18 de agosto de 2010

são contas: mais cinco reais pelo black&white.

As belezas são minhas e eu as invento.
Por isso me sinto bem.
Não tenho a ambição do cara do orkut que diz: - quem não gosta da própria vida é porque não vive.
Eu vivo.
E gosto e desgosto - o que só me confirma que "sim, sim, eu vivo".
Que o excesso de amor pode ser desespero, que o eterno otimismo pode ser doença, que o hábito de resmungar pode ser insuficiência cardíaca.
Então repito arrogante: eu vivo.
Meu mel e minha merda. Meus anjos e meus demônios. Meus delírios e minhas dores.
Eu vivo.
Vejo gente por aí, ganho uma merreca no gringo do J. Botânico e, às vezes, consumo a pornografia da Internet que insiste em fazer de todo ato sexual uma disputa de poder. Como se todo sexo fosse competição, como se tudo pudesse ser explicado, como se a morte - por ser inevitável - fosse compreensível.
Hoje - e só hoje - há as castanhas gordas presenteadas pelo meu bom amigo. E também a certeza de que o que eu gosto de fazer é o que faço melhor - o que, infelizmente, não tem nada a ver com ser bem sucedido ou estar satisfeito.
É apenas a vida e eu vivo. É o que eu faço e consigo fazer.
E, mesmo assim, isso não me impede de lamentar pelo fato de ter um bom tempo que não tenho uma paixão da boa...

14 de agosto de 2010

Chatos espalhados.

A bondade infinita cheia de caras e bocas. Dizendo ''olá'', ''como vai?'' e coisas do tipo. Tudo certo. Sou leegal e enteendo tuudo. O mundo tem lá suas formalidades e somos educados. Dizer ''olá'' e ''como vai?'' é quase inocente...
Mas os chatos estão à postos e são simpáticos. Fazem de conta que não estão apenas na formalidade. Insistem, como bons chatos, em serem muiito sinceros.
E, dentro da fogueira vaidosa chamada sinceridade, os chatos põe suas manguinhas de fora e usam a sinceridade como desculpa para qualquer imbecilidade que seja dita.
Pode ser um garoto de rua ou uma mulher-promessa-de-foda-milagre. Os chatos se parecem. Eles se repetem e têm consistência. Sabem sempre ser leegais e dizer coisas estúpidas parecendo sinceros, ou pior: verdadeiros.
Então fico só e evito quem eu acho que devo evitar. Eu, chato também, mas sem alugar ninguém com a minha chatice. É a tal proteção. Meu muro de dois gumes que, por um lado, me compromete as mulheres-milagres e, por outro, possibilita a certeza de que não perderei tempo em 'interações' que apenas aborrecem.
Por isso vou ao bar para beber e ler. O livro, se chato, é fechado e não me cobra atenção. E o porre, bem, o porre quase sempre me agrada.
De forma que concluo que nessa sexta-feira 13 tive o melhor 1 à 1 que poderia ter.
Acho que foi o Zagalo que disse essa ótima frase: - que empate o melhor.
Hoje, eu concordo.

11 de agosto de 2010

declarações de amor cheias de elegância paulista.

  1. Os comentários do último post que me deram vontade de escrever um novo post que não escreverei agora, mas escreverei depois.
  2. O bom amigo com histórias e euforias sinceras.
  3. A ternura na bêbada mais triste do bar e a certeza de que só eu reparava nela.
  4. O fim da caganeira e o ceú que eu pinto de roxo por fetiche e pau duro.
  5. As crianças que ainda jogam bola na rua e desafiam os carros da Rua da Passagem.
  6. O convite à família religiosa com quem divido elevador há dez anos.
  7. A caiçára mais linda do nordeste que me fritará os supracitados bifes.
  8. O tédio como território de transição e as meias penduradas no varal.
  9. A pizza que sobrou e a bênção do forno à gás.
  10. O fim da música que coincide com o fim da cerveja e do cigarro.

9 de agosto de 2010

As mulheres calmas com vestido de algodão que meu tio Buk me falou ficaram todas no exílio.

Agora elas andam com pressa e têm a maldita auto suficiência como dogma. Nem entenderam que a 'auto suficiência' da Marina Colasanti era objetiva e queria dizer apenas 'auto suficiência financeira'.
Elas radicalizaram. São tão auto suficientes que não precisam de nada e de ninguém. São todas órfãs - com pai ou mãe vivos, tanto faz - são todas órfãs.
Gozam sozinhas, trepam sozinhas, cozinham sozinhas, ficam doentes sozinhas, trocam lâmpadas sozinhas. E até falam sozinhas quando conversam com você.
Um dia, por puro acaso, pedi pra uma órfã auto suficiente: - me frita um bife? E ela me disse das opressões que seu sexo sofria, dos abusos que havia sofrido, da mãe que era traída pelo pai e de como os homens com os seus pênis achavam que podiam possuir tudo.
Eu insisti: - mas mesmo assim, me frita um bife?
Ela subiu nas tamancas e disse que eu era machista, que eu era um crápula, que era o mimadinho que queria ser servido, que eu não aceitava a 'nova mulher' e que o bife era o ícone de todo meu machismo enrustido. E ela ainda bateu a porta da minha casa dizendo que eu era ''mais um porco machista".
Eu queria um bife e achava coerente pedir isso à ela. Ela tão linda e gostosa, ela que dizia que gostava muiiito de mim. Pensei, inocentemente, que eu poderia, com ternura, pedir pra ela me fritar um bife. Mas ela não disse sim ou não, ela apenas me xingou com acusações da década de 70 e bateu a porta.
Contentei-me com salaminhos cortados por mim e salpicados com limão.
Até hoje, antes de dormir e depois da oração, lamento comigo mesmo: - era apenas um bife, era apenas um bife...

O pau sem mira, mas a vida boa.

Acordo tarde e quase sem culpa. (sentir culpa é tão reconfortante...). A TV tem tela azul e nem interessa. A Internet, além da tela azul, tem uma oferta incrível de pornografia.
Toco punhetas para todas as homemades e penso em juntar dinheiro para comprar uma máquina digital. (nunca tive uma máquina digital...). Se eu pudesse escolher, me apaixonava por uma mulata: coxa marrom e buceta rosa, o inferno à cores.
Desço e vejo gente. Gente. Gente é legal, gente é comum, gente enche o saco. (ser eu mesmo enche o saco...) E, de novo, tive um sonho estranho. Não lembro como foi. Mas lembro de acordar e pensar: de novo um sonho estranho.
Agora voz de mulher na vitróla e meu pau mole balançando sem ficar duro ou mesmo ter mira. Mira pro pau é tão importante, disse um ex professor canastrão que tive. Mesmo canastrão, ele tinha seus momentos.
Domingo à noite, uma ligação perdida no celular e nenhuma buceta-mira pra ajudar à dar sentido pras coisas. A pizza tá no forno e cheira bem. (definitivamente não entendo quem tem preconceito contra a carne dos porquinhos...).

8 de agosto de 2010

Com platéia.

Se for assim, se ficar assim, fica tudo mais fácil. Sonhos intimidados que voltam com mais gosto. Que sonhar é bom, mas cansa. É franco: sonhar cansa.
Mas o teatro estava lotado e eu me sinto muito bem obrigado. Sou a putinha mais terna do oeste e faço boquetes com dedicação e alegria.
Sendo sempre assim - ou quase sempre, pelo menos - eu viro um hippie, desses que falam sobre pensamentos positivos e coisas do tipo. Serei seguro , dono de mim e acreditarei nas ações individuais. Berrarei para todos: - mundo fluído, saca?
Talvez, então, até comece a frequentar as praias sujas da Zona Sul Carioca.
E por essa satisfação egoísta e passageira encerro por aqui.
Conheço-me bem e sei que fácil fácil faço uma nova piadinha auto destrutiva...
Deixa pra lá.

7 de agosto de 2010

Amorzinho gostoso no fim de tarde.

Então há os dedinhos que giram em cima da cabeça e parecem dizer algo, mas apenas parecem. Gosto cada vez mais do que sempre gostei. Repetir-se até virar quem se é. A coisa bem melhor dita pelo bom Leminskão: "Isso de querer ser quem a gente é, ainda vai nos levar além".
E eu rezo. Antes de dormir, eu rezo. Quer dizer, não rezo, mas é como se rezasse. Teatro feito pra fora e que tem mais a ver com a brincadeira de fazer teatro do que com o teatro sagrado que denuncia a vaidade velada dos seus padres-fazedores.
Teatro pra fora e vida decente. Vida decente é sentir raiva, ódio, melancolia e amor. Vida decente é a jogada toda: as merdas que não ameaçam e que são parte do pacote, as euforias passageiras que abastecem mesmo sendo falsas. Vida pra fora, teatro pra fora, gente pra fora. Que Deus me livre da vida interna que só gosta de si ou que nunca gosta de si.
Então cago com meu cigarro na boca e penso na vida. Pensar e cagar, vislumbrar as mulheres lindas que me arrancarão de mim, lembrar das belezas que passaram sem ternura e imaginar a mulata com a lordose mais linda do mundo me chamando de branquinho.
Apenas isso e também outros milhares de coisas que nem escrevo agora. Como o relógio biológico da minha amiga querida ou a ânsia por paz de outra ótima amiga.
A vida, as coisas e o teatro. Que seja pra fora é a minha reza. Pra fora não por tentar achar algo escondido, mas porque estamos aí e continuamos, porque nossa teimosia tem charme e ternura, porque, apesar das merdas, o ventinho chega no rosto e é capaz de nos acalmar.

5 de agosto de 2010

Meu reino do Hortifruti e frio de 20 graus no Rio de Janeiro.

Nada de nada, mas há os telefonemas e aqueles montes de passeios.

Em Curitiba o frio era de 4 graus e era impossível sair de casa. Sair pra quê? Dorme-se, e muito bem. Dormir no frio é o único jeito real de dormir. Parece a morte, um apagamento e um sono pesado: sem drogas ou masturbação.
Um dia antes de voltar ao RJ tive esse sonho. Alguém queria me matar e eu fugia, teve até uma 'caatinga' cheia de espinhos por onde tive que passar e me cortei à beça. Lembro que dentro do sonho, eu pensava no Lampião...vai entender. Daí eu tava nesse hotel vagabundo onde eu me escondia. Mas, mesmo assim, eu sabia que seria morto. Quer dizer: no sonho eu tinha consciência de que provavelmente eu morreria. Mas, ainda assim, eu fugia e dizia pra mim mesmo: não posso desistir. Bonito, né? Bonito e patético. O que me impressionou mesmo foi a selva de espinhos à lá 'caatinga'.
Claro que quando houve turbulência a primeira coisa que lembrei foi: selva de espinhos. (Toda vez que estou dentro de um avião penso que se o avião cair, será normal. Simplesmente porque voar é errado. Repito: voar é errado.)
No RJ faz 20 graus e as cariocas estão lindas de bota e cachecol. Há também as pequenas tarefas e minha solidão doce e afetada. E também punhetas que não homenageiam ninguém, além cigarros e outras bobagens.
Vou, após uma soneca justa, ao meu reino Hortifruti. A maravilha de Botafogo, o único lugar civilizado de toda a América Latina: HORTIFRUTI.
As frutas e os legumes não estão bons, mas faço uma bela compra de 40 pratas. Minhas sacolas plásticas agora são culpadas pelo declínio do meio ambiente. Observo elas com pena.
Na volta lembro do casal que vi. Casal normal não fosse ela vesga. Vesga, vesga mesmo, profissional. Dessas que dão agonia por ser impossível saber de antemão qual é o olho 'bom'. Penso que ele é um grande cara. Imagino como é trepar olhando pros olhos de uma vesga e penso que ele é realmente um grande cara. Acho que eu não conseguiria...uma mulher com dois olhos...meu deus...
No mais, a música americana e o copo cheio. Penso em trinta coisas e isso não quer dizer nada. Há rosbife na geladeira e pão cheio de grãos.
Deus me ajuda, mesmo eu usando as sacolas plásticas.

3 de agosto de 2010

Minha dor era um fetiche na cabeça dela.

(Eu entendi depois, bem depois.)
Com 29 anos controlo meu esfincter e sou senhor dos meus intestinos. Isso é o que eu chamo de independência. Um homem livre precisa cagar em paz. De preferência pela manhã - para melhor rendimento no dia. De preferência em dois trôços longos.
Foi um processo doloroso. Largas as fraldas, deixar de depender da mão que vinha com o clássico berro: - manhê, terminei!
Bunda limpa sem talquinho, mas o saco ficando grande e esporrando as mil maravilhas. Não se pode ter tudo, uma pena.
Agora pé pra dentro e pulo pra fora. Um saci do Sul rumo à algum lugar. As areias do Saara e também outros delírios: estrelas enormes, neóns em praças públicas e chafarizes batizados com caixas de sabão por adolescentes descolados.

30 de julho de 2010

Infelizmente não havia polenta frita. Mas o cachorro passeia pra lá e pra cá e enfia seu foçinho gelado nas minhas pernas. Passo minho mão em sua cabeça e ele fecha os olhos. Lá fora há um belo céu azul de inverno e a mendiga que toca a campainha pede uma caixa de leite. É impossível negar uma caixa de leite. Daqui à pouco haverá crianças falantes e histórias repetidas. Talvez queijo e cerveja, talvez o último gole de whiskey. A mesa estará cheia e os rostos serão conhecidos. Será estranho e familiar.

28 de julho de 2010

nove.

  1. Aquela língua que se enfiava na minha boca durante a noite me fazia bem. A conveniência mais sincera e mais tola. Lamber. Lamber como os cachorros lambem, igual eu escutava na infância: sabia que cachorro lambe porque não sabe beijar?
  2. Tinha o pau duro. O riso era travado e o corpo era aberto. Sempre o sr. Álcool forjando intimidade e desculpas. Eu me desculpava e ela também. Dois desculpadores lado à lado...parecia tão perfeito, mas nem era.
  3. Falava da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Dizia que só lá havia o mundo real. Eu não sabia o que era o mundo real. Eu pensava: por que, então, na mora no tal mundo real?
  4. A boca pintada de batom parecia um coração. Uma coisa muito linda: eu sendo chupado por uma mulher que nunca havia tomado sol em toda sua vida. Parecia uma grande coisa, mas era bobagem.
  5. Vampiros soltos e amigos que dizem ter parado de usar cocaína. Deus abençoou o RJ, segundo a mãe de um grande amigo. A mãe desse meu amigo, numa foto que vi, tinha, por coincidência, a boca em forma de coração.
  6. Quero a glória, entendeu? Eu disse sim e menti. Ela mentia também. Não queria a glória. Queria era que eu me masturbasse pensando dela. Eu me masturbava pensando nela. Depois entendi: ela se sente mulher quando algum idiota lhe dedica uma punheta.
  7. Essa coisa de reparar com quem fulano anda é bíblico. Por um lado, parece apenas mais um preconceito cristão. Por outro, é o óbvio sendo ululado por um Jesus pintado pelo A. Warhol.
  8. A louca de rua berrava, como quem diz uma pérola: "depois que fechar os olhos, acabou. aproveitem enquanto estão vivos". Até tentei encarar o que ela dizia como algo fodão por ela ser uma autêntica louca de rua. Mas nem deu: ser maluca não a impedia de falar merda.
  9. Arrancar os cabelos e comer a raiz do couro cabeludo. Há uma grande explicação psicológica pra essa patologia. Algo como: no oculto há a ideia de essência. É bacana de pensar isso, mas, cá comigo, penso que só mesmo um cretino arranca os próprios cabelos. Ainda mais se faz isso pra achar o que quer que seja.

27 de julho de 2010

Eu ia escrever um monte de coisas.
Mas, daí, por motivos que não conto, mas que sei quais são, desisti.
Vou apenas preparar meu sanduíche e deitar - assim, como quem confessa um desejo do qual sente medo.

25 de julho de 2010

O incrível carrossel com cavalinhos gigantes.


É a vida/vidinha e toda a jogada. Hoje, com medinho de que o teatro não enchesse, descobri que sou uma putinha. Foi só os clientes chegarem que a maquiagem foi retocada e a paz renovada. Putinhas. Putinhas tristes que se satisfazem com excesso de picas em uma mesma noite.
Tudo certo.
Então a gente faz nossa peça e ela é o que é. Não é um sucesso, não é um fenômeno e, definitivamente, não agrada aos nossos pares. É um fato: nossos pares - gente de teatro - torce o nariz praquilo, com o papinho conhecido: "parabéns, é divertido" ou "parabéns, me diverti".
E, na verdade, to pouco me fodendo. Quando lembro das coisas que os nossos pares gostam e admiram, concluo: melhor assim.
Porque há esse fetiche pela arte, a arte como uma sabedoria superior e dona de um conhecimento 'especial'. Então prefiro que os meus pares apenas se divirtam e torçam os narizes. Eles gostam da arte séria e sagrada, a arte-salvação que é muito limpa e bem feita, mas que renega o desbunde e o prazer puro e simples que é assistir uma peça de teatro.
E, nessas, como boa putinha, desejo apenas que o público continue vindo. As velhinhas de Copa, os casais que bebem e berram durante a peça, a mãe separada e a filha adolescente com as amigas.
Agora sou mais uma putinha satisfeita e, como tal, desconfio das mulheres que super valorizam o tesão que dizem sentir. Elas entendem tudo de tesão, mas o sentem pouco. Elas gostam mesmo é da cara de tesão que elas fazem diante do espelho.
Eu entendo, eu até topo, mas, cá comigo, prefiro quando uma putinha faz a cara mais feia e estranha durante o orgasmo. Isso, pra mim, é o que parece real.

síntese

Tesão
em mulheres
desconhecidas.
Não,
isso não
é vida.

23 de julho de 2010

Ela gosta de fugir.

Cria fugas em noite de chuva

e muda de ideia subitamente.
Gosta de ser volúvel,
gosta de se dizer líquida.
Usa palavras como "pós-modernidade"
e "vicissitudes".
Vê um céu roxo e descolado que ninguém mais vê.
Gosta de comentar sobre o tamanho da lua
e se supõe muito sexual por trepar sem critério algum.
Adora rebeldias antigas,
mas diz nunca sentir saudades ou arrependimentos.
Considera toda culpa uma bobagem
e não usa sacolas plásticas para o bem do planeta.
Ela roda de táxi pela cidade
e faz visitas norturnas
aos malditos colegas que têm nextel.
(A Trupe-Nextel que fala sem parar
ocupando o vazio pelas ondas do rádio)
Na última jogada
ela pisou na calçada molhada
com uma expressão
que demonstrava uma raiva sem sentido.
O táxi parou e ela se sentiu ótima
com o seu esforço de não-tô-nem-aí.
Ela, não resta dúvidas,
é uma garota muito bem sucedida:
vive o seu tempo e
não se importa com nada.

Apenas dormir.

ver os olhos e, principalmente, as veias dos olhos.
pensar na loucurinha e sentir a velha cócega.
ter tesão nas anãs e sorrir sem se pertubar.
cervejinha lenta e gelada escorrendo pela garganta. não se precisa de esperanças. precisa-se de cerveja gelada e noite calma. um copo, dois copinhos. a cerveja como pretexto e o papo que segue: sem jogadas, sem idiotias e sem precipitações.
a cerveja gelada desce lenta e é melhor assim.
há o tempo. o tempo que passa e faz os outros passarem. tudo certo: o mundo velho invadindo os acontecimentos. riscos tão velhos que nem riscos são.
era pra ser o que era pra ser. não precisava de nenhuma virada. apenas o que era. seria. mas não foi.
por uma vaidade besta, concluo calmo: a culpa não foi minha.
FIM.

21 de julho de 2010

Perdi o que escrevi! meu puta merda! coisinha que nem dá pra repetir porque era um grito e nem importa se bom ou ruim! perdi! e nem tenho ninguém pra culpar! é a única solidão que existe! perdi meu textinho do blogue e nem houve um terremoto!

20 de julho de 2010

"Pronto. Perdi a aposta." *

Adorava dizer 'foda-se' de boca cheia. Era a satisfação. O 'foda-se' amigo como prancha pra uma possível liberdade.
Eu dançava e você dançava. Dançávamos junto e éramos cúmplices. Uma maravilha falsa e honesta no sol mais lindo do Arpoador.
Todas as revoluções e todas as crianças. A gente gostava de crianças e elas gostavam de nós. Nôs sentíamos bem entre os brinquedos. O sorriso amarelo era o passado de um brinquedo morto.
Toda ternura era minha e você era minha musa. Dizia pornografias no meu ouvido durante todo o percurso da roda gigante. Desprezava o uso de animais em circos.
Eu topava. Eu estava apaixonado e defendia suas teorias anti mal trato de animais com a cegueira mais bonita do Sudeste Brasileiro. Paixão.
Havia a tristeza da vida e os dias cinzas onde a chuva não era motivo de pipocas e risadas. Era patético: crianças velhas querendo sugar alegrias da infância. Não dava certo e a gente estava desesperado.
O sol, a areia e a praia. Todos os passeios para sair de si mesmo e tentar descobrir o que quer que fosse. Mas as descobertas não chegavam e precisávamos da velha solidão para poder pensar em paz.
Pensávamos. E a paz nem aparecia.
Era o abismo ganhando cores de Mangá Japonês. Sorriso amarelo virando laranja. O desejo disputando força com o dia à dia.
Nossa boca, finalmente, sangrou. E a gente se beijou ainda, cheios de sangue na língua e pus na garganta. Repetimos "não quero te perder'' sem muita convicção e dormimos, achando que o sono sararia a realidade e o sol do próximo dia.
Perdemos.
Perdemos a mão e a cabeça. Viramos idéias e não pessoas. Perdemos.
De noite ainda nos frequentávamos. Como vampiros que desejam virgens que não existem. Mas, de noite, os vampiros se enganavam e chupavam sangue velho enquanto imaginavam sangue de mocinhas inocentes. Foi a despedida.
Depois todo o resto.
O resto: a cabeça dizendo não quando devia dizer sim, as mãos crispadas na hora de estarem abertas, o grito que achou que seria ouvido, o mar cinza ao invés de azul, as tardes sem pipoca durante o inverno... o resto.
A virada veio. Veio sem sonho, a virada. Tudo era simpatia agora. Éramos simpáticos e velhos amigos. Dizia eu e você: você é muita es-pe-ci-al.
Foi o fim. A cabeça tranquila e o sangue lento dentro das veias. Tínhamos a relação civilizada e amigável que desejávamos ter.
Tínhamos paz, mas quem, afinal, se importava com a paz?
Amigos para sempre e amantes nunca mais. Civilizados e decentes. A grande idéia que, após materializada, se torna a maior bobagem do universo.
A tristeza travestida em palavras que tentam substituir a solidão.
A falta, a Leila, as mulheres que te salvam - o inferno, o inferno mais quentinho de toda a existência... o milagre...o milagre...
*e viva o domingos oliveira e seu imbatível todas mulheres do mundo.

19 de julho de 2010

nossos dadinhos.

Ela fala sobre "sexozinho inofensivo".
Eu me choco e não aguento.
Fico pensando na minha formação religiosa e no amor representado nas ótimas comédias românticas do cinema americano.
Eu choro ao final desses filmes. Eu choro porque acontece o que eu queria que acontecesse. Eu sou fraco, já disse. É verdade.
Mas ela fala "sexozinho bom e rápido, tu e eu no banheiro, sacou?"
Eu saco. Eu sempre saco. Mas, meu bom Jesus, cadê o sexo cheio de amor louco que era o certo na minha cabeça?
"Sexo é sexo, amor é amor", ela diz. É verdade. Mas ser verdade não me consola. Eu queria amor, amorzinho. Eu queria a foda-milagre e o orgasmo-deus. Eu erro. E eu sofro.
A gente joga dadinhos juntos. Estamos mentindo e mentir é legal. "Sexo é sexo, amor é amor." Sou vítima do Nelsão que me disse: sexo é para vira-latas.
Faço meu acampamento e preparo meu miojo. Tenho preconceito com mulheres que valorizam a marca do vinho e o raio da lua.
Digo "bye-bye" para parecer POP e solto ''até logo'' sem nenhuma convicção.
Ó sim! Ó Deus! Eu adoro jogar banco imobilário!

18 de julho de 2010

Amor de verdade só dura 13 dias, ela disse.

Ela me disse coisas bonitas. Como: - de quatro eu dou pra idiotas, quando eu gosto de alguém, eu quero é papai e mamãe.
Ela tinha essas frases de efeito e me impressionava. Eu podia amar ela pra sempre, eu podia a achar perfeita. Ela gostava de mentir pra mim e eu gostava de acreditar nas mentiras dela. Éramos perfeitos.
No dia 2 de Julho de 2009 ela falou sobre o ex-namorado. Achei chato, mas achei normal. Em algum momento os/as ex viram assunto. É normal. Chato e normal, enfim.
De quatro, mas com muito orgulho. Me senti mal. Eu enfiava porque era esse o meu papel. O enfiador. De quatro. Poderia ter sido um milagre. Mas nem. De quatro. O espelho do quarto foi o grande privilegiado.
Outra frase bonita foi: - nunca me diga eu te amo. Deus! Quantas frases! Quantas coisas! Essas mulheres querem me impressionar! Eu me impressiono!
Era 10 de Julho ou menos. Eu queria fazer amor. Não falei pra não oprimir. Fazer amor é opressivo, havia me dito uma ex que adorava dar de quatro.
Então fui discreto, mas desejava: fazer amor, fazer amor...
Dois meses depois, ela me chamou prum café. Queria conversar. Eu topei. Era merda que viria, mas, bem, o que fazer? As merdas estão por aí e, cedo ou tarde, elas serão ditas pra você durante um café. Eu disse, não disse?
Ela: - meu ex me perturba e não estou livre pra você. Desculpe.
Eu desculpei. Ficar com raiva nem fazia sentido. Ela era apenas a garota com ótimas frase e ótimo corpo. A garota que eu poderia mil coisas, mesmo sem nada. Acontece.
Hoje - 17 Julho de 2010 - o que me impressionou foi a barriga. Imaginava quase tudo, mas fiquei surpreso com a gravidez. Ela até me agradeceu. Disse ser eu o responsável por ter despertado seu instinto maternal. Disse que isso? e ela se foi.
Agora fumo meus cigarros tentando achar sentido nas coisas. Não consigo. Não há sentido nas coisas. Ela está grávida de outro e, infelizmente, eu nem me importo. Acho uma pena eu não me importar, mas acontece. TUDO acontece. E TUDO, a gente sabe, não importa.
Nunca importou.