26 de setembro de 2012

20 de setembro de 2012

Estou falando de gente morta.
De casais que se definham mutuamente e que acham o processo natural de desenvolvimento do cactus algo encatador.
Estou falando de mortos que gostam da boa companhia de outro morto.
Alguma coisa que ficou pra trás. Algo que se perdeu no caminho ou então, e isso é muito pior, que nunca existiu.
(Porque há essas pessoas que não pensam, que são extremamente burras. Que são levadas ao sabor da maré e que nunca lembram que sim sim, existe opção e não não, optar não é garantia de nada. Gente burra, tão burra, que nem cogita que optar não é ser racional, mas apenas não ser bicho-idiota que come apenas e somente em maré cheia. Como minha irmã - que é esse animal no lugar de gente: que reclama por ser bicho e não ser gente)
Então é disso:
gente morta, gente triste. Gente que se preocupa se está ou não feliz.
Perde-se tempo, erra-se o inimigo e usa-se a boca cheia pra falar d'a injustiça do mundo'.
O mundo é injusto e todas as pessoas decentes sabem disso. A coisa é pior;
é: - quer mesmo que eu acredite que você é tão idiota apenas porque o mundo injusto?
Gente morta do caralho. Que só ve o inferno. Que só vê a escuridão. E que, como não?, exige ser comprendido. - você não vê o inferno e a escuridão por incompetência, tá ligado?
A velha vaidade dos mortos: - eu sofri muito mais que você, sabia?
O sofrimento como virtude...a merda mais velha.
Vampiros que desfilam sem charme, zumbis que passeiam encantados com a descoberta da mariposa albina, lobisomens que 'entram em questão' com a própria sexualidade.
o pior.
os mais afetados.
os menos tristes e os mais sinceros:
a escória,
a ciranda.
E eles e elas e todos estão aí e estão sempre entrando em sua vida. Como sangue-sugas que são. Como idiotas que são. Como bichos de maré que são.
A casa mais linda,
a irmã mais burra
e uma única certeza que ulula:
tudo, menos isso.

11 de setembro de 2012

para ex namorada


Fernandinho varre a casa e passa pano.
Surpreendentemente, Fernandinho não sofre muito com isso.
Fernandinho, acho, está virando hominho.

10 de setembro de 2012

  • Minha vizinha se tornou linda em segundos. Quero dizer: tornou-se. Porque assim foi. De repente, em questões de segundos, ela era linda. Verdadeiramente linda. Disse pra ela: L-I-N-D-A. Mas acho que ela não entendeu. Supôs que era frase de efeito. Pior, disse: é só porque vou me mudar, né? Não era. Mas, vá lá!, ter uma vizinha que se torna mais linda porque vai se mudar é uma história bem melhor do que perceber que a vizinha é linda depois de a ver em um Karaokê Gay. Eu entendi. Meio triste, mas entendi.
  • É você. E você é si mesmo. Quero dizer: não importa ninguém. Porque motivos para 'não' não importam. O egoismo é a velha lição.
  • Egoismo bom é meio assim, disse el bigodon: se te dá conforto é bom, se não, cai fora. A não ser que queira ser mártir. E ser mártir, se bem lembro e entendi, é a vaidade mais escrota de todas.
  • Deixei um bilhetinho embaixo da porta. Bilhetinho-sincero-tipo-bêbado: Vizinha, você é linda.
  • Penso em Deus. É inevitável. Mulher me faz pensar em Deus. E isso não no sentido positivo da coisa. Porque Deus, a gente sabe, faz mais sentido quando é mal. Aquela justiça primitiva de olho por olho, dente por dente: mulher.
  • Minha vizinha vai só melhorar, eu sei. Mas sou discreto e tenho auto-controle. Ouço sua porta e reprimo meus impulsos mais primitivos. Agradeço ao Deus mal que ela vai se mudar. Porque Deus sabe das coisas, eu aprendi. Mas, de qualquer maneira, sempre espio sua janela quando penduro meus lençóis.  

8 de setembro de 2012

a ideia é que há algo a entender, mas não há algo a entender.
você pensa em deus, pensa nos amigos mortos, tenta lembrar de um ente querido.
inventa, como não?, uma possível mensagem subliminar.
- e então? qual vai ser?
você disfarça, faz uma piada boa, solta uma frase de efeito e lembra que o nelson rodrigues sempre foi genial.
- mas afinal quando é que você vai terminar o serviço?
não há nenhuma chance de interpretação, nenhuma metáfora. piadas e frases sem o gênio do nelsão.
- minha casa é pra lá e a sua pra cá. qual vai ser?
você lembra das danças, dos poucos boquetes perfeitos que existiram.
você lamenta profundamente não acreditar em deus.

2 de setembro de 2012

Fazendo gestos com as mãos e fazendo de conta que é expressivo. A confusão mais antiga de todas. A confusão bíblica. O suor como virtude para o pão, o macho e fêmea os criou como coqueluche cúmplice de merdas variadas.
A maioria absluta e terrível. Os casais de merda - minha mais sincera tristeza.
Quero dizer: por não querer comer merda sozinho, arranja-se alguém para comer junto.
A triteza mais triste: gente incapaz de comer merda sozinho. Ou pior: gente que esquece que come merda porque não come só.
Mas não há nada a ser provado.
É mais a pulga que coça e lembra que o óbvio é discreto a olho nu.
...

25 de agosto de 2012

O que sempre falta, então a gente faz. Teimosia, meu amor. Tesão de teimosia, conhece? Lembra?
Essa coisa de ir, de fazer, de mexer o corpo pra se enganar e dizer pra si próprio: estou vivo. Participar da mentira e se divertir com isso. Dar oi para desconhecidos, comprimentar, dizer prazer e dizer o próprio nome. Tomar carona e falar ao celular. Dizer até logo. 

20 de agosto de 2012

aquele amorzinho antigo que coça.
tipo frieira; dor e coceira - prazer misturado.
tem a ver com muito tesão e pouco sexo,
com rancor enrustido e ultrapassado,
com prazer de dizer adeus.
aquele tesãozinho chinês,
a oriental que sempre geme de um jeito estranho.
o amorzinho
e o tesãozinho
andando sempre
lado a lado.

27 de julho de 2012

Faz tempo que não venho aqui.
Os sentidos se perdem. Às vezes para sempre. Às vezes não.
Não sei qual é o caso, mas não importa.
Tava nos meus arquivos catando coisas e caçando sentidos. Daí vi isso, que é bem antigo e sem data. Lembro que comecei em 2.000 ou 99. O alimentei por um tempo e depois parei. Quando tentei retornar, acho que 2006, não consegui.
Na época pensei que era um pedaço da adolescência impossível de ser retomado ou mexido.
A última vez que alterei o arquivo foi em 2009, mas não sei se foi quando escrevi isso.
De toda forma, segue:
=
=
herói e fernando:
 

Fernando: herói me diz uma coisa.

herói: fala.

Fernando: você tem medo da morte.

herói: ...não, acho que não...

Fernando: Faz tempo que eu não venho aqui...

herói: eu sei...

Fernando: você deve Ter mudado muito, deve estar diferente...

herói: não sei...

Fernando: Você me irrita, herói..

herói: Por que?

Fernando: Porque você está aqui há muito tempo. Não caga nem sai da moita(herói o olha) É uma expressão herói(ele o olha) Uma maneira de falar...

Herói: E você? Você faz diferente? Caga e sai da moita?(fernando fica em silêncio) A única coisa que eu posso dizer de mim é que eu faço muita coisa, mesmo que eu não cague e nem saia da moita...

Fernando: Eu odeio isso em você herói...essa mania de repetir as coisas...parece que é uma maneira de você ganhar tempo...Ter volume...

Herói: (revoltado) Volume de quê? Volume...

Fernando: Como de quê? De páginas, meu bem, de páginas.

Herói: Mas isso é coisa sua. Não me diz respeito. Eu apenas sigo suas manias...

Fernando: Então é culpa minha?

Herói: Claro! Claro que sim. Você fala e não chega a nada. Parece até que você foge, sei lá....será que você foge?

Fernando: Como assim? Fugir de que?

Herói: E eu sei lá? Mas as vezes eu penso sozinho, sem ninguém dizer nada, e eu penso que você me usa...assim como sempre as pessoas fazem se fazer de conta que a vida tem algum valor, algum sentido, sei lá.

Fernando: Porra, herói, se você disser isso fudeu de vez.

Herói: Eu to cansado, cara. Eu me repito e você não me ouve. 

Fernando: Mas não é assim, Herói. A gente tenta chegar em algum lugar. Todo mundo tenta. É normal que essas coisas demorem, é normal que essas coisas se confundam...

Herói: Ta, ta. Pode ser, mas vamos combinar que isso cansa, oras. É demais, é tempo demais.

Fernando: Ta, ta. Mas o que você que que eu faça?

Herói: Quero que você decida e pare de me usar. Pare de fazer de conta que ta tudo bem e que as coisas têm que ser assim. Não têm que ser assim. Isso só depende mesmo é de você. Decida aí, cara.

Fernando: Herói, mas você nem fala cara. Por que ta falando ‘cara’?

Herói: você é mesmo muito cínico...

Fernando: ta, ta. Eu admito: sou cínico. Então vai lá e resolve tudo. Eu vou ficar aqui, do mesmo jeito, vou ficar inventando minhas mentiras e vou te usar de novo. Pô, herói, achei que teria jeito, sabe? Quando eu comecei isso aqui eu achei que teria jeito, mas não tem. Sei lá. Mas é como se antes as possibilidades fosse maiores. Agora não. Agora tem eu e você. Você que é meu produto, entende? Uma merda.

Herói: Ta. Mas o que eu faço então?

Fernando: eu não sei, não sei.

Herói: você que manda. Então vou ficar aqui. Esperando.

Fernando: Espera herói, espera.

2 de junho de 2012

=-=-=

  • A enorme capacidade de amar que ela tinha. Era superior nesse sentido. "Ser amado" é confortável e acalma. Ela não: ela amava e sabia que 'ser amado' não era tão importante assim. Então amava, e amava muito, e, por isso, por poder amar só, era feliz. E por algum tipo de magia sempre ocorria o encanto: ao amar tanto acabava sendo muito amada - e isso, infelizmente, é muito raro.
  • A cocaína nunca foi um problema. Era uma droga recreativa, uma diversão de 4 ou 5 vezes ao ano. Deixou de ser quando vi a merda toda: a compulsão do viciado virando garras e ferindo os outros. Virou tabu, gerou sisma. Hoje, ao ouvir uma história, tive a triste certeza: ele usa cocaína. Mas não falei nada porque não sei de nada e porque apenas supus. Meu achismo comprovou o óbvio: a cocaína virou tabu.
  • A inteligência sempre é admirável - mesmo quando não fala nada ou fala pouco. A inteligência, de forma geral, não é chata. Um chato inteligente não existe, por exemplo. Mesmo que um chato possa ter muito, MUITO conhecimento, ele jamais será inteligente. Ou se é chato ou se é inteligente. E vale lembrar: o chato, na média, faz muito alarde; já o inteligente tende a passar despercebido.
  • Lembrei da frase que escutei e que não lembro o dono: " A ironia é a tristeza do inteligente." Puta frase, né? Eu acho.
  • Eu poderia me apaixonar por aquela guria. Por achá-la gostosa, por acha-lá bonita, por imaginar que conversaria horas com ela. Mas a paixão não depende só disso: tem o tempo, a repetição e a manutenção das primeiras impressões. A paixão se diverte porque deseja ser corriqueira. Mas a paixão, como tal, é bem mais imprevisível. Talvez por isso eu implique com gente que diz: "sempre me apaixono", "vivi várias paixões" ou "sou um apaixonado(a)."
  • Percebo o nó na garganta da amiga. Digo: chora aí, bate aí, grita aí. Ela grita, bate um pouquinho na almofada que lhe mostrei, mas não chora. Tudo certo. O ser humano é essa coisa estranha. Muita dor presa, sobretudo nos mais livres. Doer é existir - e dor, em 99% das vezes, se sente lentamente e sozinho, é inevitável. Então amiga, te digo: põe aquele disco triste e bebe aquele vinho guardado; e não esqueça de estar só, muito só.
  • O tempo apaga as pessoas. Amigos que passam e deixam de existir. Ainda existem, mas não são reais: a amizade que só faz sentido em outras épocas e outros contextos. Lembro do meu pai dizendo: " a gente era muito amigo e viajávamos juntos, mas acabou: os filhos cresceram, os sonhos e trabalhos mudaram e fomos perdendo contato. É assim, é normal. As amizades tem muito a ver com uma época."
  • Nem toda despedida é triste. Perde-se contato, muda-se de idéias e, querendo ou não, as coisas mudam. A mudança, per si, não é boa ou ruim. A mudança ocorre, apenas ocorre, e, de repente, geralmente atrasado, nos perguntamos: nossa, por que tudo mudou tão de repente? Mas nem foi de repente. Foi lento, foi imperceptível. A gente é que só nota depois.
  • Acendo aquilo que deve ser meu último cigarro hoje. Há um silêncio na casa que posso ouvir. Porque sei que em breve, muito breve, não haverão silêncios. E gosto disso também: a casa cheia de gente, as gentes invasivas, o vínculo sanguíneo como um dado real - coisa que órfãos entendem muito mal. Vou ligar meu gravador, vou falar para o mp3. É assim, nessa mistura tímida e involuntária, que eu me torno eu mesmo: e, vá lá, isso nem é tão simples quanto parece.  

28 de maio de 2012

\lista/

  • O amor passeou tanto dentro de você que se perdeu.
  • A alegria dela sempre me pareceu estúpida. Não que não fosse alegre ou verdadeira. Incomodava-me que era alegre demais - como o amigo suicida do Tchékov.
  • Irritar-se com a carioca burra e afetada de 18 anos é normal. Ficar irritado por isso muito tempo não é inteligente. 
  • Tristeza é voltar com a mesma quantidade camisinhas.
  • Meu caráter circunstâncial prova minha fraqueza. Lembro que existem medicamentos para esse tipo de coisa. Não querer drogas químicas é uma burra questão moral.
  • Conversar com gente nova quase sempre me dá mau humor. Os jovens precocemente velhos são, via de regra, mais interessantes.
  • A felicidade nunca será a prova dos nove. Em última estância só o chato é eterno.
  • Ouvir alguém que fala alto me irrita muito. Ouvir um que pergunta a outro algo que poderia descobrir sozinho me irrita muito também. Conclusão: vivo irritado por causa dos outros.
  • A culpa existe sobretudo para aqueles que dizem que ela não existe. E aquele que diz "pra ser sincero" está apenas sendo cretino com mea culpa. Repare: o 'sincero' costuma dizer que a culpa não existe.
  • Sob qualquer circunstância usa a palavra América 'auto-estima' será um ato falho.
 

25 de maio de 2012

A impossibilidade da beleza nunca me incomodou. Assim como também nunca achei ruim o fato do amor não ser um sentimento espontâneo. "Amor à primeira vista" é um discurso bonito, mas pouco verdadeiro. Inclusive por isso a beleza é impossível. A verdade não permite a beleza - essa linda ilusão que alimentamos com alguma consciência. Todavia, a beleza é legítima como invenção: pelo prazer da carne, pelo devaneio dos sentidos. E taí a arte que não me deixa mentir. Um belo quadro muito e tantas vezes não tem nada de beleza. É belo pelo que nos causa e não pelo que é.
E o amor espontâneo é minha sobrinha quando tinha 5 anos e me disse 'eu te amo' após eu ter preparado sua refeição. É coisa de bicho: amamos quem nos alimenta, com comida ou não.
Então olho pra trás e lembro dos meus amores rotos. Verdadeiros enquanto alimentavam e eram alimentados. E penso nos casais que continuam juntos mesmo sem alimentação e me recordo que o hábito é um conforto e que se sentir confortável é se sentir bem e feliz. A felicidade, muitas vezes, é perversa. Por isso, por estar vinculada à idéia de conforto e por se esquecer que tantas vezes o conforto é apenas um costume adquirido.

22 de maio de 2012

(s.r)

Seu amor é uma desculpa para sua mania de amar.
Amar tanto é um jeito de nunca amar muito.
Conta-se as gotas, faz-se as contas
e imagina-se o impossível.
Amar, assim, meu coração,
 é apenas
 levar
 o cachorro
 pra passear.

17 de maio de 2012

relatinho

  • Acordo cedo, mas me enrolo um cadinho. Passear pela cama é um prazer de bicho. Os gatos ensinam suas lições.
  • Há um mal humor sem razão de ser. Explico fácil: coriza e vias aéreas entupidas. Depois de expelir meus mucos, acendo a luz:  um jeito caipira e cristão de não voltar a dormir. Vejo o envelope embaixo da porta.
  • Volto para o quentinho da cama com o envelope na mão. Acendo e leio. É ancestral: entendo tudo, tudo mesmo, que está escrito.
  • O vício pede café e o mal humor se acalma. Cagar depois do 2° café é um tipo de benção. Imagino essa gente que precisa de activia e dou graças por ser um bom cagão.
  • (O cigarro é bom, é sempre bom. O grande erro dos não fumantes e das campanhas anti tabaco é só um: achar que o cigarro não é bom. [ E ser bom e fazer mal são coisas distintas. Como sexo sem camisinha, por exemplo. É mal, mas é sempre melhor do que com camisinha. Até o Papa concorda.] )
  • O mundo é cheio de gracinhas. A professora me dá atenção porque conheço a palavra 'espístola'. Na sequência me junta com a pior americana do mundo e da América: incapaz de olhar pros lados e centrada em si e suas dificuldades. Tento explicar que traduzir ao pé da letra é impossível, mas ela não entende porque nunca entende. Ela tem esse defeito: jamais entende ou entenderá e, muito possivelmente, acha que os outros são muito intolerantes com ela. 
  • Estar em grupo é fácil. É coisa de animal, da natureza. Grupos sólidos impõem indivíduos. Aproveito isso, mas, cá comigo, confirmo meu preconceito: os de mil amigos ainda são os mais solitários.
  • Outra americana, agora a melhor da América e de outra turma, usa meu grupo para falar comigo. Sinto-me bem, falo com ela e lembro da música que representa nossa nação atualmente: delícia, delícia, assim você me mata.
  • Penso em ficar aqui por mais um mês. Sinto a atração irresistivél e concluo: nada a perder, tudo a ganhar. Isso não vale pra dinheiro, mas... Aqui é melhor, simples assim. Porque aqui não é lá - onde meus demônios têm força e não admitem tranquilidade. 
  • Não estar lá melhor do que estar aqui. Quero dizer: o mundo é vasto, enorme, e, a bem da verdade, não o conheço. Veja: conhecer não é fazer turismo de dias em cada capital. É outra coisa: ficar mais de mês e notar que existem outros jeitos de viver. Quiçá tenha começado isso muito velho.
  • A biblioteca é linda e tem a peça que quero ler. Leio um pouco, mas meu nariz entupido me intimida. Sou o tipo de pessoa que tem vergonha de assuar o nariz em público. Volto, volto logo: a biblioteca é linda e tem a peça que quero ler.
  • Ficar mais é ganhar mais tempo. Ganhar mais tempo é brigar com a morte. Morrer é natural e normal. Morrer não é desejo, é fato. Fatos são o que são e nos animalizam. Porque escolha é a lição humana e a briga Trágica. Édipo luta por isso, Antígona também. Até a Eva - mesmo que no caso dela a escolha já venha como erro. Quero dizer: escolher sempre será o prazer - por mais abstrato que seja. 

p.s

Primeira coisa do dia:

- ler a cartinha da Fabiana.

Poderia ter chorado, mas não chorei.

Em outras palavras: - te amo.

14 de maio de 2012

dia de/da lua é melhor do que segunda.

Espalho os livros pela casa e acendo os abajures.
Ler tomando Malbec é o cão que treinei para me dar a pata e que me satisfaz toda vez que faz o que ensinei.
Deixo os arquivos abertos, o blogue aberto. Encaro el bigodon por duas ou três páginas e volto ao primeiro G. Marquez não-traduzido.
Meu cão treinado se satisfaz com a minha satisfação e lambe minha mão e mexe seu rabo.
É cômodo viver assim.
Fumo os malditos Gitanes e lembro que até nisso já houve glamour. Não lembro quem começou, mas acho que foi o Camus.
Eu, agora, sou uma bicha gorda que tem um castelo no deserto e que, em noites frias, se sacia com  eunucos de 13 ou 14 anos.
O frio promove a elegância e estar longe colabora com certezas antigas e desprezos que têm sua razão de ser.
Troco de livro uma ou duas vezes e releio as coisas antigas.
Imagino Deus, velho e barbudo, achando graça de tudo isso.

12 de maio de 2012

Com o carimbo SUGAR en las manos.

  • Entender um mundo que é maior que o seu. É bom. Saudável de modo geral e preciso de modo específico. De modo geral: é grande, é enorme e é impossível de ser compreendido. De modo específico: você não é o que pensa, você não é só aquilo que pensava e você dança com alegria e espontâniedade.
  • Margot da Alemanha poderia ser linda, muito linda. Mas não é. Apresenta-se com sua sexualidade e isso, faz um tempo, não me parece um bom sinal. (Creio que daí vêm minha implicância com gays afetados: muito fêmeas ou muito machos). A sexualidade não é um cartão de visita ou uma máscara social. A sexualidade é parte da jogada. Alguém que se apresenta a partir de sua sexualidade é como um advogado, um ator ou um físico que se apresente a partir de sua profissão. É normal nos identificarmos com o que fazemos. Mas causa desconfiança ouvir - ou notar - "prazer, sou fulano(a), e sou quem sou por ser advogado, ator, físico, gay, etc".
  • Margot poderia ser livre, ser verdadeiramente livre, se não fizesse tanta questão de ostentar sua liberdade.
  • As Japas explicam de um jeito bem japones: é bom e saudável ser submissa. O homem se torna mais gentil e temos muitas vontades atendidas. É estranho e distante da minha realidade. Uma mulher que não questiona e que acha que assim é melhor. Dá pra entender. Mas não sei. O equilíbrio entre os sexos ainda me parece mais fatal: como se um compensasse a loucura do outro.
  • O produto nacional é suspeito. Sou preconceituoso e acho que a idade determina muita coisa. Todavia, é assim: a mais nova é melhor que a mais velha. Talvez seja uma questão de vivência. Meu Deus, estou falando 'questão de vivência...'
  • Seria um bom homem se eu conseguisse acalmar a Margot. Não sou um bom homem.
  • A inglesa parece triste em seu casal. Falta empolgação naquela pareja. Não sei. Casal internacional que se vê a cada 2 ou 5 meses só faz sentido com muita, muita empolgação. Ou então com amor. Mas amor é bem mais complicado.
  • Eu mesmo: com dancinha e desenvolturas perco toda razão que não tenho. É, em síntese, a razão de eu estar aqui. De toda forma, penso: Margot, eu te amo; Japa, pega no meu pau; Nacional, em 10 ou 20 anos; Inglesa, não entendo essa dança, mas dancemos.
  • Não há tristeza e nem há mortos. Para mi triteza, que me gustam la exajeración. Mas, quiçá, assim de passinho, a oração de mamãe seja atendida. E assim, com Deus no sol e o Diabo na lua, eu siga em outra direção que não a esperada. Essa coisa de seguir, assim ao vento, é mesmo muito sedutora.
p.s. falta margot aqui. margot tem muitos mais motivos pra ser exaltada. é um bom personagem, mas não, infelizmente, uma mulher linda. meu diabinho me diz: ' you can't always get what you want'.  

9 de maio de 2012

bigodon de bruços.

  • A idéia de uma verdade (ou verdades) me parece encantadora. Não sei em que momento histórico o discurso de que 'não existem verdades' ganhou força. Sei que hoje esse discurso está em mil bocas mortas que vêem na dúvida uma virtude honesta. A dúvida não é uma virtude. Ela ocorre, ela é normal. Mas não é uma virtude. E raramente é honesta. Via de regra, os que exaltam a dúvida o fazem por preguiça ou, no melhor dos casos, por incompetência.
  • A certeza é um desejo, a dúvida é um caminho. Quem caminha atoa está perdido, quem gosta de estar perdido é burro. Percorrer caminhos é bom, saber que existem vários caminhos é melhor. Decidir por 'não-decidir' não é uma opção, é um medo de optar, uma falacia que usa requintes semânticos.
  • Tem um treco que me ajudou muito. É mais ou menos assim: admiramos alguém pelo esforço que ele faz. Mas isso não quer dizer que o que 'ele' fez seja admirável.
  • De modo geral: as pessoas não querem ser melhores ou mais inteligentes. E muito menos desejam a verdade. As pessoas querem conforto e continuidade. Algo que as faça sentir bem e que as iluda para sempre. Nessas, entende-se o sucesso do P. Coelho, por exemplo. Ele ilude às pessoas com suas próprias ilusões.
  • O erro dos ecológicos é só um: achar que a Natureza é sábia. A natureza não é sábia. E a justiça natural é a mais cruel que conhecemos: olho por olho, dente por dente. A Natureza, defendida pelos ecológicos, é uma ilusão, uma abstração. A natureza, tal como é, é a lei do mais forte. Nesse sentido, os EUA é o país mais coerente de todos - e isso, vale lembrar, não é sábio ou justo.

8 de maio de 2012

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Gostou quando eu disse que só acreditaria em Deus se ele fosse um velho barbudo.
Deu risada, soltou um 'pode crer' e acendeu um cigarro fazendo 'não' com a cabeça.
Falava sobre coisas bestas. Sobre forças transcêndentais. Sobre a pressão social pós redes sociais.
Eu não ligava muito, soltava gemidos de 'ham' e concluía que só importava o que estava na minha cabeça. A realidade era apenas um fundo para nossa fotografia.
Cabelos longos, movimentos calmos e riu de todas minhas bobagens.
Pensei em amor, pensei em tesão, pensei em carências mútuas que se saciam.
Deus estava no céu e alisava sua barba.
Ela tinha coxas e ria. E eu, agora, a amava.
Feliz pra sempre, eu lhe diria se ela me perguntasse.
Mas não foi preciso.