Ela me disse coisas bonitas. Como: - de quatro eu dou pra idiotas, quando eu gosto de alguém, eu quero é papai e mamãe.
Ela tinha essas frases de efeito e me impressionava. Eu podia amar ela pra sempre, eu podia a achar perfeita. Ela gostava de mentir pra mim e eu gostava de acreditar nas mentiras dela. Éramos perfeitos.
No dia 2 de Julho de 2009 ela falou sobre o ex-namorado. Achei chato, mas achei normal. Em algum momento os/as ex viram assunto. É normal. Chato e normal, enfim.
De quatro, mas com muito orgulho. Me senti mal. Eu enfiava porque era esse o meu papel. O enfiador. De quatro. Poderia ter sido um milagre. Mas nem. De quatro. O espelho do quarto foi o grande privilegiado.
Outra frase bonita foi: - nunca me diga eu te amo. Deus! Quantas frases! Quantas coisas! Essas mulheres querem me impressionar! Eu me impressiono!
Era 10 de Julho ou menos. Eu queria fazer amor. Não falei pra não oprimir. Fazer amor é opressivo, havia me dito uma ex que adorava dar de quatro.
Então fui discreto, mas desejava: fazer amor, fazer amor...
Dois meses depois, ela me chamou prum café. Queria conversar. Eu topei. Era merda que viria, mas, bem, o que fazer? As merdas estão por aí e, cedo ou tarde, elas serão ditas pra você durante um café. Eu disse, não disse?
Ela: - meu ex me perturba e não estou livre pra você. Desculpe.
Eu desculpei. Ficar com raiva nem fazia sentido. Ela era apenas a garota com ótimas frase e ótimo corpo. A garota que eu poderia mil coisas, mesmo sem nada. Acontece.
Hoje - 17 Julho de 2010 - o que me impressionou foi a barriga. Imaginava quase tudo, mas fiquei surpreso com a gravidez. Ela até me agradeceu. Disse ser eu o responsável por ter despertado seu instinto maternal. Disse que isso? e ela se foi.
Agora fumo meus cigarros tentando achar sentido nas coisas. Não consigo. Não há sentido nas coisas. Ela está grávida de outro e, infelizmente, eu nem me importo. Acho uma pena eu não me importar, mas acontece. TUDO acontece. E TUDO, a gente sabe, não importa.
Nunca importou.
18 de julho de 2010
17 de julho de 2010
16 de julho de 2010
originalidade é bobagem.
Tomo vinho vagabundo e me sinto bem. Comprei duas garrafas: um seco e outro suave. Vinho vagabundo, eu disse. Ambos brancos.
Enfio as rolhas pra dentro (meu saca-rolha quebrou na primeira tentativa) e misturo os dois em um jarro. Bebo em uma caneca branca.
Concluo que eu tenho estilo.
Bobagem.
Ouço uma música bonita da Tiê em blogue alheio e penso que, se a música fosse pra mim, eu poderia me apaixonar.
Apaixonar.
Paixonar.
Faz tempo que não tenho uma paixão da boa. Com paixão da boa quero dizer: eu estar apaixonado e ela não. Paixão livre, onde só um apaixonado dá conta da coisa toda. No caso, eu.
A última, com essa pegada, foi há mais 2 anos atrás - ou 3? Eu apaixonado declarado e ela não. Eu lutava. Eu queria a conquistar. Eu dizia coisas lindas pra ela e tentava a agradar com presentinhos e exageros. Comprava bilhetinhos da loto pra ela...
A gente conversava de madrugada pelo telefone e eu sempre, sempre mesmo, me declarava. Era bom pra ela e pra mim. Uma paixãozinha da fina e generosa, onde um alimentava o outro.
Durou três meses e nem houve carne. Por orgulho meu e teimosia dela. Mas não importa. Eu tava paixonado e queria a conquistar. Era bom, falso e vital.
Uma portuguesinha me tirou da rota. E ela saiu da rota também: um novo namorado que, se não me engano, dura até hoje.
Resta a saudade e a boa lembrança.
Agora, semi-bêbado, penso nessas paixões cheias de paz, onde se expor apaixonado nem doía nem nada.
Paixonites cheias de milagres, delírios e ternuras.
Minha última paixão, por exemplo, me deu muita ternura. Assim como guardo da Fran-Fran uma boa lembrança até hoje. E isso apenas porque foi o que foi: uma paixonite cheia de paz.
Bem diferente o amor e/ou o envolvimento real. Paixão é mais simples, sejamos francos.
Sinto saudades. Mas, sendo honesto, eu sempre sinto saudades.
O passado, na minha cabeça, é quase sempre melhor. Ta aí a Preta e o início do Rj ou Sp com 19 anos. Em 2001 eu era o cara. É fácil ser o cara em 2001.
Agora, 2010, me acho muito mais inteligente, mas isso é besta. Como besta sempre é. Agora tenho mais deboche e nem me engano com tanta facilidade.
Vantagem e desvantagem em tudo. É o que sempre digo: o conta gotas fatal e a administração do tédio, da glória e do terrível.
Enquanto eu estiver vivo, vou me repetir. Só quando estiver morto - e que demore bastante - serei original.
Ser original... outra bobagem.
15 de julho de 2010
A solidão volta a afagar.
Talvez sejam os dias de chuva e o sono pesado. Talvez a distância e o esquecimento. Alimento-me quase sempre em casa e assisto TV por horas: Houses antigos e Lei e Ordem. Quase não bebo.
Meu edredon faz meu pau ficar duro. Mexo nele, converso com ele: - segura as pontas, garotão. Eu e meu pau, velhos conhecidos.
Depois da mania de fritar bifes, veio a de comer cenoura ralada com sal e limão. Agora me dedico à omeletes. Penso que os ovos são um presente de Deus - mentira. Lembro da minha mãe me aconselhando quando falo que nem sempre sei o que cozinhar: faz um omeletinho. meu filho...tão fácil...
Nos omeletes de agora crio experimentos: Curry nos ovos e coisas do tipo. Até omelete doce eu fiz. Claro que não deu certo.
Olho pro relógio e penso que tenho que ir ao banco. Missão de merda conversar com o gerente. Devia ter aparado a barba e cortado o cabelo pra isso. Gerentes de banco levam à sério essa coisa de aparência.
Meu edredon faz meu pau ficar duro. Mexo nele, converso com ele: - segura as pontas, garotão. Eu e meu pau, velhos conhecidos.
Depois da mania de fritar bifes, veio a de comer cenoura ralada com sal e limão. Agora me dedico à omeletes. Penso que os ovos são um presente de Deus - mentira. Lembro da minha mãe me aconselhando quando falo que nem sempre sei o que cozinhar: faz um omeletinho. meu filho...tão fácil...
Nos omeletes de agora crio experimentos: Curry nos ovos e coisas do tipo. Até omelete doce eu fiz. Claro que não deu certo.
Olho pro relógio e penso que tenho que ir ao banco. Missão de merda conversar com o gerente. Devia ter aparado a barba e cortado o cabelo pra isso. Gerentes de banco levam à sério essa coisa de aparência.
14 de julho de 2010
o eterno sorriso.
Vem pelo calcanhar como uma cobra. Enrola-se na minha perna e aperta. Mantém-se apertada até doer os músculos. A dor não é causada pela pressão em si. É causada por pressionar há muito tempo. O pé vai ficando roxinho e a circulação interrompida faz com que a dor deixe de ser sentida. É uma gracinha do mundo: por excesso de dor, a dor parece não existir.
Agora o pé já tá preto e os dedos caem um à um. Quem precisa de um pé? Quem liga pra um pé? A perna, toda roxinha, começa a desmanchar também. Vai-se a perna junto com a cobra. O problema está solucionado e não há mais cobras. Agora, finalmente, posso viver sem me preocupar. Mas, às vezes, parece faltar algo.
Sinto falta da perna ou sinto falta da cobra?
13 de julho de 2010
pós - parto?
os cachorros estão rosnando, dentro e fora de mim. eu vou fazer de conta que eu não me importo. meu desejo é não me importar. ser um velho canalha que trata mal todos tirando proveito da velhice. velho que rouba lugares sentados em ônibus. por agora deixo os cachorros rosnarem e ofereço carne. carne velha e podre. que eles ocupem seus caninos com essas carnes. eu tô fora. eu sou chato e acho tudo uma chatice. ouvi parabéns demais pra acreditar em parabéns. eu não quero nada ou quero a glória. exercer simpatia me cansa, como se assim eu antecipasse a morte. não quero conversar com ninguém. quero apenas saber como termina a batalha do velho com o peixe no livro da vez. quero dormir enquanto eu leio e não quero sonhar com boquetes, bucetas ou mortas que ressuscitam. quero uma casa de onde possa ver o mar e um emprego público e medíocre. não quero mais desejar grandezas e sonhar. foi só que fiz sempre. eu mesmo. meus dedos querendo apontar pra frente e meu maxilar travado. o mundo, meu velho inimigo. provando que ser legal é mais importante que competência, mostrando que todo bem sucedido é apenas dono de uma rede de amizades influentes. eu desejei grandezas por tempo demais. estraguei minha vida assim, perdi tempo assim. quero apenas um jogo de cartas e carne assada aos sábados. entrar na merda profundamente. a ponto de se confundir com ela e parar de pensar. quero dormir. quero dormir 19 horas por dia e não ter sonhos ou pesadelos. 5 horas acordado com talvez 5 min. que valham a pena. impossível suportar a vida real. impossível ter esse blogue tacanho que tenta, em vão, substituir a terapia e os calmantes tarja preta. quero sumir e não dar nenhuma satisfação. ser aquele que desapareceu e que nunca mais foi visto até o esquecimento completo. como se eu pudesse morrer sem ter nascido. como se num estalo eu pudesse desaparecer. só importa o velho e o peixe. a luta real. a única luta real. que só sobra a repetição. minha, do mundo e de todos. repetição que perdeu a graça quando fiz 25. repetição que insistirá até o dia fatídico. é fácil reconhecer a merda espalhada. raro é perceber a merda que não vale a pena durante a cagada.
12 de julho de 2010
sobreviver não importa.
No meio do mundo percebo que eu sou um cara doce. Isso mesmo: d-o-c-e. É claro que é estúpido isso. Se sentir doce é idiota. Mas é o que é. Me vejo no mundo e, depois de muito pensar, concluo: sou um cara doce.
Essa conclusão não quer dizer nada. Não é boa nem ruim. Conclusão morna, honesta e quase contra mim. Meu putaquepariu chora baixinho. Porque há uma bela vitalidade no ódio, porque há grande prazer na raiva e na loucura.
(e devo admitir que uma coisa não impede a outra)
Talvez esteja mais velho, talvez mais tolerante, talvez mais besta e mais conformado. Tanto faz. As coisas mudam. E as coisas mudarem é um treco bacana - mesmo que as mudanças não sejam as revoluções que secretamente desejávamos.
Mais velho, mais esperto e menos passional. E, veja, eu gosto da passionalidade, eu admiro o sangue da passionalidade. Atitudes passionais são sempre encantadoras - para o bem e para o mal.
Mas a gente tem que viver e vive. Há que se ter alguma proteção contra a merda toda. A maturidade é uma proteção - e apenas isso.
Eu sorrio e sou quase sincero. Queria que algumas pessoas vissem minhas peças e lessem meus escritos. Eu gosto da vida, mesmo não achando tudo uma maravilha. É decente isso. Eu acho.
Pela frente a nova semana e meus 3 pontos de atenção. Sou eu mesmo. Mais velho e menos passional. Algum método para aproveitar o tempo e as esperanças mais lindas que sempre alimento com enorme carinho - como, afinal, faz todo cara doce.
11 de julho de 2010
Anti Cia de Teatro.

Há muita ternura no sentimento de posse. Há quem não entenda isso. Há quem ache que todo sentimento de posse é opressivo. Acho isso um jeito estranho de entender a liberdade. Como se só fosse livre aquele que não tem nada ou ninguém. Minha liberdade é escolher os meus e me dedicar à eles. Minha ternura se expressa assim. Gosto de julgar as pessoas para que elas se tornarem únicas. Desprezo, com toda a minha força, esse papo de que 'somos todos iguais'.
1107
As coisas são lentas e sinistras. Eu gosto. Eu em uma versão que topo.
Crianças dançam enquanto eu fico na cabine. Sou justo e generoso, na medida do possível.
Imagino bucetas de ouro e aperto botões cheios de incrível tecnologia. São milagres esses botões. Cada cor é uma coisa. Cores obedientes e submissas. Eu aperto, eu aperto.
Olho pra fora e desconfio de tudo. Somos simpáticos e dizemos parabéns! Lembro das minhas sobrinhas e resolvo dançar também. Sim-pa-tia.
Eu rio. Eu me divirto. Eu não acredito em nada do que eu vejo. Eu sou egoísta. Melhor: eu sou melhor quando eu sou egoísta. Eu sou cínico também. Eu disfarço.
Os dentes muitos brancos me lembram novas pastas de dentes.
Os olhos amarelos são problemas de fígado. Ou rins. Ou rins!
Crianças dançam enquanto eu fico na cabine. Sou justo e generoso, na medida do possível.
Imagino bucetas de ouro e aperto botões cheios de incrível tecnologia. São milagres esses botões. Cada cor é uma coisa. Cores obedientes e submissas. Eu aperto, eu aperto.
Olho pra fora e desconfio de tudo. Somos simpáticos e dizemos parabéns! Lembro das minhas sobrinhas e resolvo dançar também. Sim-pa-tia.
Eu rio. Eu me divirto. Eu não acredito em nada do que eu vejo. Eu sou egoísta. Melhor: eu sou melhor quando eu sou egoísta. Eu sou cínico também. Eu disfarço.
Os dentes muitos brancos me lembram novas pastas de dentes.
Os olhos amarelos são problemas de fígado. Ou rins. Ou rins!
9 de julho de 2010
relatinho.
A calma vem como uma decisão. Era de manhã e tive sonhos verdadeiramente terríveis. Eu me perdia dentro de uma festa onde apresentaria meu teatrinho. Pesadelo sem saída é quase um clássico.
Demoro pra acordar e desisto da visita. Telefono pra saber das coisas e me programo pra terça visitar o gringo convalescente. É um mundo estranho e cheio de gracinhas. Pessoas ficam doentes sem razão ou explicação.
O café é meu amigo e me proporciona uma cagada divina. Cago com precisão e prazer. A bosta que sai de mim é uma dádiva e um orgulho. Tudo meu.
Faço circuitos idiotas pelas internet. Não quero atacar meu problema. Olho pro puto e digo "daqui à pouco". Meu problema sorri e diz "estou te esperando, gatinho".
Telefonemas estranhos vêm me perturbar. Decido que nada me abalará hoje. Apenas hoje. Troco uma nota de cem reais no almoço por kilo e me sinto preparado para tudo. Uma bobagem séria que me alimenta.
Ataco meu problema pelas beiradas. Faço contas precisas. Não tenho tempo e falta de tempo, agora, é vantagem. Uma coisa de cada vez. Visões infernais: glória e fracasso de mãos dadas. Não me importo. Bunda na janela e cara à tapa. Eu sou eu. Eu faço o que eu faço. Eu também sei ser simpático com os imbecis.
Meu problema tá quase resolvido. Preciso achar as palavras. Aquilo que posso dizer e mudar através das palavras. Sem frescura, sem mentira e sem desespero. Invisto na calma e no controle. Sem ilusão sobre esse sexo fudido de ejaculações precoces. É a clareza que encanta. Um tesão antigo de repetir o que se sabe fazer.
Eu entre os outros. Tudo certo. Cada um faz o que pode, o que acredita, o que deseja, o que consegue. Estamos no planeta e entendemos bem mal a vida. Sou um Cristão e compreendo a dor do mundo. Sou irmão de todos na dor que sentimos. Cogito até fundar uma igreja.
Uma voz doce se destaca e me imagino tendo filhos com ela. O tesão do delírio. O delírio e suas coisas. Uma voz e meu delírio. Só faz sentido fazer teatro se esse teatro dialogar com o delírio, é o meu caga regra.
A casa, a música, a cerveja e o blogue. Nostalgia é um treco bacana. Cansaço é uma satisfação natural e estúpida. Tô no mundo e vivo. Morro de medo e sinto grandes alegrias. Acredito em milagres e ainda sinto tesão em mulheres sem sutiã.
Paz, acho, passa por aí.
Demoro pra acordar e desisto da visita. Telefono pra saber das coisas e me programo pra terça visitar o gringo convalescente. É um mundo estranho e cheio de gracinhas. Pessoas ficam doentes sem razão ou explicação.
O café é meu amigo e me proporciona uma cagada divina. Cago com precisão e prazer. A bosta que sai de mim é uma dádiva e um orgulho. Tudo meu.
Faço circuitos idiotas pelas internet. Não quero atacar meu problema. Olho pro puto e digo "daqui à pouco". Meu problema sorri e diz "estou te esperando, gatinho".
Telefonemas estranhos vêm me perturbar. Decido que nada me abalará hoje. Apenas hoje. Troco uma nota de cem reais no almoço por kilo e me sinto preparado para tudo. Uma bobagem séria que me alimenta.
Ataco meu problema pelas beiradas. Faço contas precisas. Não tenho tempo e falta de tempo, agora, é vantagem. Uma coisa de cada vez. Visões infernais: glória e fracasso de mãos dadas. Não me importo. Bunda na janela e cara à tapa. Eu sou eu. Eu faço o que eu faço. Eu também sei ser simpático com os imbecis.
Meu problema tá quase resolvido. Preciso achar as palavras. Aquilo que posso dizer e mudar através das palavras. Sem frescura, sem mentira e sem desespero. Invisto na calma e no controle. Sem ilusão sobre esse sexo fudido de ejaculações precoces. É a clareza que encanta. Um tesão antigo de repetir o que se sabe fazer.
Eu entre os outros. Tudo certo. Cada um faz o que pode, o que acredita, o que deseja, o que consegue. Estamos no planeta e entendemos bem mal a vida. Sou um Cristão e compreendo a dor do mundo. Sou irmão de todos na dor que sentimos. Cogito até fundar uma igreja.
Uma voz doce se destaca e me imagino tendo filhos com ela. O tesão do delírio. O delírio e suas coisas. Uma voz e meu delírio. Só faz sentido fazer teatro se esse teatro dialogar com o delírio, é o meu caga regra.
A casa, a música, a cerveja e o blogue. Nostalgia é um treco bacana. Cansaço é uma satisfação natural e estúpida. Tô no mundo e vivo. Morro de medo e sinto grandes alegrias. Acredito em milagres e ainda sinto tesão em mulheres sem sutiã.
Paz, acho, passa por aí.
até 7.
- É cruel e fatal. De repente vira pó. É como a música infantil. Era vidro e se quebrou. E fico quase chocado. Porque de tão claro e óbvio não poderia ser claro e óbvio. Como explicar? Impossível explicar. O tempo mais preciso do mundo, a coincidência mais surpreendente do planeta. O óbvio ulula e choca. Como um piano que só cairia na sua cabeça naquele exato segundo. Quase um desenho animado.
- Ele chorou, mas eu desconfiei. Ele chorou grosso demais. Ele até queria chorar, mas não conseguiu. Eu, alí, pra ele, era seu terapeuta cheio de consolos e soluções. Mas eu não sou seu terapeuta e desconfiei do choro com razão. Tentar chorar é legítimo. Chorar de verdade é outra história. Querer um cúmplice pro próprio choro é ainda mais em baixo. Eu entendi seu desespero, mas dizer pra ele que eu havia entendido isso seria um erro tremendo.
- Às vezes me sinto muito hábil. Há o mundo e há eu. A gente se estranha faz tempo. Mas estou no meio da turma e converso com todos. Fico surpreso e me sinto idiota. "É simples porque é besta", é a minha conclusão.
- Dançar com garotas lindas e pedir perdão. As mulheres do Século XXI adoram perdões. Elas se sentem femininas ao maltratarem homens. Elas dizem que são livres e mostram os dois dedos que usam para tocar siriricas.
- Contra tudo e contra todos, eu resolverei as merdas que eu tenho que resolver. A merda é o aspecto coletivo do maldito teatrinho que eu faço. Minhas migalhas eu garanto. Mas até aí.
- Cada vez mais penso em mulatas e negras. Mulatas e negras me parecem perfeitas. Deliro que suas bucetas rosas me trarão a glória da grande trepada que não tenho há a algum tempo. Claro está que todo sexo casual e tacanho é feito em busca cega pela grande trepada. A velha ilusão, afinal.
- A bicha gorda berra que precisa se expressar. A bicha gorda se sente estranha e capaz. Diz que gosta de tocar punheta pensando em mulheres mortas. A bicha gorda é um cavalo na minha coluna. Ela - a bicha gorda - me manda um torpedo onde diz eu te amo.
7 de julho de 2010
Teatro Irresponsável.
Mais um sonho na caixinha.
Ser especialista em coisas inúteis tem seu tesão e sua glória.
Migalhas gordas que alimentam um tipo de gente.
A tosse e a costela fraturada não é o que importa.
Pouca coisa importa.
Muito pouca coisa importa.

6 de julho de 2010
beiradinha.
dizer eu te amo e depois até logo. contar vantagens pra idiotas e entregar cartões com nome, número e e-mail. bater palmas e sorrir. espremer cravos em coxas bonitas e ir ao cinema sempre aos mesmos horários. cultivar paixões. inventar amores. ver a morte e oferecer um chocolate. ser descolado e simpático. criar um blogue. alimentar um blogue. usar o blogue pra punhetas antigas. eu te amo e até logo. cortar o cabelo e aparar a barba. falar sobre as mulatas fantásticas que adoraria comer. ligar a TV e ver a TV. perceber a eficiência americana. punheta. punhetas pras milfs. as milfs. freudinho caolho sussurrando vai lá, garotão. os fuzis pra fora do carro dos policiais cariocas. a jogoda. a passagem comprada. nova iorque, bayb, nova iorque! festivais que elogiam seu períneo. festivais sem festas em bela escala industrial. a boca seca e o elogio mais imbecil do mundo fazendo você se sentir muiiitoo bem. a punheta. o pau mole. a buceta. o desejo achando que é mais que desejo. a punheta. a foda fantástica. o blogue, o blogue, o blogue. a desculpa recalcada em atitudes generosas. a mentira, a punheta, o blogue e as paixões sazonais. o jogo. a alemanha fudendo o maradona. a tristeza. a tristeza e a fuga. o equilíbrio. o buda-gordão de costas pra rua: clássico, clichê e eterno. o budão.
4 de julho de 2010
)(
Vejo uma garota de bicicleta. Penso que poderia ser você. Estou atravessando a rua e estou sem óculos. Espremo meus olhos em frente a padaria pra tentar distinguir alguma coisa, mas sem sucesso. Acho que não era você. Concluo que achei que poderia ser pelo jeito que a garota pedalava - com força na parte da frente das pernas. E também por ser uma garota grande em uma bela roupa florida.
Volto pra casa com as cervejinhas e o cigarro e penso que beleza seria:
Você me atropelando com sua bike como numa comédia romântica americana.
Câmera lenta: meu passo na rua, o pneu da bicicleta batendo na minha perna e nós dois caindo atrapalhadamente (comédia, lembra?).
Daí a gente se levantava e se via. Agora teria aquele maravilhoso clichê do tempo que pára quando os dois amantes se olham no olho um do outro. Câmera lenta abruptamente interrompida. Os amantes se reconhecem:
- não acredito.
- nem eu.
- você não olha por onde anda, não?
- você não sabe andar de bicicleta?
- você sempre me atrapalha!
- você que me atrapalha! Quem mandou passar de bicicleta em frente à minha casa?
- ah...a culpa é minha, né? A rua é sua, né?
- que idiota...olha só o que você fez...
- e você...olha aqui, olha aqui!
- machucou?
- um pouco...
- deixa eu ver.
- ai!
- tá doendo?
- claro, né?
- deixa eu dar um beijinho que passa...(beija)
- que nojo!
- o quê?
- beijar meu joelho esfolado! que nojo! é bem a sua cara isso! se mete na minha frente, faz eu cair e machucar o joelho e depois acha que um beijinho resolve...você se acha, né? aposto que acha que eu passei aqui de propósito, né? cara, sério...você é muito...
- (ele interrompe a fala dela com um beijo na boca)
- você é louco!
- você é linda!
- cara...você não pode fazer isso não...acha que eu sou o quê? você se mete na minha frente, faz eu cair e agora vem e faz de conta que...
- (interrompe a fala e a beija)
- que mania, cara!
- você é linda!
- olha, para com isso...acha que eu sou criança, é? acha que falando isso, você vai...
- (interrompe a fala e a beija. beijo mais longos que os anteriores)
- cara, você é muito idiota, sabia?
- sabia.
Ele se levanta e a ajuda se levantar. A câmera se afasta. Vão pro canto da rua. Não ouvimos mais o que eles dizem, mas o padrão se repete: ela falando e ele a interrompendo com beijos. A câmera se afasta cada vez mais. Os dois viram apenas dois pontinhos distantes no meio da Rua da Passagem.
---FIM---
3 de julho de 2010
du bar.
Vejo garotas lindas que passam de cabelo molhado pelas ruas de Botafogo.
Agradeço a distância imaginando que seus cabelos estãos cheios de creme pós-lavagem.
Penso nas vantagens da distância e lembro da garota mais linda do Sul e Sudeste do país:
gostosa, tesuda, impossível e casada.
Perfeita, em outras palavras.
1 de julho de 2010
"eu ligo o rádio e bláblá..."
Reviro meu caderno porque desejo atualizar o meu blogue. Não acho nada e venho aqui. Vaidade velha de guerra pondo as manguinhas de fora. Tanta bobagem, meu Deus, tanta bobagem!
Se minha vaidade fosse mais eficaz, se, além de desejar atualizar meu blogue, eu quisesse, por exemplo, conquistar uma fortuna... sei lá...me soaria mais decente.
É estranho admitir que a minha punheta me satisfaz. Se, além de ambicioso, eu não julgasse minha ambição seria melhor, é minha conclusão.
Mas fazer o quê? Tenho tesão em enfiar o dedo na minha cara e me acusar. Gosto disso em mim e gosto disso nos outros. Auto acusação é algo que aprecio.
Então olho meu umbigo e penso em mim. É bacana ser eu mesmo. Mas não porque eu me adore. É porque, acho mesmo, falta humor e deboche nos outros.
E humor e deboche, a gente já aprendeu, precisa de um mínimo de auto crítica - como o Kaufman notando a farça de um curandeiro.
Se minha vaidade fosse mais eficaz, se, além de desejar atualizar meu blogue, eu quisesse, por exemplo, conquistar uma fortuna... sei lá...me soaria mais decente.
É estranho admitir que a minha punheta me satisfaz. Se, além de ambicioso, eu não julgasse minha ambição seria melhor, é minha conclusão.
Mas fazer o quê? Tenho tesão em enfiar o dedo na minha cara e me acusar. Gosto disso em mim e gosto disso nos outros. Auto acusação é algo que aprecio.
Então olho meu umbigo e penso em mim. É bacana ser eu mesmo. Mas não porque eu me adore. É porque, acho mesmo, falta humor e deboche nos outros.
E humor e deboche, a gente já aprendeu, precisa de um mínimo de auto crítica - como o Kaufman notando a farça de um curandeiro.
30 de junho de 2010
minha gorda emergente.
Os olhos tinham ficado pequenos e ela tinha engordado. Eu não gosto de mulher gorda porque eu sou gordo. Tenho preconceito com casais de gordos. Imagino dois gordos trepando e vejo um balé horroroso.
Ela continuava legal. Legal. Eu sei lá o que quer dizer legal. Um monte de gente é legal. Eu sou legal. Ela é legal. O mundo é legal. Legal é pura bobagem.
Gorda e legal. Pensei nisso e não descobri nada. Se fosse feia e burra, linda e inteligente ou legal e simpática eu até entendia. Mas gorda e legal não me ajudou em nada.
No bar eu tentava achar um monte de solução pras coisas sérias. Eu não conseguia. Olhava os camaradas do balcão e torcia, secretamente, pro time da Argentina. Eu era justo. Dois gordos trepando...meu Deus!!
Quando deitei meu pulmão apitou. Cada aspirada era um piiiii. Maldito cigarro. Cerveja aumenta os cigarros. Sorte que não uso cocaína. Aumentaria a cerveja e, consequentemente, os cigarros. Sorte. Piiiii.
Punhetinha pra dormir melhor: natural e inofensivo. Vou imaginar a gorda de olhos pequenos. Vai, vai! Come a gorda, cachorrão!
Até que gozei legal. Devia comer essa gorda. Minha casa não tem espelhos e nem precisamos de motel. Gorda bacana, deve arregalar os olhos quando goza.
O lance é me preparar pra gorda. Vou dormir pensando na gorda. Gorda com olhos arregalados deve ser um barato. Vou dormir pensando na gorda.
Dorme, cachorrão, dorme! Dorme e sonha! Sonha com a gorda, cachorrão, sonha!
29 de junho de 2010
- auto ajuda -
pra pôr as garras e ligar o foda-se. e se incomodar menos e viver melhor. e não querer nada muito. e entender que ser morno não é pecado. não se preocupar com a verdade e berrar para impressionar: "- não acredito em verdade e mentira, em bem e mal, em claro e escuro...transcendi...estou além das diferenças."
e mais importante do que berrar essa bobagem, é crer nessa bobagem.
assim, plenos de bobagens, nos sentiremos ótimos e livres.
28 de junho de 2010
conto histórias.
Conto histórias.
-
E também vejo o jogo Argentina X México no bar.
Torci pro México se aproximar no placar, mas não deu certo.
Ta lá o Maradona com seu carisma de bandido.
Ta lá eu, no bar, querendo que o México empate
para que haja mais jogo.
Sou uma criança e sou um romântico.
Quero o que não tenho
e privilegio o impossível.
Ponho minhas manguinhas de fora.
Eu mesmo,
muito prazer.
-
Em casa, abro arquivos e reviso sonhos.
Sou uma criança que ouve CBN
e espera o Gikovates e suas soluções.
Como se fosse simples.
Como se fosse simples e possível.
Eu mesmo, muito prazer.
-
Minha diversão sou eu mesmo e os meus.
Minha velha mania de separar o joio do trigo.
Eu pago meu preço
e troco alhos por cebolas.
Eu mesmo, de novo.
-
Mas há a noite com lua cheia
e os gritinhos que se empolgam.
Eu trepo por aí,
pagando mais ou menos,
eu trepo por aí.
O discurso é que
alma e sexo
não se confundem facilmente.
-
Eu me sinto bem.
Mesmo mentindo,
eu me sinto bem.
Em outras palavras: eu me defendo.
-
Então faço de conta
e finjo que os prazos de agora
só precisam de definição no futuro.
Eu também jogo,
mesmo quando prefiro não jogar.
É o preço que se paga.
-
Eu mesmo,
muito prazer.
-
E também vejo o jogo Argentina X México no bar.
Torci pro México se aproximar no placar, mas não deu certo.
Ta lá o Maradona com seu carisma de bandido.
Ta lá eu, no bar, querendo que o México empate
para que haja mais jogo.
Sou uma criança e sou um romântico.
Quero o que não tenho
e privilegio o impossível.
Ponho minhas manguinhas de fora.
Eu mesmo,
muito prazer.
-
Em casa, abro arquivos e reviso sonhos.
Sou uma criança que ouve CBN
e espera o Gikovates e suas soluções.
Como se fosse simples.
Como se fosse simples e possível.
Eu mesmo, muito prazer.
-
Minha diversão sou eu mesmo e os meus.
Minha velha mania de separar o joio do trigo.
Eu pago meu preço
e troco alhos por cebolas.
Eu mesmo, de novo.
-
Mas há a noite com lua cheia
e os gritinhos que se empolgam.
Eu trepo por aí,
pagando mais ou menos,
eu trepo por aí.
O discurso é que
alma e sexo
não se confundem facilmente.
-
Eu me sinto bem.
Mesmo mentindo,
eu me sinto bem.
Em outras palavras: eu me defendo.
-
Então faço de conta
e finjo que os prazos de agora
só precisam de definição no futuro.
Eu também jogo,
mesmo quando prefiro não jogar.
É o preço que se paga.
-
Eu mesmo,
muito prazer.
27 de junho de 2010
no apartamento.
Preparo meu sanduíche de atum com salada e queijo. Não quero sair, não sinto vontade de ir à festinha. As mesmas pessoas de sempre e eu o de sempre também. Prefiro meu sanduíche de atum e jujubas. Hoje comprei jujubas. Gosto de jujubas.
Há novos canais na TV. Em um os roteiristas americanos criam grande frases de efeito como "Mentir para um homem morto é como mentir para si mesmo", em outro há suecas com peitos enormes, risadinhas e vozes anasaladas dizendo "oh, yes! Oh, God!".
Então como meu sanduíche e troco entre os dois novos canais.
É sábado a noite e na festinha devem estar falando sobre a lua.
Melhor ficar em casa.
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