9 de março de 2010

sobre a felicidade.

Felicidade é um treco tacanho e mesquinho. Não tem nada de nobre. É um treco estúpido e sem sentido. Por isso me irrita quando alguém fala: o que eu quero é ser feliz / o importante é ser feliz / felicidade é meu objetivo de vida.
Digo isso porque estou feliz.
Estou feliz e radiante.
Também estou eufórico.
Até tremulo minha mão ao escrever e nem vou comentar como os cigarrinhos seguem um atrás do outro numa ciranda de fumaça azul e cancerígena.
E tudo isso porque O vinho da juventude, do John Fante foi relançado pela José Olympio Editora.
É como a cereja do bolo, mas nesse caso a cereja é bem superior ao bolo, mas bbeemm superior.
Tava até animadinho. Entreguei meu último trabalho chatinho e tinha o mundo aos meus pés.
Fiz o caminho que mais fiz na minha vida e encontrei milhares e milhares de pessoas que conheço ou que sei quem são. Muitas mãozinhas de olá e quanto tempo.
No shopping tomo suco e passeio no ar condicionado.
Como bom gordo nerd que sou, vou até a livraria e então o milagre ocorre:
na estúpida estante de 'lançamentos' eu vejo: O vinho da juventude. Até gritinho eu soltei. Gordo nerd e agora bichinha que solta de maneira aguda e escandalosa: não acredito.
Pego o livro e vou ver o preço, mas sei que vou comprar. Quase empurro a gorda panaca que tava na frente da máquina dos preços.
42 pratas, mas Jesus, que bobagem, eu já havia pensado em comprar esse livro por 100 pratas num sebo paulista...
Dane-se. É meu.
Estou feliz porque tenho aquilo que desejava.
E aquilo não é nobre tipo amor ou saúde.
Aquilo é um objeto real e palpável. E é meu. Só meu.
E tá aqui agora, do meu lado e ao lado do telefone.
É meu. Eu o possuo.
Nosso flerte já começou. Abri ele, dei uma olhadela nos nomes dos contos, li 1/3 da orelha e anunciei sua presença no estúpido facebook.
Daqui a pouco termino a orelha e dou mais uma olhadela como quem não quer nada.
Sinto quase medo. O último do Fante em português.
Vou ler devagar. Talvez até compre um vinho pra ocasião. Quem sabe acenda velas.
Deus, o mundo é bom. Deus, eu sou feliz.
Feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, feliz.

3 comentários:

maria rezende disse...

caramba, eu vi na travessa e chamei o rodrigo sabendo que ele ia ficar feliz que nem você, mas acho que você ficou mais feliz porque já perseguia ele - o livro - né? a gente nem sabia que existia... compramos e aí foi aniversário do ramon e pimba! demos pra ele de presente. e planejamos comprar de novo sem seguida mas não, ainda não compramos. mas entendo a sua felicidade, eu fico assim com cada saramago que sai, com a diferença dele estar vivo e produzindo e lançando.
compre o vinho, acenda as velas, aproveite a felicidade (que aliás é bem o meu objetivo na vida, cê sabe, né? e é por isso que a gente se lê, porque eu declaro isso e você finge que odeia... =)

Sayonara Melo disse...

Também me irritam as ditas frases sobre felicidade, mas é impossivel negar que de vez em quando, por algum motivo, nos tornamos seres imensamente felizes. Bom, eu leio pra caramba mas não conecia este autor. Valeu a dica. Um abraço

fmaatz disse...

Maria,
dei risada com seu último parenteses...mas te leio mesmo porque acho que escreve bem e isso basta. feliz ou não feliz nem define bom ou ruim, né? duca duca ter achado esse livro. e ai e ui. Fante é o que eu queria ser quando crescer. bem bem, depois falo contigo em particular. bjs.
f.
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Virginia,
vá atrás dele. não se arrependerá. fui lá dias desses.
bjs
f.