23 de janeiro de 2010

Antes do Boa Noite.

Eu lá mais ou menos como sempre:
Mas acontece que a guria cresceu e tem peitos enormes. Me pego impressionado com isso e também com o fato de eu reparar nisso. Não era o caso. É coisa antiga, amiga de infância, quase parente e bla-blá-blá.
Isso não tá certo.
Mas pior é ela me pegar sacando seus enormes peitos.
E pior ainda é eu, em tentativa frustrada de auto repressão, gostar dela ter me pego sacando seus enormes - e por que não? - deliciosos peitos.
Meu inferno seria uma casa cheia de gurias como ela. Que cresceram e ficaram gostosas e fartas. Elas já têm pêlos em seus corpos, é o que me digo para evitar a inevitável culpa.
Outro assunto:
Deveria ser mais decisiva e menos coluna do meio. Preciso de bunda de fora. Não gosto de convencer à mim mesmo. Prefiro fêmeas que confirmam o que penso. Sem deixar que eu note, esteja claro.
No mais aquele desejo que se mistura com curiosidade e que, portanto, é apenas um desejo infantil. Desses que crianças têm: como se o único mistério estivesse naquilo que não se conhece. E cá comigo prefiro o mistério próximo e intimo, que fica sempre à um átimo de ser revelado.
Em outras palavras e simplificando a coisa: gosto apenas do que posso realmente ter. E ter o que se gosta é o milagre que uns aí chamam de amor.
Coisa que não precisa ser abastecida por novidades para que tenha sentido.
Pra sair:
Meu gosto é estranho e sobre os meus hábitos eu nem comento. Sinto quase vergonha ao ver, como só eu posso ver, minhas manias sendo executadas por mim mesmo como um doente que conhece sua cura, mas que, mesmo assim, prefere a própria doença.
Estar vivo e pensar é um coisa perigosa as vezes.
Mas prefiro assim.
Estar apenas vivo é coisa de plantas e plantas,
graças à Deus,
não me bastam.

22 de janeiro de 2010

enfeite e auto controle. tudo certo.

Preparo posts prum futuro.
Porque não é o caso de aparentar o que não é o caso.
Sem jogos.
Eu sou discreto. Eu insisto: eu sou elegante.
Prefiro a coisa reta à linha curva. Ambiguidade, acho eu, só cola quando você menospreza seu interlocutor. Como acontece quando você fala palavras de dicionário pra crianças.
Mas não agora. E não por isso.
Prefiro imaginar ELA como uma rainha má, mas esperta. Dessas que falam, mas que só importam quando o silêncio é calmo e absoluto.
É como escolho e como invento.
E toda invenção é minha, afinal.

21 de janeiro de 2010

Pastos velhos para éguas novas.

(foto de Ernesto Matos)

Punheta do passado. É isso que ela gosta de fazer. Ama ter amado os amores que não deram certo. Adora sentir saudades de todos que a desprezaram. Seus olhos apertados e escuros fazendo sombra em seus enormes dentes brancos.

Fêmea com cara de cavalo. Potranca forte e de pata dura. Comendo pasto, procurando pasto, tentando galopar. Sem cela, sem arreio. Os olhos fixos como os olhos vidrados de um cavalinho de carrossel. A agonia petrificada e pintada de tinta preta.

O cavalinho do carrossel funciona assim: não para nunca, olha sempre pra frente e nem nota que gira em círculos. Ele se incomoda com as criancinhas que trepam nele e esquece que ele, como cavalinho de carrossel, foi feito justamente pra ser trepado por criancinhas ranhentas e desagradáveis.

Mas ela segue. E ela sofre e come pasto. Combate o tédio com grama verde. Lembra da sua enorme tristeza e se sente muito vital. Porque, em algum momento, ela entendeu a própria tristeza. E interpretou a própria tristeza como um lado poético de sua personalidade de mulher-cavala.

Nas noites sem lua ela relincha satisfeita e se vê em grandes parques de diversão, fazendo parte de um carrossel imenso, dourado e cheio de luzes que piscam frenéticas. Um carrossel de ouro que faz um giro belíssimo com 100 metros de diâmetro.

Ela cavalga veloz e sente o vento na cara. Ela se considera feliz, apesar de tudo. Ela não é boa, ela não é má. Ela é apenas o que pode ser. E isso, infelizmente, não é muita coisa.

19 de janeiro de 2010

Idiotas abrem caixinhas pra desvendar mistérios.

Falo sobre isso porque sou esse tipo de idiota. E a minha autoridade nesse assunto só procede por meu cu ser enorme e conter várias e múltiplas caixinhas. Mas sejamos francos: quem acredita que realmente pode mudar?
Imbecis crêem nisso. Apaixonados também. Loucos podem até serem visionários, mas sofrem mais com a própria loucura do que com a loucura alheia.
E é aí que a idiotez se revela: porque não é possível entender nada de nada que ocorra em outra pessoa que não em você mesmo. E mesmo você em você mesmo entende-se mal e porcamente.
Porque esse lance de siconhecermelhor é bonitinho, pega bem e tá na moda. Assim como é inútil e equivocado.
(Embora eu ainda prefira um cabeça dura à um topa tudo. Questão de gosto apenas.)
Seja como for insisto que:
  • berrar bem não é ter boa voz.
  • amor à primeira vista só é crível em bons filmes.
  • suor e talento são duas coisas distintas.
  • dizer 'eu tô feliz' é coisa de suicida.
  • pássaros na mão de maneta não chega a impressionar.
  • blogue é tédio por escrito.
  • vitória só serve pra humilhar inimigos.
  • comer mulher de amigo é prazer em dobro.
  • ser bipolar é condição de estar vivo.
  • arranhar sem unhas é uma coisa possível.
  • facebook é melhor que orkut.

No mais, um peido fedido

e uma cerveja gelada

atualizar o próprio blogue

é uma tremenda parada.

18 de janeiro de 2010

NÃO ESQUEÇA DE VER
O QUE EU NÃO MOSTRO.
É SÓ ISSO QUE PEÇO
E OFEREÇO.

16 de janeiro de 2010

telhado de casa desconhecida.

De madrugada, quase amanhecendo, ela me procura como uma gata que ronda telhados que deseja conhecer melhor. Como que pra ter a garantia de correr por eles no escuro sem o risco da queda. Ela, como qualquer ser decente e adulto, quer segurança.
Eu vejo seus passos e as vezes formulo conexões estranhas entre ela e meus vícios. Penso nisso e naquilo, choro e sorrio baixinho enquanto digo pra mim mesmo: não se afobe e nem se apresse. Ter exatidão, nesse caso, é vencer do Tempo.
Imagino que ela perceba o mesmo que eu. A visão do abismo e a atração que exerce lento, enorme e profundo. Lançar-se no abismo pra sempre ou pra quebrar a cabeça. 1 possibilidade em 2 e o medo repentino que surge quando se percebe que a segurança, assim como a felicidade, é só um desejo; e não um algo palpável que se modela com o pensamento e as mãos.
Minha gata ronrona distante em terras quentes e chuvosas. Vislumbro ela dormindo de camiseta e calcinha e sinto um frisson ao notar que suas pernas, levemente abertas, estão voltadas em minha direção.
Brasília
meu cu.
I do not
love you.

14 de janeiro de 2010

relatinho com os hollywods de mamãe.

Sendo descolado na night curitibana.
-

Vejam vocês: agora falo night e vou para a dita balada. É simples. Uma lógica que usei nas vezes em que me mudei de cidade. Quando você não conhece ninguém ou não sabe o que fazer, você topa tudo. Ou quase tudo.
E nessas vou pra balada e curto-a-night.
Tenho amigos daqui de quem me afastei um bocado. Não por nada, mas porque houve as namoradas, os quase casamentos, as drogas, as mudanças de turma, etc.
Mas agora, eu e um velho amigo, o grande Titones, saímos como nos velhos tempos e nos sentimos muito bem, obrigado. Meu limite é a balada country que ele me chama e eu não vou, mas, tirando isso, até em sambinha tô indo.
E sambinha em curitiba é ainda pior do que no rio de janeiro. Ou seria melhor, já que a farsa-sambinha fica mais escancarada?
Não importa.
O fato é que ainda me mantenho longe da muvuca que gosta de pipocar na beira do palco ou na pista e, pra manter um mínimo de integridade e elegância, bebo os chopes duplos de terça feira no balcão.
A novidade da vez é falar com as gurias. Com uma cara de pau que nem é minha e que nem chega à ser sincera. É o velho sistema que já disse: quando você não conhece ninguém ou não sabe o que fazer, você topa tudo.
E nessas fiquei de papo com duas gurias. Eu tava me exibindo é claro. Mostrando pros amigos de 12 anos atrás que agora eu abordo as loucas no meio do bar e que sou capaz de descolar telefones e coisas do tipo. Tudo certo. Tudo falso e prazeroso. Uma maravilha.
Mas o que eu quero contar é:

Uma guria, de nome Iane se não me engano, era de manaus e tinha um belo nariz grande com traços feminos do tipo que eu adoro. E eu conversando com ela e então ela me fala que tava com um namoradinho aí, que na verdade é da grécia, e que ela havia o conhecido no chile ano passado e que, desde então, eles mantém contato num romance meio virtual, e que agora ele tava aí e ficaria até abril e todo esse papinho que se têm com desconhecidos. E a gente conversando e o papo era bom e o grego aparece com camiseta do brasil e ele quer ser músico e é legal e bom de papo também, e fala do samba e eu pergunto dos gregos e ele é legal mesmo e tudo o mais. Mas é um gringo, um gringo grego, e eu, vendo os dois, noto que tem qualquer coisa de estranha alí e então ela, semi estúpida e afastando o grego que ficava a agarrando o tempo todo, manda ele ir pegar cerveja e o grego vai lá como o cara legal que realmente é. E daí o álcool causa a epifania que é o grande ponto dessa história.
Sou curto, sincero e grosso. Olho bem pra cara dela e solto:
- posso te falar uma coisa desagradável?
- claro.
- qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade nota que você não tá nem um pouco apaixonada por esse cara.
Ela fica séria, esconde os dentes com a boca imensa e sinto que meu pau se mexe dentro da cueca.
Daí o grego volta e a coisa fica flagrante. Ela o trata cada vez pior e cada vez mais ela me dá trela. O grego nota, eu noto que ele nota, mas que se foda. Ele é gringo é grego e é legal, legal demais eu diria. Meu pau não para de mudar de lado dentro da cueca e ela pede meus contatos e o grego gringo pergunta por que e ela diz da sua viagem à bahia e que deve passar pelo Rio e eu só vendo e ficando com uma puta vontade de que aquele gringo desapareça pra eu dar um bote semi-canalha, porém profundamente sincero. O que, infelizmente, não ocorreu. Mas num vacilo do gringo ela sentou e eu a pilhei, com a devida distância do gringo, pra ela me ligar aqui mesmo em curitiba e ela lançou que tava pensando seriamente naquilo que eu tinha dito e eu perguntei aquilooquê e ela repetiu exatamente a frase que eu havia dito e que tá escrita aí em cima e eu me senti um gênio.
Mas o gringo voltou e meus amigos queriam ir embora e o gringo queria a levar pra perto do palco para bancar a pipoca. Dei um abraço afetuoso no grego gringo que, apesar de tudo, era gente boa e bom de papo e na hora de me despedir dela, fiz uma manobra e fiquei de costas pro gringo e falei, bem colado no ouvido dela:
- me liga mesmo, porra. até abril vai ser foda.
- eu sei, eu sei.
- pensa no que eu te falei.
- to pensando.
E meus amigos chegaram e fomos andando até o carro comentando sobre o bela manaura e o bondoso gringo grego.

12 de janeiro de 2010

Para aparentar profundidade a gente faz citações. Antes isso era a praxe necessária: basta ler o D. Quixote e reparar como o Cervantes cita e cita.
Na época dele um romancista tinhaque mostrar erudição, como um tipo de aval para seu talento.
A ironia é que agora, dizendo isso, entro pra turma que aparenta profundidade fazendo citações.
Acontece que o D. Quixote é genial - uma puta obra de arte que nem eu e nem ninguém precisa defender. Ele está lá e existe. Basta ler 35 págs. pra sacar que citar é o que há de menos relevante na coisa.
O relevante é o gênio. E o gênio, quando fodão, é da ordem dos mistérios. Desvendar o gênio é matar o gênio. Assim como o amor. Ou como o Nelson Rodrigues explicando o por que de ser contra a Educação Sexual. É mais ou menos assim: "se você educa alguém sobre o sexo, você mata o mistério do sexo. e sexo sem mistério é coisa de gata vadia e não de ser humano, pra quem sexo pode ser amor."
Seja como for, falo isso porque vejo as citações dos canalhas. Os canalhas são uma gente pop, bem relacionada e capaz de fazer barulho. E os canalhas, como tais, usam e abusam das citações. Provando, como no séc. XV, que são eruditos por conhecer tal ou tal obra.
Daí me pego pensando no sucesso alheio e na minha capacidade de fazer barulho - que é nenhuma. E vejo que posso até citar, mas que, mesmo assim, nunca serei pop e bem relacionado. Simplesmente porque não tenho habilidade pra isso.
Confesso que até gostaria de ter, pois assim, sendo divertido e sociável, acho que minhas citações renderiam bem mais. Mas não é o caso e saber disso e daquilo é apenas confirmar uma merda velha e conhecida.
Acontece que eu leio umas coisas aí e que também faço mestrado - onde citações ainda provam que a erudição idiota é necessária para ser um um romancista pop ou um Doutor com voz anasalada e alma inexistente.
Nenhuma paixão porque a distância é necessária para a visão crítica. Artaud é só um visionário lunático e viciado - ainda que seja capaz de causar comoção entre phds metódicos e comedores de cus adolescentes.
Cá comigo ainda dispenso os cus e a erudição.
(Por pura falta de habilidade, esteja claro.)
Que se apenas citações
me rendesse os tais cus
já tava feito e regalado,
com direito à
dinheiro no bolso
e pau esfolado.
Mamicas douradas
em céu de Brigadeiro.
Penso em você
o tempo inteiro.

11 de janeiro de 2010

O mau humor é um rato no meu estômago. Dentes salientes e garras afiadas arranham meu esôfago quando o rato tenta escapar. Penso nos paliativos anti mau humor: punheta, cachaça, t.v., livro, internet, carícia na cachorra Frida, etc.
Mas escolho o blogue e deixo estar.
Livros chatos pra ler, trabalhos estúpidos pra cumprir e a repetição de um discurso falso e confuso que se pretende profundo e auto consciente. A puída noção da humildade como virtude.
(A vantagem do egoísta é que ele só se justifica em própria defesa. O egoísta pode até ser um cretino, mas é um cretino que mente apenas pros outros e não pra si próprio. O ego enorme gosta de comer e come sem culpa. É o devorador destrutivo que não se faz de rogado ou seletivo: qualquer carne é carne e toda carne alimenta.)
Seja como for, uma cerveja e uma blogada pra voltar pros livros chatos e pra farsa toda. Ninguém sai imune dessa merda. Ou melhor: só imbecis saem imunes dessa merda.

10 de janeiro de 2010

blábláblá.

Cabeça enorme e mãos pequenas. Queria dizer uns trecos bonitos aí. Pra você. Pra ver se você sabe que você é você. Porque eu, cá comigo, sempre desconfio que eu sou eu quando aquilo/isso é escrito pra ou por mim.
Minha alma de curitibano desconfiado mostra as manguinhas, sabe como é? Não sabe, mas te explico:

na minha cidade os pontos de ônibus são tubos. não são placas ou painéis. são tubos. redondos, enormes e pretos-transparentes. a gente espera os ônibus dentro dos tubos. a gente gosta dos tubos. a gente se identifica com os tubos.

E nessas eu sou eu aqui. E eu aqui, meu deus, sei lá quem é. Bebo pouco e vejo novela. Um-horror-uma-maravilha. 10 horas de televisão é uma coisa de outro mundo. Como a primeira vez que se trepa ou que se usa drogas. Fica-se achando que algo mudou dentro de você. É horrível, não é? É fatal, eu digo. Achar que algo mudou dentro de você é uma coisa com a qual tem que se preocupar.
Mas é que venho pra cá e fico com a minha mãe. E mãe é uma gente que não se pode fugir. E nem é o caso. Até porque moro longe dela e sei que, se tudo der certo, ela morrerá antes de mim.
Então ficamos no sofá competindo pra ver quem fuma mais. É um páreo duro e cheio de afeto. As vezes ela limpa os cinzeiros - no plural mesmo - e as vezes eu.
Ela, como mãe, pelo menos nos fins de semana, me alimenta.
Eu, como filho, pelo menos nos fins de semana, bebo vinho argentino.
E assim passam os dias e as horas e voltimeia me pego pensando em você.
E se: 1, você é você. 2, você sabe que você é você. 3, você existe ou é uma invenção minha.
Seja como for, agradeço à azia que me deixou beber quase 3 garrafas de vinho sem se manifestar.
E também ao vinho argentino (que mesmo sem me agradar porque prefiro cerveja ou whiskey) contribuiu pra mais um post no meu bomblogueamigoblogue.

"Beijos no coração
é a conclusão
pra minha
contribuição".

9 de janeiro de 2010

Estrelas
estalam
na minha
cabeça.
E eu aqui
sofrendo à beça
por não ter
entrado
na sua buça.

8 de janeiro de 2010

Dou dicas prum velho amigo meu.
Nem sou e nem nunca fui bom nisso.
Mulheres são coisas estranhas e misteriosas.
Mas mesmo assim eu falei:
- Quando voltar põe a mão nas coxas dela.
E ele achou que era o caso e fez.
Perdi a carona
por uma boa causa,
acho.

4 de janeiro de 2010

Fico te bolindo na minha imaginação.
3.
Veja só, ontem você ficou brava comigo porque falei obscenidades durante nosso sexo de bons sonhos. Você me disse que não era assim, que hoje não tava com esse clima e que eu devia ter notado. Me acusou de insensível e machista e dormiu brava e sem deixar eu te encoxar.
2.
Semana passada foi você que me procurou. Acho que foi a primeira vez que me ligou tão decidida. Vou praí, tá? Levo bebinha pra gente. Chegou com uma carinha triste, de moleton e chinelo de dedo. Achei tão engraçado. Disse que beberia vinho, mas que tinha me trazido uma cerveja importada, pois sabia que de vinho eu não era lá muito fã. Mas bebi vinho e foi sua vez de achar graça. Nunca imaginei. Depois fizemos sexo lento, longo e numa sincronia quase assustadora. Dormimos melados, como você diz. O som ligado, a janela aberta e os moletons engruvinhados na beira da cama.
1.
Você disse que não dava no primeiro encontro, mas que faria uma exceção. Abriu as pernas compridas e me deixou ficar alí, naquela pequena batalha contra a morte. Uma ou outra arrumação prum encaixe melhor e sua vergonha em manter os olhos abertos. O orgasmo fatal, o grito surpreendentemente agudo e a velha história de culpar o álcool pelos excessos.
Desencana.
Não tô encanada.
Dorme aqui?
Não.
Por que?
Você não merece duas exceções.
Mereço.
Mas mesmo assim nada feito, vou pra casa.
E foi se arrumar escondida no banheiro e demorou horas e horas e horas.
Quando acordei vi o bilhete na mesa: nos falamos.
Concordei baixinho e voltei à dormir.
A rebeldia de mostrar a bunda.
Como se mostrar a bunda fosse sinal de liberdade, como se liberdade fosse feita por atos e atitudes.
Nenhum piercing em nenhuma teta prova o que quer que seja.
Mas há algo que precisa ser provado por alguém que eu não conheço.
-
ou:
-
Ela anda de patins e usa uma sombra azul, e também dança com bichas e sapatões em festas eletrônicas que tentam imitar os sons que os índios faziam.
E ela dançando se sente bem e livre porque ela gosta de esquecer. Beija desconhecidos no meio das festas e pega em paus que nem duro ficam. E ela roda e roda e roda. E diz que todas mulheres querem dançar e que ninguém aproveita os momentos como ela.
Mantém todos os piercings lustrados e toma drogas que lhe deixam em pura-potência.
Sorri a toa e se sente bem.
De noite, bem tarde, seus fantasmas lhe visitam.
Mas ela não liga porque acreditar em fantasmas é antiquado e careta.

1 de janeiro de 2010

relatinho.

Daqui eu vejo o oceano. É bacana ficar olhando pra ele. Nos últimos dias tenho passado horas imerso ali. Vou até onde não dá pé e me deixo boiar. É um oceano calmo e idiota como são as coisas bestas e boas. Se minha família não fosse tão grande e invasiva eu tentaria tocar uma punhetinha lá dentro. Acho que daria certo. Deve ser bom ejacular na água salgada, misturar a porra e a espuma. Cada um no seu lugar.
Ontem dei uma bela cagada lá pelas 10 da noite. Limpei o dito ânus e fiquei olhando praquela merda toda e pensei: adeus merda velha, agora só merda nova. Puxei o cordão da privada e um pequeno troço resistiu à queda d'água. Fiquei pensando que troço era esse e tive quase uma visão mística. Esperei a caixa encher e puxei novamente o cordão. Agora sim só merda nova.
Eu tava bêbado porque eu acho importante ficar bêbado em eventos como o Ano Novo. O excesso nessas datas é uma coisa de bicho que a gente preserva e eu embarco.
No Ano Novo só como depois da meia noite. Ou não como. O que não faço é comer antes, tipo 10:30. Dá um azar tremendo na minha cabeça. Porque se se comer antes, você estará, justo na hora da virada, fabricando merda. E, bem, no Ano Novo a brincadeira é achar que tudo será melhor e mais fodão. E por essas prefiro deixar meu intestino em paz.
Mais um dia aqui e agora o oceano idiota deu pra ficar agitadinho - o que impede que eu boie com a minha adorável pança pra cima.
Não gosto de ficar brigando com as ondas, prefiro boiar.

28 de dezembro de 2009

No mar até ficar enrugado.

Mexendo
no pau
pela lateral
do calção
e pensando
se a água salgada
é benéfica pra ele.

26 de dezembro de 2009

Tias, tios, primas, pai, mãe, sobrinhas. O inferno mais quente que posso ter.

Não há nenhuma chance de silêncio. Estou entre os meus e eles falam e falam. Como que pra sempre.
Muitas vezes vejo, participo e falo mais do que eles. Outras não, fico de longe e me finjo de ocupado no computador.
Daqui a pouco todos acordamos e seguimos viagem. Euforia matutina, café coletivo e nenhuma chance de cagar. O mundo é duro quando não se caga.
Depois barco e mar e areia. Uma pequena caminhada no deserto e, com sorte, chegamos ao Paraíso. Vida besta e livro novo.
Nessa virada de ano meu banquete está garantido e será consumido apenas após à meia noite. É o jeito certo na minha cabeça. A promessa de fartura em uma única refeição.
O regalo e o excesso.
Acreditar na coisa é, acho, materializar a coisa.

23 de dezembro de 2009

em sampa.

Amanhã é natal e haverá a parentada. Hoje em dia são umas 40 pessoas, acho. Já foi mais, mas sabe como é: brigas entre primos, alas que viram evangélicos, richas por grana e etc. É gente demais. Antes acho que éramos uns 60.
A grande vantagem é que a maioria bebe. E álcool é azeite pra festas. De forma que bebo e fico falante. Engraçado que aqui não sou tímido. Abuso do rótulo primo do teatro e tudo certo. Com as cervejinhas e esse rótulo sou o mais simpático da festa.
Pra mim o que pega é que são pessoas que me relaciono pelo vínculo de sangue. Nem sempre existem afinidades ou ideias comuns. Existe sangue e sangue basta.
E como moro longe, fica ainda mais fácil.
Seja como for amanhã é dia.
E beberei e serei falante e simpático e mexerei no cabelo das minhas tias beatas.
Ficarei impressionado quando elas, as tias beatas, lembrarem que Jesus nasceu nesse dia pra morrer e nos salvar. Então elas pedirão uma roda e daremos as mãos e haverá o Pai Nosso.
Eu ficarei de olhos abertos e repararei no rosto de cada um da roda - como que tentando desvendar as culpas secretas.
O sangue é um treco que me impressiona.

22 de dezembro de 2009

Ela está lá tentando descobrir o motivo pra uma coisa que não têm motivos ou explicação. Esquece que o mundo não é justo e pensa em como se sentir melhor comparando sua vida com vidas piores. Como se desgraça alheia fosso consolo pra alguém.
Eu daqui a vejo e lhe mando recados. Ela não ouve e nem imagina.
Lembro das pernas imensas que gostaria de ver abertas
e penso que talvez exista a mulher perfeita.

21 de dezembro de 2009

Então vejo isso e aquilo.
Gente das antigas e outras nem tanto.
Carnes novas pra passear os olhos e línguas que falam em idiomas que eu não conheço e nem me interessam.
Na grande média o óbvio ulala satisfeito e implacável.
Tem um que virou carcereiro e é daimista. Tem o cana bombadão. A guria com olhos de prata. Os velhos de alma. O idiota eterno. As crianças que cresceram e têm mamicas e pêlos pelo corpo. Etc.
É quase um parque de diversão e falo com todos como se eu fosse um tipo descolado. E nem sou e nem quero ser.
É que aqui meus dentes aumentam e viro um coelho: como, cago e tenho família.

18 de dezembro de 2009

16 de dezembro de 2009

mulheres altas falam baixinho.

Ela apareceu mamando uma lata. Achei estiloso. Me perguntei se ela tinha comprado no caminho ou se trazia de casa. Ela virava a cabeça para mamar - um traço quase masculino.
Como eu esperava uma giganta fiquei surpreso. Ela era alta, mas só isso: alta. Na minha cabeça ela seria muito, muito alta e também seria forte e poderia me socar quando quisesse. Mas, por sorte, eu estava errado.
Então estávamos alí: dois desconhecidos bebendo e tentando descobrir coisas. Minha cisma foi a mão que não saía da coxa. E também reparei no laço que ela trazia na barriga. Uma mulher com laço é um treco que me faz pensar.
Seja como for, o álcool azeitava o papo e ela era boa de copo e fumante. Muitas perguntas e histórinhas, algumas repetições inevitáveis e uma puta vontade de puxar aquela boca pra mim.
E eu queria puxar pelo queixo porque ela tinha esse queixo empinadinho que me deu uma estranha vontade de morder.
Acho que mordi.

15 de dezembro de 2009

Aquelas carnes tremendo na minha frente. Mais do que tudo há precisão. Direita esquerda frente trás.
O rosto importa pouco numa situação dessas.
A minha conclusão é que as melhores dançarinas usam aparelho nos dentes. É uma coincidência que se repete. Um mistério.
Então, toda vez, entro com aquele papo de conhecer a casa e faço a média de quantas meninas com aparelho nos dentes estão por alí.
Porque gosto mesmo é das danças. O pagar drinks e o subir pro quarto me oprimem. Acho que é por conta do tempo marcado. Sou um tipo que precisa de um mínimo de romance, mesmo que seja apenas pra me enganar.
Por isso apenas bebo minha cota de cervejas e volto pra casa.
Lembro das caras e bocas e sorrio. As carnes tremendo na minha frente ainda me impressionam bastante.

14 de dezembro de 2009

Tem isso e aquilo.
A loucura é grande e eu é que não me meto.
-
Ela chorava e ficava satisfeita. Achava bonito chorar e sofrer. Ria depois. Mas o riso era bem mais oco do que o choro. O choro, as vezes, era sem som. Mas o choro mesmo, daqueles verdadeiros e inquestionáveis, era grosso e saia num gemido rouco e insano.
Ela tinha a mania de escrever em versos. Achava rimar uma proeza. Passava dias procurando a rima perfeita e depois me mostrava os versinhos. Eu geralmente não gostava, mas sorria e dizia legal. Não havia porque lhe dizer que achava, na grande média, versos rimados um saco. Deturpar a escrita por uma determinada sonoridade me soa como frieza. E se é pra ser frio que seja o João Cabral. Sem modismos e extremamente racional.
Apesar disso tudo ela era gentil. Fazia afagos no meu pau e, ocasionalmente, lambia meu rêgo. A língua molhada e lenta passeando nas minhas nádegas. Eu gostava disso. Da calma da coisa. Ela, ao contrário da maioria, não chupava pau pra mostrar que chupa pau. Até o contrário. Nem sempre chupava, mas quando fazia, fazia sem pressa e cheia de perfeccionismos: língua na glande, língua no freio, língua nas bolas e no períneo. Depois só boca. Depois boca e língua. E depois só dentes - como que brincando com a ameaça da situação. E sempre, sempre depois de chupar, ela vinha por cima. De alguma maneira eu entendia seu raciocínio: quando eu chupo, eu mando e estabeleço o ritmo. Era justo.
A coisa desandou por causa dos versos e do choro. A busca pelas rimas perfeitas era cada vez mais longa e mais chata. Queria achar rima pra mãe que não fosse champanhe.
Eu só observava sem falar nada e esperava o choro. Sem som, sem alma e sem nenhuma lágrima. Um choro chato que nem sabia porque chorava.
E eu lá: sem ter meu pau chupado ou meu rêgo lambido. Eu não chorava, mas, por dentro, sentia uma tristeza sem tamanho - como se eu pressentisse que mãe não tem outra rima além de champanhe.
E deu no que deu:
O fim de tudo,
a casa vazia e
a eterna lembrança de ter tido meu rêgo
lambido por sua língua.

13 de dezembro de 2009

Abro meu J.D e passeio os olhos por coisas velhas. É bom estar por aí e ver o mundo. Nada demais e nada de menos. Tudo lento e limpo. Sem euforia por novidades e sem necessidade de grandes viradas. A vida como é: implacável e terrível.
Hoje de manhã li uma cartinha de uma boa amiga. Chorei e lembrei de coisas tristes. Um tipo de injustiça que, infelizmente, é parte da jogada. O mundo é grande demais para ser bom. Ele não pode simplesmente ficar preocupado com essas coisas. Ele gira e faz força pra continuar. É o que é, o que pode ser.
No mais meu D. Quixote de lata me enviando mensagens secretas.
Talvez devesse reler o livro e entender mais a coisa.
Talvez devesse apenas dormir.
Olhos apertados para ver melhor.
-
Muitas bundinhas na paisagem e também reflexos na água. É tudo tão bonito que é quase chato. Mas nem é.
Estou parado e olho pra frente e pra trás. Os gatos são pardos e esta água é suja. Penso sobre isso e lamento.
Penso também:
  • as gurias bebem pra ficarem falantes e eu bebo pra ficar calado.
  • estar parado onde todos se movimentam e fazem contatos me parece uma boa contribuição.
  • a euforia é legítima. gosto de entrar e sair dela. eu disse, entrar e sair dela.
  • gente esperta tem uma habilidade imensa de falar com as mãos no barulho insuportável.
  • sempre lembro do poderoso chefão e do corleone/pacino virando o godfather: ele parado, pernas cruzadas e a câmera virando lenta e revelando seu rosto inchado.
  • o rio de janeiro causa um encantamento no início de tudo. lembro bem disso. acho que o imaginário de 'cidade maravilhosa' é levado à sério pelos cariocas.
  • é um desses traços bacanas dos cariocas: eles acreditam plenamente que moram na melhor cidade do mundo. acho isso bonito.
  • voltar caminhando pra casa é quase um milagre. os pés apertam o chão e te movem.

11 de dezembro de 2009

Sonho por culpa do maldito livrinho que to lendo e, bem, ler pode ser bem perigoso. As palavras virando garras no cérebro da gente e, de repente, se descobre que aquela memória não é sua, mas de um livro que você leu. O cérebro da gente ainda confunde muito as coisas. É fato. Tem até aquele experimento: mostrar uma pintura ou narrar sobre a pintura. Pro cérebro muda pouco. As mesmas áreas são ativadas numa ou noutra experiência - ver ou ouvir sobre.
Seja como for, enfio um pouco mais de nicotina no meu cérebro e volto.

nem.

olhando aqueles ombros e pensando se
pois aqueles ombros poderiam ser.
mas desisto e decido o que me agrada:
pressa, agora, é parte da jogada.

10 de dezembro de 2009

Meu gatilho na testa do estranho que passa e insiste em fazer de conta que me conhece. Porque prefiro os que conheço ou os que se parecem comigo. Não sou vasto, não quero ser vasto. Não gosto de quem se diz vasto: achando que tudo pode, que tem mil amigos, que deseja mil e uma mulheres, que diz ter tido 50 paixões fulminantes. Prefiro ser o otário da escola que apanha, mas que não arrega. Pra falar e pegar bem eu também sei. Mas prefiro é não participar. Gosto dos bares que só eu conheço. Não acredito na opinião do povo e não acho que se cada um fizer a sua parte o mundo vai melhorar. Não é porque duas coisas existem que elas são obrigadas a se relacionar...

9 de dezembro de 2009

Aquela boquinha minúscula de mulher vulgar. Tão vermelhinha, meu Deus.
Bem que queria ela passeando no meu mamilo e depois no meu pau.
Quem sabe uma línguinha no rêgo?
A boquinha perdendo o batom na minha péle e ficando branca, branquinha.
Jesus, lá de cima, até nôs abençoava, sabia?
Porque Jesus sabe das coisas e não duvida de mim
e do meu desejo por essa boquinha vermelha com formato de coração.

pnht

Alimento-me de sopas e sanduiches. Parece decente.
Hoje desejei seus dentinhos no meu pescoço.
Fiquei olhando horas pra você.
Reparei no queixo, nos olhos e na boca.
O fato é que me impressiono com o queixo e com a repetição das histórias.
Confesso que não gosto disso, mas...que fazer, né?
E você nem existe, né?
Mas meu blogue taí e não me deixa mentir: gosto dos meu delírios.
Daí que te invento e que crio conflitos terríveis: sua implicância com meu cigarro, minha intolerância com suas crenças, o sexo sem nenhum palavrão, etc.
Vou longe que só vendo.
Devia era cair dentro da mina de sampa. Meio estranha, mas fumante. Essa queixa não ouviria.
Mas, na verdade, tudo e todo o resto é só pra escrever no blogue porque, bem, acho bacana escrever aqui todo dia.
Que seja.

8 de dezembro de 2009

relatinho.

Comida pronta e cerveja estalando. Uma leve pressão nos pulmões por excesso de cigarro, mas nada que chegue a abalar.
A long neck tava mais barata e comprei. Acho o fino beber no gargalo. Goladas longas que combinam com o calor do Rio de Janeiro. O lance é segurar no neck da garrafinha e virar bem a cabeça pra trás. O risco é babar, mas minha barba também serve pra reter esse tipo de coisa.
Hoje fiz o circuito que faria no sábado: acordar, chapar de café, cigarro e merda sem pressa. Depois hortifruti com açai e mercado: sabão, kiboa, algum queijo e, claro, amendoins da elma chips que são enormes e inteiros.
-
(lembrei agora de você e digo: o hortifruti na segunda de tarde não tem um décimo do charme que tem no sábado. só haviam mulheres gordas e velhas e feias. todas com pressa e disputando batata baroa contigo. um horror. não recomendo.)
-
Em casa um naco de pizza na chapa e deitar com um livro novo em punho. O soninho chegando e o pau quase duro pelo relaxamento sanguíneo. Telefone toca e é mamis. Com mãe eu falo.
-
(Mãe é uma dor é uma falinha da peça da vez. Fico bem satisfeito quando as pessoas riem ao ouvir isso.)
-
Agora salada pronta e terceira long neck pega pelo neck e bebida no gargalo.
Não acredito em felicidade, mas a paz é possível.
Às vezes.

7 de dezembro de 2009

agora sim.

Vamos lá.
A satisfação de fazer teatro é estranha e encantadora. E isso ao mesmo tempo.
A bola da vez é o que podemos chamar de 'teatro alternativo': sem grana, sem estrutura, mas à base de desejo e vaquinha. É bonitinho, eu confesso.
Esse desejo todo que se enfia em roubadas alimenta, de certa forma, a alma. Mas a verdade é que o 'teatro alternativo' pra mim não é um ideal. É o possível, o que posso fazer, o que faço.
Na verdade queria ter condições de trabalho: grana, espaço, tempo pra pensar, contra regra... Não queria ser alternativo. Queria ter toda a estrutura que um Meyerhold tinha, por exemplo. Porque é justo, ora pois. Eu ralo, corro atrás, leio a porra toda. Se tudo fosse causal o mundo seria outro e eu não estaria limitado ao 'teatro alternativo'.
Mas é o que faço porque é o que posso. Não vou chorar por isso. Não é o caso.
Um dos meu baratos com teatro é que você lida com o possível. Em teatro a coisa é muito objetiva. Ou dá ou não dá. Essa coisa de que tudo é possível é estúpido de maneira geral e mais estúpido ainda no caso de teatro.
Seja como for, fizemos e estamos lá. Uma peça que é o que é. Que não pretende ser nada além de um teatro reto e simples. Um teatro que, como sempre tentamos, busca provar que teatro não precisa ser chato.
Porque, vamos lá, devemos admitir que há muito teatro chato por aí. E chato, principalmente, porque é um teatro que não se basta como teatro. É uma coisa de querer outras coisas através do teatro: provar que é bom ator/diretor/autor/cenógrafo/pensador, etc. Um porre.
Teatro não é importante, nunca foi e não precisa ser. O Brecht com a coisa do 'mostrar que pensar é divertido' fala sobre o lugar objetivo que o teatro pode ter. Um entretenimento que não é babaca, como telenovela por exemplo.
E agora que estreamos tenho certa paz. É isso que fazemos porque é isso que podemos fazer. E isso não quer dizer que não existam outras ambições.
Desejar é diferente de ter. Ficar satisfeito com o que se têm é achar que tudo deu certo, mesmo sem esquecer que as coisas sempre podem melhorar.
É da dinâmica da vida ou das coisas. Sei lá.
No mais, a alegria besta e solitária que não precisa ser explicada.
-
p.s. vá ver. me liga. me deseje merda.

6 de dezembro de 2009

Teatro Irresponsável. (d2)


(pra mim é 9194-1029 - e hoje é dia de framengo no Rio de Janete!)
se você não entende que
nem é isso que me pega,
eu digo, sem medo de errar:
meu bem, você é uma prega.

4 de dezembro de 2009

pra roer o osso é preciso osso.

ou tem ou não tem, ou é ou não é.
gentinha chata que põe as manguinhas de fora sem notar que o braço tá coberto.
elegância não é entender 30 línguas, elegância não é conhecer 66 países, elegância não é nunca deixar de falar.
por isso prefiro a alma discreta dentro do corpo. mesmo que o corpo seja imenso e a alma mínima. sou dos que preferem um passarinho na mão, embora saiba me divertir com corpos.
meu cu é mais escuro que todo o resto. é um cu normal e honesto. onde há luz há cor, onde não, escuridão.
simples, bem simples. matemática de soma apenas.
por isso me escondo aqui. no blogue, no teatro, nas escritas e na vida. é meu cu protegido, por assim dizer. já que pouca luz chega lá, sou eu, e apenas eu, quem decide a luz que o iluminará.
meu cu só brilha quando eu quero.
porque cu, me desculpem, não foi feito pra brilhar.

3 de dezembro de 2009

Dezembrão me pegando como um gato de unhas afiadas. Meu Deus, onde vamos parar?
Olho pro céu e pergunto sobre as putas natalinas, mas ninguém me responde.
O céu está aberto, sem nuvens e num silêncio brutal.
O calor provoca tédio e apatia.
A cerveja gela a garganta e os cigarros são regulados nos bares.
Um dia, e espero estar morto, só haverão evangélicos e artistas nas ruas. Será o inferno, o Apocalipse. A guerra mais imbecil pela razão menos lógica: quem berra mais alto.
Pra dezembrão emplacar preciso de UMA buceta. Não duas, não três, UMA buceta. Com nome, telefone e pequenos lábios quase simétricos - coisa mais rara do que se imagina.
Se essa UMA me acha e me diz, como se fosse acaso, que nesse calor é só dando que se recebe, eu tenho um troço e, juro, sempre lembrar do nascimento de Jesus na noite de natal.

2 de dezembro de 2009

Sempre desejando o que não existiu.

1.
Olho pra frente e pra trás e sinto ternura por uns e raiva por outros. A escola e a euforia de fazer parte da turma, os planos de plenitude e os amores calmos que haveriam de existir.
2.
O filme termina com o cara pegando o ônibus e sorrindo sem muita convicção. Ele não está alegre nem nada. Também não está triste. Ele está apenas pegando o ônibus que o tira daquele lugar e o põe em outro. É justo e decente.
3.
Toda estrada é um purgatório: ela passa por nós que estamos parados e a vemos passar. A velocidade acontece fora e não dentro. É uma percepção e tanto que só mesmo no cinema é possível ser captada.

1 de dezembro de 2009

Se pudesse eu lhe dizia uma verdade bem bonita.
Mas sabe como é: seus amigos te estragaram e agora você confunde vaia e aplauso.
A culpa não é sua, fique tranquila. Inclusive lembro de você me dizer: culpa é tão careta, comigo não que sou moderna.
E eu fiquei em silêncio e pensei: ela se acha a cima da culpa, meu deus.
Mas até aí tudo certo. Achar-se isso ou aquilo sempre acontece. O problema é o excesso de confiança na opinião dos amigos. Porque eles mentem, sabe. Não por mal e até o contrário. Mentem porque são seus amigos.
E eles elogiam você e você acredita. E aí, já viu, a velha confusão dos diabos.
Então você começa a sorrir o tempo inteiro e acha que por está sorrindo, está em paz.
Eu, que não sou seu amigo, digo: você está sorrindo porque o tédio é enorme.
Falo por mim que também ando sorrindo muito.
E hoje a lua tava bonita e, como não poderia deixar de ser, você me perguntou: - essa lua não tá um troço de tão linda?
Eu fiz que não ouvi e continuei andando. Pensei que prefiro a lua quando ela é apenas bonita, quando ninguém, além de mim mesmo, me avisa sobre a beleza da lua.

29 de novembro de 2009

Suei o domingo inteiro.

Enrola fios, abre machos e fêmeas, desce e sobe, fuma cigarros, descasca fios e acopla ao macho ou à fêmea, ri da piada idiota, cansa e reclama, pensa na vida, pisa na lâmpada, carrega microondas, passa fitas e faz testes, passa fita e faz contas, reclama de novo, ri de novo da mesma piada idiota, descasca parede, sangra o dedo no cobre, segura escada, limpa suor na camisa, tampa o espelho, estica o pano, muda o sofá, desce e sobe o sofá, põe o vaso no vão, descobre o curto e conta as lâmpadas.
Então mijo num jato grosso e extremamente amarelo. Quase laranja.
Sinto-me macho e satisfeito.
Macho pela cor do mijo e pelo cheiro.
Satisfeito porque fizemos o que era pra ser feito.
-
Agora é torcer porcas e ter a bendita sorte bem dita.
Três cervejas pra janta e a alma quase em paz por lembrar que há rosbife na geladeira.
AMA
NÃO
AMA
SE
AMA
ME
CHAMA
QUE
EU
VOU
(os mutantes)


28 de novembro de 2009

Mais uma histórinha pra contar.



Pretendo viver assim: cheio de histórinhas e balançando a pança. Uma cerveja pra espantar o tédio e, com sorte, uma dama bonita que me ame e me afague as carnes em dias ruins.
No mais as histórias que não me interessam: as casas grandes, a natureza e sua pureza, os amores passionais, os gritos que só comovem no escuro, as conquistas pelo suor, o conta gotas de quem mantêm a conta poupança, as loucuras com data marcada, os risos sem som, as bocas sem dentes, os corpos sem alma, etc e etc.
O mundo é um desbunde idiota quando se afirma tudo pode ser e se esquece que nem tudo importa.
Por isso fico quieto e vejo mais do que falo. Tenho bom senso pra não ser o chato que repete diante dos outros: isso é velho, isso é velho e falso.
Mas claro, e como não, cá comigo, muitas vezes penso: isso é velho, isso é velho é falso.
E então fico calado e me sinto ótimo.
Que desafio vale apenas para as lutas e os maus filmes americanos. Que o bom da América não fala disso e acho que até fala do oposto.
O bom da América é sobre aquilo que não dá certo no mundo ideal que a América vende como possível.
Seja como for, me repito: os dias são longos e querer ser feliz é o primeiro passo pra eterna frustração. Por isso me dedico à tentar ser mais esperto e ter sorte.
E sorte ainda é o mais importante.

27 de novembro de 2009

26 de novembro de 2009

-°-

A cabeça rodando e o pau, lá embaixo, amassado em meio ao suor. Viver no RJ nunca será civilizado. O calor não permite, a informalidade não permite e é melhor assim.
Mas nem importa isso. É que gosto de escrever e disparo. Perco o ponto.
Volto:
A cabeça roda quando a gente não sabe o que fazer. Sabe como é: você vê a coisa e julga a coisa, descobre que há problemas na coisa, mas não faz ideia de como os resolver. Isso podemos chamar de inferno. E o inferno é quente e cheio de capetas e capetinhas. Uns tem cara e outros não. São os capetas-sombras: você nunca tem certeza se eles existem ou se os inventou.
Amanhã terei o dia pra me dedicar à punheta da vez. Com sorte o pau fica duro e mata, num único jorro, 70% dos demônios. Sem sorte nem sei e nem quero saber.
E eu que não sou imbecil de achar que sorte não existe. Existe e é quase concreta. Assim como um relâmpago é.

25 de novembro de 2009

Uns trecos bonitos que se vê na rua.
Mesmo agora, com essa pulga que me devora lenta e implacável, sinto esse treco bonito.
E esse treco bonito não tem nada a ver com felicidade ou harmonia. É uma coisa besta que te basta.
Como aquele casal que atravessou a rua e estava de mãos dadas e sem conversar. Ela parou pra arrumar a sandalía e ele apenas esperou. Depois seguiram do mesmo jeito que antes.
Minha pulga é simples: achei que tinha resovildo uma coisa, mas não resolvi. E é triste porque antes, embaixo do meu abajur, a solução era clara e certa.
E o tempo é terrível e tortura e, infelizmente, sempre acaba faltando.
No mais: mulheres bonitas que falam comigo. Queria elas de olhos abertos diante da minha imensa pança e do meu pau semi duro desejando ser chupado. Mulheres são exigentes demais. Não todas, mas as que agora desejo.
E meu pau e minha pança, tadinhos, nem sempre causam boa impressão.

24 de novembro de 2009

abismo.

Nunca
mais
me
viram
aqueles
olhos
bonitos
onde
deveria
ter
me
afogado

o fino.


(Pryscila Vieira)
ela é enorme e gostosona, tem aquele sotaque curitibano que só é bonito mesmo em mulheres grandes. O blogue dela tá linkado aí.
Uma estranha loucura sem nome e endereço. Não sei se me importo ou não. Ver os loucos ou falar com os loucos? O risco de falar é que há loucos que são convincentes. E alguns, não muitos, têm um puta charme sedutor.
Por hora não falo nada e penso alto. Tomando o devido cuidado pra não mexer a boca enquanto penso.

22 de novembro de 2009

Ela tocou mais uma siririca na tarde quente e insuportável do Rio de Janeiro. Queria dormir, mas não tinha sono. Achou que a siririca iria ajudar. Errou.
Desde que havia descoberto o clitóris, ela tocava siririca pelo menos 3 vezes por semana. Ficou encantada quando pegou um espelho e, movendo as peles, descobriu o que chamou de pirâmide vermelha. Tão pequeno e tão potente, pensou.
Quando foi perder a virgindade ficou horrorizada com aquele negócio que queria entrar nela. Entrar pra que? Doer pra que? Mas tava decidida e queria fazer parte da turma. Pegava mal ter 18 anos e continuar virgem.
Deixou entrar, sentiu a dor e achou muito estranho aquele entra e sai. Parecia inútil na cabeça dela. Bem mais simples girar a pirâmide vermelha. E mais higiênico também.
Quando viu a ejaculação do rapaz, achou aquilo parecido com vómito de bebê. Não entendia porque o sexo tinha que fabricar tanta sujeira.
Imaginou aquilo sendo jorrado dentro dela e sentiu uma ojeriza fatal. Decidiu que não teria filhos e que nunca, nunca mesmo, permitiria à um homem usá-la como receptáculo.
Achava a camisinha uma bênção. Era grata a existência da AIDS, pois, quando era o caso, argumentava sobre os riscos do sexo sem proteção.
De qualquer maneira, preferia a siririca. Não gostava do vai e vem, do entra e sai. Achava agressivo e desnecessário. Fora que era demorado. A siririca era objetiva: em minutos estava satisfeita.
Quando transou com um rapaz que, durante o chatíssimo entra e sai, lhe tocou o clitóris, se apaixonou.
Namoraram por 5 meses, mas ele começou a reclamar da obrigatoriedade da camisinha e eles terminaram. Ela nem chegou a ficar triste, mas lamentou e sentiu que nunca seria compreendida por ninguém.
Decidiu que seria sozinha e auto suficiente. Ela não precisava de ninguém e era feliz. Era uma mulher independente, com um bom emprego e uma casa própria. Viver era simples e ela sabia disso. Cogitava fazer, antes dos 40, uma inseminação artificial.

21 de novembro de 2009

O que mais me irrita é esse desejo por homens delicados ou por mulheres masculinas. Fetiche de idiota, isso sim. Quando quero uma garotinha quero ela justamente por ser uma garotinha. E repito: se fosse pra dar um cu, dava pro cara mais macho da cidade.
Que eu é que não entendo isso. Uma mulher não é bonita por parecer qualquer outra coisa que não uma mulher. Acho, de novo, que é só uma maneira de 'turvar as águas pra as fazer parecer mais profundas', como diz o d. oliveira.
É chato e falso. Uma ladainha tão coerente com esse tempo nosso, 2009, onde confusão se tornou virtude na cabeça dos eternos indecisos.
A indecisão é parte da jogada de quem tá vivo e respira por aí, mas indecisão não é um estilo, uma virtude ou um jeito de aceitar tudo de tudo. Indecisão só pode ser legítima quando passageira.
A eternidade da indecisão inverte a coisa, como se o imbecil lhe afirmasse com os olhos injetados: - decidi ser indeciso, bonito não acha?
Só idiotas - ou ignorantes de alma - aceitam tudo de tudo. De graça nem injeção na testa, que achar que 'de graça' é a grande vantagem que não desejo ter. Prefiro pagar certos preços.
Não deixo de roer meu osso, mas sei que um osso é um osso. Não vou inventar uma sobra de carne que não me alimenta. Se for pra inventar, invento um banquete ou um milagre.
Mentir pra se safar ou pra se sentir melhor é uma coisa indecisa e mal resolvida.
Radicalizar, mesmo em ninharias, ainda me parece mais decente.

20 de novembro de 2009

Por
algum
tipo
de
mistério
a
apatia
surge
quando
não
nada
mais
a
ser
julgado

19 de novembro de 2009

Sonho de novo com ela.
Sonho que se parece com novela e que não tem nada de extraordinário.
Apenas falação, tentativa de convencimento e uma amiga do contra.
Depois de acordar, vejo o que vi e penso na coisa do destino. De desejar o destino.
Não é simples assim, mas certas coincidências simplesmente me apavoram.

Quando você
estiver comigo
e quiser dançar,
acorde bem cedo
e prepare um belo
café da manhã.

Porque, bem,
na verdade,
eu não gosto de danças.
E talvez isso,
pra você,
seja um grande problema.

Então peço:
- me trate bem
e com alguma ternura
nesse dia.

Pra que de noite,
diante da pergunta fatal,
eu apenas lhe responda “vamos lá”.
Porque agora,
e só agora,
eu aprendi:
eu não gosto de danças,
mas,

mesmo assim,
eu posso dançar
se isso for lhe agradar.

Mas, veja bem,
não abuse de mim.

E quando for,
finalmente,
dormir comigo,
não se esqueça

de forma alguma,
de nunca,
e nunca mesmo,
me desejar,

segundos antes
do sono terrível,
bons sonhos.

18 de novembro de 2009

Nem ternura nem descaso.
-
Meu saco pra lua ao ver a repetição: gente burrinha e chata, reclamando com pontos de exclamação e achando que são originais.
Eu tão chato que, se fosse cachorro, mordia meu rabo. Ou, se a barriga deixasse, roía as unhas do meu pé.
É uma mania estranha que, como não é minha, eu não reconheço: dizer que ama quem adora e chorar porque acha as lágrimas bonitas.
É tudo muito confuso. E tem muita jogada nisso e naquilo. E jogo por jogo, prefiro o meu blogue. Que é meu e eu sei.

Gosto da posse. Daquela posse tranquila que é olhar por horas e horas a buceta da mulher amada. Remexendo ali, descobrindo pintas e rugas sem nenhum medo de gostar menos por ver isso assim, tão revelado e arreganhado.
Separar os lábios e ver a cor cintilante da carne nevrálgica que pode roubar minha alma.
Abrir a buceta da mulher amada e ver lá dentro é como encarar o abismo.
Sentir o terror e a tentação.
E decidir, mesmo sabendo de todos os riscos, cair ali dentro.

17 de novembro de 2009

><

Aquela gorda do metrô era um escândalo. Pena eu implicar com gorda.
Porque sou gordo - e gordo e gorda trepando é um ballet triste de se ver.
Ela era uma dessas gordas fartas, de peitos enormes e braços roliços. Pensei que ao lado dela estaria sempre protegido porque aqueles braços eram fortes e vigorosos.
Ela tinha um rosto delicado e uma boquinha de desenho animado. A boquinha, muito vermelha de batom barato, era quase um coração.
Gorda sim, mas não roliça. Gorda que mantêm as curvas e as formas, que não parece uma azeitona ou um pino de boliche.
A gorda desceu em Botafogo e andava calma e sonhadora, como só uma gorda poderia.
Dava uma mordida na barra de chocolate e passeava em direção à saída da São Clemente.

16 de novembro de 2009

Daqui e de lá.
-
a única opção é ser discreto,
mas mesmo assim
não muito.
falar e escutar,
roer o próprio osso
ou outro.
sem saco
pra isso
sem saco
praquilo.
dez mil que se parecem entre si.
-
meu cu arde
e o sal acaba no meio da carne assada.
não quero bater palminha,
não vou bater palminha,
me pego batendo palminha.
-
gente-maldita-gente
eu entre eles
e nós,
todos nós,
contando vantagens
uns para os outros.
-
uma beleza.

14 de novembro de 2009

Passeio.

Ressaca curada com PF e vou ao meu Shopping de sábado à tarde que é o Hortifruti e seu ar condicionado perfeito.
  • As mulheres mais lindas do planeta vão ao Hortifruti aos sábados.
  • Uma mãe e uma filha. A mãe belíssima e penso que deve ser terrível ter uma mãe tão bonita assim.
  • Reparo no zelo do velhote que escolhe tomates e imagino, pela quantidade, que é ele, há 50 anos pelo menos, o responsável pela macarronada de domingo.
  • A caixa de amoras é quase um bibelô. Se eu tivesse uma guria linda e esperta me esperando em casa, compraria uma caixinha de amoras pra ela.
  • Ao escolher um bife pro domingo, uma mulher me desdenha. Penso que deve ser uma vaca vegetariana que acha que não comer carne a faz superior.
  • Mulheres elegantes de 40 anos deixam claro, pelas compras, que não têm marido ou namorado. Eu adoraria ser o pau amigo de uma delas: seria generoso no sexo oral e as ajudaria a lavar o alface.
  • Na volta vejo que mesmo entre os prédios as crianças ainda jogam futebol na rua.
  • Agora: arroto meu almoço e confirmo que o PF estava mesmo delicioso.
  • Em segundos: cortinas fechadas, eu peladinho e o ventilador no talo. Depois posiciono a luminária, abro o livro e espero o soninho.
  • Dormir à tarde é quase voltar a ser criança.

13 de novembro de 2009

Cinco dias e cinco noites.

Uma paz quase chata e duas doses antes de dormir.
Tudo lento e sem pressa: meu velho mau humor brotando junto com as minhas ironias.
Uma dose a mais e é possível perder cabeça. Silêncio pra passagem do caixão e farra na hora de beber o morto.
Se dançar é chacoalhar o corpo, eu concluo que também sou dançarino.

12 de novembro de 2009

arms.

Cara virada pro asfalto.
Até a lapa pode ser um paraíso.
Questão de pegada, de jeito de olhar, de dia bom.
Fala-se o caralho a quatro. Devem ser lentos os bons papos.
Recheios pra todas as crianças: fofocas com goiabada, verdades com sorvete e confissões com mariola.
Tudo é uma homenagem e, ao mesmo tempo, uma bobagem que deve ser compartilhada.
Lenta, bem lenta, como deve ser.
Que não eu é que não queimo rádios. Que você é que não trata lesmas com alface.
Papo reto e simples de gente que cresceu e decidiu partilhar umas coisas.
Sem forçar, sem exagerar, sem declarar amor eterno à cada novo porre.
-
Bato três palmas sonoras e calibro meu longo copo de whisky. Sei celebrar sozinho,
mas, as vezes, os amigos colaboram sem saber.
A vida tá acontecendo e o tempo passa veloz e implacável.
Uns seguem e outros somem.
O risco é o mesmo e o trágico
ainda é notar
que você não ouviu
a sua velha intuição
e que, de novo,
era ela,
e apenas ela,
que estava certa.
-
A esperança é que fiquemos mais espertos.
Acho que estou.
E ele também.

10 de novembro de 2009

sem vogal.


Aquela dança era só um jeito de se desesperar. A gente se vira com o que pode e com o que tem. Somos os macacos que em volta de uma árvore inventaram o join de vivre. Não por desejo, mas por tédio.
E tem tanta gente que confunde tédio e desejo que nem falo nada. Minha aparência de arrogante paga seu preço por não ser tão simpática assim.
Mas lá fora tem aqueles dois ou três que realmente importam. Falta a fêmea, a fêmea fatal: guria esperta pra quem venderei minha alma e por quem, no auge da loucura que o amor provoca, jurarei, cheio de sinceridade e crença, que, por ela, deixo de ser eu mesmo e viro seu herói/príncipe dos sonhos encantados.
É por acreditar que o amor existe que eu não danço. Não quero dançar assim: apenas pra provar que também sou capaz de mexer o meu corpo e meu quadril. Se o lance é o desejo e não o tédio, eu berro sem medo de queimar a mão: deseje apenas o impossível.
O possível é o playcenter dos que não acreditam que a vida pode ser melhor. Como quem facilita a sujeira ao se concentrar apenas no lado bom de tudo.
Merda velha e repetida de gente que não sou eu e que não quero do meu lado. Poliana é uma metáfora e não, por Deus, um exemplo que deve ser seguido.
*
No mais, estou pelado e meu pau toca minha canela. Com minhas pernas dobradas, o ventilador ligado e uma música boa, sou capaz de nunca mais sair da minha casa.

8 de novembro de 2009

***
Acordo antes da sete. Lembro da infância e ligo a TV. Criança no domingo acorda e vai direto pra cama dos pais, onde assiste, com interesse médio, o globo rural. Minha mãe fazia torradas e a gente comia. Ficava eu e meu pai lá, comendo torradas e vendo o globo rural.
***
Como acordei cedo, tomei café na padaria e lembrei de quando ela acordava antes e comprava abacaxi no caminhão que ficava aqui do lado. Ela voltava e me acordava com nacos de abacaxi na boca. Tão bom comer abacaxi com a boca pastosa de sono. De manhã ela era falante e, a cada naco, me contava do papo que teve com o dono do caminhão que vinha do Espírito Santo até aqui pra vender abacaxis que na verdade eram ananás. E me explicava a diferença entre um e outro que o dono do caminhão tinha explicado pra ela.
***
Dia com cara de passeio, mas me falta uma boa fêmeazinha. Talvez devesse descobrir o telefone dela e fazer uma surpresa. Seria uma ousadia e tanto. Pra mim e pra ela, acho. A gente caminharia em um lugar bonito, comeria algo leve e saudável e só beberíamos sucos naturais. Um boa fêmeazinha é um perigo: penso até em mudar quem eu sou.
***
Já fiz tudo e mais um pouco, mas as horas passam lentas. Agora uma geralzinha na casa e, quem sabe, uma volta pelo bairro e uma ida ao hortifruti. Nesse calor da preguiça de comer. Talvez devesse ler os livros chatos e voltar a dormir, talvez dobrar as roupas, não sei. Mais um cigarrinho e, depois de cagar, tomo uma decisão. Quem sabe.

6 de novembro de 2009

É essa faca no peito e umas coisas que eu sei.


Porque vivi por aí e me joguei em 3 ou 4 roubadas, vi o inferno 2 vezes e quase conheci o céu uma única vez.
E por isso meço palavras e faço fita. Meu auto controle deseja ser mantido.
Pago os preços e aviso: a paz acaba se uma fêmea ganha estatus de deusa.
Porque mulheres são loucas e todos sabem disso.
Mulher, eu sei, pode me perturbar a alma.
Eu perco a mão, eu topo a merda, eu chafurdo na loucura que se faz pro encontro das carnes - o encontro, o encontro real e raro quando os 4 olhos abertos deixam de ser usados pra enxergar e se tornam uma suruba de anjos.
Os corpos colados, os orgasmos evoluindo em sintonia e uma pulsão de morte na qual você se abandona. A pequena morte da língua fresca, o inferno abençoado pelo padre do Seu Chico e a dissolução absoluta do ego dos meus livros de auto-ajuda.
Por isso e por essas vou manter minha discrição e controlar minha capacidade de delírio.
Fazer de conta que sou indiferente, deixar o telefone tocar e, como sempre, dormir bem bêbado e rezar pra não ter pesadelos.
Têm uns preços altos que se pagam por aí. Arrependimento é um deles. E à merda os imbecis que não se arrependem jamais! Imbecis, eu disse.
Hoje senti uma dor estúpida: lembrei que nunca, nunca mesmo, fui buscar ELA na rodoviária. Meu Deus! Isso faz séculos! E me doeu tanto. E me senti tão idiota ao lembrar de quem eu era lá. Uma pena, uma terrível pena. Até porque nunca mais houve ninguém chegando de ônibus na horrorosa rodoviária do Rio de Janeiro.
Mas o tempo passa e é fatal. Não poderia ter seguido, seria desonesto se tivesse seguido.
Um novo começo cheio de alvoroços seria um milagre maldito que me deixaria doente e satisfeito. O velho delírio do rapto com cavalo branco.
Acho que está claro que a ideia de destino me apraz.
Seja como for, sonho com ela e, sobretudo, que seja ela a figura misteriosa que me caça no google no Sul do país.

5 de novembro de 2009

Hoje sai de casa sem cagar, o que me incomoda profundamente.
Prefiro perder sono à sair assim. Geralmente adianto o relógio, preparo o café, bebo e espero a pressão. Então fumo meu primeiro cigarro durante o ato como se fosse um cronômetro.
E assim saio preparado para enfrentar o imenso mundinho.
Mas hoje o sono tava bom e o sobre o calor nem comento. De forma que nem caguei e meu cronômetro ficou desregulado e passou o dia inteiro a me cobrar miudezas.
E fui pra lá e pra cá e, bem, confesso que prefiro mesmo é não sair de casa. Essa coisa de fazer mil atividades pra completar o dia me parece estúpido. Não é completando cruzadinhas que me sentirei mais vivo. Eu não, pelo menos.
Pra terminar, minha casa só minha e meu banheiro só meu. Não tá limpo, mas é confortável. Cago lento e impassível e agradeço que amanhã as cruzadinhas serão só minhas e secretas - que é assim que deve ser.
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Meus pés ainda doem, mas meus amigo me tranquilizam: - não é gangrena, idiota!
Confio neles.