5 de julho de 2009

4 de julho de 2009

Os olhinhos pequenos e apertados dentro da cara gorda. As duas mãozinhas, gordas também, esticando os dedos pra pedir mais. Os bracinhos curtos e retraídos. Os olhinhos muito pretos, a pele muito branca e a boca vermelha-exagerada de batom com cheiro de morango. Uma porquinha à pururuca, deliciosa e bem assada.
Tudo isso servindo dois, e por apenas 60 Reais.

2 de julho de 2009

disso e dessa: a calma feliz.

Agora sim.
Devagarzinho: as bordas me comendo pelas beiradas.
Como deve ser, como acho bom, como acredito que proceda.
A euforia foi abanada sem pressa. Dia após dia com um abano insistente de uma única mão. Só a esquerda.
Apaguei e morri. Sentia-me ótimo e morto. Morto era ruim. Mas era e era mesmo. Morto sem esperança de ressuscitar.
Morto e livre: cirandas feitas em torno de um carrossel de cavalos de plástico.
Nunca imaginei cavalos de verdade. Eles eram de plástico e tinham aqueles olhos enormes e pintados de tinta vagabunda. Já estavam desbotados, mas, mesmo assim, me impressionavam.
Mas agora tem essa turma aí: juntando-se de novo pra tentar achar um milagre. A chance de dar certo é a mesma de dar errado. 50 a 50 avisados com antecedência. Sem enganos e enganações.
Mais uma vez um monte de coisa.
Talvez seja essa, talvez não.
O peito aberto não e uma virtude, mas ainda é tudo que posso ter.

1 de julho de 2009

minifisti - A Coisa.

Meus livros espalhados me consolam.
E me sinto como me sentia há 5 anos atrás,
quando acordava cedo e x me regulava o café antecipando minha morte.
Era só a ternura de x.
Só hoje eu vejo.
E nessa antiga tática reparo como eu sabia viver melhor do que sei hoje.
É assim: três livros na fita.
Como eu não tinha muitas 'obrigações', eu lia.
E ler, pra mim, é ser ativo.
Sinto - me radiante quando leio 100 ou 200 páginas num dia.
É algo que me basta, mesmo que seja inútil.

Há 5 anos atrás eu nunca questionava isso.
Era bom e útil ler, eu sabia.
E lia e lia.
Hoje leio também, assim como também não tenho muitas 'obrigações',
mas é uma diferença brutal.
Porque antes A Coisa era e tinha horizonte azul e de sol.
E hoje A Coisa pensa e faz contas querendo ser útil e eficiente.
Como se A Coisa pudesse ser premeditada e medida,
como se A Coisa tivesse que ser socialmente responsável,
como se um plano de marketing ou a auto promoção pudesse dar conta d' A Coisa.

Mas A Coisa não mora nesse lugar de auto controle e qualidade de vida.
A Coisa tá pensando em outros mundos possíveis.
A Coisa não sente culpa e nem tem medo de amar.
A Coisa não quer ser feliz ou salvar o mundo.
A Coisa quer ser.
A Coisa é.
A Coisa tem esperânça em chegar lá.

lá fora
os gritos
são os mesmos.
E aqui dentro também.
Gritar bem
é gritar com a voz que se tem
e não com a voz
que se deseja ter.

Nem bom dia,
nem com licença.
Delicadeza nunca foi
virtude de princesas.


29 de junho de 2009

Lóki - o filme.



Tem coisas que sei que me pegam. Por antecipação.
Quando li sobre o filme O Equilibrista sabia que seria o caso.
Assim como quando li sobre Lóki, o filme que conta a história do Arnaldo Baptista dos Mutantes.
E não deu outra. Fui pego.
Se o filme é bom ou ruim não importa. Se é bom ou ruim nunca importa. Só trouxas justificam suas experiências com 'foi bom pra mim' ou 'foi ruim pra mim'.
E o filme tá lá. Bonito pra cacete. Chorei duas vezes e me perguntei porque.
É um treco bonito ver a vida daquele cara.
Glória e Tristeza, a mistura infernal.
E também o desejo profundo e toda loucura que é querer se comunicar e outras milhares de coisas que sempre ficam estúpidas quando tentamos falar sobre elas.
Tem que ver o filme. Saber, de antemão, se te pega ou não. Ser pego de surpresa parece intenso, mas quase nunca é.
E no filme tá lá aquele quase demente querendo mais do que talvez se possa ter. E o demente é bonito e genial.
E você, na cadeira escura, se comove com tudo aquilo e entende o demente como se você pudesse alcançá-lo.
É bom, é bem bom.
E também é bem bom que eu já soubesse que seria.



  1. Cadelas tristes não latem de alegria.
  2. Você é o tipo de pessoa que sempre reclama do banheiro. Mesmo quando ele está limpo.

em alto e bom som.


Lançando para o ar
a última merdinha
transformada em peido,
penso no quanto,
depois da cerveja,
os gases ganham força:
longos e ferozes,
fieis ao álcool ingerido,
saem do meu cu
para ganhar o mundo.

25 de junho de 2009


de dentro da masmorra, há uma bela visão panorâmica.
Confunde-se alhos com bugalhos principalmente porque ninguém sabe o que é bugalhos. Isso, salvo engano, é uma tirada do Millôr, e faz todo sentido.


É fácil confundir coisas quando uma das coisas lhe é desconhecida.


E nessas a gente faz uma mistura dos diabos e confunde amizade com amor, sorriso com alegria, genialidade com excentricidade, vitalidade com movimento. Etc.


Cá comigo mantenho umas ambições que inventei. São uns potes que eu mesmo coloquei no fim do arco-íres. Pra não andar por aí como se fosse só passeio e aventura, pra não minimizar as coisas graves e terríveis que a vida tem. E também pra não fechar os olhos em dias ensolarados.


Reconhecer um dia ensolarado, as vezes, é uma arte.


E confundir chuva e sol é sempre estúpido. Ainda mais quando se sabe que chuva é chuva e sol é sol.




24 de junho de 2009

rua.

  1. a vitória mais triste é ganhar de fantasmas.
  2. se ela não tivesse buceta, eu nem conversava com ela.
  3. os filhos de Deus falam muita merda. Prefiro ser orfão.
  4. eu só tenho raiva que é pra não ter ódio.

22 de junho de 2009


Palavras doces e ternura imaginada. Não se precisa de muito. Vejo você distante e forte. Como sempre foi, afinal.

Não saber quem você é me acalma. Porque tenho essa tara por alma, e alma, alma mesmo, só se revela com proximidade da carne. E carne, só carne, nunca foi nosso forte.

E também cogito que tenhamos o mérito de não confundir carne e alma com facilidade. Coisa que é mais rara do imaginávamos.

Seja como for, a imagem que fiz pra você é: falando muito com um sorriso na boca num parque durante uma ensolarada tarde de domingo.

Então guardo sem pressa meus delírios e penso que ter 1 ou 2 coisas é melhor do que ser dono do mundo. Até porque o mundo é grande e ser dono de tudo é estúpido e falso.

Preparo minha água quente pro miojo e imagino o horror que isso poderia lhe causar. Porque fiz você assim, acima dessas coisas.

Porque prefiro isso.
Range-se os dentes pela manhã. O café, forte e requentado, cria um arroto azedo e morno. Arrota-se satisfeito, mas sem ostentação. Um arroto quase interno, eliminado com um sopro.
Lá fora, um dia bonito de inicio de inverno. O céu azul e discreto, como devem ser as coisas verdadeiras.

20 de junho de 2009

cls

Ela me pergunta por que eu bebo tanto, e eu pergunto por que ela nunca bebe.
Sorrimos os dois e tentamos entrar em sintonia. Um erro.
Sintonia é coisa espontânea.
Muda - se de assunto. Falamos da vida.
Meu Deus! Falar da vida é qualquer nota, já que vida é o único assunto. Ou seja, ao falarmos da vida, estamos apenas disfarçando mal e porcamente o nosso profundo constrangimento.
Nós dois somos bonitinhos e nos esforçamos. Claro que não vale a pena. Essa coisa de que tudo vale a pena é uma besteira pra quem só faz merda e quer lustrar a própria bosta.
A gente se despede com beijinhos e educação.
Mentalmente os dois pensam em sintonia: roubada do caralho.
-
Em casa, estalando a 5° lata num sábado à tarde, vejo uma foto dela e penso que bater punheta vale mais a pena do que o tudo do versinho.

18 de junho de 2009


os olhos secos,
meu bem,
é apenas
uma imagem
que pega bem.
-
pisca - se mais
do que precisa
e os olhos
têm
a mesma
cor indecisa.
-
até aí
tudo certo
e tudo merda
velha e morta:
o lançe
é o mesmo
que antes -
sentir muito
é coisa
de instantes.
-
a paz,
o domingos me disse,
só é possível
em profunda solidão.
já a alegria,
ele disse,
tem o mérito
da decisão.
-
seja como for
e seja como é
uma que te dá
e outra
que te faz café.
-
cada um
só de si
sabe.
-
se arrepender
é,
muitas vezes,
não
ser covarde.

porre entre coleguinhas


Eu estava falante e satisfeito.
Há dias em que tudo é simples e besta.
E nos sentimos bem e batemos palminha.
Eu era o perguntador maluco
- ou o gordogabriela -
e me sentia radiante e idiota.
Uma maravilha.
É um mistério isso e mais um monte de coisas.
Mistério existe e tá aí.
Só não vê os cegos e sua turma.
Toda
farinha
tem
seu
dia
de
mingau.
Toda
farinha
que
é
do
mesmo saco.

0 à 0

A página em branco e brilhante. Gosto do Bukowski por essas também. Lembro dele falando do computador e de como era bom poder escrever mais rápido e com menos força. Claro que não há o charme da máquina de escrever, mas charme por charme há escritas que querem velocidade. E computador é mais veloz.
Desde que éramos macacos buscamos isso: velocidade. E facilidade também, por que não?
Esse desejo é coisa de bicho. E como bicho, entendemos.
Acho que um dia haverá uma máquina que será ligada direta ao cérebro e que transcreverá tudo aquilo que pensarmos. A gente a acionará e então ela transcreverá a coisa toda. E haverá blogues e twitters disso e será um inferno.
Mas acho que será bem bacana. Até porque escrever, com a mão ou com o pensamento, não é um mérito em si. Talento é real, mesmo que o esforço pegue bem.
Claro que vai ter um excesso de coisas escritas, mas acho que Escritores com Talento terá a mesma quantidade.
Bem, são achismos e tá tudo certo.
É que muitas vezes enquanto caminho 'escrevo' coisas.
E essas coisas que escrevo andando são sempre ótimas até encarar a tela branca e brilhante.
Isso não quer dizer nada. Todo idiota de blogue já sentiu isso. Já criou um texto na cabeça que na tela nem ficou tão bom quanto era.
É sempre um risco.
Que seja.
Sempre é.

16 de junho de 2009

Era o que era.

Lá estávamos nós: eufóricos e contentes por ver mulheres nuas.
Era o terceiro puteiro da minha vida e no máximo o quinto da vida dos meus amigos. A gente tinha 20 anos ou pouco mais. Até tínhamos trepado, mas assim, sem convicção e sem alma.
Ainda achávamos que qualquer xota que permitisse nosso pau lá dentro poderia se tornar a mulher das nossas vidas. Apaixonar-se por uma buceta é bem mais simples.
E tinha umas 30 mulheres nuas naquele salão. Sobrava mulher. De homens, nosso grupo de 5 e 3 duplas que nem sequer batiam palmas após o show das garotas. Um absurdo.
A gente era barulhento e feliz. Comemorávamos cada empinada de bunda com uivos verdadeiramente sinceros. Aquelas mulheres mostravam o cu sem fazer firulas. Eram mulheres simples e profissionais, gostavam dos nossos uivos porque sabiam que éramos inocentes e felizes.
Eram umas 30, eu repito. E na média eram boas. Ou de corpo ou de cara. Umas 10 com corpo e cara boas ao mesmo tempo. Quase um milagre.
E como nós éramos o grupo mais animado e mais gastador, elas conversavam e dançavam apenas pra gente. Éramos 5 reizinhos gordos com 30 fêmeas. E o mais surpreendente é que elas deixariam a gente colocar o pau nelas. Bastava pagar.
Mesmo já tendo estado em puteiro antes, eu não havia, até então, entendido isso. Era simples: 40 na caixinha e pau dentrão!
Era um milagre. 40 não era muito. E pau dentrão, nessa época, era bem mais complicado.
(...)
-
Porque fui num puteiro e vi um grupo que se divertia a valer. Eram 5 e tinham 20 e poucos anos. Eles presenciavam o milagre que eu observava e entendia. Ter uma bela buceta por 40 (hoje 70), é sempre milagroso.
Eu acho,
continuo achando.

15 de junho de 2009

o tacanho com roupas coloridas.

O que me sobra é raiva e o desejo de rasgar algumas carnes com os dentes. Não quero proteger animais e não acredito na força do pensamento positivo. A gente caça o que a gente não tem. Estamos numa selva muito mais complexa do que as de antigamente. O desespero ganhou estatus e virou estilo, como se a loucura e a depressão fossem doenças convenientes para participar da modernidade. Então pega bem ser depressivo e louco.
E nessas milhares de blocos e ongs se organizam para promover festas tristes onde celebram essa suposta alegria e desespero. Como se o movimento fosse uma energia vital e como se o fazer muito fosse um preenchimento eficaz.
Os neo hippies, os neo nazis e os eco chatos ganham força através de um discurso de quarenta anos atrás. A merda velha é engolida em restaurantes lounges.

13 de junho de 2009

s/r

Depois de 1 ou 2 dias você chega a conclusão fatal:
os urubus querem a carniça
e oferecer carniça é prazeroso e doentio.
(Ninguém duvida da liberdade de um Napoleão de hospício)
Lá fora, as crianças choram como sempre choraram e chorarão.
É decente crer em destino.
É normal se apegar as próprias crenças.
A sobrevivência é necessária, mas não chega a lugar nenhum.
Os fortes sobrevivem. Sobreviver é virtude dos fortes.
Ocupar-se com a sobrevivência é não ter tempo para a inútil beleza grandiosa,
é achar que a merda é ouro por só conhecer a merda.
Sacis acham que ter uma perna é melhor do que não ter nenhuma.
Sacis não quiseram ser Sacis,
apenas nasceram assim.
Eles pulam por falta de opção e não por entendimento.
Achar que um Saci pula porque é feliz é confundir as coisas,
é misturar prazer e luta. É ser estúpido e se achar genial.
*
Sem mais e sem menos
termino isso daqui.
Acredito em Fadas,
mas nunca em Sacis.
É melhor ter asas e não voar
do que ter só uma perna
e crer que pode andar.

11 de junho de 2009

sonho bizarro. de luta. sai de uma ponta do quadrado e destrói as coisas que estão nas outras pontas. na ponta em diagonal oposta, a maior das coisas. uma mandinga, uma macumba, sei lá. chuta-se aquilo em desafio. guerra. luta de poder. embate físico. sem ganhador. afasto o inimigo que antes de sumir me pega pela cintura e pela mão e se apresenta. diz seu nome de preto e usa terno e chapeú - azul?. some. eu acordo.