6 de abril de 2012

de todo o resto.

Falava de amor e novidades. Falava de tudo. Dizia que tudo mudava, que o mundo era enorme, que a intensidade doía. Explicava os astros e dizia que, mesmo sem saber, eu era uma pérola, um deus, um escolhido.
Me mostrou suas mãos e me explicou porque era assim, porque vivia assim, porque acreditava assim.
Gostava de homens, de mulheres, de flores, de cidades, de passarinhos, de ricos, de gente, de bairros pavimentados com árvores, de praias, de cinemas, de bares. Gostava de tudo.
Me explicou sobre saúde, sobre alimentação, sobre os índios esquecidos da Austrália. Disse não ter país, não ter lugar, não ter plano de saúde. Riu. Achou tudo que disse engraçado e riu.
Eu ri também.
E nos sarramos, e nos beijamos, e íamos trepar, mas meu pau não entendeu e ela disse seus clichês de mulher descolada: "não me importo", "super normal", "acontece".
Disse meu clichês: "nunca me ocorreu", "que merda", "a culpa não foi sua".
Mas a culpa - se culpa havia - era dela e eu sabia.
Mania de fêmea por cima, mania de fêmea 'levanta que eu corto', mania de fêmea de mil posições. Mania de fêmea meio macho antigo, que acha que estar no controle é estar bem.
(Lembro de um bom papo de bar, onde, ouvindo os outros, homens e/ou mulheres, cheguei a conclusão que toda brochada é culpa do outro, uma vez que mulheres também brocham, e que sempre, e sempre e sempre, antes da brochada em si, há um erro claro e transparente que, como sempre, jamais é percebido pelo 'errador')
Nosso hasta, nosso quem sabe, nosso eu te ligo. A discrição é uma arte e os travestis são confundidos com mulheres em lojas de sapatos femininos.
Meu amorzinho / meu tesão
eu não te espero
mas finjo que sim.
Aprendi:
é conveniente viver assim.

2 de abril de 2012

Faculdade de Medicina, se bem lembro.

Fazer o que não se faz e descobrir que as coisas são boas e inofensivas. Porque é bobagem, mas sei: muito dificilmente faria isso estando no RJ. E não é nada demais; e é saudável. E a decência passeia tranquila em casas pequenas e aconchegantes.
Ver as gurias, ouvir as gurias. Reparar em suas histórias, em um senso de nação e solidariedade que surge pelo fato de ser outro, de ser estrangeiro. Tentar não olhar muito os peitos, muito as coxas. Ou melhor: tentar olhar com discrição. Ou melhor ainda: tentar olhar apenas para a própria satisfação, sem o desejo de 'olhe como te olho.'
Ser calmo, beber lento, comer pizza e ouvir o caminhão de lixo e seu barulho universal.
Os panos das gurias, os urigâmes das gurias, a história da prenda que era caipira, da roubada com porteños escrotos, dos paus moles, do cigarro sem nicotina que diz que a fumaça alheia é prejudicial.
Voltar, pegar o ônibus, pensar que a pé era só mais 20 ou 30 min...
O Fernet, a beleza que é a mistura de doce com amargo na medida exata.
A satisfação simples, a vida besta, o sentido de estar onde estou.

1 de abril de 2012

Travando o m-ped.

Descubro meu bar, descubro meu número: uma cerveja de um litro, dois Jack Daniel's e uma água. Ainda não sei como o Fernet entra na jogada, mas chego lá. Questão de tempo, de experiência, de informação de bêbados argentinos. (Ainda não conheci nenhum bêbado argentino, desses que cagam regra e explicam porque o mundo é assim.)
Três semanas amanhã. A cidade está mais domesticada e a maioria das direções eu acerto. Andar ainda é um prazer. Se fosse atleta, se tivesse vocação para atleta, diria: se não andar, meu corpo reclama.
Tenho que resolver minha rotina porque estou acordando muito tarde e porque acordar tarde só vale a pena quando acordar cedo não é bom. Até porque dormir é sempre bom, mas a gente faz em qualquer lugar. Quero dizer: andar com luz solar é bem mais conveniente.
Então: pra tocar punheta e dizer u-hu, fica assim: rotina inventada, neném. Das 10 às 12 andar, das 12 às 13 comer, das 13 às 17 escola ou biblioteca, das 17 às 01 a vida, as coisas que importam.
É, o tesão passeia. É, confirmar que você é você mesmo dói mais do que agrada. É, sobreviver não é viver em função da sobrevivência. É, melhor gordo-mole do que magra-dura. É, ser cruel consigo próprio é a única decência possível.
Meus dedinhos em direção ao ceú / meu ventre me puxando pra baixo / uma vontade de subir / e, Deus, bem do alto, dizendo que tudo é besteira.

29 de março de 2012

Café da cafeteira.

Impressiona-me o silêncio, a indiferença.
(E hoje sonhei com uma rejeição que me doeria de sobremaneira)
Mas estou falando de outra coisa, de outras gentes. Tem a ver com a ausência de sonhos e com o desejo de controlar tudo.
Penso nos cachorros que dependem de alguém  para pegar a bola e lançar para que possam, enfim, se divertir buscando bolas. E tem os cachorros sem donos, e tem ainda os cachorros que pegam a bola e deixam próximas à mão do dono.
E há ainda os pardais voando naquele raio de 1 km que, por algum mistério, jamais é transposto.
Impressiona-me o 'precisando é só chamar' e o 'estamos aí', as galinhas que cacarejam satisfeitas por porem seus ovos.

28 de março de 2012

má1eme10

  1. Pra ter tesão e dizer até logo, eu sei também, meu bem, meu bayb, meu nêne, meu tico-tico.
  2. Quero isso e aquilo. Quero o mundo todo. Quero tudo, quero muito. Querer, eu li, é repetir a merda velha e gasta de quando eramos crianças e o choro fazia com que peitos surgissem para nossa satisfação.
  3. Ter nariz é simples, basta ter nascido. O lance, nêném, é o nariz que te alcança o ânus.
  4. Nunca mais aulas de redação. Nunca livros publicados. Nunca outra guria deslumbrante fazendo promessas e contando mentiras depois de te ler.
  5. Ficar com o pinto pequeno por causa do frio. Elas não entendem. Elas nunca entenderão. Pinto, queridas, não é uma matemática de soma ou subtração.
  6. As sinceridades do carinho são mais importantes para quem fez o carinho do que para quem os recebeu. Você sabe, né?
  7. A elegância é uma paisagem. Quero dizer: se a paisagem não for pintada por um impressionista é o quê?
  8. Mulheres que se impressionam quando convidadas para tomar vinho só fazem sentido no verão carioca - quando o vinho não combina com a temperatura e ser incoerente vira virtude de gente que não gosta de cerveja.
  9. Quem mudou foi Àjax, foi Édipo. E, é sempre bom lembrar, eles não mudaram porque queriam.
  10. Há quem ache tudo barato porque valoriza o prazer de comer alfajor com café. Eu não. Eu gosto mesmo é cerveja.

26 de março de 2012

Relatinho.

Trata-se de ir e vir, de estar tranquilo para ir e vir. Aquela abstração que a gente chama de 'sensação de segurança'. Tem a ver com claridade, tem a ver também, como não?, com bairro rico.
Então vou e venho. Sempre andando sempre andando. 3 kms de ida e 3 de volta e, meu deus, é claro que 3 kms a pé são mais simples do que de ônibus e mais econômicos do que de táxi.
E há prazer em andar. Sobretudo em andar a noite, quando tenho destino e objetivo - que é diferente do andar diário cuja graça é justamente a ausência de destino. (O nome disso é flanar, me explicou a Fran uns anos atrás)
Então voltou do show à pé. Show que jamais iria estivesse eu em outro lugar que não aqui: Emicida e Criolo. Bom de ver, bom de estar. Fernet meu amigo e táxi de cu é rola. Andar, neném, andar.
No meio do caminho o bar que, ao que tudo indica, será o meu bar. É razoavelmente perto (1km, acho) e tem um preço decente. Não é muito turístico e nem super-popular, o que é ótimo.
Dois Fernets a vinte pesos cada e uma área de fumante bastante decente.
(Tinha uma brazuca semi-famosa lá e reparei em como essa gente famosa sempre se comporta como famosa. Quando peguei meu 2° Fernet ela estava com o dono e fazia questão de o chamar pelo nome. Era previsível e estereotipado: ela sempre será uma apresentadora do Multishow)
Intimidade na volta e contas que dão certo. Concluo que começo à conhecer a cidade e que me perderei menos daqui em diante, o que talvez seja uma pena.
Chaves certas pra trancas certas e, vá lá, faz apenas 2 semanas, por mais incrível que isso me pareça.

25 de março de 2012

Repare bem.

  • As crianças são, na grande média, felizes. Podemos dizer também que, de modo geral, as crianças não pensam, apenas sentem. Por isso são felizes as crianças: estão próximas do humano-animal, àquele que apenas reage, ou melhor, que sobretudo reage.
  • Conclui-se que não pensar - ou pensar pouco, sendo generoso - é o grande agente da felicidade. Quanto menos se pensa mais feliz se é. Os que sentem, os que identificam a vida com o ato de sentir, são mais propícios ao prazer - ou seja: a idéia ancestral de que felicidade é o prazer e a infelicidade é a ausência de prazer, ou desprazer.
  • Não há verdades, não há fatos. Há, e olhe lá, o 'pensar cientifico'. O 'pensar cientifico' apenas reconhece que somos guiados pelo instinto de prazer ou desprazer. Ele não define nada, não resolve nada. Ele se pretende verdadeiro e, portanto, incólume à sensações e estados de espírito. Não há julgamentos, há contestações. E sempre com um ponto de vista bem definido.
  • O 'pensar científico' tornou-se relativizado. É triste, mas é compreensível. Em última estância nunca há verdade absoluta. E isso foi o 'pensar científico' que disse, não foi o neo-hippie do séc. XXI.
  • O erro fatal, se erro há, é achar que o fato de tudo poder ser relativo, torne inexistente a defesa legítima de um ponto de vista. Em outras palavras: mesmo em erro você pode (e deve) defender um ponto de vista. Porque isso, essa coisa banal que é defender um ponto de vista, é o que te caracteriza enquanto humano. Repare, você não fala de indivíduos, fala de humanidade, de coisas da humanidade. Daquilo que é humano, demasiado humano. (Se você fala de indivíduos, claro está, você é estúpido, apenas estúpido)
  • Pessimismo ou otimismo são valores idiotas, eu li e concordei. Porque tem a ver com prazer/desprazer. E por que, vá lá, quem, em são consciência, vive por conta disso?
  • Não há perguntas e nem há respostas. Há o mundo manifesto que está errado via de regra. Rejubila-se com a dúvida ou satisfaz-se com as respostas. É o mundo manifesto e verdade há sim, como não? Você pode não buscar, não desejar buscar, mas o problema é seu. Verdades existem, mesmo que negadas, mesmo que impossíveis de se alcançar.
  • Fica o não dito. A força da individualidade diante do mundo e a tristeza da solidão. Fica o não dito: sem tempo, sem graça, sem proscratinar a idéia de sucesso. Fica isso, fica Deus e fica a necessidade cruel de contato humano. Porque somos assim, porque lemos as coisas erradas, porque o isolamento não é circunstâncial e nunca foi. Tem a ver com inaptidão, com merdas que rolam, com shit'en'roll.
  • Fazer. Andar. Andar é fazer e fazer é uma abstração. Esqueço do bigodudo e cago minhas próprias regras. Fica assim: tesão passeia/ teatro de estudantes/ tudo varia.   

21 de março de 2012

Toma-se Fernet, neném.

  • O tesãozinho passeia e a cada ônibus tenho uma nova paixão. Há vezes em que desço antes e outras que desço depois. O tesãozinho resiste como um bravo: é um helado argentino no verão carioca.
  • Fazer o que não se faz é um dos motivos de eu estar aqui. Hoje, por exemplo: balada (boliche) em boate cara e gente que não me interessa de modo geral. Danço rap e música eletrônica e concluo: maravilha, eu não sou eu, eu não preciso ser eu.
  • Fernet com coca vai durar. É bom e gosto do amargo que tenta superar o açucar da coca. Bebo 1 até 4. Devo me inteirar mais e ver com o que Fernet combina. Tipo: whiskey e cerveja ornam, já cerveja e vinho, não dá.
  • Muito gringo, gringo demais. Os gringos são fáceis porque estão aí e querem conhecer gente. Gringos não têm critério porque todos e qualquer um são um novo amigo-potencial. Minha birra quer argentinos, quer porteños. Por isso baladas (boliches) não são jogo e nunca serão. Preciso de bares e lugares comuns, onde se vai porque se gosta e não porque se quer conhecer 'gente nova'.
  • Andar é a jogada. Queria ter a pulseira-americana-próxima-moda que mede nossos passos e a distância percorrida. Não por nada, mas porque não tenho a miníma idéia. Se me disserem que andei 5 km direi sim, se me disserem que andei 15 km. direi sim também. Quero dizer: não tenho idéia do quanto ando, mas adoraria saber.
  • Tenho alguma tarefas que inventei pra mim. Amanhã é quarta e as tarefas devem começar na segunda. Tarefas... a gente realmente, e infelizmente, precisa disso. Não preciso ser fiel à mim mesmo necessariamente, eu sei. Mas a pulga me coça: fernandinho, há tarefas boas e prazerosas.
  • Não há um fim específico. Se fosse chato dizia "é um processo", "uma obra aberta". Mas me recuso e sintetizo numa frase canalha e sincera: estou aqui para PENSAR na vida. E, perdão, PENSAR na vida, REALMENTE pensar, não é pouco. É mais, muito mais, do que trabalhar 40 hrs por semana e odiar o trabalho. É coisa de sonho, de tesão, de viver uma vida que não seja apenas, eu disse APENAS, sobrevivência.   

20 de março de 2012

Relato.

Se me perguntassem o que faço, diria que ando.
Pra lá, pra cá, com ou sem direção. Ando.
Cada vez me perco menos e cada vez mais andar me parece uma grande coisa a fazer.
Andar, andar, andar.
Paro no lugar errado e, inocente, peço um frango ao limão. Que frango ao limão deveria ser um frango grelhado, mas não é. Trata-se de um frango branco, com molho de limão escuro e cheiro e aspecto de frango descongelado.
Não há muito a fazer. Reclamar do que? Pra quem? Come-se a 'ensalada', tenta-se comer o frango e paga-se os 50 pesos.
Um dia alguém explica o porquê dos argentinos gostarem tanto de frango...
Então ando novamente e paro e pego um sorvete. Que há sorvete, todos bons, em todas as esquinas. E lambo aquilo e ando e ando.
Os caminhos mais longos, os lugares mais sem sentido. Sem pontos turísticos, sem casas de escritores, sem igrejas que resistiram às revoluções.
Os pretos muito pretos que vendem coisas, os bolivianos muito bolivianos que vendem coisas, os argentinos muito argentinos dentro dos cafés.
Ando mais, confundo Córdoba com Corrientes e descubro que estou na direção certa...
Ameaça de chuva, calle Borges e reparo que sou o único ameaçado pela chuva.
Paro no praça (Cortázar, se não me engano) e leio 3 ou 4 capitúlos do meu livro sobre o teatro argentino, que afinal quero me inteirar das coisas e quiçá aprender espanhol.
A chuva não vem e vou ao mercado. Os piores tomates de toda a América estão na Argentina, eu acho.
Compro 2 ou 3 coisas, vejo produtos que não conheço e preços que provam a falácia do 'tudo barato'.
Na calle Paraguay reparo que choveu.
Ando mais um pouco e estou em casa. (Uma casa boa, pequena, mas boa, num lugar tranquilo e pop que se chama Palermo e que nada tem a ver com o real mundo de B. Aires. Mas quem realmente se importa com o mundo real de B. Aires? Ou mesmo com o mundo real de maneira geral? Eu não e muito menos agora.)
Compras na geladeira, Kiosco 24 Hrs e um tipo de paz.
Banho sem surpresas pela 1° vez e andar novamente. Agora pouco, agora menos. 1 km. 
E há vinho à 50 pesos em todas esquinas.
Bebe-se. Kiosco 24 hrs. Tudo certo.
O que fazer amanhã?
Andar.

17 de março de 2012

Armênia y Chacras.

Se perder é parte da jogada. Tenho os tênis que papai comprou e, vá lá, essa tecnologia toda beneficia horrores os pés da gente.
Juro que é à esquerda e é à direita. A rua que era transversal, na verdade, é paralela. E tá tudo certo. E ando e ando e ando.
Lembrei hoje do livro do Kerouac no qual relata suas flanadas por Paris. Lembrei que devia ter dado esse livro a Fá e que ele, sempre meio atleta meio drogado ( e nem vale usar o catolicismo fanático agora) programava caminhadas de 30 kms por dia.
Lembrei disso porque vi um Punk no ônibus com coturnos e porque, se bem me lembro, o Kerouac usava botas longas pra caminhar. Lembro que nesse livro ele falava da importância das botas.
Daí concluí que comprar um coturno parece ter sentido. Se não servir pra caminhar, terei um pisante que dura anos e anos e que, vá lá, tem estilo pacas.
Fernandinho de coturnos pelas ruas porteñas. Uma fita, uma foto, um novo fato: trocadilho em homenagem ao Aramis.
Ainda bebo meu whiskey com água, mas agora bebo também fernet.
Bebida amarga pra quem realmente gosta de beber.
Eu gosto, eu bebo.

16 de março de 2012

Tudo novo, tudo lindo.

Deus está no ceú e nos abençoa e tudo vai bem, muito bem,
bem demais.
E forço-me a lembrar: pensar na vida, decidir as coisas...
E caminho kilometros por dia e tenho uma casa nova e todas as possibilidades de tudo.
E Deus, do ceú, me pisca e diz:
- vai, gordinho safado!
E as bolhas nos meus pés sararam
e andar pra cá e pra lá é simples e prazeroso
e os narizes das argentinas só melhoram a cada dia.
+
E vejo escolas, converso com taxistas, atendentes de bares ou cafés
e descubro que, na média, na grande média,
as pessoas são boas e generosas,
seja lá o que isso for.
+
E Deus volta
e dá um sorrisinho
e diz: - até logo, neném!
E falo c' Ele
e sim, sim,
eu entendo:
tá tudo certo, bebé!

14 de março de 2012

A garota do banco.

Tão linda, tão amável, tão argentina: o nariz mostrando a direção para o sagrado inferno.
Deveria ter escrito meu nome, meu endereço, meu e-mail, meu telefone, o número do meu R.G.
Não deveria ter escrito apenas o nome dos livros e o nome do autor.
Quiçá amanhã volto lá, pego o papel, escrevo R.G, telefone, e-mail e endereço e, em grande estilo, deixo no papel uma marca de beijo de batom, que terei passado exclusivamente pra isso.

9 de março de 2012

aprendi: afeto é para os fracos.

A beleza é a indiferença e a apatia que não é minha. O registro velho, a falta de reação, a aceitação patética de que tudo siga exatamente como sempre. Então sorrio, penso nisso e naquilo, olho pras belas paisagens e me lembro: é tudo enorme.
Não há identificação real, não há sonhos compartilhados, há apenas a conveniência. Sou conveniente também e agora tenho consiência da conveniência, o que diminui a dor de antes. Que não entendia o porquê de tanta tristeza.
Estar só acontece. Estar só achando que estava acompanhado é que era o problema.

7 de março de 2012

Deus do lado de lá.


Não me importo tanto,
não me importo muito.
O que me pega
é continuar igual tá.
-
Não é alegria,
nem é milagre.
Apenas espero que,
entre fossas e barracos,
exista coragem
pra que a gente
se acuse do que é
e sempre foi.
-
Elevo minha dor
para elevar meus sonhos
e sou calculista
e não me arrependo.
-
A dor fica maior
e me sinto mais fraco.
Mas me sinto bem melhor,
mesmo que cheio de medo;
e concluo que,
com quarenta anos,
terei sofrido
mais
muito mais
do que precisava.
-
"A gente se acostuma",
meu bom amigo me disse.
E ele tem razão.
A luta é só uma:
fugir da mesmice e
aproveitar o dinheiro que se ganha
para viver com clareza
e - por que não? - com alma.
-
E penso em mim
e penso nos outros
e estamos fodidos
e vivemos mal
e ainda achamos
que, mesmo sem 13°,
viveremos com alma.
-
Mas o problema
não é viver bem
ou viver mal.
Nunca foi.
-
Preocupar-se com isso
é achar que
a cobra morde o rabo
apenas porque
assim o ditado diz.
-
Infelizmente
não há culpa
e nem há culpado.
É só o choro estúpido
pelo leite que caiu
enquanto era
tesudamente
derramado.
-
Fica-se feliz por ter o que tem,
fica-se triste por não ter o que não tem.
Não é por somas ou por vitórias
que se aguenta a vida
ou se esforça tanto para viver.
-
São coisas outras
sem nomes
sem contas
e sem somas
que fazem
com que os têm filhos
e coragem
decidam por não apenas dois.
-
São almas tristes
que vagueiam calmas
porque sabem que não há saídas.
São almas infantis
que continuam vagando
porque descobriram
que saídas nunca haveriam
e por isso,
só por isso,
insistem em vagar
. 

5 de março de 2012

morzin

Meu amorzinho passeava com sua capa vermelha. Chapeuzinho urbana cheia de liberalidades.
Falava aquelas besteiras de sempre. Banho de cachoeira, ser feliz, fazer sua parte, ter sacola retornável, etc.
Meu amorzinho era tesudão e tinhas uns peitos que pareciam milagres: grandes e pontiagudos. Eu gostava de tudo, eu concordava com tudo. Sorvete, Paquetá, cinema de shopping aos sábados e comida japa como sinônimo de saúde.
(O amor é essa coisa impressionante. Acha tudo lindo, faz tudo. Ama.)
Meu amorzinho perdeu o tesão e tive paciência. 1 mês, 2 meses e tudo normal. Sexo como vitória, TPM como tolerância e sim, sim, a eternidade está logo após o 9° mês.
Meu amorzinho se foi e nem fiquei triste. Amor demais, vida demais, liberdade demais. Meu amorzinho era lindo e era a chapeuzinho e me chamava de lobo mau.
Meu amor tão perfeito ficando fraco por amor demais, por amor errado, por amar o amor e não um pau, uma buceta, um homem, uma mulher.
Meu amor de conveniência e 1 'casalzinho' de filho. Meu amor matemática e meu amor acordo de casal.
Meu amor ladeira abaixo, atrasando a vida, facilitando a comodidade que é achar que a vida é apenas isso.

3 de março de 2012

Nunca entendi muito bem meus amigos que curtem o Luciano Huck no Facebook.

Agora tenho um espelho e uma balança na minha casa. Olho minha barriga, vejo os três números na balança e penso no tempo que passa.
Quinta Feira conversei com meu bom amigo. Uma sensação velha e confortável de não estar maluco. Porque partilhar agonias e desconfianças melhora a vida. Posso estar só, mas não estou louco.
Conforta saber que existem amigos que não querem a vida apenas como a vida é. Porque essa realidade toda faz mais mal do que bem e porque fugir do esquemão é desejar que a vida não seja essa coisa besta de sobreviver e lutar.
Sobrevivem todos. Amebas, seres uni-celulares, anfíbios, insetos, parasitas, mamíferos. Sobreviver é natural e comum. Não é mérito, não é virtude, não é o motivo da vida.
"Qualquer sombrinha me refresca", me disse ela em um dia inspirado e pensei que a frase era boa e de efeito, mas era apenas isso: uma frase boa e de efeito.

1 de março de 2012

caderninho

Quero ver as coxas de Natália e quem sabe apertar seus bicos de teta. Que das poucas mulheres que tive, apenas uma realmente gostava de pressão nos mamilos. A grande maioria roçadas, lambidas, chupadas e mordidas leves. Nada agressivo como os filmes pornôs insinuam, embora tapas e puxadas de cabelo sejam aceitos com facilidade pela mais pudica das mulheres.
Mas Natália é católica praticante e isso, a gente sabe, melhora muito o sexo. Porque existe a certeza de que o inferno existe e sexo, quando bem feito, tem essa profunda relação com o inferno. Diabos que fazem ondas pelo estômago e contrações que espetam como tridentes.

27 de fevereiro de 2012

Fantasmas.

Os peitos estavam menores em função de problemas na coluna. Lembro de passar a mão e achar que haviam diminuído demais. Mas não me importava. Não muito, pelo menos.
Havia uma decisão que não era minha. Isso me incomodava apenas um pouco. Na verdade o que me preocupava era que a decisão fosse a meu favor, o que de fato ocorreu.
Era confuso e bom. Uma nova possibilidade, a gente dizia. O medo era enorme. Digo por mim, apenas por mim.
O sujeito era bacana e não havia nada de errado com ele. Era meio óbvio, meio comum, meio sem graça, mas só isso.  Um sujeito cheio de dignidade e retidão. Não quis falar comigo porque, enfim, não era mesmo o caso. Mas me olhou e vi seus olhos de homem correto. Quase 40 anos, mas velho d'alma. Aquele esquema de churrasco, academia e cerveja.
Eles saíram para conversar. Havia dignidade na intenção que ele tinha. Eu vi isso, meu medo aumentou e torci para que a decisão fosse a favor dele. Não foi.
Depois ela me explicou sobre amor, apatia e a idéia fixa de que seus filhos só poderiam ser meus. Tinha uma loucura em mim que ela apreciava, me explicou.
Medo do caralho, o futuro todo escuro e aquela mulher que retornava de novo. E pra sempre.

15 de fevereiro de 2012

O álcool e aquela euforia.

Tão fácil sonhar, tão bom sonhar.
Mas o principal: tão importante sonhar.
Essa imensa quantidade de gente que não sonha e me deixa constrangido.
Porque acham que sonhar é coisa pouca.
Como se não houvesse sangue nos sonhos, como se não houvesse dor nos sonhos.
Sonhar é decente e, esquecer-se disso, é a tristeza do mundo.
É a garota que desistiu do príncipe e reclama da companhia do sapo.
(Os casamentos tristes que vi e vejo. Os casamentos que teimam por fraqueza. Os casamentos sem convicção. Os casamentos que enfraquecem casais e maltratam bebês. Os casamentos que ficaram cansados e agora se arrastam pela conveniência de dividir as contas do mês.)
Sonhar porque a outra opção é a morte em vida:
achar que é assim mesmo e que SÓ assim pode ser.
Como se nada mudasse, como se o mundo e o ser humano fossem os mesmos de 50 anos atrás.
Achar que a vida é apenas isso e tornar-se duro para poder ser forte.
Ser duro é triste, achar que não tem jeito é triste, manter a companhia de sapos é triste também.
Que princípes não precisam existir,
que o sonho tá aí e não depende da realidade.
A realidade nunca foi, ou será, uma boa conselheira.
A realidade é o plebiscito que aprova a pena de morte, é o foco da imprensa no alcoolismo do Sócrates-Magrão, é o PT fazendo aliança com o Kassab.
A realidade é uma mulher deslumbrante que te fez pensar em amor à primeira vista, e que já no fim da noite lhe oferece sexo anal à 60 Reais.
A realidade é uma puta linda e barata que insiste em dizer que ser puta foi sua única opção.
Então o sonho. Aquilo que sangra e dá dor. Aquilo que não põe preço no delicioso sexo anal.
É questão de gosto, de estilo, de ambição.
Prefiro o sonho.
A realidade é o inevitável
e existe por si.
A realidade não precisa de invenções
e jamais depende de mim.
E isso, em último caso,
é a mínima explicação necessária.

14 de fevereiro de 2012

Relatinho.

É fácil ser inteligente entre outras pessoas. Mas isso não quer dizer nada, nem mesmo que você é - de fato - inteligente.
Muita vaidade em um único ser e diversas vezes eu pensava: - que merda é essa?
Um tipo de delírio de grandeza, um foco em si que embaça a vista. Falava apenas dos outros (sempre famosos) e me lembrou aquela tirinha que roda no facebook que diz: "pessoas medíocres falam de pessoas". 
Fez sentido.
Pensei no meu acanhamento e no poder do álcool.
Tão fácil ser normal quando se está embriagado...
+
No domingo passado fui ao Turfe - que nada mais é do que o hipódromo e os cavalinhos que correm. Dá pra entender a sedução daquele lugar. Há diversas pessoas, mas sua solidão está protegida. Não sei se me faço entender...
É um ambiente grande, entre uma corrida e outra há longos intervalos e, em certo sentido, você está FAZENDO alguma coisa. Pode ser olhar os cavalos, estudar o programa ou simplesmente reparar nos outros. Graças ao intervalo e as conjunturas para as apostas, você pode pensar em si de um jeito calmo. E quando pensar em si se tornar insuportável, o corneteiro te salva e anuncia a entrada dos competidores.
Então é o momento de FAZER alguma coisa. Você se aproxima e tenta perceber se aquele cavalo e aquele jockey que você escolheu criam uma harmonia vitoriosa. Geralmente não, mas não importa.
A questão é que você tenta enxergar o invisível olhando aquele cavalo e aquele jockey, como se houvesse um mistério que talvez você consiga desvendar e ganhar algum dinheiro.
Joguei em 7 páreos, perdi vinte reais e ganhei quatro. O preço de um cinema com a vantagem de não enfrentar filas.
Na volta, bicicleta de garoto-propaganda do Itaú e a bela sensação de que sim, a vida é possível.   

10 de fevereiro de 2012

Ouvir música clássica e sentir o gosto metálico do bourbon.

Agora sou eu e um tipo egoísta. Falo só de mim e cago pra outros que.
Não que antes não fosse. Não que tenha deixado de ser.
Mas quero dizer:
- qual é, enfim, a grande lição da terapia?
- Pense só em si que talvez seja feliz.
Felicidade não é o caso. Não tenho esse problema. Preocupar-se com a felicidade é coisa pra Ivete Sangalo e pra Xuxa. Eu não entendo de felicidade. Eu não consigo acreditar em que acha que ser feliz é o mais importante. A lista é grande: além de Xuxa, milhares e milhares.
Pensar em si faz mais sentido. É uma pena, confesso. Queria mesmo era me misturar com mais 4 ou 5 e me confundir. Mas não é caso. Quero dizer, não foi o caso. De modo que penso em mim e, em momentos otimistas, urro U-LÁ-LÁ.
Que pra reclamar da vida não  preciso de parceria e mantenho o blogue. Que, ah, vá lá, quem em sã consciência acredita que um degrau após o outro leva ao céu?
Eu não. Eu nunca.
E por ter certeza que o céu existe, eu digo: ele não está no fim de uma escada.
Então vou pensar em mim. Aproveitar meus 30 anos e cagar regras cheio de convicção. Não quero o que eu tenho com quem eu tenho. Talvez queira demais, talvez esteja com pessoas erradas, talvez esteja equivocado. Mas isso não importa pelo mesmo motivo que a felicidade não importa.
Quero dizer: o sentido das coisas não está no cumprimento de suas funções.
É o banquete e não a fome que importa. 
Quando lamentamos pelos que têm fome é porque eles ignoram a existência do banquete; e não porquê lhes falta a ingestão de nutrientes recomendada pela ONU.

9 de fevereiro de 2012

Baixo o Let it Bleed do Rolling Stones e penso que estou atrasado.

  • Há muita dúvida na jogada e nunca tive esse fetiche. Lembro da faculdade de Teatro e da dúvida como virtude e noto que já então eu não fazia parte da turma. Não me encantava com as questões e acreditava em método e Stanislavski.
  • Bom mesmo são mulheres de narinas grandes, largas, profundas. A impressão que aquele suspiro pode lhe engolir. A mulher que te engole. Com a vagina e as narinas.
  • Nota tipo twitter: nunca mais andar de bicicleta usando samba-canção.
  • Nota tipo twitter 2: com as cuecas nas mãos, na fila do caixa da Renner, percebi o tamanho da minha solidão.
  • Ainda na Renner: há qualquer coisa de muito triste nas pessoas que compram roupas sozinhas. Nenhum pitaco sobre ficou bom ou ruim. Nenhum motivo para sair do provador.
  • Concentrar-se nas tarefas simples é muito difícil. Quando é assim, prefiro assistir ao seriados americanos.
  • Gosto das mudanças que surgem de fora pra dentro. Não porque houve uma auto-descoberta ou uma revolução interna. Mas porque no meio do caminho tinha uma pedra.
  • Sempre fui cúmplice dessa mãe que não é a minha. É como seu percebesse sua tristeza e sua rotina de mulher só. Ela não é triste, não é isso. Mas há uma melancolia que sempre vejo em seu sorriso. E também uma idéia maluca que sempre tive em relação à ela: ela adoraria que eu fosse seu genro. Caso eu e sua filha nos casássemos tenho certeza de que ela diria: - eu sempre soube.

7 de fevereiro de 2012

Enquanto passeava de bicicleta laranja pela orla do Rio de Janeiro lembrei das valetas abertas da minha infância

A gente brincava com sapos e girinos e não havia perigo. Criava pequenos sapinhos que eram lindos e para os quais preparava uma bacia com água e uma pedra.
Fazia o pequeno sapo mergulhar e dar saltos incríveis de alturas que, por vezes, o levavam à morte ou à deformidade. Mas não tinha maldade nem perigo e quando isso ocorria bastava pegar outro sapinho na valeta aberta em frente da minha casa.
Havia corridas de sapinhos e também campeonato para ver quem conseguia fazer com que ele saltasse de uma mão para outra.
Lembro de achar lindo ele nadando na bacia e, depois, como um atleta, sentar na pedra para novamente mergulhar.
Não tinha perigo e não era nada nojento.
O sapinho era o livro que eu passava horas olhando.  

3 de fevereiro de 2012

lálélí.

Estou só pela primeira vez. Quero dizer: depois da liberdade. Liberdade que é real e não idéia. Compromissos que acabam e contas pagas.
Para além da liberdade comecei a cumprir os compromissos que inventei: fugir da rotina, beber pouco no bar e escrever uma primeira cartinha. Além do blogue que, vá lá, só faz sentido enquanto prazer.
Tenho ainda uma liberdade pra ganhar. Coisa de contas e, depois, simples pingos nos is.
Daí será a vida toda com todos os sonhos e planos, com todos os conflitos e loucuras, com todos os seres antigos e novos. E mais cartinhas e mais blogues e mais vida solitária plena que é quando penso que sim, as coisas podem dar certo.
Às vezes ninguém percebe, mas sou um otimista. Um otimista tímido, é verdade, mas um otimista. Um otimista que debocha dos otimismos e faz graça com idéias pessimistas, mas, ainda assim, um otimista. E consola-me achar que Maria sabe - e sempre soube - disso.
Em outras palavras: sou simples assim. Mesmo que eu ainda desconfie de todas as alegrias postadas no Facebook.
Otimismo com convicção e com a certeza que contraria meus pares: sim sim, as coisas mudam; sim sim, as pessoas mudam; sim sim, continue; sim sim, um grande passo pode acontecer sem que ninguém veja.

29 de janeiro de 2012

Hamlet se finge de louco e faz justiça com as próprias mãos.

Agonia serena. Era isso que ela me falava. Eu tentava entender qual era o ponto, mas não havia ponto. Era apenas uma negação. Um NÃO sem sugestão de caminhos ou exigência de mudanças. NÃO redondo disfarçado em consciência: o velho medo da precipitação. A idéia de que um dia existirá o momento certo: pra casar, pra ter filhos, pra comprar a casa própria, pra se precipitar. Pensei em dizer "sacrifício é a vida cotidiana e não a arte", mas me calei porque a frase era piegas e também porque não era o caso de criar polêmicas. Queria entender, mas não sei se há o que entender. É o óbvio travestido de ousadia, uma idéia de que fazer a sua parte basta. Talvez em 2022 estejamos preparados, mas o mais provável é que não. Prefiro a frase do Hamlet fatal: "Estar pronto é tudo."

21 de janeiro de 2012

2012

Ouvir as músicas, pensar na vida. Tentar entender o que te dizem. Ser decente, ser bom. Ver os dias de verão em Curitiba como quem sai sem guarda chuva para tomar banhos de chuva. Escrever pros amigos e atualizar os e-mails e feeds e blogues. Ser bom de modo geral, mas sem nunca falar disso. Dar dinheiro pros bêbados honestos que dizem precisar de cachaça e não de pão. Amar as loucas, ter paciência com as loucas, dizer para as loucas que elas não são loucas não. Rir com os quadrinhos do Laerte e ser macho para confessar que as pernas do Laerte são muito, muito tesudas. Rever todas as andorinhas do Laerte. Todas as tirinhas do Laerte. Reler os Fantes, os Bukowskis, os Dostoiévskis. Reler Dom Quixote. Encarar o alemão bigodudo e perder o medo de sonhar. Cultivar medos normais. Não acreditar nesse papo de ser livre, de não ter medo, de ser de todo mundo e todo mundo querer bem. Mais cinema sozinho, mais teatro acompanhado, mais livros na cama e menos no bar. Menos bar. Bar como fetiche e não como hábito. Virar noites com prostitutas animadas. Conversar sobre Deus e coisas espirituais. Mandar cartões postais! Perder a implicância. Com o Caetano, com o Chico, com o Gil. Ouvir o disco novo do Chico. Fumar menos, foder mais e perder pança. Menos cerveja e mais exercício. Fernandinho-atleta em 10 kms corridos por manhã. Ver os velhos que usam gravatas borboletas e entender o homem e sua solidão e dignidade. Mais postais, mais bourbons, mais garotas e menos teimosia. Dedinho no cu, pode. Dedinho na vagina, também. Sexo ainda não. Ter calma, ter muita calma. E criar coisas. Criar fatos. Criar um ' fato novo', eu aprendi. E mais 12 meses de agonia e beleza que, vá lá, a vida é mesmo a merda mais encantadora que se têm.

22 de dezembro de 2011

-
O clichê sempre tem razão de ser.
Pode ser estúpido, pode ser genial.
O clichê tem a ver com aquilo que nos é comum, que nos torna como todos, que é ordinário.
Esse filme é o clichê du bom e bem usado.
E ainda me deu essa belíssima canção para chorar quando chorar for o caso - ou a vontade.
-

bundinha.

Pra ser subjetivo
e elegante:
não dá pra acreditar
em nenhum instante.

21 de dezembro de 2011

Tentar entender as coisas através dos outros e ver que não tem muita saída. A velha sensação de deslocamento. Garras no esôfago, cerveja em uma mão e cigarro em outra. Tento decifrar isso e aquilo. Entender as piadas, as demonstrações de afeto e as duplas que se formam. Nada faz muito sentido, mas ninguém liga muito pra isso e, portanto, estão todos felizes. Felizes de modo geral, falantes de modo geral. Olho e tento entender. Não há nada pra entender, mas eu não me conformo.
-
O tesão passeia distraído. É estranho, mas está tudo bem. O grande lance, eu aprendi, é rir nas horas certas.     

19 de dezembro de 2011

A gente toma sorvete de frutas no verão e faz amor nos domingos em que há chuva e o frio aproxima os corpos.

Em dois ou três anos ela pensa em engravidar, mas eu mesmo não sei se é isso que quero.
Uma vez por mês ela fica louca com sua TPM e ouvi na rádio que os casos de depressão pós-parto são mais comuns em mulheres que sofrem de TPM severa.
Também ouvi que a capacidade orgástica da mulher pode estar relacionada a intensidade de sua TPM, o que, pelas poucas namoradas que tive, me pareceu uma verdade absoluta, pois quanto mais loucas na TPM, mais intensos eram seus orgasmos.
A mais louca, inclusive, me brindava com jatos de sua transparente secreção.
 

15 de dezembro de 2011

Acho que foi em 1996 que comecei a ter tesão em mulheres desesperadas.

A gente tinha 'ficado' e ela era minha primeira 'ficante' completa. Quero dizer: era constante, havia incursões à bunda, aos peitos e roçadas que ostentavam meu pau duro de adolescente. Antes dela, por algo que amigos haviam me dito, eu sempre disfarçava o pau duro. (Os amigos diziam que pau duro por causa de beijo era coisa de quem nunca havia beijado... Amigos idiotas e idiota eu). 
Não lembro como foi, mas lembro que um dia ela teve ciúmes e, pela primeira vez, discuti a relação - que, à bem da verdade, não havia. O fato é que o ciúmes dela fez com que houvesse a pergunta fatal: - você quer ou não quer que eu seja a sua namorada?
Lembro que essa pergunta veio inesperada e me pegou de surpresa. Pela cara dela, eu entendia que era uma pergunta que desejava respostas. Eu não sei se queria que ela fosse minha namorada ou não, mas lembro que na minha cabeça de 14 ou 15 anos parecia ridículo namorar com alguém de 12 ou 13 anos. E tinha também meu amigos. Deus! Nessa época, os amigos influenciam muito a gente. De alguma maneira, eu sabia que seria 'zoado' caso eu tivesse uma namorada tão novinha.
(A lógica adolescente, se bem me lembro, é que peitos pequenos eram coisa de novinha. Não era lógico. Era idiota e confuso. Caso uma menina de 11, 12 anos tivesse peitos grandes - ou mesmo médios - nós, os caras de 14, 15 anos, a consideraríamos uma mulher. Vai entender...)
O fato é que fugi dela - infelizmente esqueci seu nome - e atrasei minhas experiências sexuais em dois anos.
Quando perdi a virgindade, aos 16, entendi que essa coisa de mulher desesperada sempre se repetiria. Não que a Dani - dela eu lembro o nome - fosse desesperada, mas é que ela também queria namorar e eu não.
E o mesmo ocorreu com a Júlia, que nem me deu nem nada, mas que me masturbava na época em que eu nem desconfiava que outra pessoa poderia fazer isso por você.
-
Termino aqui. Pela decisão de terminar. Porque 1996 durou mais do que eu imaginava.
E porque, não resisto, recebi uma cartinha importante.  

14 de dezembro de 2011

O amor estava na esquina.

Era barato e razoavelmente generoso.
Não fazia promessas que não podia cumprir e explicava tudo tintim por tintim:
- cu é mais caro, neném.
Expliquei que não ligava pra cus e fui chamado de homem raro.

11 de dezembro de 2011

só de mim, monamur

Fugir da pena de si mesmo e tentar achar as grandes soluções. No meio do caminho ouvir o disco do Criolo, que é meio bola da vez e porque é um jeito de acompanhar o mundo. Ler a coluna da Martha Medeiros desse domingo e gostar de tudo menos da frase estúpida. Justamente a frase que a editoria escolheu para destacar. Pensar o óbvio e ver o mundo: estúpido e bom ao mesmo tempo.
Bom: a coluna da M. Medeiros. Estúpido: a frase destacada da coluna da M. Medeiros.
O fim de ano e os planos inevitáveis. Coisas que não dependem só de mim e que é melhor assim. Ser sozinho eu já sei e aprendi. Não acho vantagem, não acho bonito, apenas reconheço. E penso nas coisas grandiosas que ficaram pra trás.
Tantas coisas pra trás, tanto sonho abandonado, tanta gente que ficou e se achou e se perdeu e mudou para o bem e para o mal. Coisas que ficaram pra trás. De todos os tipos e por todos os motivos. Por tristeza, por cansaço, por medo, por comodismo. E a certeza mais dolorosa de todas: "porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca."    
Os passinhos ensaiados, a vida planejada, as etapas concretizadas de uma vida burocrática e mesquinha. A satisfação de ser fiel a si e de nunca se abalar. A força como virtude é a coisa mais triste do mundo. Gente forte, com casca e preparada para as piores desgraças do mundo. Como se fosse um jogo, no qual quem sofre menos ganha mais. Como a matemática mais comezinha: em casa com um lápis entre contas de mais e menos.
Fumando meus cigarrinhos e vendo o belo sol do RJ. Meio teimosia meio desejo. Lembrando que nada disso foi planejado, mas que, mesmo assim, prefiro as grandes frustações aos chatos que passeiam blasés em suas auto-suficiências. Porque alma ainda me parece importante, porque sou antigo e deliro com grandes sonhos. Porque ainda é permitido e porque poucos são os REALMENTE satisfeitos. Que satisfação não tem nada a ver com felicidade. E ser satisfeito é mais relevante do que ser feliz.  

24 de novembro de 2011

você mesmo até o fim. seja lá o que isso for. blo-punheta-gue-solidão. pensar em si. essa coisa que a gente faz. a gente pensa em si mesmo, não é? pode ser na praia, na natureza, no bar. confesso que tenho preconceitos. assim: as pessoas acham que um banho de mar é mais importante do que um metrô cheio. como explicar? nada pra explicar. faço contas, penso em mim e implico com gente que acha que no campo(seja lá o que isso for) existe algo que não existe em outros lugares. idealismo de idiotas. gente chata. os mesmos que acham são paulo a meca do teatro nacional. repare: se há a meca, vá até ela. s.p ou campo. sobram questões. todos falam em questões. eu também. não queria, mas adimito: estou entre eles. deveria ter trepado mais e menos com camisinha. quem sabe uma doença ou um filho faziam algo que as questões não fazem. quem sabe. e é nessas que a meca atrai. porque ela é a possibilidade. a meca não precisa ser real, é a meca. uma ideia, uma bela ideia por sinal. teatro? pufff, aprendi. gente? puffff. eu mesmo.
tarde demais. vontade é fácil ter. desejo também. ouvir o que sempre se ouve quando se espera ouvir algo diferente é a morte gargalhando. a risada da morte. não acho graça, mas entendo porquê a morte ri. a morte, imaginando que ela é uma mulher e que usa uma foice, ri porque ela acha um absurdo que se surpreendam com o fato d'Ela existir. a morte ri. eu rio também. não porque acho graça, mas porque reconheço o riso que a morte dá antes de usar a sua foice. tem quem ache que a morte é uma questão. o bom é que não é. a morte é a morte e mata. só isso, tudo isso. bem melhor que o marasmo da normalidade.  

22 de novembro de 2011

'só falta de sorte.'

O amor era um detalhe e ela não existia, mas, mesmo assim, passeava pelas calçadas de Copacabana e repetia pra si que um dia amor havia existido.
Ao mesmo tempo em que chorava, achava a vida boa. Tinha estilo. Tinha um otimismo irritante. Tinha o único dedo que me fez fio-terra.
Amor é bom porque daí a gente trepa sem camisinha, eu aprendi ao assistir Sex and The City. E meu papo era bom e variado. Sabia tudo, ela achava. Deus abençoe a TV a cabo e os nossos pecadinhos.
Música, porre e piada barata. Eu conquistava mulheres como ela e ficava cada vez mais triste, cada vez mais gordo. Linda demais, livre demais, leve demais. Eu ria.
Ria e ria e ria. Ela concordava e eu era o amor pra sua vida.
Filhos, móveis retrô e café da manhã com mamão para os intestinos. (E se não falo sobre peidos reprimidos é porque sou discreto).
Veio o natal, veio o ano-novo e eu pensava em coisas erradas: caminhões, Argentina, Norte do Paraná e caronas que não levavam à lugar algum.
Adeus, coração - foi ela quem disse.
Peido preso e eu te amo também.
Até logo, até breve, até daqui a pouco e até nunca mais.

16 de novembro de 2011

Amar as garotinhas, ver a lua e gostar da chuva. Uma vida besta, uma vida boa. Vontade do caralho que me dá de chorar quando vejo fotos das minhas sobrinhas. Deus deve saber porquê. O inferno quentinho dos nossos sonhos, a procrastinação das nossas obrigações, a idade veloz que se aproxima da velhice e da morte. Sem fim de ano na praia, sem projetos aprovados para o próximo ano, a reunião eternamente adiada que talvez seja hoje.

12 de novembro de 2011

tão linda com sua cara tímida.

Eu pensava em amores, em delicadezas incríveis, em paixões movidas a esforço de vontade.
Ela linda e protegida. Sua máquina, seu mundo. Os sapatinhos baixos que tinham tudo para serem bregas, mas não eram.
Ela me falou sobre os "Rolling Stones" e riu quando fiz uma piada idiota. Poderia me apaixonar, poderia ser feliz pra sempre, poderia a levar em um show do Erasmo Carlos.
Pequena, quase gorda e com um tipo de sorriso que me comove. É estúpido e sem explicação. Tinha também o queixo meio pra frente, algo que sempre retorna nas minhas ideias sobre beleza e mulheres lindas.
Falou seu nome, me adicionou no facebook e virou curtidora de minhas frases tristes.
Pensei em amor, em destino, em filhos de férias em casas de campo.
Uma foto, duas fotos. Eu mais gordo do que deveria e ela sem nunca aparecer. Pensei em mortes repentinas, em gente que trabalha todo dia de 8 às 18:00, em assistir o Faustão para ouvir a opinião da Suzana Vieira sobre o sexo após os 60.
Um dia, uma semana, um mês. Medos de velho e novelos no umbigo por causa das camisetas de algodão.
Ela acharia graça, eu beberia menos e nós dois... ah... nós dois seríamos minha mais séria invenção.

7 de novembro de 2011

tipo twitter.

&
nosso amorzinho reverbera:
ela não se interessa pelo o que eu falo,
eu não me interesso pelo o que ela fala.
Por que, então, Meu Deus?
&
A menina do ponto de ônibus nunca será superada.
As coisas que a ignorância e a miopia faz por você.
&
Ela falava de tesão como se tesão fosse algo de fora dela. Via espíritos, tinha fotos de ectoplasmas. Ela, linda por sinal, dizia tesão de um jeito lindo. Mas trepava mal porque trepava mu-ii-to bem. Quero dizer: não era uma mulher, era uma atriz de filme softcore.
&
O coração, a alma. Sou esse tipo de viado. Viado que diz "coração", "alma". Gostar de homens e ser viado são coisas distintas. Quero dizer: há viados muito machos por aí. A macheza, eu aprendi, é ser indiferente ao máximo possível de coisas. As mulheres que me ensinaram. Elas, cada vez mais, provam que conseguem ser machos. Uma pena, uma tristeza.
&
Se eu viro outro, posso até virar deus. Assim: foi ele que disse que aquilo. E o ele é mais importante que o aquilo. Como o discurso do S. Jobs, o discurso mais lugar-comum com estatus de sabedoria. Concluo: mundo de merda.
&
Quando mamãe comprou meu laptop no Carrefour pareceu um grande lance. É que o tempo passa e as parcelas ficam cada vez mais suaves. Quero dizer: uma beleza como o tempo engana a gente, né?

6 de novembro de 2011

começa de dia e termina de noite.

*
Há noites frias em que a gente tenta entender o mundo. E pensa nisso e naquilo e sorri meio besta olhando o volume da própria barriga deitado na cama: a pança que estufou, os pentelhos que há tempo não são aparados, os pés que uma namorada achava lindos porque têm, ela explicava, a curva mais perfeita.
*
Saudades da primeira namorada é o retrato da estupidez. Estou sorrindo nele. Estou também com uma camisa florida, bermudas branca e minhas mãos fazem um sinal que, à época, era engraçado. Não há mal nenhum e nem tristeza há. S-a-u-d-a-d-e-s, essa palavra que não denota nem tristeza nem alegria.
*
Ela dizia que tinha tesão na imagem de uma mulher dando o cu. Mas ela não dava o cu. Dizia ter dado e sofrido pra um primeiro namorado que não era eu. Eu queria comer seu cu. É normal, em certo sentido. O namoro faz com que você ache que pode tudo. E o cu é parte desse tudo. O cu, inclusive e de modo geral, é a parte menos problemática. Seja como for, eu penso: não comi o cu dela e nem ouvi eu te amo. Não consigo deixar de pensar: "realmente não era amor."
*
Nunca mais cartinhas. Estou falando de uma moça que pisca como poucas e por quem me esforço pra não sentir seja lá o que: tesão, amor, paixão, etc. Alimento apenas a fraternidade. Mas o mundo ta aí e oferece sua ironia: "O risco de desejar sem controle deve ser domado pelos animais que dominam a palavra e a linguagem. Ou seja, os humanos. O desejo carnal é a forma mais natural de se relacionar com outrem, por isso é perverso: faz com que humanos se comportem como animais.", diz o livro que leio com a barriga encostada no balcão.
*
No bar há gente triste e decadente. Estou entre eles, mas me sinto especial. É parte da jogada ''decadente'' se sentir especial. Aprendi um bocado por lá e, por ora, confesso: a tristeza concentrada é uma visão infernal. Meu sonho, se sonho há, é não perder minha alma. Pode parecer pouco e talvez seja. Importa-me menos as grandes conquistas do que a certeza de que tenho uma alma que resiste. Estou, agora e deliberadamente, me comparando com os outros. E, a gente sabe, a comparação é um método idiota e ineficaz. Mas, mesmo assim, eu insisto: tenho alma. tenho alma.

3 de novembro de 2011

R$ 3, 80 de salaminho.

  • Tive um amigo que se intitulava "adestrador de fêmeas" e ele era imbecil porque era vaidoso, mas era verdadeiro porque era imbecil. Ele realmente era hábil com as fêmeas e comia as melhores mulheres do mundo, dessas que só não oferecemos a própria alma porque, um dia, o seu amigo escroto a vulgarizou e porque sim, e infelizmente, somos muito impressionáveis.
  • O tesão é bom e passageiro. Assim, na mesma proporção. O equilíbrio mais cruel e a mais dura realidade. Tesão, onde se chega? Tesão, meus orgasmos já foram melhores. Tesão, mulheres nuas quase sempre são melhores do que mulheres vestidas. Tesão, onde foi parar o sexo tabu que, mesmo sem sentido, ainda entendia a importância do sexo?
  • Com o tempo fui sentindo mais desejo por mulheres com narizes enormes. Meus amigos gays falam de falos, Freud e repressões variadas. Penso nos narizes e penso nos meus amigos gays. Não quero nada com homens e/ou falos, mas quero que essas mulheres com narizes enormes me dêem. Por que, enfim, os gays se importam tanto com isso?
  • Sair do esquemão. Não ter amigos na rede e nem ter conquistas pra compartilhar. Fugir com o circo, mudar de vida, deixar de querer participar, essas coisas. Tem as cervejas, eu sei. A pulsão gregária também. Mas... ah.... mas... Que tal eu mesmo como RP de mundos que não os meus? Eu seria feliz e ainda assim saberia que felicidade não importa. Sentiria-me bem e casava com a melhor trapezista do pior circo. Em outras palavras: seria invulnerável.

2 de novembro de 2011

=(.¨)(.¨)=

tento desvendar mistérios e nada acontece. Talvez a vida seja apenas isso, mas e daí? Quem suporta a vida assim, sendo isso, apenas isso? Não estou falando de milagres nem nada. É mais simples: se a vida é mesmo só isso, eu jogo a toalha e me dedico a atividades que não exijam alma ou sangue.
é só jogada. Uma gente distraída que tem coqueluche por arte, poesia ou coisas do tipo. Quem se importa? Sou eu no balcão. Houve uma época em que eu no balcão parecia levar à alguma coisa. Hoje o que? Um gordo que descansa a barriga e folheia um livro.
devo sumir, devo mudar, devo tirar o sitemeter do blogue. É velho, antigo e gasto. E se não sou claro é apenas porque, agora e assim, minha vontade é um caminhão ladeira abaixo. É velho, eu disse. Como a vagina mais larga que se apaixona pelo pênis mais fino e não entende porque o amor não deu certo.
tem atum aberto na geladeira e, ao que tudo indica, a energia permitirá que a TV fique ligada. Enquanto isso, ouço vozes que não são minhas e escrevo no blogue que perdeu o sentido que nunca teve. "Sonhei demais e os meus olhos arregalados ficaram viciados", diz o livro que leio enquanto finjo não procurar soluções para problemas insolúveis.
ser chato não é bom. Ser quem se é, é inevitável.
+
a criança tão linda que brincava com armas de brinquedo e matava as pessoas por pura diversão. era justo, era decente e, sobretudo, era belo. daí que a criança cresceu. e a arma de brinquedo continuou. e os anos passaram e passam e passarão. ficou a criança, ficou a arma de brinquedo. a inocência não ficou. e o touro, o velho touro, foi para poço.

30 de outubro de 2011

por ora.

É tipo um fetiche, um fetiche no ar. Sonho baixinho, solto meus resmungos e tento entender. Entendo menos do que eu queria, mas paciência. Fosse precipitado acusaria à todos: bundões, limitados, satisfeitos com migalhas, felizes por terem saúde, aventureiros mequetrefes com visto, motivo, passaporte e objetividade tacanha. Mas nem sei. E nem é isso. Sei do meu sonho, dos meus problemas, do meu ronco, de ser grosso pela manhã. Mas não é isso também. É meio romântico, assim: - o que é que você quer da sua vida? E nem vale dizer "felicidade", "simplicidade" ou "horinhas calmas de alegria distraída." Acho que a melhor palavra é TESÃO. Porque a vida comezinha, o dia a dia já é e já tá dado. Estou falando de grandes experiências, de gente que crê sem provas e que te convence que essa mania de controlar tudo é a fuga mais covarde dos mais covardes dos seres. Pra sonhar posso sonhar sozinho. Mas, por se só e nem achar a solidão é ruim, insisto: o TESÃO precisa ser compartilhado.

25 de outubro de 2011

antes da janta.

Era um jeito de sentar e passar o tempo. Se sentir bem, achar que a vida tá boa, essas coisas. A mesa era farta e havia uma mulher que me alimentava. Beleza.
Dia depois de dia até o dia mais besta e mais triste.
O verdadeiro adeus não tem acenos de mãos ou epílogos. É uma bobagem, uma distração, um até logo.
O incrível é que as crianças gostam de aniversário, mas já sabem que com 30 não gostarão tanto assim.
O tempo gotas. As coisas acontecendo. Não como os belos planos, mas como são: lentas, lindas às vezes, ordinárias geralmente.
Cigarrinhos que cansam, mania de culpar os outros e devaneios de ano-novo são coisas que passam. Não é bom, não é ruim. É o que é: a vida comesinha que não passa nos filmes da sessão da tarde.

23 de outubro de 2011

é domingo e tem r. charles na vitrola.

  • ouvir as músicas dos pretos e achar que o mundo é bom. Não resolve nada e isso não é importante. Prazer: essa delícia que é tirar as casquinhas de uma ferida.
  • fosse paixão escolha, resolvia: a moça que tirava fotos e de quem não ouvi a voz. Descobri seu nome por facilidades de facebook, mas concluí: essa coisa de romance pela Internet é um bocado brega.
  • os coleguinhas estão tristes e eu também. É falta de coisas antigas. Utopia, por exemplo. É difícil sem o mínimo de utopia. A realidade é uma cidade feia; a utopia é a satisfação de um desejo. Tenho que entender isso melhor. Porque é fatal e tem que querer ser fatal, desejar ser fatal. Ou então será apenas mais um aspecto da vida. Assim, como um super-mercado que divide seus produtos em gôndolas. É prático e eficiente, ninguém duvida; mas, ah, vamos lá, ainda é legal sonhar que a vida pode ser inteira.
  • onde está sua realização? Sentir-se realizado é o fino e o sentido. Sentido inventado, é bom lembrar. Então cumpre-se missões, dedica-se a projetos, esforça-se para fazer junto o que poderia ser feito separado. O que há? O que sustenta? Devo estar numa fase mística-amorosa e, por isso, respondo: ou sua vida tem importância para além de si mesmo ou sua vida é um monte de cacos reunidos num suspeito mosaico. Ter bons cacos não é ter uma boa vida. Se é pra ser utópico: que a vida seja inteira e enorme e, não a soma de diversas 'coisas positivas.'
  • o amor é bom e acalma. A merda é que deixa as pessoas apáticas e satisfeitas. Ama-se com facilidade e conveniência. O amor é um bem que facilmente vira mal. Torna-se o deposito de tudo que pode ser e não é. Amor que é apenas coqueluche. Amor como caixinha dourada, como plantinha semeada para que vire árvore e forneça sombra. Sombre pra quê? Amor que só dá paz e não produz, que não se mistura com a vida e nem cria coisas novas.
  • lembrei hoje: o cara do ônibus que fez um discurso choroso dizendo ser HIV positivo. Fiquei encarando ele porque acho apelativo esse tipo de coisa. Ser HIV não justifica nada. Ele pedia dinheiro. Não lembro se só pedia ou se vendia algo para pedir. Eu tava no meio do ônibus. Antes de passar por mim, teve duas pessoas que deram dinheiro pra ele. Fiquei olhando. Ele passou e foi até o fim do ônibus. Depois voltou, parou onde eu estava e disse: "- obrigado por me olhar enquanto eu falava". Ele falou choroso como antes e fiz um sinal de cabeça. Pensei o óbvio: o mundo tá todo errado. Eu o olhava por desconfiança e não por generosidade. De qualquer maneira - e também por gracinhas do mundo - acreditei que ele era realmente HIV positivo. Mas não dei dinheiro pra ele. Jamais daria.          

18 de outubro de 2011

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Seu sorriso tem rugas e meu pau tem sardas.
Poderíamos considerar um destino, um milagre,
um mistério a ser desvendado... essas coisas.
Meu pau tem sardas e seu sorriso tem rugas.
Mas gente é simples: basta-nos um empate.
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Tenho os meus sonhos e faço contas. Sinto um medo terrível dos meus sonhos. Porque são bons de sonhar e porque a euforia me agrada. Sinto tesão e deliro com facilidade. Parece simples e isso - isso de parecer simples - é algo muito suspeito. Porque sonhos não são simples e porque sonhos são construídos lentamente: um dia após o outro, uma dor depois da outra, um furúnculo do qual nunca se extrai o carnegão. Sonhos: não os realizar é uma tristeza, realizá-los é um perigo.
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Em 2003 a vida era mais simples. Em 2006 também. Se tudo der certo, em 2012 a vida será ótima, mesmo sem ser simples. As continhas são boas e o impossível é apenas um detalhe lógico que não deve ser levado em consideração. Estou falando de radicalidades, por mais discreto que eu seja.
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Há muita confusão: o fato de eu escrever um blogue não faz de mim um escritor.
Há muito confusão: o fato de ter livros publicados não faz de mim um bom blogueiro.
Há muita confusão: um bom blogueiro não é necessariamente um bom escritor. E vice-versa.
Há muita confusão: um autor publicado não é um bom escritor.
Há muita confusão: um bom escritor não é necessariamente um artista.
Há muita confusão: um artista não faz bem tudo que ele faz.
Há muita confusão: fazer tudo não é ser eclético, é ser bundão.
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Controlar a ejaculação é simples. Requer alguma técnica e um bocado de punheta. O lance é, e continua sendo, o pau duro e a buceta úmida. E, veja, nem estou falando, dos encaixes perfeitos que podem rolar, mesmo sendo mais comuns em amor e coisas do tipo. Quero dizer: depende-se do mínimo (nem tão mínimo assim) que é uma buceta verdadeiramente úmida e um pau verdadeiramente duro. Isso porque existe muita buceta seca que satisfaz e muito meia-bomba que causa comoções. Em outras palavras: há muito erro nessas jogadas.      

14 de outubro de 2011

Bukowski, Pé Na Estrada - Volta Redonda, Petrópolis e Macaé.

O Governo do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura apresentam o projeto SIGA O BUK, adaptação de contos de Charles Bukowski - da Anti Cia de Teatro.
Em cartaz desde 2008,
Buk na Rua - Teatro Noturno Para Adultos Insones
foi visto por aproximadamente 15.000 pessoas; e se apresentará pelo Circuito Estadual das Artes nas seguintes cidades:

Volta Redonda:............ 14 e 15 de Outubro às 22:00 na Praça da Colina.
Petrópolis:.............. 21 e 22 de Outubro às 21:00 na Praça D. Pedro II.
Macaé:................. 28 e 29 de Outubro às 22:00 na Praia dos Cavaleiros.

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TEATRO GRÁTIS.
Faixa Etária Recomendada: 16 anos.

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Serviço:
· Realização: Anti Cia de Teatro.
· Peça: Buk Na Rua – Teatro Noturno Para Adultos Insones.
· Autor: Charles Bukowski.
· Adaptação: Anti Cia de Teatro.
· Duração: 50 min.
· Elenco: Bruno Aragão / Fabiana Fontana / Helen Miranda / Janaína Russeff.
· Direção: Fernando Maatz.
· Cenário: Ricardo Marques.
· Luz: Aramis David Correa e Anderson Ratto.
· Trilha Sonora ao Vivo: Rodrigo Rua e Henrique Martins.
· Sinopse: Contos de Charles Bukowski encenados de noite na rua.

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Sinopse dos Contos:
“A mulher mais linda da cidade”: história sobre Cass, a mulher mais linda, que não tolera a própria beleza num mundo que se basta com as aparências.
“Uma senhora ressaca”: alcoólatra convicto não se lembra do que fez na noite passada e é acusado de ter molestado uma criança.
“Todo grande escritor”: um dia na vida de Henry Mason, editor que é obrigado a aturar os escritores malucos que não se conformam em não serem publicados.
“Dei um tiro num cara lá em Reno”: colagem de textos de Bukowski onde os 4 atores preparam drinks que oferecem pra platéia.

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11 de outubro de 2011

A invasão do mundo e os textos solitários.


Enquanto ela passeia por cidades-maravilhas e vislumbra que tudo é possível. Enquanto ela faz comida para agradar um homem que gosta de comer hot-dogs na rua. Ali, do outro lado da cidade, tem uma criança chorando por motivos que os pais jamais entenderão, por mais legais que sejam.
Tem um show fantástico de uma banda de Rock que eu não fui. Tem uma festa, festinha, celebração caseira, que eu deixei de ir. Tem a mulata magrela que passa na Rua da Passagem e que, embora linda, é apenas uma desculpa para pensar e sentir tesão.
(Assim também o livrinho à tira-colo enquanto beberico no bar... as cervejinhas, meu deus.... as cervejinhas... álcool e literatura combinam tanto... como explicar?...)
Foi ontem mesmo. O verão do Rio de Janeiro mostrou suas garrinhas e me veio um terrível arrepio na alma: não suportarei esse calor. E ainda ontem me surpreendi: nem houve gritos lancinantes para a virada do Flamengo.
Ontem, a missão. Ontem, as cinco laudas. Ontem, o dormir cedo.
Querer explicação é normal, conseguir explicar é complicado. Falar o quê? Falar pra quem? Porque falar é fácil e bom, e até decente; mas falar, falar mesmo, como um carioca que não se sente ridículo ao comer um milho após pegar uma praia em Ipanema, eu não consigo.
Lamento. Fosse mais volúvel, menos tímido e um pouco mais limpo estaria participando das grandes jogadas, dos dinheiros, dos coletivos bem intencionados, da revolução pela internet, do clube otimista, dos professores frustrados, das dívidas dos cartões de crédito, sei lá, o diabo.
Fosse não é; e Fernandinho escreve sempre em seu blogue enquanto engorda a olhos vistos.
(E teve uma adolescente cretina que me deixou enfiar os dedos em sua vagina e nunca mais apareceu. A adolescente cretina lia meu blogue e me chamava de "fernandinho", o que, à época, não percebi como a ironia que é...o tempo... o maldito tempo... minutos atrás eu era um gênio.... o tempo)
Fica o calor que volta e voltará e essa sensação de solidão que só importa mesmo quando penso que pra ser sozinho não se precisa de grupos. 
Tocar o gado, eu toco. Ser gado, eu sou. Gosto de gente, mas não gosto de toda gente. Sou chato, sou chatérrimo, sou o Fernandinho da cretina adolescente que permitiu meus dedos em sua vagina, mas não me deu.
Alguém explica. Alguém sempre explica. "A lógica é o método de questionamento de todos os que acham que conquistaram o que tem", diz o Frings Blá-blá que esqueci o nome. Ele, o tal Frings Blá-blá ainda diz que "nada pior do que não reconhecer que sorte existe. Deus jamais perdoa aos que não acreditam em sorte. Deus sabe que o fato d'Eele existir foi determinado por isso."
Um choro quando nasce,
um choro quando descobre que morre.
Um pena:
o empate agrada a todos.

6 de outubro de 2011

diversão de nerd.

é meu marcador e explico. tem a ver com coisa gratuita e estúpida. dessas que fazem rir um sem prejudicar outro; e que são mais divertidas na teoria do que na prática.
tesão deveria ser sinônimo apenas de algo muito teso. simples assim. porque o tesão virou um mal. assim: se você não tem tesão, você não tem alma. e alma, bá... vamos lá... tem mais a ver com milagre do que com paus duros ou clitóris pretuberantes...
quero dizer: tesão é super-valorizado hoje em dia.
como se tesão fosse algo além do que é: uma complexa reação hormonal - o que, convenhamos, não é, e nunca será, pouco.
o fato é que meu tesão nem sempre tem a ver com pau duro ou com bucetas úmidas. estou sendo deliberadamente vulgar. e.... bá... vá lá... nem é esse o caso...
tesão é inventar frases e autores. é inventar textos apócrifos para a rede. é divertir-se sozinho como quem toca uma punheta ou trepa olhando a própria imagem no espelho.
tesão. essa coisa hormonal e sem sentido que faz bem à quem sente, mas que é apenas o que é.
tesão: meu facebook fazendo de conta que não tem inimigos e que gosta de tudo e todos.
tesão: um peido fedido que soltamos com a certeza de que jamais seremos identificados.