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7 de abril de 2014

(juntado dos rascunhos)

1
A vida oscilando entre bom e ruim.
Uma coisa antiga, normal e desagradável.
Fomos educados de um jeito torto e tendemos a achar que o ruim é mais verdadeiro do que o bom.
De forma que cogitamos o sofrimento possuir virtudes secretas - e isso é tão real quanto a energia positiva que jogamos ao mundo e volta porque era positiva e foi jogada.
(uma ideia de causa e efeito infantil. uma ideia simples e vulgar. e convincente e conveniente também: se o certo foi feito, o certo será recebido)



2
Há tanta dor na jogada.
Tanta loucura de pensar que escolher é possível.
Tanto risco de liberdade, de alegre crueldade e de insano desejo de poder.
A vida é vasta e sentimos em excesso.
Tem muito de tudo.
E de modo geral tudo é possível.
A gente dá cabeçada nas possibilidades,
se (e quando) possibilidades existem.


3
se não há possibilidades, se você apenas tem que comer e fazer coisas pra sobreviver;
se apenas o imperativo biológico da sobrevivência é seu guia, então você está mais calmo e mais conformado;
talvez até esteja feliz e com razão.

5 de maio de 2012

Essa capacidade de dizer alguma coisa e se divertir.


Se fosse pra procurar alguma coisa, eu procuraria a verdade.
Mas eu não vou procurar nada - e antes que algum imbecil pense, eu me antecipo:
- a verdade existe: não encontrá-la não muda os fatos.
Então vou vagar pelo Facebook,
vou analisar as pessoas por seus feeds,
por suas fotos compartilhadas,
por seus acessos de sinceridade nas madrugadas de segundas-feira.
Os videos inteligentes aqui e ali,
uma sagacidade vulgar
e os trocadilhos que demonstram erudição e vaidade.
*
Ainda gosto mais de ver as gordas nas espreguiçadeiras,
tomando sol à tarde,
com um suco verde do lado,
lendo a revista que revela:
- os passos para conquistar o amor.
- as posições para o ato sexual.
- as técnicas do boquete-milagre.
- as comidas que ajudam os intestinos.
- a Claúdia Leitte dizendo que estar grávida lhe enche de tesão.

19 de dezembro de 2011

A gente toma sorvete de frutas no verão e faz amor nos domingos em que há chuva e o frio aproxima os corpos.

Em dois ou três anos ela pensa em engravidar, mas eu mesmo não sei se é isso que quero.
Uma vez por mês ela fica louca com sua TPM e ouvi na rádio que os casos de depressão pós-parto são mais comuns em mulheres que sofrem de TPM severa.
Também ouvi que a capacidade orgástica da mulher pode estar relacionada a intensidade de sua TPM, o que, pelas poucas namoradas que tive, me pareceu uma verdade absoluta, pois quanto mais loucas na TPM, mais intensos eram seus orgasmos.
A mais louca, inclusive, me brindava com jatos de sua transparente secreção.
 

15 de dezembro de 2011

Acho que foi em 1996 que comecei a ter tesão em mulheres desesperadas.

A gente tinha 'ficado' e ela era minha primeira 'ficante' completa. Quero dizer: era constante, havia incursões à bunda, aos peitos e roçadas que ostentavam meu pau duro de adolescente. Antes dela, por algo que amigos haviam me dito, eu sempre disfarçava o pau duro. (Os amigos diziam que pau duro por causa de beijo era coisa de quem nunca havia beijado... Amigos idiotas e idiota eu). 
Não lembro como foi, mas lembro que um dia ela teve ciúmes e, pela primeira vez, discuti a relação - que, à bem da verdade, não havia. O fato é que o ciúmes dela fez com que houvesse a pergunta fatal: - você quer ou não quer que eu seja a sua namorada?
Lembro que essa pergunta veio inesperada e me pegou de surpresa. Pela cara dela, eu entendia que era uma pergunta que desejava respostas. Eu não sei se queria que ela fosse minha namorada ou não, mas lembro que na minha cabeça de 14 ou 15 anos parecia ridículo namorar com alguém de 12 ou 13 anos. E tinha também meu amigos. Deus! Nessa época, os amigos influenciam muito a gente. De alguma maneira, eu sabia que seria 'zoado' caso eu tivesse uma namorada tão novinha.
(A lógica adolescente, se bem me lembro, é que peitos pequenos eram coisa de novinha. Não era lógico. Era idiota e confuso. Caso uma menina de 11, 12 anos tivesse peitos grandes - ou mesmo médios - nós, os caras de 14, 15 anos, a consideraríamos uma mulher. Vai entender...)
O fato é que fugi dela - infelizmente esqueci seu nome - e atrasei minhas experiências sexuais em dois anos.
Quando perdi a virgindade, aos 16, entendi que essa coisa de mulher desesperada sempre se repetiria. Não que a Dani - dela eu lembro o nome - fosse desesperada, mas é que ela também queria namorar e eu não.
E o mesmo ocorreu com a Júlia, que nem me deu nem nada, mas que me masturbava na época em que eu nem desconfiava que outra pessoa poderia fazer isso por você.
-
Termino aqui. Pela decisão de terminar. Porque 1996 durou mais do que eu imaginava.
E porque, não resisto, recebi uma cartinha importante.  

14 de dezembro de 2011

O amor estava na esquina.

Era barato e razoavelmente generoso.
Não fazia promessas que não podia cumprir e explicava tudo tintim por tintim:
- cu é mais caro, neném.
Expliquei que não ligava pra cus e fui chamado de homem raro.

18 de outubro de 2011

-

-
Seu sorriso tem rugas e meu pau tem sardas.
Poderíamos considerar um destino, um milagre,
um mistério a ser desvendado... essas coisas.
Meu pau tem sardas e seu sorriso tem rugas.
Mas gente é simples: basta-nos um empate.
-
Tenho os meus sonhos e faço contas. Sinto um medo terrível dos meus sonhos. Porque são bons de sonhar e porque a euforia me agrada. Sinto tesão e deliro com facilidade. Parece simples e isso - isso de parecer simples - é algo muito suspeito. Porque sonhos não são simples e porque sonhos são construídos lentamente: um dia após o outro, uma dor depois da outra, um furúnculo do qual nunca se extrai o carnegão. Sonhos: não os realizar é uma tristeza, realizá-los é um perigo.
-
Em 2003 a vida era mais simples. Em 2006 também. Se tudo der certo, em 2012 a vida será ótima, mesmo sem ser simples. As continhas são boas e o impossível é apenas um detalhe lógico que não deve ser levado em consideração. Estou falando de radicalidades, por mais discreto que eu seja.
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Há muita confusão: o fato de eu escrever um blogue não faz de mim um escritor.
Há muito confusão: o fato de ter livros publicados não faz de mim um bom blogueiro.
Há muita confusão: um bom blogueiro não é necessariamente um bom escritor. E vice-versa.
Há muita confusão: um autor publicado não é um bom escritor.
Há muita confusão: um bom escritor não é necessariamente um artista.
Há muita confusão: um artista não faz bem tudo que ele faz.
Há muita confusão: fazer tudo não é ser eclético, é ser bundão.
-
Controlar a ejaculação é simples. Requer alguma técnica e um bocado de punheta. O lance é, e continua sendo, o pau duro e a buceta úmida. E, veja, nem estou falando, dos encaixes perfeitos que podem rolar, mesmo sendo mais comuns em amor e coisas do tipo. Quero dizer: depende-se do mínimo (nem tão mínimo assim) que é uma buceta verdadeiramente úmida e um pau verdadeiramente duro. Isso porque existe muita buceta seca que satisfaz e muito meia-bomba que causa comoções. Em outras palavras: há muito erro nessas jogadas.      

11 de outubro de 2011

A invasão do mundo e os textos solitários.


Enquanto ela passeia por cidades-maravilhas e vislumbra que tudo é possível. Enquanto ela faz comida para agradar um homem que gosta de comer hot-dogs na rua. Ali, do outro lado da cidade, tem uma criança chorando por motivos que os pais jamais entenderão, por mais legais que sejam.
Tem um show fantástico de uma banda de Rock que eu não fui. Tem uma festa, festinha, celebração caseira, que eu deixei de ir. Tem a mulata magrela que passa na Rua da Passagem e que, embora linda, é apenas uma desculpa para pensar e sentir tesão.
(Assim também o livrinho à tira-colo enquanto beberico no bar... as cervejinhas, meu deus.... as cervejinhas... álcool e literatura combinam tanto... como explicar?...)
Foi ontem mesmo. O verão do Rio de Janeiro mostrou suas garrinhas e me veio um terrível arrepio na alma: não suportarei esse calor. E ainda ontem me surpreendi: nem houve gritos lancinantes para a virada do Flamengo.
Ontem, a missão. Ontem, as cinco laudas. Ontem, o dormir cedo.
Querer explicação é normal, conseguir explicar é complicado. Falar o quê? Falar pra quem? Porque falar é fácil e bom, e até decente; mas falar, falar mesmo, como um carioca que não se sente ridículo ao comer um milho após pegar uma praia em Ipanema, eu não consigo.
Lamento. Fosse mais volúvel, menos tímido e um pouco mais limpo estaria participando das grandes jogadas, dos dinheiros, dos coletivos bem intencionados, da revolução pela internet, do clube otimista, dos professores frustrados, das dívidas dos cartões de crédito, sei lá, o diabo.
Fosse não é; e Fernandinho escreve sempre em seu blogue enquanto engorda a olhos vistos.
(E teve uma adolescente cretina que me deixou enfiar os dedos em sua vagina e nunca mais apareceu. A adolescente cretina lia meu blogue e me chamava de "fernandinho", o que, à época, não percebi como a ironia que é...o tempo... o maldito tempo... minutos atrás eu era um gênio.... o tempo)
Fica o calor que volta e voltará e essa sensação de solidão que só importa mesmo quando penso que pra ser sozinho não se precisa de grupos. 
Tocar o gado, eu toco. Ser gado, eu sou. Gosto de gente, mas não gosto de toda gente. Sou chato, sou chatérrimo, sou o Fernandinho da cretina adolescente que permitiu meus dedos em sua vagina, mas não me deu.
Alguém explica. Alguém sempre explica. "A lógica é o método de questionamento de todos os que acham que conquistaram o que tem", diz o Frings Blá-blá que esqueci o nome. Ele, o tal Frings Blá-blá ainda diz que "nada pior do que não reconhecer que sorte existe. Deus jamais perdoa aos que não acreditam em sorte. Deus sabe que o fato d'Eele existir foi determinado por isso."
Um choro quando nasce,
um choro quando descobre que morre.
Um pena:
o empate agrada a todos.

8 de setembro de 2011

Troll

O Carlos Careqa toca seu disco e eu faço contas por pura diversão. Ou tédio. E tá tudo certo e tá tudo normal.
Sempre falta algo, sempre falta aquilo. E, bem, quem foi que inventou que o mundo era super interessante? Eu não, eu também.
"Ser gente é tão triste, né benzinho?", ela costumava me perguntar quando estava de TPM, mas achava que não estava de "TPM ainda".
Eu dizia sim porque a amava. Amar é dizer sim para perguntas idiotas - era o que devia estar escrito nos quadrinhos cristãos que traziam desenhos de um estranho casal peladinho.
Hoje mesmo: os vídeos fantásticos de sexo fake e a punheta que só serve mesmo para esvaziar. E a pergunta gracinha do mundo: o que será preenchido assim que esvaziado?
E há uma pornografia verdadeiramente vasta na rede. Deveria achar isso um mistério, mas não acho e lembro da minha santinha: "Ser gente é tão triste, né benzinho?"

16 de julho de 2011

barriga cheia.

Sou limitado e dado à ataques. Imagino as coisas antes de as coisas existirem. E, óbvio que ulula, as coisas imaginadas são melhores.
Ah, essa beleza toda que invento e não vem. Que é a beleza linda, tão linda, que vi e esperei enquanto fazia as coisas sem pensar muito, sem sofrer muito, sem achar que subornar era uma boa estratégia de marketing.
Eu fiz minhas coisas. Eu gostava das coisas que eu fazia. E imaginei: eles vão ver e quando virem, verão que minhas coisas são bacanas.
Mas eu perdi. Esqueci de uma coisa bem importante: eles não vêem espontâneamente. Eles vêem se alguém disser que, se a propaganda garantir que, se o amigo for simpático que.
Perdi, meu momô, perdi.
E ouço sambas como quem ouve dores de viúvas, como quem vê em preto e branco e agradece por não ser cego e como quem, imaginando o pior, fica feliz por nem ser tão ruim assim.
Eu, agora, sou o paraplégico que agradece não ser tetraplégico.
E nem estou falando de otimismo ou de força positiva.
É porque voltei a ouvir Chico Buarque e lembrei que antes, ouvindo o Chico, o mundo era uma potência que me esperava. E eu era burro. E era feliz. Assim: na mesma proporção.
(E, claro está, o Chico não tem nada a ver com isso. A culpa, eu prefiro assim, é só minha). 

14 de julho de 2011

Meu óculos novo

Tem os sorrisos bonitos e também o medo profundo. Não há sentido. E gente se bate por aí. E isso. E pronto.
E eu não disse que isso é bom. É que estou falando de tolerância, de separar o joio do trigo (algo bem cristão, por sinal) e também de mundo real X mundo ideal.
Há qualquer mínimo de ilusão que deve ser preservado. Quem, em sã consciência, destruiria todas as ilusões? Um idiota da objetividade!, e Nelsão é pai.
E esclareço: não gosto de quem quer ser feliz, de quem supõe felicidade um ponto de chegada, de quem cogita plenitude ou outras transcendências.
É mais simples:
Ter a vida, a coisa toda, o dia à dia, a agonia do tempo, etc, e ter, meio que sabendo-se do auto-engano, a ilusão.
Ilusão como escolha e não como equívoco.
Como explicar?
Tem aquele que vive em engano, achando que tudo é ótimo e/ou vai melhorar (um evangélico, por exemplo, pois neles, nos que conheço pelo menos, há sempre uma ambição perversa de sucesso) e tem o idiota que faz o que tem que fazer e, em sábados alegres, toma uma cachacinha e planeja coisas fantásticas (essa gente que sonha de maneira geral e que imagina uma velhice tranquila, por exemplo).
Não fui tão claro como gostaria, mas paciência...
Quero dizer o que já disseram bem mais precisamente:
veneno anti-monotonia / mágica no absurdo / acorde perfeito maior / amo tanto e de tanto amar acho que ela é bonita / é primavera te amo / mamãe mamãe não chore / só não vá se perder por aí / a tristeza é uma forma de egoísmo / por onde for quero ser seu par / quanto mais porpurina melhor / meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém.
E por aí vai.

7 de julho de 2011

tem sempre fim, clarice.

As carninhas que eu tanto adorava estavam tão distantes. Pareciam anos, séculos, milênios. Faltava meu travesseirinho: as peitucas mezzo fartas mezzo caídas.
Culpa minha, eu pensava. Culpa minha e dessa minha incapacidade de discar os números no telefone e usar a voz. Que ela bem queria que eu ligasse e eu também queria ligar, mas não ligava. Telefones de merda, mundo de merda.
Nem teve tchauzinho. Por ironia a despedida ocorreu ao vivo, mas com ela ao telefone.
As carninhas nunca mais voltaram e eu, todo culpado, fiquei com esse monte de areia na mão. 

1 de julho de 2011

Nem te conto, Clarice.

Aqueles peitinhos pequenos. Mamilos de moeda de 5 centavos: cor cobre. Eu afastava a boca pra olhar bem e lembrava do Dalton Trevisan. Sugava, sugava.

Tinha também os dedinhos. Um, veja só, um dia explorou minha próstata. "Tesão de cu latejante", ela me explicou. As sardas que se misturavam com o crucifixo de ouro herdado da avó.

A outra, meio bonita meio desengonçada, tinha mania de segurar com as mãos os peitos fartos e levemente caídos. Não entendia de natureza, não sabia de Darwin, mas chupava meu pau com uma habilidade de circo. Uma proeza. Mas faltava algo. Acho que era o fervor católico.

"Mulher sem culpa não dá pé", foi meu padrinho que disse. O canalhão tinha voltado pra titia depois de morar por 6 meses em Bonsucesso com a amante. Ele me explicou tudo. A culpa, eu aprendi, é o que faz um orgasmo feminino ser tão bonito.

O corpinho era pequeno, mas eu me fartava. A mesma do mamilo de cobre. Tocava punhetinha pra mim e mostrava o resultado. Sentia orgulho da mão manchada de branca. Um dia falei "porra" e ela desiludiu. Disse que eu era vulgar e nunca mais apareceu.

6 de abril de 2011

Teatro Irresponsável.



É tipo um vício, um recalque.

E como todo bom vício é algo sério, bem sério.

(ou alguém nega que os vícios revelam pessoas?)

Porque a gente se fode um bocado, sofre um bocado, mas sempre, e sempre tímidos, teremos um puta tesão se tudo der certo.

É que há migalhas que alimentam um batalhão: uma frase bem escrita, uma foda com risco de morte, um bêbe que sorri num berço ou uma boa apresentação na reestréia de uma peça teatral.

Porque uma BOA apresentação é toda resposta que quero dar ao mundo. Porque o sentido está em 3 ou 4 segundos de silêncio ou então no aplauso que costuma vir após uma tampa que encaixa numa panela.

E tem a vida real... que nem importa muito e que é sempre menos intensa.

Que sobre 'intensidade' só faz sentido em falar em termos artísticos ou atléticos: as mulheres do Picasso, a revolta de Arturo Bandini ou a insistência da maratonista que está torta na linha de chegada.

Particularmente prefiro os artísticos. Questão de gosto.

Só isso e tudo isso.

E isso mesmo.

14 de janeiro de 2011

Era uma criança triste que babava de noite. Às vezes fazia xixi na cama e achava engraçado não acordar com o próprio mijo quentinho. Os faniquitos noturno, o pau duro pela manhã e as cuecas com freadas incríveis eram a inocência manifestada em suores, porra e merda.
Achava graça de tudo e ria muito. Gostava também de falar no diminutivo, de ver cachorros atrás de cadelas no cio e de Sessão da Tarde, onde jovens se reuniam para atravessar com um carro roubado a imensa América.
Era feliz.

13 de dezembro de 2010

:~/

Mãozinhas para o alto
e danças desconhecidas.
Viver e se divertir
como o bom bichinho que sou.

Ao mesmo tempo as conclusões estúpidas:
- não gosto de Dezembro.
- sonhar cansa.
- animais são melhores quando são capazes de lamber a própria genitália.
- saber o que importa nem sempre é solução.
- o impossível seduz pelas impossibilidade.
- envelhecer não produz sabedoria.
- viciados em analgésicos são pessoas que tentam combater a dor.

E logo mais o natal e seu amor,
o ano novo e seu otimismo,
o Carnaval e sua alegria.
Bichinho sazonal eu também sou.
Antes disso:
- o conta gotas fatal.
- as rugas adquiridas.
- a pança que cresce.
- as cartas a serem escritas.
- os sonhos somados para o ano que virá.
- as tarefas de tédio e hipocrisia.
E mais um ano que vai
e um outro que vem.
E tudo que pensamos pralá e praqui:
bichinhos competentes
criando afetos, ternuras e derrotas.
Bichinhos que se salvam.

8 de dezembro de 2010

minha vaidade se supõe elegante.

Tem o telefone e os gritos. E também a super valorização da Internet e uma idéia toda errada sobre 'democratização da informação'. As repetições são um resquício daquilo que, um dia, e com sorte, poderia virar alma. Repete-se mal, em outras palavras. As repetições que poderiam, por fim, mostrar algum traço ou mesmo um jeito de ser não rola. Repete-se na burrice e na voz, na simpatia sem noção e nos discursos de quem se julga muito sincero.
Erros, tudo certo. Erros chatos, Deus me poupe.
Tem o correio também. E os discursos contra o Lula e o uso partidário da máquina pública. A seta que vai pro lugar certo sem nunca acertar o alvo. Como se o alvo fosse tudo em volta e não apenas o centro negro e minúsculo pra onde sempre apontamos. O alvo é real. O alvo não está na Internet ou nos telefones ou no Lula partidário... O alvo: ver o alvo e mirar o alvo. Errar o alvo é normal, mas não é bom ou positivo. Valorizar o erro é uma coisa bem estúpida e que está na moda: seja no teatro, no cinema ou no academicismo que sempre supõe que tudo pode ser. Tudo? Sim, tudo. Quem aguenta?(É a retórica ganhando estatus de verdade. Os imbecis, entre uma consulta ou outra na cartomante, adoram, a-d-o-r-a-m, a retórica sem mira).
De modo que fico com o meu blogue. Minto pra mim mesmo e afirmo: eu minto. Essa é minha vaidade e minha retórica e também meu alvo que se esquece da mira. Como o amigo viado que me disse ontem: se você não é viado e eu sou viado, você não entende nada de mim.
O amigo viado, claro está, sabe das coisas.

Minha belezinha cheia de tesão me faz sentir tédio.

É que sou fresquinho
e fraco também.
Ela insiste em papos gastos, mas fala como se novidade fosse:
- e o sexo, cara?
- e as menininha? buceta nova na parada?
E sou elegante
e bocejo
e digo:
- nem te importa.
- nem quero falar disso contigo.
E ela diz que somos amigos
e meu tesãozinho cheio de tédio
vai pro ralo enquanto miro seu decote
com peitos deliciosamente imensos.
É uma despedida:
meus olhos mirando seus peitos
até sua barriga é como um sinal de adeus.
-
No caminho chuto pedras
e penso que nem sempre o álcool deixa as coisas melhores.
Em casa ordeno uma pizza e fico de cuecas e tênis allstar.
Sou ridículo, mas a pizzaria aqui perto
aceita meu cartão
e funciona até meia noite.
-
Lamento baixinho entre o bacon e o catupiry.
A TV à cabo e o azeite me deixam
surpreendetemente satisfeito.
Em outras palavras: acho que amadureci.

2 de dezembro de 2010

  1. Compro carpaccio e me sinto ótimo. Carpaccio é a bola da vez, a obsessão do momento. Carne crua, pimenta, alcaparra e azeite. Deus até parece me dar uma piscadela. Faz sinais pra mim como se fossemos velhos amigos.
  2. No som um preto canta com aquele jeito de preto. Deve ser do caralho ser preto e cantar como preto. Os pretos quando sabem cantar têm essa voz estranha e antiga que deixa tudo que se vê parecendo cenas de filme do Win Wenders. E a vantagem é que na voz preta do preto bom quem me dá uma piscadela não é Deus.
  3. Há a rúcula e a carne crua. A NET liberou uns canais e a TV é uma idiotia agradável. Os cigarros continuam bons, mesmo fazendo mal. A ironia, a NET liberada e o boi que, generosamente, morreu para me salvar.

29 de novembro de 2010

Era sexta, mas poderia ser quinta.

- tesão é coisa pra criança. É simples: basta roçar o pau (ou a buceta, tanto faz) em uma quina de mesa.
Mas ela não me entendia. Dizia que eu nunca tinha tido tesão na vida. Que tesão é foda, que tem tesão que surge do nada e vira paixão, amor e sei lá mais o quê. Ela falava que havia vários graus de tesão. Tesão de amigo, tesão de amor, tesão de primo, tesão de cuca, tesão de... Era infinito os graus de tesão, ela me explicou:
- tipo os céus do Chico Xavier, tá ligado?
Eu não tava ligado. Eu tava bêbado. Eu tava satisfeito de estar ali. Eu queria conversar. Apenas conversar. Eu não queria discutir tesão ou Chico Xavier ou filmes de arte.
Conversar. Tão decente conversar. Um fala e o outro fala. Ninguém prova nada pra ninguém e as horas passam agradáveis entre uma cerveja e outra.
- quero ficar bêbada, cara! quero tomar vodka, cara!
- bebe aí.
- me acompanha?
- nem...
- chatinho você, hein?
Sorri balançando a cabeça. Não entendi nada de nada. Por que alguém que quer ficar bêbado precisa anunciar isso? Por que não querer vodka faz de mim chatinho? O mundo é complicado. Vodka deve ser mais legal pra ela do que pra mim. Vai ver eu sou chatinho. Vai ver eu deveria ter dito:
- pode crer, vodka-bayb.
As cervejinhas me bastavam. Eu não me incomodava dela beber vodka, cachaça ou o que fosse. Eu só não queria beber vodka, cachaça ou o que fosse. Era simples. Deveria ser simples.
- mó caído você não me acompanhar na vodka.
Minha cabeça balançava e eu sorria. Eu pensava que devia sumir, cair fora. Que é melhor ficar só do que ficar numa mesa com um mulher que acha que discussão é o maior barato.
Ela também falava "questões", "contemporaneidade", "geração Y" (ou "X", tanto faz) e, como não podia faltar, "transcendência" e "atitude zen".
Conversar. Apenas conversar. Parece tão decente. Não precisamos foder, não precisamos sentir tesão, não precisamos de questões. Conversar é uma coisa simples, não é?
- o que você não entende é que tudo, tudo mesmo, têm um significado. Não há acaso, há destino. Tudo fala. Seu corpo fala, sua respiração fala. Tá tudo conectado, cara... não há coincidência.
Eu fazia contas. Deveria ir embora assim que a vodka acabasse. Talvez pagar a conta direto no balcão e desaparecer. Talvez dar tchau e levantar. Eu precisava sair. Eu estava satisfeito, já disse. Mas precisava sair, sumir, etc. A saideira e a conta pedida direto pro garçom foram a solução. Sem consultas, sem histórias, sem "caras" e sem "caído" isso ou aquilo.
Vem a conta. Há um milagre no ar, mas ela se esqueceu que coincidências não existem. Ela tá no telefone e é a minha brecha. Deixo a metade do dinheiro, engulo meu copo e faço sinal pra ela de que "vou nessa". Antes dela falar me levanto e me despeço. Sou simpático e digo "até a próxima".
Na rua a vida volta a ficar boa, ter dinheiro pro táxi é outro milagre que ela não percebeu. Tenho whisky em casa e um maço cheio no bolso. Finalmente converso. O taxista é um cara bacana que gosta de música boa e têm uma foto da patroa no carro. Selma, o nome da patroa. Casado há 8 anos e continua apaixonado, ele diz.
- minha mulher é linda, tá vendo? Claro que é difícil, mas eu sou apaixonado por ela até hoje. Amanhã é dia da gente sair. Todo sábado saímos. A gente vai prum barzinho perto da área e fica bebendo e conversando. No domingo a gente almoça na casa dos irmãos dela.
- mas vocês nunca brigam?
- claro que a gente briga, pô... mas olha pra ela... ela linda ou não é?
Mexo minnha cabeça dizendo sim enquanto reparo nas belas sardas que a mulher dele tem. Digo que mulher sardenta é um charme e ele retruca sem nem pensar no que diz:
- não é? E nos peitos então...nossa senhora!!!!
Ele ri e eu também. Saindo do táxi eu solto um "bom passeio com a patroa amanhã". Ele diz que amanhã a coisa é séria, que vão num baile aí e que ele terá que dançar. Ele nem gosta de dançar, mas dança com ela, ele explica.
- as mulheres gostam de dançar, você sabe.
Resmungo um "sei, sei" e dou boa noite.
É sexta. É quase uma da manhã. Subo pra casa e lembro da Selma Sardenta.
Se ela tivesse falado sobre "tesão em sardas" eu teria entendido o que ela disse. Mas ela não falou sobre isso e eu não entendi.
É... devo ser mesmo chatinho.

27 de novembro de 2010

O-l-í-v-i-a.

Mirar o pau como quem vê um abismo.
E gosta do abismo e é amigo do abismo.
Mirar o pau porque assim se carrega a alma.
Diante do abismo há a buceta perfeita,
com flores e cheiros e orgasmos verdadeiramente violentos,
desses que na contração quase lhe arrancam o pau.
Abismos e mulheres que podem lhe arrancar o pau são como o próprio sentido da vida - e isso supondo que tal sentido que não existe, exista.
As flores aprecem sempre depois.
É decente.
Primeiro existir e só depois adquirir alma.
Porque sem alma não há abismo nem altura nem...
Alma.
Fetiche por almas retraídas ou por almas que têm medo de ser almas ficou pra trás.
Liberdade é outra bobagem que só se pode acreditar após certas coisas.
Como abismos, como bucetas floridas, como ataques de ternura quando a ternura ainda estava fora de moda.
Suportar-se à si
e dizer que o idiota diante do espelho
é você mesmo.
E sofrer um pouquinho,
e lembrar de nomes lindos,
e sonhar com as mulheres lindas que inventa
e que nem precisam existir.
Como um treinador de cães
que adora os cachorros
após muito treino.