E vem essa sensação velha de que sou uma criança triste repetindo sonhos antigos.
E reparo nessa gente cheia de vitalidade que conversam com mil amigos pelo telefone. Tantas histórias que contam, tantas risadas que dão.
Não que eu me incomode com elas, mas é que eu não as entendo. Talvez eu gostaria de ser como elas: cheio de papos e trocas de experiência. Mas não sou e nem sei se realmente gostaria de ser.
16 de fevereiro de 2008
14 de fevereiro de 2008
13 de fevereiro de 2008
Um cavalo correndo no pasto é tão estúpido quanto um cavalo preso no cabresto.
Mordo minha língua e sinto o gosto do meu sangue e meio que gosto e assumo e que se dane o que eu disse o que eu pensei o que eu achei que eu era. Palhaço de mim mesmo com a boca escancarada: é melhor assim porque rio e choro sem mudar de expressão.
Mordo minha língua e sinto o gosto do meu sangue e meio que gosto e assumo e que se dane o que eu disse o que eu pensei o que eu achei que eu era. Palhaço de mim mesmo com a boca escancarada: é melhor assim porque rio e choro sem mudar de expressão.
12 de fevereiro de 2008
1 e 1 = 2
Agora sou calmo e inteligente.
E digo:
Meu Bem:
1a): A razão é sua e a esperta é você. Você sabe do que você fala e você tem razão no que você pensa. A única coisa que eu repito é: não se poupe e não se subjugue, nunca deixe de ser realmente esperta - e pra ser realmente esperta é necessário inteligência, e isso você tem, embora desconfie.
1b): O fato de o que eu vejo não ser meu, não quer dizer que o que eu vejo não exista. Não haveria dores no fato de você reconhecer isso: 1 - que você tem o que eu vejo: 2 - que isso não é meu ou será.
2) Os seus problemas não existem. O grande problema que o ser humano tem você já teve. Você é livre por isso e não por seus discursos simpáticos, mas falsos.
3) Sou uma criança e é só por isso que posso afirmar que eu sou um anjo. Eu não minto e nem engano. Estou aqui e continuarei. Até quando eu não mentir e não enganar.
Meu Mal:
1) Não posso tolerar isso e nem quero poder. Prefiro as minhas neuras às suas. Sou simples e me protejo de maneira primitiva.
2) Não te prometo o que nunca prometi e nem prometerei. Minhas mentiras são bobagens de bar. O que eu garanto é minha honestidade - por pior que ela seja. ( E que fique claro que sou honesto por culpa e não por natureza: sou um Cristão velho e mesquinho: não gosto de ser "mau".)
3) Não me fale do que eu não preciso ouvir: a gente só se dará bem se não falarmos tudo que pensamos. (Quem fala tudo que pensa é idiota e mal informado, afinal.).
E digo:
Meu Bem:
1a): A razão é sua e a esperta é você. Você sabe do que você fala e você tem razão no que você pensa. A única coisa que eu repito é: não se poupe e não se subjugue, nunca deixe de ser realmente esperta - e pra ser realmente esperta é necessário inteligência, e isso você tem, embora desconfie.
1b): O fato de o que eu vejo não ser meu, não quer dizer que o que eu vejo não exista. Não haveria dores no fato de você reconhecer isso: 1 - que você tem o que eu vejo: 2 - que isso não é meu ou será.
2) Os seus problemas não existem. O grande problema que o ser humano tem você já teve. Você é livre por isso e não por seus discursos simpáticos, mas falsos.
3) Sou uma criança e é só por isso que posso afirmar que eu sou um anjo. Eu não minto e nem engano. Estou aqui e continuarei. Até quando eu não mentir e não enganar.
Meu Mal:
1) Não posso tolerar isso e nem quero poder. Prefiro as minhas neuras às suas. Sou simples e me protejo de maneira primitiva.
2) Não te prometo o que nunca prometi e nem prometerei. Minhas mentiras são bobagens de bar. O que eu garanto é minha honestidade - por pior que ela seja. ( E que fique claro que sou honesto por culpa e não por natureza: sou um Cristão velho e mesquinho: não gosto de ser "mau".)
3) Não me fale do que eu não preciso ouvir: a gente só se dará bem se não falarmos tudo que pensamos. (Quem fala tudo que pensa é idiota e mal informado, afinal.).
11 de fevereiro de 2008
Madame Suspiro - Uma possível saga.
1
Madame Suspiro aparece na minha casa com seus mamilos duros. E diz um monte de coisas e finge ser quem ela acha que é. Madame Suspiro berra suas verdades e eu acho tudo muito chato:
- Para com isso! Pra cima de mim não!
Mas Madame Suspiro ri e continua falando. E fala e fala e fala. Madame Suspiro se mexe demais. Ela se revira e me afirma tudo. Ela sabe de tudo. Madame Suspiro é bonita, mas insuportável. Quando ela vai embora eu penso sozinho: nem acredito em nada, Madame Suspiro não sabe quem eu sou.
2
Madame Suspiro me aparece na noite. Pergunta onde estou e diz:
- Estou indo praí.
Ela chega e eu vejo ela que se esforça, mas tem pouca força. Quer que eu seja o que ela acha que eu sou. Eu decido: não serei o que ela acha, nunca fui, afinal.
Madame suspiro me confundindo com os neguinhos dela. Madame Suspiro ainda não me soa bem.
3
Madame Suspiro relaxa um pouco e me conta umas coisas bonitas. Com menos melindres, Madame Suspiro me interessa mais. Ela não sabe disso, mas uma hora saberá.
Madame Suspiro disfarça mais do que sofre. Madame Suspiro se protege de tudo e tem suas razões.
Madame Suspiro é sábia à sua maneira.
9 de fevereiro de 2008
7 de fevereiro de 2008
mundo perfeito.
- eu gosto de alimentar os animais...
- rarara....
- é verdade. acho mó barato dar amendoim pra macaco. ainda mais quando é amendoim com casca.
- eles abrem, né?
- abrem. é mó barato. eles batem uma pedra e abrem e comem.
- eu já vi.
- mó barato, né?
- é.
6 de fevereiro de 2008
1/4 de dia.
um grito agudo e uma cara de desespero. essa mulher louca na minha frente me encarando com seus olhos cinzas.
" - vidinha de bosta", ela diz e dá me um beijo na boca como se quisesse me arrancar os lábios. morde até que eu reclame: " - humn".
ela sorri e sai serelepe. saltita até a cozinha e pega uma garrafa d'água e bebe no gargalo. semi-nua pela cozinha. a camiseta vagabunda terminando pouco antes da melhor bundinha do século.
"que bundinha, meu deus, que bundinha".
ela volta pro quarto com a garrafa na mão e me olha de novo. eu tento não reagir. sou durão, sabe como?
" - bobo", ela diz e senta do meu lado na cama e aperta minha barriga flácida e diz: " - eu te adoro, sabia?"
" - eu também te adoro".
ela não para de se mexer e pega uma revista e lê em todas as posições possivéis. eu finjo que leio meu livro de capa amarela e olho ela pelos cantos.
"sexo estufado pra fora". "pentelheira farta". "pé em ponta". "batata da perna"."curva da bunda, curva da bunda, curva da bunda".
" - que que foi?"
" - nada".
" - que que tá olhando?"
" - nada".
" - bobo".
outras posições e leio um pouquinho e olho um pouquinho.
" - a tarde tá cinza, mas o dia tá bonito, não tá?"
" - eu acho", ela diz e me estala um beijo.
" - bobo", ela diz de novo.
5 de fevereiro de 2008
Eu preciso de almas gordas e fartas e suculentas,
almas generosas que me suguem com uma ternura louca e nunca vista.
Preciso daqueles olhos alucinantes e fundos e cinzas
olhando através de mim,
sabendo de como é simples agradar um fraco.
As pernas abertas, escancaradas, mas delicadas e decididas.
Eu não me interesso por esse sexo de coelho,
por esse orgasmo premeditado,
por esses gemidos que nem de longe lembram uma declaração.
Não me interessa o que você é,
mas o que eu sei que você pode ser,
o que eu vejo quando vejo o que você esconde é que me encanta.
A fêmea entregue, a buceta mãe, o mal humor charmoso,
o ser que pode sugir em boa companhia.
Eu e você, tanto faz,
mas nada que não me mude, que não me altere,
que não me estrague a rotina.
Não quero que as coisas sejam claras e calmas e lentas,
não quero que nada brote depois de agüado.
Eu quero o rompimento brusco,
o desespero real da necessidade de desejo único
e nunca antes vivido e
inédito e terrível e capaz de transformar o próprio sentido inexistente da vida.
O desejo que atravessa a carne e que arranca a alma
à faca, à porrada.
A violência que surge pelo instinto de preservação.
Nada de prazo, nada de conseqüencia, nada de medido.
A força que se tem que fazer para alcançar o infinito,
o esforço o suor o empenho.
almas generosas que me suguem com uma ternura louca e nunca vista.
Preciso daqueles olhos alucinantes e fundos e cinzas
olhando através de mim,
sabendo de como é simples agradar um fraco.
As pernas abertas, escancaradas, mas delicadas e decididas.
Eu não me interesso por esse sexo de coelho,
por esse orgasmo premeditado,
por esses gemidos que nem de longe lembram uma declaração.
Não me interessa o que você é,
mas o que eu sei que você pode ser,
o que eu vejo quando vejo o que você esconde é que me encanta.
A fêmea entregue, a buceta mãe, o mal humor charmoso,
o ser que pode sugir em boa companhia.
Eu e você, tanto faz,
mas nada que não me mude, que não me altere,
que não me estrague a rotina.
Não quero que as coisas sejam claras e calmas e lentas,
não quero que nada brote depois de agüado.
Eu quero o rompimento brusco,
o desespero real da necessidade de desejo único
e nunca antes vivido e
inédito e terrível e capaz de transformar o próprio sentido inexistente da vida.
O desejo que atravessa a carne e que arranca a alma
à faca, à porrada.
A violência que surge pelo instinto de preservação.
Nada de prazo, nada de conseqüencia, nada de medido.
A força que se tem que fazer para alcançar o infinito,
o esforço o suor o empenho.
A sobrecarga.
3 de fevereiro de 2008
sobre o ciúme.
No meio do peito. Quase na boca do estômago.
O vapor quente se espalha lento pelo corpo todo e fica, enfim, concentrado no cérebro, onde se torna mais quente ou mais frio conforme o pensamento age.
E não há nenhum sentido real além dessa sensação física e louca que surge com descobertas idiotas quando ela diz: sim, sim, fomos amantes.
E brigo com esse vapor tentando convencer a mim mesmo do óbvio, pois afinal nunca gostei de virgens e também sei que isso nem importa, já que eu mesmo fui amante de mulheres que hoje nem lembro.
Mas na minha cabeça esse vapor se torna imagens terríveis de coisas que nem quero imaginar. Coisas óbvias, mas que me corroem os ossos quando penso: eles se desejaram, ainda que por poucas horas.
E é um vapor idiota e incontrolável. E eu me sinto ainda mais idiota por não controlá-lo, por perder meu próprio prumo em função de algo que eu mesmo sei ser uma bobagem.
E me enrolo dentro de mim e respiro fundo e penso. E sofro um pouco e relaxo um pouco e rio de mim mesmo com minha boca torta: por que essa mulher já existia antes de me conhecer?
2 de fevereiro de 2008
31 de janeiro de 2008
não há nenhuma flor em nenhuma paisagem de nenhum deserto.
não sou eu que vou plantar.
Nem vou dizer nem vou falar. Vou é chutar o cachorro morto na porta. Não quero gente perto de mim. Não quero compartilhar o meu mundo sujo e raivoso. Não quero tentar me entender, nem quero que me entendam. Não vou me permitir entrar nesse pensamento. Eu ainda controlo algumas coisas e são elas que importam. Nada de ser involuntário e espontâneo. Espontâniedade é coisa de criança, coisa de bêbe que sorri quando você põe o dedo no queixo dele.
Sim, vou dançar com o diabo, mas apenas os passos que eu sei. Mesmo a tragédia é controlada, mesmo o desespero tem seu rumo. Não vou ficar nem atrás nem na frente, vou ficar como sempre estive: parado e solitário. É esse o meu melhor.
30 de janeiro de 2008
Muitos cigarros para aguentar o tranco e tenho me lamentado muito. Não gosto disso, não combina com minha arrogância inútil e ingênua. Tenho é que jogar mais merda por aí e seguir adiante. Não há problema em encarar o diabo. Não há problema em dançar com o Demônio. É apenas uma questão de tempo, de tortura e de resistência. Chega de auto piedade ególotra e incompetente. É melhor dançar na chuva do que não ter pernas.
28 de janeiro de 2008
A noite é longa e os sonhos tristes. Eu berro aqui porque é simples, porque nem sempre há beleza nas manchas de pele da mulher amada. E nem sempre há eu mesmo me sentido bem e com a capacidade de não me lavar à sério.
Então aproveito e berro mais alto e finjo e minto e fico feliz por ser capaz de rir da própria miséria ( É isso que quero até o fim: eu rindo, eu rindo. Rindo e esquecendo que é a perfeição).
E será bem calmo ser eu mesmo porque eu não terei que pensar sobre isso. Terei apenas que beber e reclamar. E beberei muito. E reclamarei muito. E viverei em paz. E será bom e vulgar. Será perfeito.
E meu saco será de ferro e vou tolerar todos os que me encherem o saco. Serei um bom cristão, enfim. Serei um cara legal. Serei ótimo.
RECEBI POR E-MAIL DA MINHA TIA.
De aorcdo com uma peqsiusa
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.
Sohw de bloa.
Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.
Sohw de bloa.
Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
27 de janeiro de 2008
26 de janeiro de 2008
Agora eu sou uma criança abandonada e ninguém me entende por eu ser uma criança abandonada e incompreendida e triste e eufórica como todas as crianças são.
E eu me esforço pra lembrar da minha mãe e da sua teta pequena que um dia me bastou pra continuar vivendo. Mas eu não consigo lembrar, embora eu saiba que um dia isso ocorreu porque existem fotos onde eu não pareço em nada comigo mesmo e minha mãe sorri olhando praquele vermezinho minúsculo que lhe suga as mamas.
E dá uma puta vontade de chorar porque eu ainda era uma promessa e não um ser humano propriamente dito.
E toda e qualquer mulher é sempre minha mãe e isso é patético e ridículo e também psicologia barata, mas quando converso com meu bom amigo ele entende o que eu falo e eu me dou por satisfeito.
E quando o mundo é mau minha mãe sempre se impõe porque ela é a única mulher que nunca me comparou com ninguém, nem mesmo com o meu pai que ela ama loucamente e mais do que ele imagina.
Então eu procuro outras tetas pra ver se consigo sobreviver só delas, mas essas tetas não me bastam e eu sofro e constato que sou mesmo uma criança esperando que a mãe volte do trabalho pra falar pra ela o que só ela poderá entender.
Mas mamãe tá distante e a teta dela tá murcha e as outras tetas não. E sei que nem sou mais criança, mas, mesmo assim, não consigo entender porque eu não posso me alimentar só de tetas.
boa-vidinha
Eu vejo as pessoas e me dou por satisfeito.
Saio, dou uma rodada, vejo um ou outro maluco que me dão trela e reparo que tem uma moça bunduda que olha pra mim como se eu fosse um objeto curioso. Eu entendo ela, eu também olho pros outros assim. Não se trata de tesão, mas de olhar gente como se fosse objeto.
Entendo porque eu olho pros outros assim, mas não entendo porque poderia ser olhado assim. Não por nada, mas porque sou mais comum. Uma barriga grande e uns olhos perdidos. Penso que talvez sejam meus óculos que são grandes demais e me fazem parecer sei lá o quê.
E eu vejo toda essa gente e o microfone aberto e me sinto bem. E gosto ou não gosto do que as pessoas fazem, mas mesmo assim repito pra mim enquanto vejo aquilo: é isso, a vida também acontece fora do meu apartamento.
E chego em casa e tomo a saidera e escrevo aqui e me dou por satisfeito. Não antes de lembrar do cara da cerveja:
- Vê uma cerveja?
- Porra...acho que acabou a grande...(ele caça uma no isopor)...aqui.
- A última...!
- A última não! A saidera!( tempo) A gente não vai morrer agora, vai?
- Tá certo....
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