22 de fevereiro de 2010

Acordei bem antes do relógio. 4:30. Fritei um pouco, li outro tanto e quando vi que amanhecia, desisti.
Antecipei a lista e fui pra tal caminhada. Gordo caminhando é uma coisa triste de se ver. Digo por mim e pelos outros. Andamos tortos e suamos tanto que chega ser ridículo. Sofri e praguejei, mas fui até o fim. O cérebro frenético e o pulmão apitando quando eu respirava mais longamente.
Já em casa tive o requinte de pegar o pesinho e fazer exercícios para os ombros. Porque meus ombros podem cair segundo os médicos. E dia desses eles tavam doendo.
Até aí tudo certo. A gente é um bicho estranho e patético que fica muito serelepe e faceiro quando faz o que disse que faria.
O foda são os cigarrinhos. Já estou no 2° cigarro do 2° maço. Até tentei marcar o tempo no inicio pra evitar os cigarros que vêm em sequência compulsiva. Talvez tenha dado certo e eu não saiba, já que nunca fiz a conta de quantos tubinhos eu como por dia.
Seja como for, hoje sou um animalzinho satisfeito. Mesmo que o mundo e a felicidade não sejam meu forte.

Pra pisar no chão do inferno.

(Posso dizer que estou livre porque meu pacote foi completo).

1 -
Domingo sinistro nas ventas. O dia mais longo do ano de 2010. Por algum mistério do maldito cosmos é assim que estão todos. A amiga que terminou seu romance, a outra amiga com sua intensidade interna em conflito com seu instinto de preservação e o amigo que, do contra, mas cheio de sentido, se sente bem pela possibilidade de um futuro verdadeiramente novo. Estamos todos lá. Fazemos firulas e implicamos uns com os outros. Por prazer e intimidade.
2 -
O motivo da reunião é nobilíssimo: uma criança que comemora. Cerveja e salgadinhos pros adultos e escorrega e trepa-trepa pras crianças. Um equilíbrio quase perfeito. Claro que há muitas ironias no ar. A tristeza de um casal que finge não ter tristeza, a ruiva-falsa e sua mudança de data de retorno, a mulher mais bonita que é lésbica e nunca olharia pra mim - mesmo que olhe de um jeito que não é o que eu gostaria.
3 -
Mas não importa. Estamos no mundo e ele gira cheio de crueldades. Reparar em flores é sempre uma fraqueza: pra mim, pra nós e pro ser mais poderoso da terra. Em outras palavras: o mundo só gira porque não repara nas flores.
4 -
Volto antes da expectativa. Eles reclamam e argumentam que agora é a hora: a maioria irá embora e haverá cerveja e maconha. Concordo com o bom argumento, mas volto mesmo assim. Ando com uma gravata de Carnaval pelas ruas. Gravata da festa e que pus pela festa. Vermelha de bolinhas amarelas. Passo em frente a uma casa e abaixo a cabeça. A ironia é eterna e o mundo é cheio de gracinhas.
5 -
Decido que devo tocar o chão do inferno. Se a loucura existe eu não posso a ignorar. Na caminhada decido que vou até o fim. Farei o circuito, me entregarei na mão de um monte de trágicos-palhaços e dormirei bem morto hoje. A morte, ainda que me pareça terrível, pode ser a paz.
6 -
Estratégia feita e Coimbra na fita. Faz anos que não vou lá e por isso hoje eu vou. Vou mijar na privada mais nojenta da Z. Sul e vejo as marcas de merdas de vidas passadas. Tento, como um herói sem um dragão, limpar, com o jato do meu mijo amarelo, a bosta ressecada e marrom que está incrustada na louça. Perco a tentativa e assumo que a bosta incrustada é a vencedora. Bebo uma aqui e levo o resto pra casa.
7 -
Bebendo no Coimbra penso em 3 coisas e leio o papel sobre Jesus que fala sobre ovelhas que recebi no meio do caminho. Reparo no jogo de cartas dos caras e acho que é melhor mesmo eu não saber jogar o que eles jogam. Acendo um cigarro pra ver se a lei anti-fumo já chegou aqui e fico contente ao saber que não. Respiro fundo e sinto o cheiro de mijo de cachorro misturado com amônia que prevalece no bar.
As baratinhas passeiam por perto, mas não as deixo passear pelo meu copo. Eu é que mando. Sou um local, um caiçara. Peço o saquinho pras cervejas que levo e ouço a velha e repetida piada machista. Ok, se eu sei do se trata, eu topo.
8 -
Em casa o arquivo aberto e uma ou outra navegada na Internet. Nenhuma novidade e nenhum milagre, infelizmente. Decido o sabor da pizza, mas seguro o pedido. Quando eu for comer é pra dormir. Abro pela primeira vez a agenda/2010, faço uma lista fria e preparo meu dia de amanhã: incluo horário pra acordar e caminhada.
Espero que eu siga a lista. Ela é fria, mas tem bom senso. Decido terminar meu whiskey entre uma cerveja e outra. Como uma despedida com cara de até logo.
9 -
O dia foi longo, mas foi o que poderia ser. É estúpido esperar milagres em paisagens desertas. As coisas são lentas e fatais. "Um dia depois do outro", como diz o velho Buk querendo ser mais razoável e dividido pela briga entre o velho que tá pra morrer e a vitalidade que se sente na alma, mas não no corpo. Porque o corpo, querrendo ou não, sempre envelhece pela ação do tempo.
10 -
Já que todos falaram, eu repito também. É amanhã que o ano começa. Primeira segunda pós Carnaval é a explicação/consolo pra todos que sentem cansaço e outras tristezas discretas. Por isso a lista e os planos repetidos.
O ano não começou e só começará amanhã. Amanhã será bem melhor. É sempre bom pensar assim.

21 de fevereiro de 2010

infelizmente não é um domingo qualquer.

Tomando cafézinho e tossindo todo o excesso de cigarros de uma vida puta. Placas amarelas, verdes e marrons sendo lançadas a cada contração do pulmão. Tosse com direito a bolinhas coloridas no final. As bolinhas do Tim Maia, as bolinhas da pressão.
Antes de dormir e depois de acordar toco uma punheta. Pra ver meu pau alí, pra ver que ele existe e espirra suas coisas. A bandeira de uma dança mal dançada. Um homem e seu pau é uma história pra se contar.
Por todo parafuso e por todo espiral que me puxou, tomo aquelas velhas e sábias decisões:


fumar menos, fazer exercícios, programar a leitura, programar o dia para um melhor rendimento, comer melhor, beber menos, levar as coisas menos à sério, acordar e dormir sempre no mesmo horário, visitar os museus, evitar as gorduras e o açúcar, aproveitar o plano da Amil e ir ver médicos, ver vários médicos, ver todas as modalidades de médicos, terminar o livro, publicar um livro, programar o espetáculo, ficar atento com as datas dos editais e festivais, não esmorecer, ter mil planos, separar as roupas velhas, dar as roupas velhas, limpar os papéis, abrir as pastas, tomar mais líquido, comer mais frutas, descobrir novas pessoas pra trocar cartas, ler os clássicos, se incomodar menos com a máquina, participar da máquina, ir no banco, abrir poupança, viver sem pensar, etc.

E hoje é domingo. E o café é bom e forte. E cagarei lento e de porta aberta - como se expulsar as merdas fosse apenas uma metáfora. Tomarei um banho onde ficarei por 5 min. me alongando e me esforçando para 'não pensar em nada'.
Então me preparo e vou ver uma criança cheia de vida. É a festinha de aniversário dela e eu não comprei presente porque eu sempre me enrolo. 2 anos no planeta e poucas marcas do mundo. A vitalidade que só uma criança e sua animalidade pode ter.
Sinto saudades de um monte de coisas. Lembro de outro monte também. Umas lembranças são ruins e outras bonitas, bem bonitas. Quase tristes de tão bonitas.
Nessa estranha tarde de domingo haverá os amigos, a cerveja e os cigarros e crianças que correm pra lá e pra cá sem nunca parar. A lição possível, o entendimento mais objetivo que se pode ter da vida: fazer.
E por lembranças de domingos de outras épocas, segue a música que quero cantar. A música que me acordava aos domingos em Curitiba com meu pai tomando caipirinha, minha mãe na cozinha e o cachorro na sala.



O egoísmo parece ser a solução. Sou exagerado e louco quando to no mundo em companhia. E não faz sentido. E não é assim. Falo demais, me perco, me confundo, fico inseguro, babaca e chato. Paranóico e perturbado disparando coisas de jeito estúpido, como se tudo que se pensa devesse ser dito, como se a verdade fosse apenas uma questão de falar muito. E não é nada disso .E não haverá nenhum entendimento numa euforia desse tipo. Porque não dá, porque se deve concentrar em uma ou duas coisas e não deixar 30 rodar dentro do seu cérebro. Como um carrossel suicida. É insensibilidade, burrice. É não entender que o tempo precisa existir, que a calma precisa existir, que as coisas correm lentas e podem, ou não, evoluir. Porque a chance é a mesma, o risco é o mesmo. Mas eu teimo e quero tomar pela mão o impossível. Destruir à barrigadas. Ser um Quixote sem charme e sem nexo. Uma chatice de confusão que o mundo em companhia me desperta. Com outros horários, outras interferências, com palavras que não conheço e datas que esqueço. O cúmulo de ser eu mesmo. A explicação do isolamento e um sol sem Lagoa ou Praia. Um sol que aquece e queima. Que faz queimaduras de terceiro grau. Um sol que queima porque não uso o bloqueador. Porque o sundown tá alí do lado, mas eu não uso. Porque não sei ser eu com os outros. Porque o eu sozinho tem alguma chance de paz. E o eu com os outros, pra ter paz, tem que antes passar pelo inferno.

20 de fevereiro de 2010

É apenas disso que se trata.

Passo os amigos em revista. Últimos dias assim: 1° Z e A, 2° J e 3° F.
É bom e saudável. É a hora que olho pra mim mesmo no espelho e digo com orgulho: você também participa do mundo.
A unidade está na pergunta: voltou quando?
E a resposta se sempre é: terça passada, a outra.
E todos, em dias diferentes, mas em uníssono: mas por que voltou antes do carnaval?
E a única resposta se manifesta: porque não aguentava mais Curitiba.
E todos riram e eu ri também nas 3 diferentes vezes. É isso que faz eu os chamar de amigos.
Porque não tenho muitos amigos, porque me parece mais decente não ter muitos amigos e porque não confio em quem acha que todos os seus contatos de orkut/facebook são seus amigos.
Me entendo com poucos, mas me entendo com os que importam. E, pra mim, é só isso que conta.
Conhecer gente nova é legal, mas, na média, só confirma um velho caga regra meu que eu roubei do último discurso inspirado do Caetano: o juri é simpático, mas é incompetente.
E penso no porque desses serem os amigos. E acho que o que eu acho é um absurdo, mas mesmo assim é a única resposta que tenho: porque eu e meus amigos temos os mesmo valores.
(ok, ok, eu sei que valores é uma palavra antiga e estúpida. ok, ok, eu sei que valores é coisa do Maluf quando condena o sexo anal entre marido e mulher pra ganhar uma eleição. ok, ok, eu sei que o Papa mais sinistro que conheci, o que tá lá agora, usa essa mesma palavra pra condenar a camisinha ou mesmo o sexo apenas pelo sexo que - por mais chatinho que seja - tem seu direito de existir e de ser praticado sem culpa.)
Mas não importa. Eu e meus amigos temos os mesmo valores. E isso não quer dizer que a gente concorde sempre e nem quer dizer que nunca briguemos. Quer dizer que a gente reconhece a grandeza nas mesmas coisas, ainda que com opiniões diferentes. Somos amigos porque as coisas que consideramos grandes são as mesmas. Apenas por isso.
E, claro está, que isso não é apenas.
O que cada um pensa sobre essas coisas é outra história, outra parada. Não é o ponto de convergência e nem precisa ser. Bastar ter o ponto comum e beber e conversar.
É o que eu entendo por um bom papo: falamos da mesmo coisa, ainda que com opiniões diferentes.
E pronto. E basta.
E bastar, e se bastar entre amigos, não é uma coisa que tá no Carnaval ou na paixão pela mesma música do mesmo compositor pop. É uma coisa que se conquista e que precisa de certo tempo para ser plena.
E plenitude é um dos pontos comuns.
E não é pouco, é muito. É apreciar os grandes desejos que se tem. Como quem sente prazer em flertar com o perigo sem nunca se esquecer que é com o perigo que se está flertando.
Por hora me sinto abastecido e pronto pra mais 2 semanas de solidão de doce solidão.
O que não impede os outros encontros ou a lembrança de um outro F, com quem também desejo conversar.


19 de fevereiro de 2010

Minha vantagem é que meu demônio tem chifres e é vermelho.
É alguém.
Ele me conhece e eu conheço ele.
Somos velhos conhecidos, por assim dizer.
Ele é assustador e eu me assusto,
mantemos o respeito, um pelo outro, dessa maneira.
E isso não impede as danças,
longas, lentas e torturantes
que ele exige.
Eu topo,
eu tenho que topar.
Dançar com o demônio é,
muitas vezes,
tudo o que se tem que fazer.

18 de fevereiro de 2010

Idiota Satisfeito.



eu mesmo com minha silhueta arredondada e riso bestial.


Combino de me encontrar com os caras. Papo de macho, jogo de futebol e os cambau.

Me sinto muito macho só de pensar.

Vislumbro a mesa cheia de garrafas, os papos sobre as piranhas e algum comentário sobre a última a matériabomba do Fantástico.

Serei feliz, eu sei. O mundo é besta, eu sei também. Extravasar o ego-falo e contar mentiras pros amigos mais íntimos é uma maravilha, eu vislumbro.

Chego e tá tudo errado.

Três fêmeas: uma ex-mulher-atual-mãe-da-filha-do-amigo, outra ruiva que mora em Curitiba desde os cinco anos, mas que se acha supercarioca e, finalmente, a filha linda e radiante do amigo com a sua ex-mulher-atual-mãe-da-filha.

Tudo certo. Eu me adapto. Eu até me adapto bem, por sinal.

A ruiva é gostosinha e se acha liberal. Eu, cá comigo, a acho travada. Supertravada, eu diria se supertravada eu dissesse.

Mas que seja: to adaptável e solto minhas frases de efeito. Solto as frasezinhas de um jeito que só um gordo convicto pode fazer, ou seja: sem achar que a tal ruiva chupará seu pau no fim da noite.

É divertido competir a atenção de uma ruiva com os amigos. Mesmo que ninguém a coma. É que isso não importa, sabe?

O que importa é você e seus bons amigos sendo cúmplices numa competição por um ruiva que, como mais tarde confessará, nem ruiva é. Se é que você me entende...

Então eu converso com todos. Sou sincero ao conversar com todos. É uma questão de saber onde se está e com quem se fala.

Com um amigo pergunto sobre a nova pauta no teatro paulista. Com outro, especulo sobre o futuro do mundo. Com a ex-atual-mãe tento entender o porque dos novos planos. Com a filha deslumbrante, digo apenas vou te pegar! e ela ri.

Já com a ruiva é mais complicado: pergunto como anda o Movimento Hippie e a ambição por um mundo auto suficiente.

A única regra que obedeço é: eles querem falar. Deixe eles falar.

E eles falam e tudo ótimo. Sou um bom ouvinte. Mesmo. Sem ironias.

A coisa anda e mudamos de lugar. Na esquina é possível ver o jogo e vamos que vamos.

A cerveja ajuda de novo. A cerveja ajuda sempre.

Os papos variam e, graças ao álcool, a ruiva fica mais divertida. Tenho mais sacadas de gordo-sacana e descubro, no papinho besta, que ela não é mesmo ruiva. Ela é esperta, devo confessar. Sabe, como pseudoruiva, que ruiva mesmo é as que têm todos os pêlos avermelhados.

Mais uma ilusão pra coleção, mas apenas isso. A diversão nem era os pêlos, mas as possibilidades dos pêlos.

(Agora me lembro das mulheres-depilação-a-laser e do tédio que elas representam. Poucos pêlos, poucas possibilidades, me diz meu desejo de variar com uma única e eterna buceta.)

A noite é longa e vão quase todos embora.

Botafogo ganhou do Flamengo e eu sei lá o que isso significa.

Sobra eu e mais um amigo. Há certos papos a se conversar e as saideiras são quase uma obrigação.

O papo é bom e vital, mas não pode ser reproduzido num blogue. Questão de confiança e elegância.

Na maioria das vezes, as saideiras são tudo que importam.

Assim como as ruivas verdadeiramente ruivas.

São as saideiras - e as ruivasnãoruivas - que causam a ressaca do dia seguinte.





17 de fevereiro de 2010

A garota de quatro pálpebras tinha razão: é sentar o cu e escrever.
É uma coisa que quando acontece me comove: uma garota bonita, no meio de um monte de falação, nem faz ideia do que foi que ela disse e que você guardou.
E o que você guarda quase nunca é o que ela disse para ser guardado.
Mas o que importa é um senso prático feminino que sempre me surpreende.
E também, e como não, e talvez até sobretudo, pelo fato de eu ter conseguido, num trabalho acadêmico, colocar os seguintes textos:

  • Assim como o palhaço que, dentro da sua máscara de ternura, é um ser trágico e perigoso que escancará sua bocarra para todas as coisas sérias. Mas não por não as levar à sério. Justamente o contrário. A boca imensa do palhaço é causada por seu eterno espanto.
  • Não sei determinar as razões ou os motivos disso. Talvez o hábito de fazer teatro a qualquer custo – usando cada oportunidade como se fosse a última. Talvez pelo desejo, quase infantil, de descobrir outras formas e outros métodos. Como uma criança que num quarto cheio de brinquedos novos acaba por não brincar com nenhum.

Pra ver e pra ouvir. Meus números.

1 -
Pra lembrar de nostalgias antigas e chorar.
Porque sempre choro com os filmes americanos, mesmo quando não consigo soltar as lágrimas.
Tenho que confessar que acho os filmes americanos uma coisa impressionante.
O último eram dois irmãos: ela com um filho de 8 anos e ele sem ninguém e se aventurando pela vida afora.
A história do filme é o tempo que ele fica com ela.
E é bonito à beça. E triste também. Triste e cheio de beleza, eu diria.
2 -
Mas nem é disso que eu quero falar.
Quero falar dessa coisinha chamada mundo e do qual, as vezes, eu sinto falta.
Porque tenho uma capacidade pra me isolar que é quase incrível. Mas minha mãe diz que não é saudável e eu confio nela.
Mãe, a gente sabe, mesmo quando faz merda, quer o bem da gente. E é por essas que mãe é imbatível.
3 -
Mas volto?
A atual foto dela tá bem mais bonita do que ela era. Me pergunto porque. Tento entender o que faz com que ela seja mais atraente hoje do que era a 2 anos atrás. E o mistério é quase misterioso até eu lembrar que agora ela namora.
E, como namora, agora ela é mais segura e calma - coisa que não era. A ironia é que na época em que em que ela era minha, eu pensava: ela precisa namorar alguém para saber que pode ser amada.
E ela soube e tá mais bonita.
Faz sentido, mesmo que eu não seja mais o cara que tem direito à suas carnes. Uma pena.
4 -
Devo dizer:
Mania de escrever é terrível. Pensa bem. É só ver eu aqui. Estou quase tarado e quase doente. Escrevo apenas por compulsão, como é com o álcool e com o cigarro. Jesuisolhosazuis, onde vamos parar?, é a minha pergunta engraçadinha, mas sincera.
5 -
Na verdade queria escrever sobre a guria de 4 pálpebras, mas acho melhor não.
É que ela me disse que lê menos o meu blogue agora pra me deixar mais a vontade.
Eu entendo. Eu acho até bonito.
Mas, na verdade, eu nem entendo e nem acho bonito.
É que eu prefiro mulheres obcecadas por mim. Eu funciono melhor assim. Simpatizo quando as loucas gostam de mim por motivos que eu desconheço.
Como se o milagre só existisse em territórios estranhos.
6 -
Sei que, em última análise, é uma pulsão boba e infantil, mas fazer o que?
Ainda não me contradisse nesse aspecto, pelo menos.
Repito que prefiro assim.
É como posso marcar meu território já que eu não sou o cão-macho-fodedor que mija nas paredes e reza pra que o cheiro do próprio mijo seja reconhecido pelas fêmeas quase, e apenas quase, perfeitas.
7 -
A saudades é um tapete de grama verde num domingo de sol.
Isso não quer dizer que eu lembre de um dia, ou de uma grama, assim.
Quer dizer que eu acho que saudades é isso.
É como eu tento entender a saudades.
E veja, saudades mesmo, só sinto de uma coisa.
E essa coisa tem um nome que não digo, mas que era a coisa mais estranha e louca que eu sentia por ter certeza que essa coisa existia.
8 -
Independente de tudo:
as simpatias ainda são feitas por pretas feias e cheias de espírito.
A conta de 2 mais 2 só funciona no primário e ainda
prefiro choros do que sorrisos.
Por motivos que mesmo eu, pleno e arrogante, desconheço.

16 de fevereiro de 2010

Como se fosse domingo.

Fui almoçar no bar. Gosto do hábito e da repetição da coisa. Como um pequeno ritual: pede uma e o cardápio, escolhe e pergunta o que acompanha só pra ouvir a mesma resposta de sempre: arroz, feijão, farofa e batata frita.
Bebo a cerveja tranquilo e acendo um cigarro. Fumando reparo na vida alheia e vejo que tem uma garota me olhando. Olhando mesmo, apenas olhando. Sem nenhuma intenção objetiva. Assim como reparo na vida alheia ela repara em mim.
(Me lembrei da minha ex que sempre que alguém a olhava, dizia que o alguém tinha dado em cima dela. Era um traço quase inocente da personalidade dela. Nessas todo mundo já tinha dado em cima dela, inclusive a finada Cássia Eller.)
O prato chega veloz e o cigarro nem acabou. Mais um gole e um traguinho e repito outro ritual: o feijão primeiro e direto do pote pro prato, sem auxílio da colher; depois 2 colheres de forofa e então o arroz e a batata frita. O arroz e a farofa sempre sobram, a batata frita não. Sal, azeite no feijão e a carne assada com molho de tomate deixo onde está, pegando uma fatia por vez.
Como devagar e dou pequenos goles de cerveja - o que é raro, pois, na média, ou como ou bebo, nunca misturando as duas coisas.
Almoço terminado e comi bem menos do que eu pensava. Na calçada, uma preta de rua e feia, que até me deixa na dúvida se é homem ou se é mulher, berra: - dá um pouco desse arroz aí, colega.
Faço sinal de positivo e peço pro garçom preparar a quentinha pra ela. Do meu lado, duas pessoas me olham como se eu tivesse sido supergeneroso e eu penso que o mundo é mesmo muito mesquinho.
O garçom me mostra a quentinha que ele fez e ressalta que acrescentou um feijãozinho. Resmungo um legal e ele entrega a quentinha pra ela. Depois vem até mim e diz:
- pô, pensei que era um homem...
- eu também...
- sorte que é carnaval, né?
Ele sai sorridente e faço sinal pra conta.
Venho andando pra casa e penso que hoje o dia tá foda. Tento entender o meu ranço e concluo que a culpa foi eu ter dormido sem querer, diante da tv. Dormi de roupa, óculos e sem escovar os dentes. Quando acordei eram 5 e 30 da manhã e sentia um ódio de outra vida. A minha boca era um cinzeiro molhado e eu não fazia idéia do que fazer.
Tomei banho, arrumei a cama e vi uma besteira ou outra no computador. Voltei a dormir e acordei as 12 e 30 cheio de culpa porque o texto-obrigação que eu tenho que fazer anda à passos lentos e dolorosos.
Pronto, o ranço tá explicado.
Agora é esperar o sol cair fora e ver se a noite vai trazer suas belas corujas.
Talvez eu desça pra comprar um sorvete,
talvez eu faça um telefonema,
talvez eu fique apenas contando os segundos pra um outro dia começar.

15 de fevereiro de 2010

Ouço Angela Ro Ro e bebo mate com limão. Os cigarrinhos parecem eternos e infinitos. Fumaça pra dentro e pra fora. Quantos cigarros resultam num câncer, eis a questão.
Avanço no meu arquivo e tomo porres diários. Mas sem excessos: porres de 2 cervejas, 3 whiskys e 1 ou 2 páginas escritas. Adoro beber pra escrever as histórinhas. Entorno umas no bar como preparação e depois subo pra minha casa azul e abro o arquivão.
Este arquivo da vez parece mais viável do que o outro que já terminei. Esse outro não sei, tenho dúvidas. É necessário algum enredo quando se escreve, não é? E esse outro é uma grande falação sem fim. Tem uns pedaços bonitos e tudo, mas não sei. A falta de trama meio que chapa a coisa. Porque a trama, percebo quando leio os que gosto, é apenas uma 'desculpa' pra falar sobre o que realmente importa. Mas, de qualquer maneira, essa trama-desculpa não pode ser babaca e muito menos aparentar aquilo que é: uma trama-desculpa.
Já o arquivo da obrigação vai mais lento. Sabe como é. Sou mimado e gosto de fazer apenas o que gosto, o que é péssimo e revela toda a minha incapacidade de viver no mundo prático e objetivo dos adultos.
Whatever, como diz a garota de quatro pálpebras.
-
Agora uma pequena volta para mexer as pernas e,
quem sabe,
comer arroz e feijão
como fazem os adultos.

14 de fevereiro de 2010

pra deixar de fora.

Meu bem,
estou tão breaco
que não prometo
sexo nem alegria.
No máximo
uma boa companhia
que de tão sincera
pode até dormir.

Meu bem,
não sou o tipo
que você espera,
mas te garanto
que nunca,
e nunca mesmo,
vou mentir.

Meu bem,
se quiser jantar
eu posso até
pedir uma pizza.
O telefone está ao lado
e,
com fome,
não se brinca.

Eu a alimento,
meu bem,
desde que você,
como uma santa,
seja boa e
nunca minta.

Meu bem,
não se engane comigo.
Eu gosto de falar
e de dizer,
mas eu não sou
o meu próprio
umbigo.

Tenho minhas diferenças
e rôo meu osso.
E se falo tanto
é porque eu acho,
na maioria da vezes,
o mundo
muito pouco.

Mas não se esqueça,
meu bem,
de vir me ver e
de me beijar
antes de dormir.

Eu não ligo
prum monte
de coisas,
mas pra você
eu tenho
que contar:
- pode parecer que sim
e pode parecer que não,
aquilo que se adivinha
é a única,
e impossível,
solução.

13 de fevereiro de 2010

Ouvindo voodoo blues e com vontade de escrever.

Deixo a obrigação de lado e caio dentro das minhas histórinhas. Me sinto em paz, apesar de tudo. Mesmo sabendo dos prazos, me sinto em paz.
Talvez seja a cerveja, talvez seja a histórinha. Quando rendo nas histórinhas preciso de pouco, pouco mesmo. O que é ruim de maneira geral, já que essas histórinhas são apenas arquivos no meu computador e não livros e mais livros escritos.
Paciência.
Meu delírio e meu tesão é isso. Precisar de pouco, não precisar de ninguém e ficar feliz com mais 2 págs. no arquivo.
E 2 págs. no arquivo duram horas do mais tesudo sexo. É isso mesmo. Há tesão em ficar ali, escrevendo e se bolindo em si. As benditasmalditas palavrinhas na tela brilhante.
A coisa é tão tesuda que cogito escrever uma carta. Mas desisito e escrevo no meu bom e velho e blogue. Pra ganhar do tempo, acho. E ganhar do tempo nesse caso não tem nada a ver com o cumprimento dos malditos prazos.
Então tô aqui e ouço as vozes dos negros americanos. São demônios dentro da minha cabeça. Demônios que falam coisas que eu não entendo, mas que me contemplam quando sentem as dores que as mulheres provocam.
Mulheres, a dor contida em um corpo tesudo e perigoso. Diabo, tua forma é mulher. Deus me livre e etc aos mil.
A 7° lata acabou de estalar e agora só há whisky na casa. Melhor parar por aqui. Ainda não conheço bem o tempo do whisky. E conhecer bem o tempo da sua droga é o que te difere de um amador. Desses que bebem apenas pra espanar (e não espantar) o tédio.
Acordo tarde e me chapo de café.
A culpa tenta bater, mas finjo que não é comigo e tudo certo.
Cada coisa ao seu tempo.
-
Cago com o meu primeiro cigarro do dia na boca. Não sem antes posicionar o ventilador pro banheiro. Os peidos, antes reprimidos, saem velozes e sonoros. A merda desliza pelo meu cu e me faz me sentir muito bem, obrigado.
Essa coisa de ter um corpo é um mistério. Os dejetos e a glória. As vezes ao mesmo tempo. Lembro de uma frase do Saramago que é mais ou menos assim: para inventar o céu e o inferno não seria necessário nada além de conhecer o corpo humano.
Puta frase, não? Eu acho.
-
Hoje devo tomar uma pequena dose de mundo com meu amigo Z. Será bom e tranquilo. Conversar com homem é completamente diferente de conversar com mulher. E isso não é machismo. É apenas um fato.
-
Agora ir pro arquivo
e escrever.
Não as palavrinhas que quero,
mas as que tenhoque.

12 de fevereiro de 2010

Por motivos que não conto fico na minha. Porque conheço meus delírios e pavores. Porque o pavor mora ao lado.
São coisas que rondam a minha cabeça e que finjo ignorar.
E finjo mal. E ignoro menos ainda.
(O diabo tem asas, a gente sabe.
Ele dança bem e sai, literalmente, voado.
Como só um ser com asas pode fazer.)
E nessas seguro meu rojão sem deixar de admirar as belas asas do capeta: um branco quase transparente, as penas bem distribuídas e uma envergadura que surpreende e encanta.
Seja como for há a minha casinha e minha doce solidão. Prefiro ver do que participar. E isso acho que desde criança. Porque minha mãe disse que eu sumia nas festinhas e que quando me procurava eu estava no meu quarto, brincando sozinho.
Faz sentido. Faz sentido até hoje, acho.
Brincar sozinho pode ser fuga ou auto conhecimento, tanto faz.
O fato é que não consigo confiar em quem sempre precisa de alguém pra brincar. É uma limitação que não quero ter.
O diabo sempre existe e é sempre os outros - como o inferno do vesgo.
Ter medo dele é um tipo de decência na minha cabeça.
Achá-lo bonito, também.

querer é pouco.

Queria ser exato e escrever as palavrinhas certas. Mas não tenho conseguido escrever. Não como gostaria, pelo menos. Talvez porque eu TENHA que escrever. Um trabalho chatinho assim que me dá nó nas tripas. É o desafio de exercitar o meu próprio cinismo. Coisa difícil pra um cara mimado, gordo e romântico como eu.
Queria falar do meu pau. Falar de como ele age por conta própria em horas inconvenientes.
Queria falar da guria de quatro pálpebras. Da guria que surgiu como um milagre de natal e que tem a boca pequena, bem desenhada e grossa. Da guria que quero e não quero desvendar.
Mas nem sempre dá certo. Então começo 30 posts e não acabo nenhum. Arranho 1 ou 2 paragrafos na minha obrigação e lembro das belas imagens que agora fazem parte da minha memória.
A vida voltando lenta a ser como é: no bafo do Rio, numa solidão introspectiva, numa noite de porre e ternura, na casa azul com belas marcas de sangue, no ler pra ter sono, no rádio ligado na cbn, nos cinzeiros entupidos, na piada machista do Coimbra, nos copos com muito gelo, no andar pelado pela casa, no Cristo solitário de braços abertos, nos banhos com o pau esfolado, na cama sem lençol, nos telefonemas da minha mãe e, finalmente, nos delírios de grandeza e no desejo de profundidade.
Como se tudo fosse menos.
Como se tudo pudesse ser mais.

11 de fevereiro de 2010

9 de fevereiro de 2010

ELA SÓ PRECISA DO PRÓPRIO CARRO E DE UMA CÂMERA FOTOGRÁFICA.
É IMPOSSÍVEL CONFIAR NELA.

8 de fevereiro de 2010

Veja você.

É uma dorzinha boa, dessas que fazem o sangue rodar mais lento pelo corpo. E sangue mais lento, a gente sabe, dá aquele friozinho que qualquer mantinha resolve. Apenas para dormir melhor.
Como saudades. Saudades do jeito que os portugueses falam e sentem: a boca que quase não abre, o rosto trágico e o som cheio de Ss que sai: sauldadis.
Ainda há o risco, a gente sabe. Mas nem todo risco é ruim, a gente sabe também. Um amorzinho assim, pra dormir assim e dar bom dia depois de uma noite de foda fantástica. Talvez com café preto e forte, talvez com maçãs cortadas sem casca e distribuídas num pires azul.
É quase um mistério se se pensar bem. Tanta coisa que pode acontecer: filhos, família, morte precoce, tristeza de fim de namoro, etc. O fim fatal e sua sombra eterna: dor e mais dor, machucar quem se ama, ser machucado por quem te ama, tardes de chuva, pipoca e filme, aquela preguiça que só mesmo muito bem acompanhado pra se ter sem ter culpa.
Tudo isso porque tem alguém assim, distante assim, estranha assim que sei que sente, em outros oceanos, a inevitável atração pelo abismo. Que nada mais é do que o tesão pela queda. Mesmo que com medo da queda.

7 de fevereiro de 2010

em baixo do ventilador.

As coisas acontecem lentas como deve ser. As novidades ocorrem e são parte da jogoda, mas as euforias devem ficar com as festas de criança onde há um enorme balão cheio de doces para ser estourado.
Não gosto de gente que fica muito eufórica com uma ou outra novidade. É algo que me soa velho e falso. Uma mania de se auto descrever como intenso/intensa. Como se intensidade fosse virtude. Como se a vida só tivesse sentido numa sucessão de surpresas.
(Quando eu era adolescente eu usava essa frase de efeito: me surpreenda, por favor. E impressionava as gurias que gostavam de mim apenas porque eu já tinha lido 1/2 dúzia de livros. Era um mundo mais simples.)
E a vida não tem nada a ver com isso. Ela acontece, ela é o que é e o que você consegue fazer dela. As vezes a gente emplaca e as vezes não. Os milagres são possíveis e podem acontecer, mas não estão aí para serem manipulados como moeda de troca.
Os que gritam sobre a própria intensidade não se bastam e, por isso, me causam uma tremenda desconfiança. Como alguém que te encontra e diz: estou tão feliz. A única coisa que não dá pra entender é porque alguém que tá tão feliz precisa falar disso.
Seja como for, minha velha punheta é esse blogue e uma ou outra carne que me aquece. Nem todo dia existe paz e coerência, mas quando penso é apenas disso que se trata: uma paz possível e a beleza inventada.