11 de fevereiro de 2009
pé quente cabeça fria.
- Alô. Tudo bem, Fê?
- Tudo.
- Sabe quem tá falando?
- Sei.
- Rs. Então. Como tá?
- Tô bem. E você?
- Bem também. Tá surpreso, né?
- Ô.
- Eu tive um sonho. E fiquei impressionada. Por isso que eu tô ligando.
- Um sonho?
- É, um sonho ruim. Você sabe.
- Ah...
- Tá bem mesmo?
- Tô sim. Nada demais ou de menos.
- Jura?
- Rs. Juro.
- Sabe que eu tenho as minhas manias, né?
- Sei sim. Só não imaginava...
- O que?
- Que a gente ainda tinha esse tipo de conexão...
- Rsrsrs.
- Que foi?
- Cê tá mudado, hein?
- Como assim?
- Nunca imaginei você falando 'esse tipo de conexão'...
- Rs...é...acontece...a gente muda...
- Parou de fumar?
- Nem tanto...
- Cervejas, amendoins?
- É, mudei, mas só um pouco.
- Bem, Fê, liguei só pra ver se tava tudo bem.
- Certo...
- Bem...
- Ah...posso te falar uma coisa?
- Claro, Fê.
- Eu to fazendo terapia, né? E aí...
- Rsrsrs...
- O quê?
- Tem certeza que não parou de fumar? Rs.
- Tenho, tenho...mas daí ela, a terapeuta...
- Rs.
- ...falou uma negócio que eu achei bonito a beça...e que na hora eu pensei que você ía gostar...
- Diz.
- Eu tava comentando uma coisa sobre você e ela disse: "ela, pra você, é uma dessas pessoas que a gente pensa em reencontrar quando tiver velhinho".
- Ela disse isso?
- Disse.
- Jura?
- Juro.
- Nossa, bonito mesmo, Fê.
- É. Eu também achei. E achei que você acharia bonito também.
- Putz, que legal, Fê. Quem diria? Terapia...Rsrsrs...
- É, é.
- Rs. Bem, vou desligar.
- Tá.
- Beijos. Se cuida.
- Beijos. Você também.
*
tudo pesado, tudo leve, tudo indiferente. nada pra fazer. esperar, esperar. ler mais. fritar mais. tomar outro banho. calor infernal. rio de janeiro. cansaço sem sono, cansaço sem sono. blogueblogueblogue.
10 de fevereiro de 2009
da janela do ônibus.
9 de fevereiro de 2009
no crepúsculo
8 de fevereiro de 2009
7-1,6
7 de fevereiro de 2009
/=
Gosto de sentir a primeira cerveja agindo. Ela vem lenta e delicada, só pela metade da garrafa é que realmente sentimos o álcool no sangue. Acho isso bem prazeroso e sempre tenho essa imagem do álcool sendo espalhado gradativamente pela corrente sanguínea.
A segunda é mais definitiva, afinal a primeira já fez seu serviço. A terceira, na verdade, não deveria existir. Quer dizer, não pra essa coisa embriagado que to falando.
Acho que o ideal são duas cervejas. Duas cervejas apenas acalmam o pensamento, não chegam a criar pensamentos novos. Acho que é mais ou menos por aí.
(Na verdade a terceira cerveja é ideal para dar uma bela cagada. Calça arreada, copo cheio e cigarro aceso. Cada tragada é um troço. Mas não quero entrar nessas aqui. Não agora, pelo menos.)
Ontem tomei várias. Já tava desconfiado, mas sabe como é: amigo liga, amigo que nem sempre se vê aparece, papo bom e por aí vai. Várias cervejas e alguma ressaca. Meu estômago não é tão forte quanto eu gostaria. Ele faz seu protesto e pede coca cola e água e balas de morango.
Converso com os meus e me sinto em paz. Tive um dia cheio de euforia porque inscrevi uma esquete prum festival aí. E finalmente a gente fez o Buk na lapa. Foi foda, uma bravata. Mas os atores são valentes e fizemos o nosso. Quando acabou a peça disse pra Helen que a gente vai direto pro céu. Ela concordou, riu e disse que a gente vai ter champanhe lá. Eu prefiro mesmo é a cerveja, mas tudo certo.
Também teve o lance legal do Atyla, um cara que gosta das nossas peças, ter feito a guitarra ao vivo. Ele topou a roubada e sofreu junto. Essa é uma das coisas legais de teatro.
No mais volto pra casa pensativo e calmo. Vejo que o Coimbra tá cheio de cocainômanos.
Fico feliz por não ter saideira hoje.
-
Ponho esse video que é mesmo genial e verdadeiramente engraçado. Na tal esquete enfiei essa música. Se formos selecionados tamo fudidos, mas uma merda de cada vez.
6 de fevereiro de 2009
5 de fevereiro de 2009
de resto, o sonho imbecil
Crianças berram pela noite e não há muito a se dizer.
Verdade ou mentira é coisa de fracos.
O jogo ainda é ganho, a repetição ainda é feita, a lua segue seu curso besta e natural.
Solidão é estado e não desejo.
E os loucos, os verdadeiros loucos, ainda esperam o sublime.
Nada de mais ou menos, apenas a velha batida que repete: continue, continue.
Beleza é real e não simulacro.
Força ainda é suor e não esperança.
E reparo em tudo que existe além de mim
e repito, quase secreto:
que se foda, que se foda.
Me dou melhor agora e essa é a única grande tristeza.
De noite todos gatos são pardos.
E pardos é apenas a maneira préconceituosa de se dizer sem cor.
Bundas que pululam em sonhos que diminuem a ideia de humanidade.
Loucuras com prazo de validade e alma semi-pronta.
O riso eterno e triste do único desdentado que importa: Deus!
Porque Deus é o último tabu e a última violência,
porque Deus, mesmo sem existir, se faz presente e determina as vidas.
Porque Deus não existe, mas, mesmo assim, a gente fala Dele.
Porque o infinito ainda é o último desafio da espécie humana.
3 de fevereiro de 2009
sobre o prazer de fazer teatro.
1 de fevereiro de 2009
loucura, liberdade e a cerveja de domingo.
No último ano pensei muito em liberdade. E liberdade, como um tipo de desejo profundo da nossa espécie é, sem dúvida alguma, um desses valores sagrados que sempre permeou a vida humana, já que essa é capaz de se pensar como vida humana.
Nas tragédias a liberdade é questão, nos grandes movimentos também. Os hippies falavam sobre a liberdade, os comunistas também. Ouso até dizer que mesmo o Sr. Hitler tenha falado disso, embora, de fato, nunca tenha lido algo que me prove isso.
A loucura, em sua plenitude de ideal, ou seja, naquilo que ela tem de melhor, deseja, antes de tudo, a liberdade. Liberdade para ser louco, para não dever explicações. Liberdade para ser sem existir, para que sejamos, enfim, o ser puro que só existe como puro instinto, sem o lapso entre o pensar e o agir.
A nossa dureza de bicho homem é essa: temos a habilidade do espírito e da alma, mas sofremos por saber que essa habilidade existe.
Nesse sentido, somos um bicho dividido e isso nos constrange de maneira profunda e cruel, afinal o constrangimento só existe graças a nossa possiblidade de julgar as ações, sejam elas privadas ou públicas.
Nós pensamos sobre o mundo, mas o mundo não faz questão disso e, isso, isso de pensar sozinho e sem a participação do mundo, é uma dor sem fim, um constrangimento terrível que desafia a gente como ser humano e nos coloca no desprezível lugar de animal.
A ideia de ser só instinto pode ser muito bela, mas a partir do momento em que entendemos que toda e qualquer ideia é apenas resultado da nossa capacidade peculiar de julgar e pensar o mundo, entendemos que a ideia de viver só por instinto é impossível já que ela surge como uma ideia, ou seja, como uma manifestação daquilo que nos divide e dilacera: a velha e plene dor do ser que é espírito e corpo ao mesmo tempo.
Portanto, a liberdade, ou mesmo o desejo de loucura, são, ainda que por via negativa, coisas que afirmam nossa terrível condição humana: um ser dividido que se atrapalha entre o agir e o pensar. Um ser que com sua habilidade criou tudo que existe, para o bem ou para o mal, tudo que conhecemos: a guerra, a internet, a morte, a literatura, o amor, a inocência, as artes, a ciência e etc.
Não tem fim essa lista de coisas. Somos, ainda que contra nossos ideais, seres que criam seu próprio mundo. E esse é o nosso terror e o nosso encanto: temos todas as possibilidades, mas não podemos usar todas ao mesmo tempo.
relatinho.
31 de janeiro de 2009
aav v
Sento e bebo uma lá, lendo as cartinhas. Depois, já em em casa, me junto com outro. E me sinto bem.
Gosto quando outro me diz o que eu preciso ouvir. É bom ouvir certas coisas de boca alheia.
"Sem metafísica não há cultura", é um bordão que roubo de imediato. Sem culpa, sem dor. Mesmo o ladrão tem explicações para o seu roubo.
Essa gente aí é da pesada mesmo. Eles falam, eles berram, eles não têm medo de falar sobre o que realmente acreditam.
É claro que eu vou chupar eles, é claro que o sangue deles é o sangue que importa.
Até porque, qual é a outra opção?
Sugar o Zeca Camargo por que ele apresenta o Fantástico?
Mudar pro canal que tem mais Ibope?
Eu não. Não agora, enquanto tiver o meu luxo.
Fazer 10 coisas ao mesmo tempo só é mérito pra quem não faz nada de verdade.
Eu prefiro, enquanto posso, buscar essa gente. Essa gente que não viveu para curtir a vida. Essa gente que desejou tirar da vida o que decidiu como mais importante.
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(A merda da situação atual é que tudo fica com cara de resposta, mas nem é esse o ponto. O lance, pra mim, é antigo e é o que sempre foi: o homem é do tamanho dos seus sonhos. Caga Regra velho e batido, mas, mesmo assim, pontual)
30 de janeiro de 2009
quando as unhas crescem
29 de janeiro de 2009
28 de janeiro de 2009
Tipo Assim Blogue Fodão.
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Descobri o blogue dela e nem lembro como e, de vez em quando, ela escreve umas pérolas e uns textos realmente legais.
27 de janeiro de 2009
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25 de janeiro de 2009
qcqss
- Quem é não precisa dizer "eu sou". Quem precisa afirmar a si próprio se enfraquece. Hitler, demônio que acreditava ser anjo, nunca precisou dizer que ele era ele. Ele era ele, e ele, na cabeça dele, estava melhorando o mundo. Isso quer dizer que fazer o mal independe de ter consciência do mal que se faz. O mal geralmente é feito por motivações positivas. O velho ditado popular nos ensina isso de maneira simples e direta: de boas intenções o inferno está cheio.
- Morremos a cada dia e isso é fato. Não é inteligente confundir fatos com novidades. O tempo passa e é terrível. Tão terrível que é o tempo um dia que nos matará. Nada suporta ao tempo. A carne será pó, a crença será lembrança e o conta gotas fatal do tempo é o único desafio real que temos.
- Ganhar do tempo é o grande objetivo da especíe humana. Seja na ciência, na arte ou no amor. O curioso é que sabemos de antemão da nossa derrota, mas mesmo assim insistimos. Saber que a gente perde para o tempo não quer dizer que a gente desista da luta. Somos esse tipo de bicho que se identifica mais com David do que com Golias. Ou alguém acha que a gente se identifica com a 'causa Palestina'(argh, eu disse isso) à toa?
- Agora tem um negão na Casa Branca e isso é realmente incrível. Ao mesmo tempo o lado incrível da coisa diz mais respeito ao nosso preconceito do que à nossa crença na 'evolução' da humanidade. É uma pena, mas de qualquer maneira eu acho supeerr legal ter um negão na Casa Branca.
- As crianças são sempre bonitinhas e comoventes. Algumas delas serão pretas e chegarão a Casa Branca. Outras serão o maníaco do parque. Pra dar meu recado, eu simplifico: parecer criança não é, em si, um grande mérito. O que as crianças se tornam é sempre mais significativo do que o que elas aparentam. A vantagem de ser criança é que ela ainda não sabe que é ela, e não o destino, quem age no mundo.
- Os jogos e brincadeiras foram, em princípio, feitos para nos preparar para a vida. Exemplo simples: brincamos de casinha para um dia termos nossa casinha. É uma compreensão das coisas que podemos classificar de ancestral. O banco imobiliário é isso, assim como o jogo da vida. O war é uma compreensão mais em baixo da coisa, mas, mesmo assim, ainda é. Deveríamos aprender mais com esses jogos e brincadeiras. Eles são mais significativos do que imaginamos. Basta lembrar qual era nossa brincadeira preferida.
- Ter um blogue é sempre algo suspeito. Quem tem essa necessidade de dizer tudo, além dos inseguros? Claro está que ter um blogue é uma maneira discreta de chamar a atenção. Mas chamar atenção pra quem? Pros outros ou pra si mesmo é a grande questão. Eu me protejo quando penso que é chamar a atenção pra mim mesmo, mas isso não quer dizer que eu não esteja errado. Estar errado é parte da jogada. Saber que esteve errado é triste e inútil. Só se erra pra acertar, diz meu umbigo fraco.
- Os dados estão na mesa e temos sempre 3 chances. Cada um reage como quer e como pode. Apesar de todo esforço, somos seres limitados. Isso é triste. Saber disso é triste. A tristeza também é parte da jogada, enfim.
- O idiota se apega a sua idiotia. Eu me apego à mim mesmo. Sem solução, é tudo velho e chato. As minhas chances ainda são as mesmas. E as esperanças também. Pra mim, os milagres ainda são possíveis.
24 de janeiro de 2009
"só não posso perder meu rock and roll"
Cheio de ódio, raiva e desprezo. Cheio de Revolta.
A merda do meu computador tá preto, preto. Ligo e nada, nem a porra do apitinho. E tá tudo lá, tudo que eu precisava pra agora.
Sorte que sou um filhinho de mamãe que tem um laptot. Sorte que não me sinto culpado por sentir coisas negativas.
A merda tá espalhada e o cheiro tá ficando cada vez mais podre. Daqui a pouco ela seca, daqui a pouco ela ficará seca e então eu poderei a recolher com a mão. O bom da merda seca é que ela não fede nem suja. A merda seca é quase uma pedra, sem cor definida, sem forma clara, sem nada.



