20 de novembro de 2010

Tesãozinho de ocasião.
Sente-se aqui e sente-se ali.
Há que se tomar cuidado:
não levar esse tesãozinho tão à sério,
não ignorar o tesãozinho que há.
-
Assim até eu.
Eu vejo as criancinhas e eu gosto delas.
Converso, sou simpático e sou legal.
As criancinhas com peitos minúsculos
e promessas de amor incondicional.
As criancinhas que fazem promessas
porque não acreditam em promessas.
-
Nem só de belas tetas vive um homem.
Ouvir as tristezas dela é como
ouvir um relógio que reclama
por ser obrigado a contar
cada segundo que passa.
Um relógio que reclama por ser o que é:
um relógio.
-
Pede-se pouco.
Fosse só burra ou só gostosa.
Fosse o que fosse,
mas que fosse apenas o que é.
Ah... Assim pedia luz pra Jesus
e lhe alimentava todas as noites:
leite morno para os bons sonhos.

19 de novembro de 2010

Show dos coleguinhas.

Eu estou lá. Táxi, entrada, bebidas e táxi: tudo é dinheiro e tudo é bobagem.
Gosto de estar lá. Nunca estou lá e por isso gosto.
Os coleguinhas, a banda, o rock.
Rock, eu repito.
São três. Eles tocam e às vezes cantam. Meus amigos de maneira geral. Estou lá por isso, pra ver o trabalho dos meus amigos.
E eu gosto.
O simples fato de eles não tocarem sambinhas-na-lapa me acalma porque isso é menos normal do que eu gostaria que fosse.
Me divirto. Há gente. Eu estou lá e não aqui. Há gente. Eu gosto.
Agora, confesso, eu gosto de tudo.
Sou um cara legal e generoso, mesmo que me provem o contrário.
E vivo, nénem, vivo.
E vejo. E imagino. E estou aí - mesmo que nem sempre eu emplaque.
Decência, eu diria.
Céu e inferno, em outras palavras.
Satisfação, e me recuso a dar explicações.

18 de novembro de 2010

Vai, Fernandinho.

A porra da vida bate na bunda. Então se sobe e então se desce. Montanha russa de caralhos e bucetas - e, pra que fique claro, digo isso da perspectiva de quem tem uma preferência entre os caralhos e as bucetas.
E na quarta eu era um imbecil suicida, na segunda um cretino satisfeito, na terça um deus discreto e por aí vai.
Até quando? Pra sempre, neném, pra sempre.
Sobe e desce filho da puta. E a puta pare. E a puta goza. E a puta apanha do seu grande amor.
E o leite derramado está lá. Faz um belo mapa no chão. Parece o sul da América do Sul, parece a ponta da bota que é a Itália. E os imbecis do mundo se reúnem num coro pra cantar: "não adianta chorar pelo leite derramado". Mas o coro esquece que "não adianta sorrir sobre o leite derramado" nem "fazer de conta que o leite derramado não existe".
Então segue-se. E velhas têm cataratas, crianças novos colégios, adultos novos empregos e jovens têm Internet e outras bobagens - como o show de rock-amigo que vou daqui a pouco.
Seja como for sempre confirmo que:
- não tenho vocação pra suicida.
- não acho a MTV super legal.
- sou católico porque fui batizado.
- os americanos fazem seriados como ninguém.
- a Internet é uma ferramenta de solidão.
- o álcool é uma terapia mais eficiente.
- toda merda é generalizada.
- um dia após o outro é o bom senso mais classe média da porra do mundo.
- há 6 anos atrás eu era 20 kg mais mais magro.
E vem dia e vai dia. E aqui estamos. E eu continuo. E você. E o blogue. E também tudo isso que chamamos de 'esperança', mas que, afinal, quer dizer mesmo é: ESTAMOS AÍ.

14 de novembro de 2010

Porque ao pensar "ela é bonita, mas é chata" haverá, querendo ou não, o lapso entre a carne e o espírito (e digo espírito por falta de palavras).
E se a beleza é óbvia, o espírito não é bem assim. Há que se ter paciência e dedicação. O espírito é qualquer coisa que surge com o tempo e com a generosidade.
Vê-se belos espíritos com olhos otimistas. E vice-versa.
Achar chifres em cavalos é uma habilidade humana. Somos, de maneira geral, generosos e bons.
E, quando tudo dá certo, gostamos de alimentar as pessoas que amamos.
O amor, seguindo essa lógica, é o sentimento que torna possível a generosidade. A mulher amada sempre será linda, mesmo quando vomitar ou cagar nas próprias calças. A beleza da mulher amada está na generosidade que o amor traz.
E apenas por isso acredito em amor. Amor é o que faz com que a gente tolere o intolerável. Um tipo de cegueira convicta, um modo de crença que nunca dá valor aos fatos.
E, infelizmente, os fatos existem.
Amores de vínculo sanguíneo são mais fáceis de lidar: mãe, pai, irmão(a), filhos(as), mães ou pais de filhos nossos, etc.
Amores de ocasião também: amor da minha vida antes de se mudar pra Manaus, antes de voltar ao seu país, antes de descobrir que é gay, etc. O prazo de validade pode ser uma bênção. Como a Cameron, d0 House, que casou com um moribundo.
Seja como for, há a carne e há o espírito. Não acho que equilíbrio seja a solução. Há a carne e há o espírito. A balança equilibrada é indecente. O lançe (penso agora) é quase cair um dos lados. Mas quase.
-
A balança em equilíbrio precário me parece uma boa imagem:
de um lado o coração cru, do outro a fumaça chamada espírito.
Um lado quase cai, mas não cai.
A balança nunca está no meio,
mas tá equilibrada lá do jeito dela,
mesmo que torta.
meu amor


é uma criança triste


quando pensa bem


sempre desiste.

11 de novembro de 2010

existe

a paz, o gozo,
o tempo desperdiçado sem ser perdido.
gosto do que gosto.
melhor assim.
e nem posso reclamar.
pai e mãe vivos,
sobrinhas sem doenças
e esperanças que brigam com o tempo.
-
o dinheiro aumenta meu pau
e gente quer me dar.
isso passa, eu sei.
mas passando, eu fico.
porque é melhor lembrar disso
do que lembrar
da puta burra que
me cobrou 150 pratas.
-
contas de mais
e contas de sim e não.
o corpo comprido ficou caro,
o corpo magro não ficou.
-
a gente mente
e a gente se diverte.
a gente se resolve.

10 de novembro de 2010

Teimodinho, eu aprendi.

Não gosto dessas metáforas mal usadas e tenho raiva de tudo que se diz em nome da sinceridade. Como se sinceridade fosse desculpa pra idiotez.
(Ela diz: sou muito sincera por isso digo merda)
E vejo sua burrice cheia de brilho que crê, como burra que é, que em nome da sinceridade todas as imbecilidades podem ser toleradas.
Há que se pensar o que se fala. Ou então viver falando tudo que se pensa como uma criança que ainda chama a mãe após cada merda no vaso.
(Um clássico: manhêêêê... acabei.)
Estou velho e estou intolerante. Minha solidão é sincera e, portanto, estúpida. Não topo tudo e nem gosto de jogadas. Pago meu preço, mas o preço que eu pago eu rôo sozinho. Minhas invenções são gloriosas porque são minhas e porque são invenções. Não posso - nem acho importante - cobrar invenções de gente alheia.
(Que cada um com seus problemas, mesmo que a dor seja coletiva)
Tenho meus cigarros, meu tédio e eu mesmo para suportar.
E esse papo de se amar ser importante nunca me convenceu.
Simplesmente porque conheço muita gente que diz 'eu me amo '.
-
mais um post na caixinha
e mais uma dose de própolis
a vida
é cheia de picuinha.

9 de novembro de 2010

listinha

  1. As queridinhas. Elas me amam quando estou no metrô e leio meu livro. No metrô as queridinhas me amam e ignoram minha pança branca e redonda. Mas dar pra mim que é bom, nada. As queridinhas me desejam apenas entre a Glória e Botafogo.
  2. Faço julgamentos. É arriscado. Julga-se mal, julga-se bem ou simplesmente se faz um julgamento equivocado. Seja como for, meu julgamento me diz: D é carente. Apenas isso. D. é profundamente carente. Freud deve explicar. Coisas sobre papai mau. Freud, com certeza, explica.
  3. J sem soutien é meu delírio. Peitos pequenos e atentos sem soutien. Mulheres de peitos pequenos deveriam ser proibidas de usar soutien. A gravidade age menos em peitos pequenos(taí mamãe que não me deixa mentir). É como uma vingança retroativa: a peituda da 7° série segura canetas bics com seus peitos enquanto a peito pequeno precisa apenas de uma camiseta branca e de um ar condicionado. Tesão. Tesão em J. E também tesão generalizado. Prefiro os peitinhos de J. Tesão, tesão.
  4. Gostar de si é tão necessário quanto não gostar de si. É o erro fatal de todas as auto ajudas. A vida não é tão simples. E esse sobe-desce nosso de cada dia é, mesmo que inevitável, uma bobagem. Somos crianças diante do doce. Somos crianças diante do quiabo. Mas, pra amenizar nossa culpa, afirmo: ser criança não é um ideal, é apenas o que ocorre.
  5. Fazer planos. É normal e idiota. Meu plano agora é assim. Queria um escritório. Isso mesmo: um escritório. Faria a mesma coisa que faço aqui. Mas em outro lugar, com contas a serem pagas e, principalmente, com bancos de horas. É uma mentalidade de macaco: cria-se a circunstância para depois se criar a necessidade. Como a frase-punhetinha para atores: você corre de um urso / pode imaginar o urso e o medo que ele te dá pra depois correr / ou pode correr e depois ter medo do urso / você que sabe. (é quase isso. o original sempre é melhor).
  6. punhetinhas jogadas. Escrever mensagens no facebook é soltar pólen. Aleatório, sincero e virtual. Uma nuvem de talco. Primeiro derramar o leite. Depois chorar sobre ele. Como se só isso fosse, como se não houvesse ceú e inferno, como se no xadrez os peões não fossem menos importantes que a rainha. Coisas jogadas. Jogos de maneira geral. Eu me divirto e ela também. Quem sabe nos divertiremos juntos.

8 de novembro de 2010

here-me.

Nada mais solitário do que: tenho meus amigos.
Solidão partilhada entre solitários. É justo. É justíssimo. Mas, ainda assim, é triste. E só.
Estou no mundo e vejo toda tristeza. Tristeza que é minha também, mas que só noto quando ocorre com os outros. Divide-se comidas e tardes de domingo por pura falta do que fazer. E há sempre uma leve frustração no ar. Aquela coisa estranha, estúpida e comum: fiz comida pra mais gente. Esperava mais gente.
Mas estamos calejados e velhos. Não podemos reclamar, não é o caso. A gente sabe: dez dizem que vêm e dois estão aqui. Um equilíbrio errado entre intenção e realidade. E a gente entende. E eu estou lá. Sou um dos dois que foram onde disseram que iriam. E estar lá é legal. Pra mim, pra ele, pra nós. Nossa solidão é amiga.
Depois: pequenas obrigações que satisfazem. Fazer algo por muito tempo faz com que a satisfação ocorra. E, bem, há dinheiro na jogada. Ganho pra fazer minha obrigação e me sinto bem. Sou um macaco. À cada nova banana, um novo truque. Novamente afirmo: é justo, justíssimo. E, claro está, a justiça é apenas uma ideia de equilíbrio. Que seja.
Pego táxi, pego cervejas, chego em casa. É madrugada. É domingo e amanhã é segunda. Tenho minhas horas e minhas obrigações. Eu faço as coisas. E não sei o que isso quer dizer. Estou aí e, às vezes, emplaco. Fase boa de maneira geral. De maneira geral, eu repito.
Tenho meu blogue. Tenho minha cerveja. Tenho minha casa. Meus cigarros e meus CDS eu tenho também. É bom - e isso não quer dizer que seja perfeito.
Mas quem, cargas d'água, acredita em perfeições?

6 de novembro de 2010

Eu que vi eu que sei.

Toda tortura que é minha. E vaidade também, como não? A tortura é, em última análise, a vaidade mais brutal que há: sofrer só, sem dizer pra ninguém, sem ter ninguém, sem se quer reclamar da vida. Sofrer como se fosse uma sina. Como se o destino estivesse traçado e como se apenas a dor enobrecesse o homem. Sofrer pode ser um estilo.
Então, pra ser do contra, afirmo: não falo de mim. Não mesmo. Sofro também, mas nem me engano. Eu mesmo com meus dedos em meus buracos. Só sofre quem acredita e eu, infelizmente, não acredito. Acho tudo velho e malfadado. A ilusão é a mesma. Minha vaidade é ter a ilusão de que sei da ilusão que há.
Mas não importa. É um belo sábado de chuva e meu Dom Quixote de lata (presente de uma amiga) está na minha estante desafiando a parede azul que ele supõe ser o ceú. Por incrível que pareça não falo de mim ou do meu umbigo. Ainda tenho cartas na manga e a alegria de mentir deliberadamente. Inclusive pra si próprio.
É o paradoxo da mentira que tá no seu Aurélio de maneira mais elaborada: se eu afirmo 'eu minto' e o que estou dizendo é verdade, a mentira está em fazer tal afirmação.
De modo que me faço entender. Para os que têm dicionários e para os que gostam de pôr chifres em cavalo. Os que acreditam em unicórnios, em outras palavras.

5 de novembro de 2010

Toda Sexta às Duas da Tarde.

Uma tarada de botas que olha o meu blogue.
Que não existe, mas eu invento.
E ela dança (Sem roupa, mas com botas.)
enquanto escrevo isso e reparo no seu tufo de pêlos.
Ela gosta de reggae e fuma maconha.
Ela tem ataques de riso quando fuma maconha
e isso quase irrita, mas eu bebo álcool
como um recurso simples de amortecimento.
Fala da natureza, fala do ceú azul, fala do Cristo Redentor que vê da minha janela.
Fala sobre coisas que só mulheres falam
e isso me agrada.
Tenho tesão,
tenho pau duro,
tenho um blogue
e uma mulher de botas
que dança sem roupa
enquanto publico uma nova postagem.

3 de novembro de 2010

Põe a rodinha pra mexer e se satisfaz

Fazer.
Fazer como um macaco faz. E macaco faz que faz. E bate palmas. E vê os humanos que o vêem preso na jaula.
E, mesmo assim, não se pode dizer que o macaco está triste. Assim como não dá pra dizer que o macaco está alegre.
O macaco, bicho do bom, nem pensa se está triste ou feliz. O macaco faz macaquices.
E isso é bem decente. E civilizado.
Mas o macaco não pensa nisso. Ele pensa em macaquices, em sexo oposto, em castanhas escondidas em cascas e em banhos de mangueira.
Macacos adoram banhos de mangueira. Porque a água é corrente e macacos sabem que nem existem muitas fontes de águas correntes.
Por isso o macaco não liga pra jaula. Ele não sabe que está numa jaula. Por isso ele adora banho de mangueira. Porque ele nem desconfia que existem torneiras, água encanada e tubos de borracha que se chamam mangueiras.
Macaco vive bem, mas ele não pensa nisso porque macaco não pensa.
Então ele faz. Com as castanhas que cutuca, com o sexo oposto e com a água abundante que vem de fonte desconhecida.
Macaco bate palma e se vicia facilmente com os cigarros que a galera do zoológico joga pra ele.¹
Ele fuma. Ele recebe pipocas. Ele copula com o sexo oposto. O macaco tá vivo e faz parte do planeta - ou seria biosfera ? - mesmo estando dentro da jaula.
Macaco bom.
Macaco vacinado.
Macaco fazendo participação na novela da Globo.

31 de outubro de 2010

Omelete de claras, ela explica.

Seis ovos e apenas uma gema. Sal, pimenta e muita cebolinha. Tem que ser fresca e tinha na sua geladeira, ela sorri.
A camista branca é minha. Vi primeiro de costas: um lado da calcinha enfiado num dos lados da bunda. Achei bonito. Um tipo de imagem infernal: mulher com sua camiseta e calcinha semi-enfiada sem querer. O chinelo, claro, era meu.
Senta. Quer café?
Eu quero o mundo. Quero meu chinelo também. Ele é parte do mundo, sabe?
Ela lhe acha engraçadíssimo. Deus, no alto de seu trono, deve saber o motivo. Ela tá feliz e prepara o tal omelete. Faz explicações que você nem queria, mas ouve:
- só depois de um minuto que se põe a cebolinha. tem que estar quase desgrudando, mas com a parte de cima ainda mole. daí põe a cebolinha, dá mais um minuto e vira.
Você ri e reclama do seu chinelo de novo. Ela ri. A calcinha é cor de pele. Não deveria ser sexy, mas é. Mas o que sabem as revistas femininas?
- manteiga é o certo. gostei de ver manteiga na sua geladeira. e com sal... eu não entendo que tipo de gente compra manteiga sem sal...
O café é forte e com pouco açúcar. Lembro da minha mãe. Lembro do diabo à quatro. Ela prepara o omelete e parece não lembrar de nada. Ela está calma e sorridente: como sua bunda com metade da calcinha enfiada. Ela fala.
- nunca imaginava cebolinha aqui. ainda mais assim, fresquinha. foi só deixar na água um pouquinho que ela inchou. já reparou como cebolinha incha depois de você deixar de molho?
Eu falo pouco de manhã e ela não. Talvez seja nossa primeira diferença.
A calcinha tá lá e meio que me pisca um olho.
- delícia, né?
- hum, u-hum...
- nem precisa escovar os dentes, né?
Ela gargalha. Acha tudo engraçadíssimo. Come narrando os sabores e eu nem me incomodo. Comenta o curry, a pimenta, a clara que predomina, a cebolinha semi-azeda e a manteiga... fala horas sobre manteiga. Manteigas caseiras, temperadas, trufadas, com queijo, com lascas de sal, de garrafa, líquidas, misturadas, etc.
Manteiga parece ser uma especialidade.
Ela toma um banho e anuncia que vai embora. Adora domingos, ela diz.
Eu fico. Tomo banho depois dela sair.
- estranho isso, bem estranho.
Nem parece ser verdade. Ela sorri mais uma vez.

29 de outubro de 2010

Sundae de caramelo. Há o ar condicionado e as lojas. Passeio aqui e ali. Lembro que preciso de tênis e vejo os preços. Não consigo perceber a diferença entre o de 130 e o de 250. Meu pai(ou seria minha mãe?) diria: calça eles.
Prefiro o sundae à 3 reais. Caramelo. O que, afinal, é caramelo? Existe uma fruta chamada caramelo? Ou uma planta, tipo baunilha que é aquele cabinho fino e preto?
Passeio.
Na livraria sinto calma. Fazia tempo que não zanzava ali, o sólo do Solar, a música do Caetano que eu achava legal quando cheguei aqui. Rio de Janeiro, Deus abençoe o ar condicionado. Saio com 2 produtos.
Planos vem e vão. Isso apenas em uma tarde. Dormir, telefonar, escrever, procurar, decidir, goolgar passagens pra Argentina, preparar qualificações, etc. Nenhum plano é consumado: hortifruti aí vou eu, quero é carpaccio!
Mulheres lindas. Várias mulheres lindas: de salto, de saia, de tênis, de casaco, etc. Uma comprava doces - ja na loja Americanas - enquanto eu reparava nela. Loira séria de aliança e bico fino. Parecia estar triste e eu queria que ela me visse. Ela meu viu e disse SEXTA FEIRA. Eu disse ÉÉÉÉ... e paguei minhas cervejas.

28 de outubro de 2010

quanta belezinha.

eu meio que sinto tesão. mas é mentira. gosto de falar sobre tesão. e sobre peitos e decotes. sobre bucetas também. eu falo. eu gosto de falar. eu falo aqui. se fosse uma pergunta eu responderia que sou tímido. mas gostaria de dizer outra coisa. eu diria discreto. discreto é legal, tímido não. mas não sei se sou legal. têm 3, talvez 4, que acham. eles me acham sempre legal. tem uns outros. eles acham legal quando a gente se encontra. a gente se encontra pouco. é legal a gente se encontrar assim. e se encontrando pouco é fácil ser legal. é um mundo justo, nesse sentido. eu gosto de trocadilhos. o aramis gosta mais. mas quem manda nos trocadilhos - no sentido de deixar claro o humor dos trocadilhos - é o seu bill. ele é pai do aramis. não é meu pai. o bill é legal. e bebe. meu pai também bebe. mas meu pai nem é fã de trocadilhos. é um mundo justo e confuso, pensando bem.
por excesso de punhetas tenho pensado que o consumo excessivo de pornografia não é saudável. veja só. é fácil se desdizer. e mais fácil ainda se confundir. não acho que se confundir seja bom, mesmo que eu me confunda. tem gente que gosta da confusão, eu não. gosto do quê? de beber, ler, escrever. de foder eu gosto também. mas faz tempo que eu não fodo e nem sei se isso é ruim ou bom. teve uma adolescente que me acusou de super valorizar a foda. ela era idiota, mas acertou nisso. quer dizer, ela me abalou com isso. eu me abalo. eu sou fraco. eu tenho blogue, por exemplo. fraqueza, né? hoje mesmo eu pensei. de novo, eu pensei. pensar é errado. pensar faz mal. ter amigos é mais importante e saudável. vive-se melhor sem pensar. minha avó morta. ela tinha a coisa de ser curandeira e acreditar em deus. ela não pensava. era bicho. era triste e feliz. mas o que acho legal é que era triste e feliz sem pensar. não pensar é bom. é burro, mas é bom. c não pensava, g pensava torto, d pensava sempre com dor, c2 pensava, mas só sofria. quem entende? eu não entendo. mas agora eu to legal. agora eu sou legal. eu gosto da música que tá tocando e tenho dinheiro. dinheiro é legal. eu também sou legal, né? lembra? teve sua mão. eu adorei sua mão. amei mais sua mão do que você. eu falhei nisso, né? amar é dureza, a j disse. a j é linda e a m também. as duas se reconheceram como mulheres lindas e me emocionei. eu sou fraco. acontece. meu pai mora em brasília e minha mãe em curitiba. eles sofrem. eles são sós. eles não conseguem conversar muito bem entre eles. eu consigo. me dou bem com os dois, mas moro no rio de janeiro. é um mundo estranho. tem muita tristeza no mundo. mas o que importa nem é isso.
digo: o problema é a tristeza daqueles importantes pra você. o mundo em si nem é o mundo. a não ser que o mundo pense sobre o mundo. mas ele não faz isso. o mundo gira. eu não giro. até tem gente que gira. mas ninguém gira como o mundo. acho.

25 de outubro de 2010

depois dos rastafáris.

Não gosto de escândalo,

não gosto de piti.
Estou velho,
estou acabado
e - por ironia - me sinto bem com nunca.
Não gosto do grito que você dá,

e acho que você deveria deixar o corpo resolver.
(as bucetas falam, sabia?)
Mas você tem cadência,
você tem dicção,
você geme como se estivesse sendo filmada.
(as bucetas, além de boca, têm língua, sabia?)
Quero uma mulher

que ande de Ceci rosa
pela orla do Rio
enquanto toma um sorvete.
Não me interessa sua habilidade em ser do contra.

E muito menos seu ex namorado zen e Indiana Jones - ao mesmo tempo.
Eu quero a orla como paisagem,

um sorvete chicabom
e um bifo frito.
Não

me parece
que
eu queira
muito...

24 de outubro de 2010

Domingão na cabeça

Música alta. Penso em falar sobre papai triste e mamãe melancólica. Penso. Tem minha irmã em seus labirintos, minhas sobrinhas. Tem eu mesmo. Cheio de queixas e dores velhas. Tem os planos também. Tem, é bom não esquecer, as órfãs e órfãos que sofrem sempre culpando a orfandade. E os cachorros... como se esquecer dos cachorros? Abanam o rabo, latem e choram com a mesma convicção. Ah, os cachorros...
Por ora, nada disso. Eu mesmo e minha teimosia. Escrevo por tédio, confesso. E também porque ta aí o domingão e ninguém aguenta o Gugu ou o Raul Gil. Até os porres de domingo perdem sentido. Ah... bom era ter a namorada que tive: adorava trepar de porre aos domingos. Era católica e tinha coerência. Trepávamos aos domingos como o dia sagrado que ele é.
Mas falar de si é facilitar. Fale dos outros ou do mundo. Fale. Ou tenha um blogue, um twitter, um facebook, um caderno de capa dura... essas coisas. E repetimos. Repetimos com eficiência e tecnologia: somos nós mesmos.
Fronhas sem travesseiros e meias sem pares. A matemática que era pra dar certo, mas não deu. A confusão de achar que a tragédia é isso, uma algebra sem exatidão.
A boca sem dentes e o detalhe das dentaduras e jaquetas. A raivinha, o tesãozinho, a vidinha.
A sobrevivência, em outras palavras.

22 de outubro de 2010

-

aqui eu mesmo. minha bela pança berrando vaidades que não existem e nem procedem. ser mal, ser bacana, ser a farsa, ser o que se inventa. a liberdade como uma moeda de 50 centavos no chão: a gente se abaixa pra pegar. e nem percebe que os 50 centavos custaram o cofrinho e, junto com ele, toda a dignidade.
dignidade... legal... bela palavra, reconheço... mas lembro o meu avô dizendo dignidade e ele dizia absurdos, mesmo sendo o homem mais digno que conheci. ele dizia: 'nordestino é vagabundo' - ele era nordestino. fazia sentido. ter ódio do que se é e não se pode fazer nada. uma fraqueza e uma tolerância. fraqueza dele. solidão minha porque repito: ele era digno.
nasceu em 1918, mas foi registrado em 19. era teimoso e, pra sua época, era inusitado: achava que suas irmãs mulheres também deveriam ler e escrever como os homens. o pai dele, meu bisavô, não entendia. achava que suas filhas iriam escrever pros machos e virar prostitutas. a ignorância é um tipo de paraíso: nada se sabe e tudo se condena.
meu avô teimava em relação a escrever e ler, mas, mesmo assim, achava que mulheres desquitadas era uma coisa errada. ou os homens eram canalhas ou as mulheres eram putas. sempre assim: ou um ou outro. o sistema binário mais coerente que já vi.
e ele agonizava. câncer. câncer no estômago comendo sua velhice e sua satisfação. ele mantinha sua dignidade e me dava seus toques. ele tinha ido pra guerra e não tinha morrido. era um pracinha. foi quando as coisas melhoraram... a aposentadoria, essas coisas.
-
estamos em 2010. você me dá lições de vida post morten. o diabo sorri. nem deus nem diabo existem. a garota me disse que vivo do passado. ela nem me ama nem me odeia. ela também tem avô morto e entende sobre dignidade. ela imagina ser livre. eu também. nossos avôs, os verdadeiros portadores da dignidade, estão mortos e rezam no caixão. eles ainda nos amam e também nos influenciam, mesmo mortos há muito tempo atrás.
dignidade... essas palavras terríveis.

21 de outubro de 2010

duas cervejas.

A mulata está acompanhada, mas talvez seja seu irmão. Ela passa por mim: peituda e cochuda.
Mulata tipo prata. Em outras palavras, ela brilha.
"Poxa, que coxa", eu penso bestialmente. Estou bêbado, confesso. "Poxa, que coxa" é engraçado e estar bêbado é bom.
Ela amarra o cabelo. Lança o pescoço pra trás e se apoia na cadeira. Faz um nó no cabelo. O pescoço brilha e eu me emociono... essa coisa de beber deixa a gente um bocado suscetível. As lembranças me invadem... "Meu Deus, por que que essa mulata não é minha?".
Seu irmão (ou seria seu namorado?) vai até o balcão e paga a conta. Não gosto dele. Usa brinco. Tão antiquado usar brinco... coisa de índio. Ela já tá com a bolsa no gatilho e levanta. "Bunduda também", eu penso.
Os dois saem e os perco de vista. Uma pena. Ela era linda e farta. Ele tinha brinco, era mulato, mas sem brilhar. Eu ficaria horas olhando pra ela - apenas olhando pra ela - e me sentiria ótimo.
A minha cerveja acaba. Eu volto pra casa.

18 de outubro de 2010

A chuva parece acalmar.

Há quem não goste de chuva, há quem não goste de sol. Há o mundo inteiro. E o mundo inteiro é enorme e perturbador. Muita gente espalhada, muita ideia solta, muitos lugares pra conhecer, muitos dias, muitos anos (antes e depois de nós). O mundo imenso, a cabeça como um balão de gás hélio e nós todos que, por ora, somos/participamos do/o mundo.
Existe uma gente que está na batalha, querendo conquistar isso ou aquilo. Existe a galera do bar, sempre bêbada e festiva. Existe o namorado da amiga, cheio de sonhos decentes e bonitos. Existe as crianças que crescem e que agora têm peitos e lhe desafiam no elevador. Existem as senhoras elegantes que estão surdas. Os cachorros que rosnam, as mulheres que amam, as traças do banheiro, os acadêmicos de palavras difíceis, as crianças órfãs, o Tom Jobim bêbado e risonho, o García Márquez desconfiado por estar na moda, os pernilongos que chegam no 6° andar, os homens que insistem em mijar na via pública, os casais que não se entendem, a dona da padaria da Rua da Passagem, a Solange comemorando aniversário com salsichas empanadas, a Branca com vestido de noiva e magra demais, o primo que lhe fornece viagras, a vizinha chata e falsa pra quem se diz bom dia, boa tarde e boa noite.
O mundo inteiro, o mundo todo.
A síntese bonita e sem frescura:
MUNDO VASTO, VASTO MUNDO
SE EU ME CHAMASSE RAIMUNDO
SERIA UMA RIMA
NÃO SERIA UMA SOLUÇÃO.*
*(clica no título, clica)