
25 de agosto de 2008
434
Ao ver ela gozar
de boca aberta,
uma paz sem explicação
me arrebata.
É que eu andava
mal acostumado
e só a via gozar
com os dentes cerrados.
23 de agosto de 2008
ssññ
uma pena você não estar aqui
pra eu abraçar
seu corpo
quase morto
antes de dormir.
um pena essa necessidade de si
pra provar
o que não precisa
pra ser
quem não interessa.
pra imaginar
que ainda há
o que decidir.
-
depois de tudo
eu ainda
insisto:
o milagre
ainda depende
do quanto
eu resisto.
22 de agosto de 2008
Mensagem do Dia.
horóscopo do dia:
Depois de muitas contas matemáticas, decido que a janela deve ser quebrada num único e preciso lançamento. Será melhor assim, pois então, e só então, o vidro poderá ser trocado. Os riscos dos estilhaços são reais, mas é muito difícil que algum chegue a cortar uma artéria principal.
E todos sabemos que o sangue é vermelho e realmente encantador. Sangue é vida, Deus é Amor e Doe Sangue. Slogans que funcionam pra uma plena e longa ereção.
Um pau duro é um pau cheio de sangue, afinal.
(porque a beleza agrada os solitários)
20 de agosto de 2008
uiai
Mundo vasto e sem sentido no meio do turbilhão.
A merda é sempre parecida e você tenta fugir de si pra ter um tipo de paz. Fugir é mil coisas: sexo sem alma, loucura sem sentido, distração de televisão ligada sem volume, busca de felicidade, busca de sentido, porre pra curar dor, raiva pra manter algum tipo de vitalidade.
E mais outras coisas que outros falaram e falarão.
Então eu desço e busco a minha paz. Trata-se de um monte de idiotas cheios de trocadilhos e expectativas de se tornarem ricos. Um idiota, do tipo alegre, acha que a solução dele é uma máquina de polir carros. Tudo certo, eu também tenho meus planos. Tenho tantos planos que poderia até morrer agora. Eu e um monte de gente. Todos numa roda cheia de planos: vou ser autor de novelas, vou ser professor de pobre, vou ganhar na megasena. Planos e planos e planos. Malditos planos!!!
Solução pra tudo e, no fim de tudo, só sobra desespero e loucura.
Loucura de achar que você pode mudar a si mesmo, desespero de ter tudo e só acumular. Tem também também a ala da lua cheia, ala que acha que o cosmos é algo que se preocupa com cada individuo. Idiota 1 ou idiota 2. Gosto de pensar em mim mesmo como um idiota tipo 2. Questão de cisma mesmo.
E tem os eteceteras e a moça boa que lhe aquece as vezes, ou outra idiota que lhe acha especial, ou ainda uma família que lhe banca a miséria e a dor de artistazinho de merda.
Mas no bar a solução é bem claro e pronta: Dinheiro dentro do cu e uma buceta sem alma onde você se esfregue.
Simplificar a vida é sempre busca de felicidade.
A merda é sempre parecida e você tenta fugir de si pra ter um tipo de paz. Fugir é mil coisas: sexo sem alma, loucura sem sentido, distração de televisão ligada sem volume, busca de felicidade, busca de sentido, porre pra curar dor, raiva pra manter algum tipo de vitalidade.
E mais outras coisas que outros falaram e falarão.
Então eu desço e busco a minha paz. Trata-se de um monte de idiotas cheios de trocadilhos e expectativas de se tornarem ricos. Um idiota, do tipo alegre, acha que a solução dele é uma máquina de polir carros. Tudo certo, eu também tenho meus planos. Tenho tantos planos que poderia até morrer agora. Eu e um monte de gente. Todos numa roda cheia de planos: vou ser autor de novelas, vou ser professor de pobre, vou ganhar na megasena. Planos e planos e planos. Malditos planos!!!
Solução pra tudo e, no fim de tudo, só sobra desespero e loucura.
Loucura de achar que você pode mudar a si mesmo, desespero de ter tudo e só acumular. Tem também também a ala da lua cheia, ala que acha que o cosmos é algo que se preocupa com cada individuo. Idiota 1 ou idiota 2. Gosto de pensar em mim mesmo como um idiota tipo 2. Questão de cisma mesmo.
E tem os eteceteras e a moça boa que lhe aquece as vezes, ou outra idiota que lhe acha especial, ou ainda uma família que lhe banca a miséria e a dor de artistazinho de merda.
Mas no bar a solução é bem claro e pronta: Dinheiro dentro do cu e uma buceta sem alma onde você se esfregue.
Simplificar a vida é sempre busca de felicidade.
18 de agosto de 2008
Do meio do mundo de merda têm algumas vantagens que gosto de contar:
E acreditei em coisas que hoje eu desprezo e mordi minha língua mais de 100 vezes.
A vida é sempre uma bobagem possível.
Já frequentei lugares requintados e cheios de bom gosto e gente jovem, bonita e rica. Já me deslumbrei com esses lugares e achei que só eu havia visto todo o requinte do mundo. Contava vantagem para os meus amigos de Curitiba, dizia isso e aquilo e contava de bares que eles nunca imaginariam existir. Fumava maconha em carros ricos e grandes que tinham motoristas velozes e belos e ricos de novo. Fui a uma festa que tinha um buffet servido por anões e festas à fantasia que tinham mesas de frutas belíssimas e exóticas, com iguarias árabes e maconha de Marrocos. Fumei haxixe de Londres na casa de praia de outro amigo rico. Eu era um jovem esperto e promissor. Tinha frases decoradas de todos esses caras que impressionavam aquela gente tão rica e descolada que eu admirava.
Já comi uma negra dessas bem ruins e vulgares. Comi ela em lugares escrotos e imundos: tinha 17 anos e não entrava em motel. A gente fudeu em construções, na rua, no metrô da Praça da República. Até perdi ônibus pra trepar com essa negra feia e fedorenta. A buceta dela era alta e larga, os pêlos sempre mal cortados e encravados, o cu cheio de merda. Uma vez, na construção, cutuquei a merda dela com o meu dedo. Era uma bosta seca e dura. Eu tinha tesão nesse tipo de doença. Ela gemia sempre exagerada e adorava palavrões, berrava asneiras no meu ouvido que pareciam ter sentido. Um dia enfiei no cu dela sem que ela esperasse, ela berrou de dor e me deu um tapa na cara, ficou puta e me deixou na mão. Ela caiu fora do motel(meu cunhado havia feito uma identidade falsa pra mim) e me deixou lá, com o meu pau lambuzado de bosta. No motel tinha filmes de sacanagem, era um motel de 10 pratas na St. Cecília e a gente mudava de canal num botãozinho de girar que ficava grudado na cabeceira da cama. Toquei punheta vendo os piores filmes que já vi, deixei o volume baixo e gozei ouvindo os gemidos falsos e doentis que vinham dos outros quartos. Minha porra se juntou às outras porras secas que tinha no carpete cinza e sujo do motel.
Já participei de uma semi-suruba, já tentei beijar homem, já vi a merda na borda do cu da mulher amada. Também fiz amor com uma candura que nunca imaginei ser possível e senti que meu pau podia, enfim, ser um tipo de extensão da alma. Já passei uma tarde inteira decorando o que falar pruma mulher e já tomei um pé na bunda. Já cheirei cocaína num bar imundo e cheio de desconhecidos, já bolinei mulher em ônibus e já recebi uma boquete de um travesti. Já me masturbei no banheiro do ônibus da Itapemirim e já mostrei meu pau inchado pra crianças 4 anos mais novas que eu.
-E acreditei em coisas que hoje eu desprezo e mordi minha língua mais de 100 vezes.
A vida é sempre uma bobagem possível.
16 de agosto de 2008
estamos aí.
Depois de todo delírio há um tipo de paz. A bunda na janela não se vende e fica lá em cima dos saltos. As belas pernas me surpreendem e saem à passos largos e corajosos. É uma possibilidade de redenção. E o sentido da coisa é outro quando se faz o que faz sem ser pelos flashs e glórias. Existe uma dança possível nessa loucura e nesse desespero. Meia dúzia de gatos pingados se tornam o sentido da vida. Essa gente aparece ali, sei lá pra que. Sei lá qual é a motivação real de quem resolver aparecer. Até pergunto e descubro: o solitário ruivo viu o cartaz durante um chop. Durante a minha função saio pra reparar nos gatos pingados: estão todos alí, simplesmente alí, vêem aquilo com uma atenção que me agrada.
É, tem razão, essa migalha alimenta mais que alguns banquetes.
14 de agosto de 2008
Nanma
Então você tem uma mulher fantástica e disposta a lhe entender. É algo terrível e doce. Você é chato, você reclama da vida, você sofre e sofre. Ela nem sempre concorda e nem sempre entende, mas fica ali, quase santa e quase louca, tentando ver sentido nos seus delírios. Você fica criando problemas e inventando desculpas. Você bebe demais e ela quase entende isso também. Depois do trabalho ela lhe olha com seus olhos belos e cinzas e você sente medo e frio. Parece mesmo a morte, você pensa.
12 de agosto de 2008
Vitalidades.
Depois de ver 3 vezes
a merda da mulher amada
boiando na privada,
eu faço rima sem força
e digo:
só a merda
dela
é sagrada.
.
Um trôço
diferente do outro
e, no entanto,
todos 3,
me causam espanto.
.
E me pergunto,
ainda encabulado,
como posso sintir prazer
em lamber aquele rabo?
.
Têm perguntas que não têm resposta
e 1 delas é essa:
Como posso amar uma mulher
de quem já vi a bosta?
.
Pras coisas sem solução
repito o que sempre dizem:
quem vê cara
não vê
coração,
e o resto todo é tolice.
.
DOMINGOS OLIVEIRA.
Ele é um desses caras que me desafiam. Já falei mal dele na época em que comecei a fazer teatro. Nessa época eu falava mal de tudo, até do velho Stanislavski. Quando se começa a fazer teatro a gente é realmente muito bobo e acha que pode descobrir a pólvora.
Mas o ponto é o Domingos Oliveira que me chocou profundamente depois que vi Todas Mulheres do Mundo, um dos filmes que mais assisti em minha vida de idiota profissional. E na média nem sou um tipo que revê filmes...
Seja como for, ele é dono de um pensamento fodão que me choca. Porque geralmente me identifico com uma gente negativa e sem esperança e ele é o oposto disso. É articulado pra caralho e acha a vida um troço fantástico. É ótimo que ele tenha um blogue. É genial ser antagonizado por um cara desse, que faz suas coisas e segue fazendo e que continua e continua. É como se ele abrisse outras possibilidades prum chato como eu.
O blogue dele só melhora a cada dia.
E isso é bem previsível.
-
Preciso apenas ler e me acalmar. Sentir a vida lenta agindo sobre mim. As vezes isso é tão difícil, tão difícil. Me pego pensando que não sou um tipo que nasceu para ter paz, e isso é um horror de se pensar porque eu queria uma vida plena e razoavelmente satisfeita. Mas sempre tem os chifres nos cavalos, os pêlos nos ovos, a repetição de si mesmo e de outras merdas velhas.
8 de agosto de 2008
Fernandinho Zen.
Mensagem do dia:
"Por tabela,
quem sabe das coisas
negocia sem barganhar.
Doutrina sem falar.
E tudo vai em frente,
acontece como vai acontecer,
de qualquer jeito,
a menos que você se esforce pra piorar"
(Tao - Lao Tse)
Mas o que importa é:

7 de agosto de 2008
6 de agosto de 2008
saco na lua.
Os idiotas profissionais sorriem sempre da mesma maneira e contam sempre o mesmo papo: "porra, aquela mulher é gostosa pra caralho". E depois repetem pra outros idiotas que treparam com uma garota de 17 anos que até o cu dá. E riem pra caralho os idiotas profissionais. Sempre com aquela voz sufocada pelo riso, uma mistura horrorosa de brucutu e adolescência tardia.
p.s. os idiotas profissionais são sempre muito habilidosos ao telefone e sempre marcarão presença nas datas festivas.
3 de agosto de 2008
31 de julho de 2008
{[<(0)>]}
Deito pra ler. Leio e as imagens me fodem. Eu sabia que isso iria ocorrer. A sequência. A sensação de coisa conhecida. O maldito medo da morte. Em um átimo eu sinto a porra toda. É físico e nada abstrato. O corpo esquenta a partir do peito. Uma onda de calor que apavora. Arrepio de olhos fechados. A dissolução completa, a consciência se esvaindo até o zero. O zero, o zero. O fim puro e simples, sem piedade ou justiça. Todos ali no esquecimento de si mesmo. A merda sem fim. Uma imagem maior que os olhos e a incapacidade de apreender o que quer que seja. Não haverá nada. Será apenas dormir sem sonhos. Nada de confusão ou alegrias ou dores. Nada de nada. Penso nos meus, penso nela. Pavor mais forte. Sinto que posso me perder com esse medo. É claro que posso me perder com esse medo. Lembro que demorei muito pra dormir longe deles. Lembro que dormia no corredor. Meu medo repetido e gasto, a impaciência que ele gera. Sofro e digo "vou morrer". Primeiro um consolo, depois não, depois a repetição enfraquece e não comove ninguém. Ninguém é obrigado a ter saco pra isso. A voz sem paciência que diz "é, vai sim, todo mundo vai, chega de pensar nisso". Dormir no corredor. Vontade de ligar pra ela. Pra repetir pra ela. Não ligo. Minha cabeça vai mais, a dor aumenta, sinto que posso perder a mão e berro alto e ridículo PARA!. Como se eu falasse pra mim mesmo. Desiste do livro. Fecha o olho. Força que a calma vem. A calma sempre vem. Escreve um pouco. Vê umas merdas. Peida alto. Não pensa, não pensa.
29 de julho de 2008
A.F.D.C - necessidades de uma punheta honesta.
(ESSE TEXTO É SOBRE UM PROCESSO DE CRIAÇÃO. MINHA PUNHETA FOI FAZER 3 COISAS AO MESMO TEMPO. CONSIDERO- ME BEM SUCEDIDO NESSA EMPREITADA MOMENTÂNEA. VAMOS QUE VAMOS E BLOGUE É PRA ISSO MESMO: PRA LAMBER O PRÓRPIO CU. MAIS NÃO DIGO.)
Não por nada, mas é que preciso desse tipo de coisa. Coisas pra serem resolvidas dentro da minha cabeça. Eu não me concentro pra pensar nelas, mas as deixo pairando. É uma estratégia. São pequenos demônios que flertam comigo. É como se eu criasse uma redoma onde, quase inesperado, o milagre pode surgir ou o dragão acordar, ou mesmo o anel espatifar em estilhaços finos e cortantes. Uma punheta que nem explico, mas que faz um sentido danado.
Então fico aqui como se eu pudesse descobrir algo. Leio meu livro, bebo minha cerveja e tento não ser eu mesmo. Eu mesmo não interessa agora, não AGORA. A cerveja gelada na goela, mais um cigarro na mão e bastante calma pra forjar que não estou esperando nada.
O arquivo está aberto e me seduz. Deixo ele lá, quero que ele se torne insuportável. Será melhor assim.
Tudo lento, bem lento. É melhor assim. Sinto a coisa se aproximando, o livro no fim, as possibilidades sendo trancadas. A liberdade só é possível em escolhas, as escolhas são quase sempre aleatórias, mas uma vez feita a escolha há que de se radicalizar. Sim sim sim, isso parece ter sentido. Não pense muito nisso, não agora, não AGORA. Sim sim sim. A insistência cria os sentidos. Devagar, gordo burro, devagar.
1° flerte com o arquivo e sai tudo em turbilhão. É merda conhecida e revirada. Imponho o prazer da coisa. A 1° impressão é a que fica. Minha cabeça é um martelo que repete: nesse momento todos devem gostar de tudo. Ui. Sexo com o tempo perfeito é a metáfora que parece ter sentido.
A coisa vai indo. Já escrevi 5 notas e rezo pra que a cerveja se multiplique. Sou grosso no telefone, mas apenas pelo motivo do 1° paragrafo. Ai que a coisa vai. Sigo que sigo. Tenho apenas que conseguir mais cervejas. Meu cérebro é um raio e posso chegar à algum lugar. Graças a Deus.
Bem calmo, bem calmo. Tenho que reestabelecer os contatos. Lentidão imposta e devo seguir. Embora a coisa exista o flerte ainda deve ser longo e irresistível. Loucura lenta criando sentido. Baixar a bola no próximo cigarro, sobreviver é um tipo de arte.
Sigo que sigo. Estoque refeito e vamos que vamos. Agora há música na casa verde.
Telefonema feito. E-mail enviado. Agora outro dia como esse pra um sossego completo. Reviro calmo em mim mesmo. Chapa no fogo e sanduiches a caminho. Minha garota me entende e o mundo é perfeito.
Sem declarações de amor que nem é esse o caso.
Não por nada, mas é que preciso desse tipo de coisa. Coisas pra serem resolvidas dentro da minha cabeça. Eu não me concentro pra pensar nelas, mas as deixo pairando. É uma estratégia. São pequenos demônios que flertam comigo. É como se eu criasse uma redoma onde, quase inesperado, o milagre pode surgir ou o dragão acordar, ou mesmo o anel espatifar em estilhaços finos e cortantes. Uma punheta que nem explico, mas que faz um sentido danado.
Então fico aqui como se eu pudesse descobrir algo. Leio meu livro, bebo minha cerveja e tento não ser eu mesmo. Eu mesmo não interessa agora, não AGORA. A cerveja gelada na goela, mais um cigarro na mão e bastante calma pra forjar que não estou esperando nada.
O arquivo está aberto e me seduz. Deixo ele lá, quero que ele se torne insuportável. Será melhor assim.
Tudo lento, bem lento. É melhor assim. Sinto a coisa se aproximando, o livro no fim, as possibilidades sendo trancadas. A liberdade só é possível em escolhas, as escolhas são quase sempre aleatórias, mas uma vez feita a escolha há que de se radicalizar. Sim sim sim, isso parece ter sentido. Não pense muito nisso, não agora, não AGORA. Sim sim sim. A insistência cria os sentidos. Devagar, gordo burro, devagar.
1° flerte com o arquivo e sai tudo em turbilhão. É merda conhecida e revirada. Imponho o prazer da coisa. A 1° impressão é a que fica. Minha cabeça é um martelo que repete: nesse momento todos devem gostar de tudo. Ui. Sexo com o tempo perfeito é a metáfora que parece ter sentido.
A coisa vai indo. Já escrevi 5 notas e rezo pra que a cerveja se multiplique. Sou grosso no telefone, mas apenas pelo motivo do 1° paragrafo. Ai que a coisa vai. Sigo que sigo. Tenho apenas que conseguir mais cervejas. Meu cérebro é um raio e posso chegar à algum lugar. Graças a Deus.
Bem calmo, bem calmo. Tenho que reestabelecer os contatos. Lentidão imposta e devo seguir. Embora a coisa exista o flerte ainda deve ser longo e irresistível. Loucura lenta criando sentido. Baixar a bola no próximo cigarro, sobreviver é um tipo de arte.
Sigo que sigo. Estoque refeito e vamos que vamos. Agora há música na casa verde.
Telefonema feito. E-mail enviado. Agora outro dia como esse pra um sossego completo. Reviro calmo em mim mesmo. Chapa no fogo e sanduiches a caminho. Minha garota me entende e o mundo é perfeito.
Sem declarações de amor que nem é esse o caso.
28 de julho de 2008
Photograph courtesy of the History Museum of Springfield-Greene County

Minha garota me avisa que vai pra sua Ioga.
- Eu também vou.
Descemos juntos.
Estamos nessa fase louca de grude sem fim. Difícil explicar isso. Logo eu, o idiota mais durão do oeste. Tudo certo, minha garota é gostosa e trepa como louca. Explico tudo. Sou um belo explicador.
Na calçada ela pega o ônibus e eu atravesso a rua. Maravilha. Diferenças pra um amor perfeito.
No bar os mesmos vermes de sempre. 1° cerveja e livro aberto. 2 venenos juntos, a cerveja e o Bukowski. Consumo os dois com bastante lentidão. A cerveja virando genialidade, o livrinho explicando os benefícios do álcool. Uh, vida boa.
Me concentro pra esquecer AFDC. Sou mais ou menos bem sucedido. As letrinhas do livro dando vontade de escrever. Aquela coisa que o velho diz de haver alguma chance.
Com o bar vazio peido à larga. É fácil inclinar o corpo quando se está com um livro na mão. Mundo bom, mundo bom. Peidos sonoros em lugar público é um tipo de glória.
Minha garota agora deve estar fazendo uma bela posição. Aula de ioga, sabe como é.
E lembro dela toda de preto com o corpinho de filet que ela tem. Toda miudinha ali, com a devida distância. Os mamilos que derretem na boca, a bundinha do século, a bela cara de criança assustada que ela faz quando berro. Jesus, tenho mais tesão por ela do que deveria. Essa vaca ainda me mata com sua buceta.
Em casa preparo toda a cena. Música de velho, copo cheio e uma bela cagada de porta aberta. Antes de dar a descarga reparo que minha merda tá preta demais. Até esboço uma preocupação, mas na 2° cerveja sou quase imortal.
Escreve, escreve e confere os números. Agora é ler mais um capítulo e esperar minha garota chegar. Combinamos dela me mandar uma mensagem pra que eu tome um banho. Melhor pra nós dois. Ela me disse que depois da ioga estará aberta e a filha da puta é gostosa pra caralho.
Sexo e pizza ou pizza e sexo. Tanto faz. Essa filha da puta ainda engole a minha alma.
Tiro as coisas da cama e confiro o horário. Uma aula de ioga deve durar pelo menos 3 cervejas. Certo, perfeito.
Tento me organizar: abrir a 3°, banho, abrir a janela pra tirar futum de cigarro, conferir descarga, panfleto de pizza em lugar acessível. Alguma música boa que ninguém é de ferro.
-
Tristemente reparo que a porra do papel higiênico acabou. Talvez peça pra ela trazer, mas há um q de ridículo nisso. Quero comer ela, afinal. E a preliminar não pode ser "traz papel, meu amor". Merda, o mundo é cheio de gracinhas. Raiva, raiva, raiva.
Ontem lembrei que esqueci até o seu rosto.
Não tenho saco. Vou coçar meu rabo com a ponta de unha que me resta. Eu poderia até fazer uma declaração de amor, mas minhas lembranças são fracas e limitadas.
24 de julho de 2008
Mordendo as unhas.
Eu gosto daquela peituca. Não adianta. Todo vez que eu olho pra ela, eu lembro disso. Peituca boa de morder e meter a mão. Já fiz o diabo ali. É um tipo de orgulho que eu carrego nessa vida triste. Quando estou pensando em suicídio eu lembro que já tive aquela peituca e me acalmo.
Eu sempre tirava pra gozar nas peitucas. Fazia voltinhas no mamilo com meu dedo lambuzado de porra. O sexo em si não era nada demais, mas fazer aqueles desenhos na peituca valiam até os gemidos grossos e exagerados que ela dava. Gemidos que me irritavam e me tiravam do prumo. Que entravam de tal forma na minha cabeça que, mesmo depois de dias, acordava ensopado de suor num pesadelo alucinante onde o final era sempre um despertador que reproduzia os tais gemidos.
Difícil descrever um gemido. É algo que não sei como fazer.
E vejo aquelas peitucas que hoje me ignoram. Ela até me sorri e me diz bom dia no elevador, mas nada mais faz sentido. Eu não toparia mais aquelas peitucas de qualquer maneira. Só de lembrar os gemidos me sinto mal. As coisas acabam e morrem. Eu também acho uma pena.
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