15 de fevereiro de 2014

do meu umbigo, declaro.
(que umbigo, em rede social, me intimida.
meu limite, até agora, é blogue.)

  • A moça que tem o apelido (péssimo, por sinal. de fadinha miniatura que nem ao Peter Pan influencia) de Sininho na capa da revista não interessa a ninguém e não explica nada. A questão da revista é vender mais revistas; não é ideológica. Até porque esse capa, além de vender bastante, vai fomentar mais aos defensores do que aos acusadores. A Revista, insisto, só deseja vender mais revista.  
  • Na minha linha do tempo do FB pipocou compartilhamentos que diziam "Artistas revoltados com Caio Castro". O Caio Castro é um jovem galã de telenovelas. Um cara famoso, que, por ser famoso, dá entrevistas. E a M. Gabriela entrevistou ele. Ela, a M. Gabriela, é uma entrevistadora famosa; portanto, ela também entrevista famosos. E, claro, ela quer saber das coisas, é uma entrevistadora profissional e, afinal, gosta de fofocas assim como Sônia A. e várias outras pessoas famosas que fazem entrevistas. Ela fez suas perguntas e ele respondeu. Agora explica: qual é a porra da porra do motivo da porra da revolta? 
  • Sigo impulsos naturais (seja lá o que for) às 22:48. É verdade.      

13 de fevereiro de 2014

+
A utilidade é uma dessas virtudes que a gente compra sem pensar bem. A utilidade como virtude (coisa positiva).
Sente-se alegre quando útil e triste quando inútil. Entender a utilidade como virtude é nossa vocação de rebanho.
Ser útil ou inútil não revela nada. (Imagine um descrição assim:
A) O que você acha de tal pessoa?
B) Ah, acho tal pessoa muito útil.)
Eu, que sofro desse mal, sinto-me útil pra caralho quando leio Shakespeare entre 23:00 e 01:00.
Lendo Will e descobrindo letras.
Algo meio antigo que desperta; ou então: um pau que passa lentamente por todas fases até a ereção completa. Daquelas de rocha, que impressionam o próprio dono do pau.
Assim entre aspas:
"(...) O bom pregador é aquele que segue seus próprios preceitos; para mim, acharia mais fácil ensinar vinte pessoas o caminho do bem, do que ser uma dessas vinte pessoas e obedecer a minhas próprias recomendações. (...)"
"... quando perdia uma flecha, lançava outra de igual alcance, na mesma direção, observando-a mais cuidadosamente, de modo que descobrisse a primeira; e assim, arriscando duas, encontrava, muitas vezes, as duas. (...)"



11 de fevereiro de 2014

Sempre preferiu

anedota

É uma pena. Você não me conhece e eu não te conheço. É uma pena, repito. Sempre achei que a gente devia se conhecer. Sei lá. Cisma que agrada, entende? Talvez eu reparasse na sua voz anasalada ou talvez você visse que tenho mais pelos na orelha do que o normal.
Mas não tem isso. E é pouco. Sempre é pouco.
E irrita pensar que o pouco será pouco pra sempre. Porque é como é. Animalizados que trocam gentilezas quando se encontram duas ou três vezes por ano.
Tão decente. Tão chato. Tão comum.
Seremos educados um com outro. E perguntaremos sobres as coisas. E diremos legal. Somos o tipo que diz legal.
E será tudo normal. E calmo. E civilizado.
Ou, sendo otimista, um morre de tragédia e cria, com a morte trágica, o melhor amor que nunca houve.

10 de fevereiro de 2014

O dia inteiro dando longa talagadas de ar e pensando:
- que diabos!
quem, sendo humano e pensante, não se desespera com a vida e sente-se triste e fraco e cansado?
Quem, sendo humano e pensante, não sente essa dor imensa que está aí e que todo dia nos desafia?
Quem, sendo humano e pensante, não lembra da possibilidade da não existência que é não ter nascido e nem de nada saber?
Então a resistência, a teimosia. Um dia após o outro. Momentos presentes. Viver o agora. E mentiras do tipo.
Que ser humano e pensante é sempre complicado. E temos truques. E resistimos. E, com um minimo de leitura, descobrimos que esse papo de aquieagora é uma das bobagens mais aceitas de todos os feeds de toda a Internet.
Que aquieagora é uma ideia romântica do tempo.
Que aquieagora só vale como descoberta de um adolescente que tem o pai e a mãe mais tradicionais do universo.
Minhas talagadas de ar; minha inteligência servindo; e o blogue que é atualizado em 2014.


9 de fevereiro de 2014

Passar a tarde no Jockey
e pensar naquela garota
que ou não entende de convites
ou não está interessada
em cavalos, apostas, cinemas e milagres.

história real

A gente se conheceu em uma festa. Não era bem uma festa. Era um ensaio aberto de um show de uma cantora. O nome da cantora é Vanessa L.
Essa festa (ensaio aberto) foi em Copacabana. Na rua N. Senhora, se bem lembro. E era uma dessas coberturas miúdas que já foram moradias para funcionários do prédio, mas que agora são coberturas cobiçadas e descoladas.
O nome dela é de santa e isso me impressionou. Ela era pequena, usava um belo vestido bordô e tinha um nariz imponente: grande e pra baixo, grande e feminino. Nariz tesudo, de fêmea. 
E reparei: bundinha, peitos, curvas e, meu deus!, ela aparentava ter uma doçura generosa - mulher que sorri largo e acredita no amor. Coisa rara.
Descobri que tinha marido. O casamento meio chato e sem sentido. Excesso de tempo e repetição em dupla. Os velhos problemas profundos e reais: REALMENTE vale a pena estar casada(o) e ter essa calma e paz que um casamento nos dá?
Ela não sabia responder. Eu também não. A gente se deu bem. A gente falava e era bom e leve e generoso; e a gente se conhecia mal. Não havia um passado em comum. Não havia nada. E era bom porque era novo e porque a gente se sentia bem um com o outro e nada mais importava. Era um egoismo livre. A gente usufruía do fato de não se conhecer e poder ser qualquer coisa.
A gente conversou em um tipo de varanda porque era a área de fumante e eu fumo. Ela falou, eu falei. Era simples. Era decente. Era bom.
Duas ou três vezes a gente se encostou. E senti o corpo, a coisa boa. Um pau demi bombê e uma alegria besta por ficar perto e sentir tesão. Eu estava vivo e aquela mulher era real.
Pensei: vou beijá-la. Só isso. Vou dar um beijo na boca da M.
A L. - amiga de M. - chegou e anunciou que iria embora. M disse que iria junto.
Eu fiquei triste.
Eu fiquei bem triste.

6 de fevereiro de 2014

Voltar a cabeça para as coisas e não ter pena de si. E ser um tipo teimoso. E tomar cuidado com os ataques de descrença. 
Os últimos dias foram intensos. Sendo atravessado por uma vida que não é a minha. É estranho isso, me desacostumei com isso. 
E viver sozinho ou viver com outro, vá lá, são coisas distintas PRA CARALHO.
(não é melhor ou pior, não é disso que se trata. é que é chocantemente diferente)
Então agora. Eu. Voltando. A cabeça em turbilhão, uma calma que aprendi e tomar café pelo desejo de cafeína.
(preciso de estimulantes, de pílulas. acho que gostaria de usar pílulas. pra agitar e ficar inquieto. sei lá. oliver sacks: ler mais.)
Tem miras. Tem tarefas. Preciso de pílulas e sistemas. Preciso ter a obstinação que o Hemingway diz ter em seus livros - o que provavelmente é 'apenas' literatura.  

4 de fevereiro de 2014

(daqui)
Justiça e punição é uma coisa antiga. E profunda. Tem bastante gente da pesada que falou disso. Do que lembro e do bigodon tem uma lógica que é assim.
Como lesar alguém que te lesou? Punindo. E como se pune? Fazendo justiça. E como a justiça age? Ela tira da pessoa aquilo que ela tenha. E se a pessoa não tem nada para ser tirado? Você pune o corpo dela, tira um pedaço dela; ou então deixa o corpo dela em um local desagradável e que o limita.
-
Por isso a justiça não pode ser exercida por indivíduos. Por isso vem o Estado, a Sociedade, a Moral, etc. Por isso o coletivo e as decisões em prol do que chamamos "bem maior"; ou algo por aí.
-
Ser justo e exercer justiça são coisas distintas. Devem ser.

3 de fevereiro de 2014

do caderninho.
-
é absurdo que ela nada diga e eu me entristeça por isso. Ela é minha invenção e não pode agir sem que eu a continue inventando. Deve ter nome pra isso. Algo como "complexo de Gepetto", ou talvez, caso seja mais grave, "síndrome de Frankestein".

31 de janeiro de 2014

O bom do América.
Que geralmente desdiz o Sonho Americano.
True Detective é a bola da vez.
Diálogos finos de roteiristas americanos, tipo:
"- vocês seriam ótimos juntos. Sabe? Se desse uma chance... Homens não dão chance a nada. Não sei porquê.
- porque sabemos o que queremos e não nos importamos em ficar sós."
Apenas isso.
Tudo isso.


30 de janeiro de 2014

A dúvida não vale. É vaidosa e dá discurso. A dúvida se confunde com inteligencia e com profundidade. A dúvida é confortável e faz com que todas as opiniões tenham validade.
A dúvida, em 2014, é tão nociva quanto foram as certezas em 1504.
Toda dúvida que vem, vem com um secreto não. Você tem uma ideia. Você conta sua ideia pro amigo. E ele questiona sua ideia com uma dúvida que só leva em consideração o que NÃO pode dar certo. Seu amigo não duvida pelo que pode dar certo, mas pelo que pode dar errado. A dúvida arrogante que temos após vermos um filme e achar que mudando o fim poderíamos melhorar o filme todo.
*
O leite diz: poxa, me derramei todo. ó a merda.
A dúvida diz: se não fosse leite, se fosse maçã, não teria se derramado.
O leite diz: mas mesmo que quisesse, eu não poderia ser maçã...
A dúvida: por isso mesmo.
O leite: mas...
A dúvida: não, to apenas falando, pensando junto. Entende?
O leite.: acho que não entendi.
A dúvida: rá, você é engraçado. Não precisa entender.
-
Então vira post.
A merda do desejo de reconhecimento vulgar.
E apaga-se.
Que aqui sim.

28 de janeiro de 2014

Nenhum dilema. Dilema não é do que se trata.
Também não é o caso de se perguntar porque fazemos o que fazemos;
e menos ainda descobrir como viver e aguentar a vida sem tornar-se um reclamão que culpa todos.
Então eu. As dores, os luxos. A velha questão: resolve-se mesmo 80% das coisas com um bom dinheiro? É isso que, enfim, virá como solução prática? Investimento alto, risco grande e vai ou racha? Qual o limite? Resolve-se ou procrastina-se a resolução?
-
A dica: isso é um blogue em 2014. Há ratos raros, porém ratos.
A tristeza: señorita g. pertence à uma época em que blogues não existem.
A loucura: é só sobre mim e sempre foi.
O que se esquece: igualdade e justiça não resolvem e nem resolveram. Igualdade é o desenho do mesmo tamanho de cubo. Justiça é o cubo mudar de tamanho e as pessoas verem de ângulos aproximados.  É pouco. Tanto um quanto o outro pressupõe unidade. E a defesa, se defesa há, é: liberdade individual para decidir seus deveres e direito, sem depender da justiça, da igualdade ou, vá lá, da fraternidade.
Fosse o caso, exaltava agora, o raciocínio do satanismo do séc. XX .
Não é o caso.
É meu blogue, é minha diversão;
e estamos em 2014
Minha discrição é ter blogue.
-
Fosse eu saidinho e mais demonstrativo, diante de sua nova foto de perfil, comentava:



  • Mordia.

    • http://youtu.be/d1d1Tm2DqFo


  • Gostosa.

    • Belle Époque.
    • Tesão
    • A mão aponta. (não é mão, mas eu não lembro o nome)
    • Cavalos? Apostas? Cinemas? Milagres? 
    • Pensei em 1930.
    • Imagina braba.
    • Marilyn, Dietrich e Gzinha.
    • Quem dera ser um peixe. 

    26 de janeiro de 2014

    Era uma gente elegante, bonita. Que falava do bem de um jeito generoso. Eram artistas de modo geral e consumiam os pensamentos elevados das páginas artísticas do facebook. Eram sorridentes, na maioria brancos e tinham essa habilidade de relativizar conceitos e ver arte em quase tudo e adorar, apenas após ter visto um filme, a M. Abromovic e sua coisa de mulher bonita e interessante em 1971.
    Eles não eram bons e não eram maus; e a única coisa é que eu não os entendia e entendia ainda menos como eles conseguiam se levar tão à sério e serem tão profundos e sociáveis ao mesmo tempo.
    Eles eram jovens, iam a praia, sorriam e tiravam fotos descoladas e artísticas em dispositivos da Apple. E eles sempre seriam assim. E não teriam muitas marcas no rosto em, digamos, 2034.

       

    23 de janeiro de 2014

    señorita g.

    Serviu-me para descobrir:
    desejo me apaixonar.
    Ela: eu inventei.
    Eu: ela nem sabe.
    Queria que fosse ela
    porque gosto
    da ideia de unidade
    e porque
    seria bom
    e decente
    e simples.

    Assim:

    Eu
    descobrindo
    eu

    por
    causa
    dela
    e
    ela
    com
    eu
    alegre
    por
    ser ela.



    Ataco Espinoza e penso que diabos. Vai ser duro. Bigodon fatal é tão próximo de 2014 que não pode ser usado como comparação. Espinoza, por exemplo, do séc. XVII, nem cogita Deus não existir. Quero dizer: será impossível pra mim ler sem lembrar que ele pertence ao seu tempo - coisa que, vá lá, vale pra tudo, mas bigodon deu o toque.

    22 de janeiro de 2014

    -paixonar-

    Eu queria
    que ela entendesse
    e não abusasse
    e não exigisse muito.
    Que ela se divertisse
    e topasse
    que eu me apaixonasse
    por ela.
    E cantaria pelado,
    e faria jantas
    e peixes
    e vinhos.
    E ela lá,
    bem calma,
    porque me deu
    o que eu
    apenas eu
    desejava.

    21 de janeiro de 2014

    fracos se explicam

    cada coisinha uma postagem.
    pra ser do contra.
    porque geralmente faço listas.
    agora isso.
    feito agora e pensado agora.
    (não, não, ''agora'' não é virtude)
    Postei o último no meu facebook.
    E ficarei feliz se houver interesse dos meus amigos do facebook.
    A conclusão é claro e JURO não ter nenhum juízo de valor:
    nós, os seres humanos, somos mesquinhos,
    mesquinho pra CARALHO.