2 de maio de 2013

Ouço musica e fumo cigarros. Hoje é um dia livre e um dia calmo. Nenhuma queixa.
O café amargo e acordei a menos de duas horas. Prazer. Tesão. Uma ideia absurda de que a vida pode ser boa.
Tenho a ilusão de que sou útil. Obrigações para acalmar a vocação para gado de nós, os humanos, e alguns sonhos na caixinha - igual dados rolando.
Tudo certo. Posso dizer que atingi a maturidade: a ilusão de ser útil não é melhor nem pior do que a ilusão de ser inútil.



22 de abril de 2013

sacadinhas são virtudes em 2013.
fica mais ou menos assim:

  • tesão passeia. sem tesão, nenhuma rima.
  • amor na internet. moda. pega bem. compartilhar idiotias é ser da turma.
  • sua mulher, sua amante. os meninos tristes que acharam que casar era simples.
  • amigo velho, dor antiga: sonhar sonhos parecidos é solução.
  • até mais, até logo. esse prazer em acabar sabendo que acaba. diferente do espirito: essa alminha que deseja a eternidade.
  • (ad eternum)?

18 de abril de 2013

essa guria que tem as unhas pintadas de branco e usa decote. decote para peitos pequenos é uma arte esquecida. peitos pequenos são promessas de futuro. mas ela sabe disso: não usa sutiã e me chama de amigo.

11 de abril de 2013

A vitalidade dos 30 começa à me bater (lembro do meu pai falando sobre isso).
Tenho medo porque é uma vitalidade real; que me alimenta e me dá perspectiva. Novas carnes para assar e uma sensação estúpida (porém não menos real) de que sim, sou novo ainda, e tenho bastante vida pela frente.
Tenho medo porque sou um homem inteligente, que leu, e aprendeu, via leitura e via vida, que também isso (como quase todas as sensações que nos invadem) é passageiro.
Então chupo minha fruta. Espero o bagaço e sugo e sugo, enquanto der pra sugar. Não é o caso de temer a ilusão. A ilusão já temi e não temo mais. Entendi, por teimosia, que ilusão ou desilusão não importam. São coisas circunstanciais e que devem, como não?, serem aproveitadas nas devidas circunstâncias.
Então a tranquilidade, a calma, o sonho-que-é-prazer-consciente. Então o cinismo, a elegância, a ansiedade controlada por drogas ilícitas ou não.  
Poucas coisas importam. E quase nada importa sempre. No entanto, há sempre algo que importa. O importante muda, depende de fatores diversos. Apegar-se ao importante é loucura, doença, obsessão. Ignorar que há coisas MUITO importantes em determinados momentos é burrice, falha, pecado para além da moral cristã.
O importante muda, mas não deixa de existir. Sem uma ou duas coisas importantes para se importar, atravessar a rua é apenas coisa de galinha: depois de olhar os dois lados, corre apenas pra frente: esquece de pensar (e analisar) durante sua travessia.
Estou falando da sabedoria minima: agir sabendo que age e quando age. 
Sem burrice e sem inocências: adultos que assumem suas responsabilidades e percebem suas limitações. Sem culpar terceiros, sem escravizar inimigos, sem depender de marés boas ou ruins.
Estamos vivos e adquirimos inteligência. (E esse texto é para os inteligentes: os capazes de acumularem conhecimento e sagazes para forjar utilidades para o conhecimento acumulado.)
a- Por isso o otimismo, o 'vai lá!', o 'para de covardia'.
b- Para o peito aberto, para vida não simples; para que toda felicidade venha da consciência e não da espontaneidade.
c - Para que sejamos donos da parte que nos cabe. Que é pequena, mas é nossa. 
c2 - Porque pouca coisa importa e porque podemos decidir o que importa mais (ou menos) quando (e como).
d - Pela vontade de potência e para que a covardia-cega não cegue nunca para sempre.
e - Para que toda cegueira melhore seus cegos.
Tirésias (cego porque tudo viu); 
não Édipo (cego porque não suporta a visão).        

2 de abril de 2013

reza-rezinha-amém.

um dia de cada vez.
até o fim.
e sem achar que a vida é boa
e sem achar que a vida é ruim.
um dia de cada vez, 
enquanto der.
sem perder tempo, 
sem achar que o tempo não existe,
um dia de cada vez,
rezando a única reza que há:
'quero coragem, quero coragem,
santinha,
essa coisa que Deus Nosso Senhor
nem pensou quando tava na cruz'.

28 de março de 2013

s.r


  • repare nessa beleza toda. desconfie dessa beleza toda. repita baixinho: julgar é um tesão.
  • um casamento acaba novamente. e há muita satisfação em todos. os separados dizem que tentaram TUDO, os outros dizem EU JÁ SABIA. a satisfação em todos é profundamente suspeita.
  • defendo: os líderes são importantes. líderes devem continuar existindo. devem ter fetiche pela sua capacidade organizacional e não pelo poder. o poder, como simples fetiche, é um equívoco tremendo. 
  • minhas mensagens inspiradas o facebook apaga. Por que? prefiro pensar em deus. Deus sabe o que faz, eles dizem.

23 de março de 2013


  • há muito tesão na solidão. esquecem-se os bem acompanhados que trepam mal e metodicamente. 
  • criar desafios só vale se não levar à sério. é como lista de ano novo. Quem, sendo decente, cumpre sua lista impassível?
  • A felicidade como meta é atestado de burros. Só amigos/conhecidos burros dão valor a felicidade. Minha irmã, por exemplo, acha que a felicidade é uma obrigação. 
  • A vida não é boa. A vida não é ruim. A vida, infelizmente  tem menos importância do que gostaríamos. 
  • El bigodon, sempre fatal, diz mais ou menos assim: a vida só tem importância porque dura pouco e há muito a fazer. Tivéssemos a eternidade perderíamos menos tempo pensando na vida. 
  • Maldito tesão que é coceira nas partes. Queria mesmo é fazer amor. Brincar de morte, por assim dizer.
  • Volta e meia sonho com minha primeira namorada. É estúpido. Uma ideia de passado encantado, de fraquezas toleradas. Como se houvessem casais admiráveis hoje em dia.
  • A única coisa que me incomoda: o desânimo como se desânimo fosse inerente à vida.
  • Garanto: ser feliz é ser desanimado. 

19 de março de 2013

EXERCÍCIO PARA O CINISMO. (essa habilidade que me inibe)
p.s. é meu blogue e é tudo sobre mim.
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Na atual conjuntura temos três lideres. E os julgo como segue.

  • LÍDER 1: É simpático, mas fala demais ou fala mal. Tem carisma e pode ser o líder ignorante e carismático. Temos diversos modelos. Lula incluso. Aproxima muita gente e não se sente muito à vontade como líder. Tem que resolver isso e assumir-se líder: saber que ser líder implica em ser vidraça e ser pedra. Ser pedra, no caso do líder 1 - um agregador por natureza -, é o grande desafio.
  • LÍDER 2: É habilidoso e adora a posição de líder. Gosta de centralizar, de mediar, de estar alí como líder. É bem informado e leu os livros sobre liderança. É percebido como agregador e tem no discurso relativizante seu grande trunfo. Raramente se posiciona. Seu pendor à dúvida revela sua fraqueza: precisa que o reconheçam como líder para que, de fato, exerça sua liderança. Tem 2 grandes desafios: não ser tão dependente do efeito que sua imagem construída causa e usar suas informações como consequência (e não como causa). Seu erro é supor que suas informações não são vulgares e comuns.
  • LÍDER 3: Tem habilidade e carisma. É o mais predestinado. A liderança, em seu caso, parece natural. Ainda se debate sobre o quanto deva exercer sua liderança, o que é desperdício e revela sua crença em "a voz do povo é a voz de Deus". Caso seja menos moralista é capaz de assumir que Deus tem voz própria e mais eficiente que uma voz coletiva. Questiona-se por motivos errados e deve compreender plenamente (já o faz por instinto) que sua liderança é resultado da utilidade que impõe. O fato de ser útil tem que ser usado para que aprimore sua liderança e para que deixe a 'boa' moral democrática de lado. Sua utilidade torna legitima a pedra que sempre tem a mão nas horas certas. Deve para de frescuras e saber: suas pedras devem ser lançadas por que são úteis. Caso aprimore sua consciência de si e se imponha como útil-em-si, será o líder da eficiência que tão bem pode fazer para a evolução de seus liderados.

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Assim me posiciono:
3 em primeiro lugar. Sabe tudo, sabe que sabe tudo, mas teme saber que sabe tudo.
1 em segundo lugar. Estude mais e não queira ser tão agradável. Seu carisma sem força é apenas carisma - coisa que é espontânea e frágil, como são as coisas espontâneas.
2 em último lugar. Manipula e investe sua manipulação nos manipuláveis. É medíocre porque gosta da média e é eficiente apenas na média. Prefere 1000 homens à 10 grandes lutadores. Preocupa-se demais com si mesmo - o que, afinal, é perda de tempo.    

16 de março de 2013


  • o absurdo são os sorrisos. essa gente sorridente, esse branco nos dentes. os dentes todos. essa simpatia suspeita e essa beleza tão aceitável. prefiro ainda os feios, os desdentados, os muito gordos ou os muito magros. essa gente, que sem opção, só tem a inteligência como ferramenta de aceitação.
  • agora tenho um inimigo bem construído. ele é fácil de odiar. é estereotipado    sorri e fala com facilidade, é bonito, mas se compadece dos feios. meu inimigo é um jesus que não expulsa a chicotes ninguém. ele diz pra todos: vem! meu inimigo tem, contra ele, uma rima.
  • amigos perdidos. com consciência e afeto. pergunto a mim mesmo: é o caso de estabelecer alguma rotina para recriar um vínculo possível? minha dor: não é uma pergunta retórica.
  • não precisar é diferente de não querer. há muito erro aí. uma desculpa de confusão que agrada aos que sentem tesão pelo não saber. eu não sei um monte. e sofro. não saber é dor, não é prazer. só eu desconfio dessa gente que insiste que a dúvida é uma virtude?
  • tudo está em paz quando o entendimento é compartilhado. se todos dizem sim, o talvez é decente. não dá pra acreditar nos chatos: esses seres que querem ter prazer na hora errada. tipo ejaculação precoce: gozar cedo ou tarde é menos importante do que gozar melhor sozinho. o chato, esse profissional de calças largas, goza sozinho mesmo quando contribui para orgasmos múltiplos. 
  • minha inteligência é meu triunfo. e isso combinado a decência e tesão de criação conjunta. meu melhor sou eu com outros. eu só sou bom, mas não compensa. não nisso. no caso, esse teatro que tem sempre muita gente. tesão é gente junta sendo melhor do que normalmente se é. percebendo, sem racionalizações, que a vida é pouco e pode ser mais. inveta-se labirintos por tesão e não por desafios. o labirinto, meu amor, é só uma desculpa para aumentar a vida.
  • adeus e até logo. meu inimigo é bom e esse combate me interessa. sou discreto e não minto. isso não é virtude, é tática. vida afora meu caminho nunca teve reconhecimento. em arrogância lhes digo: nunca dependi da bondade alheia.  

7 de março de 2013

UMA ANEDOTA:
Repare no cretino.
Ele não informa, ele destila o seu conhecimento sobre a informação.
Por exemplo: o cretino sabe que dois mais dois é igual a quatro. Mas quando ele fala disso, ele explica:
"o um é a unidade mínima. o dois são duas unidades minimas somadas. por isso temos que duas unidades mínimas somadas com duas unidades mínimas somadas são quatro unidades mínimas. e assim chegamos ao quatro."
Quando o cretino explica, ele destila. E, se é inteligente, entende que seu campo de ação é impressionar idiotas. Ou seja: o cretino tem uma platéia sem muito senso crítico que não percebe que sua informação não precisava de tantos floreios. Os floreios, e a impressão que eles causam, é o lugar de excelência do cretino.
O cretino pode ser inteligente ou burro. Não é isso que está em jogo. O cretino é um hábil e sabe, como poucos, manipular suas informações. E, se é inteligente, tem consciência de que ao florear sua simples informação, ele a torna complexa e, portanto, aparentemente profunda.
O cretino turva as águas para fazer a poça parecer um rio.
UM TESÃO:
Reconhecer os cretinos. Reparar nos padrões que se repetem. A roupa do cretino, os olhos do cretino, a voz com pausas do cretino. (Pausas: essa farsa que o cretino usa para aparentar estar pensando. porque o não-cretino, se inteligente, pensa muito bem antes de falar)
Entender que, cedo ou tarde, o cretino será reconhecido como o cretino que é. Quer dizer: se ele se mantiver muito tempo com as mesmas pessoas, ele se tornará reconhecível. De modo que o cretino circula. Participar de tudo é um meio para aumentar seu campo de ação. Ele aparenta generosidade e sempre usa a primeira  pessoa do plural. O cretino não diz 'nós', diz ' a primeira pessoa do plural'.
VAIDADE:
Ter certeza de si, ser bem informado e calar diante de informações vaidosas que informam mal.
Algum pau na mesa.
E acreditar que a única virtude possível é não virar gado.  

3 de março de 2013

Os porres de domingo perderam sua importância. Acontece. E o tempo, essa puta vingativa, tem sua crueldade. Falo de mim como sempre. E como não? E me esforço para não falar mal do facebook, essa 'ferramenta' (palavra da moda, né?) que monopolizou a navegação.
Eu mesmo, algum prazer e os dentes doloridos. A cabeça cheia, o medo latente e um desprezo que, infelizmente, tem razão de ser.
Estou falando do mundo, essa puta abstrata.
Só é possível entender certas coisas se optarmos por acreditar que há gente má, VERDADEIRAMENTE má, no mundo.
A coluna do Merval Pereira hoje, por exemplo. Ele mente, está mentindo e, muito provavelmente, ele sabe que está mentindo. Se não soubesse não seria tão elaborado. E, mesmo sempre tendo achado o Merval Pereira, um tipo de jornalista Heliodora - no sentido em que sua fama vêm do fato de dar porrada ou ser severo -, fico admirado por ser tão deliberado assim. Inclusive misturando tudo para se colocar em um lugar que deseja: no caso do Merval, a Yaoni. (O título da coluna é "meu dia de Yaoni".)
Mas deixa pra lá. Ver absurdos não é virtude. Assim como cutucar ferida nunca foi mérito em si. Há muita ferida cutucada inutilmente - digo por mim e por outros.
Então isso: os amigos pras picas e uma tristeza que só fica bonita porque azeitada em álcool e nostalgias atávicas.
A certeza que o mundo está errado e o desespero de saber que é assim mesmo. El bigodon de um lado e o jornal do outro. O equilibrista bêbado que cai em todas apresentações.
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porre de domingo e uma nostalgia estúpida: a m. Bethânia era bonita e o p. da viola parecia ter alma (e também rosa-maria, essa mulher que chorava porque amores morriam)
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2 de março de 2013

comezinho.

EU PODERIA TE AMAR, MAS JAMAIS TE AMAREI. VOCÊ GOSTA DO CIRCO PELOS MOTIVOS ERRADOS E SOU ARROGANTE. SEU DESEJO DE LINGUAGEM É SEU DESEJO DE SER COMPREENDIDA POR NÃO FALAR CLARO, POR FALAR MAL. COMO UM VELHO ACADÊMICO QUE ACHA NOBRE O QUE NÃO É ENTENDIDO. VOCÊ ERRA ONDE DEVIA ACERTAR. O ERRO EU ACEITO. A FALTA DE MIRA TAMBÉM. O INACEITÁVEL É CONFUNDIR MIRA COM ERRO. OU PIOR: CULPAR O ALVO POR FALTA DE ACERTO.

1 de março de 2013

Um homem tem que fazer suas pequenas tarefas e aprender a apanhar com alguma elegância. Tem que entender que há muito urubu no caminho e que , portanto, um homem tem que ter certa arrogância. Desprezar os imbecis ou então ficar lamentando a imbecilidade alheia. Reconhecer o desejo de domínio e domar o devaneio de poder para viver em uma sociedade medíocre que insiste em uma igualdade que é tudo menos justa, tudo menos correta, tudo menos honesta.
É necessário ter saído na mão algumas vezes. Ter sentido gosto de sangue na boca e, de preferência, ter perdido um ou dois dentes em uma boa briga de homens. Como aqueles bichos que chifram um ao outro para júbilo da fêmea.

27 de fevereiro de 2013

a única dor é a indiferença.
não é o ódio, a raiva ou o tesão vulgar.
é o placebo dos rostos,
os sorrisos sem alma,
as almas sem linguagem.
a indiferença machuca
e todo o resto é suportável.
não é o silêncio
nem é a meaculpa.
é esse animal absurdo
que não pensa e nem age.
que só reage quando é inevitável.
essa gente que vive de choque,
uma tristeza.

23 de fevereiro de 2013

Tesão na priminha e aquela loucura.
O tempo passa, meu bem, o tempo passa.
Estou aqui, barriga à postos, e 31 anos de dor e glória.
O exagero como o último charme infantil:
sem cartinhas, sem blogue, sem mulheres loucas querendo me dar e sem os bons amigos que me chamavam de 'seus'.
Então a internet toda, o facebook monopólio e uma estranha nostalgia da época em que blogues eram visitados e havia uma lista diária de alguns preferidos.
(Penso nas drogas de farmácia, no 'soma' do Huxley e na estranha viúva do Saramago)
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O tempo passa, coração, o tempo passa.
Você aí, meio em segredo, a ver meu blogue e pensar no marido tão bom que Deus lhe deu.
Eu aqui, uma incerteza estúpida, e a certeza de que o passado como memória é sempre uma imagem barroca.
Então el bigodon, os caga-regras frutíferos e a nova mania de colar bilhetes na parede.
(Penso que a realidade estraga o sonho, que eu te chupava melhor do que seu marido e que, entre tristes e alegres, ainda prefiro os que não se importam com isso)

5 de fevereiro de 2013


  • Uma da manhã e meu tesão passeia. Tão fácil e tão conveniente: tesão sem eira nem beira à vagar. Repare: não falo de amor. Repare 2: nem penso no tesão consumado. Coisa gratuita. Como é. Como vem sendo. Esse sexo fodido que é masturbação ao mesmo tempo.
  • O velho amigo. Gente boa, alma boa. ALMA, coisa pra poucos. É papo de 10 min. e o mundo está em ordem. Vejo, novamente, um brilho em seus olhos. A-L-M-A, eu deliro. Comento com ele. Ele é generoso e topa. Incentivo seu modo de usar o facebook. Ele dá sentindo ao facebook, eu tenho certeza: opinião, auto-deboche e humor para assuntos sérios. Ele vai bem. E tem os olhos sem opacidade. Eu lamento: salário é tão barato, ele é tão melhor. Essa mania messiânica de salvar as pessoas.
  • Teatro bom. Ao mesmo tempo: não entusiasma. Penso em mim, em como faria. Erro inevitável, eu acho. Erro, eu insisto. Essa limitação de pensar em si próprio. No programa vejo que a peça tem 15 anos. Faz sentido. Faz sentido pacas. Tenho faniquitos ao lembrar que o Brook diz que 5 anos é o máximo. 
  • Sua imbecilidade é seu compartilhamento. E o facebook está aí e não nos deixa mentir. Mas não esqueça: há muita margem de erro. E tá tudo certo. Não vale é dizer "eu não sabia da margem de erro". Porque há atestado de burrice. Porque saber da 'margem de erro' é o mínimo. De forma que não acredito. Não acredito em absoluto. Assim: errar o alvo é normal. Achar que o alvo era o que não era, também é normal. O que não suporto é o que faz: culpar o alvo pela mira errada. Entenda: até a culpa tem limites. Se confunde o alvo e confunde a mira, meu Deus, não tenho o que dizer. Se insiste que o 'alvo' e a 'mira' depende de circunstâncias, eu insisto: você é burra, burra demais pra que eu te leve à sério.
  • Em outras palavras: não separar o joio do trigo pode ser uma decisão. Não separar o joio do trigo porque não sabe o que é joio  o que é trigo é estupidez.    

29 de janeiro de 2013

Antes que.


  • Ser sincero é dizer não aos idiotas. E saber que os idiotas são numerosos e que sinceridade não é uma boa política. Ser sincero tem a ver com convicção e com teimosias formuladas. Essa estratégia de pensar e confrontar. Teimosia é o mínimo de ideologia que se exige.
  • Muito amor no facebook. Um ideia besta de causa e efeito. Propaga-se amor e recebe-se amor. Como se fosse matemática, como se o universo levasse em conta pensamentos positivos e coisas do tipo. Muito amor no facebook: mais um motivo para desconfiar do amor indiscriminado. 
  • Divulgar os 'amigos da pesada' é uma nova forma de interesse. Perigosa e sedutora. Compartilhar pega bem e o dono da página ganha números. Reparem nas palavras que se repetem: galera, afeto, rede, revolução-dos-afetos, rizoma, movimento, queridos, movimentos, etc. (sem contar o 'vamo que vamo', essa abstração que supõe um movimento que sempre evolui... como se andar pra trás não fosse possível).
  • Muito amor pra pouco coração - já que é pra vulgarizar.
  • Fica a raiva que ninguém explicou. A injustiça que ninguém reclamou. A solidariedade que ninguém anunciou. Fica isso. Que é uma rejeição fascista aos sentimentos mesquinhos e fisiológicos: a raiva, o ódio e o velho instinto de sobrevivência. E nem comento sobre as ações do ventre...
  • Esse adeus delícia, essa falsidade agradável, esse tesão inesgotável que confunde 'eu trepo contigo' com 'eu sou livre'. Todo amor, toda subjetividade e todo rizoma: essa capacidade de participar de tudo e de não pertencer à nada ou ninguém. 

27 de janeiro de 2013

O otimismo que cresce com planos e algum álcool.
Há muito a fazer e só o 'eu' faz, aprendi com el bigodon.
E tem uma tragédia para a comoção nacional e prevejo que culparão todos menos o poder público. E também que a solidariedade mostrará sua face perversa e vaidosa.
Então me apego. Eu mesmo, muito prazer.
Tento imaginar o que fazer no aniversário da minha irmã. Uma carta, um telefonema. O que pode ser dito? E dizer o quê? A carta, pelo menos, têm um lado de opinião que pode florescer. Reparem o óbvio: estou pensando em mim mesmo. O nome da vaidade é: fidelidade à si próprio e suas opiniões.
Esquece. Agora esquece.
Volte.
Os planos e o otimismo:
trata-se de boas ideias que merecem ser postas em práticas. Coisa minha que não depende só de mim e que seria estúpido fazer sozinho. Planos grandiosos que envolvam alguns. Que respondam à todos e que seja diferente. Porque 'diferente', nesse caso, é sair do cérebro - esse órgão fascinante que os pró-índios e pró-aquieagora tentam sabotar. (Como se do corpo não fosse o cérebro o pedaço mais legal de todos)
Então meu cigarro, minha cerveja e meu macarrão de domingo. Enquanto cozinho, ouço a cbn. Informações que nem sempre ajudam a pensar, mas distraem. A tragédia, o pré-carnaval, um ou outro blogue que resiste.
Os planos, os planos.


22 de janeiro de 2013

As crianças choram também por prazer e é isso que sempre esquecemos. Estou falando da gente. Que é bicho e estranho e que, vez ou outra, lembra que um dia vai morrer. É o tesão que minha ex-namorada tinha por insegurança, é minha solidão que disfarça o medo, é a mulher casada que vê meu blogue secretamente. Porque nossa matemática é estranha e não respeita as regras. (Aí é onde a psicologia falha tantas vezes: prever causa e efeito - a mais encantadora e limitada das sabedorias.)
Por isso o encanto com as ações inexplicáveis: o homem-bomba-que-é-bom, os-americanos-armados-em-dias-de-fúria, o-japa-que-comprou-um-quadro-famoso-pra-ser-cremado-com-ele, a-atleta-torta-que-teimou-em-cruzar-a-linha-da-maratona. Etc.
A dúvida apertando os calos. E doendo nos calos. Porque os calos doem. E, repare, a dúvida não é virtude, é condição de ser pensante. (Por isso implico com os exaltadores da dúvida, que julgam mérito serem torturados por suas dúvidas. Como se isso fosse mais do que é: pensar apenas um pouquinho além de viver simplesmente)
É isso que me faz lembrar: desconfiar é quase o mínimo. Porque o Nelsão disse e porque só pode estar muito errado um pensamento que seja aceito por todos. É o risco. Como o povo ser a voz de Deus. O povo não é justo, mas faz justiça; Deus, se existe, tem que pensar além - como um que julga as ações por suas consequências e não por suas intenções. A deturpação que el bigodon me ensinou.
Fica assim: meu blogue, meu problema e meu prazer. Escrever aqui é uma maneira de falar sozinho. Falar sozinho é uma maneira de organizar a vida. Organizar a vida é uma maneira de viver sem ser apenas reação.
E por aí vai.  

20 de janeiro de 2013

Tem um erro que esquecem: há muita coisa chata quando o assunto é arte.
Assim, de certa maneira e com certo sentido, é imbecil classificar arte por chato ou legal. Mas, vá lá, diante de tanta chatice, o que fazer?
Não defendo que a Ivete Sangalo seja uma grande artista porque levanta a galera, nem tão pouco acho o Warhol fodão por ser àquele estranho dado à devaneios e profundidades questionáveis.
É mais reto, mais pessoal, mais viadinho - na medida em que 'pessoalidade' é um argumento covarde  e não uma opção sexual. Assim: muito artista satisfazendo artistas, muito povo e consciência social criando obras que respaldam os novos paradigmas sem serem grandes obras.
Então me fodo. Fodo-me sozinho. Porque nem isso nem aquilo. E, veja, algo há. Sou um tipinho artístico que vê várias coisas.
Teatro: gosto menos quando o que está em jogo é a capacidade intelectual de cada espectador. O mérito da sacada do iniciado. Prefiro o Z. Celso e suas massas de pelados , o Antunes e seu desejo de coros perfeitos, o Bortolotto falando com sua gang. Quero dizer: esse teatro que agrada aos fazedores de teatro é altamente suspeito. Uma coisa elitista que sorri e não gargalha. Prefiro os palhaços cabotinos dos circos pobretões.
Música: reflete o facebook e a moda alternativa compartilhada por todos. O amor na moda, as canções na moda, a simplicidade na moda. Prefiro o Iggy Pop, sempre excessivo, o C. Buarque quando não faz discos e a Ivete Sangalo quando não se leva à sério como cantora. Quero dizer: o bom mocismo e o amor não resultam em boas canções.
(...)
Ia falar de cinema e literatura, mas desisti. Uma hora eu volto. E explico melhor. Com sorte, explico melhor.
Assim: muita peça pra pouco teatro, muito teatro pra pouco público e muito público pra muita afetação.
(...)
Deixa pra lá.
(...)
Os dentinhos dos bebês coçam quando encontram a gengiva.