28 de julho de 2010

nove.

  1. Aquela língua que se enfiava na minha boca durante a noite me fazia bem. A conveniência mais sincera e mais tola. Lamber. Lamber como os cachorros lambem, igual eu escutava na infância: sabia que cachorro lambe porque não sabe beijar?
  2. Tinha o pau duro. O riso era travado e o corpo era aberto. Sempre o sr. Álcool forjando intimidade e desculpas. Eu me desculpava e ela também. Dois desculpadores lado à lado...parecia tão perfeito, mas nem era.
  3. Falava da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Dizia que só lá havia o mundo real. Eu não sabia o que era o mundo real. Eu pensava: por que, então, na mora no tal mundo real?
  4. A boca pintada de batom parecia um coração. Uma coisa muito linda: eu sendo chupado por uma mulher que nunca havia tomado sol em toda sua vida. Parecia uma grande coisa, mas era bobagem.
  5. Vampiros soltos e amigos que dizem ter parado de usar cocaína. Deus abençoou o RJ, segundo a mãe de um grande amigo. A mãe desse meu amigo, numa foto que vi, tinha, por coincidência, a boca em forma de coração.
  6. Quero a glória, entendeu? Eu disse sim e menti. Ela mentia também. Não queria a glória. Queria era que eu me masturbasse pensando dela. Eu me masturbava pensando nela. Depois entendi: ela se sente mulher quando algum idiota lhe dedica uma punheta.
  7. Essa coisa de reparar com quem fulano anda é bíblico. Por um lado, parece apenas mais um preconceito cristão. Por outro, é o óbvio sendo ululado por um Jesus pintado pelo A. Warhol.
  8. A louca de rua berrava, como quem diz uma pérola: "depois que fechar os olhos, acabou. aproveitem enquanto estão vivos". Até tentei encarar o que ela dizia como algo fodão por ela ser uma autêntica louca de rua. Mas nem deu: ser maluca não a impedia de falar merda.
  9. Arrancar os cabelos e comer a raiz do couro cabeludo. Há uma grande explicação psicológica pra essa patologia. Algo como: no oculto há a ideia de essência. É bacana de pensar isso, mas, cá comigo, penso que só mesmo um cretino arranca os próprios cabelos. Ainda mais se faz isso pra achar o que quer que seja.

27 de julho de 2010

Eu ia escrever um monte de coisas.
Mas, daí, por motivos que não conto, mas que sei quais são, desisti.
Vou apenas preparar meu sanduíche e deitar - assim, como quem confessa um desejo do qual sente medo.

25 de julho de 2010

O incrível carrossel com cavalinhos gigantes.


É a vida/vidinha e toda a jogada. Hoje, com medinho de que o teatro não enchesse, descobri que sou uma putinha. Foi só os clientes chegarem que a maquiagem foi retocada e a paz renovada. Putinhas. Putinhas tristes que se satisfazem com excesso de picas em uma mesma noite.
Tudo certo.
Então a gente faz nossa peça e ela é o que é. Não é um sucesso, não é um fenômeno e, definitivamente, não agrada aos nossos pares. É um fato: nossos pares - gente de teatro - torce o nariz praquilo, com o papinho conhecido: "parabéns, é divertido" ou "parabéns, me diverti".
E, na verdade, to pouco me fodendo. Quando lembro das coisas que os nossos pares gostam e admiram, concluo: melhor assim.
Porque há esse fetiche pela arte, a arte como uma sabedoria superior e dona de um conhecimento 'especial'. Então prefiro que os meus pares apenas se divirtam e torçam os narizes. Eles gostam da arte séria e sagrada, a arte-salvação que é muito limpa e bem feita, mas que renega o desbunde e o prazer puro e simples que é assistir uma peça de teatro.
E, nessas, como boa putinha, desejo apenas que o público continue vindo. As velhinhas de Copa, os casais que bebem e berram durante a peça, a mãe separada e a filha adolescente com as amigas.
Agora sou mais uma putinha satisfeita e, como tal, desconfio das mulheres que super valorizam o tesão que dizem sentir. Elas entendem tudo de tesão, mas o sentem pouco. Elas gostam mesmo é da cara de tesão que elas fazem diante do espelho.
Eu entendo, eu até topo, mas, cá comigo, prefiro quando uma putinha faz a cara mais feia e estranha durante o orgasmo. Isso, pra mim, é o que parece real.

síntese

Tesão
em mulheres
desconhecidas.
Não,
isso não
é vida.

23 de julho de 2010

Ela gosta de fugir.

Cria fugas em noite de chuva

e muda de ideia subitamente.
Gosta de ser volúvel,
gosta de se dizer líquida.
Usa palavras como "pós-modernidade"
e "vicissitudes".
Vê um céu roxo e descolado que ninguém mais vê.
Gosta de comentar sobre o tamanho da lua
e se supõe muito sexual por trepar sem critério algum.
Adora rebeldias antigas,
mas diz nunca sentir saudades ou arrependimentos.
Considera toda culpa uma bobagem
e não usa sacolas plásticas para o bem do planeta.
Ela roda de táxi pela cidade
e faz visitas norturnas
aos malditos colegas que têm nextel.
(A Trupe-Nextel que fala sem parar
ocupando o vazio pelas ondas do rádio)
Na última jogada
ela pisou na calçada molhada
com uma expressão
que demonstrava uma raiva sem sentido.
O táxi parou e ela se sentiu ótima
com o seu esforço de não-tô-nem-aí.
Ela, não resta dúvidas,
é uma garota muito bem sucedida:
vive o seu tempo e
não se importa com nada.

Apenas dormir.

ver os olhos e, principalmente, as veias dos olhos.
pensar na loucurinha e sentir a velha cócega.
ter tesão nas anãs e sorrir sem se pertubar.
cervejinha lenta e gelada escorrendo pela garganta. não se precisa de esperanças. precisa-se de cerveja gelada e noite calma. um copo, dois copinhos. a cerveja como pretexto e o papo que segue: sem jogadas, sem idiotias e sem precipitações.
a cerveja gelada desce lenta e é melhor assim.
há o tempo. o tempo que passa e faz os outros passarem. tudo certo: o mundo velho invadindo os acontecimentos. riscos tão velhos que nem riscos são.
era pra ser o que era pra ser. não precisava de nenhuma virada. apenas o que era. seria. mas não foi.
por uma vaidade besta, concluo calmo: a culpa não foi minha.
FIM.

21 de julho de 2010

Perdi o que escrevi! meu puta merda! coisinha que nem dá pra repetir porque era um grito e nem importa se bom ou ruim! perdi! e nem tenho ninguém pra culpar! é a única solidão que existe! perdi meu textinho do blogue e nem houve um terremoto!

20 de julho de 2010

"Pronto. Perdi a aposta." *

Adorava dizer 'foda-se' de boca cheia. Era a satisfação. O 'foda-se' amigo como prancha pra uma possível liberdade.
Eu dançava e você dançava. Dançávamos junto e éramos cúmplices. Uma maravilha falsa e honesta no sol mais lindo do Arpoador.
Todas as revoluções e todas as crianças. A gente gostava de crianças e elas gostavam de nós. Nôs sentíamos bem entre os brinquedos. O sorriso amarelo era o passado de um brinquedo morto.
Toda ternura era minha e você era minha musa. Dizia pornografias no meu ouvido durante todo o percurso da roda gigante. Desprezava o uso de animais em circos.
Eu topava. Eu estava apaixonado e defendia suas teorias anti mal trato de animais com a cegueira mais bonita do Sudeste Brasileiro. Paixão.
Havia a tristeza da vida e os dias cinzas onde a chuva não era motivo de pipocas e risadas. Era patético: crianças velhas querendo sugar alegrias da infância. Não dava certo e a gente estava desesperado.
O sol, a areia e a praia. Todos os passeios para sair de si mesmo e tentar descobrir o que quer que fosse. Mas as descobertas não chegavam e precisávamos da velha solidão para poder pensar em paz.
Pensávamos. E a paz nem aparecia.
Era o abismo ganhando cores de Mangá Japonês. Sorriso amarelo virando laranja. O desejo disputando força com o dia à dia.
Nossa boca, finalmente, sangrou. E a gente se beijou ainda, cheios de sangue na língua e pus na garganta. Repetimos "não quero te perder'' sem muita convicção e dormimos, achando que o sono sararia a realidade e o sol do próximo dia.
Perdemos.
Perdemos a mão e a cabeça. Viramos idéias e não pessoas. Perdemos.
De noite ainda nos frequentávamos. Como vampiros que desejam virgens que não existem. Mas, de noite, os vampiros se enganavam e chupavam sangue velho enquanto imaginavam sangue de mocinhas inocentes. Foi a despedida.
Depois todo o resto.
O resto: a cabeça dizendo não quando devia dizer sim, as mãos crispadas na hora de estarem abertas, o grito que achou que seria ouvido, o mar cinza ao invés de azul, as tardes sem pipoca durante o inverno... o resto.
A virada veio. Veio sem sonho, a virada. Tudo era simpatia agora. Éramos simpáticos e velhos amigos. Dizia eu e você: você é muita es-pe-ci-al.
Foi o fim. A cabeça tranquila e o sangue lento dentro das veias. Tínhamos a relação civilizada e amigável que desejávamos ter.
Tínhamos paz, mas quem, afinal, se importava com a paz?
Amigos para sempre e amantes nunca mais. Civilizados e decentes. A grande idéia que, após materializada, se torna a maior bobagem do universo.
A tristeza travestida em palavras que tentam substituir a solidão.
A falta, a Leila, as mulheres que te salvam - o inferno, o inferno mais quentinho de toda a existência... o milagre...o milagre...
*e viva o domingos oliveira e seu imbatível todas mulheres do mundo.

19 de julho de 2010

nossos dadinhos.

Ela fala sobre "sexozinho inofensivo".
Eu me choco e não aguento.
Fico pensando na minha formação religiosa e no amor representado nas ótimas comédias românticas do cinema americano.
Eu choro ao final desses filmes. Eu choro porque acontece o que eu queria que acontecesse. Eu sou fraco, já disse. É verdade.
Mas ela fala "sexozinho bom e rápido, tu e eu no banheiro, sacou?"
Eu saco. Eu sempre saco. Mas, meu bom Jesus, cadê o sexo cheio de amor louco que era o certo na minha cabeça?
"Sexo é sexo, amor é amor", ela diz. É verdade. Mas ser verdade não me consola. Eu queria amor, amorzinho. Eu queria a foda-milagre e o orgasmo-deus. Eu erro. E eu sofro.
A gente joga dadinhos juntos. Estamos mentindo e mentir é legal. "Sexo é sexo, amor é amor." Sou vítima do Nelsão que me disse: sexo é para vira-latas.
Faço meu acampamento e preparo meu miojo. Tenho preconceito com mulheres que valorizam a marca do vinho e o raio da lua.
Digo "bye-bye" para parecer POP e solto ''até logo'' sem nenhuma convicção.
Ó sim! Ó Deus! Eu adoro jogar banco imobilário!

18 de julho de 2010

Amor de verdade só dura 13 dias, ela disse.

Ela me disse coisas bonitas. Como: - de quatro eu dou pra idiotas, quando eu gosto de alguém, eu quero é papai e mamãe.
Ela tinha essas frases de efeito e me impressionava. Eu podia amar ela pra sempre, eu podia a achar perfeita. Ela gostava de mentir pra mim e eu gostava de acreditar nas mentiras dela. Éramos perfeitos.
No dia 2 de Julho de 2009 ela falou sobre o ex-namorado. Achei chato, mas achei normal. Em algum momento os/as ex viram assunto. É normal. Chato e normal, enfim.
De quatro, mas com muito orgulho. Me senti mal. Eu enfiava porque era esse o meu papel. O enfiador. De quatro. Poderia ter sido um milagre. Mas nem. De quatro. O espelho do quarto foi o grande privilegiado.
Outra frase bonita foi: - nunca me diga eu te amo. Deus! Quantas frases! Quantas coisas! Essas mulheres querem me impressionar! Eu me impressiono!
Era 10 de Julho ou menos. Eu queria fazer amor. Não falei pra não oprimir. Fazer amor é opressivo, havia me dito uma ex que adorava dar de quatro.
Então fui discreto, mas desejava: fazer amor, fazer amor...
Dois meses depois, ela me chamou prum café. Queria conversar. Eu topei. Era merda que viria, mas, bem, o que fazer? As merdas estão por aí e, cedo ou tarde, elas serão ditas pra você durante um café. Eu disse, não disse?
Ela: - meu ex me perturba e não estou livre pra você. Desculpe.
Eu desculpei. Ficar com raiva nem fazia sentido. Ela era apenas a garota com ótimas frase e ótimo corpo. A garota que eu poderia mil coisas, mesmo sem nada. Acontece.
Hoje - 17 Julho de 2010 - o que me impressionou foi a barriga. Imaginava quase tudo, mas fiquei surpreso com a gravidez. Ela até me agradeceu. Disse ser eu o responsável por ter despertado seu instinto maternal. Disse que isso? e ela se foi.
Agora fumo meus cigarros tentando achar sentido nas coisas. Não consigo. Não há sentido nas coisas. Ela está grávida de outro e, infelizmente, eu nem me importo. Acho uma pena eu não me importar, mas acontece. TUDO acontece. E TUDO, a gente sabe, não importa.
Nunca importou.

16 de julho de 2010

originalidade é bobagem.

Tomo vinho vagabundo e me sinto bem. Comprei duas garrafas: um seco e outro suave. Vinho vagabundo, eu disse. Ambos brancos.
Enfio as rolhas pra dentro (meu saca-rolha quebrou na primeira tentativa) e misturo os dois em um jarro. Bebo em uma caneca branca.
Concluo que eu tenho estilo.
Bobagem.
Ouço uma música bonita da Tiê em blogue alheio e penso que, se a música fosse pra mim, eu poderia me apaixonar.
Apaixonar.
Paixonar.
Faz tempo que não tenho uma paixão da boa. Com paixão da boa quero dizer: eu estar apaixonado e ela não. Paixão livre, onde só um apaixonado dá conta da coisa toda. No caso, eu.
A última, com essa pegada, foi há mais 2 anos atrás - ou 3? Eu apaixonado declarado e ela não. Eu lutava. Eu queria a conquistar. Eu dizia coisas lindas pra ela e tentava a agradar com presentinhos e exageros. Comprava bilhetinhos da loto pra ela...
A gente conversava de madrugada pelo telefone e eu sempre, sempre mesmo, me declarava. Era bom pra ela e pra mim. Uma paixãozinha da fina e generosa, onde um alimentava o outro.
Durou três meses e nem houve carne. Por orgulho meu e teimosia dela. Mas não importa. Eu tava paixonado e queria a conquistar. Era bom, falso e vital.
Uma portuguesinha me tirou da rota. E ela saiu da rota também: um novo namorado que, se não me engano, dura até hoje.
Resta a saudade e a boa lembrança.
Agora, semi-bêbado, penso nessas paixões cheias de paz, onde se expor apaixonado nem doía nem nada.
Paixonites cheias de milagres, delírios e ternuras.
Minha última paixão, por exemplo, me deu muita ternura. Assim como guardo da Fran-Fran uma boa lembrança até hoje. E isso apenas porque foi o que foi: uma paixonite cheia de paz.
Bem diferente o amor e/ou o envolvimento real. Paixão é mais simples, sejamos francos.
Sinto saudades. Mas, sendo honesto, eu sempre sinto saudades.
O passado, na minha cabeça, é quase sempre melhor. Ta aí a Preta e o início do Rj ou Sp com 19 anos. Em 2001 eu era o cara. É fácil ser o cara em 2001.
Agora, 2010, me acho muito mais inteligente, mas isso é besta. Como besta sempre é. Agora tenho mais deboche e nem me engano com tanta facilidade.
Vantagem e desvantagem em tudo. É o que sempre digo: o conta gotas fatal e a administração do tédio, da glória e do terrível.
Enquanto eu estiver vivo, vou me repetir. Só quando estiver morto - e que demore bastante - serei original.
Ser original... outra bobagem.

15 de julho de 2010

A solidão volta a afagar.

Talvez sejam os dias de chuva e o sono pesado. Talvez a distância e o esquecimento. Alimento-me quase sempre em casa e assisto TV por horas: Houses antigos e Lei e Ordem. Quase não bebo.
Meu edredon faz meu pau ficar duro. Mexo nele, converso com ele: - segura as pontas, garotão. Eu e meu pau, velhos conhecidos.
Depois da mania de fritar bifes, veio a de comer cenoura ralada com sal e limão. Agora me dedico à omeletes. Penso que os ovos são um presente de Deus - mentira. Lembro da minha mãe me aconselhando quando falo que nem sempre sei o que cozinhar: faz um omeletinho. meu filho...tão fácil...
Nos omeletes de agora crio experimentos: Curry nos ovos e coisas do tipo. Até omelete doce eu fiz. Claro que não deu certo.
Olho pro relógio e penso que tenho que ir ao banco. Missão de merda conversar com o gerente. Devia ter aparado a barba e cortado o cabelo pra isso. Gerentes de banco levam à sério essa coisa de aparência.

14 de julho de 2010

o eterno sorriso.

Vem pelo calcanhar como uma cobra. Enrola-se na minha perna e aperta. Mantém-se apertada até doer os músculos. A dor não é causada pela pressão em si. É causada por pressionar há muito tempo. O pé vai ficando roxinho e a circulação interrompida faz com que a dor deixe de ser sentida. É uma gracinha do mundo: por excesso de dor, a dor parece não existir.
Agora o pé já tá preto e os dedos caem um à um. Quem precisa de um pé? Quem liga pra um pé? A perna, toda roxinha, começa a desmanchar também. Vai-se a perna junto com a cobra. O problema está solucionado e não há mais cobras. Agora, finalmente, posso viver sem me preocupar. Mas, às vezes, parece faltar algo.
Sinto falta da perna ou sinto falta da cobra?

13 de julho de 2010

pós - parto?

os cachorros estão rosnando, dentro e fora de mim. eu vou fazer de conta que eu não me importo. meu desejo é não me importar. ser um velho canalha que trata mal todos tirando proveito da velhice. velho que rouba lugares sentados em ônibus. por agora deixo os cachorros rosnarem e ofereço carne. carne velha e podre. que eles ocupem seus caninos com essas carnes. eu tô fora. eu sou chato e acho tudo uma chatice. ouvi parabéns demais pra acreditar em parabéns. eu não quero nada ou quero a glória. exercer simpatia me cansa, como se assim eu antecipasse a morte. não quero conversar com ninguém. quero apenas saber como termina a batalha do velho com o peixe no livro da vez. quero dormir enquanto eu leio e não quero sonhar com boquetes, bucetas ou mortas que ressuscitam. quero uma casa de onde possa ver o mar e um emprego público e medíocre. não quero mais desejar grandezas e sonhar. foi só que fiz sempre. eu mesmo. meus dedos querendo apontar pra frente e meu maxilar travado. o mundo, meu velho inimigo. provando que ser legal é mais importante que competência, mostrando que todo bem sucedido é apenas dono de uma rede de amizades influentes. eu desejei grandezas por tempo demais. estraguei minha vida assim, perdi tempo assim. quero apenas um jogo de cartas e carne assada aos sábados. entrar na merda profundamente. a ponto de se confundir com ela e parar de pensar. quero dormir. quero dormir 19 horas por dia e não ter sonhos ou pesadelos. 5 horas acordado com talvez 5 min. que valham a pena. impossível suportar a vida real. impossível ter esse blogue tacanho que tenta, em vão, substituir a terapia e os calmantes tarja preta. quero sumir e não dar nenhuma satisfação. ser aquele que desapareceu e que nunca mais foi visto até o esquecimento completo. como se eu pudesse morrer sem ter nascido. como se num estalo eu pudesse desaparecer. só importa o velho e o peixe. a luta real. a única luta real. que só sobra a repetição. minha, do mundo e de todos. repetição que perdeu a graça quando fiz 25. repetição que insistirá até o dia fatídico. é fácil reconhecer a merda espalhada. raro é perceber a merda que não vale a pena durante a cagada.

12 de julho de 2010

sobreviver não importa.

No meio do mundo percebo que eu sou um cara doce. Isso mesmo: d-o-c-e. É claro que é estúpido isso. Se sentir doce é idiota. Mas é o que é. Me vejo no mundo e, depois de muito pensar, concluo: sou um cara doce.
Essa conclusão não quer dizer nada. Não é boa nem ruim. Conclusão morna, honesta e quase contra mim. Meu putaquepariu chora baixinho. Porque há uma bela vitalidade no ódio, porque há grande prazer na raiva e na loucura.
(e devo admitir que uma coisa não impede a outra)
Talvez esteja mais velho, talvez mais tolerante, talvez mais besta e mais conformado. Tanto faz. As coisas mudam. E as coisas mudarem é um treco bacana - mesmo que as mudanças não sejam as revoluções que secretamente desejávamos.
Mais velho, mais esperto e menos passional. E, veja, eu gosto da passionalidade, eu admiro o sangue da passionalidade. Atitudes passionais são sempre encantadoras - para o bem e para o mal.
Mas a gente tem que viver e vive. Há que se ter alguma proteção contra a merda toda. A maturidade é uma proteção - e apenas isso.
Eu sorrio e sou quase sincero. Queria que algumas pessoas vissem minhas peças e lessem meus escritos. Eu gosto da vida, mesmo não achando tudo uma maravilha. É decente isso. Eu acho.
Pela frente a nova semana e meus 3 pontos de atenção. Sou eu mesmo. Mais velho e menos passional. Algum método para aproveitar o tempo e as esperanças mais lindas que sempre alimento com enorme carinho - como, afinal, faz todo cara doce.

11 de julho de 2010

Anti Cia de Teatro.


Há muita ternura no sentimento de posse. Há quem não entenda isso. Há quem ache que todo sentimento de posse é opressivo. Acho isso um jeito estranho de entender a liberdade. Como se só fosse livre aquele que não tem nada ou ninguém. Minha liberdade é escolher os meus e me dedicar à eles. Minha ternura se expressa assim. Gosto de julgar as pessoas para que elas se tornarem únicas. Desprezo, com toda a minha força, esse papo de que 'somos todos iguais'.

1107

As coisas são lentas e sinistras. Eu gosto. Eu em uma versão que topo.
Crianças dançam enquanto eu fico na cabine. Sou justo e generoso, na medida do possível.
Imagino bucetas de ouro e aperto botões cheios de incrível tecnologia. São milagres esses botões. Cada cor é uma coisa. Cores obedientes e submissas. Eu aperto, eu aperto.
Olho pra fora e desconfio de tudo. Somos simpáticos e dizemos parabéns! Lembro das minhas sobrinhas e resolvo dançar também. Sim-pa-tia.
Eu rio. Eu me divirto. Eu não acredito em nada do que eu vejo. Eu sou egoísta. Melhor: eu sou melhor quando eu sou egoísta. Eu sou cínico também. Eu disfarço.
Os dentes muitos brancos me lembram novas pastas de dentes.
Os olhos amarelos são problemas de fígado. Ou rins. Ou rins!

9 de julho de 2010

relatinho.

A calma vem como uma decisão. Era de manhã e tive sonhos verdadeiramente terríveis. Eu me perdia dentro de uma festa onde apresentaria meu teatrinho. Pesadelo sem saída é quase um clássico.
Demoro pra acordar e desisto da visita. Telefono pra saber das coisas e me programo pra terça visitar o gringo convalescente. É um mundo estranho e cheio de gracinhas. Pessoas ficam doentes sem razão ou explicação.
O café é meu amigo e me proporciona uma cagada divina. Cago com precisão e prazer. A bosta que sai de mim é uma dádiva e um orgulho. Tudo meu.
Faço circuitos idiotas pelas internet. Não quero atacar meu problema. Olho pro puto e digo "daqui à pouco". Meu problema sorri e diz "estou te esperando, gatinho".
Telefonemas estranhos vêm me perturbar. Decido que nada me abalará hoje. Apenas hoje. Troco uma nota de cem reais no almoço por kilo e me sinto preparado para tudo. Uma bobagem séria que me alimenta.
Ataco meu problema pelas beiradas. Faço contas precisas. Não tenho tempo e falta de tempo, agora, é vantagem. Uma coisa de cada vez. Visões infernais: glória e fracasso de mãos dadas. Não me importo. Bunda na janela e cara à tapa. Eu sou eu. Eu faço o que eu faço. Eu também sei ser simpático com os imbecis.
Meu problema tá quase resolvido. Preciso achar as palavras. Aquilo que posso dizer e mudar através das palavras. Sem frescura, sem mentira e sem desespero. Invisto na calma e no controle. Sem ilusão sobre esse sexo fudido de ejaculações precoces. É a clareza que encanta. Um tesão antigo de repetir o que se sabe fazer.
Eu entre os outros. Tudo certo. Cada um faz o que pode, o que acredita, o que deseja, o que consegue. Estamos no planeta e entendemos bem mal a vida. Sou um Cristão e compreendo a dor do mundo. Sou irmão de todos na dor que sentimos. Cogito até fundar uma igreja.
Uma voz doce se destaca e me imagino tendo filhos com ela. O tesão do delírio. O delírio e suas coisas. Uma voz e meu delírio. Só faz sentido fazer teatro se esse teatro dialogar com o delírio, é o meu caga regra.
A casa, a música, a cerveja e o blogue. Nostalgia é um treco bacana. Cansaço é uma satisfação natural e estúpida. Tô no mundo e vivo. Morro de medo e sinto grandes alegrias. Acredito em milagres e ainda sinto tesão em mulheres sem sutiã.
Paz, acho, passa por aí.

até 7.

  1. É cruel e fatal. De repente vira pó. É como a música infantil. Era vidro e se quebrou. E fico quase chocado. Porque de tão claro e óbvio não poderia ser claro e óbvio. Como explicar? Impossível explicar. O tempo mais preciso do mundo, a coincidência mais surpreendente do planeta. O óbvio ulula e choca. Como um piano que só cairia na sua cabeça naquele exato segundo. Quase um desenho animado.
  2. Ele chorou, mas eu desconfiei. Ele chorou grosso demais. Ele até queria chorar, mas não conseguiu. Eu, alí, pra ele, era seu terapeuta cheio de consolos e soluções. Mas eu não sou seu terapeuta e desconfiei do choro com razão. Tentar chorar é legítimo. Chorar de verdade é outra história. Querer um cúmplice pro próprio choro é ainda mais em baixo. Eu entendi seu desespero, mas dizer pra ele que eu havia entendido isso seria um erro tremendo.
  3. Às vezes me sinto muito hábil. Há o mundo e há eu. A gente se estranha faz tempo. Mas estou no meio da turma e converso com todos. Fico surpreso e me sinto idiota. "É simples porque é besta", é a minha conclusão.
  4. Dançar com garotas lindas e pedir perdão. As mulheres do Século XXI adoram perdões. Elas se sentem femininas ao maltratarem homens. Elas dizem que são livres e mostram os dois dedos que usam para tocar siriricas.
  5. Contra tudo e contra todos, eu resolverei as merdas que eu tenho que resolver. A merda é o aspecto coletivo do maldito teatrinho que eu faço. Minhas migalhas eu garanto. Mas até aí.
  6. Cada vez mais penso em mulatas e negras. Mulatas e negras me parecem perfeitas. Deliro que suas bucetas rosas me trarão a glória da grande trepada que não tenho há a algum tempo. Claro está que todo sexo casual e tacanho é feito em busca cega pela grande trepada. A velha ilusão, afinal.
  7. A bicha gorda berra que precisa se expressar. A bicha gorda se sente estranha e capaz. Diz que gosta de tocar punheta pensando em mulheres mortas. A bicha gorda é um cavalo na minha coluna. Ela - a bicha gorda - me manda um torpedo onde diz eu te amo.

7 de julho de 2010

Teatro Irresponsável.

Mais um sonho na caixinha.

Ser especialista em coisas inúteis tem seu tesão e sua glória.

Migalhas gordas que alimentam um tipo de gente.

A tosse e a costela fraturada não é o que importa.

Pouca coisa importa.

Muito pouca coisa importa.

6 de julho de 2010

beiradinha.

dizer eu te amo e depois até logo. contar vantagens pra idiotas e entregar cartões com nome, número e e-mail. bater palmas e sorrir. espremer cravos em coxas bonitas e ir ao cinema sempre aos mesmos horários. cultivar paixões. inventar amores. ver a morte e oferecer um chocolate. ser descolado e simpático. criar um blogue. alimentar um blogue. usar o blogue pra punhetas antigas. eu te amo e até logo. cortar o cabelo e aparar a barba. falar sobre as mulatas fantásticas que adoraria comer. ligar a TV e ver a TV. perceber a eficiência americana. punheta. punhetas pras milfs. as milfs. freudinho caolho sussurrando vai lá, garotão. os fuzis pra fora do carro dos policiais cariocas. a jogoda. a passagem comprada. nova iorque, bayb, nova iorque! festivais que elogiam seu períneo. festivais sem festas em bela escala industrial. a boca seca e o elogio mais imbecil do mundo fazendo você se sentir muiiitoo bem. a punheta. o pau mole. a buceta. o desejo achando que é mais que desejo. a punheta. a foda fantástica. o blogue, o blogue, o blogue. a desculpa recalcada em atitudes generosas. a mentira, a punheta, o blogue e as paixões sazonais. o jogo. a alemanha fudendo o maradona. a tristeza. a tristeza e a fuga. o equilíbrio. o buda-gordão de costas pra rua: clássico, clichê e eterno. o budão.

4 de julho de 2010

)(

Vejo uma garota de bicicleta. Penso que poderia ser você. Estou atravessando a rua e estou sem óculos. Espremo meus olhos em frente a padaria pra tentar distinguir alguma coisa, mas sem sucesso. Acho que não era você. Concluo que achei que poderia ser pelo jeito que a garota pedalava - com força na parte da frente das pernas. E também por ser uma garota grande em uma bela roupa florida.
Volto pra casa com as cervejinhas e o cigarro e penso que beleza seria:
Você me atropelando com sua bike como numa comédia romântica americana.
Câmera lenta: meu passo na rua, o pneu da bicicleta batendo na minha perna e nós dois caindo atrapalhadamente (comédia, lembra?).
Daí a gente se levantava e se via. Agora teria aquele maravilhoso clichê do tempo que pára quando os dois amantes se olham no olho um do outro. Câmera lenta abruptamente interrompida. Os amantes se reconhecem:
- não acredito.
- nem eu.
- você não olha por onde anda, não?
- você não sabe andar de bicicleta?
- você sempre me atrapalha!
- você que me atrapalha! Quem mandou passar de bicicleta em frente à minha casa?
- ah...a culpa é minha, né? A rua é sua, né?
- que idiota...olha só o que você fez...
- e você...olha aqui, olha aqui!
- machucou?
- um pouco...
- deixa eu ver.
- ai!
- tá doendo?
- claro, né?
- deixa eu dar um beijinho que passa...(beija)
- que nojo!
- o quê?
- beijar meu joelho esfolado! que nojo! é bem a sua cara isso! se mete na minha frente, faz eu cair e machucar o joelho e depois acha que um beijinho resolve...você se acha, né? aposto que acha que eu passei aqui de propósito, né? cara, sério...você é muito...
- (ele interrompe a fala dela com um beijo na boca)
- você é louco!
- você é linda!
- cara...você não pode fazer isso não...acha que eu sou o quê? você se mete na minha frente, faz eu cair e agora vem e faz de conta que...
- (interrompe a fala e a beija)
- que mania, cara!
- você é linda!
- olha, para com isso...acha que eu sou criança, é? acha que falando isso, você vai...
- (interrompe a fala e a beija. beijo mais longos que os anteriores)
- cara, você é muito idiota, sabia?
- sabia.
Ele se levanta e a ajuda se levantar. A câmera se afasta. Vão pro canto da rua. Não ouvimos mais o que eles dizem, mas o padrão se repete: ela falando e ele a interrompendo com beijos. A câmera se afasta cada vez mais. Os dois viram apenas dois pontinhos distantes no meio da Rua da Passagem.
---FIM---

3 de julho de 2010

du bar.

Vejo garotas lindas que passam de cabelo molhado pelas ruas de Botafogo.
Agradeço a distância imaginando que seus cabelos estãos cheios de creme pós-lavagem.
Penso nas vantagens da distância e lembro da garota mais linda do Sul e Sudeste do país:
gostosa, tesuda, impossível e casada.
Perfeita, em outras palavras.

1 de julho de 2010

"eu ligo o rádio e bláblá..."

Reviro meu caderno porque desejo atualizar o meu blogue. Não acho nada e venho aqui. Vaidade velha de guerra pondo as manguinhas de fora. Tanta bobagem, meu Deus, tanta bobagem!

Se minha vaidade fosse mais eficaz, se, além de desejar atualizar meu blogue, eu quisesse, por exemplo, conquistar uma fortuna... sei lá...me soaria mais decente.

É estranho admitir que a minha punheta me satisfaz. Se, além de ambicioso, eu não julgasse minha ambição seria melhor, é minha conclusão.

Mas fazer o quê? Tenho tesão em enfiar o dedo na minha cara e me acusar. Gosto disso em mim e gosto disso nos outros. Auto acusação é algo que aprecio.

Então olho meu umbigo e penso em mim. É bacana ser eu mesmo. Mas não porque eu me adore. É porque, acho mesmo, falta humor e deboche nos outros.

E humor e deboche, a gente já aprendeu, precisa de um mínimo de auto crítica - como o Kaufman notando a farça de um curandeiro.

30 de junho de 2010

minha gorda emergente.

Os olhos tinham ficado pequenos e ela tinha engordado. Eu não gosto de mulher gorda porque eu sou gordo. Tenho preconceito com casais de gordos. Imagino dois gordos trepando e vejo um balé horroroso.
Ela continuava legal. Legal. Eu sei lá o que quer dizer legal. Um monte de gente é legal. Eu sou legal. Ela é legal. O mundo é legal. Legal é pura bobagem.
Gorda e legal. Pensei nisso e não descobri nada. Se fosse feia e burra, linda e inteligente ou legal e simpática eu até entendia. Mas gorda e legal não me ajudou em nada.
No bar eu tentava achar um monte de solução pras coisas sérias. Eu não conseguia. Olhava os camaradas do balcão e torcia, secretamente, pro time da Argentina. Eu era justo. Dois gordos trepando...meu Deus!!
Quando deitei meu pulmão apitou. Cada aspirada era um piiiii. Maldito cigarro. Cerveja aumenta os cigarros. Sorte que não uso cocaína. Aumentaria a cerveja e, consequentemente, os cigarros. Sorte. Piiiii.
Punhetinha pra dormir melhor: natural e inofensivo. Vou imaginar a gorda de olhos pequenos. Vai, vai! Come a gorda, cachorrão!
Até que gozei legal. Devia comer essa gorda. Minha casa não tem espelhos e nem precisamos de motel. Gorda bacana, deve arregalar os olhos quando goza.
O lance é me preparar pra gorda. Vou dormir pensando na gorda. Gorda com olhos arregalados deve ser um barato. Vou dormir pensando na gorda.
Dorme, cachorrão, dorme! Dorme e sonha! Sonha com a gorda, cachorrão, sonha!

29 de junho de 2010

- auto ajuda -

pra pôr as garras e ligar o foda-se. e se incomodar menos e viver melhor. e não querer nada muito. e entender que ser morno não é pecado. não se preocupar com a verdade e berrar para impressionar: "- não acredito em verdade e mentira, em bem e mal, em claro e escuro...transcendi...estou além das diferenças."
e mais importante do que berrar essa bobagem, é crer nessa bobagem.
assim, plenos de bobagens, nos sentiremos ótimos e livres.

28 de junho de 2010

conto histórias.

Conto histórias.

-

E também vejo o jogo Argentina X México no bar.

Torci pro México se aproximar no placar, mas não deu certo.

Ta lá o Maradona com seu carisma de bandido.

Ta lá eu, no bar, querendo que o México empate

para que haja mais jogo.

Sou uma criança e sou um romântico.

Quero o que não tenho

e privilegio o impossível.

Ponho minhas manguinhas de fora.

Eu mesmo,

muito prazer.

-

Em casa, abro arquivos e reviso sonhos.

Sou uma criança que ouve CBN

e espera o Gikovates e suas soluções.

Como se fosse simples.

Como se fosse simples e possível.

Eu mesmo, muito prazer.

-

Minha diversão sou eu mesmo e os meus.

Minha velha mania de separar o joio do trigo.

Eu pago meu preço

e troco alhos por cebolas.

Eu mesmo, de novo.

-

Mas há a noite com lua cheia

e os gritinhos que se empolgam.

Eu trepo por aí,

pagando mais ou menos,

eu trepo por aí.

O discurso é que

alma e sexo

não se confundem facilmente.

-

Eu me sinto bem.

Mesmo mentindo,

eu me sinto bem.

Em outras palavras: eu me defendo.

-

Então faço de conta

e finjo que os prazos de agora

só precisam de definição no futuro.

Eu também jogo,

mesmo quando prefiro não jogar.

É o preço que se paga.

-

Eu mesmo,

muito prazer.

27 de junho de 2010

no apartamento.

Preparo meu sanduíche de atum com salada e queijo. Não quero sair, não sinto vontade de ir à festinha. As mesmas pessoas de sempre e eu o de sempre também. Prefiro meu sanduíche de atum e jujubas. Hoje comprei jujubas. Gosto de jujubas.
Há novos canais na TV. Em um os roteiristas americanos criam grande frases de efeito como "Mentir para um homem morto é como mentir para si mesmo", em outro há suecas com peitos enormes, risadinhas e vozes anasaladas dizendo "oh, yes! Oh, God!".
Então como meu sanduíche e troco entre os dois novos canais.
É sábado a noite e na festinha devem estar falando sobre a lua.
Melhor ficar em casa.

26 de junho de 2010

A velha confusão. Ouve-se estalos e imagina-se fogos de artifícios. De um lado o barulho seco, curto e passageiro. Do outro o vislumbre de um céu que brilha pela queima da pólvora. O equilíbrio precário e a eterna corda bamba. Há também os sorrisos amarelos e os belos dentes brancos de Deus.
Em outras palavras: às vezes é bem difícil se decidir.

25 de junho de 2010

No último dia vou na peça do Domingos Oliveira. Gosto da peça porque gosto do Domingos Oliveira. Quero dizer que não tenho nenhum distanciamento e que estou lá para ver o que sei que gostarei. A peça é boa, já tinha lido e tudo. Mas ler teatro é sempre meio chato. Falta o teatro da coisa. E o teatro da coisa tava lá. Com o Domingos e os atores e a direção do Domingos e aquilo que eu sempre entendi e entenderei.
Ele fala da familia dele. Ele fala dele. Ele fala dele do jeito que entendo e aprecio e admiro. Vejo um monte de graça que, secretamente, penso que só eu entendo.
O Domingos tá velho. Infelizmente deve morrer nos próximos 20 anos. Mas ele tem essa coisa positiva/otimista que meio que me constrange. Porque é real. E porque eu não tenho isso, mas me sinto profundamente contemplado quando vejo ele agindo nesse lugar.
No finalzinho da peça, ele aparece como Domingos. Explico: ele sempre é ele - mesmo quando vestido de velha -, mas, nesse momento, ele é ele representando à si próprio. E ele tá falando: do tempo, das pessoas, dele mesmo e da vida. Mas ele é foda. E sabe falar. Causa encanto quando fala.
Finalizou com algo como: "e ele (o personagem dele jovem) tá aqui, vivo e fazendo teatro". E o Domingos, o real, tá super feliz com aquilo. E quem tá na platéia nota isso. É bonito. Bonito pacas. O Domingos, que admiro, felizão com aquilo.
Bato palmas entre os estranhos que não são o Domingos e saio. Vou no banheiro pra mijar e choro. Choro não pela peça, mas pela vitalidade do Domingos - que admiro e invejo. Velho filho da puta me deixando no chinelo.
Volto e bebo cervejinhas. Penso na vida e prefiro o Domingos. A vida parece mais justa ou decente quando penso nisso. Espero que o puto viva mais de 100 anos - como a Dona Moçinha.

23 de junho de 2010

consulta.

Segundo a astróloga tenho sentido tesão nas pessoas erradas.
Eu tentei explicar.
Disse que não era tão simples.
Que haviam mulheres que só eu enxergava a potência.
Ela disse bobagem, bobagem e foi logo tirando o tarô pra confirmar o meu erro.
Falou que a loira era o problema. Que eu tava preso à ela, a loira.
Quando eu falei que não conhecia nenhuma loira, ela me xingou.
Disse que eu era medroso, que eu era incapaz de assumir meus sentimentos.
Eu desisti e paguei os 150 pila.
Fiquei pensando na loira.
Quem será essa maldita loira que amarra a minha vida, hein?

21 de junho de 2010

O único calor verdadeiro e um prenúncio de morte no ar.

Queria entrar dentro de você pra tentar descobrir alguma paz. Sua santa buceta e meu pau sem borracha buscando compreender o que nunca foi dito. Nem me mexeria. Ficaria acoplado, em volto em suas carnes e fixaria meu olhar em seu rosto. Tentaria notar se existe algo de muito antigo em seus traços que só eu veria e que, portanto, seria apenas meu. Mulher ancestral e buceta-cova me arrancando do dia após dia e do conta-gotas fatal.
Dentro de você. Apenas o pau e a buceta. Os corpos pelados. E meu olhar fixo para enxergar o que ninguém nunca viu. Poderia morrer ali, dormir ali, dissolver ali e - quem sabe - por um tipo de mistério, ser sugado lá pra dentro e ver as ranhuras, o útero e as trompas. Perderia lentamente meu ar e veria o caixão se fechando, mas morreria calmo porque, finalmente, o impossível teria se materializado.

19 de junho de 2010

meu anti câncer.

às vezes sinto vontade de morder e dar porrada. idiotas atrapalham sua vida. fazem idiotias e você fica lá: resolvendo merda de terceiros. e nem são grandes merdas. são merdas médias, nem fedem direito. e lembro de outros idiotas que não entendem a raiva, o ódio e a violência. uma paz forjada pela indiferença. nada é muito pra essa gente. tudo é normal pra essa gente. jogo que não arrisca. opinião que não se compromete. é o nelsão dizendo: "se cai uma bomba atômica na cabeça deles, apenas dizem: - morri."
indiferença morna à ser cuspida pelo bom Deus.
É um mundo velho e engraçado. A gente se repete e ta aí: metendo o nariz onde não é chamado. E se parar pra pensar, você estará na merda. Pensar é, muitas vezes, o grande masoquismo enrustido.
Então coço meu saco e toco punheta.(Dediquei pra você, bonita.) Fico fazendo contas e planos. Até revisões eu faço. Há os cigarrinhos e os livros. Há também o Gikovate na CBN.
Eu me divirto, confesso.

17 de junho de 2010

minha vantagem é não sofrer de bruxismo.

A verdade é que mulheres me perturbam. Assim que deixo uma entrar na minha vida fico na merda e sofro mais do que preciso.
"Mulheres são mais perigosas que espingardas", ouve o M. Corleone antes de se aproximar da mulher por quem ele acabará se apaixonando.
É isso. Mulheres são perigosas e eu me sinto tremendamente ameaçado. De um dia pro outro lá estou eu ouvindo dela o que não deixaria ninguém falar.
E é terrível.
Porque o que ela fala, na hora em que ela fala, eu escuto. Ela diz: você é louco. Eu digo: tem razão, eu sou louco.
E, vejam, nem acho que eu seja louco, mas quando ela fala parece ser uma verdade.
Mulheres - não todas, mas algumas - me influenciam de um jeito fatal e cego que eu nem sei se aprecio.
Acabo ficando com a bunda de fora, na mão do palhaço e cheio de dúvidas que nem são minhas. Eu me influencio demais. E, nessas, eu perco a mim mesmo e falo coisas que nem penso ou imagino.
Em outras palavras: eu sou fraco e me deixo levar.
Por um lado, tudo certo. Se for uma grande paixão, que seja: estou aí e não vou resistir por orgulho.
Por outro lado, que merda: mulheres sentem prazer em influenciar um tipo fraco como eu, mesmo que estejam cagando.
Então eu jogo amarelinha com as crianças do prédio e vou ao médico sozinho.
Por incrível que pareça sei me cuidar e até vivo bem - ainda que sem acreditar na aceitação-total budista ou no tudo-pode-ser neo hippie.
Eu sou eu e tenho meus preconceitos. Meus preconceitos valem a pena por dois motivos:
1 - são reais, mesmo que errados.
2 - o fato deles serem errados não quer dizer que não façam sentido.
E também porque tenho a arrogância de me sentir livre pra mudar de opinião quando é o caso.
No mais, minha costela fraturada e um analgésico sublingual que custa R$ 1, 90 a unidade.
É um mundo cheio de gracinhas, não é?
Eu acho.

15 de junho de 2010

Meu fetiche pelo delírio. Meu, só meu. Solidão-solução e outras bobagens. Leio livros de psicologia. Ego na superfície tentando controlar as coisas. Superego como a ameaça real. O ego, primo pobre, leve culpa àtoa. Superego é o problema. Id é a coisa toda - que tudo contém. Não sei se entendi direito, mas não importa. Como a falinha do House:
- mas ele não me ama, ele apenas acha que me ama.
E o House, fodão, responde:
- e qual é a diferença?
Então me infernizo e tomo analgésicos. Tem a babaquice denuncista do CQC na TV e pizza de pão. Minha barba está feita e tenho novos lençóis. Agora só falta conseguir falar com a NET.

14 de junho de 2010

DE
MANHÃ
ME
BEIJAVA
E
DIZIA
BOM DIA.
COMO
EU
A
INVENTAVA,
ELA
ERA MINHA.

13 de junho de 2010

tombo

A queda meu deixou com dores. Principalmente no lado direito e nas costelas. Deitar e levantar são os novos desafios. A tosse e os espirros como terríveis agulhadas.
O álcool me faz telefonar. Tento mover uma rocha e falo o que não devo. Abro o jogo e deixo minha bunda de fora. As repetidas negativas como agulhas enferrujadas.
Agora tomo chocolate quente e lamento pela queda e pelo telefonema. As agulhas estão aí e, volte e meia, me espeto com elas.

12 de junho de 2010

aquilo tudo.

Estou falando sobre nostalgia. E também sobre saudades. Incluo no assunto as dores - as grandes dores. Aquelas dores solitárias que, quando ditas para alguém, se tornam ainda mais solitárias e doloridas.


Estou falando sobre solidão e isolamento. Sobre incompreensão. Sobre o tempo escorrendo lento e fatal nos relógios derretidos do quadro do Dalí. É sobre a perda do viço e o enrigecimento dos músculos. É sobre o cansaço de sonhar.


Não é sobre as pombas às cinco da manhã no parapeito da minha janela e não é sobre o fim das minhas séries preferidas.

Estou falando sobre olhos cansados e mortes precoces. Não sobre manchas de pele, paus moles e vaginas secas. É sobre desesperos e suores noturnos. Sobre chorar com comédias românticas, sobre ver velhos e ficar triste, sobre crianças esquecidas diante da escola.


Não tem mais o culpado. Não tem mais o mundo mau. Não tem mais a doença degenerativa que me aleijaria lentamente.


Agora é o oceano imenso me causando arrepios. O céu azul ameaçando que eu caia pra cima. É uma escada de cordas em cima de um balde de lata no meio de um palco vazio. São precipícios particulares e abismos internos.


As tirinhas do Charlie Brown. As tirinhas do Charlie Brown quando o Snoopy tenta escrever cartas de amor e não consegue. A foto do meu pai jovem e eu bêbe em cima da moto CB400 preta.


Estou falando sobre o que era e não é. Sobre memórias idealizadas com o passar do tempo. Sobre o primeiro amor que acaba se tornando o único.


É sobre impossibilidade. Sobre o Tempo-Seta seguindo adiante. Tempo-Trator com combustível ecológico: mais esperto e mais triste.

10 de junho de 2010

Tenho que beber menos e fumar menos. Tenho que exercitar mais meu corpo e sentir mais prazer em ficar suado. Tenho também que conseguir relaxar o esfíncter durante o orgasmo. Preciso de uma bela foda, de um emprego e de mais frutas na geladeira. Seria saudável também sair mais de casa e conhecer gente nova. Talvez devesse ir à terapia de grupo. Tenho que aparar melhor minhas unhas e preciso comprar um sabonete esfoliante para as espinhas da bunda. Tenho que reprimir minha mania de arrancar sebo do coro cabeludo enquanto assisto TV. Deveria acordar cedo e ficar sem fumar até depois do almoço. Talvez fazer ioga e conhecer mulheres calmas em roupas de algodão cru. Tomar chá verde, beber água de côco e andar no calçadão. Poderia perder meu nojo pela Baía de Guanabara. Parar de cutucar o nariz e jogar fora minhas cuecas com elástico esgarçado. Tenho que telefonar pra minha avó e mandar um e-mail pro meu primo. Conseguir contatos para a mini-temporada em São Paulo e, quem sabe, fazer um curso de massoterapia. Tenho que pôr ordem nas pastas, fazer arquivos e economizar na xerox. É uma vida estranha, eu acho. É uma vida bem estranha.

eu mesmo.


Não me foda com suas fodinhas!
Eu não sou o seu amigo saltitante que as vezes te come
e também não sou o garoto da banda -
que acha tudo muiiito intenso e vive "como se não houvesse amanhã".
Eu sou eu.

Chato pra caralho e recluso.
E, por isso,
eu não me meto na vida dos outros.
Então aviso:

ou venha sem dúvida
ou nem me apareça.
Que fetiche por "não sei"
é antiquado e sem sentido.
Lembre-se: meus preconceitos são meus amigos.
Então ratifico:

nunca apareça
ou seja uma deusa.
Se você não pode contemplar
meus delirios de grandeza
é porque você pouco me interessa.
Ser apenas mulher

é o que todas são -
e isso, você sabe -
não me basta.
Prefiro o erro sem fim

que o 'quem sabe , pode ser'.
Prefiro morrer sozinho
do que ter menos
do que,
acho,
posso ter.

9 de junho de 2010

()=()

minha mãe me chama de 'lindinho', veja só. é algo antigo e velho. quase ancestral. lembro quando P me chamou de 'neguinho'. me incomodei horrores porque é assim que meu pai e minha mãe se chamam. não sempre, mas às vezes. neguinho e neguinha. freud explica, não explica?
os pais de P se chamavam de 'pai' e 'mãe'. ela achava horrível aquilo. eu entendia. há qualquer sexualidade que é aniquilada com esse apelido. sei lá.
penso em apelidos. penso nos casais com apelidos. é estranho, bonito e patético ao mesmo tempo. eu tive 'mô, môzão' e 'bayb, bayb-bayb'. estranhos, bonitos e patéticos. tentei, recentemente, chamar uma mulher de 'bonita', mas acho que não emplacou. quer dizer, ela, no máximo, me chamou de 'fê', o que não é lá muito exclusivo.
exclusivo, exclusivo. talvez seja meu próximo apelido pra uma mulher limpa. 'exclusiva'. mentira. seria idiota chamar alguém assim. mas quero dizer: apelido pra ser exclusivo, exclusivo para amar e ser amado, amar e ser amado para ser exclusivo(a).
ah...fernandinho é auto ajuda... agora só resta vibrar e ser feliz....
mentira de novo. mas, agora, sem maiores explicações.

8 de junho de 2010

dedede e dadada

Sou eu e meu duplo, segundo minha generosa amiga Cássia. Gostei daquilo. Uma explicação sobre mim que me satisfaz. Fernandinho do bar e Fernandinho do blogue. Eu mesmo.
Ma-ra-vi-lha.
Há jogadas simples e delícias imbecis. Eu topo. Eu-sou-legal-eu-sei.
Como comer a guriazinha que vi crescer. Quando me mudei pra cá ela tinha 10 anos no máximo. Agora tá aí. Cheia de si e gostosa como só com 19 é possível. Me olha com tanta indiferença que sei que é mentira. Há limites pra indiferença.
Perguntei a idade dela e ela me ofereceu um chiclete. Legal, né? Eu acho. Estúpido e legal. Disse que chiclete era coisa de criança e ela soltou: - problema seu.
Ma-ra-vi-lha. Sou-legal-eu-sei.
Ouço Garota de Ipanema com o Dick Farney e sinto saudades. Sou legal e melancólico. Voz de veludo me causando comoções. Sou um fraco.
Finalizo isso aqui pra preparar um tody com sanduíche de queijo.
Está frio no RJ. É fácil fazer frio aqui: 17 ° já merece cachecol e galochas.
As... as galochas... as galochas...

7 de junho de 2010

não é uma história de amor.

Pela 10° vez havíamos rompido.
Eu havia dito pra ela:
- não adianta, nós não conseguimos nos entender.
E ela concordou:
- realmente, é melhor a gente não se ver mais...
Nem nos despedimos.
Ela foi embora enquanto eu colocava o lixo pra fora.
Então voltamos à ser como éramos:
eu voltei a fugir do mundo para me proteger,
ela voltou a chafurdar no mundo para se salvar.
Um dia ela me telefonou dizendo que estava feliz
porque havia conversado com o tio
com quem não falava há anos.
Eu gostei da sua ligação,
mas, mesmo assim,
preferia ter ouvido outra coisa.
No meu sonho, ela diria:
- te fritei um bife... venha me ver... tô morrendo de saudades... eu te alimento, meu amor.

6 de junho de 2010

bye bye, bonita

faltou ternura e milagre
e sobrou briga e chatice.
Mas, mesmo assim, me pego pensando:
- tardes frias e noites longas,
menos álcool e menos papo.
Apenas corpos deitados olhando pela janela.

4 de junho de 2010

Prazer, me chamo Fernando.

Esperar milagres e catar conchinhas. Eu mesmo, muito prazer.
Também tenho delírios de grandeza e acho a grande maioria da humanidade um equivoco sem tamanho.
Sim, arrogante eu sei. Tão arrogante que eu mesmo, prazer, me acuso de arrogante.
Seja como for, espero milagres. Assim: uma fêmea fatal que me pegue pra si. E também: emplacar minhas coisas pelo meu talento e não pela minha habilidade social.
Catar conchinhas é bem mais simples e prazeroso: escrevo livros, projeto peças, preencho editais e aos domingos e feriados bebo 2 cervejas antes do almoço ouvindo Zeca Pagodinho.
Então sou eu e repito com ares formais:

- muito prazer, me chamo Fernando. Tenho alguma consciência da minha chatice, mas, mesmo assim, me acho um cara suuuperrr legal, pois sei ouvir lamentos e acalmar desesperos alheios. Vejo fotos de mulheres nuas pra me distrair e sinto saudades de um monte de coisas que aconteceram. Não acredito em felicidade como objetivo de vida, mas acho possível descobrir alguma paz e algum jeito de se viver bem. Não gosto de todo mundo, mas gosto muito de alguns. Sou desconfiado e sinto raiva quando acho que perdi tempo com idiotas. Antes de dormir costumo ler e mexer no meu saco. Às vezes sento diante da janela fumando um cigarro e olho a lua enquanto penso na puta vida. Gosto da lua, mas não gosto de quem fala você já viu a lua hoje, cara?. Tenho um bocado de preconceitos. Principalmente quando ouço: ecologia, qualidade de vida, consciência ambiental, faça a sua parte, quero ser feliz, sou muiiito livre, não sinto culpa, não me arrependo de nada e etcs. Sou chato, eu repito. Mas, contra mim mesmo, acredito em milagres e delírios de grandezas - como acabei de escrever numa cartinha.
Ah...tem isso também: eu falo cartinhas.

Como coelhos.

Dizer eu te amo e dizer até logo. O lance é um verão, uma estação. No máximo um inverno, mas bem... inverno compromete demais, cria intimidades que devem ser evitadas. Dormir de conchinha pode ser uma ofensa, a gente sabe.
O lance é resistência e dureza. Talvez sarcasmo possa pegar bem. As sacadinhas em forma de suposta ironia sutil e a velha jogada de demonstrar desprezo como uma manifestação de inteligência.
Dar para idiotas a faz parecer uma mulher muito livre. Comer imbecis o deixam muito macho e viril. Pica dura, buceta semi-úmida e borrachinha politicamente correta. Jovens conscientes e fortes, engajados na luta ambiental e zelosos pelo declínio das tribos indígenas.
É um espetáculo fascinante: luzes e drogas sintéticas. Para dançar basta subir e descer - apenas usando os joelhos...

3 de junho de 2010

pra dizer e pra ouvir.

E todas essas loucuras que não me interessam. Que acho falsas, que sou chato e sinto vontade de morder. Que falta alma em tudo e quase todos. Que preciso de uma boa foda, que não invento novos amigos e não consigo foder sem um mínimo de ternura.
E também não acredito. Não mesmo. Tua cara enorme e desesperada. Você, você mesma. Seus olhos confusos que nem sabem quem é quem, o que é o que, que ainda acham a pergunta uma grande virtude. Você-perguntadora-maluca. Porque assim facilita.
Garotos saltitantes que te agradam, que lhe fazem elogios idiotas e convenientes, que te comem como os coelhos comem as coelhas. Você coelha dentuça facilitando as coisas e criando falsas profundidades. Como se profundidade fosse uma matemática de desejos saciados e rápidos. Como se masturbação significasse alguma coisa. Como quem diz: conheço meu corpo porque toco siriricas.
É velho, é bem velho. É caído e antiquado. Usurpar o corpo como maneira de libertação. O recalque masoquista que só compreende o prazer como alivio da dor. Que não vislumbra a foda perfeita e o orgasmo fatal, que só entende o prazer como resultado da dor.
Praticantes de fistings e merda do tipo. Gente saltitante que berra a força do presente. Como se o presente fosse explicação pra algo, como se existisse, como se o presente, assim que consciente, não virasse o passado.
Discursos articulados para comer bucetas que gostam de misticismos. Eu toco punheta e nem pretendo ser feliz. Eu não falo de cháckras e tempo presente pra te agradar. Eu sou chato, eu sou chatérrimo. Gente que salta é sempre mais divertida, não há duvida.

2 de junho de 2010

durantes as aulas.

  • Você sente a corda. É isso: você está amarrado e participa de um show de bondage. Você é o protagonista e receberá um cachêzinho. 60 R$ por 1 hora e 1/2. Até que é justo, não é? Se fossem 6 horas por dia e 5 vezes por semana, você teria um salário de 4.800 reais. Poderia até ficar rico. Você só, solteiro. Gastando mesmo em cigarrinhos e álcool, cinema 1 vez por semana e sexo pago 1 vez por mês. Praticamente a vida de um padre, um padrezinho de 1900.
  • da merda toda. eu ali. eu aqui. eu ouvindo um chato atrás de mim.
  • ela mexe suas mãos e fala sobre corporações - Deus me ajude.
  • Ah... o fetiche pela dúvida... o fetiche, sempre ele, mascarando.
  • São garotas tristes de unhas sujas.
  • Em silêncio ela era linda - até galochas usava. Antes, diria até, que ela tinha estilo. Agora não. Agora ela fala e suas narinas se dilatam de uma maneira impressionante: uma tristeza.

1 de junho de 2010

Os olhinhos apertados até podem comover.

Mas quem é e quem topa e até quando? Quem que, esperando, espera muito tempo?
A gente é contemporâneo, a gente tem pressa, a gente fala sobre estados líquidos e culpas superadas.
A gente é falso. A gente mente. A gente não tem paciência pra esperar.
Temos Internet e mil janelas, temos carros e velocidade, temos metrô e bebidas-ice sem gosto, temos um mundo inteiro que não é mundo algum.
Falo de mim.
Sou gordinho, mimado e sofro.
Falo de mim.
Papai e mamãe me apoiam, loucas me dão e meu pau se inibe diante do sexo pelo sexo.
Falo de mim.
Mulheres objetivas demais, clitorianas demais e auto-suficientes demais.
(que sempre achei a dependência um traço comovente... quando haviam homens fracos e mulheres fracas que se encontravam e se amavam...onde um ajudava a fraqueza do outro e era mais simples...e o amor existia e transpunha barreiras inimagináveis...)
Agora falo do mundo.
Todas jogadas e todas apostas. Temos que tentar - e tentar não custa, num é?
Mas custa, a gente sabe.
Mundão terrível cheio de autoridade, dizendo: - me segue, imbecil.
E eu sigo.
To no meio da merda e me julgo espertinho.
Gordinho-espertinho-de-papai-e-mamãe, eu - e só eu - me acuso.
Falar da gente, a gente é gente, né gente?
Amorzinho de verão e plano de saúde. Previdência em banco privado e esperança de velhice calma e lenta...como se ficar próximo à morte pudesse ser tranquilo...
Ah...minha bundinha virgem sendo cobiçada por lindos viados...se não dou meu cu é porque mamãe passou talco nas minhas partes.
É justo, não é? É decente, não é?
Eu acho. E acho um monte de coisas.
Mas nem tudo falo que sou discreto.
E... bem.... só ESTÚPIDOS falam TUDO.
E mesmo gordinho-mimadinho, ESTÚPIDO não sou.
Meu ego gordo, meu delírio prudente.
Que tenho lá minhas contas e meu plano de previdência...
Com 50 anos - novo, né? - vou ter 800 pilas por mês.
Precavido, diz o bom moço. Cuzão, diz o fino canalha.
Tudo certo.
"Equilíbrio precário é corpo teatral", aprendi na lição.
Então deliro e não falo sobre nada.
Dia sim e dia não.
A falta de sempre
e a glória de sempre.
(Ainda calo minha boca com uma boa - eu disse boa - chave de buceta.
Porque, enfim, o mundo é mesmo cheio de gracinhas.)

31 de maio de 2010

3 punhetinhas pra desafiar meu pau. cervejinha antes do almoço e a maldita compulsão por cigarros que nunca chegam realmente a completar o pulmão. poderia ser angustia, mas não é. é apenas um domingo e uma recente preguiça de parar e apenas ler. talvez esteja com os livros errados. talvez precise de novos óculos. domingo morrendo e segunda pondo suas garrinhas de fora. pequenas tarefas e sonhos à serem alimentados. mil projetos, mil planos e mil amores. mil bobagens - que eu é que não caio no truque do milagre da multiplicação.

29 de maio de 2010

tédio talvez

Estalo uma cerveja e coço meu rabo com o dedo médio. Coçeira no cu é bem humilhante. Agradeço por morar sozinho e acendo um cigarro atrás do outro.
Meu putamerda é coisa velha e gasta. Nem eu aguento. Gordinho reclamão bebendo cervejinha antes do almoço.
Faço meu circuito na Internet e me irrito. Feeds cheios de otimismo desesperado. Quem aguenta? E que história é essa de perfeição e júbilo porque viu uma tartaruga comendo alface? Porque os feeds otimistas tem essa relação estranha com a natureza. Como se a natureza fosse uma coisa pacífica. Não é e nem existiria se fosse. A natureza é um sugando o outro. A planta suga o solo e será sugada por uma vaca que, por sua vez, virará um delicioso bife.
Lembro da explicação do J. Campbell sobre o porquê da culpa judaico-cristã ter emplacado tanto. Mais ou menos assim: "A culpa já existia porque a vida, bem ou mal, precisa sempre matar outra vida pra sua manutenção. A vida é feita dessas mortes necessárias à sobrevivência. Um come o outro. Não é à toa que a imagem de perfeição e absoluto é a cobra que come o próprio rabo."
Então invento minha auto suficiência e sinto raiva desse otimismo de gaveta. Prefiro viver na merda do que florear bostas e achar que tudo é uma maravilha.
Também quero, como todo mundo, morrer em paz.
Mas paz não é aceitar toda bosta que se impõe e muito menos achar que a natureza é perfeita.

28 de maio de 2010

Encarar o demônio.

Mulher bonita, bem bonita. Mulher grande, farta e com adoráveis quatro pálpebras. Que na cama ficava menor, que num dia especial me abraçou e chorou de um jeito estranho e fatal. Que falou um treco lindo, hoje mesmo, sobre esse choro.
Ter alguma calma diante do dragão da impossibilidade que ronda a minha casa depois que li isso na Averbuck. Organizo minha vida escrevendo - só mais um jeito de arrumar o mundo e ver as trevas sem cegar.
Foi triste.
É triste.
O lapso entre o desejo e a incapacidade.
Por que tanto mau trato entre pessoas que se gostam? Por que tanto desentendimento entre gente que quer se entender?
O dragão da impossibilidade batendo suas asas. O fogo que ameaça destruir os antigos desejos de ternura. A bomba que não conseguiu ser desarmada.
Agora o tempo escorrendo lento como as lágrimas de hoje de manhã. Porque é triste não entender as coisas, o mundo e aquela que adoraria ter entendido.
anedota*
murro em ponta de faca: por um lado, se você entortar a faca, será genial. por outro, sua mão sangrará de qualquer maneira.

Há a satisfação.

Contra mim mesmo, devo repetir: há a satisfação.
É uma coisa bem classe média, bem tacanha e econômica: faz-se o que, supõe-se, deve ser feito. E, então, sente-se a satisfação.
Meu Deus!, é quase cretino de tão simples. Lógica de macaco. Macaco com banana = macaco feliz. Mas é o que é. Prova do mal que sussurra no meu frágil ouvidinho: - somos macacos, gordo panaca.
A culpa é minha, eu sei. (Essa é uma das vantagens da culpa: ela não pode ser transferida. Culpa transferida ou é falsidade ou é equivoco).
A boa culpa é um prato que o chef cozinhou e comeu, por assim dizer.
Então afirmo em maiúsculas: ESTOU SATISFEITO.
E entendo o quão patético é isso. Porque minha satisfação classe média não passa pelo uso do corpo. Assim: um trabalhador braçal tem uma satisfação verdadeiramente legítima. Foi o seu suor que construiu uma mesa, por exemplo. Eu não, eu gordinho e preguiçoso me satisfaço porque cumpri mais uma tarefa. E tanto faz que tarefa seja, pode ser até um desenrolo de banco.
A falta do suor é que causa a culpa, concluo.
Como explicar? Impossível explicar.
Estou satisfeito e acho que é isso. Meu umbigão é meu poço de porra auto-suficiente, é minha metáfora.
Apenas porque pus um ponto final e assinei uma nova petição. Porque recebi dinheirinho e me regozijei por ter feito o que deveria ser feito - e isso é besta e patético como toda felicidade programada.
Então berro minha SATISFAÇÃO e deixo o resto pra lá -
como se o dia a dia fosse o que importasse,
como se o 'como se' justificasse qualquer merda pensada ou dita.

27 de maio de 2010

Águinha batendo na bunda,
sinto quase tesão.
Mas penso um pouco e decido:
- melhor não.

26 de maio de 2010

Onde o céu é azul e a areia é suja, onde a merda vira a glória do imbecil.

Imbecil satisfeito porque recebeu um boquete de graça e porque acreditou, de novo e de novo, nas tolices mais lindas do Oeste. (Tolices lindas alimentadas ao longo de anos e anos por cinismo e tédio em progressivo desenvolvimento).
Ser imbecil custa um preço à ser pago, mas aqui, cá com meu umbigo, ainda prefiro o imbecil ao idiota - já que o idiota não entende que é ele (ele mesmo e só como sempre) quem inventa as próprias mentiras.
Assim: o idiota e o imbecil comem a mesma comida, mas apenas o idiota acha que essa comida é uma oferenda dos deuses. O imbecil, imbecilmente, tem a vantagem de saber que foi ele quem criou os tais deuses.
A imbecilidade pode ser a glória do individuo...assim como a idiotia, mas há que se ter um mínimo de critério. Esse papo 'tudo pode ser', 'dessa vez é amor' e 'esse projeto tem apelo comercial' é só papo e papo ruim - que fica no ar, bate o queixo e ainda quebra os dentes.
E, com os dentes quebrados, o idiota se perguntará: - o que foi que deu errado dessa vez? eu não entendo...eu fiz tudo certo...
E o idiota, como cheio de amigos que é, será respaldado por sua gangue: - isso que aconteceu contigo é mesmo m-u-i-t-o injusto.
Por essas prefiro peidar na minha cueca molhada e não inventar desculpas. A merda e os peidos são meus, eu os fiz e eu os criei.
Então cheiro minha bosta e espero o grande milagre: o nariz mais bonito do mundo que cheirará as merdas todas ao meu lado.

25 de maio de 2010

Faltou o salto alto e a perna esticada.

Aquela beleza sem tamanho e cheia de ternura. Ela acordando e me dizendo bom dia. A boca pastosa, a cara de sono e os cabelos lindamente desgrenhados. Sexo pela manhã, de ladinho. Sem muito escândalo. Sexo apenas. Simples e exato: os quadris mexendo apenas o necessário. Haveria frutas no verão e chocolate quente no inverno. Talvez crianças também. Seria besta, mas haveria certa satisfação. Haveriam brigas também, assim como os dias ruins. Mas a certeza estaria lá. E a certeza, bem, a certeza nos daria algo parecido com paz.
Depois de algum tempo entenderíamos. Era isso, era isso que chamávamos de vida.

24 de maio de 2010

As coisas mudam.
De um dia pro outro, as coisas mudam.
O Rio de Janeiro, agora, se torna menor.
(E é apenas exemplo. Ou melhor: exemplo não, modelo).
Meu RJ particular, que é, enfim, o único RJ que existe pra mim, ficou menor.
Porque coisas acontecem e porque o tempo é fatal. E assim que é.
E é triste e é belo e é o que é.
Meu bom amigo se vai. Com ele vai um pedaço do meu RJ e também uma parte da minha Santíssima Trindade.
(E isso é ficar com dois pedaços e não três. E três pedaços, a gente sabe, é o equilibrio perfeito).
E o egoísmo ainda rege montanhas...
Sou eu mesmo e minha vida. Mas minha vida ficou dependente de vidas alheias. E essa dependência foi meu gosto e minha glória. Porque há porradas que só se recebe de mãos amigas. Dessas que a gente escolhe depois de velho, que é diferente das mãos dos amigos de infância ou dos pais ou das mães.
É coisa que se escolhe e se decide. Não há perfeição. Há o peito que se abre praquilo que é escolhido.
A porrada virá. Mas é porrada de amor: amor de decisão e maturidade. Como quem escolhe seus inimigos.
(Somos velhos e crescemos juntos, meu irmão.)
Não há culpa. E não haver culpa é triste. É esse um dos bens da tolerante igreja católica. Expiar a culpa é se libertar. Se libertar é achar que tudo vai dar certo. E tudo dar certo é nossa centelha de glória. Esperança é o nome disso.
(Somos velhos, crescemos junto e cultivamos Esperanças, meu irmão.)
Apenas egoísmo, eu sei. Pra quem telefono quando ver que a merda é grande e que a onda me leva? Conchinhas e sonhos compartilhados - com mais ou menos adesão, não importa. Há respeito pelo sonho alheio - e isso é raro. Há desejo de justiça - e isso não é coisa que se deva desejar.
Porque o mundo segue e a justiça é cega. Porque ter liberdade de se iludir diante do outro é o que chamamos de Amizade.
*
o tempo um dois três...
o tempo outra vez...

20 de maio de 2010

celebrate m.i.m.i

Era uma festa e tava cheio de gente bonita. A única coisa que eu pensava era: "tenho que enfiar minha piroca nessa gente." Não sei porque, mas era o que eu pensava. Olhava todas as bundas, sem critério e sem tesão. Era só uma maneira de exercer poder, de se sentir forte, sei lá mais que bobagem. "Eu tenho que enfiar minha piroca nessa gente".
Enfiar minha piroca era minha vingança. Gente bonita demais, alegre demais, artística demais. Eles tinham afastado os sofás e feito uma "pista de dança". Foi minha anfitriã que disse. Eu achei le-gal. Eu sempre acho le-gal.
Olhava pras bundas dançantes e lembrava das fotos sadô-masô que havia visto num blogue. Que tipo de cretino(a) sente tesão em ter um pulso enfiado no rabo? Eu queria casar, ter filhos, fazer papai e mamãe com a patroa e assistir ao Fantástico. Eu era indecente. Filme e pipoca me bastavam.
- Você cozinha e eu lavo a louça, tá?
- Ai...que coisa mais careta...
Acho que foi isso fez eu ter vontade de enfiar a piroca naquela gente. Seria uma fila. Eu apenas enfiaria a piroca. Sem nenhuma "atitude" ou "estilo". Seria um ato mecânico.
A repetição como salvação. Igual o ôm dos zen-lunáticos.