1 de fevereiro de 2011

minha visita excessiva.

Certezas estúpidas porque inúteis:
  1. Faltou trinta coisas, mas principalmente amor. Quando se ama! Ah... Quando se ama! Queríamos amor, acreditávamos no amor, desejávamos amor. Mas amor, amor mesmo, é. Não diz respeito a desejo ou impressão. Só um idiota diria: "acho que ele/ela me ama". Amor é certeza sem margem para achismos. A regra é clara: ou amou ou não amou, ou foi amado(a) ou não foi. O amor é real e palpável, não é um UFO que vemos no céu. É, no máximo, o balão à gás que soltamos e chamamos de UFO. Ñão é, definitivamente, um objeto voador não idenfiticado.
  2. O erro também é bastante claro: supôs-me apaixonado e não recebeu as delicadezas como simples delicadezas. Isso deturpa. Põe o tempo na frente sem nem sequer pensar no atrás. Erro. Meu, seu e nosso. Somos (seríamos) um casalzinho cheio desses defeitos que encantam a humanidade. Casalzinho que vira assunto de filme e teses de doutorado. Casalzinho moderno e estúpido como é, enfim, todo casal moderno.
  3. O amor é uma invenção, a gente sabe. O fato de sê-lo não o faz menos real e até o contrário. Leminskão falou disso com bem mais inspiração. Seja como for, digo: o amor é o que sempre foi desde inventado: uma teimosia, uma rejeição ao mundo apenas real. Amor não é o amor de hoje, amor é o amor de sempre. Não é mutável nesse sentido mesquinho de um dia após o outro ou de regar plantinhas. É fatal como uma planta carnívora, dessas que se alimentam de insetos voadores e outros sangues.
  4. Pra me culpar: meu erro é velho. Espero superar o primeiro-idealizado amor. Erro terrível e inevitável: ou você é melhor do que ela ou não é. Se não foi, a culpa é minha. Porque ela é minha e porque nem me deixei levar. Tem a ver com crença. E com teimosia. E, como não?, com insistência. Insistência que seria nossa, assim: por que essa mulher/homem me ama tanto? Resposta: porque o amor existe.
  5. Ao notar que seu afeto se manifestava por patadas e agressividades eu me senti feliz. Ora, eu havia entendido seu afeto. Mas entre entender e topar há um lapso enorme. O mesmo que separa o UFO do balão de gás que eu soltei. Se notei isso e te falei foi pra dizer "deixa disso" e não pra repetir "é um UFO, um UFO."
  6. Meu tesão existe porque você é bonita. Como explicar? Impossível. Mulher bonita é mulher bonita. E ser bonita é ser bela, gostosa e tesuda e, ainda assim, deixar um naco de alma transparecer. É por esse naco de alma que não serei seu amigo, seu bródinho ou seu confidente. E bonita é bom pra mim: sou gordo e pouco atraente. Sinto-me ótimo em desfilar com belezas que me dão ou querem me dar.
  7. Se você acha que o você desse texto é você, eu afirmo: você está errada e nunca entendeu o que digo. Eu falo de mim, apenas de mim. Por incompetência e limitação. E se misturo verdade e mentira é porque também dependo das minhas invenções. Fraquezas antigas e desejos bregas de ser original. Ser original? Sim, como a cerveja que todo mundo bebe e acha ser encorpada. Em outras palavras: uma imagem bem vendida.
  8. O UFO são meus sonhos e sua data de nascimento. Eu gostava daquilo: signos, cadomblés e Jesus Cristo no pacote. Um lindo exemplo de sincretismo, uma beleza mal disfarçada em insatisfação. Sua bela e irritante insatisfação. A gente amava quando queríamos amar e não quando estávamos juntos. Era inocente, pensando bem... como se amor fosse apenas desejo de amor.
  9. Pra terminar: o tempo avançando e nós deixando que o tempo passe. Como vítimas, como quem berra "as coisas mudam" sem perceber que a mudança ocorre também por causa da gente. Amor, nosso sonho. Sinceridade, nosso delírio. Erramos porque não houve nós, porque não soubemos de tudo aquilo que seria inventado. Porque, enfim, achávamos que o amor era natural e espontâneo.

30 de janeiro de 2011

relatinho.

Baixo um disco do Otto e ouço a Amy Winehouse na rádio da UOL. Penso se isso quer dizer alguma coisa ou se é apenas mais uma aleatoridade da vida. Porque é triste, mas é isso: a vida não tem nenhum sentido. E espero estar errado, espero que o Chico Xavier apareça e diga ''tudo é pra sempre... a alma tem consciência''. Mas ele não vai aparecer e eu vou continuar tentando achar lógica onde lógica não há.
Mas quem se importa? Nem eu me importo. Estou no blogue. E com isso quero dizer que estou escrevendo por tédio e falta de sentido. Porque sou tímido demais pra fazer do facebook meu palanque. Meu máximo de discrição é o blogue. 6 leitores fiéis e uns que vem ou vão, mas que o querem mesmo é socializar. E não quero socializar. Simplesmente porque não tenho habilidade e porque se for uma mulher, vou pensar (e nem importa o real) que ela quer me dar.
A exceção é mamãe que me lê sempre simplesmente porque ela é minha mãe e eu seu filho.
Então, de novo, fui ler jornal na esquina. Isso quer dizer cervejinhas e jornal. E cervejinha e jornal não quer dizer nada. Mas, mesmo assim, é lá que formulo meus delírios enquanto vejo as mulheres lindas que passam e crio uma frase que só eu entenderei: A MULHER PERFEITA NÃO TEM ENDEREÇO. E adoro minha frase porque ela é só minha, só minha, e sou dado a pretensões de exclusividade. Que bela palavra: EXCLUSIVIDADE. Mas quem entende?
(É como os sonhos eróticos dessa noite. Tão perto e tão longe. O W. Wenders com sua camêra que se arrasta pra focar anjos feitos de mármore. Eu tô lá também, mas nem sei: a beleza engana, a feiura engana também. Porque queria mesmo não pensar e jogar nessa espera que jogam os que acreditam que o presente é importante.)
Ontem fiz pastéis e hoje fritarei um bife. Baterei nele com um martelinho e cortarei alface e tomate. É minha saúde após a cervejinha. É minha tia falando: - importante é ter saúde. E, bem, ter saúde não é importante, é necessário. Importante é outra coisa: algo que não tem a ver com necessidade, mas com o ine-cessário. E isso aprendi com Leminskão e outra galera. Que a gente aprende apesar de tudo.
Então concluo: domingão e trinta mil vantagens e desvantagens. Otto, quase chato, me disse: pra morrer é preciso existir. Penso nos peitos sem dono que quero chupar, nas bucetas que quero comer e nos domingos de inverno que estão acima da linha do Equador. E também no Chico Buarque que, ao se tornar escritor de livros, se tornou mais chato e mais óbvio do que deveria.
Mas, em verdade-verdade, digo: isso tudo porque tenho blogue e porque, como não?, sou mais tímido do que gostaria.
Trinta coisas
e nada na fita.
Ser esperta é melhor
do que ser bonita.

27 de janeiro de 2011

mi corazon que nunca entende

Fumar era um dos traços antigos da minha personalidade. E também dizia que a minha falta de fé lhe parecia muito grave. Quando me dava anunciava transcendências que nunca eram alcançadas. Falava: liberdade, justiça, superação, auto-consciência(?), aprimoramento, etc. Quando estava inspirada, soltava: - bora comer um japa, monamur?
Eu não tinha estilo nem elegância. Eu era fraco também, ela dizia. Falava que eu desconhecia a nocividade da nicotina... (logo eu que fumo tanto?) e fazia planos que nunca executaria: viagens, vendas e compras de imóveis, projeto de integração(?), livros para adolescentes com síndrome de down.
Por ironia e tédio a gente se adorava. Mil discussões, mil questões, mil trepadas sem transcendências, mas ainda assim boas trepadas. Quando falei de jantar com um casal amigo ela disse ECOLOGIA e nunca mais tocamos no assunto.
Faltava. Ela que falava. Pra mim era bom. Lento, estúpido e sem sentido: a vida. Ela queria mais e caí na burrice de perguntar o quê. Haviam várias constelações e mundos, muitas possibilidades e tudo era líquido, espécies evoluídas, tá ligado? e também "o fim do maniqueismo".
Secretamente agonizava. Buceta, punhetas: vantagens e desvantagens em tudo. Pornografia variada na rede X o quentinho real da carne.
Um dia me pediu em namoro que, por ignorância, disse não ser o caso.
Buceta-Beleza. Punheta- Eu Só.
Daí o de sempre. O até logo. O te adoro. Época errada. Momento errado. Faltou algo. Onde foi parar a intengração(?). As demandas reais(?). Meu seriados americanos. A falta...
Que falta?
Ah... não importa. Nunca importou.

25 de janeiro de 2011

*-*

Toda
mulher linda
é inventada.
Feita
pra mim
por mim.
Toda
mulher linda
é minha
e me inclui
em sua reza
quando fala com um Deus
que desconheço
ou nem acredito.
Toda
mulher linda
me frita bifes
me leva frutas
e aos sábados de manhã
fala sobre o que fazer aos domingos.
Toda
mulher que invento
e acredito
é minha
é linda
e nem precisa ser real.

23 de janeiro de 2011

Cerveja na Esquina e Jornal O Globo./s.r/

De novo e pra sempre. Imagino-me um velhinho idiota. E se aquilo e se isso. Só não sinto tédio porque bebo. E estou ali. E acho a repetição uma beleza, uma arte.
(O que não impede que eu eu pense: queria ser o Domingos Oliveira e seu otimismo, o Bukowski e seus olhos calmos já no fim da vida, o Zezé que limpa as calçadas como se contribuísse prum mundo melhor)
Jornal de Janeiro. Aquela coisa. O Caetano tem uma das piores colunas dos últimos tempos, mas ele é o Caetano. Prefiria ele antes. Quando era novo, morava com meu pais e apenas ouvia suas músicas. O Caetano e o gênio que fui ao 19 anos são da mesma ossada, aprendi com Mirisolão.
Mas é domingo e o Rio de Janeiro é ótimo. No facebook quase todos falam sobre praias, dias azuis e coisas que, ao serem comentadas, se tornam idiotas. Penso em culpar alguém, mas não consigo. O Rio é realmente lindo e o dia está de fato azul. As pessoas precisam compartilhar suas alegrias, não precisam? Até acho que sim, mas prefiro as mais discretas às que não fazem de qualquer movimento intestinal um feed atualizado. Questão de gosto e preconceito. Preconceito... meu amor. O papo bom que o facebook estragou: quem seria eu sem os meus preconceitos?
Então penso no meu cu inchado, na mistura de álcool e antibiótico e na minha irmã. Pensar é tão estúpido e sem sentido. Pensa-se em tudo, mas e daí? Tá lá o Zezé varrendo a rua e se sentindo ótimo. Eu, por ora, tenho o meu jornal.
Leio sobre economia criativa e concluo que isso é uma nova moda e que, por ser o que é, é uma chatice que ganhou status de conceito e secretaria no novo Ministério da Cultura. Meu Deus, eu não devia ler essas coisas. Me irrito, me confundo. Penso sobre velhas idiotias: o eterno lapso ente criar(inventar) e fazer(faz a invenção ocupar espaço).
E isso me lembra outros horrores como "viver no presente". Meu Deus. Como aguentar? "Viver no presente" como sacada contemporânea. E o presente que nem existe, que está esmagado entre o antes e o depois, como se o tempo fosse uma simples abstração capaz de ser manipulada por não-físicos. O tempo tão real... data de nascimento, hora do óbito, essas coisas. Porque o presente não existe, o presente está sempre passando, eu aprendi com o chato do Bergson.
Fecho o meu jornal e deixo o dinheiro na mesa porque estou no Rio e os atendentes não são tão atenciosos quanto a gente gostaria. Dou adeus pra Maria que me acena atrás dos seus óculos. A Maria vive no presente, pensado bem. Mas quem se importa? A Maria é uma bêbada de bar e óculos fundo de garrafa. Ela não faz nada, mas aparenta viver bem. Em outras palavras: a Maria não tem facebook.

21 de janeiro de 2011

Arranque a camiseta

e tenha pressa

daqui a pouco a gente morre

e como é que faz?

Sentindo o último suspiro,

a última imagem de um sorriso maternal

e as flores que não compramos

decorando a casa que não tivemos.

O tempo é veloz e fatal.

Daqui 30 anos onde poderemos estar?

Duas carcaças se arrastando pelo mundo

tentando descobrir os erros que não existiram?

17 de janeiro de 2011

diante do conta gotas.

A bobagem confunde a cabeça
e ter foco é difícil e raro.
Que há o papo do mundo líquido e fluído
e que esse papo, cá pra mim,
não presta: diz mais respeito à incapacidade de afirmação
do que ao erro convicto.
Gente radical ainda me comove mais.
O Jesus cheio de vigor vingativo dos Evangélicos,
a implacável justiça olhoporolho dos Espíritas
e o delírio de beatitude resignada dos Católicos
são as crianças mais lindas pro meu colo.
Que decidir e fazer as cisões é o humano todo em toda dor, loucura e faniquitos.
E esse jogo de dados, esse é-não-é, esse sim-sim-não-não é uma coisa inútil que nunca fecha portas e que vive em eternos corredores sem quartos, camas ou lençóis limpos.
-
Porque adoro o cheiro do lençol limpo e
quando durmo pelado meu pau fica facilmente duro
ao roçar no algodão que acumula meu amaciante FOFO - onde um ursinho marrom me faz promessas de ótimas noites.
O ursinho FOFO que me diz alguma coisa
e faz promessas de cuecas cheirosas e meias renovadas.
O ursinho FOFO que diz sim sem medo de dizer sim -
que, em seu corpo de pelúcia, faz a plena falsa promessa:
a afirmação de conforto.

16 de janeiro de 2011

A belezinha é aquela praia. E também o sono. E o domingo passando lento. Fazer o que nunca se faz pode ser um prazer.
E têm as tesudas mulatas do Rio. Cada bunda, cada peito... A pele morena e o recheio impossível. Mulatas cor de prata com minúsculos bíquines saindo da água. E meu tesão sem direção se consumindo sozinho entre um trago e outro. Mulata da bela bunda, eu te amo.
Os pés na areia... estupidez cheia de sentido e paz. Ver tudo como quem rói distraidamente uma espiga de milho.
(Que teve essa hora que me lembrei dela. Que sempre lembro dela. E que hoje, ao lembrar novamente dela, pensei que é culpa. Tenho culpa por ela. Porque a culpa ficou e ela foi. Porque acredito em culpa e não confio em ninguém que ache que culpa não existe. Que culpa é saber que se está vivo e que se age no mundo e que toda ação tem consequência. Em outras palavras: não ter culpa é nunca ter feito nada consequentemente.)
E as horas passam e de repente é noite e o lusco-fusco parece melhor do que era.
Então travo meus dentes e entro no táxi. Home sweet home. Uma punheta pra ti: mulata da boa bunda.

15 de janeiro de 2011

De novo o inferno passeava pela cabeça.
As perguntas chatas:
- o que faço aqui?
- quem são essas pessoas?
- como se resiste?
- por que a solidão parece tão doce?
A mesa cheia, os rostos calmos e os momentos em que se esquece de si - a paz lenta até o estranhamento que diz: "você se esqueceu de si".
Então voltam as garras do inferno, o lar quentinho, o anonimato pleno que é estar em casa sozinho numa sexta feira à noite.
-
(As paisagens do Win Wenders com aquela maldita camêra lenta. Tão bonito, tão bonito. Vejo aquilo e não entendo porque gosto, mas gosto. E é tão bonito e calmo e decente. E apenas vejo aquilo. Horas e horas de paisagens. Calma e decência. A vida mais ou menos regulada.)

14 de janeiro de 2011

Era uma criança triste que babava de noite. Às vezes fazia xixi na cama e achava engraçado não acordar com o próprio mijo quentinho. Os faniquitos noturno, o pau duro pela manhã e as cuecas com freadas incríveis eram a inocência manifestada em suores, porra e merda.
Achava graça de tudo e ria muito. Gostava também de falar no diminutivo, de ver cachorros atrás de cadelas no cio e de Sessão da Tarde, onde jovens se reuniam para atravessar com um carro roubado a imensa América.
Era feliz.

10 de janeiro de 2011

O tesão era um bebê em seus braços e eu me perguntava se isso estava certo ou se era apenas mais uma jogada para se sentir vivo. Havia o belo pescoço comprido que ela usava mal; e também aquele jeito meio desafiador que ela tinha e supunha ser charmoso.
Pra mim era uma chatice que eu não gostava e não entendia.
Os amigos dela usavam chapéus e ficavam bêbados e amorosos e eu me sentia deslocado com aquela felicidade toda que era manifestada em sorrisos sinceros e roupas claras e, vale ressaltar, o uso de chapéus como se usar chapéus fosse super normal.
E eles fazem vídeos de sua felicidade e colocam no youtube onde são vistos por milhares e milhares de pessoas.
Eu inclusive.

5 de janeiro de 2011

faniquitos de ano novo 3.

pau duro em piscinas aquecidas.


  • Lolita tesão, Lolita, meu amor. Livro bom começa logo e logo diz à que veio. Lolita, mil punhetas e Lolita porra pelo ralo. As palavrinhas se juntam, as frases saem boas e, após 15 páginas, tenho a certeza de que as meninas de 12 anos são a coisa mais tesuda que existem. Deus abençoe a América. Deus super-abençoe os russos que escreveram na América.
  • O casal de adolescentes estava em polvorosa. Pelo que entendi, era assim: pai separado em férias com os filhos - um de 8 anos e outro de 14. A namorada do mais velho tava junto: pais tranquilos ou liberais ou irresponsáveis ou confiantes, tanto faz. Ela tinha 14 ou 13 e os dois se amassavam lindamente em todas as piscinas. Ela pequena com aparelho nos dentes e ele mais alto. Brincadeiras incríveis de sunga e biquine. Joguinhos lindos na água: passagens embaixo de pernas, suportar o peso do outro com o benefício da gravidade da água, sumiços de beijos submarínicos, etc. Tesão é aquilo. Tesão não é o super-sexo narrado em mesas de bar.
  • Primas que afirmam nunca terem tocado siriricas. Eu acredito e lamento. Pelo que entendi há nojinho da própria buceta. Não sabem nada de nada e desconhecem, em absoluto, os benefícios da auto satisfação. Roçar o próprio púbis é tão cristão, tão católico... causa uma culpinha tão boa de purgar. Mas elas nem sabem disso, elas acham o órgão feminino muito feio.

4 de janeiro de 2011

faniquitos de ano novo 2.

as noites tristes depois do natal:


  • Casais se matam e se agridem. As unhas, postas pra fora, arranham as carnes que aparentemente se amam em noites menos (ou seriam mais?) frias. Ranhetices com prazo de validade suspeito: casais novos e velhos se matam com mais ou menos intensidade - ou seria competência? Seja como for, sinto-me ótimo estando solteiro. Meu inferno é apenas eu e não o outro. Parece-me justo e decente.
  • Ou você melhora com o tempo ou você tá morto. Isso não é virtude, é um mínimo de decência. Se você reclama há 30 anos da mesma coisa, há qualquer erro fatal que passa despercebido. Se você reclama há cada dia de uma coisa diferente, você tá fudido e mal pago, inventando micro-inimigos pra se sentir vivo. Uma mesma queixa a cada 3 anos me parece um bom número.
  • Ficar no banco do passageiro reclamando do motorista é um filme velho, chato e previsível. Pode-se dormir, assumir o volante ou simplesmente cutucar o nariz. Há a alternativa de ler ou ouvir música, mas nada disso será feito. Reclamar é quase um prazer - como alguém que inflama a unha do dedão do pé para sentir aquela dorzinha "gostosa" a cada passo.
  • A necessidade de plateia para mostrar os próprios sentimentos é uma dessas coisas que cada vez reparo mais e entendo menos. Por um lado é apenas vaidade, por outro é um golpe baixo que aproveita o grupo para se esconder. É como falar sobre sexo numa mesa de bar: todos se tornam muitos sexuais e lascivos.

3 de janeiro de 2011

faniquitos de ano novo 1

toda loucurinha amiga.


• Encontra-se pessoas e a tensão mútua é quase satisfação. Segundo minha irmã eu estava amarelo. Devia estar. Fazia sentido estar amarelo. 3 anos e uma vida. O tempo agindo. As mudanças sem volta e o constragimento inevitável. Foi tudo lindo e é tudo terrível.

• A tensão no rosto dela me acalmou. Eu conhecia aquela tensão. Já a vira antes e me era íntima. De uma forma gratuíta e estúpida, eu afirmo: entendia tudo, sabia de tudo, mesmo que visse pouco. Era como um cheiro que volta e que reconhecemos mesmo que sem decifrá-lo.

• Durante a volta, no carro cheio, entre as músicas e as brincadeiras com as crianças, sentia essa euforia sem mira que me subia e descia o estômago. Imaginava explicações, imaginava textos para o blogue que falassem sobre isso. Explicações sobre essa época (natal e ano-novo) que, inevitavelmente, nos fazem pensar em mudanças e transformações. Após o golpe de vista, da certeza do encontro improvável e à caminho do banheiro, pensei amarelo num riso bestial: - euforia sem mira explicada.

22 de dezembro de 2010

Dezembrão.

E todo calor e toda loucura.
E um tipo de fim que se aproxima
e o inevitável
que é pensar no ano que passou
e no ano que virá.
Que existimos no tempo e morremos no tempo,
que somos o tempo.
E o tempo passa mesmo que se fale sobre a importância do "agora" -
como se o agora fosse real...
como se ao dizer "agora" o "agora" ainda fosse o que não mais é.
E tem Natal
e Ano Novo.
E as datas todas.
E o fato de serem inventadas não quer dizer nada.
Que tudo que importa foi inventado: o amor, os laços, a arte, o sexo como descoberta, a ficção, os livros, a família, o espirito, Deus...
E daí que vejo meus amigos e tenho vontade de falar
e falo e lembro que somos amigos e vejo a fraternidade do planeta
sendo concentrada numa data inventada e bela e humana.
E lembrei dessa música.
Que tem a ver com tempo,
com coisas que existem no tempo,
que fala de gente que se vê
e se pensa e não se conhece
e, mesmo assim, se consome.
Que é Dezembrão e o sol é como um punhado de agulhas à entrar em nossa pele.

a música. pra quem tiver saco. e nem é uma boa versão.

20 de dezembro de 2010

o que se vê, o que se pensa, o que se lembra.

  1. Gor-delícia dentro do trem a caminho de Campo Grande. Entra depois da Central. Usa microshorts, blusa colorida que amarra sem sutiã e os malditos óculos escuros enormes que estão na moda. Mama um LATÃO de Bramha. Tesão. Gor-delícia, meu amor. Puxa papo com o coroa que vai pr'onde eu vou. LATÃO de Bramha substituído por LATÃO de Antárctica. Nariz fino, coxas brancas e exibição discreta. LATÃO mamado com calma e dignidade. Coisa fina. TESÃO.
  2. (Pau Duro e imagens infernais. Culpa da pornografia internética e do balanço do trem. Sem fumaça, sem piuí, sem belas paisagens. Pau Duro imbecil. Duro agora justo agora. Meu Pau, uma criança. Inocência por culpa de trilhos de trem.)
  3. Morena-Toda-De-Branco. Vestido ou vestidinho, não sei. Livro grosso de Biologia na mão e os mesmo óculos escuros da moda e enormes. O dela era marrom. Levanta os braços e vejo as axilas. Axilas são sem graça é a minha conclusão. Olho pra ela com ostentação. Quase idiota e quase santo. Ela nota e fico satisfeito. Quase santo e quase idiota. Ela limpa os óculos no vestido-vestidinho branco. É pra mim. Sobe o vetido-vestidinho e faz que nem nota. É pra mim 2. TESÃO. Livro de Biologia. O vestido-vestidinho subiu muito, muito mesmo e ela fez que nem notou que eu a olhava ostensivamente. É pra mim 3.
  4. (TESÃO. Pau Duro cheio de inocência infantil. Maldito trem. Há que se culpar alguém. Pau Duro, meu amor, a estação tá chegando e minha bermuda explana).
  5. Trem ainda. O puto - meio bicha, meio imbecil - comprou um sorvete de côco e jogou o papel de embrulho no chão. Fiz minha cena mais fraternal. Curitiba e menino-folha. Se-pa-re. Olho pra ele e pro papel. Mexo a cabeça mais do que o necessário. Ele se toca e empurra o papel com o pé pra baixo do banco. Sinto-me desafiado. Olho agora com a boca aberta e ele vira o rosto. Vitória é uma idéia estúpida que agora fez sentido.
  6. 60 questões que podem mudar sua vida. É estranho e sem sentido. Mudanças de vida são sempre suspeitas. Vejo velhos e muita gente conhecida. É triste. Decadente. Estamos todos ali. A tristeza se manifesta com "você por aqui?" ou "fez para o município?"
  7. Carona pra volta e carro de desconhecidos. Sou simpático e descolado. Os desconhecidos são fáceis de lidar. Dureza são aqueles que se conhece pouco ou que já se viu. O desconhecido absoluto não causa temor.
  8. Casais são tudo aquilo que entendemos por coerência interna. Tenho andando com casais. Eu e um casal, no caso. Lembro que segurar vela era terrível há uns 15 atrás. Agora não. Ser adolescente é mesmo terrível.
  9. Na VAN da Lapa o cara que cobra e berra é super descolado. Tenho delírios. Imagino-me milionário e o chamando para uma conversa. Eu diria: tu é esperto pacas, vou te montar um negócio próprio, pensa bem o quê pode ser. E ele se tornaria um homem de confiança do fernandinho-milionário.
  10. Entre o Rio-Sul e minha casa há esse mobiliário urbano que anuncia que o Planetário faz 40 anos. Lembro da Branca - a mais doce, a mais eterna. Ela queria que eu a levasse ao Planetário e eu não a levei. Ela nunca havia ido em um e dizia que poderia ser um ótimo passeio de sábado à tarde ou domingo de manhã. Eu era burro e não entendia. Reclamava das crianças estúpidas que lá estariam. Eu era burro e me achava esperto.
  11. Culpa, culpa, culpa. E lembro de todos idiotas que supõe culpa ser uma mera invenção da Igreja.

18 de dezembro de 2010

Eles são bonitos e jovens. Vestem-se bem e têm um estilo que eu desconheço por pura ignorância. Tênis com temas de grafite, mochilas com alças flutuantes, cabelos calculadamente desgrenhados. Eles sorriem e conversam com facilidade. Têm planos, são otimistas e têm desenvoltura para fazer elogios. Pra meu constrangimento eles não falsos ou coisa do tipo. Olho pra eles e tento desvendar algo que não existe. É que eles são o que são e, creio, vivem em paz. Consideram-se pessoas de sorte - e nem importa se a sorte é real ou não, importa que eles crêem nela e vivem bem.
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Despeço-me com o máximo de educação e volto pra casa. No bar da esquina tomo cerveja e, ao saber que pegam cartão, invisto num gurjão de peixe. 2 cervejas e quentinha.

15 de dezembro de 2010

óvulo e espermatozóide.

papai e mamãe se matam em doses homeopáticas. é estúpido e pouco eficiente. há que se morrer com elegância: um ato suicida, uma queda no banheiro, uma cãibra de riso que chegue ao cérebro.

os demônios existem e é um fato. as possibilidades são poucas: enfrenta-se o demônio com suas garras e sede de sangue ou ignora-se o demônio como se fosse um brinquedo quebrado. o dêmonio, enfrentado ou ignorado, continuará existindo. o que fazer com o demônio é, nesse caso, a grande questão.

deve-se também tomar cuidado com ameaças que não existem. culpar os outros por mal próprio é tão natural quanto estúpido. se sua vida é ruim, a culpa - se culpa há - é sua. e digo isso sem nenhuma alegria. (adoraria culpar o mundo e os que nele vivem por minhas desgraças. mas o mundo apenas existe e os outros, como nós mesmos, vivem como conseguem e podem).

de forma que dou meu recado: pra mim mesmo, pra atualizar o blogue e também para a família e amigos. a vida é uma tortura lenta e, segundo o marcelino freire, o tempo é longo demais e daí o problema. que se fosse mais curta a vida, as dúvidas e as dores seriam menores. como um namorico que durou três meses e nem chega a afetar a existência.
fica a dica e o desabafo indireto fica também.
o tempo urge e, infelizmente, não há culpados. somos nós, nós mesmos, e toda nossa agonia de ser humano que existe ao longo do Tempo.
os problemas e os inimigos sempre existirão. e, por sempre existirem, devem ser renovados. porque há muita confusão e falta de foco por parte de quem encara os próprios demônios.
via de regra eles são vermelhos, chifrudos e carregam tridentes. também costumam espetar quando você está no caldeirão do diabo.
mas, em defesa dos demônios, eu afirmo: eles são o que são e obedecem ordens que não controlam. a exitência dos demônios nunca impediu que as coisas sigam e surjam, em outras palavras.
há que se parar de viadagem, frescura, demônios, previdências privadas e sonhos de se aposentar a beira mar. como se todos velhinhos fossem felizes, como se demônios pudessem ser eliminados, como se dinheiro fosse o único problema e não apenas um dos problemas.
tenho blogue, escrevo livros rejeitados e faço teatro sem patrocínio. e meus velhinhos? o que andam fazendo?