- os pontinhos são guias e Deus abençoa à todos porque é Deus. Deus não existe, mas só faria sentido se fosse só perdão. Sou romântico, sempre fui. Cago-me de medo de me apaixonar.
- tem os livros. Eles salvam e nem são o bezerro de Deus. Hemingway dá letras. Do tipo: ame-as, envolva-se, mas não as deixem estragar sua vida.
- Faz todo sentido o Buk atacar o velho Hemingway. É decente, é ancestral. Se fosse profundo falaria de Édipo e tudo isso. As frases curtas, a narrativa objetiva e despretensiosa é provocação para qualquer um que pense em escrever contos.
- o único tesão real é pela garota da padaria. Vulgar, cabelo colorido e uma sensualidade que confunde até os mais machos do boteco. O gaúcho, por exemplo, jura que ela gosta é de buceta. Acho que ele tá errado. Ele também acha estar errado, mas desconversa. Tesão: ela tem uma tatuagem mal feita no pulso com seu apelido de infância.
- Amizade é tipo amor. No sentido de lealdade. Essas coisas antigas que me comovem e fazem sentido pela teimosia. Toda lealdade profunda é fruto da teimosia. Por isso a aceitação de chatices variadas e coisas do tipo. Lealdade, minha bandeira anti-natural que não defende os mais fracos.
- Pensar nos sonhos, pra alguém como eu, é idiota. Na medida em que sonhos é tudo que tenho. Mas pensar em sonhos, pra gente como maninha ou jotinha ou kázinha, é uma absurdo. "Como, assim, sou eu que faço certas coisas, seu bobo? Eu não controlo o mundo, sabia? Pra sua informação: a vida é dura."
- o ódio não é virtude. E, pelo mesmo motivo, o amor também não é. Pense e diga o que quiser, mas, vá lá, não acredite que seu amor, por si só, possa salvar o mundo. Ou os índios; ou os pobres, ou, sei lá, transmitir consciência pelo facebook.
- a solidão não é boa, mas é decente porque não permite que você culpe os outros. Culpa só vale quando extremamente pessoal. Culpa compartilhada é culpa rota.
- tesão, meu amor, tesão. Mas ela não ajuda, ela não entende. É impossível um casal, ou uma dupla, com dois cheios de preguiça ao mesmo tempo. Tentei avisar, mas ela não entendeu: '- diga 'eu te amo' e me persiga por uma semana. Serei teu pra sempre.' Ela apenas me pediu: '-me liga aí.'
- Porque a internet é má e dá acesso, fiquei horas vendo fotos da minha ex-vizinha. Brinquei de tempo, de destino. Ela era linda em 78% das fotos. Delirei tanto que concluí que ela era insegura e não se achava linda. Porque existem pessoas que pensam que jamais viverão um amor. Pensei que a ex vizinha podia sofrer desse mal e arranhei sua porta vazia: eu te amarei, eu te amarei.
7 de novembro de 2012
2 de novembro de 2012
Voltando à vida real - seja lá o que isso for. (Mas, esclareço, a 'vida real', jamais é ou será o que a maioria das pessoas chamam de 'vida real')
Releio, numas de terminar, meu primeiro Zé Rubem, que foi como aprendi a chamar depois de velho e gostei (Diana Caçadora me ensinou). Livro afetivo, tipo primeiros livros e que me fez achar que ler é bem legal. Eu tinha 15 anos e o 'simples' fato de ler perversidades variadas abria o mundo e o tornava maior e mais divertido. Li mais. E, em momentos românticos, acho que ainda leio por isso, 'apenas' por isso. Esse tesão que é pensar algo que jamais se pensaria se aquilo não tivesse sido lido.
A releitura é um risco e sempre será. Mas não importa. Leio, acho bom de modo geral e tenho ataques de nostalgia ao lembrar daquele que era eu e lia. Deus, os palavrões tinham uma força que hoje desconheço.
Mas é tudo pra começar de novo, pra se preparar, pra sentir o cheiro da merda. Sou sistemático e me antecipo: faço planos, prevejo dores e administro agonias. Vá lá, maninha, querendo ou não somos agentes das próprias merdas, entende? Não, maninha não entende. Maninha é triste. Maninha é burra. Maninha achar que tristeza e burrice é culpa do mundo e não dela.
Ah, maninha, a culpa é tão decente de sentir e carregar. Triste mesmo são os falsos que acham, e insistem, que a culpa é uma simples invenção judaico-cristã.
Então minha música alta, meu porre ensimesmado e a certeza de que jamais devo ser natural. Porque me isolo, porque me escondo, porque aprendi, lendo e como não?, que a natureza tem pouco de espontâneo e muito de conforto. E, vale reparar, há pessoas que sentem muito conforto vivendo dentro de uma caixa de sapatos. "O corpo se acostuma, sabia?"
Amanhã a retomada: café, leituras e alguma sistematização. Amanhã a vida real: nada de natural, nada de deixa rolar. Amanhã: aquilo tudo que hoje preparei.
Releio, numas de terminar, meu primeiro Zé Rubem, que foi como aprendi a chamar depois de velho e gostei (Diana Caçadora me ensinou). Livro afetivo, tipo primeiros livros e que me fez achar que ler é bem legal. Eu tinha 15 anos e o 'simples' fato de ler perversidades variadas abria o mundo e o tornava maior e mais divertido. Li mais. E, em momentos românticos, acho que ainda leio por isso, 'apenas' por isso. Esse tesão que é pensar algo que jamais se pensaria se aquilo não tivesse sido lido.
A releitura é um risco e sempre será. Mas não importa. Leio, acho bom de modo geral e tenho ataques de nostalgia ao lembrar daquele que era eu e lia. Deus, os palavrões tinham uma força que hoje desconheço.
Mas é tudo pra começar de novo, pra se preparar, pra sentir o cheiro da merda. Sou sistemático e me antecipo: faço planos, prevejo dores e administro agonias. Vá lá, maninha, querendo ou não somos agentes das próprias merdas, entende? Não, maninha não entende. Maninha é triste. Maninha é burra. Maninha achar que tristeza e burrice é culpa do mundo e não dela.
Ah, maninha, a culpa é tão decente de sentir e carregar. Triste mesmo são os falsos que acham, e insistem, que a culpa é uma simples invenção judaico-cristã.
Então minha música alta, meu porre ensimesmado e a certeza de que jamais devo ser natural. Porque me isolo, porque me escondo, porque aprendi, lendo e como não?, que a natureza tem pouco de espontâneo e muito de conforto. E, vale reparar, há pessoas que sentem muito conforto vivendo dentro de uma caixa de sapatos. "O corpo se acostuma, sabia?"
Amanhã a retomada: café, leituras e alguma sistematização. Amanhã a vida real: nada de natural, nada de deixa rolar. Amanhã: aquilo tudo que hoje preparei.
25 de outubro de 2012
Minha solidão com meta é tudo que há. Estou falando de mim, como não? De mim, minhas mentiras e também do que não é o caso de alugar os amigos.
Minha solidão com meta é um edital-mira, umas apresentações ainda esse ano - à revelia de condições ideais - e ler meus livros ali, logo ali, sob o abajur de luz fria que tenho.
A vida prática, o dinheiro, o sexo e as moças generosas me afligem pouco. Talvez menos do que deveriam. Tem um amigo que quer que eu coma alguém a qualquer custo. Ele fala de saúde e coisas do tipo. Desconfio porque sou desconfiado, mas sou leal e penso 'é um bom amigo'.
Em última instância é sempre vaidade. Eu li e aprendi e dei razão. Nisso incluo os livros sob o abajur, a auto suficiência, as desconfianças e o bom amigo.
Muita confusão. Deve ser culpa da internet, do facebook. Do botão compartilhar - nome semi-bíblico, né? Então consumo os índios fudidos, os idiotas pró-índios-via-de-regra e lembro que essa coisa de tradição é um perigo: para os índios, para os idiotas e, como não?, para mim mesmo. Repetir-se é conforto. Sempre e sempre. As razões disso variam e não importam tanto. Quero dizer: ainda me impressiono com a exceções.
Minha solidão com meta é um edital-mira, umas apresentações ainda esse ano - à revelia de condições ideais - e ler meus livros ali, logo ali, sob o abajur de luz fria que tenho.
A vida prática, o dinheiro, o sexo e as moças generosas me afligem pouco. Talvez menos do que deveriam. Tem um amigo que quer que eu coma alguém a qualquer custo. Ele fala de saúde e coisas do tipo. Desconfio porque sou desconfiado, mas sou leal e penso 'é um bom amigo'.
Em última instância é sempre vaidade. Eu li e aprendi e dei razão. Nisso incluo os livros sob o abajur, a auto suficiência, as desconfianças e o bom amigo.
Muita confusão. Deve ser culpa da internet, do facebook. Do botão compartilhar - nome semi-bíblico, né? Então consumo os índios fudidos, os idiotas pró-índios-via-de-regra e lembro que essa coisa de tradição é um perigo: para os índios, para os idiotas e, como não?, para mim mesmo. Repetir-se é conforto. Sempre e sempre. As razões disso variam e não importam tanto. Quero dizer: ainda me impressiono com a exceções.
23 de outubro de 2012
preparar a alma e inventar os pequenos milagres. lembrar que é um dia depois do outro e fazer de conta que isso é uma novidade. passear pelo belo rio de janeiro e, quem sabe, ir ao cinema na sessão das 17:oo. Há muita paz em um cinema na sessão das 17:oo. pegar dinheiro, fazer telefonemas e cumprir as pequenas tarefas. se a dor vir, inventar um método para torná-la útil. lembrar que apenas ação existe, que só depois de sua consequência podemos ver se foi boa ou ruim. que intenção é inversão, uma vez que ela é anterior e indiferente as causas que a ação cria. ler àquele que abre a cabeça e ter elegância de se rejubilar sem nada dizer diante de algum imbecil que faça ode ao tempo presente. como se o tempo presente existisse, como se o tempo presente fizesse sentido fora de circunstâncias muito raras, como o orgasmo, o ator em cena ou outras horas onde a técnica tempo presente pode ser útil, mesmo que jamais seja real. quem sabe, se estiver bastante inspirado, cutucar alguém no facebok.
15 de outubro de 2012
14 de outubro de 2012
O importante de ler é porque a gente se torna menos mesquinho e tacanho. E, ao mesmo tempo, a gente se torna mais esperto e cascudo; não cai na falsa profundidade que engana os imbecis. Lendo eu me torno melhor do que a média. É arrogante, eu sei. E é assim. Na mesma medida em que é real. Não vale a sabedoria instintiva. Quer dizer, vale. Mas é instintiva e, por isso, não há mérito real. A inteligência é construção. Por isso me sinto só e por isso não creio no sucesso aceito por uma maioria. Veja, estou sendo elegante. Quem acredita em inspiração e/ou liberdade jamais concordará com isso. De toda forma, me sinto bem e com raiva: ainda não me conformo quando o lugar comum mastigado é aceito como 'texto bonito'.
28 de setembro de 2012
o maldito tesão que passeia. e tá tudo certo e tá tudo. e, sendo franco, depois do dia 01, já sei que nada será como antes.
estou falando de otimismos insuportáveis e de enganos generosos.
seria Deus, se Deus fosse o caso.
Não é:
Sou mais a pizza, sou mais o hotdog.
Fim de semana, meu amor, não é dia para comer feijoada no restaurante.
estou falando de otimismos insuportáveis e de enganos generosos.
seria Deus, se Deus fosse o caso.
Não é:
- lá fora tem a guria da padaria. É vulgar e decente. Assim: - essa sua tatuagem me faz pensar em tantas coisas.
- seu Amor mais real não te ama como seria o certo. Penso que 'o certo' seria do caralho. Então os projetos e a eternidade como meta secreta. Naquelas: esquece ele e pensa em nós.
- tenho vislumbrado daqui: sua vida besta, seu marido de boné e a academia para cuidar do corpo. Não tenho metade do conforto que ele tem pra te oferecer, mas SEI diabolicamente: comigo, sua vida, meu anjo, seria bem mais vital.
- pense nos filhos que não nasceram. Pense bem. Tente ver se há, se realmente há, tanta graça em ter filhos. O risco é sempre grande: os cretinos muitas vezes tiveram pais amorosos.
- meu esforço é não falar de mim. Quero dizer: alguma elegância para ser discreto. De todo modo, posso apenas lamentar: minha vizinha é tão discreta quanto eu.
- rasgar o blá-blá-blá. Como se não fosse ou como se fosse 'natural'. Natural, essa palavra que o hortifruti de botafogo usa pra falar de alfaces hiperinflacionados e orgânicos.
Sou mais a pizza, sou mais o hotdog.
Fim de semana, meu amor, não é dia para comer feijoada no restaurante.
26 de setembro de 2012
20 de setembro de 2012
Estou falando de gente morta.
De casais que se definham mutuamente e que acham o processo natural de desenvolvimento do cactus algo encatador.
Estou falando de mortos que gostam da boa companhia de outro morto.
Alguma coisa que ficou pra trás. Algo que se perdeu no caminho ou então, e isso é muito pior, que nunca existiu.
(Porque há essas pessoas que não pensam, que são extremamente burras. Que são levadas ao sabor da maré e que nunca lembram que sim sim, existe opção e não não, optar não é garantia de nada. Gente burra, tão burra, que nem cogita que optar não é ser racional, mas apenas não ser bicho-idiota que come apenas e somente em maré cheia. Como minha irmã - que é esse animal no lugar de gente: que reclama por ser bicho e não ser gente)
Então é disso:
gente morta, gente triste. Gente que se preocupa se está ou não feliz.
Perde-se tempo, erra-se o inimigo e usa-se a boca cheia pra falar d'a injustiça do mundo'.
O mundo é injusto e todas as pessoas decentes sabem disso. A coisa é pior;
é: - quer mesmo que eu acredite que você é tão idiota apenas porque o mundo injusto?
Gente morta do caralho. Que só ve o inferno. Que só vê a escuridão. E que, como não?, exige ser comprendido. - você não vê o inferno e a escuridão por incompetência, tá ligado?
A velha vaidade dos mortos: - eu sofri muito mais que você, sabia?
O sofrimento como virtude...a merda mais velha.
Vampiros que desfilam sem charme, zumbis que passeiam encantados com a descoberta da mariposa albina, lobisomens que 'entram em questão' com a própria sexualidade.
o pior.
os mais afetados.
os menos tristes e os mais sinceros:
a escória,
a ciranda.
E eles e elas e todos estão aí e estão sempre entrando em sua vida. Como sangue-sugas que são. Como idiotas que são. Como bichos de maré que são.
A casa mais linda,
a irmã mais burra
e uma única certeza que ulula:
tudo, menos isso.
De casais que se definham mutuamente e que acham o processo natural de desenvolvimento do cactus algo encatador.
Estou falando de mortos que gostam da boa companhia de outro morto.
Alguma coisa que ficou pra trás. Algo que se perdeu no caminho ou então, e isso é muito pior, que nunca existiu.
(Porque há essas pessoas que não pensam, que são extremamente burras. Que são levadas ao sabor da maré e que nunca lembram que sim sim, existe opção e não não, optar não é garantia de nada. Gente burra, tão burra, que nem cogita que optar não é ser racional, mas apenas não ser bicho-idiota que come apenas e somente em maré cheia. Como minha irmã - que é esse animal no lugar de gente: que reclama por ser bicho e não ser gente)
Então é disso:
gente morta, gente triste. Gente que se preocupa se está ou não feliz.
Perde-se tempo, erra-se o inimigo e usa-se a boca cheia pra falar d'a injustiça do mundo'.
O mundo é injusto e todas as pessoas decentes sabem disso. A coisa é pior;
é: - quer mesmo que eu acredite que você é tão idiota apenas porque o mundo injusto?
Gente morta do caralho. Que só ve o inferno. Que só vê a escuridão. E que, como não?, exige ser comprendido. - você não vê o inferno e a escuridão por incompetência, tá ligado?
A velha vaidade dos mortos: - eu sofri muito mais que você, sabia?
O sofrimento como virtude...a merda mais velha.
Vampiros que desfilam sem charme, zumbis que passeiam encantados com a descoberta da mariposa albina, lobisomens que 'entram em questão' com a própria sexualidade.
o pior.
os mais afetados.
os menos tristes e os mais sinceros:
a escória,
a ciranda.
E eles e elas e todos estão aí e estão sempre entrando em sua vida. Como sangue-sugas que são. Como idiotas que são. Como bichos de maré que são.
A casa mais linda,
a irmã mais burra
e uma única certeza que ulula:
tudo, menos isso.
11 de setembro de 2012
para ex namorada
Fernandinho varre a casa e passa pano.
Surpreendentemente, Fernandinho não sofre muito com isso.
Fernandinho, acho, está virando hominho.
10 de setembro de 2012
- Minha vizinha se tornou linda em segundos. Quero dizer: tornou-se. Porque assim foi. De repente, em questões de segundos, ela era linda. Verdadeiramente linda. Disse pra ela: L-I-N-D-A. Mas acho que ela não entendeu. Supôs que era frase de efeito. Pior, disse: é só porque vou me mudar, né? Não era. Mas, vá lá!, ter uma vizinha que se torna mais linda porque vai se mudar é uma história bem melhor do que perceber que a vizinha é linda depois de a ver em um Karaokê Gay. Eu entendi. Meio triste, mas entendi.
- É você. E você é si mesmo. Quero dizer: não importa ninguém. Porque motivos para 'não' não importam. O egoismo é a velha lição.
- Egoismo bom é meio assim, disse el bigodon: se te dá conforto é bom, se não, cai fora. A não ser que queira ser mártir. E ser mártir, se bem lembro e entendi, é a vaidade mais escrota de todas.
- Deixei um bilhetinho embaixo da porta. Bilhetinho-sincero-tipo-bêbado: Vizinha, você é linda.
- Penso em Deus. É inevitável. Mulher me faz pensar em Deus. E isso não no sentido positivo da coisa. Porque Deus, a gente sabe, faz mais sentido quando é mal. Aquela justiça primitiva de olho por olho, dente por dente: mulher.
- Minha vizinha vai só melhorar, eu sei. Mas sou discreto e tenho auto-controle. Ouço sua porta e reprimo meus impulsos mais primitivos. Agradeço ao Deus mal que ela vai se mudar. Porque Deus sabe das coisas, eu aprendi. Mas, de qualquer maneira, sempre espio sua janela quando penduro meus lençóis.
8 de setembro de 2012
a ideia é que há algo a entender, mas não há algo a entender.
você pensa em deus, pensa nos amigos mortos, tenta lembrar de um ente querido.
inventa, como não?, uma possível mensagem subliminar.
- e então? qual vai ser?
você disfarça, faz uma piada boa, solta uma frase de efeito e lembra que o nelson rodrigues sempre foi genial.
- mas afinal quando é que você vai terminar o serviço?
não há nenhuma chance de interpretação, nenhuma metáfora. piadas e frases sem o gênio do nelsão.
- minha casa é pra lá e a sua pra cá. qual vai ser?
você lembra das danças, dos poucos boquetes perfeitos que existiram.
você lamenta profundamente não acreditar em deus.
você pensa em deus, pensa nos amigos mortos, tenta lembrar de um ente querido.
inventa, como não?, uma possível mensagem subliminar.
- e então? qual vai ser?
você disfarça, faz uma piada boa, solta uma frase de efeito e lembra que o nelson rodrigues sempre foi genial.
- mas afinal quando é que você vai terminar o serviço?
não há nenhuma chance de interpretação, nenhuma metáfora. piadas e frases sem o gênio do nelsão.
- minha casa é pra lá e a sua pra cá. qual vai ser?
você lembra das danças, dos poucos boquetes perfeitos que existiram.
você lamenta profundamente não acreditar em deus.
5 de setembro de 2012
2 de setembro de 2012
Fazendo gestos com as mãos e fazendo de conta que é expressivo. A confusão mais antiga de todas. A confusão bíblica. O suor como virtude para o pão, o macho e fêmea os criou como coqueluche cúmplice de merdas variadas.
A maioria absluta e terrível. Os casais de merda - minha mais sincera tristeza.
Quero dizer: por não querer comer merda sozinho, arranja-se alguém para comer junto.
A triteza mais triste: gente incapaz de comer merda sozinho. Ou pior: gente que esquece que come merda porque não come só.
Mas não há nada a ser provado.
É mais a pulga que coça e lembra que o óbvio é discreto a olho nu.
...
A maioria absluta e terrível. Os casais de merda - minha mais sincera tristeza.
Quero dizer: por não querer comer merda sozinho, arranja-se alguém para comer junto.
A triteza mais triste: gente incapaz de comer merda sozinho. Ou pior: gente que esquece que come merda porque não come só.
Mas não há nada a ser provado.
É mais a pulga que coça e lembra que o óbvio é discreto a olho nu.
...
25 de agosto de 2012
O que sempre falta, então a gente faz. Teimosia, meu amor. Tesão de teimosia, conhece? Lembra?
Essa coisa de ir, de fazer, de mexer o corpo pra se enganar e dizer pra si próprio: estou vivo. Participar da mentira e se divertir com isso. Dar oi para desconhecidos, comprimentar, dizer prazer e dizer o próprio nome. Tomar carona e falar ao celular. Dizer até logo.
Essa coisa de ir, de fazer, de mexer o corpo pra se enganar e dizer pra si próprio: estou vivo. Participar da mentira e se divertir com isso. Dar oi para desconhecidos, comprimentar, dizer prazer e dizer o próprio nome. Tomar carona e falar ao celular. Dizer até logo.
20 de agosto de 2012
aquele amorzinho antigo que coça.
tipo frieira; dor e coceira - prazer misturado.
tem a ver com muito tesão e pouco sexo,
com rancor enrustido e ultrapassado,
com prazer de dizer adeus.
aquele tesãozinho chinês,
a oriental que sempre geme de um jeito estranho.
o amorzinho
e o tesãozinho
andando sempre
lado a lado.
tipo frieira; dor e coceira - prazer misturado.
tem a ver com muito tesão e pouco sexo,
com rancor enrustido e ultrapassado,
com prazer de dizer adeus.
aquele tesãozinho chinês,
a oriental que sempre geme de um jeito estranho.
o amorzinho
e o tesãozinho
andando sempre
lado a lado.
27 de julho de 2012
Faz tempo que não venho aqui.
Os sentidos se perdem. Às vezes para sempre. Às vezes não.
Não sei qual é o caso, mas não importa.
Tava nos meus arquivos catando coisas e caçando sentidos. Daí vi isso, que é bem antigo e sem data. Lembro que comecei em 2.000 ou 99. O alimentei por um tempo e depois parei. Quando tentei retornar, acho que 2006, não consegui.
Na época pensei que era um pedaço da adolescência impossível de ser retomado ou mexido.
A última vez que alterei o arquivo foi em 2009, mas não sei se foi quando escrevi isso.
De toda forma, segue:
=
=
Os sentidos se perdem. Às vezes para sempre. Às vezes não.
Não sei qual é o caso, mas não importa.
Tava nos meus arquivos catando coisas e caçando sentidos. Daí vi isso, que é bem antigo e sem data. Lembro que comecei em 2.000 ou 99. O alimentei por um tempo e depois parei. Quando tentei retornar, acho que 2006, não consegui.
Na época pensei que era um pedaço da adolescência impossível de ser retomado ou mexido.
A última vez que alterei o arquivo foi em 2009, mas não sei se foi quando escrevi isso.
De toda forma, segue:
=
=
herói e fernando:
Fernando: herói me diz uma coisa.
herói: fala.
Fernando: você tem medo da morte.
herói: ...não, acho que não...
Fernando: Faz tempo que eu não venho aqui...
herói: eu sei...
Fernando: você deve Ter mudado muito, deve estar
diferente...
herói: não sei...
Fernando: Você me irrita, herói..
herói: Por que?
Fernando: Porque você está aqui há muito tempo.
Não caga nem sai da moita(herói o olha) É uma expressão herói(ele o olha) Uma
maneira de falar...
Herói: E você? Você faz diferente? Caga e sai
da moita?(fernando fica em silêncio) A única coisa que eu posso dizer de mim é
que eu faço muita coisa, mesmo que eu não cague e nem saia da moita...
Fernando: Eu odeio isso em você herói...essa
mania de repetir as coisas...parece que é uma maneira de você ganhar
tempo...Ter volume...
Herói: (revoltado) Volume de
quê? Volume...
Fernando: Como de quê? De
páginas, meu bem, de páginas.
Herói: Mas isso é coisa sua. Não me diz
respeito. Eu apenas sigo suas manias...
Fernando: Então é culpa minha?
Herói: Claro! Claro que sim. Você fala e não
chega a nada. Parece até que você foge, sei lá....será que você foge?
Fernando: Como assim? Fugir de que?
Herói: E eu sei lá? Mas as vezes eu penso
sozinho, sem ninguém dizer nada, e eu penso que você me usa...assim como sempre
as pessoas fazem se fazer de conta que a vida tem algum valor, algum sentido,
sei lá.
Fernando: Porra, herói, se você disser isso
fudeu de vez.
Herói: Eu to cansado, cara. Eu me repito e
você não me ouve.
Fernando: Mas não é assim, Herói. A gente tenta
chegar em algum lugar. Todo mundo tenta. É normal que essas coisas demorem, é
normal que essas coisas se confundam...
Herói: Ta, ta. Pode ser, mas vamos combinar
que isso cansa, oras. É demais, é tempo demais.
Fernando: Ta, ta. Mas o que você que que eu
faça?
Herói: Quero que você decida e pare de me
usar. Pare de fazer de conta que ta tudo bem e que as coisas têm que ser assim.
Não têm que ser assim. Isso só depende mesmo é de você. Decida aí, cara.
Fernando: Herói, mas você nem fala cara. Por que
ta falando ‘cara’?
Herói: você é mesmo muito cínico...
Fernando: ta, ta. Eu admito: sou cínico. Então
vai lá e resolve tudo. Eu vou ficar aqui, do mesmo jeito, vou ficar inventando
minhas mentiras e vou te usar de novo. Pô, herói, achei que teria jeito, sabe?
Quando eu comecei isso aqui eu achei que teria jeito, mas não tem. Sei lá. Mas
é como se antes as possibilidades fosse maiores. Agora não. Agora tem eu e
você. Você que é meu produto, entende? Uma merda.
Herói: Ta. Mas o que eu faço então?
Fernando: eu não sei, não sei.
Herói: você que manda. Então vou ficar aqui.
Esperando.
Fernando: Espera herói, espera.
2 de junho de 2012
=-=-=
- A enorme capacidade de amar que ela tinha. Era superior nesse sentido. "Ser amado" é confortável e acalma. Ela não: ela amava e sabia que 'ser amado' não era tão importante assim. Então amava, e amava muito, e, por isso, por poder amar só, era feliz. E por algum tipo de magia sempre ocorria o encanto: ao amar tanto acabava sendo muito amada - e isso, infelizmente, é muito raro.
- A cocaína nunca foi um problema. Era uma droga recreativa, uma diversão de 4 ou 5 vezes ao ano. Deixou de ser quando vi a merda toda: a compulsão do viciado virando garras e ferindo os outros. Virou tabu, gerou sisma. Hoje, ao ouvir uma história, tive a triste certeza: ele usa cocaína. Mas não falei nada porque não sei de nada e porque apenas supus. Meu achismo comprovou o óbvio: a cocaína virou tabu.
- A inteligência sempre é admirável - mesmo quando não fala nada ou fala pouco. A inteligência, de forma geral, não é chata. Um chato inteligente não existe, por exemplo. Mesmo que um chato possa ter muito, MUITO conhecimento, ele jamais será inteligente. Ou se é chato ou se é inteligente. E vale lembrar: o chato, na média, faz muito alarde; já o inteligente tende a passar despercebido.
- Lembrei da frase que escutei e que não lembro o dono: " A ironia é a tristeza do inteligente." Puta frase, né? Eu acho.
- Eu poderia me apaixonar por aquela guria. Por achá-la gostosa, por acha-lá bonita, por imaginar que conversaria horas com ela. Mas a paixão não depende só disso: tem o tempo, a repetição e a manutenção das primeiras impressões. A paixão se diverte porque deseja ser corriqueira. Mas a paixão, como tal, é bem mais imprevisível. Talvez por isso eu implique com gente que diz: "sempre me apaixono", "vivi várias paixões" ou "sou um apaixonado(a)."
- Percebo o nó na garganta da amiga. Digo: chora aí, bate aí, grita aí. Ela grita, bate um pouquinho na almofada que lhe mostrei, mas não chora. Tudo certo. O ser humano é essa coisa estranha. Muita dor presa, sobretudo nos mais livres. Doer é existir - e dor, em 99% das vezes, se sente lentamente e sozinho, é inevitável. Então amiga, te digo: põe aquele disco triste e bebe aquele vinho guardado; e não esqueça de estar só, muito só.
- O tempo apaga as pessoas. Amigos que passam e deixam de existir. Ainda existem, mas não são reais: a amizade que só faz sentido em outras épocas e outros contextos. Lembro do meu pai dizendo: " a gente era muito amigo e viajávamos juntos, mas acabou: os filhos cresceram, os sonhos e trabalhos mudaram e fomos perdendo contato. É assim, é normal. As amizades tem muito a ver com uma época."
- Nem toda despedida é triste. Perde-se contato, muda-se de idéias e, querendo ou não, as coisas mudam. A mudança, per si, não é boa ou ruim. A mudança ocorre, apenas ocorre, e, de repente, geralmente atrasado, nos perguntamos: nossa, por que tudo mudou tão de repente? Mas nem foi de repente. Foi lento, foi imperceptível. A gente é que só nota depois.
- Acendo aquilo que deve ser meu último cigarro hoje. Há um silêncio na casa que posso ouvir. Porque sei que em breve, muito breve, não haverão silêncios. E gosto disso também: a casa cheia de gente, as gentes invasivas, o vínculo sanguíneo como um dado real - coisa que órfãos entendem muito mal. Vou ligar meu gravador, vou falar para o mp3. É assim, nessa mistura tímida e involuntária, que eu me torno eu mesmo: e, vá lá, isso nem é tão simples quanto parece.
28 de maio de 2012
\lista/
- O amor passeou tanto dentro de você que se perdeu.
- A alegria dela sempre me pareceu estúpida. Não que não fosse alegre ou verdadeira. Incomodava-me que era alegre demais - como o amigo suicida do Tchékov.
- Irritar-se com a carioca burra e afetada de 18 anos é normal. Ficar irritado por isso muito tempo não é inteligente.
- Tristeza é voltar com a mesma quantidade camisinhas.
- Meu caráter circunstâncial prova minha fraqueza. Lembro que existem medicamentos para esse tipo de coisa. Não querer drogas químicas é uma burra questão moral.
- Conversar com gente nova quase sempre me dá mau humor. Os jovens precocemente velhos são, via de regra, mais interessantes.
- A felicidade nunca será a prova dos nove. Em última estância só o chato é eterno.
- Ouvir alguém que fala alto me irrita muito. Ouvir um que pergunta a outro algo que poderia descobrir sozinho me irrita muito também. Conclusão: vivo irritado por causa dos outros.
- A culpa existe sobretudo para aqueles que dizem que ela não existe. E aquele que diz "pra ser sincero" está apenas sendo cretino com mea culpa. Repare: o 'sincero' costuma dizer que a culpa não existe.
- Sob qualquer circunstância usa a palavra América 'auto-estima' será um ato falho.
25 de maio de 2012
A impossibilidade da beleza nunca me incomodou. Assim como também nunca achei ruim o fato do amor não ser um sentimento espontâneo. "Amor à primeira vista" é um discurso bonito, mas pouco verdadeiro. Inclusive por isso a beleza é impossível. A verdade não permite a beleza - essa linda ilusão que alimentamos com alguma consciência. Todavia, a beleza é legítima como invenção: pelo prazer da carne, pelo devaneio dos sentidos. E taí a arte que não me deixa mentir. Um belo quadro muito e tantas vezes não tem nada de beleza. É belo pelo que nos causa e não pelo que é.
E o amor espontâneo é minha sobrinha quando tinha 5 anos e me disse 'eu te amo' após eu ter preparado sua refeição. É coisa de bicho: amamos quem nos alimenta, com comida ou não.
Então olho pra trás e lembro dos meus amores rotos. Verdadeiros enquanto alimentavam e eram alimentados. E penso nos casais que continuam juntos mesmo sem alimentação e me recordo que o hábito é um conforto e que se sentir confortável é se sentir bem e feliz. A felicidade, muitas vezes, é perversa. Por isso, por estar vinculada à idéia de conforto e por se esquecer que tantas vezes o conforto é apenas um costume adquirido.
E o amor espontâneo é minha sobrinha quando tinha 5 anos e me disse 'eu te amo' após eu ter preparado sua refeição. É coisa de bicho: amamos quem nos alimenta, com comida ou não.
Então olho pra trás e lembro dos meus amores rotos. Verdadeiros enquanto alimentavam e eram alimentados. E penso nos casais que continuam juntos mesmo sem alimentação e me recordo que o hábito é um conforto e que se sentir confortável é se sentir bem e feliz. A felicidade, muitas vezes, é perversa. Por isso, por estar vinculada à idéia de conforto e por se esquecer que tantas vezes o conforto é apenas um costume adquirido.
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