lá e por isso hoje eu vou. Vou mijar na privada mais nojenta da Z. Sul e vejo as marcas de merdas de vidas passadas. Tento, como um herói sem um dragão, limpar, com o jato do meu mijo amarelo, a bosta ressecada e marrom que está incrustada na louça. Perco a tentativa e assumo que a bosta incrustada é a vencedora. Bebo uma aqui e levo o resto pra casa.
7 -
Bebendo no Coimbra penso em 3 coisas e leio o papel sobre Jesus que fala sobre ovelhas que recebi no meio do caminho. Reparo no jogo de cartas dos caras e acho que é melhor mesmo eu não saber jogar o que eles jogam. Acendo um cigarro pra ver se a lei anti-fumo já chegou aqui e fico contente ao saber que não. Respiro fundo e sinto o cheiro de mijo de cachorro misturado com amônia que prevalece no bar.
As baratinhas passeiam por perto, mas não as deixo passear pelo meu copo. Eu é que mando. Sou um local, um caiçara. Peço o saquinho pras cervejas que levo e ouço a velha e repetida piada machista. Ok, se eu sei do se trata, eu topo.
8 -
Em casa o arquivo aberto e uma ou outra navegada na Internet. Nenhuma novidade e nenhum milagre, infelizmente. Decido o sabor da pizza, mas seguro o pedido. Quando eu for comer é pra dormir. Abro pela primeira vez a agenda/2010, faço uma lista fria e preparo meu dia de amanhã: incluo horário pra acordar e caminhada.
Espero que eu siga a lista. Ela é fria, mas tem bom senso. Decido terminar meu whiskey entre uma cerveja e outra. Como uma despedida com cara de até logo.
9 -
O dia foi longo, mas foi o que poderia ser. É estúpido esperar milagres em paisagens desertas. As coisas são lentas e fatais. "Um dia depois do outro", como diz o velho Buk querendo ser mais razoável e dividido pela briga entre o velho que tá pra morrer e a vitalidade que se sente na alma, mas não no corpo. Porque o corpo, querrendo ou não, sempre envelhece pela ação do tempo.
10 -
Já que todos falaram, eu repito também. É amanhã que o ano começa. Primeira segunda pós Carnaval é a explicação/consolo pra todos que sentem cansaço e outras tristezas discretas. Por isso a lista e os planos repetidos.
O ano não começou e só começará amanhã. Amanhã será bem melhor. É sempre bom pensar assim.

21 de fevereiro de 2010

infelizmente não é um domingo qualquer.

Tomando cafézinho e tossindo todo o excesso de cigarros de uma vida puta. Placas amarelas, verdes e marrons sendo lançadas a cada contração do pulmão. Tosse com direito a bolinhas coloridas no final. As bolinhas do Tim Maia, as bolinhas da pressão.
Antes de dormir e depois de acordar toco uma punheta. Pra ver meu pau alí, pra ver que ele existe e espirra suas coisas. A bandeira de uma dança mal dançada. Um homem e seu pau é uma história pra se contar.
Por todo parafuso e por todo espiral que me puxou, tomo aquelas velhas e sábias decisões:


fumar menos, fazer exercícios, programar a leitura, programar o dia para um melhor rendimento, comer melhor, beber menos, levar as coisas menos à sério, acordar e dormir sempre no mesmo horário, visitar os museus, evitar as gorduras e o açúcar, aproveitar o plano da Amil e ir ver médicos, ver vários médicos, ver todas as modalidades de médicos, terminar o livro, publicar um livro, programar o espetáculo, ficar atento com as datas dos editais e festivais, não esmorecer, ter mil planos, separar as roupas velhas, dar as roupas velhas, limpar os papéis, abrir as pastas, tomar mais líquido, comer mais frutas, descobrir novas pessoas pra trocar cartas, ler os clássicos, se incomodar menos com a máquina, participar da máquina, ir no banco, abrir poupança, viver sem pensar, etc.

E hoje é domingo. E o café é bom e forte. E cagarei lento e de porta aberta - como se expulsar as merdas fosse apenas uma metáfora. Tomarei um banho onde ficarei por 5 min. me alongando e me esforçando para 'não pensar em nada'.
Então me preparo e vou ver uma criança cheia de vida. É a festinha de aniversário dela e eu não comprei presente porque eu sempre me enrolo. 2 anos no planeta e poucas marcas do mundo. A vitalidade que só uma criança e sua animalidade pode ter.
Sinto saudades de um monte de coisas. Lembro de outro monte também. Umas lembranças são ruins e outras bonitas, bem bonitas. Quase tristes de tão bonitas.
Nessa estranha tarde de domingo haverá os amigos, a cerveja e os cigarros e crianças que correm pra lá e pra cá sem nunca parar. A lição possível, o entendimento mais objetivo que se pode ter da vida: fazer.
E por lembranças de domingos de outras épocas, segue a música que quero cantar. A música que me acordava aos domingos em Curitiba com meu pai tomando caipirinha, minha mãe na cozinha e o cachorro na sala.



O egoísmo parece ser a solução. Sou exagerado e louco quando to no mundo em companhia. E não faz sentido. E não é assim. Falo demais, me perco, me confundo, fico inseguro, babaca e chato. Paranóico e perturbado disparando coisas de jeito estúpido, como se tudo que se pensa devesse ser dito, como se a verdade fosse apenas uma questão de falar muito. E não é nada disso .E não haverá nenhum entendimento numa euforia desse tipo. Porque não dá, porque se deve concentrar em uma ou duas coisas e não deixar 30 rodar dentro do seu cérebro. Como um carrossel suicida. É insensibilidade, burrice. É não entender que o tempo precisa existir, que a calma precisa existir, que as coisas correm lentas e podem, ou não, evoluir. Porque a chance é a mesma, o risco é o mesmo. Mas eu teimo e quero tomar pela mão o impossível. Destruir à barrigadas. Ser um Quixote sem charme e sem nexo. Uma chatice de confusão que o mundo em companhia me desperta. Com outros horários, outras interferências, com palavras que não conheço e datas que esqueço. O cúmulo de ser eu mesmo. A explicação do isolamento e um sol sem Lagoa ou Praia. Um sol que aquece e queima. Que faz queimaduras de terceiro grau. Um sol que queima porque não uso o bloqueador. Porque o sundown tá alí do lado, mas eu não uso. Porque não sei ser eu com os outros. Porque o eu sozinho tem alguma chance de paz. E o eu com os outros, pra ter paz, tem que antes passar pelo inferno.

20 de fevereiro de 2010

É apenas disso que se trata.

Passo os amigos em revista. Últimos dias assim: 1° Z e A, 2° J e 3° F.
É bom e saudável. É a hora que olho pra mim mesmo no espelho e digo com orgulho: você também participa do mundo.
A unidade está na pergunta: voltou quando?
E a resposta se sempre é: terça passada, a outra.
E todos, em dias diferentes, mas em uníssono: mas por que voltou antes do carnaval?
E a única resposta se manifesta: porque não aguentava mais Curitiba.
E todos riram e eu ri também nas 3 diferentes vezes. É isso que faz eu os chamar de amigos.
Porque não tenho muitos amigos, porque me parece mais decente não ter muitos amigos e porque não confio em quem acha que todos os seus contatos de orkut/facebook são seus amigos.
Me entendo com poucos, mas me entendo com os que importam. E, pra mim, é só isso que conta.
Conhecer gente nova é legal, mas, na média, só confirma um velho caga regra meu que eu roubei do último discurso inspirado do Caetano: o juri é simpático, mas é incompetente.
E penso no porque desses serem os amigos. E acho que o que eu acho é um absurdo, mas mesmo assim é a única resposta que tenho: porque eu e meus amigos temos os mesmo valores.
(ok, ok, eu sei que valores é uma palavra antiga e estúpida. ok, ok, eu sei que valores é coisa do Maluf quando condena o sexo anal entre marido e mulher pra ganhar uma eleição. ok, ok, eu sei que o Papa mais sinistro que conheci, o que tá lá agora, usa essa mesma palavra pra condenar a camisinha ou mesmo o sexo apenas pelo sexo que - por mais chatinho que seja - tem seu direito de existir e de ser praticado sem culpa.)
Mas não importa. Eu e meus amigos temos os mesmo valores. E isso não quer dizer que a gente concorde sempre e nem quer dizer que nunca briguemos. Quer dizer que a gente reconhece a grandeza nas mesmas coisas, ainda que com opiniões diferentes. Somos amigos porque as coisas que consideramos grandes são as mesmas. Apenas por isso.
E, claro está, que isso não é apenas.
O que cada um pensa sobre essas coisas é outra história, outra parada. Não é o ponto de convergência e nem precisa ser. Bastar ter o ponto comum e beber e conversar.
É o que eu entendo por um bom papo: falamos da mesmo coisa, ainda que com opiniões diferentes.
E pronto. E basta.
E bastar, e se bastar entre amigos, não é uma coisa que tá no Carnaval ou na paixão pela mesma música do mesmo compositor pop. É uma coisa que se conquista e que precisa de certo tempo para ser plena.
E plenitude é um dos pontos comuns.
E não é pouco, é muito. É apreciar os grandes desejos que se tem. Como quem sente prazer em flertar com o perigo sem nunca se esquecer que é com o perigo que se está flertando.
Por hora me sinto abastecido e pronto pra mais 2 semanas de solidão de doce solidão.
O que não impede os outros encontros ou a lembrança de um outro F, com quem também desejo conversar.


19 de fevereiro de 2010

Minha vantagem é que meu demônio tem chifres e é vermelho.
É alguém.
Ele me conhece e eu conheço ele.
Somos velhos conhecidos, por assim dizer.
Ele é assustador e eu me assusto,
mantemos o respeito, um pelo outro, dessa maneira.
E isso não impede as danças,
longas, lentas e torturantes
que ele exige.
Eu topo,
eu tenho que topar.
Dançar com o demônio é,
muitas vezes,
tudo o que se tem que fazer.