27 de janeiro de 2008

O MUNDO LÁ FORA É SEMPRE PIOR QUE O MUNDO AQUI DENTRO.

"Meu bem,
me ajude a relaxar, mas,
de qualquer maneira,
faça pequenos sacrifícios por mim.
-
Porque eu preciso disso
assim como você precisa
da praia, e acredite,
eu irei à praia para lhe
agradar e ficarei feliz por
isso".

26 de janeiro de 2008

Agora eu sou uma criança abandonada e ninguém me entende por eu ser uma criança abandonada e incompreendida e triste e eufórica como todas as crianças são.
E eu me esforço pra lembrar da minha mãe e da sua teta pequena que um dia me bastou pra continuar vivendo. Mas eu não consigo lembrar, embora eu saiba que um dia isso ocorreu porque existem fotos onde eu não pareço em nada comigo mesmo e minha mãe sorri olhando praquele vermezinho minúsculo que lhe suga as mamas.
E dá uma puta vontade de chorar porque eu ainda era uma promessa e não um ser humano propriamente dito.
E toda e qualquer mulher é sempre minha mãe e isso é patético e ridículo e também psicologia barata, mas quando converso com meu bom amigo ele entende o que eu falo e eu me dou por satisfeito.
E quando o mundo é mau minha mãe sempre se impõe porque ela é a única mulher que nunca me comparou com ninguém, nem mesmo com o meu pai que ela ama loucamente e mais do que ele imagina.
Então eu procuro outras tetas pra ver se consigo sobreviver só delas, mas essas tetas não me bastam e eu sofro e constato que sou mesmo uma criança esperando que a mãe volte do trabalho pra falar pra ela o que só ela poderá entender.
Mas mamãe tá distante e a teta dela tá murcha e as outras tetas não. E sei que nem sou mais criança, mas, mesmo assim, não consigo entender porque eu não posso me alimentar só de tetas.

boa-vidinha

Eu vejo as pessoas e me dou por satisfeito.
Saio, dou uma rodada, vejo um ou outro maluco que me dão trela e reparo que tem uma moça bunduda que olha pra mim como se eu fosse um objeto curioso. Eu entendo ela, eu também olho pros outros assim. Não se trata de tesão, mas de olhar gente como se fosse objeto.
Entendo porque eu olho pros outros assim, mas não entendo porque poderia ser olhado assim. Não por nada, mas porque sou mais comum. Uma barriga grande e uns olhos perdidos. Penso que talvez sejam meus óculos que são grandes demais e me fazem parecer sei lá o quê.
E eu vejo toda essa gente e o microfone aberto e me sinto bem. E gosto ou não gosto do que as pessoas fazem, mas mesmo assim repito pra mim enquanto vejo aquilo: é isso, a vida também acontece fora do meu apartamento.
E chego em casa e tomo a saidera e escrevo aqui e me dou por satisfeito. Não antes de lembrar do cara da cerveja:
- Vê uma cerveja?
- Porra...acho que acabou a grande...(ele caça uma no isopor)...aqui.
- A última...!
- A última não! A saidera!( tempo) A gente não vai morrer agora, vai?
- Tá certo....

25 de janeiro de 2008

Noite fria de porre e solidão. Nada muda tanto assim, mas eu me afirmo me deformando e vendo o quanto eu posso piorar. Sem saco pra agora, sem saco pra antes, sem saco pro futuro. Sem paciência ou desejo pra me jogar nessas merdas todas. Eu sei o porquê dos meus receios e eu prevejo as dores. E eu quero ter controle sobre mim pra poder cuspir pra cima. Pra sujar a minha cara sozinho.
Nessas noites eu tento falar com desconhecidos que é pra ver se o milagre acontece. Mas o milagre não pode ocorrer dessa forma. O milagre nunca pode acontecer. Mas eu minto pra mim mesmo e, secretamente, espero.

24 de janeiro de 2008

O MUNDO É MAU:

- Queria te encontrar hoje. Algumas coisas pra te dizer antes que seja tarde.
- Antes que seja tarde...?...que horror!...veja lá...tsc...tsc!
- Antes que seja tarde da noite...rs.
- Besta! Já é tarde!
- Sim. Sim. BESTA.

23 de janeiro de 2008

No meio da porra toda um monte de pensamento estranho na sua cabeça. Você tenta convencer a si mesmo de mudar de jeito, de ser mais suave, de se expor mais e de assumir que a vida é isso e pronto. E tudo é mesmo uma questão de grana e de cu. Tudo é só pra sobreviver. A vida limitada pelas necessidades que ela mesma impõe: necessidade de amor, de grana, de roupa lavada, de congelador eficaz, etc. Ar condicionado também é bom, mas não é ele que me constrange. É o resto. Que é o mínimo. Que é a vida no que ele tem de idiota: a realidade. A maldita realidade.
Imbecil com 26 anos e sem capacidade de se impor. Imbecil querendo que a realidade não exista pra poder achar a vida boa. Imbecil com os pés virados pra dentro. Imbecil esperando o maná do Senhor.
Imbecil que inventa uma história:

“ Vou te dar 2 beijos antes de dizer adeus”

No 1° vou enfiar na tua boca a língua e sentir tua carne
atrás e acima do dentes,
onde romanticamente chamamos de céu da boca.
E minha língua estará no meio do-teu-ceú-da-tua-boca e eu puxarei minha língua
e farei com ela uma ponta pra passar atrás dos teus dentes
pra depois voltar
pra minha boca.
No 2° vou empurrar a minha boca contra
a tua
por longos minutos.
E cada vez com
mais força
até que teus dentes
machuquem teus lábios
e você diga: - Ai!
DENTRO DA CONCHA,
EU PENSO NA VIDA:
- POXA...

22 de janeiro de 2008

bunda redonda e bonita.


eu passo a mão,


eu olho,


eu digo e repito: sua bundinha pra lua numa noite de poucas estrelas...


há sempre lua nessas noites tristes...


há sempre raiva nessas mortes próximas.

20 de janeiro de 2008

De novo na casinha e meus sonhos vêm e vão e ainda fico constrangido com muita facilidade, mas seja como for, eu digo:

Esse fantasma estampado na sua cara triste não tem nenhum sentido de ser. Seja esperta: é fácil amar fantasmas, é simples entregar a própria alma pra gente morta. É simples e conveniente. Pra mim é assim: eu com meus passinhos lentos de barrigudo e uma criatura fraca diante de mim. Eu olho pra essa criatura e decido: sim, sim, uma punhetinha boa e eficiente. E me pergunto: será que sou capaz de me confundir com as minhas próprias mentiras?
De qualquer maneira eu tô lá e olho pra ela e penso: vou inventar uma confusão pro meu tédio, vou salvar um ser que já nasceu perdido. E é divertido e foi saudável. Uma bobagem com prazo de validade e morte iminente. Entenda que eu posso me divertir assim, por mais estúpido que seja, por mais que eu mesmo me confunda na minha mentira.
E isso tudo é bem diferente da carne e da realidade e da consumação que você traz. Você sim, minha querida. Você aí bancando a moderninha e sendo mulherzinha do séc. XIX. E acho até bonitinho isso, mas repito: seja esperta. E acrescento: você já tá velhinha pra ter medo de fantasmas. Eu posso até lhe proteger numa noite escura desse fantasma, mas mesmo isso será só por diversão, só pelo calor de lhe ter pertinho e com medo.
No mais eu exijo uma boa janta na sua casa e toda a realidade da sua presença. Afinal você está viva e nem me assusta tanto assim.

11 de janeiro de 2008

humor.

TENHO RECEBIDO TERNURAS GENEROSAS DE UMA MOÇA ESPERTA.
MAS EU NÃO SEI O QUE EU FAÇO COM ISSO.
OU EU MORRO ACEITANDO.
OU EU MORRO NEGANDO.
...O CHATO É QUE EU SEMPRE MORRO NO FINAL.

7 de janeiro de 2008

A musa do século 21

Do Blog da Dn. Maria. Linkado aqui e do lado também. Genial, genial. Ela disse tudo. Raro, raro. Etc.
Ela entendeu tudo, não é? Impressionante, não é?
Eu acho. E faz tempo.

Gata, gostosa, tesudinha:
dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.

Aberta, relax, super moderninha:
divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:
tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:
Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Doce, prendada, jeitosinha:
lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.

Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,
busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.

Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,
tem email, tem um blog, tem crédito no celular.

Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.

Não é careta nem doidona,
adora esportes na tv e sexo de madrugada,
não fala em filhos nem casamento
e cuida sozinha da anticoncepção.

Por ela suspiram os machos do século 21,
e por causa dela sofrem as fêmeas,
meros projetos de musa,
nós, mulheres reais.

5 de janeiro de 2008

Vou te contar as histórinhas e depois eu caio fora de novo.

É que por aqui nem tudo é tão claro e pacificador como poderia ser. Porque a confusão aumentou e eu me atormento com facilidade e todo o desespero cresce porque nem quero nada de nada, além de ler e ler porque ler é calmo e organizado.
E ser eu aqui nem é tão encantador como é ser eu aí onde eu só eu sou reizinho de mim e do meu umbigo gordo e suado. Minhas ternuras fabricadas por mim mesmo, etc.
E engraçado que releio agora e parece recado pra você, mas nem era, mas fica sendo. E tá tudo certo. E tá tudo ótimo. E ainda tenho medo da morte.

2 de janeiro de 2008

Queria escrever um troço bonitinho porque é ano novo e tudo o mais.
Mas tem uma louca gorda e adolescente do meu lado que solta risinhos pra sua gangue de 3 gordas que estão atrás dela e que encostam os braços suados em mim. 1 acessa a Internet e as outras torcem pra ela. As 4 me infernizam.
Saco.

20 de dezembro de 2007

Torpedo para o meu benzinho.

ANTES DE
DORMIR EU
PENSO: TODA
MULHER É UMA
DIABA, E VOCÊ
MAIS AINDA.

Cwb: 20/12/07 - 00:34

"Porque no meio da noite há umas mulheres que querem sugar sua alma."

Você tá ali e você é quase 1 idiota:
não faz mal a ninguém
não ameaça nenhuma aranha
em nenhuma quina
de nenhum banheiro.
Você é o cara inofensivo que ela pedia à Deus.
Você é o que ela quis,
mas ela não está satisfeita.
Você não tem cabelos loiros ou
olhos claros.
Você não vem num cavalo branco.
Você, no sonho dela, era bem melhor do que você é.
Você, na realidade, nem sempre fica pau duro,
mas, mesmo assim,
ela acha que pode lhe salvar...
...logo você...
...com sua carne triste...
...com sua dose alta...
...com sua ânsia antiga...
Ela quer acreditar naquilo,
ela acha que você terá jeito,
ela espera que você se transforme.
Ela sonha com a sua transformação:
1 pai dedicado
1 amante atento
1 homem feminino.
É isso que você sabe que ela quer.
*
E sozinho,
no meio da noite,
você percebe:
você não é nada disso
e nem quer ser
ou será.

Cwb: 19/12/07 - 12:18

Havia todas as histórias que eu poderia contar, mas a minha cabeça não estava tão boa.
A cidade cinza me trazia aquelas lembranças perversas: alegres ou tristes, mas sempre perversas.
A vida tava passando e eu me sentia velho porque eu tinha essa eterna sensação de que minha vida ainda não tinha começado.
26 anos de delírio e sonho. As mentiras eram maiores que as verdades e eram melhores também. Eu gostava cada vez mais delas.
Tudo aquilo que eu poderia inventar sozinho sem influência de ninguém. Era fácil ser imbatível na casa verde. É por isso que eu gosto dela, da solidão dela, das músicas que eu ponho nela. A rotina que eu invento pra mim mesmo pra parecer útil. A rotina que eu invento e não sigo pra me sentir culpado - a culpa não deixa de ser uma manifestação de vitalidade.
26 anos de nuvem e um ou outro acontecimento: 1 gostosa que queria me dar e eu não comi, 1 teatrinho relâmpago na hora em que tudo parece ter sentido, 1 boa história que eu tinha escrito pra atingir uma mulher ruim que eu queria comer. Eram as migalhas amigas tornando a farsa mais dinâmica: kit de sobrevivência, gargalhada pra morte, metáforas imbecilizadas, etc.
*
E vem minha sobrinha:
- O que você tá fazendo?
- Escrevendo...
- O que?
- 1 história.
- (lendo) casa verde...por que não é casa vermelha?
- Porque a minha casa é verde. (TEMPO) Por que você tá rindo?
- Porque você escreveu coisa que eu falei.
- Você quer terminar a história?
- (letra dela) Sim.
- Então termina!
- (letra dela) Está bem, vou terminar.
- Termina pra gente ir almoçar.
- (letra dela) Então sua casa é verde né.
(fim.)

Cwb: 17/12/07 - 13:03

Meu animal esquisito e esquecido.
Hoje de novo eu pensei se você se arrepende de não ter sido minha. Porque tenho notado esse movimento tímido em minha direção. E acho bonitinho, mas me parece óbvio: procurar o que se perdeu.
Seu prazer pela confusão seu desejo de indecisão sua tática pessoal de proteção: nada é e tudo pode ser. Ou seja: o que vier é lucro. É claro que não é justo isso que eu digo, mas digo mesmo assim. Eu ainda sou eu e também tenho minhas táticas.
( E essa palavra tática me faz lembrar de outra pessoa que nem sei, pois me parece fraca. Fraca e encantadora. Está claro que eu não gosto de gente fraca, né?)
Mas é de você e do fato de você me lembrar tanto minhas sobrinhas. Porque elas são crianças e sorriem com a mesma facilidade que choram. Porque elas são pequenas pra sentir todas as coisas da vida. Assim como você é pequena. Assim como você se parece com elas. Porque elas choram e sorriem e nada é tão alegre e tão triste. Porque você oscila muito e nada é tão instável. Oscila porque acha bonito, não porque é necessário.
E seus olhos são grandes como os delas que são filhas da minha irmã que também tem belos olhos grandes. Mas elas são melhores que você:
Porque riem mais e choram mais.
Porque são realmente crianças em corpos de crianças.

Cwb: 17/12/07 - 11:34

O que ela não entende é o que eu não posso explicar. O milagre é possível , mas exige sacrifício - eu sigo a lógica cristã. Eu quero a mulher devotada que me segue por pior que eu seja. É a buceta dela que pari meus filhos.
Eu não quero seu sorriso circunstancial, nem sua loucura, nem sua falta de generosidade. Eu quero uma mulher cega que tenha medo de mim porque sabe que eu sou mesmo imbatível. Uma mulher absoluta que me ponha no ceú e que minta pra mim.

13 de dezembro de 2007

CWB.

Lá tem um cachorro e têm crianças que correm e resmungam e riem. Tem o miúdo de frango que eu peço pra minha mãe fazer porque só tenho coragem de comer o que ela prepara. Tem meu pai que chega e abre uma cerveja e traz dois copos e conta histórias. Tem minha irmã com seus planos e suas futuras compras. Tem também meu cunhado que é um cara sorridente e alto astral. E eu me dou bem com todos e gosto de todos. É claro que é fácil morando longe, mas melhor assim. Conheço gente que tem 'problemas' com os seus e disso eu estou livre. Nos damos bem quando estamos juntos e só isso importa.
É claro que nem penso tudo do mesmo jeito. É claro que tenho vontade de ficar sozinho quando estou lá. É claro que sinto falta do meu umbigão que reina solitário cá na casinha verde.
Mas é bom que eu vá pra lá e que eles interfiram na minha vida. É saudável: eles me arrancam de mim, eles não me deixam em paz, eles me torturam sendo o que só eles podem ser. Porque desde que comecei a morar no Rio nunca fiz nada que não fosse eu que decidisse. Porque aqui eu sou tão eu que me torno insuportável e cogito a possibilidade de não precisar de ninguém. E me sinto livre. E acho terrível se sentir livre por não precisar de ninguém. ( E de fato acho que não preciso. E de fato me acho livre.)
Lá é sempre eu e mais um. Seja na T.v ou na cerveja. Seja quando cago e ouço os passos no corredor. E minha mãe fala muito, graças a Deus. E meu pai com cerveja também. E minha irmã e minhas sobrinhas e meu cunhado e agora tem até um cachorro que late. E tudo pra me tirar de mim. E tudo pra confundir, pois sou um tipo arrogante que se nega à confusão.
É bom ir pra lá porque aqui existe. Seria insuportável existir só um. Prefiro assim: meu umbigo me sugando um tempo e depois eu sendo sugado pra outros umbigos. Um mata o outro. Um ri do outro. No meio dos dois eu solto minhas merdas e vitórias. No meio dos dois eu noto que pouca coisa importa.
Agora é me despedir e desejar boa sorte. Eu sempre volto. Melhor assim. Quando eu não voltar será uma coisa bem chata. Portanto eu volto e voltarei. Seja pra aqui, seja pra lá.

12 de dezembro de 2007


Eu não vou ser
capaz de dizer
as coisas bonitas
que eu gostaria,
então eu calo
minha boca
e reviro os olhos
pra cima.