Contra mim mesmo, devo repetir: há a satisfação.
É uma coisa bem classe média, bem tacanha e econômica: faz-se o que, supõe-se, deve ser feito. E, então, sente-se a satisfação.
Meu Deus!, é quase cretino de tão simples. Lógica de macaco. Macaco com banana = macaco feliz. Mas é o que é. Prova do mal que sussurra no meu frágil ouvidinho: - somos macacos, gordo panaca.
A culpa é minha, eu sei. (Essa é uma das vantagens da culpa: ela não pode ser transferida. Culpa transferida ou é falsidade ou é equivoco).
A boa culpa é um prato que o chef cozinhou e comeu, por assim dizer.
Então afirmo em maiúsculas: ESTOU SATISFEITO.
E entendo o quão patético é isso. Porque minha satisfação classe média não passa pelo uso do corpo. Assim: um trabalhador braçal tem uma satisfação verdadeiramente legítima. Foi o seu suor que construiu uma mesa, por exemplo. Eu não, eu gordinho e preguiçoso me satisfaço porque cumpri mais uma tarefa. E tanto faz que tarefa seja, pode ser até um desenrolo de banco.
A falta do suor é que causa a culpa, concluo.
Como explicar? Impossível explicar.
Estou satisfeito e acho que é isso. Meu umbigão é meu poço de porra auto-suficiente, é minha metáfora.
Apenas porque pus um ponto final e assinei uma nova petição. Porque recebi dinheirinho e me regozijei por ter feito o que deveria ser feito - e isso é besta e patético como toda felicidade programada.
Então berro minha SATISFAÇÃO e deixo o resto pra lá -
como se o dia a dia fosse o que importasse,
como se o 'como se' justificasse qualquer merda pensada ou dita.
28 de maio de 2010
27 de maio de 2010
26 de maio de 2010
Onde o céu é azul e a areia é suja, onde a merda vira a glória do imbecil.
Imbecil satisfeito porque recebeu um boquete de graça e porque acreditou, de novo e de novo, nas tolices mais lindas do Oeste. (Tolices lindas alimentadas ao longo de anos e anos por cinismo e tédio em progressivo desenvolvimento).
Ser imbecil custa um preço à ser pago, mas aqui, cá com meu umbigo, ainda prefiro o imbecil ao idiota - já que o idiota não entende que é ele (ele mesmo e só como sempre) quem inventa as próprias mentiras.
Assim: o idiota e o imbecil comem a mesma comida, mas apenas o idiota acha que essa comida é uma oferenda dos deuses. O imbecil, imbecilmente, tem a vantagem de saber que foi ele quem criou os tais deuses.
A imbecilidade pode ser a glória do individuo...assim como a idiotia, mas há que se ter um mínimo de critério. Esse papo 'tudo pode ser', 'dessa vez é amor' e 'esse projeto tem apelo comercial' é só papo e papo ruim - que fica no ar, bate o queixo e ainda quebra os dentes.
E, com os dentes quebrados, o idiota se perguntará: - o que foi que deu errado dessa vez? eu não entendo...eu fiz tudo certo...
E o idiota, como cheio de amigos que é, será respaldado por sua gangue: - isso que aconteceu contigo é mesmo m-u-i-t-o injusto.
Por essas prefiro peidar na minha cueca molhada e não inventar desculpas. A merda e os peidos são meus, eu os fiz e eu os criei.
Então cheiro minha bosta e espero o grande milagre: o nariz mais bonito do mundo que cheirará as merdas todas ao meu lado.
25 de maio de 2010
Faltou o salto alto e a perna esticada.
Aquela beleza sem tamanho e cheia de ternura. Ela acordando e me dizendo bom dia. A boca pastosa, a cara de sono e os cabelos lindamente desgrenhados. Sexo pela manhã, de ladinho. Sem muito escândalo. Sexo apenas. Simples e exato: os quadris mexendo apenas o necessário. Haveria frutas no verão e chocolate quente no inverno. Talvez crianças também. Seria besta, mas haveria certa satisfação. Haveriam brigas também, assim como os dias ruins. Mas a certeza estaria lá. E a certeza, bem, a certeza nos daria algo parecido com paz.
Depois de algum tempo entenderíamos. Era isso, era isso que chamávamos de vida.
24 de maio de 2010
As coisas mudam.
De um dia pro outro, as coisas mudam.
O Rio de Janeiro, agora, se torna menor.
(E é apenas exemplo. Ou melhor: exemplo não, modelo).
Meu RJ particular, que é, enfim, o único RJ que existe pra mim, ficou menor.
Porque coisas acontecem e porque o tempo é fatal. E assim que é.
E é triste e é belo e é o que é.
Meu bom amigo se vai. Com ele vai um pedaço do meu RJ e também uma parte da minha Santíssima Trindade.
(E isso é ficar com dois pedaços e não três. E três pedaços, a gente sabe, é o equilibrio perfeito).
E o egoísmo ainda rege montanhas...
Sou eu mesmo e minha vida. Mas minha vida ficou dependente de vidas alheias. E essa dependência foi meu gosto e minha glória. Porque há porradas que só se recebe de mãos amigas. Dessas que a gente escolhe depois de velho, que é diferente das mãos dos amigos de infância ou dos pais ou das mães.
É coisa que se escolhe e se decide. Não há perfeição. Há o peito que se abre praquilo que é escolhido.
A porrada virá. Mas é porrada de amor: amor de decisão e maturidade. Como quem escolhe seus inimigos.
(Somos velhos e crescemos juntos, meu irmão.)
Não há culpa. E não haver culpa é triste. É esse um dos bens da tolerante igreja católica. Expiar a culpa é se libertar. Se libertar é achar que tudo vai dar certo. E tudo dar certo é nossa centelha de glória. Esperança é o nome disso.
(Somos velhos, crescemos junto e cultivamos Esperanças, meu irmão.)
Apenas egoísmo, eu sei. Pra quem telefono quando ver que a merda é grande e que a onda me leva? Conchinhas e sonhos compartilhados - com mais ou menos adesão, não importa. Há respeito pelo sonho alheio - e isso é raro. Há desejo de justiça - e isso não é coisa que se deva desejar.
Porque o mundo segue e a justiça é cega. Porque ter liberdade de se iludir diante do outro é o que chamamos de Amizade.
*
o tempo um dois três...
o tempo outra vez...
De um dia pro outro, as coisas mudam.
O Rio de Janeiro, agora, se torna menor.
(E é apenas exemplo. Ou melhor: exemplo não, modelo).
Meu RJ particular, que é, enfim, o único RJ que existe pra mim, ficou menor.
Porque coisas acontecem e porque o tempo é fatal. E assim que é.
E é triste e é belo e é o que é.
Meu bom amigo se vai. Com ele vai um pedaço do meu RJ e também uma parte da minha Santíssima Trindade.
(E isso é ficar com dois pedaços e não três. E três pedaços, a gente sabe, é o equilibrio perfeito).
E o egoísmo ainda rege montanhas...
Sou eu mesmo e minha vida. Mas minha vida ficou dependente de vidas alheias. E essa dependência foi meu gosto e minha glória. Porque há porradas que só se recebe de mãos amigas. Dessas que a gente escolhe depois de velho, que é diferente das mãos dos amigos de infância ou dos pais ou das mães.
É coisa que se escolhe e se decide. Não há perfeição. Há o peito que se abre praquilo que é escolhido.
A porrada virá. Mas é porrada de amor: amor de decisão e maturidade. Como quem escolhe seus inimigos.
(Somos velhos e crescemos juntos, meu irmão.)
Não há culpa. E não haver culpa é triste. É esse um dos bens da tolerante igreja católica. Expiar a culpa é se libertar. Se libertar é achar que tudo vai dar certo. E tudo dar certo é nossa centelha de glória. Esperança é o nome disso.
(Somos velhos, crescemos junto e cultivamos Esperanças, meu irmão.)
Apenas egoísmo, eu sei. Pra quem telefono quando ver que a merda é grande e que a onda me leva? Conchinhas e sonhos compartilhados - com mais ou menos adesão, não importa. Há respeito pelo sonho alheio - e isso é raro. Há desejo de justiça - e isso não é coisa que se deva desejar.
Porque o mundo segue e a justiça é cega. Porque ter liberdade de se iludir diante do outro é o que chamamos de Amizade.
*
o tempo um dois três...
o tempo outra vez...
20 de maio de 2010
celebrate m.i.m.i
Era uma festa e tava cheio de gente bonita. A única coisa que eu pensava era: "tenho que enfiar minha piroca nessa gente." Não sei porque, mas era o que eu pensava. Olhava todas as bundas, sem critério e sem tesão. Era só uma maneira de exercer poder, de se sentir forte, sei lá mais que bobagem. "Eu tenho que enfiar minha piroca nessa gente".
Enfiar minha piroca era minha vingança. Gente bonita demais, alegre demais, artística demais. Eles tinham afastado os sofás e feito uma "pista de dança". Foi minha anfitriã que disse. Eu achei le-gal. Eu sempre acho le-gal.
Olhava pras bundas dançantes e lembrava das fotos sadô-masô que havia visto num blogue. Que tipo de cretino(a) sente tesão em ter um pulso enfiado no rabo? Eu queria casar, ter filhos, fazer papai e mamãe com a patroa e assistir ao Fantástico. Eu era indecente. Filme e pipoca me bastavam.
- Você cozinha e eu lavo a louça, tá?
- Ai...que coisa mais careta...
Acho que foi isso fez eu ter vontade de enfiar a piroca naquela gente. Seria uma fila. Eu apenas enfiaria a piroca. Sem nenhuma "atitude" ou "estilo". Seria um ato mecânico.
A repetição como salvação. Igual o ôm dos zen-lunáticos.
19 de maio de 2010
03:31
A mão tá na putaquepariu. E Deus, o velho barbudo, virou uma criança ranhenta. Vejo filmes e leio livros. Imagino tudo antes. Antes é a minha invenção. O mundo até parecia dar pé e as coisas até aparentavam melhorar. A praia era limpa, a areia era branca e o Vinicius bebia vivo e impunemente.
Falar mal do próprio tempo é quase um clichê, eu sei. Mas, fazer o que?, se as crianças trepam com adultos que agem como crianças?
Minha chatice, agora, é uma cachoeira de raiva e descrença. É como o idiota que diz cheio de vaidade: - sou bipolar.
E tá na moda. E tudo tá na moda. E nem consigo alimentar meus delírios de grandeza em paz. "Sou bipolar". Todo idiota é bipolar.
Nenhuma jogada verdadeiramente arriscada. Amor de conta gotas, compensações kardecistas e o velho desejo de foder a própria mãe - coisa que só a igreja católica e o Jesus católico entenderiam.
Então meu estômago dá um nó e acordo no meio da madrugada para cagar a merda mais fedorenta de toda minha existência. Uma cagada entre peidos e espirros, cheia de vontade própria e cólicas insuportáveis. Agradeço estar sozinho e amaldiçoo a porta de plástico sanfonada do meu quarto e sala.
Limpo minha bunda e vejo o esporro que foi essa cagada. Merda em toda lateral da bacia acinzentada.
Devo estar livre, não devo?
Aperto a descarga e me despeço dos meus dejetos. Sou um cara solene, pensando bem. A lateral acinzentada da bacia eu ataco com o bidê-manual.
Eu tenho controle, não tenho?
Mais uma descarga e toda a bacia estará nova. Tenho Pinho-Bril e o cheiro do Pinho é eficiente pacas.
Agora sim: estou livre.
18 de maio de 2010
Ver isso e aquilo, mas tanto faz.
O prazer ainda é separar o joio do trigo. Como homens-macacos que provam frutas com semente, como uma mãe gorda que separa o feijão da família.
Nada de seguir o caminho do vento. O sol. Prefiro a imagem do sol. Parado e radiante, o sol. Seus raios alaranjados em praias de areias brancas e finas.
Fazer distinção entre as coisas é um puta prazer.
Achar que tudo é igual é a tolerância idiotizante e politicamente correta. (Como a Gadu sendo enfiada goela à baixo em comparação com a Cássia Eller)
Tem que separar. A diferença como solução e definição. A gente escolhe certas coisas. A gente decidi isso e aquilo com mais ou menos consciência. E que se dane os que escolhem a idiotia - são eles os que me acham idiota e tá tudo certo. Empate pode ser um resultado fodão e justo.
No mais minhas pulgas que são minhas e os socorros e gentilezas que gosto de prestar. Por vaidade e tédio. Por ter prazer em berrar.
E principalmente porque escolhi algumas poucas pessoas, à quem, enfim, serei leal até que a morte nos separe.
Porque lealdade é um desses valores velhos ao qual escolhi me dedicar.
16 de maio de 2010
apenas isso.
A bela visão do Leme. A imagem do Rio antes do Rio. Não é Copacabana. São as luzes de Copacabana.
Converso com a minha boa amiga. Parte da minha Santíssima Trindade, que, por bons motivos, e mesmo que tristemente, será quebrada.
Falamos sobre as mesmas coisas que falamos a mais ou menos 10 anos. O assunto é o mesmo, sempre e sempre. Mas agora nos sentimos mais espertos - não é como antes. Estamos menos eufóricos e ansiosos. Até arriscamos à dizer ma-du-ros.
O tempo é veloz e o papo é bom. O ônibus demora, os ônibus sempre demoram. Nos despedimos. Estou com a calma lenta e estúpida que a ressaca provoca. Compro sanduiches e venho pra casa.
Há paz. De vez em quando há paz - mesmo sem um bela bunda para bolir durante a madrugada.
14 de maio de 2010
meu umbigão é minha liberdade....
Merdinha de agora eu também digo. A vingança que aprendi através dos livros. Um didático, um nerd. Assim: ter sacadinha acho ser capaz de ter. Mas sou metido e digo: sacadinhas não me interessam.
(Toda vez que estou bem bêbado penso em cocaína. Duas coisas me acalmam: raras vezes fico bem bêbado e não tenho acesso rápido - impulsivo - à cocaína. Deus me protege, é minha conclusão. Mas Deus não existe, é minha gracinha.)
Hoje, de novo, fiquei rico. Volta e meia fico rico. Não é a última e nem será a primeira vez. Ficar rico é simples: basta acreditar nas possibilidades e na coisa causal - tenho cultura, não tenho? Minha parte e sua parte...como se o mundo fosse um quebra-cabeça ou uma lógica superrr coerente.
Eu mesmo, prazer. Me chamo Fernando pra sua informação.
Às vezes é difícil resistir. Não por nada. Pensa: resistir contra quem? pra que? por que? pra quem? No fundo, devo confessar, espero a buceta-milagre e a paz das propagandasde shampos. E o incrível é que a paz do shampo parece ser real e palpável. Já a buceta-milagre é mais complicada.
Então estou aqui. De novo. De novo e sempre. Minha glória de 3 leitores e 19 seguidores. Como se só os números bastassem. E se 'só os números bastassem' eu poderia falar de coisas belas e fodonas. Como esperança, por exemplo. Eu teria prazer em falar sobre esperança. Mas...enfim...eu nem acredito...ainda acho 'catar migalhas' bem mais decente.
E é pelo óbvio que o que eu espero eu não posso alcançar. Seja o que for: amor eterno, buceta-dourada, convicção profunda, revelações sinistras, lances místicos, relaxamentos xamânicos, terapias totais, mega-senas surpresas, etc.
Que, enfim, e por agora, assumo: adoro ter delírios de grandeza.
Minha fuga foi essa. Olhei pro meu umbigo e disse: - vai lá, garotão. Eu ri porque eu tenho bom humor. Eu faço piadas e sou engraçadissimo.
É minha vaidade que se manifesta: só importa quem me entende, afinal.
13 de maio de 2010
a coisa velha.
minha glória e meu tédio me dizem baixinho:
- a bobagem repetida. "posso ser tudo". "mil possibilidades". "hoje é um novo dia". as mensagens das propagandas virando hits em feeds e facebooks. como a moda de "dia do retardado. só 30% deixará essa essa mensagem aqui". solto um glória-aleluia quando solto um peido longo e sonoro por culpa da sopa de feijão de ontem. faço meu circuito na internet: veículo do caralho, queria o Nelsão vivo para falar sobre. a idiotia em rede, criando comunidades e grupos de tudo: pedofilia, jesus cristo, bucetas de Adão, homens broxas, artistas de paint, escritores de blogue, cineastas de youtube, generosos de campanhas, engajados de petições, etc. (e tem um circo na praça onze. queria ir. queria levar uma mulher limpa e com vestido de algodão no circo. comeria pipoca e doce e maçã do amor.) uma ou duas punhetinhas e um dia de cada vez: o conta-gotas fatal.
- a bobagem repetida. "posso ser tudo". "mil possibilidades". "hoje é um novo dia". as mensagens das propagandas virando hits em feeds e facebooks. como a moda de "dia do retardado. só 30% deixará essa essa mensagem aqui". solto um glória-aleluia quando solto um peido longo e sonoro por culpa da sopa de feijão de ontem. faço meu circuito na internet: veículo do caralho, queria o Nelsão vivo para falar sobre. a idiotia em rede, criando comunidades e grupos de tudo: pedofilia, jesus cristo, bucetas de Adão, homens broxas, artistas de paint, escritores de blogue, cineastas de youtube, generosos de campanhas, engajados de petições, etc. (e tem um circo na praça onze. queria ir. queria levar uma mulher limpa e com vestido de algodão no circo. comeria pipoca e doce e maçã do amor.) uma ou duas punhetinhas e um dia de cada vez: o conta-gotas fatal.
12 de maio de 2010
sobre delírio e diversão.
Se ela rebolasse com ternura. Se ela fosse e não soubesse e não pensasse. Daí bem que eu queria: bunda imensa na minha cara e banho antes de foder. Casal limpo, casal da foda-fetiche. Usava leite condensado e até molho bolonhesa. Ou melhor – e mais simples – carpaccio. Carpaccio no peitão, no umbigo e na buceta. Ou melhor – e mais espiritual – carpaccio nos chackras. Comia o bifinho fino e cru e perguntava: - sacou a transcendência? Ela sacaria e rebolaria mais em gratidão. Haveria, antes, a explicação teórico-mística: - pra aquecer os chakras inferiores. Ok, ok, bunda na minha cara e sininho de monges. Até incenso eu topo. Er-va Ci-dre-ira. Três por cinco reias. Ca-mo-mi-la e Flo-res do Cam-po.
Bundão na minha cara? Sim. Claro. Topo tudo. Bonitinho. Corrijo: - bonitinho e espiritual...
Fodão da porra. Bem enfiei 4 cms de língua naquele rabo. Quero foto, quero fotinho, quero um blogue prá nós: casalfetiche.blogspot.com. Legal né? Superrr. Sanduiches, meu amor? Claro, claro. Quer filhos? Muitos filhos. Muitos? Sim, muitos, mais do que três que é pra ter que ter dois carros. Você é louco. Eu te amo. Eu também.
Fodão da porra. Matemática, chackras, carpaccio e sanduiches. Ponho raiz forte no seu? Claro, claro. Macho pra caralho. Dispenso o abacaxi. Rebola de novo? Mas que mania. Por mim, rebola por mim. Tá, tá.
Fodão da porra. Bem enfiei 4 cms de língua naquele rabo. Quero foto, quero fotinho, quero um blogue prá nós: casalfetiche.blogspot.com. Legal né? Superrr. Sanduiches, meu amor? Claro, claro. Quer filhos? Muitos filhos. Muitos? Sim, muitos, mais do que três que é pra ter que ter dois carros. Você é louco. Eu te amo. Eu também.
Fodão da porra. Matemática, chackras, carpaccio e sanduiches. Ponho raiz forte no seu? Claro, claro. Macho pra caralho. Dispenso o abacaxi. Rebola de novo? Mas que mania. Por mim, rebola por mim. Tá, tá.
Puta que la merda, bunda branca com tatuagem – metade aqui e metade lá. Coração de marinheiro com flecha atravessada e tudo. Mulher clássica e bunda perfeita. Minha alma tá vendida. É tua, é tua. Aguenta? Aguento.
Fodão da porra. Mestre da Índia e o caralho. Chama-se pompoarismo, bonitinho. Mas cê deu pra ele? Ah...tive que dar. Merda, não quero que a mãe dos meus quatro filhos tenha dado prum mestre da Índia...(eu não consigo imaginar o Gandhi fodendo. Morrendo de fome, eu consigo.)
Dorme de conchinha? Tá. Você tá tão frio. Não, impressão. Me ama pra sempre? Te amo pra sempre.
Gandhi maldito comendo a mulher dos outros. Bifinho fino e cru. De vaca, de vaca. Gandhi...puta que o pariu. Mahatma, Mahatma...
Fodão da porra. Mestre da Índia e o caralho. Chama-se pompoarismo, bonitinho. Mas cê deu pra ele? Ah...tive que dar. Merda, não quero que a mãe dos meus quatro filhos tenha dado prum mestre da Índia...(eu não consigo imaginar o Gandhi fodendo. Morrendo de fome, eu consigo.)
Dorme de conchinha? Tá. Você tá tão frio. Não, impressão. Me ama pra sempre? Te amo pra sempre.
Gandhi maldito comendo a mulher dos outros. Bifinho fino e cru. De vaca, de vaca. Gandhi...puta que o pariu. Mahatma, Mahatma...
10 de maio de 2010
Ed.
Essa coisa de se dar bem tinha se tornado insuportável. Sentíamos a opressão: todos falando da nossa sintonia e perfeição. Era terrível. Todos os elogios eram para nós: o casal mais perfeito do oeste.
Eu gostava no início. Ela também. A gente ria e dizia cheio de cumplicidade perfeita: - eles nem imaginam...
Depois deu merda. Um berrava pro outro: - a gente se dá bem, não dá? - A gente junto é perfeito, não é? - Temos sintonia, não temos?
Éramos fracos. O mundo nos oprimia e a gente cedia. Fracos e perfeitos. Sintonia total e tédio.
Fazíamos demonstrações públicas de afeto: beijos longos no meio dos amigos, amassos juvenis e tesudos. A plateia repetia: - eles se amam tanto...
Depois que separamos o terceiro casal amigo nos demos por satisfeitos. A gente tinha descoberto uma coisa. E a coisa descoberta era fria e calculista. A gente gostava, a gente manipulava o mundo. Éramos fortes e dizíamos um pro outro: - eles nem imaginam...
Em casa nada de nada. Nenhum papo e nenhuma mão dada. Quartos separados e banheiros distantes. A intimidade vulgariza a relação, aconselhávamos os casais pagantes.
Começamos a ganhar dinheiro juntos. Era palestra, workshop e os cambau. A gente era bom em provocar o choro alheio. Tínhamos técnica e estudávamos. Até espírita a gente era. Várias fundações.
Quando ela engravidou a primeira vez a gente resolveu matar o anjinho. Vai atrapalhar a nossa evolução, pensamos. E radicalizamos: - nada de penetração. Sexo oral e manual dá conta, né môr?
A gente se punhetava/siriricava e se sentia bem. Ótimo até. Palestras e convites imbatíveis. Separar o banheiro era a glória pros nossos alunos. - como nunca pensamos nisso?, perguntavam os casais cheios de esperança.
Na nossa turnê pelo Nordeste é que aconteceu. Senti dor, tombei e veio o diagnóstico:
- câncer fatal, 2 meses no máximo.
- Temos dinheiro.
- Não adianta dinheiro.
- Mas...
- Nada de mas...é atípico...lamento.
Antecipamos o lançamento do livro. Sucesso total. Fizemos um capítulo em homenagem ao meu câncer e morte. As pessoas liam e choravam. Mais palestras pintaram.
Finalmente nos amávamos. Até às práticas de penetração voltamos: primeiro sexo anal, depois vaginal. Evoluíamos à olhos vistos.
Quando eu morri foi chato. Mas o livro foi relançado e ela estava mais linda do que nunca. Usava só preto e fazia palestras também para aconselhar viúvas. Como espírita às vezes conversava comigo. Até psicografava as coisas que eu dizia. Era ainda melhor do que antes.
Eu parei de me manifestar pra ela depois que ela deu meu nome pro seu primeiro filho. Achei deselegante e de mau gosto. E ela mentiu no livro novo que ela lançou. Disse que eu tinha reencarnado no menino. Foi demais pra mim. Partiu meu coração.
Eu decidi que eu queria vingança. Isso mesmo: vin-gan-ça. Eu ia assombrar ela, seu marido e o moleque com o meu nome.
Ah...eu me vingaria.
(...)
Eu gostava no início. Ela também. A gente ria e dizia cheio de cumplicidade perfeita: - eles nem imaginam...
Depois deu merda. Um berrava pro outro: - a gente se dá bem, não dá? - A gente junto é perfeito, não é? - Temos sintonia, não temos?
Éramos fracos. O mundo nos oprimia e a gente cedia. Fracos e perfeitos. Sintonia total e tédio.
Fazíamos demonstrações públicas de afeto: beijos longos no meio dos amigos, amassos juvenis e tesudos. A plateia repetia: - eles se amam tanto...
Depois que separamos o terceiro casal amigo nos demos por satisfeitos. A gente tinha descoberto uma coisa. E a coisa descoberta era fria e calculista. A gente gostava, a gente manipulava o mundo. Éramos fortes e dizíamos um pro outro: - eles nem imaginam...
Em casa nada de nada. Nenhum papo e nenhuma mão dada. Quartos separados e banheiros distantes. A intimidade vulgariza a relação, aconselhávamos os casais pagantes.
Começamos a ganhar dinheiro juntos. Era palestra, workshop e os cambau. A gente era bom em provocar o choro alheio. Tínhamos técnica e estudávamos. Até espírita a gente era. Várias fundações.
Quando ela engravidou a primeira vez a gente resolveu matar o anjinho. Vai atrapalhar a nossa evolução, pensamos. E radicalizamos: - nada de penetração. Sexo oral e manual dá conta, né môr?
A gente se punhetava/siriricava e se sentia bem. Ótimo até. Palestras e convites imbatíveis. Separar o banheiro era a glória pros nossos alunos. - como nunca pensamos nisso?, perguntavam os casais cheios de esperança.
Na nossa turnê pelo Nordeste é que aconteceu. Senti dor, tombei e veio o diagnóstico:
- câncer fatal, 2 meses no máximo.
- Temos dinheiro.
- Não adianta dinheiro.
- Mas...
- Nada de mas...é atípico...lamento.
Antecipamos o lançamento do livro. Sucesso total. Fizemos um capítulo em homenagem ao meu câncer e morte. As pessoas liam e choravam. Mais palestras pintaram.
Finalmente nos amávamos. Até às práticas de penetração voltamos: primeiro sexo anal, depois vaginal. Evoluíamos à olhos vistos.
Quando eu morri foi chato. Mas o livro foi relançado e ela estava mais linda do que nunca. Usava só preto e fazia palestras também para aconselhar viúvas. Como espírita às vezes conversava comigo. Até psicografava as coisas que eu dizia. Era ainda melhor do que antes.
Eu parei de me manifestar pra ela depois que ela deu meu nome pro seu primeiro filho. Achei deselegante e de mau gosto. E ela mentiu no livro novo que ela lançou. Disse que eu tinha reencarnado no menino. Foi demais pra mim. Partiu meu coração.
Eu decidi que eu queria vingança. Isso mesmo: vin-gan-ça. Eu ia assombrar ela, seu marido e o moleque com o meu nome.
Ah...eu me vingaria.
(...)
9 de maio de 2010
o gosto metálico do bourbon
(é tudo sobre mim e minhas mentiras)
Ela gostava de falar coisas tristes e desesperadas na minha frente. Ela chorava falando dessas coisas na minha frente. Eu ficava com tesão. Meu pau ficava duro com ela chorando. Eu até me reprimia, pensava ser doentio ter tesão numa mulher que chora. Meu pau duro contra mim. Ela chorava e os olhos ficavam lindos. Eu a abraçava e passava meu rosto no seu rosto. Para sentir as lágrimas. Meu pau duro, ereção de rocha. Eu tentava lamber as lágrimas. Quando conseguia ficava com mais tesão. Ela notava, mas não comentava. Suspirava por causa do choro. Eu queria entrar nela. Dizer: - chora com o meu pau dentro de você. Mas eu não tinha coragem e ela não entenderia. Falaria que eu era sádico, que eu gostava de provocar dor. Ela me entendia mal. Falava que eu era "burguês". Isso mesmo: "burguês". Ela usava essa palavra velha e sem sentido. O choro era sempre o mesmo: - ninguém me entende. Eu entendia. Quer dizer, entendia porque ninguém a entendia. Ela era confusa. Ela mostrava seu pior para ser aceita. Ela mostrava sua raiva e sua indiferença e depois perguntava: - deixou de gostar de mim, não deixou? Perdeu o interesse, não perdeu? Eu não sabia responder. Eu não tava pensando nisso. Não pensava se gostava ou não, se estava apaixonado ou não. Eu só pensava: - por que ela age dessa maneira? Às vezes eu queria transar apenas para que nada fosse dito. Muita coisa era dita, tudo era dito. Mas a gente não chegou a trepar direito. Ela tinha pressa e usava o dedo. Eu com medo da camisinha, meu pau derretendo no látex. Se ela tivesse chorando. Se ela tivesse chorando com meu pau dentro dela. Meu delírio era um orgasmo. Orgasmo dela. Não aquele orgasminho tenso e agudo que eu vi 2 ou 3 vezes. Queria o Orgasmo. Ela e eu com medo da morte. O ritmo perfeito, a evolução em sintonia e um pau e uma buceta recriando o big-bang ancestral. Talvez se ela estivesse chorando. Talvez se não precisássemos do álcool para forjar intimidade. Sem contar os cigarros e as agressividades ditas em tom charmoso. Era velho. Não havia entendimento. Havia desejo de entendimento. Desejo. Desejo fraco, na verdade. Falo por mim. Eu queria, eu gostava. Mas não à ponto de. Difícil explicar. O que acontecia me bastava. Se continuasse acontecendo seria bom. Não tinha nenhuma certeza, mas topava. Alguma conveniência. Sexo, ternura, porres e papos. Café da manhã. Se houvesse paixão, haveria. Se houvesse amor, haveria. Eu não tinha planos. Nem teria como ter. Na minha cabeça era apenas deixa acontecer. Não digo não e não digo sim. Deixa acontecer. Eu deixava. Eu acho que deixava. Dela eu não sei. Não sei o que passava na cabeça dela. Às vezes ela falava coisas estranhas como: - se eu te pedisse em namoro, você aceitava? Mas era só estranho. Não havia nada nessa pergunta. Era apenas um outro jeito de dizer "burguês". Eu não entendia. Até achava graça. A confusão dela tinha seu charme. E também sua extravagância e medo. Ela tinha medo. Não de mim. Tinha medo porque tem medo. Medo generalizado, sem foco. Medo quase bonito. Medo antes de mim e depois de mim. Medo que não me incomodava e não me dizia respeito. E até isso, o medo, é invenção minha. Não é coisa pela qual poria minhas mãos no fogo. Porque não sei, não sei mesmo. E não topo tentar descobrir. Era pra ser mais simples. Mais "burguês" como é "um dia após o outro". Não vai ser. Não era pra ser. Há chuva, nostalgia, domingo e rádio cbn. O que não se explica, a gente escreve. Mais pela vaidade da escrita do que pela possibilidade explicação.
Ela gostava de falar coisas tristes e desesperadas na minha frente. Ela chorava falando dessas coisas na minha frente. Eu ficava com tesão. Meu pau ficava duro com ela chorando. Eu até me reprimia, pensava ser doentio ter tesão numa mulher que chora. Meu pau duro contra mim. Ela chorava e os olhos ficavam lindos. Eu a abraçava e passava meu rosto no seu rosto. Para sentir as lágrimas. Meu pau duro, ereção de rocha. Eu tentava lamber as lágrimas. Quando conseguia ficava com mais tesão. Ela notava, mas não comentava. Suspirava por causa do choro. Eu queria entrar nela. Dizer: - chora com o meu pau dentro de você. Mas eu não tinha coragem e ela não entenderia. Falaria que eu era sádico, que eu gostava de provocar dor. Ela me entendia mal. Falava que eu era "burguês". Isso mesmo: "burguês". Ela usava essa palavra velha e sem sentido. O choro era sempre o mesmo: - ninguém me entende. Eu entendia. Quer dizer, entendia porque ninguém a entendia. Ela era confusa. Ela mostrava seu pior para ser aceita. Ela mostrava sua raiva e sua indiferença e depois perguntava: - deixou de gostar de mim, não deixou? Perdeu o interesse, não perdeu? Eu não sabia responder. Eu não tava pensando nisso. Não pensava se gostava ou não, se estava apaixonado ou não. Eu só pensava: - por que ela age dessa maneira? Às vezes eu queria transar apenas para que nada fosse dito. Muita coisa era dita, tudo era dito. Mas a gente não chegou a trepar direito. Ela tinha pressa e usava o dedo. Eu com medo da camisinha, meu pau derretendo no látex. Se ela tivesse chorando. Se ela tivesse chorando com meu pau dentro dela. Meu delírio era um orgasmo. Orgasmo dela. Não aquele orgasminho tenso e agudo que eu vi 2 ou 3 vezes. Queria o Orgasmo. Ela e eu com medo da morte. O ritmo perfeito, a evolução em sintonia e um pau e uma buceta recriando o big-bang ancestral. Talvez se ela estivesse chorando. Talvez se não precisássemos do álcool para forjar intimidade. Sem contar os cigarros e as agressividades ditas em tom charmoso. Era velho. Não havia entendimento. Havia desejo de entendimento. Desejo. Desejo fraco, na verdade. Falo por mim. Eu queria, eu gostava. Mas não à ponto de. Difícil explicar. O que acontecia me bastava. Se continuasse acontecendo seria bom. Não tinha nenhuma certeza, mas topava. Alguma conveniência. Sexo, ternura, porres e papos. Café da manhã. Se houvesse paixão, haveria. Se houvesse amor, haveria. Eu não tinha planos. Nem teria como ter. Na minha cabeça era apenas deixa acontecer. Não digo não e não digo sim. Deixa acontecer. Eu deixava. Eu acho que deixava. Dela eu não sei. Não sei o que passava na cabeça dela. Às vezes ela falava coisas estranhas como: - se eu te pedisse em namoro, você aceitava? Mas era só estranho. Não havia nada nessa pergunta. Era apenas um outro jeito de dizer "burguês". Eu não entendia. Até achava graça. A confusão dela tinha seu charme. E também sua extravagância e medo. Ela tinha medo. Não de mim. Tinha medo porque tem medo. Medo generalizado, sem foco. Medo quase bonito. Medo antes de mim e depois de mim. Medo que não me incomodava e não me dizia respeito. E até isso, o medo, é invenção minha. Não é coisa pela qual poria minhas mãos no fogo. Porque não sei, não sei mesmo. E não topo tentar descobrir. Era pra ser mais simples. Mais "burguês" como é "um dia após o outro". Não vai ser. Não era pra ser. Há chuva, nostalgia, domingo e rádio cbn. O que não se explica, a gente escreve. Mais pela vaidade da escrita do que pela possibilidade explicação.
O sofrimento como bibelô
Cria-se uma situação onde se provoca o próprio sofrimento. Pode ser uma coisa simples e reta. Até decente, eu diria. Mas, do alto da minha torre Caga-Regra, eu sentencio:
- o imbecil cria sofrimentos para se sentir vivo,
- ao que sofre sente que a vida existe e,
- moto-continuo, se torna dependente da dor causada pelo sofrimento.
E, da minha torre Caga-Regra, eu resumo: o imbecil esquece que foi ele quem criou o sofrimento, e pior: esquece que criou o sofrimento para se sentir vivo, ou seja: usa caminhos tortos para sua própria invenção.
Em outras palavras: uma confusão dos diabos.
(É como bater no próprio corpo. Dá certo. É eficiente. As porradas fazem a gente lembrar que o corpo existe. Mas, daí, precisar das porradas para saber que o corpo existe é, no mínimo, uma estupidez.)
O problema do imbecil viciado em sofrimento é que ele esquece que 90% dos seus sofrimentos foram inventados por ele para se sentir vivo. (E, que fique claro, se sentir vivo não é simples. Se sentir vivo é o que, às vezes, chamamos de felicidade).
De forma que digo que o imbecil até procura um treco nobre e compreensível, mas o imbecil erra ao esquecer que é ele, e só ele, quem inventa suas próprias mentiras. E inventar as nossas próprias mentiras é toda nossa liberdade.
Ou Livre-Arbítrio - que grego algum acreditaria nessas palhaçadas...
7 de maio de 2010
"é clichê. mas senti uma solidão fudida", ela escreveu.
Almofada no queixo. Quase linda, ela diz: - não posso, não posso.
Eu acho que ela pode e invisto nas promessas do futuro. Dourado, o futuro. Ela nem concorda e nem refuta, apenas repete: - não posso, não posso.
Eu continuo achando que ela pode, mas não insisto. Minha elegância é não insistir.
- mas desse jeito, benzinho, você perde tanta coisa...
Ela tem razão. Eu perco muita coisa, mas prefiro perder. Sou um gordinho convicto. Ontem mesmo tomei um sundae de caramelo do Mac. Tá mais barato agora, eu acho. Sempre que passo no shopping tomo um.
Depois de três dias ela me chamou de idiota. Veja só: idiota. Idiota é uma palavra pesada, pensa bem. Mas eu não liguei. Perguntei se ela topava um sundae do Mac e ela topou.
Diria até que a gente tem sintonia. Sin-To-Nia. Porque é aquela coisa que no rádio precisa ser achada. E meu rádio é antiguinho, não acha a sintonia só com press.
Já faz um tempo. Ela tava linda e vestida de calça jeans e blusa branca. Me perguntou: - você me ama, não ama?
Eu disse "sim sim" porque não conseguia responder. Na verdade fiquei chocado com a pergunta. Só entendi tudo depois.
Nesse dia ela me deu o cuzinho, o tão almejado cuzinho. Apenas fez a exigência: - deixa que eu controlo, tá?
O cuzinho era prova de amor na cabeça dela, bobinha.
Mas depois nem deu certo. Ela ficou teimando que preferia o Milk Shake de Ovomaltine do Bob's. Era só eu falar sundae que ela vinha com essa. Teimosa demais. Eu ficava triste. Eu não preferia o Milk Shake de Ovomaltine do Bob's.
Sundae e Milk Shakes são coisas diferentes, poxa.
Quando eu disse que as coisas não tavam dando certo ela se sentiu ofendida. Disse que eu era intolerante e radical. Que eu era egoísta e fraco. Falou até que a culpa era da minha mãe - que me tratava como se eu fosse um reizinho.
Falou mal da minha mãe, vê só...
Foi triste a separação, mas foi inevitável. "Incompatibilidade de gênios", minha mãe me disse e eu concordei.
- essas mulheres modernas são muito intransigentes, né meu filho?
Eu concordei. Eu concordo.
Lembrei que ela nem tinha feito uma comida pra mim. Nem arroz, nem carne moída, nem salada com bifinho.
Fiquei com raiva, eu confesso. Isso mesmo: raiva. Oferecer o cuzinho é fácil. Prefiro um bife.
6 de maio de 2010
pelo prazer, pelo prazer...
Eu cago-regras e digo que é um PRAZER. Às vezes me contenho e escrevo algo aqui que decido não publicar. Porque um lê e acha que é pra ele. E eu é que não vou provar o contrário: se você publica algo, mesmo que na Imbecil-Internet, não pode - ou não deve - ficar cerceando interpretações, por mais babacas que elas sejam.
Por isso cago-regras com PRAZER. E de novo: cago-regras pelo PRAZER.
Porque cagar-regras me mobiliza. Falo do meu umbigão dourado e solitário e me sinto ótimo. PRAZER, eu repito.
Mas eu também faço contas. E sei que bater palmas pra maluco, faz maluco dançar. (Tem vez que gosto de ver o maluco dançar, tem vez que não. Ou não ainda, como é o caso de agora.)
Tinha esse textinho na dita e pronto. Textinho bom, desses que me deixam gordo e satisfeito. Li, reli e fiz a sentença: não quero maluco dançando por isso, a confusão é vaidosa...
De forma que opto por cagar essa regra agora. Sem meandros ou chances de provocar danças eufóricas e falsas. É vaidade também. (Esconder o jogo é vaidade também, explico.)
Seja como for, minha pança é redonda e meus dedos escrevem no blogue. Vaidade, dancinhas e jogadas - se repetem e fazem parte da merda coletiva.
Prefiro ser discreto.
Como o jogador diz depois da partida de futebol: - acho que a equipe conquistou mais um passo e que temos que pensar nos próximos jogos sem jamais menosprezar o adversário.
5 de maio de 2010
sem unhas roídas.
Meu putaquepariu é o sorriso mais singelo na cara do diabinho.Capeta desses bem pequenos que se guardam em garrafa e que vira assunto nas novelas.
Meu capetinha dentro da garrafa de vidro e eu sussurrando pra ele: isso, isso mesmo.
Meu diabinho-camarada rindo com sua boca pequena e frágil.
Meu capetinha meu.
Depois dele sair, ele, tadinho, achou que ficaria grandão. Ele, capeta-coitado, achava que era pequeno por causa da garrafa.
E nem entendeu que o tamanho dele nada tinha a ver com o vidro e com a aparente prisão.
Meu diabinho do lado de fora escalando os aquários.
Meu capetinha meu: o rabinho, os chifrinhos e o corpo equilibrado em duas bolinhas gude.
Meu capetinha meu.
Depois que saiu da garrafa me disse: mó tristezinha, mas ainda queimo os dedos daqueles que me pegam.
Eu concordei e não toquei nele. O capetinha-diabinho tem lá suas razões.
Mas, de qualquer maneira, ele impressionava mais na garrafa.
Uma pena ele ter saído de lá.
4 de maio de 2010
culpe o whiskey
A vantagem do julgamento é que ele é pessoal. Estritamente pessoal. Por isso gosto daquele que diz "eu julgo" e refuto o que fala "julgar é feio". E também por essas o Estado quando julga se torna frágil e/ou, muitas vezes, equivocado. Porque o mérito de qualquer julgamento é ser uma impressão pessoal - uma avaliação que compara o julgador com o julgado.
(As leis, nesse raciocínio, passam por essa determinante: já que o Estado se pretende impessoal, temos que ter Leis para O orientar e também aos que julgam. "Julgamos perante à Lei" ou "Julgamos as ações e não o caráter" e "Um assassino em auto defesa não pode ser julgado como um simples assassino" são argumentos que a Lei usa quando pretende ser impessoal. E é isso. O Estado e a Lei têm essas premissas.)
Mas aqui é um blogue e também um eu delirante que escreve. Quando penso em julgamento, penso no individuo e só. Quer dizer: na minha cabeça o 'quem' diz é muitas vezes mais importante do que o 'o que' é dito pelo tal do 'quem'.
Exemplos:
1. A triste que diz ser feliz, 2. O baixinho invocado, 3. O inapto que fala mal do mundo(Eu), 4. O solitário com 15 melhores amigos, 5. O incapaz de amar com medo de nunca ser amado, 6. O Mc'Donalds preocupado com as crianças cancerosas, 7. A mãe da Sacha com uma fundação em prol dos pobres, 8. A feminista que não cozinha pro homem que ama, 9. O comedor dizendo que não encontrou a mulher certa, 10. O gênio que só escreve em blogue(Eu de novo).
E por isso, pra mim, todo julgamento será bem vindo. Seja ele certo ou errado, o meu ponto é que tal julgamento foi feito por tal pessoa. E a tal pessoa faz toda diferença. E deve fazer. O Chico Buarque falando sobre descriminalização da maconha é completamente diferente do Serguei falando sobre isso.
É uma coisa velha na verdade: "quem fala determina o conteúdo", "como é feito valoriza o produto" e, ainda que por inversão, posso também citar o pop "os fins justificam o meio".
E é aí que eu, gordo e arrogante, bato na minha pança e digo: - não mete essa, não agora e não pra cima de mim.
Porque eu tenho meus delírios e minhas loucuras, eu concordo. Mas, eu concordo também, que os meus delírios e loucuras são velhos conhecidos meus. Eu sou íntimo deles e, com eles, me fodo.
Minha arrogância é só uma: crer que eu enfrento os meus demônios.
Seja como for, eu sigo. Cagar regras é um prazer e julgar pode ser uma grande parada. "Minhas contas são sempre para o futuro" é minha proteção: já que quem deseja, deseja no futuro.
E aqui, no meu quarto-e-sala, eu ouço as músicas que conversam comigo e escrevo as histórias que eu posso.
Tudo idiota e calmo.
Como eu mesmo, afinal.
3 de maio de 2010
Eu não gosto das dancinhas que eles fazem.
Eu não gosto disso e daquilo. Eu sou chato e insuportável. Eu não acredito na Internet como ferramenta de justiça e, por isso, eu não assino petições. Eu não gosto de conhecer gente, eu não gosto de ser simpático, eu não gosto de telefone. Eu vejo de longe, eu fico sozinho, eu não participo e desconfio de quem participa demais. Me irritam os legais e me irritam os esperançosos. Eu não acho o Jô Soares inteligente, eu desprezo o denuncismo do CQC. Eu prefiro a idiotia canalha do Pânico na TV - mesmo sabendo que são apenas merdas de diferentes cus. Eu não consigo me animar com a maioria das coisas que causam animações: bucetas depiladas, mar e cachoeiras, tardes de sol, vídeo-games interativos, filmes em 3D, menáge com 2 mulheres, ser popular no facebook, frango assado de padaria, animais de estimação, canetas coloridas, revistas velhas, igrejas barrocas, etc. Eu me escondo, eu me isolo, eu tenho delírios de pureza. Às vezes eu acho até que eu devia virar outro. Pra viver melhor, pra me animar com as animações, para ter mais contato com a Natureza. Às vezes eu telefono, às vezes eu bóio no mar, às vezes eu rio das piadas do Jô. É o troca-troca, é o meio copo cheio/vazio, é o sorriso banguela, é o sim-não-não-sim. A Carla Perez velha, o Niemayer vivo, a M. Gadú como novo talento. Eu mesmo, meu blogue e três leitores solitários.
2 de maio de 2010
o cretino com garras e esperança.
Se eu pudesse apenas berrar e ser a criança imbecil. Se fosse uma questão de cálculo e conta. Se eu não fosse a bicha que eu sou e não esperasse por sacadas loucas e espertas. Porque tenho tesão nisso: nas sacadas loucas e espertas. Se eu fosse um idiota satisfeito gritando grandezas sem pensar muito. Se eu não fosse eu. Se eu não me importasse com quem diabos eu acho ser. E se houvesse as ternuras sem tamanho e constrangedoras. As xotas que fossem AS xotas e que agissem como AS xotas.
Mas não tem nada. E tem o cheiro de velho. O bolor idiotizante e repetido. A agonia de desejar muito e saber que desejar muito é se frustrar. O alimento vomitado e comido. O tempo fatal agindo e mostrando o quanto a liberdade é uma idéia estúpida e equivocada já que só nos repetimos. ( E Nelsão novamente me atinge ao mostrar sua consciência cruel e implacável: "Eu não existiria sem as minhas repetições.")
E, agora, com 28 anos, já não dá mais pra ficar culpando Deus e o mundo. Porque, agora, com 28 anos, eu nem acredito em Deus ou no mundo. Mas na culpa eu ainda acredito. Porque não sou burro e sei que a culpa existe. A culpa existe, criança. Negar a culpa é perfumar merda, é acreditar que a consciência - a consciência, sim!, te redime de alguma merda. E ta aí o erro: a consciência apenas te mostra a culpa e a falta de saída.
Mundo de merda e raves. Raves com drogas e ideias sublimes: raves-ecológicas, raves-classe média, raves-mundo melhor, raves-patrocinadas pela Petrobas, raves-um país de todos.
E eu? Eu nada. Eu discurso no meu blogue faminto. Eu vómito comido e dedo em riste. Eu apontando pro céu sem ter dedo ou direção. Eu só falando de mim, por mim, através de um blogue na Internet. A Internet que se pretende muito democrática e acessível, mas que nem é e nem sabe. A Internet que aponta em tantas direções que mostra que ter direção é uma bobagem porque tudo, absolutamente tudo, é uma bobagem.
E que sejam abençoados os idiotas - crendo no impossível e praticando sexo virtual. A liberdade de quatro e escancarada. As crianças tristes em companhias pedófilas.
E eu? Eu sou a bichinha que põe música clássica pra escrever. A bichinha que escreve. A bichinha a-pai-xo-na-da pela escrita. Cheio de ambições secretas, cheio de merda triste, cheio de sonhos infantis que são confrontados com os 28 anos de incapacidade e falta de senso prático.
Teatro ou escrita. Amor ou buceta de ouro. Mentiras alimentadas por mim para minha satisfação. O egoísmo articulado num blogue, em mais um blogue que é o seu próprio blogue. (Nada que se compare a realidade da velha que pediu pra cheirar minha garrafa vazia de cerveja porque não pode mais beber depois de ter ficado 15 dias na CTI.)
Mas é pelos gritos que eu vivo. E isso quer dizer incapacidade e não genialidade. Pelos gritos. Pelos milagres. Pelo desejo impossível. Pela falta de senso prático. Pelo idiota que se vira. Pela esperança tosca de Domingo ser melhor do que Sábado que, por sua vez, será melhor que antes. Desculpas de crianças tristes. Tristezas de crianças velhas. Velhice de quem espera novidades pelo telefone. E esse quem que espera - que sou eu - sabe que nada disso acontece ou acontecerá. A gracinha do mundo como a grande gag de Deus. Deus velho e gordo, já sem paciência pros detalhes ou sutilezas.
E claro que há esperança. Esperança sempre existirá. É da natureza da esperança o sempre. Ela não precisa acontecer pra ser o que é: Esperança.
Então estamos aqui e existe uma roda. Ou melhor, duas rodas. Uma é a ciranda com pretos e índios que seguem a música no bom e velho 1, 2, 3. Outra é o carrossel com cavalinhos pintados de branco e olhos fixos no nada girando em torno do próprio eixo. As opções são poucas, mas, mesmo assim, a gente ainda as considera: rodar eterno com os próprios pés e índios e pretos; girar em cima dos cavalinhos; ser um dos cavalinhos. Ou ainda: ver as duas rodas e achar que não tem nada a ver com isso. É uma escolha difícil e é como é: sim ou não ainda são as respostas que importam.
E, mesmo assim, a sabotagem ainda é uma grande forma de explicar tudo. E tudo, a gente sabe, é o que não importa. Minha ode e minha oração: sabotar apenas no blogue me parece um bom começo.
E claro está que competência não é o meu forte. Eu tenho gracinhas também, o que, enfim, só complica mais as coisas. Mas a gente se vira como pode - como a velha que cheira a cerveja. É legítimo, eu sei. O que não quer dizer que seja seu desejo para-a-vida-inteira.
De forma que chutar um gato morto ainda é empolgante. Assim como ter um blogue e delirar com o auxílio de drogas.
" - eu sonho, minha coisinha, eu sonho...e você?"
" - é...bem...eu ainda...não sei..."
" - eu entendo, minha coisinha, eu entendo."
" - haha...te amo agora..."
" - hahaha...te amo sempre..."
Mas não tem nada. E tem o cheiro de velho. O bolor idiotizante e repetido. A agonia de desejar muito e saber que desejar muito é se frustrar. O alimento vomitado e comido. O tempo fatal agindo e mostrando o quanto a liberdade é uma idéia estúpida e equivocada já que só nos repetimos. ( E Nelsão novamente me atinge ao mostrar sua consciência cruel e implacável: "Eu não existiria sem as minhas repetições.")
E, agora, com 28 anos, já não dá mais pra ficar culpando Deus e o mundo. Porque, agora, com 28 anos, eu nem acredito em Deus ou no mundo. Mas na culpa eu ainda acredito. Porque não sou burro e sei que a culpa existe. A culpa existe, criança. Negar a culpa é perfumar merda, é acreditar que a consciência - a consciência, sim!, te redime de alguma merda. E ta aí o erro: a consciência apenas te mostra a culpa e a falta de saída.
Mundo de merda e raves. Raves com drogas e ideias sublimes: raves-ecológicas, raves-classe média, raves-mundo melhor, raves-patrocinadas pela Petrobas, raves-um país de todos.
E eu? Eu nada. Eu discurso no meu blogue faminto. Eu vómito comido e dedo em riste. Eu apontando pro céu sem ter dedo ou direção. Eu só falando de mim, por mim, através de um blogue na Internet. A Internet que se pretende muito democrática e acessível, mas que nem é e nem sabe. A Internet que aponta em tantas direções que mostra que ter direção é uma bobagem porque tudo, absolutamente tudo, é uma bobagem.
E que sejam abençoados os idiotas - crendo no impossível e praticando sexo virtual. A liberdade de quatro e escancarada. As crianças tristes em companhias pedófilas.
E eu? Eu sou a bichinha que põe música clássica pra escrever. A bichinha que escreve. A bichinha a-pai-xo-na-da pela escrita. Cheio de ambições secretas, cheio de merda triste, cheio de sonhos infantis que são confrontados com os 28 anos de incapacidade e falta de senso prático.
Teatro ou escrita. Amor ou buceta de ouro. Mentiras alimentadas por mim para minha satisfação. O egoísmo articulado num blogue, em mais um blogue que é o seu próprio blogue. (Nada que se compare a realidade da velha que pediu pra cheirar minha garrafa vazia de cerveja porque não pode mais beber depois de ter ficado 15 dias na CTI.)
Mas é pelos gritos que eu vivo. E isso quer dizer incapacidade e não genialidade. Pelos gritos. Pelos milagres. Pelo desejo impossível. Pela falta de senso prático. Pelo idiota que se vira. Pela esperança tosca de Domingo ser melhor do que Sábado que, por sua vez, será melhor que antes. Desculpas de crianças tristes. Tristezas de crianças velhas. Velhice de quem espera novidades pelo telefone. E esse quem que espera - que sou eu - sabe que nada disso acontece ou acontecerá. A gracinha do mundo como a grande gag de Deus. Deus velho e gordo, já sem paciência pros detalhes ou sutilezas.
E claro que há esperança. Esperança sempre existirá. É da natureza da esperança o sempre. Ela não precisa acontecer pra ser o que é: Esperança.
Então estamos aqui e existe uma roda. Ou melhor, duas rodas. Uma é a ciranda com pretos e índios que seguem a música no bom e velho 1, 2, 3. Outra é o carrossel com cavalinhos pintados de branco e olhos fixos no nada girando em torno do próprio eixo. As opções são poucas, mas, mesmo assim, a gente ainda as considera: rodar eterno com os próprios pés e índios e pretos; girar em cima dos cavalinhos; ser um dos cavalinhos. Ou ainda: ver as duas rodas e achar que não tem nada a ver com isso. É uma escolha difícil e é como é: sim ou não ainda são as respostas que importam.
E, mesmo assim, a sabotagem ainda é uma grande forma de explicar tudo. E tudo, a gente sabe, é o que não importa. Minha ode e minha oração: sabotar apenas no blogue me parece um bom começo.
E claro está que competência não é o meu forte. Eu tenho gracinhas também, o que, enfim, só complica mais as coisas. Mas a gente se vira como pode - como a velha que cheira a cerveja. É legítimo, eu sei. O que não quer dizer que seja seu desejo para-a-vida-inteira.
De forma que chutar um gato morto ainda é empolgante. Assim como ter um blogue e delirar com o auxílio de drogas.
" - eu sonho, minha coisinha, eu sonho...e você?"
" - é...bem...eu ainda...não sei..."
" - eu entendo, minha coisinha, eu entendo."
" - haha...te amo agora..."
" - hahaha...te amo sempre..."
1 de maio de 2010
#
Meu delírio é uma buceta de ouro.
A única mulher
e as promessas de sol que ela traz.
A mulher e sua buceta de ouro,
a cura e meu delírio.
Apenas um porre.
Em noites frias ela me convida pra beber cachaça,
em dias longos ela me faz cafuné.
A mulher de ouro,
a buceta de diamante
e meu desejo de fazer uma mulher ser a única mulher.
Sem bundinhas pra ver na beira da praia,
sem jovens iogues e suas posições tântricas
sem adolescentes e peitos que levitam.
A mulher buceta-berço-e-caixão,
mulher dessas antigas
que não precisam provar que vivem no séc. XXI.
Mulher linda e calma.
Minha e só minha
a fazer promessinhas apenas pra me agradar.
Sem dizer não,
sem negar,
sem ter medo de me enganar.
“Mentirinha do bem”, ela diz.
Os dedinhos crispados dizendo
que eu deveria beber menos,
fumar menos,
sofrer menos.
Mulher buceta de ouro e diamante
minha só minha
porque eu a inventei
e ela acreditou.
fumar menos,
sofrer menos.
Mulher buceta de ouro e diamante
minha só minha
porque eu a inventei
e ela acreditou.
(25042010)
29 de abril de 2010
benzinho.
Sofrer não é virtude, meu benzinho. Então não sofra assim para tentar comover os idiotas. Os idiotas são idiotas, meu benzinho. Eles querem ganhar tempo, eles acham que eles ganham tempo. Idiotas, meu benzinho.
Minha dica é: use o telefone. Mas se quiser mesmo ser eficiente, meu benzinho, eu digo: afaste as pernas devagar, ainda com a calcinha, olhe nos olhos dele e diga sem ser vulgar ou infantil: - me c-o-m-e.
E dê pra ele sem pressa, meu benzinho.
É claro que eu vou morrer de ciúmes. Eu sempre morro de ciúmes. Sou possessivo, benzinho. Meu pau só fica duro quando escuta: - sou sua.
Sabe, benzinho? Fiquei pensando nas coisas. Achei tanta resposta triste, benzinho. Até imaginei você mentindo pra mim, vê só. Absurdo, absurdo.
Mas, benzinho, entenda que hoje tá chovendo e que, por isso, senti uma saudades enorme. A chuva lá fora, benzinho, me fez lembrar de quando você, cheia de remelas nos olhos, dizia enquanto encaixava seu quadril no meu: - vamô fazê naninha, vamô?
Minha dica é: use o telefone. Mas se quiser mesmo ser eficiente, meu benzinho, eu digo: afaste as pernas devagar, ainda com a calcinha, olhe nos olhos dele e diga sem ser vulgar ou infantil: - me c-o-m-e.
E dê pra ele sem pressa, meu benzinho.
É claro que eu vou morrer de ciúmes. Eu sempre morro de ciúmes. Sou possessivo, benzinho. Meu pau só fica duro quando escuta: - sou sua.
Sabe, benzinho? Fiquei pensando nas coisas. Achei tanta resposta triste, benzinho. Até imaginei você mentindo pra mim, vê só. Absurdo, absurdo.
Mas, benzinho, entenda que hoje tá chovendo e que, por isso, senti uma saudades enorme. A chuva lá fora, benzinho, me fez lembrar de quando você, cheia de remelas nos olhos, dizia enquanto encaixava seu quadril no meu: - vamô fazê naninha, vamô?
veneninho
Imagino ela me procurando no sábado de manhã. Está sozinha em casa porque seu marido foi pra Trilha. Isso mesmo: Trilha. Todo sábado ele faz Trilha. Vai ele e seus amigos. Todos machos, todos muito machos. Todos eles usam boné. Todos têm mais de 30 e usam boné. Usam boné não por causa do sol, mas por falta de senso de ridiculo mesmo. Como machos que são, levam também mate e água quente. Machos que usam boné, tomam chimarrão e fazem Trilhas todos os sábados. "Mesmo em baixo de chuva, bro."
Ela, na verdade, gosta disso. Gosta de ter um marido que faz Trilha aos sábados. Isso desperta certa melancolia nela. Ela não sabe explicar. Acorda junto com ele apenas para dar tchau na porta. Ela tem essas delicadezas. Depois que ele vai, ela pensa no que fará para o almoço e liga o computador com uma xícara cheia de café. "Adoro xícara grande pra beber café."
Ela vê suas coisas e deixa recados para as amigas. Ela anda satisfeita. Tem aquilo que queria e vive em paz. Olha pra própria casa e sente um orgulho besta e legítimo. "Minha casa, minha casinha."
Então ela lembra. Vai no google. Não resiste. Nem há porque resistir. Fica 10 ou 15 min. assim. Depois lembra umas coisas, mas abana a cabeça e esquece. "Era divertido, mas não era pra ser."
Olha pro relógio. Seu marido deve estar no topo da montanha agora. Com boné, chimarrão e macheza. A casinha é uma beleza. Se fosse mais quente seria perfeito. "Mas perfeição não existe..."
Lembra de novo e abana a cabeça. Franguinho temperado com cerveja. Delícia. Em meia horinha fica tudo pronto. Olha o relógio e vê que dá tempo prum cigarrinho escondido. "Tão bom fazer fumacinha."
Lava bem as mãos e deixa tudo preparadinho. Põe até flor na mesa. Daqui a pouco ele volta. "De boné, mas volta".
28 de abril de 2010
O sonho virou pesadelo. Meu anjo virou minha diaba. (Eu chamava ela de anjo). No meio do próprio sonho noto que estou sonhando e digo pra mim mesmo: - de novo não.
Sempre o mesmo registro estranho e sinistro: o tempo presente. Porque 'no tempo presente fica parecendo possível', disse a Fá. Minha punheta com sonhos faz eu querer que eles tenham sentido. Pergunto pra mim mesmo como carneiro bem treinado: - o que o seu subconsciênte quer dizer pra você?
E, sejamos francos, é impossível viver bem pensando esse tipo de merda. Então tomo uma dose antes do almoço e rezo pra não sonhar mais. Ou então pro sonho virar realidade. Ou ainda pra eu não me impressionar. E há também a possibilidade de não dormir.
Sempre o mesmo registro estranho e sinistro: o tempo presente. Porque 'no tempo presente fica parecendo possível', disse a Fá. Minha punheta com sonhos faz eu querer que eles tenham sentido. Pergunto pra mim mesmo como carneiro bem treinado: - o que o seu subconsciênte quer dizer pra você?
E, sejamos francos, é impossível viver bem pensando esse tipo de merda. Então tomo uma dose antes do almoço e rezo pra não sonhar mais. Ou então pro sonho virar realidade. Ou ainda pra eu não me impressionar. E há também a possibilidade de não dormir.
whatever
Não houve fodas fantásticas,
não houve café na cama,
não houve beijos de boa noite.
Não houve boquetes sem pressa,
não houve dedos no cu,
não houve olhos abertos.
não houve dedos no cu,
não houve olhos abertos.
Foi video-game,
foi mini-game,
foi joystick
e foi gamão.
Não houve jornal aos domingos,
não houve piquiniques no sol,
não houve sexo como cantos da morte.
Foi mi-mi-mi,
foi fuque-fuque,
foi tédio
e foi repetição.
foi joystick
e foi gamão.
Não houve jornal aos domingos,
não houve piquiniques no sol,
não houve sexo como cantos da morte.
Foi mi-mi-mi,
foi fuque-fuque,
foi tédio
e foi repetição.
27 de abril de 2010
2 cervejas.
Se inveja matasse, eu morria.
Era um casal de adolescentes. Ele, óbvio que ulula, era bem pior que ela. Ela era linda, usava óculos de gatinhas e vestia um vestido amarelo. Seios pequenos, piercings, pulseiras e tornozeleiras. Ele, sem jeito e meio bicha, usava aparelho nos dentes e tinha, pra minha glória e desgraça, aquele cabelo raspado que deixa só o topete.
Ele parecia um cara legal, mas tinha esse jeito de idiota imperdoável. Ela, ao contrário, parecia mais velha e muito descolada - jovem hippie, mas esperta. No máximo 18 anos.
Eles conversavam muito e bebiam pouco e com jeito de amadores. Eu via. Eu sempre vejo. Eu gosto de ver. Eu toco punhetinhas vendo.
O "clima" entre eles era claro. Ele, como era de se esperar, travado e sem jeito. Ela tranquila e quase radiante. Foi no ápice desse "clima" que vi o mais invejável de tudo: ela sacou de sua bolsa moderna um caderno e uma caneta.
Meu Deus! Eu já sabia de tudo! Eu era ele! Ela era elas! E o mundo era uma pinóia por excesso de repetição! Foi óbvio e fatal: eu era o idiota imperdoável e ela era elas! Doze anos voam! Meu Deus! Era eu! Era elas! Eu já tinha participado da mesma coisa há doze anos atrás!
Não deu outra: um começou a escrever pro outro. Conversavam através do caderno. Um escrevia e o outro lia. E vice-versa. Ele, o idiota imbatível que era eu, colocou as mãos nas coxas dela enquanto ela lia seu 4° ou 5° escrito. Eu torcia. Eu era o Galvão Bueno do casal adolescente. Mais duas ou três escritas no caderno e o beijo viria.
O beijo veio. Um beijo que foi o mesmo que eu dei há doze anos atrás. Elas fazendo gracinhas e fingindo resistência e eu, o idiota imperdoável, querendo que aquele beijo fosse O Beijo.
Foi demais pra mim. Eu paguei a conta e voltei pra casa. Eu era ele e éramos parte de uma farsa eterna: o mundo se repete e a gente (eu/você) faz parte desse vídeo-game canhestro e sem surpresa.
Foi um tiro no peito. Foi a tristeza mais velha e mais bonita.
Senti saudades da inocência tremenda. De achar que O Beijo existe. De trocar escritos em cadernos como forma de novas conquistas. De usar o que se leu como estratégia de fodas. De não se incomodar com o jogo das fêmeas. De achar que as coisas aconteceriam puras e simplesmente porque deviam acontecer.
Doze anos atrás.
Doze anos agora.
Não posso nem reclamar.
26 de abril de 2010
de cá pra lá
- A gente inventa nossas fugas e por isso somos adultos. Sim, mentir pra si mesmo é decente e maduro. M-a-d-u-r-o, eu disse. E o grau de maturidade é definido por duas coisas: a elaboração da mentira e a consciência de quem mente. É isso: o adulto ideal é um mentiroso convicto. (Nota. Convicção: capacidade de elaborar uma crença, um modelo, um ideal.)
- A merda tá ali e é velha. Não dá pra não notar. A merda fede e é marrom. Você conhece a merda. Não há novidades, mas, mesmo assim, você fica puto quando pisa na merda. A merda melando seu sapato. A chatice de limpar a merda do próprio sapato. E o inevitável sempre e sempre: a merda fede.
- O erro da psicologia é a busca pela verdade. É em nome da verdade que as grandes cagadas são feitas. Aquele que diz "sou sincero" acha que "ser sincero" o legitima a dizer o que quer que seja. O Sincero esquece que nem todos querem ouvir o que ele diz. O Sincero é uma besta que se julga esperta, um egoísta que fala mal dos egoístas.
- Pra ser Sincero, eu digo: - queria ser o Mandrake. Fazer flexões pela manhã, desvendar casos, ganhar dinheiro, comer todas as sobrinhas-Mader e beber vinho toda à noite. Ter nome e pica enorme. Esquecer das fulanas com as quais se trepou por mais gostosas que sejam. Ser Mandrake e ser invenção: o mundo correto e preciso de um roteiro bem escrito.
- Os cretinos sempre sentem saudades. Sempre dizem: "muitas saudades". Os cretinos são os cretinos e também falam: "eu te amo" e " Deus te abençoe". Eles acreditam em Deus e no amor. Os cretinos são simpáticos e generosos. Eles são convincentes, os cretinos. Entendem tudo, são um poço de compreensão. Os cretinos são os melhores amigos de uma dúzia. São perigosos, os cretinos.
- Negar uma mulher bonita sempre será uma tristeza profunda. Só as feias não entendem o apelo que a beleza tem. Mas há as contas matemáticas: lindas e tristes, normais e radiantes, feias e sem jeito mesmo. A mulher ideal é bela e radiante. O homem ideal não existe: é, no máximo, lindo e burro. Mulheres são exigentes. Exigentes e tristes, eu insisto.
- Cagar regras é um prazer sem fim. Sentir o cuspe na cara não chega a ser uma surpresa. Meu engano e minha mentira: eu mesmo - com mais ou menos tolerância. Eu me acho, claro está.
- O telefone toca, mas eu não atendo. Vai que eu sei quem é que me liga. Eu me protejo e tenho as minhas fugas. O Aldir Blanc entende. Melhor o álcool do que o erro. Um versinho bem feito e o milagre tá na mesa. Só assim só. Eu mesmo até o fim.
24 de abril de 2010
relatinho.
Quero comer franguinhos como D. João VI. Invisto pesado e faço o circuíto: acordar, banho com direito à alongamento, roupa limpa, mercado e hortifruti. Hoje é sábado e o dia deu em cinza.
A promoção do whiskey vale a pena. Minha garrafa de bourbon tem apenas duas doses e minha pança cresceu com as cervejinhas novamente. Quanto mais longamente inspiro, mais minha pança estica e brilha à luz do luar. Luz do Luar, eu disse.
O mercado é sempre feio. Gente feia adora promoções. Eu estou entre eles e me sinto péssimo. Arranco o whiskey-promoção da prateleira e me dou por satisfeito. Eu quero é o Hortifruti.
Hortifruti sábado é o paraiso na terra. Ou, pelo menos, em Botafogo. Mulheres lindas, ar condicionado na medida e um tédio que é quase poético. Tomo meu suco-almoço e vou pra batalha: alface, tomates, ovos e coxinhas de frango. Coxinha de frango light, diz a embalagem. Na verdade é apenas frango sem pele. Deus abençoe o Hortifruti.
Estou precavido e com sorte. Trago rosbife, empadão e ainda descolo um livro do J. Genet por 5 pilas. Deus abençoe o Hortifruti, eu repito.
Já em casa eu organizo as coisas. Deixo o franguinho Dom João VI temperado e vedado no saquinho do Hortifruti roubado especialmente pra isso. A casa é minha e moro sozinho. O telefone decido se atendo ou não. As músicas são as mesmas e o whiskey é novo. Tenho meus arquivos abertos e também meu blogue. Até amendoim, eu tenho. Eu sei sobreviver, ó pá. Eu vivo até que bem, ó pá.
O whiskey desce delícia e azeitado na garganta. Minha reza anti pança em formato de lua. Lembro do outro dia e coloco o corpo pro lado, solto um peido longo e fedorento. Sou um pequeno rei, ou buda - se pensar na pança. Tudo certo.
O franguinho estala no forno e, rapaz, o cheiro tá que é uma beleza. Comerei com a mão que é o jeito certo de comer franguinhos. A Glórinha Kalil que disse...a Glórinha Kalil...bem que comia ela. Coroa, Milf, Mature. A pornografia na internet é uma benção. Pra você, Glorinha.
Lavo minha mãos e desligo o forno. Agora é só deixar o franguinho dourar. Sabadão na cabeça e tudo se arranja pelo telefone: drogas, prostitutas e até amor de mãe.
Mais um motivo pra não usar o telefone.
Eu sinto o cheiro. É desses que nos ativam a memória. Como o cheiro salgado da casa da minha avó ou como o cheiro de cachorro da casa do meu primo. Não é um cheiro bom. É, antes de tudo, um cheiro estranho. Nem ruim é.
É como se fosse possível fazer adivinhações. Não por milagres ou misticismos, mas por cálculos. Euforia velha. Em dois ou três minutos há o vislumbre enorme. Alimentar vislumbres é o cheiro do cachorro molhado.
É como se fosse possível fazer adivinhações. Não por milagres ou misticismos, mas por cálculos. Euforia velha. Em dois ou três minutos há o vislumbre enorme. Alimentar vislumbres é o cheiro do cachorro molhado.
23 de abril de 2010
Meu puta-merda é minha oração.
Hoje senti raiva o dia inteiro. Cariocas malditos e folgados. O cretino não faz o que a loja dele diz fazer porque está sem saco. O cretino 2, indicado pelo cretino 1, erra quando diz "tá tudo resolvido, e-mail encaminhado".
Rio de Janeiro do caralho. Por um lado a glória de ter um povo que tá se fudendo pra realidade e suas funções. Por outro, a merda de ver algo simples e rápido se tornar complicado e lento.
E quem explica? A outra opção é a eficiência Paulista...
Deus! Mundo de merda e meu ódio, graças, é real e palpável. Eu odeio. Eu não me sinto mal por odiar.
Então eu leio. Organizo a merda pela leitura. Mas, por ironia, me toco que to lendo o que tenho e não o que quero. Encomendei um livro pela net que não chegou. E ler obrigado é ler obrigado. E quase viro vítima de mim mesmo. Mas, graças again, me toco: tô com um mau humor ancestral e não devo me levar à sério.
Tudo certo. Eu bebo, mas o whiskey tá no fim. O idiota do Coimbra diz que "A Grande Família" é mau escrito. Eu protesto e digo "tá falando merda". To de mau humor e idiotices não passam impunes. O mau humor é a falta de tolerância, é meu caga-regra.
Então foda-se. Crianças sempre serão crianças independente da idade que tenham. Burros reclamaram da falta de sentido como se sentido houvesse. Mulheres serão sempre melhores no meu pensamento do que no mundo real. O whiskey sempre acaba na hora errada e Nova Iorque é uma cidade e não uma solução.
A merda do mau humor é isso. Nada de nada. Sem piedade pra mim ou pros outros. Somos tristes e falhos. Procuramos soluções que não existem e inventamos sofrimentos pra se sentir vivos. Circo bizarro e ódio.
E eu também. Eu existo, né não? E, por isso, eu reajo e causo reações. Circo bizarro e triste, melhor dizendo. Meu saco tá na lua e crianças idiotas querem que eu brinque de roda. Mas eu to de mau humor e sei que não sou minha melhor companhia.
"dia sim
dia não
idiotas com alma
e coração.
dia sim
dia não
topar tudo
é não ter culhão."
Rio de Janeiro do caralho. Por um lado a glória de ter um povo que tá se fudendo pra realidade e suas funções. Por outro, a merda de ver algo simples e rápido se tornar complicado e lento.
E quem explica? A outra opção é a eficiência Paulista...
Deus! Mundo de merda e meu ódio, graças, é real e palpável. Eu odeio. Eu não me sinto mal por odiar.
Então eu leio. Organizo a merda pela leitura. Mas, por ironia, me toco que to lendo o que tenho e não o que quero. Encomendei um livro pela net que não chegou. E ler obrigado é ler obrigado. E quase viro vítima de mim mesmo. Mas, graças again, me toco: tô com um mau humor ancestral e não devo me levar à sério.
Tudo certo. Eu bebo, mas o whiskey tá no fim. O idiota do Coimbra diz que "A Grande Família" é mau escrito. Eu protesto e digo "tá falando merda". To de mau humor e idiotices não passam impunes. O mau humor é a falta de tolerância, é meu caga-regra.
Então foda-se. Crianças sempre serão crianças independente da idade que tenham. Burros reclamaram da falta de sentido como se sentido houvesse. Mulheres serão sempre melhores no meu pensamento do que no mundo real. O whiskey sempre acaba na hora errada e Nova Iorque é uma cidade e não uma solução.
A merda do mau humor é isso. Nada de nada. Sem piedade pra mim ou pros outros. Somos tristes e falhos. Procuramos soluções que não existem e inventamos sofrimentos pra se sentir vivos. Circo bizarro e ódio.
E eu também. Eu existo, né não? E, por isso, eu reajo e causo reações. Circo bizarro e triste, melhor dizendo. Meu saco tá na lua e crianças idiotas querem que eu brinque de roda. Mas eu to de mau humor e sei que não sou minha melhor companhia.
"dia sim
dia não
idiotas com alma
e coração.
dia sim
dia não
topar tudo
é não ter culhão."
21 de abril de 2010
Perdi.
Aquele imbecil de sorriso largo era antes de tudo um simpático. Falava bem, o canalha. Enrolava as gurias com champanhe e as comia todas. O cu, principalmente. O imbecil preferia o cu à xotas. Era como ele se sentia exclusivo. Buceta pra todos e cus pra ele. Vai entender?
Eu pensava "foda-se". Cus e bucetas, foda -se. Sou um tipo de viadinho peculiar. Meu lance são almas. Isso: almas. Futuco bucetas e, eventualmente, traço cus. Mas, cá comigo, penso como o bom católico que sou: quero almas.
A verdade é que há muito que as evangélicas superaram às católicas. Elas são mais intensas e mais culpadas. Uma evangélica gozando é o próprio inferno, até de demônio lhe chamam. As católicas, Deus, as católicas. Eu tive uma boa católica. Surpreendente, eu confesso. A gente gozava junto como se gozar junto fosse simples. Eu até achava que era. Foi só com evangélicas e loucas em geral que eu vi que não. Gozar junto é coisa de santa. E santa só sendo Católica - uma pena já que elas andam perdendo espaço pras evangélicas.
Devo admitir que o imbecil era um especialista. Entupia as gurias de álcool e fingia que tinha bebido bastante. Daí tentava umas coisas gratuitas que, pra minha surpresa, davam certo.
- você pegou na minha bunda antes de me beijar, é isso mesmo?
- desculpe, eu tô muito bêbado e sou m-u-i-t-o louco...
Canalha, eu disse. Canalha e competente. Deus! Eu não posso competir com essa gente! Eles são fortes! Eles não se importam! Eles preferem cus à xotas e eu quero almas! Deus! Me ajuda, Deusão! Sou Católico, poxa...
Mas Deus tem lá suas coisas pra resolver e o imbecil era um gênio, confesso. Não é simples ser imbecil. Há que mentir muito pra si e pros outros. Há, até, que acreditar em Deus e transcendências em geral: as evangélicas que gostam de champanhe lhe oferecem o cu como recompensa. Puta jogada invejável.
Então acabei voltando pra casa sozinho. Perdi, eu assumo. O imbecil é mais apto pra essas coisas. Deixa elas falarem e responde sempre e sempre: "eu entendo, eu entendo".
E o imbecil, a gente sabe, é sempre sincero.
20 de abril de 2010
meses atrás
(do arquivo - Maio de 2009)
Inferno quente. Olho pros lados e nada vejo. E eu sei lá qual é o sentido dessa merda toda.
Queria uma estátua. Eu e minha pança feitos de bronze. Ficaria debaixo do sol e da chuva com a mesma indiferença impassível: o sorriso torto na boca e um copo cheio de mijo frio.
*
Lá fora minhas sobrinhas correm pra cá e pra lá. Elas sentem um tipo de desespero que já senti: fazer o que for, aproveitar ao máximo o tempo que existe. Sinto uma saudade tremenda desse desespero extravasado, dessa busca cega, dessa loucura inocente. Porque hoje eu não acredito em nada disso e desconfio da inocência e do desespero.
*
Suborne fracos, feios e pobres. Todos os solitários numa ciranda belíssima e inútil. Aquele coletivo de tristes cantando a música mais feliz do mundo. E todos sóbrios e cheios de si, dizendo que o nunca não existe e que o pra sempre acontece em todas esquinas para quem tem olhos pra ver e ouvidos pra ouvir. Como se pros homens existir bastasse.
Queria uma estátua. Eu e minha pança feitos de bronze. Ficaria debaixo do sol e da chuva com a mesma indiferença impassível: o sorriso torto na boca e um copo cheio de mijo frio.
*
Lá fora minhas sobrinhas correm pra cá e pra lá. Elas sentem um tipo de desespero que já senti: fazer o que for, aproveitar ao máximo o tempo que existe. Sinto uma saudade tremenda desse desespero extravasado, dessa busca cega, dessa loucura inocente. Porque hoje eu não acredito em nada disso e desconfio da inocência e do desespero.
*
Suborne fracos, feios e pobres. Todos os solitários numa ciranda belíssima e inútil. Aquele coletivo de tristes cantando a música mais feliz do mundo. E todos sóbrios e cheios de si, dizendo que o nunca não existe e que o pra sempre acontece em todas esquinas para quem tem olhos pra ver e ouvidos pra ouvir. Como se pros homens existir bastasse.
18 de abril de 2010
Domingo de sol, casa vazia e solidão satisfeita.
Sou eu mesmo e meu peito urge. Estalo a cerveja antes das duas da tarde. Piano na vitrola e Aldir Blanc cheio de dor cantando coisas que eu sempre entendi e entenderei.
Eu estou aqui. Eu sou eu. Eu e minhas repetições. Nelsão faz cada vez mais sentido.
Ostento o arroto, acendo o cigarro e vejo meu pau mucho dentro da cueca. Não há lamentos porque não houve enganações, me diz o anjo bom que fica no meu ombro esquerdo. (E o anjo mau onde foi parar? Tão melhor companhia que o anjo bom...)
Domingo na cabeça e cerveja gelada. 3/4 de uma garrafa de whiskey e o desejo vaidoso de despertar meus demônios - amigos fiéis e imprescindíveis que sempre me lembram da existência do sangue. Ah, o sangue... Estar vivo é ter demônios.
Meus arquivos estão abertos e minha pança está inchada. A cerveja, a maldita cerveja, tirando minha fome e estufando meu abdômen. Nessas horas, quando olho a bola que é minha barriga, penso: nem se precisa de muito pra viver. Cervejinhas e delírios de grandeza. Só os milagres interessam.
No prédio há cheiro de comida. Carne assada e macarrão seria o prato perfeito. Talvez um frango de padaria lentamente distrinchado pela mulher amada. Ela reclamaria que eu nunca saio e eu lhe diria eu te amo. (A vida boa e simples também é um delírio de grandeza, Maria...)
E eu aqui. Ouvindo música alta e bebendo. Lembro da minha infância. Meu pai fazia isso. A gente acordava com a música alta e ele semi-embriagado. Minha mãe na função almoço ouvindo as histórias e palpites do meu pai. (A vida boa e simples de novo, Maria.) E eu e minha irmã, adolescentes e burros, achando tudo aquilo besta - como se tudo aquilo fosse só um domingo qualquer. E não era um domingo qualquer. Era, na verdade, o único domingo que existe. O domingo da infância e do passado, ancestral e bom e simples. Como se bom e simples fosse realmente simples.
Até porque nessa época eu não sabia da tristeza velada que existe em todo ser humano. A vida fatal, o tempo fatal, as dores que se acumulam com mais ou menos sabedoria. Eu não sabia que o tempo agia e que o vigor diminuía. Que perdemos vitalidade, mas ficamos mais espertos. A inocência não volta. Inocente aos 30 é estupidez.
É pela perda da inocência que criamos utopias e romantismos. É nossa resistência formulada, racional e articulada. Repito: não há lamento porque não houve engano. Meu pai, minha mãe, minha irmã e os domingos: nós temos o tempo, nós somos o tempo.
Repito o disco do Aldir e preparo a 2° dose de whiskey. Meus demônios estão em paz. Para minha glória e desgraça meus demônios estão em paz. Lembro do Beckett falando do tempo. Era bonito pacas e é uma pena eu não ter isso de cor.
Domingão, álcool e música alta. Eu gosto do que eu posso ter. A vida boa e simples, passa por aí, não é Maria?
Gostar do que se tem é, às vezes, um milagre.
Atriz de Infantil.
Ela é loira e grande. Tem as ancas largas e é levemente estrábica. Olhos claros. Desde a primeira vez que que a vi a achei tesuda. Tem sardas no rosto e as ancas são realmente muito largas, quase - eu disse quase - desproporcional ao conjunto. Se eu não me engano, ela tem 33 anos - o que, enfim, só a torna mais interessante.
Desde que nos conhecemos, nos cumprimentamos. Quer dizer, na verdade não nos conhecemos. Já estivemos na mesma mesa de bar 3 ou 4 vezes. E nos encontramos por aí: em filas, bancos, ruas e mercados. E sempre nos cumprimentamos. Somos muito educados.
Uma vez, numa mesa de bar, ela gostou da minha piada. Um treco besta que falei sobre a areia de Ipanema. Ela mora em Ipanema. Riu das minhas piadas que falam mal do mar sujo do Rio de Janeiro, disse até que nunca ia à praia no Rio de Janeiro.
Ela sempre está acompanhada por amigos gays e modernos. Sempre tenho a impressão de que ela se sente meio deslocada. Não por estar com amigos gays e modernos, mas porque ela faz menos barulho do que eles. Nas mesas de bar que partilhamos foi assim: amigos gays e modernos e falantes, e ela - que eu nunca paro de olhar - várias vezes com o pensamento longe e a cabeça baixa. Um charme, uma coisa. E também as ancas enormes.
Ela é uma dessas mulheres que eu acho que me dariam. Não sei explicar por que. Mas acho que ela me daria. Tenho essa impressão com algumas mulheres. Penso em segredo quando as vejo: essa mulher me daria.
(E isso não quer dizer que essas mulheres realmente me dariam. Quer dizer apenas que eu acho que elas me dariam. E como eu não acho que todas as mulheres me dariam, tá tudo certo.)
Na última mesa de bar que dividimos fiquei olhando pra ela ostensivamente. Estava na vibe-vaidosa queroqueelavejaqueeuaestouolhando. De modo que ostentei e ostentei. Mirei as ancas, o decote, a cruzada de pernas e até a boca. Ela notou e eu me dei por satisfeito.
Pensei em segredo novamente: essa mulher me daria.
17 de abril de 2010
blogueiro, não escritor.
essa coisa sem fim e essa ternura. escrevo por hábito e mania. ah, seu eu tivesse culhão de bater no peito e dizer: sou um escritor. como o Mirisola. Mirisola rocks e Deus o proteja. ter culhão é pros poucos que devem ser preservados. mas deixa pra lá.
atualizo e subo meu blogue. coisas pra dizer, mas sem a coisa-verve que faz escrever parecer um milagre. mas teimo mesmo assim. tenho blogue. sou blogueiro. não tenho culhão de ser escritor. não tenho culhão de dizer: sou escritor. culhão e talento, fique claro. como o já citado e deixa de novo pra lá.
então digo. assim: a água bate na bunda. é assim. uma mulher esperta faz isso com ele. ele outro, não eu. ele sabe. a fêmea fatal lhe dá letra precisa e ele sente o arrepio inteiro: da fêmea, da novidade, do fim, do desafio, do risco, da possibilidade do mal, etc. essas coisas. ele sofre. do jeito dele que conheço e posso afirmar: ele sofre. sai rápido e sente o peso da vida. me abandona no meio da cerveja. ele tá certo. ele frita e deve fritar. que frite em paz, eu insisto.
outra: no dia seguinte vi que meu pau sangrou. isso mesmo: sangrou. após 28 anos de convivência duras e moles, ele sangrou pela primeira vez. notei depois. pela cueca manchada de marrom claro. pensei: essa moça me faz o pau sangrar. questionei: o que isso significa? quem é a fêmea que sangra teu pau pela primeira vez? é rainha? é diaba? é louca? é xota-rainha? é o quê? a mulher que sangra meu pau devia ser um título de um belo conto de um puta escritor da pesada. meu pau sangrando. a água do chuveiro causa uma ardência mais dolorida que as ardências passadas.
eu e meu amigo. roupas diferentes, danças diferentes e fêmeas diferentes. elas sempre. terríveis. cheias de coisas que nem eu nem ele ativamos. elas loucas. elas sempre loucas. loucas porque é difícil entender e fácil se encantar. elas lindas. choros e desesperos em peito seu. eu e meu amigo e nossas dores. não se fala sempre, mas nunca deixa de ser entendido. ternura, casamentos, filhos e outros troços.
a vida arreganhada e estranha. sem medo e cheio de medo. porque é o que é, porque reconhecemos as grandiosidades, porque somos dois e, mesmo sem falar, entendemos que há dores intranponiveis.
cada um na sua e um zelo comum e cristão: desejar o bem do próximo.
atualizo e subo meu blogue. coisas pra dizer, mas sem a coisa-verve que faz escrever parecer um milagre. mas teimo mesmo assim. tenho blogue. sou blogueiro. não tenho culhão de ser escritor. não tenho culhão de dizer: sou escritor. culhão e talento, fique claro. como o já citado e deixa de novo pra lá.
então digo. assim: a água bate na bunda. é assim. uma mulher esperta faz isso com ele. ele outro, não eu. ele sabe. a fêmea fatal lhe dá letra precisa e ele sente o arrepio inteiro: da fêmea, da novidade, do fim, do desafio, do risco, da possibilidade do mal, etc. essas coisas. ele sofre. do jeito dele que conheço e posso afirmar: ele sofre. sai rápido e sente o peso da vida. me abandona no meio da cerveja. ele tá certo. ele frita e deve fritar. que frite em paz, eu insisto.
outra: no dia seguinte vi que meu pau sangrou. isso mesmo: sangrou. após 28 anos de convivência duras e moles, ele sangrou pela primeira vez. notei depois. pela cueca manchada de marrom claro. pensei: essa moça me faz o pau sangrar. questionei: o que isso significa? quem é a fêmea que sangra teu pau pela primeira vez? é rainha? é diaba? é louca? é xota-rainha? é o quê? a mulher que sangra meu pau devia ser um título de um belo conto de um puta escritor da pesada. meu pau sangrando. a água do chuveiro causa uma ardência mais dolorida que as ardências passadas.
eu e meu amigo. roupas diferentes, danças diferentes e fêmeas diferentes. elas sempre. terríveis. cheias de coisas que nem eu nem ele ativamos. elas loucas. elas sempre loucas. loucas porque é difícil entender e fácil se encantar. elas lindas. choros e desesperos em peito seu. eu e meu amigo e nossas dores. não se fala sempre, mas nunca deixa de ser entendido. ternura, casamentos, filhos e outros troços.
a vida arreganhada e estranha. sem medo e cheio de medo. porque é o que é, porque reconhecemos as grandiosidades, porque somos dois e, mesmo sem falar, entendemos que há dores intranponiveis.
cada um na sua e um zelo comum e cristão: desejar o bem do próximo.
15 de abril de 2010
quando ela me deixou.
Era um soco na barriga e um beijo na boca. Uma delicadeza de outra vida. Ela me falava: - sou Kardecista, sabia? Eu não sabia, mas dizia "claro, claro".
- Nosso amor é de outra vida, bonitão.
Eu concordava, falava '"pode crer" e coisas do tipo. Ela era radiante, admito. Há beleza na burrice. Tão fácil amar assim. Com uma burrinha gostosa como ela eu casava e seria feliz. Até concurso pro Banco do Brasil eu faria. Talvez me mudasse com ela pro interior do Paraná.
Ah, o amor. Além de me chamar de "bonitão" ela me fazia massagem nas batatas da perna. Dizia que eu trabalhar em pé era ruim pra minha circulação.
Kardecista, fitoterápica e mais duas religiões que eu esqueci o nome. Tão burrinha e perfeita: os peitos bicudinhos eram praticamente rosas, embora um pouco gastos.
É difícil entender porque o amor acaba. Acho que a culpa é do mundo. O mundo é cruel. Ou então é culpa dos espíritos obsessores de que ela tanto falava.
- O álcool deixa teu canal aberto pra esse tipo de espírito, sabia?
- É mesmo?
- Lógico!!!!
Quando a gente terminou ela me disse "Deus te abençoe". Fiquei triste, sofri, gastei dinheiro que não tinha e até cogitei ir trabalhar nos EUA. Ganhar em dólar e mudar de ares. Mas desisti porque minha mãe ficou doente e fez chantagem emocional. Mãe é fogo, a gente sabe.
Ontem, no meu aniversário, ela me telefonou e disse que era uma pena a gente não ter dado certo. Eu concordei. Uma pena. Tão gostosa e safadinha. Até chorava quando a gente transava, veja só.
14 de abril de 2010
lamento
Risinhos na boca. Sem nada demais. Ela mulata. Ela maravilha. Eu invento e berro. E chato e chatinho. E também o tédio como monstro. Prefiro outras coisas. Os parques, as maçãs carameladas e a ternura torta. Sincera. Dia azul e longo no Rio de Janeiro. Dia bonito. Mas. Quem de quê? Chatice e coisas velhas. Meus amigos me acalmam. Falar bem e ser participativo. Sentir ânimo com fantasmas. Ai, Deus. Ai, eu. Ai, o tempo passando pra sempre e sempre. E até depois da minha morte. Tempo mau.
13 de abril de 2010
relatinho, afinal.

Sou influenciado por uma porrada de coisas. E isso é o que é. Nem bom nem ruim. Coisa plana e ululante. No avião penso que vou morrer. Sempre imagino que o avião vai cair. Voar é errado, eu repito.
Em casa e com foie-gras. Whiskey também. Deus abençoe papai e mamãe. E as sobrinhas, a irmã e o cunhado. Os amigos também, como não? Afinal, Deus é Deus.
Voltar pra suas origens é sempre um treco.
Me pego pensando...Me pego com cálculos loucos pra minha vida e minhas coisas...Sou um tipo que me ilude, eu sei. Gosto do delírio e embarco.
Penso no caga regra que diz não perca tempo. Lembro que em Inglês é não desperdice tempo.
Faz mais sentido em Inglês, não faz? Até porque tempo só se perde.
Então volto, então isso: quero meu pau reto como seta que indica o caminho. Deus! É muita jogada aí! Eu jogo também, mas confundir as coisas é o tal desperdício de tempo. E, bem, mesmo sendo eu mesmo, eu digo: há limites para crianças tristes.
(Ah, o mal do trocadalho. Aramico me entende, eu garanto. E Bill também.)
Mas volto. Nem nada de novo e nem nada de velho. Eu mesmo após 4 dias em família. As loucuras de onde vim. Origem e caixão. Família: a grande invenção para o bem e para o mal. E claro está que tenho sorte: minha família é legal.
(Minha sobrinha perguntou pra minha irmã se nossa família é normal - o que prova pra Fernandinho que minha família é legal.)
E óbvio que isso não quer dizer muito. Até porque há chatices profundas e antigas ali dentro. Mas como moro longe aproveito o privilégio e deixo as chatices de lado. Foie- gras e Whiskey, vejam só.
"Família que fuma unida permanece unida", disse pra San que concordou e entendeu. Até riu, mesmo eu achando que ela anda triste. E minha mãe achou também. Até porque faz sentido ela estar triste.
E meu pai, canalha e mentiroso profissional, falou pra minha sobrinha mais nova que a Preta vinha também. A Preta, veja só. Ela mesma, A Preta. E, buscando as crianças na escola, tomo um choque com a Kauana que pergunta: - Cadê a Preta?, olhando pros lados. Eu pergunto: - que Preta? e ela diz: - A Preta!, como se só existisse uma Preta no mundo. Meu pai ri e lembra da mentira que havia contado e esquecido. É fato: meu pai tem humor.
Piada boa pacas, admito.
Até comento com ele: - A Preta casou, sabia? / - É mesmo? / - É, vi em foto de orkut amigo comum / - Rs, esqueci que tinha dito isso pra ela / - Bela piada, bela piada.
Em piadas como essa eu entendo quem eu sou e por que eu gosto do meu pai. Meu pai, grande cara - mesmo que mais bundão depois da diabete.
(ok, ok, eu confesso: ele deve ler isso e não resisti. é o tipo de piada que faz com que sejamos pai e filho. e apenas isso: pai e filho. nada de amiguinhos: pai e filho, eu repito)
E houve Pernil no sábado e Feijoada no domingo. Isso sem contar a sexta feira regada à lanches, pizzas e crianças.
Minha mãe discretamente satisfeita por ser a matriarca da casa. A Xota-Rainha do seu reino na Vila Hauer - digo sabendo que ela deve ler e ficar 'chocadinha' por eu a chamar de Xota-Rainha.
Tudo certo. Mãe e Filho. Pai e Filho. Irmã e Irmão. Cunhado e Cunhado. Sobrinhas e Tio.
É esse meu esforço: não perverter as relações de sangue por intimidades bestas como minha mãe saber que eu já fumei maconha e meu pai saber que já cheirei cocaína.
Tudo certo, eu repito.
Meu sangue correndo e lembrando de onde veio. É apenas disso que se trata. E nem quero pensar nos imbecis que acham que vinculo de sangue não quer dizer nada. Imbecis, eu disse.
Minha alegria promovida por foie-gras e whiskey. Que seja. Não é o que parece. Foie-gras e whiskey é apenas modo de falar. Símbolo para imbecis. Para imbecis.
E imbecis, definitivamente, não me interessam.
12 de abril de 2010
fosse ressaca.
A feijoada provoca peidos longos e prazerosos. Há precisão nesses peidos. Me pergunto se é da precisão que surgem os grandes prazeres. Seja nos peidos longos, nas caminhadas por montanhas ou no sexo em sintonia perfeita. A precisão e a faca afiada, as mãos que não tremem, as apostas enormes e os delírios que não são relativizados.
Meu saco são duas bolas que se arrastam ao ouvir as coisas velhas de sempre. Discursos articulados e cheios de termos rebuscados. Impressiona-se idiotas e se dança como se a noite não tivesse fim. Mas a noite tem fim.
Então despejo minhas raivas aqui. Blogue-Terapia é o nome da jogada. E apenas porque vejo o que vejo: mentiras antigas promovendo encontros mofados. Pega bem sofrer por aí. Pega bem gritar no escuro. Espantar o terror e achar a vida muito vibrante. Como quem perfuma as merdas e nega fedores. O nariz limitado por achar tudo muito agradável.
11 de abril de 2010
apenas três.
- As crianças não param de correr. Têm pernas e correm. Aquela vitalidade que quando não irrita, encanta. Até os cachorros fogem delas. Energia excessiva e explosiva. Amor e ódio em segundos. Vitalidade, eu repito. Capacidade de reagir à tudo. Falta de filtro: infância. É uma pena não poder voltar à ser criança.
- O ar gelado de Curitiba entra mais compassado. A ponta do nariz, fora das cobertas, começa a gelar. Enfio o nariz dentro das cobertas. Lembro de uma coisa e meu pau endurece desafiando o frio. Mexo nele, mas não insisto. Melhor dormir.
- Sexta Feira de Sanduiches e Pizza. Eu, meu pai e as crianças. Elas de uniforme da escola. Elas falam, elas não param de falar. Crianças, shopping, fila e sanduiches. Todos dormem à tarde. É um tipo de paz. É um tipo de mistério.
8 de abril de 2010
ela disse mais ou menos assim:
- eu não quero ser feliz. felicidade é um saco, um tédio. eu não. feliz fico chata, sabe? achando que tudo é como deve ser. vê se pode? prefiro bem mais a tristeza. ah, a tristeza. ela sim, cheia de coisa que me faz pensar. fico triste e contemplativa, sabe? entro numas, faço anotações e até telefono pros meus parentes do sul. tristeza é mais divertido, não é? faz a gente andar e pensar. eu ando um bocado quando tô triste, sabia? dô um monte de voltas, vou na praia e até na lagoa. até de noite eu ando. mas isso só quando tô triste. porque feliz, ah, feliz, é um saco, eu fico só me amando e roendo as unhas, achando que tudo tá bom como tá. um absurdo, não acha?
7 de abril de 2010
aquela beleza toda.
meus delírios são meus
Então existe um inferno onde é possível dormir. Torturas lentas e agonias profundas. Sem motivos para reclamar. O inferno às vezes é apenas o inferno. O desenho na parede é cheio de imagens e cores - como os azulejos do banheiro da casa da minha vó que formava rostos sinistros e íntimos.
O sangue também forma desenhos. Esparramado e facilmente confundido com sujeira por olhos mais desatentos. O sangue-ninho e colo. O sangue que esteve no primeiro e também no último dia. Coincidências infernais e delicadas, gracinhas do mundo e flores no asfalto.
O som começa a sair. Mais claro e mais próximo. Um som que quero conhecer e que é mais velho que o mundo. Um trovão que treme entre os lábios ainda fechados.
Então existe um inferno onde é possível dormir. Torturas lentas e agonias profundas. Sem motivos para reclamar. O inferno às vezes é apenas o inferno. O desenho na parede é cheio de imagens e cores - como os azulejos do banheiro da casa da minha vó que formava rostos sinistros e íntimos.
O sangue também forma desenhos. Esparramado e facilmente confundido com sujeira por olhos mais desatentos. O sangue-ninho e colo. O sangue que esteve no primeiro e também no último dia. Coincidências infernais e delicadas, gracinhas do mundo e flores no asfalto.
O som começa a sair. Mais claro e mais próximo. Um som que quero conhecer e que é mais velho que o mundo. Um trovão que treme entre os lábios ainda fechados.
6 de abril de 2010
Dia de chuva e caos no Rio de Janeiro. Acordei, sai com pressa e perdi a viagem. Tudo certo, assumo minha inocência. Algum ódio matinal pela perda de tempo, e pior - quando acordei tava tendo um desses putas sonhos fodões. Essa noite foi toda de sonhos fodões. E às 3:34 me ligaram perguntando se era o telefone da Cleide. Cleide, acho. Resmunguei apenas: tá maluco? Agora, informado do caos, penso na Cleide e espero que já esteja em casa.
No maldito facebook pululam os clichês: "a culpa é do povo e dos lixos nas ruas", "galera, vamos refletir e assumir que somos co-responsáveis" e "isso que dá jogar lixo nas ruas". As explicações bestas e velhas. Automáticas. As pessoas falando a mesma coisa que o prefeito fala pra justificar sua omissão. É um circo. Uma bizarrice. Gente transmitindo consciência pelo facebook é quase um abraço na Lagoa: inútil, porém chamativo. E o que mais me impressiona é o como isso é repetido de boca cheia, como se fosse uma descoberta, uma eureca, uma verdade. Queria ter culhão pra responder à todos que escrevem essas baboseiras. Seria cínico: "olha que engraçado, o E. Paes falou a mesma coisa." ou "realmente, o único culpado é o lixo nas ruas. Sem lixo nas ruas o mundo seria perfeito e feliz."
Mas não tenho esse culhão e sou discreto.
Na cbn a merda velha e gente mandando 30 mil mensagens que dizem exatamente a mesma coisa. O inferno, mas o inferno conhecido e sem surpresas. O inferno flat, o inferno lounge. O diabo não existe e é apenas um boi vermelho de patas invertidas num desenho animado na TV Xuxa. Nem medo dá pra ter.
No maldito facebook pululam os clichês: "a culpa é do povo e dos lixos nas ruas", "galera, vamos refletir e assumir que somos co-responsáveis" e "isso que dá jogar lixo nas ruas". As explicações bestas e velhas. Automáticas. As pessoas falando a mesma coisa que o prefeito fala pra justificar sua omissão. É um circo. Uma bizarrice. Gente transmitindo consciência pelo facebook é quase um abraço na Lagoa: inútil, porém chamativo. E o que mais me impressiona é o como isso é repetido de boca cheia, como se fosse uma descoberta, uma eureca, uma verdade. Queria ter culhão pra responder à todos que escrevem essas baboseiras. Seria cínico: "olha que engraçado, o E. Paes falou a mesma coisa." ou "realmente, o único culpado é o lixo nas ruas. Sem lixo nas ruas o mundo seria perfeito e feliz."
Mas não tenho esse culhão e sou discreto.
Na cbn a merda velha e gente mandando 30 mil mensagens que dizem exatamente a mesma coisa. O inferno, mas o inferno conhecido e sem surpresas. O inferno flat, o inferno lounge. O diabo não existe e é apenas um boi vermelho de patas invertidas num desenho animado na TV Xuxa. Nem medo dá pra ter.
Blogue, é?
A fêmea ideal é a única que importa. Todo o resto é arremedo e tentativa de conserto. Ela não existe, mas quem precisa da realidade?
- Uma vez por semana ela te acorda com uma pequena xícara de café. Sem pão, sem frutas. Apenas ela sentada na beira da cama com uma xícara de café, dizendo: “- ta na hora, meu amor”.
- Pelo menos a cada 6 meses há um boquete do nada. Ela começa a te chupar sem explicação. Você pode estar dormindo, vendo o sagrado futebol ou apenas distraído. Quando você pergunta “Que isso?”, ela apenas diz “Aproveita”. Você goza e ela ri cínica e poderosa.
- Em uma noite fria e de chuva, ela lhe oferece uma sopa. Diz: “caprichei no bacon que sei que você adora”.
- De manhã, você cheio de mal humor nota que ela quer falar ALGUMA COISA. Você pergunta “o quê?” e ela apenas fala “Depois te conto”.
- Após uma briga triste e destrutiva, ela confessa: “ Eu tava de TPM, desculpa.”
- Ela manda uma mensagem por celular. Escreve “saudades”, você não responde e ela nunca mais comenta sobre isso.
- A cada 3 meses ela elogia seu pau. Fala que ele é o do tamanho ideal. Nem grande nem pequeno. Perfeito pra vagina dela. “ A curvatura perfeita”, ela ressalta.
- Depois do restaurante, ela diz que você tinha razão ao discutir com o garçom.
- Ela consegue te chamar de “meu homem” sem ser piegas.
- Acha que todas suas amigas lhe dariam apenas porque ela te dá.
- Ela diz “eu te amo” como quem conta um segredo.
- No meio da mais fantástica foda, ela te xinga e sente raiva. Você entende o elogio.
- Uma noite, depois de gozar muito alto e com muitos gritos, ela diz: “ ai, não sei o que aconteceu comigo”.
- Ela lê seu blogue e nunca comenta. Deixa você escrever o que quiser sem se sentir afetada.
- Ela fala em filhos e casamento antes da hora e nem nota que falou disso.
- À tarde ela te liga e pergunta se você ta ocupado. Conta um monte de coisa sem sentido e, antes de desligar, solta: “- que bom que eu posso desabafar com você”.
5 de abril de 2010
outro coelho.
Almoço de Domingo. Casal de amigos e as respectivas mães. E eu. Me sinto muito bem, obrigado. Bacalhau de mãe é sempre bom. Mesmo de mãe alheia. A gente come e bebe. Bebe mais do que come e fala mais do que bebe. É um tipo de equilíbrio se se pensar bem.
Eu estou lá e me sinto ótimo. Lembro dos cretinos que me acusaram de não saber lidar com o mundo e, secretamente, me sinto vingado. Eu lido com o mundo, mesmo sem gostar de tudo ou todos eu lido com o mundo.
Conversamos sobre tudo. Quase impossível dizer sobre o que. As mulheres têm mil assuntos e eu nem ligo pra futebol. Fico com elas. E assuntos e histórias se multiplicam. Lembro dessa coisa de 'contar causos' e chego a conclusão que tudo é mesmo muito antigo. Gente se reúne pra comer, pra beber, pra falar. Bichos que precisam de bichos - nosso zoológico diário.
Fico mais tempo do que pensei e volto com uma bela quentinha pra casa - delicadeza empacotada. Ganho, de brinde, uma caixa de chocolate. Domingo besta e lento - papos que não teria entre os chatos cults de teatro ou não. Bem mais humano e simples. Sem forçar barras e sem TER que ser interessante.
A tristeza e a beleza do mundo diante dos meus olhos. Os dois: a beleza e a tristeza. Sem achar um mais importante, ou melhor, do que o outro. A gente conversa e se entende. Todo resto, agora, não faz sentido. Novamente a paz possível e suas vozes tranquilas.
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