9 de março de 2011

A vida inteira e todas as jogadas.

A gente pensa muita coisa, imagina muita coisa e isso, em contas pessimistas, acabam por nos fazer mal. Muito sonho pra pouca realização.
E, ao mesmo tempo em que choro por mim, não vejo alguém para seguir. Primeiro porque não gosto de seguidos ou seguidores e depois porque, infelizmente, não acredito em 99% dos entusiasmos que vejo por aí.
Mas eu sou chato e isso é um blogue. Reclamar é parte do lance, seja o doidivana com armários ou o godardcity com listas sobre os piores da MPB.
Reclamo e não exijo cúmplices.
Confesso que considero isso uma virtude. Não preciso de companhia pras minhas merdas e minha decência é fazer com que não virem feeds em atualizações do Facebook.
E nem culpo ninguém além de mim mesmo. Quer dizer... na medida do possível. (Porque, devo confessar, ter um inimigo pode ser o próprio sentido da vida).
Assumir minha solidão tem sido uma tônica. E isso em todos os sentidos: inclusive nos destrutivos. Que seja. Ser egoísta pode ser bem decente. Ou então teria que acreditar naquele abajur que virou hit no youtube e dá lições de otimismo. Ele erra porque vê tudo com bons olhos, em um tirar leite de pedra que apenas revela a cegueira de quem quer - e acha que querer basta - que o mundo tenha sentido. O mundo tem mais o que fazer. Sentido é coisa de gente, não é coisa do mundo.
É uma pena e espero estar errado. Que haja sentidos secretos que eu, em minha tolice, não vejo. Que, quando eu morrer, venha o Chico Xavier ou Jesus ou alguém pra me dizer: perdeu, playboy.
A campanha Rio Sem Preconceito sofre do mesmo mal. Ela esquece que preconceito é coisa de gente e que não pode ser simplesmente eliminado. Preconceitos existem e existirão. O lance, se é que há lance, é não os levar à sério e, muito menos, dar porrada em alguém por conta dos seus preconceitos. Essa campanha reproduz, em certa medida, o radicalismo evangélico que quer nos obrigar a acreditar em Deus - como o já citado abajur que, depois de escrever aqui, fui ver um vídeo e vi que ele fala de sangue de Cristo e outras jogadas...
Então perco o ponto.
É um blogue e perder o ponto é parte da coisa.
Enquanto não for um abajur otimista, um solidário de facebook ou um oportunista circunstâncial, eu me sentirei bem mesmo quando estiver péssimo.
Que me acho bem decente e legal. Não alugo ninguém e nem exijo muita atenção. O que não quer dizer que não existam milhares, e até milhões, de pessoas que vivam bem melhor do que eu.

8 de março de 2011

A solidão acostuma e agrada. Lembro da minha prima que nunca esteve só e penso se isso é bom, ruim ou indiferente. Família... há algo de muito terrível nessa coisa chamada família. A tristeza generalizada e os anos passando. A saga do tempo que é todo romance de García Marquez. Porque toda vida, quando vista inteira, é algo chocante e meio triste. Não sei explicar. O Vinicius falando da saudades que sente da primeira mulher é um exemplo.
E lembro de uma alegria estúpida que via nos churrascos da minha infância. Meu pai e Orestes em risos e euforias bêbadas que de tão alegres revelavam a tristeza inevitável. E eu tinha 5, 6 anos e percebia isso porque com 5, 6 anos a gente percebe muita coisa. Acho que nem o Orestes nem meu pai são ainda capazes dessa alegria estúpida. Porque o tempo maltrata e a tristeza ganha mais importância do que deveria. É uma pena.
Ler o García Marquez tem me dado essa agonia. Porque a vida inteira não é boa nem ruim, nem alegre nem triste. E mesmo o amor - essa doce idéia por nós inventada - é despojado de arroubos e delírios que só fazem sentido se pensados em prazos curtos. (Minha avó e seus 51 anos de casada entende isso como se isso fosse simples). E ontem, antes de dormir, fiquei vendo esses rostos terríveis que surgiam no pré alfa e eu sentia medo e não entendia se os rostos vinham do livro ou do Carnaval.
Seja como for, minha solidão está reestabelecida e o controle que se deseja de maneira geral é mais objetivo quando se está só. Em todos os sentidos: no banheiro que é só meu ou na certeza de que ninguém ou nada me permeará se eu não desejar. Provavelmente deixarei um livro ou um filme me permear. E isso será uma escolha. E escolher, ainda acho, é legal pra caralho.

6 de março de 2011

  • Faço contas e vejo o mundo. Pouca coisa importa. E isso faz tempo. Tem a louca que fala sozinha ao meu lado e pede desculpas. Ela, eu já vi, tem o costume de alimentar pombos. Cogitei perguntar sobre pombos, mas preferi não. Muito arriscado. Ela falaria horas sobre os pombos e eu nem estava tão animado assim.
  • O Carnaval é um beleza. Gente animada, diversão barata e o mendigo que sambava enquanto playboys o perguntavam sobre sua fantasia. (Ele não usava fantasia). Os playboys riam das próprias sacadinhas e o mendigo apenas dançava. O mendigo que dança solitário prova o sentido do Carnaval. Os playboys provam o óbvio: gostar de Carnaval não torna ninguém melhor. (Um dia sairei com uma bela máscara de demônio. Porque fantasia faz mais sentido se, de fato, aniquila sua individualidade. A minha máscara imaginária será assim: ninguém me reconhecerá e eu não serei eu. 4 dias e meio por ano pra isso. É um bom número.)
  • Todo domingo me repito. No bar da esquina leio o jornal e bebo 2 cervejas. Hoje, pelo Carnaval, bebi 3. O fato é que todo domingo leio a coluna do Caetano no globo. E o Caetano piora cada vez mais. Impressionante sua conversa só, na qual ele se lambe cheio de parênteses e citações de supostos e-mail recebidos. Não dá pra entender. Mas, ao mesmo tempo, chego à uma brilhante idiotez: a gente está sempre condicionado à imagem que temos de si.
  • Sinto-me muito vital com a realidade dos outros. É simples: nesse Carnaval há parentes em minha casa. Eles vieram pro Carnaval no RJ, mas dormem muito e nem se animam tanto com o Carnaval do RJ. Dormem muito e nem seguem os blocos que passam. Parece estranho: se você vai ao Carnaval você faz disso um programa. (Como eu em Ctba nas ditas baladas). Não sei explicar, mas me sinto jovem e vital durante essas visitas.
  • Tesão em desconhecidas é um dos prazeres do Carnaval. Elas passam e as assediar é parte da jogada. Não há ofensas, há risos. Uma foda de Carnaval parece uma bênção porque é exatamente isso: uma foda de Carnaval.
  • Com a Branca, provavelmente pelo tempo longo, cogitei travessuras para evitar o inevitável tédio das longas relações. Carnaval era uma das possibilidades. Branca, como boa católica, se encantava com a idéia. E eu também. Era, e sempre seria, uma maneira de preservar o casal. Mas, nessa coisa Carnaval, cheguei a conclusão de que eu sairia perdendo. Ela era linda e mulher. Eu sou homem e nem sou lindo. Nada mais complicado do que um casal que se ama, é a minha conclusão.
  • Fica a dica e também eu mesmo como brinde. Um gordo como chaveiro é uma bela fantasia. E há Internet, os filmes em rmvb e o Cinco Vezes Favela - que é um ótimo projeto, mas nem sei se é um bom filme. No mais: Carnaval e parentes. Em outras palavras: a vida segue.

4 de março de 2011

sssnsaps

Gosto das mulheres que eu invento
e que são minhas
lentamente formuladas.
-
Não gosto das mulheres que amigas
me apresentam
e dizem "a sua cara".
-
Gosto da mulher que é minha
e ninguém sabe.
E que se me dá
não fala às amigas.
-
Então fico só
e invento mulheres.
Se elas existem ou não
isso não me preocupa.

1 de março de 2011

Eu mesmo, muito prazer.

Fernandinho bate bife às dez da noite e calcula: muita cebola.
O celular agora é fonte de música: porque tem rádio MEC e porque a minúscula caixa de som lá é melhor do que a daqui. E isso prova que nada faz sentido.
Fernandinho fica de pinto duro vendo "Bruna Surfistinha" e lembra que teve um sonho erótico. Em pornografia internética prefere as milfs e as mons. Fernandinho reflete com ares profundos: preciso de buceta.
Fernandinho imagina-se com bastante dinheiro e chega a óbvia brilhante conlusão que teria putas semanais. Questão de conveniência e praticidade. 800 Reais em lazer constaria no orçamento.
Fernandinho tenta ler literatura contemporânea, mas não consegue e acaba lendo outras coisas.
Pensa que está estagnado no Rio de Janeiro e culpa o Rio de Janeiro. Fernandinho erra enquanto abre cds com fotos antigas nas quais era 20 kg menos gordo. Imagina-se mais feliz nas fotos: boa companhia e um RJ que nem tinha dois anos. Nessa época Fernandinho amava e era amado. Fernandinho sente saudades com facilidade e alegria.
Hoje mesmo espremeu uma espinha verde e enorme no próprio rosto. Durante o espremer soube que cometia um erro, mas persistiu. Fernandinho tem, agora, uma ferida em sua bochecha direita e lembra que a minancôra acabou.
Fernandinho quer desligar o rádio e o computador, mas não quer parecer antipático. Há sempre o risco de ser mal interpretado e Fernandinho não gosta de ser mal interpretado quando deseja ser bem interpretado ou nem interpretado ser.
Fernandinho fica sem palavras.
E se repete.
E deixa que o bom piano da rádio MEC seja o fim desse post.

28 de fevereiro de 2011

Uma foto linda que me fez lembrar.

Quando a conheci a achei linda.
Olhei-a caminhando, meio que chutando as pernas pra andar, e reparei que trazia uma garrafinha que ocupava suas mãos e bebia de vez em quando.
Gostei daquilo. Inventei para minha satisfação: ela tem estilo. Isso: es-ti-lo.
(Estilo esse que uma vez se manifestou em um churrasquinho de rua. Ela com o espetinho e a carne sangrenta e suspeita me confirmou na época: estilo)
No primeiro dia impliquei: usava calça com vestido. Nada pior e mais inseguro do que calça e vestido. Mulheres tem manias incríveis. E inventam modas incríveis. Calça e vestido, eu pensei, mas deixei pra lá. Lembrei da garrafinha na mão e sosseguei.
Eu falava, ela falava, a gente falava e era bom. Beijo na boca. Logo reparei no queixo que se impunha para o mundo. Gostei do queixinho mesmo tendo lido que queixos assim não são bons sinais. Gente que se impõe, gente que precisa se impor. Que deseja a grande Teta. O queixo que ataca o mundo.
Mas quem liga? Beijo na boca. Bom beijar, bom beijo. Apertei seu queixo todas as vezes que pude.
- Vamos lá em casa?
- Não sei, não sei.
- Olha, a gente não vai fazer nada que não quiser. Vamos?
- Tá... tem whiskey? No blogue dizia que sempre tem whiskey...
- Tem, tem.
Nada demais, mas tudo simples. Uma alegria de promessa de Ano Novo. Dessas que não se pensa muito, mas se gosta e se tem e se deseja.
Em 2010 tudo seria ótimo.
- Legal?
- Legal.
- Mó loucura, né?
- Mó loucura.
Bem que eu me apaixonava, eu pensava sozinho. Fiz firulas, dei presentes e desejava me apaixonar. Queria o estado de graça da paixão. Tão bom, tão bom. Que minha última paixão foi Fran e foi bom tão bom.
O queixo pra frente e meu pau pra trás. O que fazer? Eu sofria, mas tinha calma e mantinha as esperanças. As coisas são assim: um pau mole, um ataque histérico, um choro sem sentido, uma ternura confusa, um peidinho alto que escapa sem querer. Acontece. Tudo acontece. Tudo é normal. Tudo. E tudo pode ser. E o que tem que ser, será. E tudo é sempre possível.
Excesso de tudo. Paradoxo de tudo. Se tudo importa nada importa, essas coisas.
- Você não sabe, mas você está apaixonado por mim.
- É mesmo?
- Claro.
Não era claro. Querer se apaixonar e estar apaixonado são coisas distintas. O velho lapso entre intenção e ação, desejo e realidade, essas coisas.
Tristeza de volta. Tudo podia ser e nada foi. Pena sem muita dor, apenas pena. Tristeza. Bem que podia estar mesmo apaixonado, eu delirava. Não estava, nunca estive. Infelizmente.
A água morna que é todo mijo: chutar cachorro morto, imaginar incêndios a partir de faiscas, virar amigos, virar melhores amigos, beber junto todas terças, cinemas, teatros e, porque não?, cafés inofensivos.
Nada de nada. Algumas ofensas trocadas e o tempo que sempre passa. Um adeus sem adeus, uma ternura sem ternura, uma memória do tudo que nada foi. Quem sabe, como vizinhos, um novo esbarrão e novo café. Aconteceu.
- Café?
- É, café.
- Eu gosto de Café.
- Eu tenho um amigo chamado Café. Café é nome, sabia?
- Eu sei, eu sei.
- Nome diferente, né?
- É... é...
- Será que o Bahia ganhou o campeonato?
- ?
- Tem um amigo meu que torce pro Bahia... fanático, cara...
- Ah, legal....
Dois beijinhos que é a praxe no RJ. O tchau é um 'a gente se fala' que também é praxe no RJ.
O táxi me salva e volto pra casa.
Sinto saudades da Fran, eu penso.
O tempo passou, eu concluo.

27 de fevereiro de 2011

Domingo-Oiés.

Meus planos são ótimos. E, agradecendo ao bom Deus inexistente, devo dizer: rio de mim mesmo e me sinto bem de maneira geral.
Não que tudo esteja ótimo e perfeito, não que eu não tenha ataques de pelanca dia sim/dia não, não que eu ache, como o mais alegre dos cegos, que tudo vai dar certo.
Meus planos são ótimos porque são planos. E porque, como todo plano, conta que haverá futuro. E, também como todo plano, vê o futuro melhor do que o presente. Simplesmente porque é assim que é: ao pensar no futuro não pensamos nas merdas, mas nas glórias. E é assim que deve ser. (Que ter planos pra pior seria o cúmulo da imbecilidade arrogante que, por tanto se levar à sério, crê ser a Realidade, R maiúsculo).
Então rio e sorrio e até gargalho. Planos! Que beleza!
E estou satisfeito com eles. Contra meu riso, devo dizer: são planos práticos e, razoavelmente, objetivos. Não são afetados nem pretensiosos, são planos cheios de cotidianaria e cálculos simples. Soma e diminuição: simples.
(Então separo os feijões. Cada vez mais separar feijões é uma tarefa inútil. É que máquinas separam com uma margem de erro bastante pequena. Quantas pedras se acha em um pacote de 1 kg de feijão preto hoje em dia? Poucas, muito poucas. E é o que é. Até porque, contra nós mesmos, devemos admitir o mundo muda pra caralho - mesmo que a gente insista em separar feijões.)
De forma que: planos, palmos, jogadas de aliteração e risos abafados que gostam de soltar perdigotos impertinentes. E os domingos e o verão do RJ. Belezinha e sono. Seriados americanos, Cinema da Argentina, Teatro de Improviso na TV.
Tá tudo certo, tá tudo ótimo. E as gracinhas, cheias de dengo, continuam a vir.
Resumo: a gente se diverte, né Mirolão?

26 de fevereiro de 2011

24 de fevereiro de 2011




  1. Ouvir música clássica como quem bebe uma cerveja. A intenção por trás da coisa é a mesma: sentir-se bem, viver melhor, essas bobagens.

  2. Música clássica é o fino. Será que um dia só ouvirei música clássica? Lembro do bom Buk falando de música clássica. Faz todo sentido. É como se tudo estivesse lá. É como se fosse uma arte superior. (e sim, sim, sei que esse papo de arte superior é algo velho e chato)

  3. Arte é do caralho. E nem toda manifestação artística é do caralho. Mas pra quem gosta de arte há momentos em que tudo é aquilo. Pode ser uma música do Lobão, dos Beatles, um trecho do Domingos Oliveira falando ou o início de O Idiota. Tanto faz. De repente, por algum mistério, a gente sabe que está diante de um treco fodão. Pode ser uma tela do Picasso ou a Laura de Vison no teatrinho gay que ficava Travessa dos Tamôios. O que quero dizer: Arte não é um monte de perguntadores malucos diante de um quadro. Arte é e é imediata: ocorre diante de todos.

  4. Esse papo de que todos são artistas potenciais é a coisa mais imbecil que já se disse. Um auto ajuda destrutivo, desses que supõe a solução ser a auto estima (outra falácia). Uma pessoa feia sabe-se feia e reconhece a feiúra e a beleza. Ela não precisa estimular sua auto estima diante do espelho. Ela sabe quem é e faz o que faz. E, caso esse/essa, seja artista ele fará um quadro fodão, como o bom anão Lautrec. (Ou alguém acha que as putas que serviram de modelo para nosso anão não cobravam por hora?)

  5. Que venham os anões fodões e as músicas clássicas. Que o Dostoievski continue ensinando as coisas pros seguidores de Freud e que o Bortolotto explique por quê é sem sentido querer ser famoso. Que Reinaldo Moraes mostre que o sexo é divertido (e constrangedor) pra caralho e que o Nelsão nos diga sobre a importância de ter manias, taras e obsessões em geral. Que haja Picasso pra mostrar a guerra e Oticica pra revelar que o Brasil consome os ícones americanos como quem consome cocaína. Que os sambinhas representem nossa dor de corno e melancolias de machos latinos, que a MPB seja nossa inteligência e que o Win Wenders nos mostre o jeito certo de olhar as paisagens.

23 de fevereiro de 2011

(sr)

  • Ver filmes de boxe e se acalmar. Boxe é realmente legal. E, fato, rende bons filmes. Homens que lutam é o máximo resumo. Faz sentido. Acho que sempre fará.
  • Das manias recorrentes: Rádio UOL, música de Cello. E, Meu Deus, é tão triste e tão bonito. Imagino-me velho, com uma rotina e salário fixo resolvendo aprender tocar Cello. Seria uma boa velhice, acho.
  • No bar da esquina bebo duas cervejas. Penso na janta. Preguiça do peixe que não descongelou para o almoço. Na esquina as pessoas passam. Reparo que os shorts das adolescentes estão cada vez mais curtos. É bom ver as coxas jovens: já meio escangalhadas, mas ainda jovens. Lembro do Nabokov com Lolita e concluo que Lolita é nova demais pra mim: garotas de 16 já me constrangem. Esse tesão sem direção é uma beleza, ainda que seja inútil.
  • Durante o filme cago regras: todo homem deseja uma mulher que lhe salve. É um fato e nem sei o que fazer com isso. Tem um monte de homem que me acompanha: o Vinícius, o Dostoievski, o Domingos, etc. Imagino-me cagando essa regra (e descoberta tardia) para uma mulher do nosso tempo e concluo que fudeu. As maiores revoltas viriam à tona. Querer uma mulher que nos salve é, hoje em dia, algo que não deve jamais ser falado.
  • Vencer uma luta de boxe deve ser do caralho. Da esquina eu reparava nos meninos que trabalham na farmácia e que brincavam de lutar. Um clássico. Lembrei das minhas lutinhas contra primos, amigos. Eram lutinhas de brincadeira, e, como toda brincadeira, serviam de ensaio para a vida adulta. É... filmes de boxe são mesmo ótimos: vou rever a saga do Stallone pra confirmar o óbvio.

22 de fevereiro de 2011

Faço as unhas, corto o cabelo e aparo barba e bigode.

Então é assim:
  1. Ou você é cínico ou é equivocado. O cinismo a gente entende e põe no bau idiota que leva a idiota etiqueta: 'coisa de gente'. Mas o equivoco... ah... o equivoco não tem baú e toca punheta com a mão esquerda por supor que, sendo destro, a mão é de outrem. Em outras palavras: lambe-cus só satisfazem imbecis. Ou será que realmente todos meus amigos que disseram 'a-do-rei sua peça' foram superrrr sinceros?
  2. Todo homem é uma criança. Digo: todo homem que inventa um programa com uma mulher é uma criança. Corrijo: todo homem que gosta de mulher e inventa um programa com uma mulher é uma criança. Demora pra ser indiferente ou pra ser amigo de mulher sem, secretamente, imaginar comê-lá. Diria que é questão de tempo e insistência. E com 'insistência' quero dizer uma íntima e solitária lavagem cerebral em que o homem repete mântricamente pra si mesmo diante do espelho: não quero comê-lá, não quero comê-lá, não quero comê-lá...
  3. Ter sucesso é o desejo mais imbecil e comum do mundo. E sucesso, se se pensar na palavra, é uma coisa estúpida e sem sentido. E nessas, a gente (os metidinhos de plantão com blogues e projetos artísticos variados), usa a palavra reconhecimento. Por um lado é decente e soa melhor, por outro apenas ratifica a idiotia dos nossos desejos diários. É um tipo de labirinto, onde os atores, mesmo com bons cachês, sentem-se envergonhados pelo sucesso que fazem.

-

De barba feita

e manguinhas de fora

meu pau precisa

descobrir aonde mora.

21 de fevereiro de 2011

fosse verdade que fosse mentira

*
Gordelícia de cachos dourados
que mora no Sul.
Quando passa,
cá comigo,
sempre penso:
- bem que entrava nessas carnes.
E vislumbro filhos,
polacos e ranhentos,
com brotoejas
espalhadas pela pele branca.
*
Que avião pegava por ti,
que frio passava por ti,
que orkut e facebook deletava por ti.
*
Gordelícia que não é gorda,
nem é do Sul e muito menos
tem cachos dourados.
Que gosta de homens femininos,
que mora no Rio,
que só goza em segurança
com homens magros e delicados.
Gordelícia que agora
- e só agora -
é apenas minha
e me ama profundamente.
*
Gordelícia com bracinhos de bacon
dizendo que tem vergonha
da própria vagina...
Veja só:
supõe os grandes lábios
grandes demais,
escuros demais,
tortos e/ou assimétricos demais.
Fala,
mas só entre amigas,
que acha o cheiro
da própria vagina
com cheiro demais.
*
Gordelícia com peitos sardentos
e mamilos rosas
dizendo que os queria marrons.
*
Que viu filmes na internet,
que ela não é daquele jeito
e que tem vergonha
de assumir em rodas de amigos
que adora a pornografia
vasta, gratuita e vulgar
que acessa entre um e-mail e outro.
*
Gordelícia falando sério
quando diz:
"- que não é porque tô te dando que sou puta."
"- você tem que tocar mais de leve, assim."
(e põe sua mão sobre a minha e faz movimentos lésbicos em torno do próprio clitóris)
"- não vou deixar você ficar olhando a minha vagina. Acha que é assim, é?"
"- você não imagina como é raro eu dar prum cara no segundo encontro."
*
Gordelícia com uma boca,
duas mãos
e os grandes lábios
mais tesudos do planeta
dizendo pr'eu colocar dois dedos
em seu ânus cinza e enrugado
que ela insiste em chamar
de bundinha.
*
Gordelícia, meu amor,
Gordelícia, não me esqueça,
Gordelícia, meu telefone
é o mesmo
e minha casa
ainda é minha.
*
Gordelícia se masturbe,
Gordelícia diga "safado",
Gordelícia eu sou esquecido.
*
Gordelícia...
apareça.

17 de fevereiro de 2011

Pacífico e infantil como toda paz.

1.
Amar pra sempre
e dizer até logo.
Como quem vira a moeda,
como se o abismo
tivesse dois lados.
2.
Ver os adolescentes
que se beijam
nos bares da Voluntários da Pátria
e lembrar que pau duro
já foi sinônimo de constrangimento.
Os amigos que diziam:
- quem fica de pau duro quando beija é porque tá beijando pela primeira vez.
Então inibia-se a pau-durecência
em beijos públicos
para que sarros variados
ocorressem em frestas de festinhas americanas:
Meninus-Bebis/Mininas-Comis.
3.
Era bem simples
e bem decente
e intenso.
Tesão era uma mão na bunda,
uma roçada mais agressiva
ou mesmo o simples desfile com a garotinha.

14 de fevereiro de 2011

sobre teatro -

Não parece, mas é.
-
Não me infernize.
Deixe-me mais ou menos em paz.
É mais uma reclamação, mais uma raiva, mais uma injustiça.
Que o mundo apenas roda em torno do sol enquanto dá voltas sobre si mesmo.
E imbecis recebem medalhas. E dinheiro.
E a conveniência é um treco que ganhou importância. Ser bem relacionado, se juntar aos bons nomes, participar de festas e gostar de coisas que não se entende é mais importante do que alma, amor, decência ou, no mínimo, capacidade de se comunicar.
Seja simpático, tenha um exército à sua volta e compre imovéis para empreendimentos culturais. É velho. É falso. É uma ''jogada'' que agrada aos que lhe beneficiam. Ser bem relacionado, garantir os amigos, lavar a mão que lava a sua. O equilíbrio social e a condenação à quem fuma, quem bebe, quem gosta de café e também à quem acredita em histórias.
Houvesse justiça e raios cairiam. Porque nem questiono a injustiça que julgo sofrer, mas sim os benefícios de quem, mesmo sendo chato e incompetente, consegue colher flores por ser bem relacionado. Alimenta-se defuntos com homenagens que apenas reforçam que o defunto em questão é um bom nome para se ganhar dinheiro. E dinheiro existe, e dinheiro ganha-se.
Então reclamo. E fico só. E nem quero parceiros pras minhas reclamações.
E mesmo sem acreditar em Deus imagino justiças divinas: um filho viciado em crack, por exemplo. Seria chocante para um ser humano que nem em vícios acredita. Até o arquétipo do desejo de matar o pai, ele nega.... Meu Deus! Crack ou algo que ainda será inventado.
-
Pai Comerciante, Mãe Dona de Casa, Esposa que Nem Importa-se em Ser Corna E Filhos Loiros em Colégios Bilingues.
É disso que se trata, é disso que estou falando. A Morte não é um problema, mas algo à ser retardado. Viver até 100 anos é seu objetivo. E ele conseguirá. Morrerá com 101.
Alma, ele me ensinou, é coisa pra fracos.

13 de fevereiro de 2011

Todo Domingo Faço Planos.

Nada mais estúpido e natural do que fazer planos. É algo inevitável em nossa espécie. Somos gente e é natural. Natural como matar, foder, morrer, etc. Natural... E há sempre um idiota que defende a Natureza e toda sua crueldade como modelo a ser seguido. Tio Brecht condenava o "natural" por motivos bem mais nobres do que os meus.
Seja como for, naturalmente eu faço planos. A cerveja e o jornal de Domingo parecem impor isso. Planos variados, simples ou complicados, tanto faz. Recortar matérias de jornal é um deles. Consumir cocaína para fazer ligações importantes e constrangedoras é outro...
E por aí vai. A maravilha dos planos, em outras palavras.
Lembro que existem amigos/conhecidos que seguem seus planos. Penso neles e me impressiono. Ele têm missão, têm força da vontade, têm crença e nunca duvidam da própria crença. Acho admirável, confesso.
Essa gente com metas definidas e planejadas me deixam de boca aberta. Por um lado o sangue correndo nas veias que querem alcançar seus desejos, por outro a frieza intrínseca à quem segue obstinadamente seus planos. (Não sei se me fiz entender, mas é mais ou menos assim: ele farão e acontecerão. Eles têm força e são determinados. A vida é deles e eles a usam. Não estão à passeio e jamais questionam seus planos a ponto de desistirem.)
E eu me impressiono. Porque sou fraco, porque sou volúvel, porque me abalo se, por exemplo, J me diz que G ou H não presta. Os auto-ajudas que leio (o Lowen e a Bionergética) dizem que meu Ego é mal formado: ou oral ou esquizóide.
O fato é que Domingo é dia de planos. Faço contas, projeto rotinas, estruturo pensamentos e até planejo emagrecer quinze quilos. Domingo de sol, Rio de Janeiro no verão e o poema triste da Maria.
Lembro da Ivana e seu jeito de falar as coisas. Sinto-me íntimo dela sem o ser e concluo que isso faz um bom blogue. E fico delirando ao imaginar os planos dela e, durante o delírio, imagino mandar uma carta pra ela que nunca escreverei.
Porque meus planos não são planos, são delírios.
Penso no Lobão, no livro que devo ler, no trabalho que tenho que fazer, nas crianças que brincam no corredor do meu andar, nas minhas sobrinhas que precisam saber se os pais estão separados ou não, em meus pais que se agridem porque não podem conversar sobre o plano (olha ele aí de novo) de aposentadoria, no Aramis em seu ceú-inferno Maceió, no Luiz se impondo como um cego que ignora estar cego, na minha barriga que cresce despudoradamente, no Festival de Teatro que achei que seria selecionado e não fui e chorei, no estranho filme que vi ontem e que, misteriosamente, ganhou o prêmio de melhor roteiro em Cannes, na Clara que está na Argentina, nos meus próprios planos de ir à Argentina, em Nova Iorque, em cidades pequenas onde há apenas um bar e uma mercado, na P que me amou com devoção e agora ama outro com devoção também, no prazer proporcionado pelo álcool, nos cigarros-muletas, na vida, nas meninas que me mandaram cartinhas quando eu tinha 15 anos, na J. Joplin e seu charme datado, etc.
-
Pra finalizar:
Que venha, que seja:
estamos aí.
Não faço o tipo que se mata,
é tudo que posso dizer.

11 de fevereiro de 2011

Anúncios: O Globo - 13 Fevereiro de 2011.

  • Preciso de gente chupando o meu pau. Não precisa ter boa feição ou habilidade em engolir porra. Nem mulher precisa ser. Exijo ausência de barba, bigode ou língua áspera. Não é necessário amor, alma, dedicação. Precisa-se de técnica e capacidade de ficar calado(a). É proibido falar e não pode abrir os olhos durante a felação. Há restrições quanto a excesso de saliva e boca de velhinha(o).
  • Pago bem por boas punhetas. Tem que ser mulher. Não quase mulher e/ou homem e/ou travesti. Mulher com mão de mulher: pouco (ou nenhum) pêlo e sem sudorese. Unhas longas e, preferencialmente, mal pintadas ganham mais. O ideal é esmalte vermelho descascando. Aceito anãs, velhas e portadoras de vitiligo. Não precisa ficar de olhos fechados que eu mesmo fecho os meus.
  • Aceito bucetas para um fraterno e inofensivo papai-e-mamãe. Não pode ser de quatro, frango assado, de ladinho, por trás ou em pé. Papai-e-mamãe é a exigência. A dona da buceta pode ter nascido homem. Não exijo uma buceta nata. Basto-me com a racha e o papai-e-mamãe. Beijo na boca, nessa clássica posição que a língua inglesa -debochadamente - chama de missionária, é um mal necessário. De forma que bigodes, barbas e pêlos excessivos não serão aceitos.

9 de fevereiro de 2011

Relatinho: cinema antes das 18:00 é a solução.

Pouca e previsível gente e eu quase me emociono. À minha frente duas adolescentes e a avó. Tudo é suposição, mas não importa.
Estou em paz, estou até feliz... Bobagem... Dizer estou feliz sempre é bobagem.
Mas estou lá e me sinto bem, mesmo chegando a triste conclusão de que eu suo muito mais do que a maioria do mundo.
Ouço as adolescentes com a suposta avó. Doze anos de diferença fácil. Nem é tanto, mas é. 30 e 18: um mundo.
Harry Potter é uma referência que não tenho mesmo tendo lido dois (ou seriam três?) livros da série e gostado.
Malu de Bicicleta. Título fodão e, bem, eu gostarei, gosto e gostei. Questão de estilo, por assim dizer... seja lá o que isso for.
Lembrei do Marcelo Rubens Paiva dizendo que não gostava do rótulo 'comédia romântica' no blog dele. Mas quem se importa? Eu não. Sou dado à comédias românticas e nem acho que seja o caso, já que o final explicado e feliz tão característico ao gênero falta.
Não acho que seja O filme. Mas que filme é O filme? Dez entre duzentos, no máximo. E quem se importa?
(O Kafka, por exemplo. Não consigo embarcar no Kafka. Fico confuso, acho meio chato e penso que me falta a devida cultura. Quero dizer: sou um consumidor de Arte voltado pra empatia. Se não me causa empatia, eu estranho e acho suspeito. Não sei explicar, mas o Kafka é um bom exemplo: um cara que têm delírios de uma luta que não existiu é um puta mote, mas, no desenrolar da trama, esqueço o que acabei de ler e nem lembro da luta que parecia ser um puta mote. Empatia, em outras palavras).
No Malu de Bicleta (puta título!) o que me bate é superrrr empatia: Meu Deus, como dói amar. Porque é real: amar dói. Dói muito e ciúmes, meu Deus, ciúmes é o cúmulo da dor de amor: irracional, idiota, desnecessário, fatal, real e , sobretudo, dolorido pra caralho. Mas ciúmes, em si, nem vale. Ciúmes de amor dói. E é triste e terrível. E amor dói. Sempre e sempre. É nessas que me lembro de frases que defendem a solidão como uma maneira de ter mais paz. Faz sentido. Seja no MaluDeBicicleta, seja ao ver o inferno que minha família vive. Tanto faz. Paz só é possível em solidão.
O filme não tem fim e isso me agrada. É o que é. Têm coisas que não tem fim. Cisne Negro entende isso também. Deixar mal explicado pode ser uma arte. E que me abençoe o Cassavetes que nem sequer nos prepara para isso que chamamos de fim. E alguns filmes dele (Cassavetes) estão entre Os puta filmes.
Na volta do filme, reparo na paisagem do Rio. É realmente linda e perturbadora. Lembro da frase do Reinaldo Moraes "o Rio é uma paisagem na memória - ou seira "cabeça"? - do Paulista" e acho que tudo faz sentido.
Está calor e amar dói.
A gente sabe, mas precisa ser lembrado. É um dos motivos para existência das Artes.
Está claro, eu acho.

7 de fevereiro de 2011

relatinho-cinemá.

Fui ver o Cisne Negro que queria ver. Diretor de O Lutador que me fazia queria ver.
Deixo logo claro que não vou falar do filme. Não sei se gostei ou não.
Mesmo com a certeza de que não se trata de um puta filme, como é O Lutador.
A história é boa porque os americanos são bons nisso. Mas nem por isso a coisa (a garota maluca que a delícia boa atriz faz) se justifica.
O melhor e o pior da América - pelo menos, no final, não há gente morta como em Sexto Sentido ou duplos como em Clube da Luta. Melhor assim.
O fato é que cometi um erro estratégico. Fui numa segunda feira às 19 hrs achando que seria calmo. Ledo engano. Cinema lotado, fila, poucos lugares pra escolher.
Ao meu lado duas velhinhas Galvão Bueno, ou seja: repetindo tudo o que a gente viu um segundo atrás, mas com comentários ninguém precisa. E a massa, afinal, age como massa: ri porque tá escrito masturbação, por exemplo.
Com isso quero dizer que bom mesmo é ver filme em cinema vazio. Mesmo egoísta, é isso. Gente quer, e precisa, se manifestar. E gente vai em grupos pro cinema de modo que há muito comentário e riso e comoção que você ouve, mas que é só compartilhado pelos que são do grupo. Um inferno.
Eu lá, exercendo minha solidão, e o mundo se manifestando com Galvoas Buenos, namorados que acham graça em uma mulher tocando siririca e outras coisas do tipo.
Seja como for, o filme tá lá. E eu queria ver e vi. E nem gostei ou desgostei. Estou morno e Deus me cuspirá.
Ainda acho a N. Portman uma beleza que só me atrai ao mostrar a buceta em Close. Ela é linda e boa atriz. Tesuda são outros quinhentos. Tesuda é mostrar a buceta ao afastar a calcinha apenas - e insisto no 'apenas' - para alimentar uma doença que precisa ser alimentada.
Então aprendi: dia de semana não é solução para o cinema. O lance é a hora: tarde de mais pra quem tem que acordar cedo ou cedo demais pra quem tem que trabalhar até às 18.
A gente aprende. É otimismo: a gente aprende. Malu de Bicicleta antes das 17:00.


(acordei com essa música na cabeça e Deus, que nem existe, sabe por que)

5 de fevereiro de 2011

que não há.

Se eu te disser EU TE AMO bêbado, você acredita?
E se, por acaso, eu tiver cheirado e te ligar pra dizer QUERO TE VER AGORA, você vem e pergunta algo como O QUE DEU EM VOCÊ HOJE?
Talvez, depois de fumar um baseado,
a gente se falasse pelo msn, o que acharia:?
(- nossa, quanto tempo.
- pois é, pois é.
- vai achar idiota eu dizer TO COM SAUDADES.
- claro que vou.
- hum... que pena...
- tá mesmo com saudade?
- sim. cheio de saudades.
- sério?
- nunca minto, lembra?
- rs.)
E se o Rio De Janeiro estivesse sob ameaça de traficantes articulados e - verdadeiramente - organizados e eu descobrisse o telefone da sua melhor amiga pra falar com você.
Acharia isso admirável?
Desculpas, você aceita?
(- Desculpas pelo o quê?
- Desculpas por tudo).
Acharia minha barriga branca uma coisa charmosa?
Repetiria ESTRANHO COMO UMA PESSOA PODE FICAR BONITA?
E se eu fosse legal e quisesse ser seu amigo e confidente? Você me chamaria de BOBO e sorriria com os dentes mais brancos que já vi?
E se nos encontrássemos, por exemplo, na Argentina, você iria dizer EU SABIA ou NÃO ACREDITO?
Casaria comigo? Brincaria de escolher nomes pra filhos no pós sexo?
Falaria SEU ANJINHO EU NÃO ABORTO?
E se me procurasse e eu me fizesse de durão, seria esperta o suficiente pra saber que gosto de você e que até TE ADORO?
NUNCA IMAGINEI VOCÊ DIZENDO 'EU TE ADORO', você diria?
E no Carnaval? (Meu Deus, o Carnaval!)
Você toparia ficar em casa e ver filmes em preto e branco?
COMÉDIAS ROMÂNTICAS... EU PRECISO SABER O QUE VOCÊ ACHA DE COMÉDIAS ROMÂNTICAS...
Você teria coragem de dizer EU ADORO COMÉDIAS ROMÂNTICAS?
E se você fosse espírita, acreditasse em Karma, Jesus e Allan Kardec, diria pra mim?
Falaria O GRANDE BUDHA e explicaria o porquê do H?
Diria EU TE AMO MESMO ASSIM ou DEUS SABE O QUE FAZ?
E se o mundo acabasse em 2012 na data final do calendário Maia, você me passaria uma mensagem com as palavras EU-TE-AVISEI?
E se eu tivesse uma doença fatal? Teria coragem de me ligar? Ligaria quando sua mãe morresse?
Pediria conselhos sobre o que fazer com seu filho rebelde que vai mal na escola e me confessaria que o nome dele é Fábio porque começa com F?
Teria coragem de largar sua vida pra viver comigo?
E dizer ABANDONA A IDIOTA DA SUA NAMORADA, teria coragem?
E se fosse Segunda Feira, Quatro da Tarde, e eu telefonasse porque sonhei contigo?
Ouviria ou nem atenderia?
Diria DESISTE ou diria NÃO DÁ PRA TE ENTENDER?
Se eu te perguntar VOCÊ ACREDITA EM AMOR, você tem coragem de dizer NÃO?
E o contrário? Você suportaria?
(O dinheiro. O dinheiro é importante.)
Se mais do que não ter dinheiro eu fosse um cara que faz dívidas, você casaria comigo de papel passado?
Teria capacidade de jurar na frente de um padre NA POBREZA E NA DOENÇA?
Teria coragem de dizer PRA SEMPRE? ETERNO? ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE?
E se o padre fosse lindo, você o julgaria menos ou mais sincero?
E se o padre fosse acusado de pedófilo, você acharia que as juras que ele pede são apenas sintomas de um mundo doente?
CORAGEM.
Você me perguntaria se eu gosto dessa palavra?(CORAGEM) Se eu uso essa palavra?(CORAGEM)
Se eu falo essa palavra por aí? (CORAGEM)
CORAGEM É VIRTUDE OU ESTUPIDEZ?, você perguntaria isso?
E se a resposta fosse a errada, você desistiria?
Se eu acreditasse em CORAGEM e fosse medroso, desistira de mim?
E seus peitos?
Se eu reclamasse dos seus peitos?
Se eu, sem querer, espalhasse que você tem displasia mamária, você me perdoaria?
Você acha possível um homem amar uma mulher feia?
Acha que existe chá de buceta?
Amor de pica?
Sexo simples?
Amor a primeira vista?
Destino?
Sorte?
Encontro de Almas?
Azar é real?
Orgasmos múltiplos são bons ou ruins?
Vagina e clitóris são duas coisas ou uma é apenas extensão da outra?
A velhinha do Multishow ajudou seu desempenho?
Você goza melhor por que leu? Por que viu? Por que se masturba? Por que ama?
O amor melhora o orgasmo?
Quem ama menos goza menos?
É real a diferença entre orgasmo vaginal e orgasmo clitoriano ou é apenas um recalque machista?
A Marina Colasanti já foi Utilidade Pública?
Se um homem (ou uma mulher) diz EU TE AMO, isso te oprime ou liberta?
Amor é ideia? É texto? É invenção? Fetiche?
Desculpa para broxas? Para frígidas? Para promiscuidade? Amor é real ou é apenas uma ideia que dá frutos?
Ama-se porque quer ou porque é inevitável? É legal? Pega bem? Ou não? Amor tá na moda ou fora? Ter discursos pró amor é coisa de quem ama? Ou discursos pró amor é resultado de quem nunca amou?
Filhos promovem amor? Filhos podem salvar o amor? Filhos podem materializar o amor?
Misturar os gametas dá tesão? E um homem e um homem? Uma mulher e uma mulher? E o pan sexualismo? O bi sexualismo? O tran sexualismo?
E filhos de viados têm Complexo de Édipo? De lésbicas de Jocasta? Como é que é?
E, de novo e de novo, o amor?
Que porra é essa?
Que assunto é esse?
Por que, afinal, se fala tanto nisso?
Quem ama é melhor?
Quem nunca se sentiu amado se tornará um serial killer?
E o resto?
E a vida?
E o medo?
E a loucura?
Amor tá na moda, não tá?
Diria TE AMO PORQUE AMOR TÁ MODA?
Diria AMAR É BOM PARA TREPAR MELHOR?
Diria SÓ AMANDO SOU FELIZ, mesmo sabendo que isso é estúpido e triste e que felicidade não existe?
QUERO TE AMAR, MAS NÃO CONSIGO, você diria?
E, estando bêbada, explicaria
CHORO PORQUE TE MALTRATO,
TE AMO PORQUE VOCÊ ME INCOMODA e
TENHO MEDO DE TE AMAR PRA SEMPRE?
Falaria sobre exames de DST'S?
Sobre camisinha e falta de contato real?
Sobre dar o cu apenas por generosidade?
EU TE AMO SEM TITUBEAR, você diria?
Gostaria da frase QUEM AMA, NÃO TITUBEIA?
Ou então QUEM AMA, NÃO PECHINCHA como uma tatuagem alí, bem alí, no lombo e em letras coloridas? Apenas acima do fim do fio da bunda?
-
E se depois do não a cada pergunta
eu disser que nem ligo e que nem acredito,
você me achará esperto ou otário?
Você se importa?
Vai me adorar por eu negar o óbvio
ou me odiar por eu insistir no óbvio?
Tem coragem de me dizer?
Ou é melhor fazer de conta que NÃO SEI QUEM SOU?
Você sabe, não sabe?
E se eu não souber é porque sou fraco?
E você?
E eu?