- Fechar os olhos e sentir o gosto do whisky na boca. Lembrar dos sonhos que existiram. Das promessas de amor, das fodas perfeitas, da sopa de um dia de inverno. Era estúpido e feliz. Pra sempre... o riso e as repetições que confirmavam o sentido. Tão bom saber, de antemão, como ela reagiria.
- A megasena à 76 milhas. Ficar milionário deve ser um problema. O que fazer quando você pode fazer tudo? É indecente... tão mais fácil ser obrigado a sobreviver, se sustentar e suar pelo pão. A alegria mais genuína: animas satisfeitos com o próprio suor. Quem entende?
- Conversando com amigos vejo que os artistas são uma gente fudida. Sempre esperando, sempre achando que, cedo ou tarde, AQUILO virá. A vida real arranhando nossas costas e endurecendo nossas articulações. Crueldade de mãos dadas com os sonhos. É insuportável. E, no caminho, a desistência de gênios incompreendidos. E tanto faz se fossem gênios ou não. A desistência lá: tornando amarelas as páginas escritas, fazendo a boca do cantor ficar torta, deixando rouca a soprano... essas coisas.
- A auto-critica nociva e perturbadora. Bem mais simples dizer: faz e depois vê. Habilidade distante, gente distante, mundo distante. Qual a vantagem de saber do erro e da farsa? A verdade é que não tenho a elasticidade suficiente pra chupar meu próprio pau. E as opções são poucas: ou isso ou a cegueira. Desconfiar de tudo é uma prisão.
- Nunca mais uma foda genial após um domingo bêbado. Assim: prepara almoço, resolve beber com o almoço já pronto, bebe e fala, bebe muito e fala muito, resolve-se trepar e trepa-se bêbado e insano num domingo lento, daí dorme e acorda às 17. Esquenta-se a comida e come como só a ressaca e o pós-sexo incrível permitem. Há paz. Ver Fantástico pode ser uma bênção.
- Senta o cu e escreve. Faz de conta que a vida não é real. Escreve. Faz isso por horas. esquece a merda e a vida real e também os idiotas que ganham dinheiro mais por capacidade social do que por competência. Ignora o real simplesmente porque o real não presta e nem é justo. Seja egoísta, mas não faça concessões pra si próprio. Se quiser ser vegetariano, seja - mas não ache que está contribuindo para a melhora do mundo.
- Deixar a platéia ouvir o bolero de Ravel no escuro será a próxima cena da peça que não fiz e que talvez nunca farei. A evolução lenta bem lenta. A luz vindo lenta bem lenta. Em cena só uma garota com um cesta de flores na mão e dois caminhos pra escolher. Enquanto a luz e a música evoluem, a garota apenas olha pros dois únicos caminhos que pode pegar, mas não consegue se decidir. Quanto mais forte é a luz e a música, mais indecisa ela fica. Subornos e vantagens aparecem de um lado e do outro. A indecisão só aumenta.
- A chuva acalma os otários e eu estou entre eles. Sinto-me bem com o barulho da chuva e também com a tarde cinza. Parece provar alguma coisa. Bobagem, eu sei. Mas saber que algo é bobagem não quer dizer nada. A gente gosta da merda e têm piedade. A gente é legal e educado: damos beijinhos ao nos encontrar.
1 de outubro de 2010
relatinho.
30 de setembro de 2010
merda.*
Acho viver bem estranho
e isso já faz tempo.
Mas agora apenas digo:
eu nada entendo.
* há quem chame isso de serenidade... credo.
28 de setembro de 2010
25 de setembro de 2010
"A memória é uma prisão"
Lembro dela exaltando a dor,
falando de como suas tragédias tinham a deixado forte.
Lembro dela em um dia de chuva,
reclamando e dizendo que a vida era uma merda,
que não havia justiça e que eu era um idiota machista.
Lembro de uma cãibra durante uma foda
e do desprezo que ela sentia por mim e
de como isso me dava um tesão estranho e doentio.
Lembro das tardes de inverno,
sempre lembro das tardes de inverno,
mesmo quando elas não existiram
e eu as inventava
bebendo whisky durante tardes de domingo.
Lembro dela exaltando a poesia do Renato Russo,
dizendo literalmente a poesia do Renato Russo
e eu sentia esse ódio cheio de tesão
e nós fazíamos amor,
mas só falávamos eu te amo quando
trepávamos de quatro.
Lembro dela colhendo flores e dizendo
que queria morar numa casa ensolarada,
onde teria um cachorro e dois filhos machinhos.
(Ela ria quando falava machinhos...)
Lembro dela preocupada com a feridinha que apareceu em sua buceta
e lembro da pomada que o médico recomendou
e que eu passava nela e ela em mim.
E o nome disso era Amor.
Lembro até da gente fazendo planos:
Lembro até da gente fazendo planos:
cachorros, gatos, filhos machinhos
e jardim com cebolinha, salsinha e manjericão.
Lembro de tudo ou quase tudo.
Lembro da noite fria em que ela teve pressão baixa
e peguei sal do cara que vendia milho cozido
e a gente sentou no meio fio
e ficamos beijando por horas.
Lembro do seu cabelo pintado de loiro
e das confusões que arranjávamos para espantar o tédio.
Lembro que, mesmo assim,
a gente não conseguiu espantar o tédio.
23 de setembro de 2010
quinta feira no rio de janeiro.
Está um dia bonito e ontem (ou anteontem?) começou a primavera. Lavei roupas, comprei verduras, toquei 6 punhetas e agora fumo um cigarrinho enquanto mamo uma cerveja em lata.
Tenho coisas para fazer e para pensar. Todo imbecil na terra tem coisas para fazer e para pensar. Eu entre eles. É quase uma tristeza, mas apenas quase. A vida besta e bonita, em outras palavras.
Quero falar sobre São Paulo. Sobre beijos em calçadas e sobre porres cheios de vitalidade. Mas agora não. É como disse: tenho coisas pra pensar.
Então faço contas e programo grande textos a serem escritos. É o que os chatos chamam, com emissão afetada e sibilante, de processo. Ou melhor: proccessso.
Fico remoendo a imagem. No caso, beijos em calçadas. A partir daí vou inventando umas coisas e juntando outras, incluo delírios e deduções baratas, aumento mentiras, crio verdades e, quando for escrever, eu mesmo estarei confuso sobre o que pensei na hora e o que pensei depois quando já me imaginava escrevendo sobre. Uma confusão que me agrada e me dá tesão: deturpar a realidade que, enfim, nem existe assim tão real e absoluta. Uma merda velha.
(sempre lembro da pesquisa de alguma revista científica que li que dizia que pro cérebro não havia diferença entre o vivido e o imaginado, que no cérebro tudo [ verdade ou mentira ] era processado na mesma área)
Penso no risco e nas confusões. Lembro da louca que achou que eu tinha escrito pra ela e também da outra louca que me cobrou por coisas que eu nem pensava, mas tinha escrito.
A confusão que me agrada e me dá tesão.
Minha doença mais terna e gratuita.
Minha diversão de nerd.
22 de setembro de 2010
mulheres lindas do meu lado.
Elas falam sobre seus maridos e namorados.
Mexem as bocas vermelhas com delicadeza e precisão,
têm gestos elegantes e piscam de maneira belíssima:
as pálpebras descem lentas e
se apertam por um milagroso segundo.
Então os olhos surgem imensos, úmidos e pretos - e também profundos e abissais -
e revelam aquela coisa terrível que a gente chama de alma.
Mexem as bocas vermelhas com delicadeza e precisão,
têm gestos elegantes e piscam de maneira belíssima:
as pálpebras descem lentas e
se apertam por um milagroso segundo.
Então os olhos surgem imensos, úmidos e pretos - e também profundos e abissais -
e revelam aquela coisa terrível que a gente chama de alma.
21 de setembro de 2010
meu a-ha, u-hu.
É tudo um golpe ou um tipo de golpe. Tanto faz. Estilo é a parada, né Tio Buk? Golpe com estilo e eu acredito porque sou fácil de enganar. Porque a realidade é essa bobagem que a gente toca adiante enquanto pensamos nas coisas importantes. Por essas os políticos são a corja que são. Eles fingem se importar com a realidade. Mas eu não estou falando de políticos. Estou falando de teatro. De milhares e milhares de teatro que fazem sucesso sem mérito algum. É isso.
Mas mérito é coisa de fracos, assim como decência, amor, competência e inteligência. É o Peréio quando diz: "não precisa ter pau grande, precisa ter cara de quem tem pau grande." Mas o Peréio tem o mérito e a inteligência do humor. Ele ri. Ele sabe rir. E quem realmente sabe rir? Eu não estou falando de rir com o Jô ou com Stand-Up. Estou falando do riso que brota a partir da visão da merda. Vê-se a bela bosta e ri. O deboche do capeta, tá escrito no livro. O riso é a máscara que o diabo deu aos humanos, tá em outro livro.
Mas quem ri? Quem ri mesmo? Rir e se enganar é possível? Deus! O Jô é apenas engraçado. Tô falando de riso e também de delírio. Sem concessão. Rir quando não pega bem e quando há sangue nas gengivas sem dentes. Rir sem dente, rir pela ausência de dentes.
Não dá para crer no sucesso das peças de teatro que fazem sucesso. Porque na grande média o sucesso é um engano. Ta aí o P. Coelho, o valor cultural do Funk Carioca, a consciência ecológica do J. Serra e a aceitação da diferença como estratégia de omissão.
Há que se ver a merda. Há que se ver a merda e rir. E só assim. Sem desculpas, sem sacadinhas, sem verdades da moda.
Só o hipócrita salva, só ele, só ele. Porque ele é cínico e sabe da farsa. Ele não acredita na farsa. Ele usa a farsa. Ele é hipócrita e mente em benefício próprio. Ele é bom por isso. Ele é o cretino que sabe que a mentira e a verdade são apenas convenientes ou não. O Hipócrita é o que eu quero ser, claro está.
Tirando isso há a curtição do facebook, os comentários em blogues e os seguidores de twitters. A farsa como instituição e o aumento da confusão: seja nas estátisticas eleitorais, nos imortais da ABL ou na criança que ganha prêmio por imitar adultos no programa do R. Gil.
São gracinhas e jogadas. A gente participa querendo ou não. Por inconsciência ou cinismo.
Cá comigo ainda prefiro o cinismo.
Mas mérito é coisa de fracos, assim como decência, amor, competência e inteligência. É o Peréio quando diz: "não precisa ter pau grande, precisa ter cara de quem tem pau grande." Mas o Peréio tem o mérito e a inteligência do humor. Ele ri. Ele sabe rir. E quem realmente sabe rir? Eu não estou falando de rir com o Jô ou com Stand-Up. Estou falando do riso que brota a partir da visão da merda. Vê-se a bela bosta e ri. O deboche do capeta, tá escrito no livro. O riso é a máscara que o diabo deu aos humanos, tá em outro livro.
Mas quem ri? Quem ri mesmo? Rir e se enganar é possível? Deus! O Jô é apenas engraçado. Tô falando de riso e também de delírio. Sem concessão. Rir quando não pega bem e quando há sangue nas gengivas sem dentes. Rir sem dente, rir pela ausência de dentes.
Não dá para crer no sucesso das peças de teatro que fazem sucesso. Porque na grande média o sucesso é um engano. Ta aí o P. Coelho, o valor cultural do Funk Carioca, a consciência ecológica do J. Serra e a aceitação da diferença como estratégia de omissão.
Há que se ver a merda. Há que se ver a merda e rir. E só assim. Sem desculpas, sem sacadinhas, sem verdades da moda.
Só o hipócrita salva, só ele, só ele. Porque ele é cínico e sabe da farsa. Ele não acredita na farsa. Ele usa a farsa. Ele é hipócrita e mente em benefício próprio. Ele é bom por isso. Ele é o cretino que sabe que a mentira e a verdade são apenas convenientes ou não. O Hipócrita é o que eu quero ser, claro está.
Tirando isso há a curtição do facebook, os comentários em blogues e os seguidores de twitters. A farsa como instituição e o aumento da confusão: seja nas estátisticas eleitorais, nos imortais da ABL ou na criança que ganha prêmio por imitar adultos no programa do R. Gil.
São gracinhas e jogadas. A gente participa querendo ou não. Por inconsciência ou cinismo.
Cá comigo ainda prefiro o cinismo.
20 de setembro de 2010
#
Cheiro meus próprios dedos pra me reconhecer. É uma tática antiga, estúpida e quase eficiente. Voltar demora, chegar em casa demora, sentir a doce e produtiva solidão demora também. Tento pensar pra frente, mas não consigo. O futuro é sempre um tipo de abstração. Faço minhas obrigações, cago no meu banheiro e, no hortifruti, compro legumes e saladas como se eu fosse o cara mais saudável do Oeste. O rádio tá ligado na cbn e tenho que lavar camisetas e cuecas. A vida parece besta, mas mesmo assim é agradável. Há coisas à fazer, sempre há coisas a fazer. Parece indecente esse fazer-fazer sem fim. E é.
18 de setembro de 2010
9 de setembro de 2010
essa euforia é todo um tesãozinho.
Ter paz na tarde chuvosa do Rio de Janeiro e ver que o cinza do dia nem é nada tão sério.
Porque tem essa gente que se deprime por causa do tempo e desse mal eu não sofro.
E tenho muita merda, sofrimento e revolta, mas besta eu não sou.
Que, cá comigo, acho bem patético e vaidoso essa coisa de se deprimir em feeds de facebook.
(meu limite de patético e vaidoso é meu blogue - essa coisinha aqui que até punhetinhas me rende)
Então mexo no meu pau sem foda e penso que tudo é uma grande bobagem. A euforia é uma grande bobagem. A depressão também.
No espelho do elevador reparei na minha pança. Ela é grande, branca e parece crescer. Mas o pior é: nem me importo.
Lembro do meu pai falando da diabetes que virá via gene, da ex que me queria saudável e da boa amiga que diz, quase suave: Fernando, você sabe que engordou demais nos últimos anos.
E, contra mim mesmo, reflito bêbado e falsamente profundo: melhor ter pança do que não ter alma.
Lembro de todo mundo e da última louca. Tento entender porque eu e as loucas nos aproximamos e tentamos, sempre com muita incompetência, nos envolver. E fico apavorado ao cogitar a coisa triste e óbvia: era claro que não daria certo.
E insistir no que não dá certo é a sabotagem mais clássica de toda auto-ajuda.
Agora ouço bebop e concluo que trompete é bem mais tesudo que violões, pianos e sambinhas tradicionais tocados por garotos da zona sul.
Eu já falei sobre alma nesse post, não falei?
-
Mais um cigarro pra dentro e a infelicidade de imaginar que a vida longa parece ser a vida saudável.
É que preferia morrer velhobemvelho e fumante e bebendo e sem exercícios.
Mas quem sabe o que?
E o que seria da regra sem a exceção?
A cerveja é gelada, o cigarro é mais prazeroso do que imaginam os não-fumantes e meu pau, bem... meu pau ainda impressiona as adolescentes de Botafogo.
7 de setembro de 2010
queria bem enfiar-lhe a pica. seria minha maneira mais sincera de lhe dizer saudades.
você igual, você eufórica.
eu dentro e você soltando aquele riso frouxo e dizendo meio idiota "- você por aqui?"
o afeto seria uma linguada no rabo.
depois banhozinho e casa. nada de conchinha, nada de pé gelado, nada de "bom dia, faz café?"
ligaria a TV e acenderia um cigarro. olharia meu pau melado e passaria meu dedo no prepúcio.
o cheiro de látex da camisinha.
a maldita camisinha, a maldita camisinha.
4 de setembro de 2010
Estranho e lento.
- Daqui a pouco devo esquentar a pizza. Lembro de J me acusando pelo excesso de pizza.
- No som um Nick Cave que é do Renatinho. Ouço, mas nem sei se gosto. Penso, com minha pança branca e mimada, que é le-ê-gal ouvir Nick Cave.
- Daí lembro do Bortolotto quando ele fala que ta ouvindo um disco. E sempre parece que ele tá ouvindo o melhor disco do mundo. E várias vezes ouços os discos que ele diz, mas nem é igual. O lance é o jeito como ele diz.
- Amanhã, após 2 meses, não haverá peça. Era cansativo a obrigação de todo fim de semana chegar cedo ao teatro e arrumar as coisas. Depois torcer pra que houvesse platéia e que o espetáculo fosse bom - porque teatro (quem faz, sabe) nem sempre é bom.
- Matava minhas tardes de sábado e domingo, mas ajudava a dar sentido pra vida. É besta, eu sei. Mas é real: com aquela peça em cartaz eu não tinha nenhuma dúvida de que eu participava do mundo.
- Penso que preciso de uma foda. De uma BOA foda. Foda-Fantástica. Aquela coisa de trepar e realmente sentir a plena descarga sexual. Sentir a morte durante o orgasmo e não se importar. Se abandonar praquela buceta que envolve seu pau e, secretamente, pensar: morrer ou viver não é importante.
- Imagino M me dando. Ela chega até mim, se apresenta e diz algo fatal. Fico cheio de medo. Entendo que se eu quiser treparemos e me apavoro. Desconfio do porquê M me daria e fico triste ao lembrar que ela lê meu blogue e que, muito provavelmente, quer me dar apenas para ler o que escreverei depois. A vaidade de mão dada com uma enorme bobagem. Como M não mora no RJ, eu me acalmo.
- Tem uma foto que vi num blogue aí. A foto era de uma garota. Esse blogue aí é de uma garota que é mãe de uma garota de uns 12, 14 anos. E achei que a foto era da filha e não da mãe-dona-do-blogue. Por sei lá que motivo, na solidão livre da internet, me senti profundamente constrangido. Até hoje, quando vejo esse blogue aí, lembro disso e me constranjo. Quem explica? Freud não, eu acho.
- Delirei com uma resposta. Sempre deliro com essa resposta que nunca veio ou virá. Talvez a cisma católica dos milagres, talvez o gosto pelo impossível ou, talvez, apenas o medo de nunca ter algo como aquilo. Porque o real é constrangedor e estranho. E quando o real é belo é ainda mais estranho e constrangedor.
- Coisas existiram. E, quando as vejo à distância, sinto a tristeza mais bonita do mundo. Acho até que sinto paz.
2 de setembro de 2010
A realidade e toda sua merda tacanha.
Comezinho é a palavra. Acho que é assim que escreve.
Então eu mesmo enfio o dedo no meu cu e me pergunto com ares filosóficos:
- é isso mesmo que quer rapaz, é esse mundo comezinho que deseja?
E fico com cara de bundão e faço mil contas loucas e inúteis:
de um lado a aceitação da merda morna que está aí à ser cagada; de outro as grandes diarreias cheias de cólicas.
Troca-troca de misérias e outras jogadas.
(Lembro da adolescente de 14 anos que me olhou no metrô. Ela me dava mole entre Botafogo e Catete. Me dava mole por conveniência: uma garota de 14 anos descobrindo que sua sexualidade é uma maneira legítima de chamar atenção. Eu era seu objeto e topava. Ela fazia caras e bocas e mexia nos cabelos. A mãe notou. Olhou pra mim com desprezo e chamou atenção da filha. Eu continuei olhando pra ela e ela olhando pra mim. Troca-troca de misérias, eu disse - e foi o que me fez lembrar disso.)
Joga-se por tédio ou por diversão. A moeda, que é a mesma, roda no ar e finge ser a portadora da sorte ou do azar.
Quem suporta? Quem entende?
Conta gotas de sim ou não. A humanidade diante do precipício e com apenas duas respostas: sim ou não.
É triste, é triste a beça.
Tantas coisas ditas para chegar à palavras com apenas três letras.
Tédio tem cinco e parece melhor. Assim como raiva, cisma e sumir.
Eu me defendo. Acho normal se defender. E normal não é bom. É o que é. A fatalidade de dizer pra si mesmo: - pois é, bem que comia a garota do metrô com 14 anos.
Porque toda essa patetice e esse sei lá indiferente é a merda sem cólica que chamamos de maturidade.
E nos achamos esperto por isso! E vibramos com nossa constatação imbecil: - estamos velhos...estamos velhos...
E nossa constatação imbecil é mais uma manifestação comezinha do maldito e enorme mundo. Que era melhor não pensar, não saber. Mas é tarde demais:
não somos vira-latas ou crianças, e nem gostamos desse papo.
Então o lance é peidar e criar blogues.
A homeopatia e doses mínimas que saciam.
Sei lá o que e sei lá quem.
1 de setembro de 2010
Nunca consigo falar o que penso naquela hora e praquela pessoa.
Só ela só ela.
E também o manto lindo e azul que a vesti e assim ficou.
E gosto.
Que ela é minha porque a invento.
E é bom.
A única mulher minha será inventada.
Quase bonita a minha limitação.
Como se falar ou escrever pervertesse pureza.
Como se purezas existissem.
Só ela só ela.
E também o manto lindo e azul que a vesti e assim ficou.
E gosto.
Que ela é minha porque a invento.
E é bom.
A única mulher minha será inventada.
Quase bonita a minha limitação.
Como se falar ou escrever pervertesse pureza.
Como se purezas existissem.
30 de agosto de 2010
minha santinha.
A única Balzaca que importa
dança e comemora
longe de mim
como nunca.
Minha melhor
invenção,
a ternura
mais fina
na carta
futura.
27 de agosto de 2010
pra entender o mi-mi-mi
Ficou uma azia. E também um gosto velho na boca. O mundo chato. O mundo chato e besta em suas eternas repetições. Eu me repetindo diante do mesmo furacão.
Não há comoções ou delírios. Há insistência na própria loucura. E não vejo graça nessas loucuras. Que tenho a couraça fraca e me abalo. Que tento entender o que não é pra ser entendido.
Fiz o que pude. Ignorei as ligações, bebi as cervejas e até mandioca eu fiz. Mas há essa paisagem e esse disco arranhado. Um corpo que resiste e empurra depois de puxar e dizer sim.
Sejamos amantes, sejamos amigos, sejamos primos. E a confusão parece um fetiche sem sentido e sem descarga sexual.
O Budão Gordo se chama Sidharta Gautama, ela disse.
Minha culpa, minha máxima culpa.
Deveria ter previsto o óbvio.
25 de agosto de 2010
Budão, blogue, punheta e outras jogadas.
Volta e meia escrevo com papel e caneta/lápis. Não acontece muito, mas acontece. Geralmente nas beiradas dos livros que levo pro bar. Sou um tipo de idiota que leva livros pro bar. Isso, claro, quando vou beber sozinho. E bebo sempre sozinho.
Gosto de ficar no bar bebendo sozinho: uma cerveja, duas páginas lidas e três bundas que passam.
Eu mesmo, muito prazer.
Noite dessas peguei um caderninho que eu tinha comprado pro mestrado e escrevi nele. Raciocínio de índio gordo: meu computador não tem internet aqui / escrever é vício as vezes / nas aulas do mestrado nunca anoto nada de fato / caderninho bonito de capa dura e preta / escrever combate o tédio e pode até substituir a punheta.
Daí que nesse caderninho tem um treco legal. De um lado minhas ânsias de santo: F., se escreveu aqui é pra ficar aqui. De outro minha tara substituta de punheta e outras jogadas: atualiza o blogue, atualiza o blogue.
Então lembro do Buda gordão e machista me dizendo: caminho do meio, ponderação, blá-blá-blá.(O Buda gordão e machista me toquei a pouco. Com a autobiografia de uma mulher que tô lendo. Nunca tinha ficado tão claro o quanto o "Oriente-Exemplo-Pra-Mulheres-Moderninhas" é machista. Mulher apenas geme e, de preferência, baixinho e dolorido como uma gueixa. Budão Safado! Nem casou, o espertinho!.)
Com o Buda à tira colo faço mil planos imbecis: atualizo o blogue falando sobre atualizar o blogue, o escrito treco-legal do caderninho deixo programado pra quando estiver em Sampa e, finalmente, nem toco punheta nem nada - apenas whisky e cigarrinhos.
(Será que o Budão, cheio de machismo galante, me recriminaria pela fumacinha?)
Seja como for, meus conflitos estão resolvidos.
Termino minha bebedinha e lembro da bundinha cheia de suor que voltava da academia. Ela era gostosa, mas não era bonita... vai entender.
Ah, se ela me desse... Ah, se Budão bebesse comigo no Coimbra... Ah, se a pornografia fosse menos violenta e o sexo mais simples...Ah, Ah...
Bem que podia ganhar na MegaSena e me desprender... Ah, que se desprender é tão bonito... Ah, que eu adoraria descobrir que tenho um filho de 9 anos... Ah, se a garota do sul me quisesse em Manaus...
Ah, nem Budão nem MegaSena...
Ah, eu...
Ah, eu mesmo...
Ah, muito prazer...
Ah, garota do sul...
Ah, diz que volta...
Ah, nossos filhos sem nome...
24 de agosto de 2010
a moça do bar.
Esperança depositada no bebêzinho que morreu antes da hora. Os olhos bem abertos e o sorriso frouxo que aparenta sempre dizer adeus. A ternura é um laço no pescoço e as mãos, magras e frias, gostam de acariciar os vira latas. Ela não liga quando a gata prenhe que caça ratos no pé-sujo se roça em suas pernas.
Bebe sempre uma cerveja e dois velhos com limão. Toda noite, toda noite. Melhor do que os remédios pra dormir, ela disse.
Ontem mesmo ela me perguntou se eu tinha filhos. Foi quando falou do bebêzinho morto. Agora entendo porque ela tem aquele sorriso que sempre diz adeus.
Bebe sempre uma cerveja e dois velhos com limão. Toda noite, toda noite. Melhor do que os remédios pra dormir, ela disse.
Ontem mesmo ela me perguntou se eu tinha filhos. Foi quando falou do bebêzinho morto. Agora entendo porque ela tem aquele sorriso que sempre diz adeus.
22 de agosto de 2010
Olhando pro céu.
A cabeça cheia de merda e também sangue e massa cinzenta.
A vida inteira - passando e indo pra frente. Seja lá o que isso for.
Tem também os videos do youtube ensinando como viver melhor, como ser feliz e outras bobagens do tipo. Todo velho, ao ser questionado sobre a morte e a idade, faz ares de sábio.
Uma vez vi um velho falando mal da morte e da velhice. Não lembro quem era, mas era um velho famoso (Paulo Autran?) e ele dizia de como era ruim o corpo fraco e a morte eminente. Parecia sincero e muito mais sábio do que os outros velhos.
Ontem, por acaso, encontrei com A. Falei da minha peça.
- no domingo tô aqui. no domingo nunca tem nada pra fazer. não que hoje tenha algo pra fazer.
É por essas que gosto de A. E pelo mesmo motivo prefiro o velho que falou mal da velhice.
A vida é muito mais idiota do que gostaríamos que fosse.
O que não quer dizer que a vida seja ruim ou que não haja as grandes euforias de plenitude.
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