23 de janeiro de 2010
Antes do Boa Noite.
Mas acontece que a guria cresceu e tem peitos enormes. Me pego impressionado com isso e também com o fato de eu reparar nisso. Não era o caso. É coisa antiga, amiga de infância, quase parente e bla-blá-blá.
Isso não tá certo.
Mas pior é ela me pegar sacando seus enormes peitos.
E pior ainda é eu, em tentativa frustrada de auto repressão, gostar dela ter me pego sacando seus enormes - e por que não? - deliciosos peitos.
Meu inferno seria uma casa cheia de gurias como ela. Que cresceram e ficaram gostosas e fartas. Elas já têm pêlos em seus corpos, é o que me digo para evitar a inevitável culpa.
Outro assunto:
Deveria ser mais decisiva e menos coluna do meio. Preciso de bunda de fora. Não gosto de convencer à mim mesmo. Prefiro fêmeas que confirmam o que penso. Sem deixar que eu note, esteja claro.
No mais aquele desejo que se mistura com curiosidade e que, portanto, é apenas um desejo infantil. Desses que crianças têm: como se o único mistério estivesse naquilo que não se conhece. E cá comigo prefiro o mistério próximo e intimo, que fica sempre à um átimo de ser revelado.
Em outras palavras e simplificando a coisa: gosto apenas do que posso realmente ter. E ter o que se gosta é o milagre que uns aí chamam de amor.
Coisa que não precisa ser abastecida por novidades para que tenha sentido.
Pra sair:
Meu gosto é estranho e sobre os meus hábitos eu nem comento. Sinto quase vergonha ao ver, como só eu posso ver, minhas manias sendo executadas por mim mesmo como um doente que conhece sua cura, mas que, mesmo assim, prefere a própria doença.
Estar vivo e pensar é um coisa perigosa as vezes.
Mas prefiro assim.
Estar apenas vivo é coisa de plantas e plantas,
graças à Deus,
não me bastam.
22 de janeiro de 2010
enfeite e auto controle. tudo certo.
Porque não é o caso de aparentar o que não é o caso.
Sem jogos.
Eu sou discreto. Eu insisto: eu sou elegante.
Prefiro a coisa reta à linha curva. Ambiguidade, acho eu, só cola quando você menospreza seu interlocutor. Como acontece quando você fala palavras de dicionário pra crianças.
Mas não agora. E não por isso.
Prefiro imaginar ELA como uma rainha má, mas esperta. Dessas que falam, mas que só importam quando o silêncio é calmo e absoluto.
É como escolho e como invento.
E toda invenção é minha, afinal.
21 de janeiro de 2010
Pastos velhos para éguas novas.
(foto de Ernesto Matos)19 de janeiro de 2010
Idiotas abrem caixinhas pra desvendar mistérios.
- berrar bem não é ter boa voz.
- amor à primeira vista só é crível em bons filmes.
- suor e talento são duas coisas distintas.
- dizer 'eu tô feliz' é coisa de suicida.
- pássaros na mão de maneta não chega a impressionar.
- blogue é tédio por escrito.
- vitória só serve pra humilhar inimigos.
- comer mulher de amigo é prazer em dobro.
- ser bipolar é condição de estar vivo.
- arranhar sem unhas é uma coisa possível.
- facebook é melhor que orkut.
No mais, um peido fedido
e uma cerveja gelada
atualizar o próprio blogue
é uma tremenda parada.
16 de janeiro de 2010
telhado de casa desconhecida.
14 de janeiro de 2010
relatinho com os hollywods de mamãe.
-
Uma guria, de nome Iane se não me engano, era de manaus e tinha um belo nariz grande com traços feminos do tipo que eu adoro. E eu conversando com ela e então ela me fala que tava com um namoradinho aí, que na verdade é da grécia, e que ela havia o conhecido no chile ano passado e que, desde então, eles mantém contato num romance meio virtual, e que agora ele tava aí e ficaria até abril e todo esse papinho que se têm com desconhecidos. E a gente conversando e o papo era bom e o grego aparece com camiseta do brasil e ele quer ser músico e é legal e bom de papo também, e fala do samba e eu pergunto dos gregos e ele é legal mesmo e tudo o mais. Mas é um gringo, um gringo grego, e eu, vendo os dois, noto que tem qualquer coisa de estranha alí e então ela, semi estúpida e afastando o grego que ficava a agarrando o tempo todo, manda ele ir pegar cerveja e o grego vai lá como o cara legal que realmente é. E daí o álcool causa a epifania que é o grande ponto dessa história.
Sou curto, sincero e grosso. Olho bem pra cara dela e solto:
- posso te falar uma coisa desagradável?
- claro.
- qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade nota que você não tá nem um pouco apaixonada por esse cara.
Ela fica séria, esconde os dentes com a boca imensa e sinto que meu pau se mexe dentro da cueca.
Daí o grego volta e a coisa fica flagrante. Ela o trata cada vez pior e cada vez mais ela me dá trela. O grego nota, eu noto que ele nota, mas que se foda. Ele é gringo é grego e é legal, legal demais eu diria. Meu pau não para de mudar de lado dentro da cueca e ela pede meus contatos e o grego gringo pergunta por que e ela diz da sua viagem à bahia e que deve passar pelo Rio e eu só vendo e ficando com uma puta vontade de que aquele gringo desapareça pra eu dar um bote semi-canalha, porém profundamente sincero. O que, infelizmente, não ocorreu. Mas num vacilo do gringo ela sentou e eu a pilhei, com a devida distância do gringo, pra ela me ligar aqui mesmo em curitiba e ela lançou que tava pensando seriamente naquilo que eu tinha dito e eu perguntei aquilooquê e ela repetiu exatamente a frase que eu havia dito e que tá escrita aí em cima e eu me senti um gênio.
Mas o gringo voltou e meus amigos queriam ir embora e o gringo queria a levar pra perto do palco para bancar a pipoca. Dei um abraço afetuoso no grego gringo que, apesar de tudo, era gente boa e bom de papo e na hora de me despedir dela, fiz uma manobra e fiquei de costas pro gringo e falei, bem colado no ouvido dela:
- me liga mesmo, porra. até abril vai ser foda.
- eu sei, eu sei.
- pensa no que eu te falei.
- to pensando.
E meus amigos chegaram e fomos andando até o carro comentando sobre o bela manaura e o bondoso gringo grego.
12 de janeiro de 2010
Na época dele um romancista tinhaque mostrar erudição, como um tipo de aval para seu talento.
A ironia é que agora, dizendo isso, entro pra turma que aparenta profundidade fazendo citações.
Acontece que o D. Quixote é genial - uma puta obra de arte que nem eu e nem ninguém precisa defender. Ele está lá e existe. Basta ler 35 págs. pra sacar que citar é o que há de menos relevante na coisa.
O relevante é o gênio. E o gênio, quando fodão, é da ordem dos mistérios. Desvendar o gênio é matar o gênio. Assim como o amor. Ou como o Nelson Rodrigues explicando o por que de ser contra a Educação Sexual. É mais ou menos assim: "se você educa alguém sobre o sexo, você mata o mistério do sexo. e sexo sem mistério é coisa de gata vadia e não de ser humano, pra quem sexo pode ser amor."
Seja como for, falo isso porque vejo as citações dos canalhas. Os canalhas são uma gente pop, bem relacionada e capaz de fazer barulho. E os canalhas, como tais, usam e abusam das citações. Provando, como no séc. XV, que são eruditos por conhecer tal ou tal obra.
Daí me pego pensando no sucesso alheio e na minha capacidade de fazer barulho - que é nenhuma. E vejo que posso até citar, mas que, mesmo assim, nunca serei pop e bem relacionado. Simplesmente porque não tenho habilidade pra isso.
Confesso que até gostaria de ter, pois assim, sendo divertido e sociável, acho que minhas citações renderiam bem mais. Mas não é o caso e saber disso e daquilo é apenas confirmar uma merda velha e conhecida.
Acontece que eu leio umas coisas aí e que também faço mestrado - onde citações ainda provam que a erudição idiota é necessária para ser um um romancista pop ou um Doutor com voz anasalada e alma inexistente.
Nenhuma paixão porque a distância é necessária para a visão crítica. Artaud é só um visionário lunático e viciado - ainda que seja capaz de causar comoção entre phds metódicos e comedores de cus adolescentes.
Cá comigo ainda dispenso os cus e a erudição.
(Por pura falta de habilidade, esteja claro.)
Que se apenas citações
me rendesse os tais cus
já tava feito e regalado,
com direito à
dinheiro no bolso
e pau esfolado.
11 de janeiro de 2010
Mas escolho o blogue e deixo estar.
10 de janeiro de 2010
blábláblá.
Minha alma de curitibano desconfiado mostra as manguinhas, sabe como é? Não sabe, mas te explico:
E nessas eu sou eu aqui. E eu aqui, meu deus, sei lá quem é. Bebo pouco e vejo novela. Um-horror-uma-maravilha. 10 horas de televisão é uma coisa de outro mundo. Como a primeira vez que se trepa ou que se usa drogas. Fica-se achando que algo mudou dentro de você. É horrível, não é? É fatal, eu digo. Achar que algo mudou dentro de você é uma coisa com a qual tem que se preocupar.na minha cidade os pontos de ônibus são tubos. não são placas ou painéis. são tubos. redondos, enormes e pretos-transparentes. a gente espera os ônibus dentro dos tubos. a gente gosta dos tubos. a gente se identifica com os tubos.
Mas é que venho pra cá e fico com a minha mãe. E mãe é uma gente que não se pode fugir. E nem é o caso. Até porque moro longe dela e sei que, se tudo der certo, ela morrerá antes de mim.
Então ficamos no sofá competindo pra ver quem fuma mais. É um páreo duro e cheio de afeto. As vezes ela limpa os cinzeiros - no plural mesmo - e as vezes eu.
Ela, como mãe, pelo menos nos fins de semana, me alimenta.
Eu, como filho, pelo menos nos fins de semana, bebo vinho argentino.
E assim passam os dias e as horas e voltimeia me pego pensando em você.
E se: 1, você é você. 2, você sabe que você é você. 3, você existe ou é uma invenção minha.
Seja como for, agradeço à azia que me deixou beber quase 3 garrafas de vinho sem se manifestar.
E também ao vinho argentino (que mesmo sem me agradar porque prefiro cerveja ou whiskey) contribuiu pra mais um post no meu bomblogueamigoblogue.
9 de janeiro de 2010
8 de janeiro de 2010
6 de janeiro de 2010
4 de janeiro de 2010
Veja só, ontem você ficou brava comigo porque falei obscenidades durante nosso sexo de bons sonhos. Você me disse que não era assim, que hoje não tava com esse clima e que eu devia ter notado. Me acusou de insensível e machista e dormiu brava e sem deixar eu te encoxar.
2.
1.
Desencana.
E foi se arrumar escondida no banheiro e demorou horas e horas e horas.
1 de janeiro de 2010
relatinho.
28 de dezembro de 2009
26 de dezembro de 2009
Não há nenhuma chance de silêncio. Estou entre os meus e eles falam e falam. Como que pra sempre.
Muitas vezes vejo, participo e falo mais do que eles. Outras não, fico de longe e me finjo de ocupado no computador.
Daqui a pouco todos acordamos e seguimos viagem. Euforia matutina, café coletivo e nenhuma chance de cagar. O mundo é duro quando não se caga.
Depois barco e mar e areia. Uma pequena caminhada no deserto e, com sorte, chegamos ao Paraíso. Vida besta e livro novo.
Nessa virada de ano meu banquete está garantido e será consumido apenas após à meia noite. É o jeito certo na minha cabeça. A promessa de fartura em uma única refeição.
O regalo e o excesso.
Acreditar na coisa é, acho, materializar a coisa.
23 de dezembro de 2009
em sampa.
22 de dezembro de 2009
Eu daqui a vejo e lhe mando recados. Ela não ouve e nem imagina.
Lembro das pernas imensas que gostaria de ver abertas
e penso que talvez exista a mulher perfeita.
21 de dezembro de 2009
Gente das antigas e outras nem tanto.
Carnes novas pra passear os olhos e línguas que falam em idiomas que eu não conheço e nem me interessam.
Na grande média o óbvio ulala satisfeito e implacável.
Tem um que virou carcereiro e é daimista. Tem o cana bombadão. A guria com olhos de prata. Os velhos de alma. O idiota eterno. As crianças que cresceram e têm mamicas e pêlos pelo corpo. Etc.
É quase um parque de diversão e falo com todos como se eu fosse um tipo descolado. E nem sou e nem quero ser.
É que aqui meus dentes aumentam e viro um coelho: como, cago e tenho família.
16 de dezembro de 2009
mulheres altas falam baixinho.
Como eu esperava uma giganta fiquei surpreso. Ela era alta, mas só isso: alta. Na minha cabeça ela seria muito, muito alta e também seria forte e poderia me socar quando quisesse. Mas, por sorte, eu estava errado.
Então estávamos alí: dois desconhecidos bebendo e tentando descobrir coisas. Minha cisma foi a mão que não saía da coxa. E também reparei no laço que ela trazia na barriga. Uma mulher com laço é um treco que me faz pensar.
Seja como for, o álcool azeitava o papo e ela era boa de copo e fumante. Muitas perguntas e histórinhas, algumas repetições inevitáveis e uma puta vontade de puxar aquela boca pra mim.
E eu queria puxar pelo queixo porque ela tinha esse queixo empinadinho que me deu uma estranha vontade de morder.
Acho que mordi.
15 de dezembro de 2009
14 de dezembro de 2009
A loucura é grande e eu é que não me meto.
-
13 de dezembro de 2009
Hoje de manhã li uma cartinha de uma boa amiga. Chorei e lembrei de coisas tristes. Um tipo de injustiça que, infelizmente, é parte da jogada. O mundo é grande demais para ser bom. Ele não pode simplesmente ficar preocupado com essas coisas. Ele gira e faz força pra continuar. É o que é, o que pode ser.
No mais meu D. Quixote de lata me enviando mensagens secretas.
Talvez devesse reler o livro e entender mais a coisa.
Talvez devesse apenas dormir.
-
Muitas bundinhas na paisagem e também reflexos na água. É tudo tão bonito que é quase chato. Mas nem é.
Estou parado e olho pra frente e pra trás. Os gatos são pardos e esta água é suja. Penso sobre isso e lamento.
Penso também:
- as gurias bebem pra ficarem falantes e eu bebo pra ficar calado.
- estar parado onde todos se movimentam e fazem contatos me parece uma boa contribuição.
- a euforia é legítima. gosto de entrar e sair dela. eu disse, entrar e sair dela.
- gente esperta tem uma habilidade imensa de falar com as mãos no barulho insuportável.
- sempre lembro do poderoso chefão e do corleone/pacino virando o godfather: ele parado, pernas cruzadas e a câmera virando lenta e revelando seu rosto inchado.
- o rio de janeiro causa um encantamento no início de tudo. lembro bem disso. acho que o imaginário de 'cidade maravilhosa' é levado à sério pelos cariocas.
- é um desses traços bacanas dos cariocas: eles acreditam plenamente que moram na melhor cidade do mundo. acho isso bonito.
- voltar caminhando pra casa é quase um milagre. os pés apertam o chão e te movem.
12 de dezembro de 2009
11 de dezembro de 2009
Seja como for, enfio um pouco mais de nicotina no meu cérebro e volto.
nem.
10 de dezembro de 2009
9 de dezembro de 2009
pnht
Hoje desejei seus dentinhos no meu pescoço.
Fiquei olhando horas pra você.
Reparei no queixo, nos olhos e na boca.
O fato é que me impressiono com o queixo e com a repetição das histórias.
Confesso que não gosto disso, mas...que fazer, né?
E você nem existe, né?
Mas meu blogue taí e não me deixa mentir: gosto dos meu delírios.
Daí que te invento e que crio conflitos terríveis: sua implicância com meu cigarro, minha intolerância com suas crenças, o sexo sem nenhum palavrão, etc.
Vou longe que só vendo.
Devia era cair dentro da mina de sampa. Meio estranha, mas fumante. Essa queixa não ouviria.
Mas, na verdade, tudo e todo o resto é só pra escrever no blogue porque, bem, acho bacana escrever aqui todo dia.
Que seja.
8 de dezembro de 2009
relatinho.
7 de dezembro de 2009
agora sim.
6 de dezembro de 2009
5 de dezembro de 2009
4 de dezembro de 2009
3 de dezembro de 2009
Olho pro céu e pergunto sobre as putas natalinas, mas ninguém me responde.
O céu está aberto, sem nuvens e num silêncio brutal.
O calor provoca tédio e apatia.
A cerveja gela a garganta e os cigarros são regulados nos bares.
Um dia, e espero estar morto, só haverão evangélicos e artistas nas ruas. Será o inferno, o Apocalipse. A guerra mais imbecil pela razão menos lógica: quem berra mais alto.
Pra dezembrão emplacar preciso de UMA buceta. Não duas, não três, UMA buceta. Com nome, telefone e pequenos lábios quase simétricos - coisa mais rara do que se imagina.
Se essa UMA me acha e me diz, como se fosse acaso, que nesse calor é só dando que se recebe, eu tenho um troço e, juro, sempre lembrar do nascimento de Jesus na noite de natal.
2 de dezembro de 2009
1.
Olho pra frente e pra trás e sinto ternura por uns e raiva por outros. A escola e a euforia de fazer parte da turma, os planos de plenitude e os amores calmos que haveriam de existir.
2.
O filme termina com o cara pegando o ônibus e sorrindo sem muita convicção. Ele não está alegre nem nada. Também não está triste. Ele está apenas pegando o ônibus que o tira daquele lugar e o põe em outro. É justo e decente.
3.
Toda estrada é um purgatório: ela passa por nós que estamos parados e a vemos passar. A velocidade acontece fora e não dentro. É uma percepção e tanto que só mesmo no cinema é possível ser captada.
1 de dezembro de 2009
Mas sabe como é: seus amigos te estragaram e agora você confunde vaia e aplauso.
A culpa não é sua, fique tranquila. Inclusive lembro de você me dizer: culpa é tão careta, comigo não que sou moderna.
E eu fiquei em silêncio e pensei: ela se acha a cima da culpa, meu deus.
Mas até aí tudo certo. Achar-se isso ou aquilo sempre acontece. O problema é o excesso de confiança na opinião dos amigos. Porque eles mentem, sabe. Não por mal e até o contrário. Mentem porque são seus amigos.
E eles elogiam você e você acredita. E aí, já viu, a velha confusão dos diabos.
Então você começa a sorrir o tempo inteiro e acha que por está sorrindo, está em paz.
Eu, que não sou seu amigo, digo: você está sorrindo porque o tédio é enorme.
Falo por mim que também ando sorrindo muito.
E hoje a lua tava bonita e, como não poderia deixar de ser, você me perguntou: - essa lua não tá um troço de tão linda?
Eu fiz que não ouvi e continuei andando. Pensei que prefiro a lua quando ela é apenas bonita, quando ninguém, além de mim mesmo, me avisa sobre a beleza da lua.
29 de novembro de 2009
Sinto-me macho e satisfeito.
Macho pela cor do mijo e pelo cheiro.
Satisfeito porque fizemos o que era pra ser feito.
-
Agora é torcer porcas e ter a bendita sorte bem dita.
Três cervejas pra janta e a alma quase em paz por lembrar que há rosbife na geladeira.
28 de novembro de 2009
Mais uma histórinha pra contar.
Pretendo viver assim: cheio de histórinhas e balançando a pança. Uma cerveja pra espantar o tédio e, com sorte, uma dama bonita que me ame e me afague as carnes em dias ruins.
No mais as histórias que não me interessam: as casas grandes, a natureza e sua pureza, os amores passionais, os gritos que só comovem no escuro, as conquistas pelo suor, o conta gotas de quem mantêm a conta poupança, as loucuras com data marcada, os risos sem som, as bocas sem dentes, os corpos sem alma, etc e etc.
O mundo é um desbunde idiota quando se afirma tudo pode ser e se esquece que nem tudo importa.
Por isso fico quieto e vejo mais do que falo. Tenho bom senso pra não ser o chato que repete diante dos outros: isso é velho, isso é velho e falso.
Mas claro, e como não, cá comigo, muitas vezes penso: isso é velho, isso é velho é falso.
E então fico calado e me sinto ótimo.
Que desafio vale apenas para as lutas e os maus filmes americanos. Que o bom da América não fala disso e acho que até fala do oposto.
O bom da América é sobre aquilo que não dá certo no mundo ideal que a América vende como possível.
Seja como for, me repito: os dias são longos e querer ser feliz é o primeiro passo pra eterna frustração. Por isso me dedico à tentar ser mais esperto e ter sorte.
E sorte ainda é o mais importante.
27 de novembro de 2009
26 de novembro de 2009
-°-
Mas nem importa isso. É que gosto de escrever e disparo. Perco o ponto.
Volto:
A cabeça roda quando a gente não sabe o que fazer. Sabe como é: você vê a coisa e julga a coisa, descobre que há problemas na coisa, mas não faz ideia de como os resolver. Isso podemos chamar de inferno. E o inferno é quente e cheio de capetas e capetinhas. Uns tem cara e outros não. São os capetas-sombras: você nunca tem certeza se eles existem ou se os inventou.
Amanhã terei o dia pra me dedicar à punheta da vez. Com sorte o pau fica duro e mata, num único jorro, 70% dos demônios. Sem sorte nem sei e nem quero saber.
E eu que não sou imbecil de achar que sorte não existe. Existe e é quase concreta. Assim como um relâmpago é.
25 de novembro de 2009
24 de novembro de 2009
o fino.
Por hora não falo nada e penso alto. Tomando o devido cuidado pra não mexer a boca enquanto penso.
22 de novembro de 2009
21 de novembro de 2009
19 de novembro de 2009
Sonho que se parece com novela e que não tem nada de extraordinário.
Apenas falação, tentativa de convencimento e uma amiga do contra.
Depois de acordar, vejo o que vi e penso na coisa do destino. De desejar o destino.
Não é simples assim, mas certas coincidências simplesmente me apavoram.
Quando você
estiver comigo
e quiser dançar,
acorde bem cedo
e prepare um belo
café da manhã.
Porque, bem,
na verdade,
eu não gosto de danças.
E talvez isso,
pra você,
seja um grande problema.
Então peço:
- me trate bem
e com alguma ternura
nesse dia.
Pra que de noite,
diante da pergunta fatal,
eu apenas lhe responda “vamos lá”.
Porque agora,
e só agora,
eu aprendi:
eu não gosto de danças,
mas,
mesmo assim,
eu posso dançar
se isso for lhe agradar.
Mas, veja bem,
não abuse de mim.
E quando for,
finalmente,
dormir comigo,
não se esqueça
de forma alguma,
de nunca,
e nunca mesmo,
me desejar,
segundos antes
do sono terrível,
bons sonhos.
18 de novembro de 2009
-
Meu saco pra lua ao ver a repetição: gente burrinha e chata, reclamando com pontos de exclamação e achando que são originais.
Eu tão chato que, se fosse cachorro, mordia meu rabo. Ou, se a barriga deixasse, roía as unhas do meu pé.
É uma mania estranha que, como não é minha, eu não reconheço: dizer que ama quem adora e chorar porque acha as lágrimas bonitas.
É tudo muito confuso. E tem muita jogada nisso e naquilo. E jogo por jogo, prefiro o meu blogue. Que é meu e eu sei.
Gosto da posse. Daquela posse tranquila que é olhar por horas e horas a buceta da mulher amada. Remexendo ali, descobrindo pintas e rugas sem nenhum medo de gostar menos por ver isso assim, tão revelado e arreganhado.
Separar os lábios e ver a cor cintilante da carne nevrálgica que pode roubar minha alma.
Abrir a buceta da mulher amada e ver lá dentro é como encarar o abismo.
Sentir o terror e a tentação.
E decidir, mesmo sabendo de todos os riscos, cair ali dentro.
17 de novembro de 2009
><
16 de novembro de 2009
-
a única opção é ser discreto,
mas mesmo assim
não muito.
falar e escutar,
roer o próprio osso
ou outro.
sem saco
pra isso
sem saco
praquilo.
dez mil que se parecem entre si.
-
meu cu arde
e o sal acaba no meio da carne assada.
não quero bater palminha,
não vou bater palminha,
me pego batendo palminha.
-
gente-maldita-gente
eu entre eles
e nós,
todos nós,
contando vantagens
uns para os outros.
-
uma beleza.
14 de novembro de 2009
Passeio.
- As mulheres mais lindas do planeta vão ao Hortifruti aos sábados.
- Uma mãe e uma filha. A mãe belíssima e penso que deve ser terrível ter uma mãe tão bonita assim.
- Reparo no zelo do velhote que escolhe tomates e imagino, pela quantidade, que é ele, há 50 anos pelo menos, o responsável pela macarronada de domingo.
- A caixa de amoras é quase um bibelô. Se eu tivesse uma guria linda e esperta me esperando em casa, compraria uma caixinha de amoras pra ela.
- Ao escolher um bife pro domingo, uma mulher me desdenha. Penso que deve ser uma vaca vegetariana que acha que não comer carne a faz superior.
- Mulheres elegantes de 40 anos deixam claro, pelas compras, que não têm marido ou namorado. Eu adoraria ser o pau amigo de uma delas: seria generoso no sexo oral e as ajudaria a lavar o alface.
- Na volta vejo que mesmo entre os prédios as crianças ainda jogam futebol na rua.
- Agora: arroto meu almoço e confirmo que o PF estava mesmo delicioso.
- Em segundos: cortinas fechadas, eu peladinho e o ventilador no talo. Depois posiciono a luminária, abro o livro e espero o soninho.
- Dormir à tarde é quase voltar a ser criança.
13 de novembro de 2009
Uma paz quase chata e duas doses antes de dormir.
Tudo lento e sem pressa: meu velho mau humor brotando junto com as minhas ironias.
Uma dose a mais e é possível perder cabeça. Silêncio pra passagem do caixão e farra na hora de beber o morto.
Se dançar é chacoalhar o corpo, eu concluo que também sou dançarino.
12 de novembro de 2009
arms.
Até a lapa pode ser um paraíso.
Questão de pegada, de jeito de olhar, de dia bom.
Fala-se o caralho a quatro. Devem ser lentos os bons papos.
Recheios pra todas as crianças: fofocas com goiabada, verdades com sorvete e confissões com mariola.
Tudo é uma homenagem e, ao mesmo tempo, uma bobagem que deve ser compartilhada.
Lenta, bem lenta, como deve ser.
Que não eu é que não queimo rádios. Que você é que não trata lesmas com alface.
Papo reto e simples de gente que cresceu e decidiu partilhar umas coisas.
Sem forçar, sem exagerar, sem declarar amor eterno à cada novo porre.
-
Bato três palmas sonoras e calibro meu longo copo de whisky. Sei celebrar sozinho,
mas, as vezes, os amigos colaboram sem saber.
A vida tá acontecendo e o tempo passa veloz e implacável.
Uns seguem e outros somem.
O risco é o mesmo e o trágico
ainda é notar
que você não ouviu
a sua velha intuição
e que, de novo,
era ela,
e apenas ela,
que estava certa.
-
A esperança é que fiquemos mais espertos.
Acho que estou.
E ele também.
10 de novembro de 2009
sem vogal.
Aquela dança era só um jeito de se desesperar. A gente se vira com o que pode e com o que tem. Somos os macacos que em volta de uma árvore inventaram o join de vivre. Não por desejo, mas por tédio.
E tem tanta gente que confunde tédio e desejo que nem falo nada. Minha aparência de arrogante paga seu preço por não ser tão simpática assim.
Mas lá fora tem aqueles dois ou três que realmente importam. Falta a fêmea, a fêmea fatal: guria esperta pra quem venderei minha alma e por quem, no auge da loucura que o amor provoca, jurarei, cheio de sinceridade e crença, que, por ela, deixo de ser eu mesmo e viro seu herói/príncipe dos sonhos encantados.
É por acreditar que o amor existe que eu não danço. Não quero dançar assim: apenas pra provar que também sou capaz de mexer o meu corpo e meu quadril. Se o lance é o desejo e não o tédio, eu berro sem medo de queimar a mão: deseje apenas o impossível.
O possível é o playcenter dos que não acreditam que a vida pode ser melhor. Como quem facilita a sujeira ao se concentrar apenas no lado bom de tudo.
Merda velha e repetida de gente que não sou eu e que não quero do meu lado. Poliana é uma metáfora e não, por Deus, um exemplo que deve ser seguido.
*
No mais, estou pelado e meu pau toca minha canela. Com minhas pernas dobradas, o ventilador ligado e uma música boa, sou capaz de nunca mais sair da minha casa.



