6 de julho de 2010
beiradinha.
dizer eu te amo e depois até logo. contar vantagens pra idiotas e entregar cartões com nome, número e e-mail. bater palmas e sorrir. espremer cravos em coxas bonitas e ir ao cinema sempre aos mesmos horários. cultivar paixões. inventar amores. ver a morte e oferecer um chocolate. ser descolado e simpático. criar um blogue. alimentar um blogue. usar o blogue pra punhetas antigas. eu te amo e até logo. cortar o cabelo e aparar a barba. falar sobre as mulatas fantásticas que adoraria comer. ligar a TV e ver a TV. perceber a eficiência americana. punheta. punhetas pras milfs. as milfs. freudinho caolho sussurrando vai lá, garotão. os fuzis pra fora do carro dos policiais cariocas. a jogoda. a passagem comprada. nova iorque, bayb, nova iorque! festivais que elogiam seu períneo. festivais sem festas em bela escala industrial. a boca seca e o elogio mais imbecil do mundo fazendo você se sentir muiiitoo bem. a punheta. o pau mole. a buceta. o desejo achando que é mais que desejo. a punheta. a foda fantástica. o blogue, o blogue, o blogue. a desculpa recalcada em atitudes generosas. a mentira, a punheta, o blogue e as paixões sazonais. o jogo. a alemanha fudendo o maradona. a tristeza. a tristeza e a fuga. o equilíbrio. o buda-gordão de costas pra rua: clássico, clichê e eterno. o budão.
4 de julho de 2010
)(
Vejo uma garota de bicicleta. Penso que poderia ser você. Estou atravessando a rua e estou sem óculos. Espremo meus olhos em frente a padaria pra tentar distinguir alguma coisa, mas sem sucesso. Acho que não era você. Concluo que achei que poderia ser pelo jeito que a garota pedalava - com força na parte da frente das pernas. E também por ser uma garota grande em uma bela roupa florida.
Volto pra casa com as cervejinhas e o cigarro e penso que beleza seria:
Você me atropelando com sua bike como numa comédia romântica americana.
Câmera lenta: meu passo na rua, o pneu da bicicleta batendo na minha perna e nós dois caindo atrapalhadamente (comédia, lembra?).
Daí a gente se levantava e se via. Agora teria aquele maravilhoso clichê do tempo que pára quando os dois amantes se olham no olho um do outro. Câmera lenta abruptamente interrompida. Os amantes se reconhecem:
- não acredito.
- nem eu.
- você não olha por onde anda, não?
- você não sabe andar de bicicleta?
- você sempre me atrapalha!
- você que me atrapalha! Quem mandou passar de bicicleta em frente à minha casa?
- ah...a culpa é minha, né? A rua é sua, né?
- que idiota...olha só o que você fez...
- e você...olha aqui, olha aqui!
- machucou?
- um pouco...
- deixa eu ver.
- ai!
- tá doendo?
- claro, né?
- deixa eu dar um beijinho que passa...(beija)
- que nojo!
- o quê?
- beijar meu joelho esfolado! que nojo! é bem a sua cara isso! se mete na minha frente, faz eu cair e machucar o joelho e depois acha que um beijinho resolve...você se acha, né? aposto que acha que eu passei aqui de propósito, né? cara, sério...você é muito...
- (ele interrompe a fala dela com um beijo na boca)
- você é louco!
- você é linda!
- cara...você não pode fazer isso não...acha que eu sou o quê? você se mete na minha frente, faz eu cair e agora vem e faz de conta que...
- (interrompe a fala e a beija)
- que mania, cara!
- você é linda!
- olha, para com isso...acha que eu sou criança, é? acha que falando isso, você vai...
- (interrompe a fala e a beija. beijo mais longos que os anteriores)
- cara, você é muito idiota, sabia?
- sabia.
Ele se levanta e a ajuda se levantar. A câmera se afasta. Vão pro canto da rua. Não ouvimos mais o que eles dizem, mas o padrão se repete: ela falando e ele a interrompendo com beijos. A câmera se afasta cada vez mais. Os dois viram apenas dois pontinhos distantes no meio da Rua da Passagem.
---FIM---
3 de julho de 2010
du bar.
Vejo garotas lindas que passam de cabelo molhado pelas ruas de Botafogo.
Agradeço a distância imaginando que seus cabelos estãos cheios de creme pós-lavagem.
Penso nas vantagens da distância e lembro da garota mais linda do Sul e Sudeste do país:
gostosa, tesuda, impossível e casada.
Perfeita, em outras palavras.
1 de julho de 2010
"eu ligo o rádio e bláblá..."
Reviro meu caderno porque desejo atualizar o meu blogue. Não acho nada e venho aqui. Vaidade velha de guerra pondo as manguinhas de fora. Tanta bobagem, meu Deus, tanta bobagem!
Se minha vaidade fosse mais eficaz, se, além de desejar atualizar meu blogue, eu quisesse, por exemplo, conquistar uma fortuna... sei lá...me soaria mais decente.
É estranho admitir que a minha punheta me satisfaz. Se, além de ambicioso, eu não julgasse minha ambição seria melhor, é minha conclusão.
Mas fazer o quê? Tenho tesão em enfiar o dedo na minha cara e me acusar. Gosto disso em mim e gosto disso nos outros. Auto acusação é algo que aprecio.
Então olho meu umbigo e penso em mim. É bacana ser eu mesmo. Mas não porque eu me adore. É porque, acho mesmo, falta humor e deboche nos outros.
E humor e deboche, a gente já aprendeu, precisa de um mínimo de auto crítica - como o Kaufman notando a farça de um curandeiro.
Se minha vaidade fosse mais eficaz, se, além de desejar atualizar meu blogue, eu quisesse, por exemplo, conquistar uma fortuna... sei lá...me soaria mais decente.
É estranho admitir que a minha punheta me satisfaz. Se, além de ambicioso, eu não julgasse minha ambição seria melhor, é minha conclusão.
Mas fazer o quê? Tenho tesão em enfiar o dedo na minha cara e me acusar. Gosto disso em mim e gosto disso nos outros. Auto acusação é algo que aprecio.
Então olho meu umbigo e penso em mim. É bacana ser eu mesmo. Mas não porque eu me adore. É porque, acho mesmo, falta humor e deboche nos outros.
E humor e deboche, a gente já aprendeu, precisa de um mínimo de auto crítica - como o Kaufman notando a farça de um curandeiro.
30 de junho de 2010
minha gorda emergente.
Os olhos tinham ficado pequenos e ela tinha engordado. Eu não gosto de mulher gorda porque eu sou gordo. Tenho preconceito com casais de gordos. Imagino dois gordos trepando e vejo um balé horroroso.
Ela continuava legal. Legal. Eu sei lá o que quer dizer legal. Um monte de gente é legal. Eu sou legal. Ela é legal. O mundo é legal. Legal é pura bobagem.
Gorda e legal. Pensei nisso e não descobri nada. Se fosse feia e burra, linda e inteligente ou legal e simpática eu até entendia. Mas gorda e legal não me ajudou em nada.
No bar eu tentava achar um monte de solução pras coisas sérias. Eu não conseguia. Olhava os camaradas do balcão e torcia, secretamente, pro time da Argentina. Eu era justo. Dois gordos trepando...meu Deus!!
Quando deitei meu pulmão apitou. Cada aspirada era um piiiii. Maldito cigarro. Cerveja aumenta os cigarros. Sorte que não uso cocaína. Aumentaria a cerveja e, consequentemente, os cigarros. Sorte. Piiiii.
Punhetinha pra dormir melhor: natural e inofensivo. Vou imaginar a gorda de olhos pequenos. Vai, vai! Come a gorda, cachorrão!
Até que gozei legal. Devia comer essa gorda. Minha casa não tem espelhos e nem precisamos de motel. Gorda bacana, deve arregalar os olhos quando goza.
O lance é me preparar pra gorda. Vou dormir pensando na gorda. Gorda com olhos arregalados deve ser um barato. Vou dormir pensando na gorda.
Dorme, cachorrão, dorme! Dorme e sonha! Sonha com a gorda, cachorrão, sonha!
29 de junho de 2010
- auto ajuda -
pra pôr as garras e ligar o foda-se. e se incomodar menos e viver melhor. e não querer nada muito. e entender que ser morno não é pecado. não se preocupar com a verdade e berrar para impressionar: "- não acredito em verdade e mentira, em bem e mal, em claro e escuro...transcendi...estou além das diferenças."
e mais importante do que berrar essa bobagem, é crer nessa bobagem.
assim, plenos de bobagens, nos sentiremos ótimos e livres.
28 de junho de 2010
conto histórias.
Conto histórias.
-
E também vejo o jogo Argentina X México no bar.
Torci pro México se aproximar no placar, mas não deu certo.
Ta lá o Maradona com seu carisma de bandido.
Ta lá eu, no bar, querendo que o México empate
para que haja mais jogo.
Sou uma criança e sou um romântico.
Quero o que não tenho
e privilegio o impossível.
Ponho minhas manguinhas de fora.
Eu mesmo,
muito prazer.
-
Em casa, abro arquivos e reviso sonhos.
Sou uma criança que ouve CBN
e espera o Gikovates e suas soluções.
Como se fosse simples.
Como se fosse simples e possível.
Eu mesmo, muito prazer.
-
Minha diversão sou eu mesmo e os meus.
Minha velha mania de separar o joio do trigo.
Eu pago meu preço
e troco alhos por cebolas.
Eu mesmo, de novo.
-
Mas há a noite com lua cheia
e os gritinhos que se empolgam.
Eu trepo por aí,
pagando mais ou menos,
eu trepo por aí.
O discurso é que
alma e sexo
não se confundem facilmente.
-
Eu me sinto bem.
Mesmo mentindo,
eu me sinto bem.
Em outras palavras: eu me defendo.
-
Então faço de conta
e finjo que os prazos de agora
só precisam de definição no futuro.
Eu também jogo,
mesmo quando prefiro não jogar.
É o preço que se paga.
-
Eu mesmo,
muito prazer.
-
E também vejo o jogo Argentina X México no bar.
Torci pro México se aproximar no placar, mas não deu certo.
Ta lá o Maradona com seu carisma de bandido.
Ta lá eu, no bar, querendo que o México empate
para que haja mais jogo.
Sou uma criança e sou um romântico.
Quero o que não tenho
e privilegio o impossível.
Ponho minhas manguinhas de fora.
Eu mesmo,
muito prazer.
-
Em casa, abro arquivos e reviso sonhos.
Sou uma criança que ouve CBN
e espera o Gikovates e suas soluções.
Como se fosse simples.
Como se fosse simples e possível.
Eu mesmo, muito prazer.
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Minha diversão sou eu mesmo e os meus.
Minha velha mania de separar o joio do trigo.
Eu pago meu preço
e troco alhos por cebolas.
Eu mesmo, de novo.
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Mas há a noite com lua cheia
e os gritinhos que se empolgam.
Eu trepo por aí,
pagando mais ou menos,
eu trepo por aí.
O discurso é que
alma e sexo
não se confundem facilmente.
-
Eu me sinto bem.
Mesmo mentindo,
eu me sinto bem.
Em outras palavras: eu me defendo.
-
Então faço de conta
e finjo que os prazos de agora
só precisam de definição no futuro.
Eu também jogo,
mesmo quando prefiro não jogar.
É o preço que se paga.
-
Eu mesmo,
muito prazer.
27 de junho de 2010
no apartamento.
Preparo meu sanduíche de atum com salada e queijo. Não quero sair, não sinto vontade de ir à festinha. As mesmas pessoas de sempre e eu o de sempre também. Prefiro meu sanduíche de atum e jujubas. Hoje comprei jujubas. Gosto de jujubas.
Há novos canais na TV. Em um os roteiristas americanos criam grande frases de efeito como "Mentir para um homem morto é como mentir para si mesmo", em outro há suecas com peitos enormes, risadinhas e vozes anasaladas dizendo "oh, yes! Oh, God!".
Então como meu sanduíche e troco entre os dois novos canais.
É sábado a noite e na festinha devem estar falando sobre a lua.
Melhor ficar em casa.
26 de junho de 2010
A velha confusão. Ouve-se estalos e imagina-se fogos de artifícios. De um lado o barulho seco, curto e passageiro. Do outro o vislumbre de um céu que brilha pela queima da pólvora. O equilíbrio precário e a eterna corda bamba. Há também os sorrisos amarelos e os belos dentes brancos de Deus.
Em outras palavras: às vezes é bem difícil se decidir.
25 de junho de 2010
No último dia vou na peça do Domingos Oliveira. Gosto da peça porque gosto do Domingos Oliveira. Quero dizer que não tenho nenhum distanciamento e que estou lá para ver o que sei que gostarei. A peça é boa, já tinha lido e tudo. Mas ler teatro é sempre meio chato. Falta o teatro da coisa. E o teatro da coisa tava lá. Com o Domingos e os atores e a direção do Domingos e aquilo que eu sempre entendi e entenderei.
Ele fala da familia dele. Ele fala dele. Ele fala dele do jeito que entendo e aprecio e admiro. Vejo um monte de graça que, secretamente, penso que só eu entendo.
O Domingos tá velho. Infelizmente deve morrer nos próximos 20 anos. Mas ele tem essa coisa positiva/otimista que meio que me constrange. Porque é real. E porque eu não tenho isso, mas me sinto profundamente contemplado quando vejo ele agindo nesse lugar.
No finalzinho da peça, ele aparece como Domingos. Explico: ele sempre é ele - mesmo quando vestido de velha -, mas, nesse momento, ele é ele representando à si próprio. E ele tá falando: do tempo, das pessoas, dele mesmo e da vida. Mas ele é foda. E sabe falar. Causa encanto quando fala.
Finalizou com algo como: "e ele (o personagem dele jovem) tá aqui, vivo e fazendo teatro". E o Domingos, o real, tá super feliz com aquilo. E quem tá na platéia nota isso. É bonito. Bonito pacas. O Domingos, que admiro, felizão com aquilo.
Bato palmas entre os estranhos que não são o Domingos e saio. Vou no banheiro pra mijar e choro. Choro não pela peça, mas pela vitalidade do Domingos - que admiro e invejo. Velho filho da puta me deixando no chinelo.
Volto e bebo cervejinhas. Penso na vida e prefiro o Domingos. A vida parece mais justa ou decente quando penso nisso. Espero que o puto viva mais de 100 anos - como a Dona Moçinha.
Ele fala da familia dele. Ele fala dele. Ele fala dele do jeito que entendo e aprecio e admiro. Vejo um monte de graça que, secretamente, penso que só eu entendo.
O Domingos tá velho. Infelizmente deve morrer nos próximos 20 anos. Mas ele tem essa coisa positiva/otimista que meio que me constrange. Porque é real. E porque eu não tenho isso, mas me sinto profundamente contemplado quando vejo ele agindo nesse lugar.
No finalzinho da peça, ele aparece como Domingos. Explico: ele sempre é ele - mesmo quando vestido de velha -, mas, nesse momento, ele é ele representando à si próprio. E ele tá falando: do tempo, das pessoas, dele mesmo e da vida. Mas ele é foda. E sabe falar. Causa encanto quando fala.
Finalizou com algo como: "e ele (o personagem dele jovem) tá aqui, vivo e fazendo teatro". E o Domingos, o real, tá super feliz com aquilo. E quem tá na platéia nota isso. É bonito. Bonito pacas. O Domingos, que admiro, felizão com aquilo.
Bato palmas entre os estranhos que não são o Domingos e saio. Vou no banheiro pra mijar e choro. Choro não pela peça, mas pela vitalidade do Domingos - que admiro e invejo. Velho filho da puta me deixando no chinelo.
Volto e bebo cervejinhas. Penso na vida e prefiro o Domingos. A vida parece mais justa ou decente quando penso nisso. Espero que o puto viva mais de 100 anos - como a Dona Moçinha.
23 de junho de 2010
consulta.
Segundo a astróloga tenho sentido tesão nas pessoas erradas.
Eu tentei explicar.
Disse que não era tão simples.
Que haviam mulheres que só eu enxergava a potência.
Ela disse bobagem, bobagem e foi logo tirando o tarô pra confirmar o meu erro.
Falou que a loira era o problema. Que eu tava preso à ela, a loira.
Quando eu falei que não conhecia nenhuma loira, ela me xingou.
Disse que eu era medroso, que eu era incapaz de assumir meus sentimentos.
Eu desisti e paguei os 150 pila.
Fiquei pensando na loira.
Quem será essa maldita loira que amarra a minha vida, hein?
21 de junho de 2010
O único calor verdadeiro e um prenúncio de morte no ar.
Queria entrar dentro de você pra tentar descobrir alguma paz. Sua santa buceta e meu pau sem borracha buscando compreender o que nunca foi dito. Nem me mexeria. Ficaria acoplado, em volto em suas carnes e fixaria meu olhar em seu rosto. Tentaria notar se existe algo de muito antigo em seus traços que só eu veria e que, portanto, seria apenas meu. Mulher ancestral e buceta-cova me arrancando do dia após dia e do conta-gotas fatal.
Dentro de você. Apenas o pau e a buceta. Os corpos pelados. E meu olhar fixo para enxergar o que ninguém nunca viu. Poderia morrer ali, dormir ali, dissolver ali e - quem sabe - por um tipo de mistério, ser sugado lá pra dentro e ver as ranhuras, o útero e as trompas. Perderia lentamente meu ar e veria o caixão se fechando, mas morreria calmo porque, finalmente, o impossível teria se materializado.
19 de junho de 2010
meu anti câncer.
às vezes sinto vontade de morder e dar porrada. idiotas atrapalham sua vida. fazem idiotias e você fica lá: resolvendo merda de terceiros. e nem são grandes merdas. são merdas médias, nem fedem direito. e lembro de outros idiotas que não entendem a raiva, o ódio e a violência. uma paz forjada pela indiferença. nada é muito pra essa gente. tudo é normal pra essa gente. jogo que não arrisca. opinião que não se compromete. é o nelsão dizendo: "se cai uma bomba atômica na cabeça deles, apenas dizem: - morri."
indiferença morna à ser cuspida pelo bom Deus.
É um mundo velho e engraçado. A gente se repete e ta aí: metendo o nariz onde não é chamado. E se parar pra pensar, você estará na merda. Pensar é, muitas vezes, o grande masoquismo enrustido.
Então coço meu saco e toco punheta.(Dediquei pra você, bonita.) Fico fazendo contas e planos. Até revisões eu faço. Há os cigarrinhos e os livros. Há também o Gikovate na CBN.
Eu me divirto, confesso.
Então coço meu saco e toco punheta.(Dediquei pra você, bonita.) Fico fazendo contas e planos. Até revisões eu faço. Há os cigarrinhos e os livros. Há também o Gikovate na CBN.
Eu me divirto, confesso.
17 de junho de 2010
minha vantagem é não sofrer de bruxismo.
A verdade é que mulheres me perturbam. Assim que deixo uma entrar na minha vida fico na merda e sofro mais do que preciso.
"Mulheres são mais perigosas que espingardas", ouve o M. Corleone antes de se aproximar da mulher por quem ele acabará se apaixonando.
É isso. Mulheres são perigosas e eu me sinto tremendamente ameaçado. De um dia pro outro lá estou eu ouvindo dela o que não deixaria ninguém falar.
E é terrível.
Porque o que ela fala, na hora em que ela fala, eu escuto. Ela diz: você é louco. Eu digo: tem razão, eu sou louco.
E, vejam, nem acho que eu seja louco, mas quando ela fala parece ser uma verdade.
Mulheres - não todas, mas algumas - me influenciam de um jeito fatal e cego que eu nem sei se aprecio.
Acabo ficando com a bunda de fora, na mão do palhaço e cheio de dúvidas que nem são minhas. Eu me influencio demais. E, nessas, eu perco a mim mesmo e falo coisas que nem penso ou imagino.
Em outras palavras: eu sou fraco e me deixo levar.
Por um lado, tudo certo. Se for uma grande paixão, que seja: estou aí e não vou resistir por orgulho.
Por outro lado, que merda: mulheres sentem prazer em influenciar um tipo fraco como eu, mesmo que estejam cagando.
Então eu jogo amarelinha com as crianças do prédio e vou ao médico sozinho.
Por incrível que pareça sei me cuidar e até vivo bem - ainda que sem acreditar na aceitação-total budista ou no tudo-pode-ser neo hippie.
Eu sou eu e tenho meus preconceitos. Meus preconceitos valem a pena por dois motivos:
1 - são reais, mesmo que errados.
2 - o fato deles serem errados não quer dizer que não façam sentido.
E também porque tenho a arrogância de me sentir livre pra mudar de opinião quando é o caso.
No mais, minha costela fraturada e um analgésico sublingual que custa R$ 1, 90 a unidade.
É um mundo cheio de gracinhas, não é?
Eu acho.
"Mulheres são mais perigosas que espingardas", ouve o M. Corleone antes de se aproximar da mulher por quem ele acabará se apaixonando.
É isso. Mulheres são perigosas e eu me sinto tremendamente ameaçado. De um dia pro outro lá estou eu ouvindo dela o que não deixaria ninguém falar.
E é terrível.
Porque o que ela fala, na hora em que ela fala, eu escuto. Ela diz: você é louco. Eu digo: tem razão, eu sou louco.
E, vejam, nem acho que eu seja louco, mas quando ela fala parece ser uma verdade.
Mulheres - não todas, mas algumas - me influenciam de um jeito fatal e cego que eu nem sei se aprecio.
Acabo ficando com a bunda de fora, na mão do palhaço e cheio de dúvidas que nem são minhas. Eu me influencio demais. E, nessas, eu perco a mim mesmo e falo coisas que nem penso ou imagino.
Em outras palavras: eu sou fraco e me deixo levar.
Por um lado, tudo certo. Se for uma grande paixão, que seja: estou aí e não vou resistir por orgulho.
Por outro lado, que merda: mulheres sentem prazer em influenciar um tipo fraco como eu, mesmo que estejam cagando.
Então eu jogo amarelinha com as crianças do prédio e vou ao médico sozinho.
Por incrível que pareça sei me cuidar e até vivo bem - ainda que sem acreditar na aceitação-total budista ou no tudo-pode-ser neo hippie.
Eu sou eu e tenho meus preconceitos. Meus preconceitos valem a pena por dois motivos:
1 - são reais, mesmo que errados.
2 - o fato deles serem errados não quer dizer que não façam sentido.
E também porque tenho a arrogância de me sentir livre pra mudar de opinião quando é o caso.
No mais, minha costela fraturada e um analgésico sublingual que custa R$ 1, 90 a unidade.
É um mundo cheio de gracinhas, não é?
Eu acho.
15 de junho de 2010
Meu fetiche pelo delírio. Meu, só meu. Solidão-solução e outras bobagens. Leio livros de psicologia. Ego na superfície tentando controlar as coisas. Superego como a ameaça real. O ego, primo pobre, leve culpa àtoa. Superego é o problema. Id é a coisa toda - que tudo contém. Não sei se entendi direito, mas não importa. Como a falinha do House:
- mas ele não me ama, ele apenas acha que me ama.
E o House, fodão, responde:
- e qual é a diferença?
Então me infernizo e tomo analgésicos. Tem a babaquice denuncista do CQC na TV e pizza de pão. Minha barba está feita e tenho novos lençóis. Agora só falta conseguir falar com a NET.
- mas ele não me ama, ele apenas acha que me ama.
E o House, fodão, responde:
- e qual é a diferença?
Então me infernizo e tomo analgésicos. Tem a babaquice denuncista do CQC na TV e pizza de pão. Minha barba está feita e tenho novos lençóis. Agora só falta conseguir falar com a NET.
13 de junho de 2010
tombo
A queda meu deixou com dores. Principalmente no lado direito e nas costelas. Deitar e levantar são os novos desafios. A tosse e os espirros como terríveis agulhadas.
O álcool me faz telefonar. Tento mover uma rocha e falo o que não devo. Abro o jogo e deixo minha bunda de fora. As repetidas negativas como agulhas enferrujadas.
Agora tomo chocolate quente e lamento pela queda e pelo telefonema. As agulhas estão aí e, volte e meia, me espeto com elas.
O álcool me faz telefonar. Tento mover uma rocha e falo o que não devo. Abro o jogo e deixo minha bunda de fora. As repetidas negativas como agulhas enferrujadas.
Agora tomo chocolate quente e lamento pela queda e pelo telefonema. As agulhas estão aí e, volte e meia, me espeto com elas.
12 de junho de 2010
aquilo tudo.
Estou falando sobre nostalgia. E também sobre saudades. Incluo no assunto as dores - as grandes dores. Aquelas dores solitárias que, quando ditas para alguém, se tornam ainda mais solitárias e doloridas.
Estou falando sobre solidão e isolamento. Sobre incompreensão. Sobre o tempo escorrendo lento e fatal nos relógios derretidos do quadro do Dalí. É sobre a perda do viço e o enrigecimento dos músculos. É sobre o cansaço de sonhar.
Não é sobre as pombas às cinco da manhã no parapeito da minha janela e não é sobre o fim das minhas séries preferidas.
Estou falando sobre olhos cansados e mortes precoces. Não sobre manchas de pele, paus moles e vaginas secas. É sobre desesperos e suores noturnos. Sobre chorar com comédias românticas, sobre ver velhos e ficar triste, sobre crianças esquecidas diante da escola.
Não tem mais o culpado. Não tem mais o mundo mau. Não tem mais a doença degenerativa que me aleijaria lentamente.
Agora é o oceano imenso me causando arrepios. O céu azul ameaçando que eu caia pra cima. É uma escada de cordas em cima de um balde de lata no meio de um palco vazio. São precipícios particulares e abismos internos.
As tirinhas do Charlie Brown. As tirinhas do Charlie Brown quando o Snoopy tenta escrever cartas de amor e não consegue. A foto do meu pai jovem e eu bêbe em cima da moto CB400 preta.
Estou falando sobre o que era e não é. Sobre memórias idealizadas com o passar do tempo. Sobre o primeiro amor que acaba se tornando o único.
É sobre impossibilidade. Sobre o Tempo-Seta seguindo adiante. Tempo-Trator com combustível ecológico: mais esperto e mais triste.
10 de junho de 2010
Tenho que beber menos e fumar menos. Tenho que exercitar mais meu corpo e sentir mais prazer em ficar suado. Tenho também que conseguir relaxar o esfíncter durante o orgasmo. Preciso de uma bela foda, de um emprego e de mais frutas na geladeira. Seria saudável também sair mais de casa e conhecer gente nova. Talvez devesse ir à terapia de grupo. Tenho que aparar melhor minhas unhas e preciso comprar um sabonete esfoliante para as espinhas da bunda. Tenho que reprimir minha mania de arrancar sebo do coro cabeludo enquanto assisto TV. Deveria acordar cedo e ficar sem fumar até depois do almoço. Talvez fazer ioga e conhecer mulheres calmas em roupas de algodão cru. Tomar chá verde, beber água de côco e andar no calçadão. Poderia perder meu nojo pela Baía de Guanabara. Parar de cutucar o nariz e jogar fora minhas cuecas com elástico esgarçado. Tenho que telefonar pra minha avó e mandar um e-mail pro meu primo. Conseguir contatos para a mini-temporada em São Paulo e, quem sabe, fazer um curso de massoterapia. Tenho que pôr ordem nas pastas, fazer arquivos e economizar na xerox. É uma vida estranha, eu acho. É uma vida bem estranha.
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