Depois de 1 ou 2 dias você chega a conclusão fatal:
os urubus querem a carniça
e oferecer carniça é prazeroso e doentio.
(Ninguém duvida da liberdade de um Napoleão de hospício)
Lá fora, as crianças choram como sempre choraram e chorarão.
É decente crer em destino.
É normal se apegar as próprias crenças.
A sobrevivência é necessária, mas não chega a lugar nenhum.
Os fortes sobrevivem. Sobreviver é virtude dos fortes.
Ocupar-se com a sobrevivência é não ter tempo para a inútil beleza grandiosa,
é achar que a merda é ouro por só conhecer a merda.
Sacis acham que ter uma perna é melhor do que não ter nenhuma.
Sacis não quiseram ser Sacis,
apenas nasceram assim.
Eles pulam por falta de opção e não por entendimento.
Achar que um Saci pula porque é feliz é confundir as coisas,
é misturar prazer e luta. É ser estúpido e se achar genial.
*
Sem mais e sem menos
termino isso daqui.
Acredito em Fadas,
mas nunca em Sacis.
É melhor ter asas e não voar
do que ter só uma perna
e crer que pode andar.
13 de junho de 2009
11 de junho de 2009
sonho bizarro. de luta. sai de uma ponta do quadrado e destrói as coisas que estão nas outras pontas. na ponta em diagonal oposta, a maior das coisas. uma mandinga, uma macumba, sei lá. chuta-se aquilo em desafio. guerra. luta de poder. embate físico. sem ganhador. afasto o inimigo que antes de sumir me pega pela cintura e pela mão e se apresenta. diz seu nome de preto e usa terno e chapeú - azul?. some. eu acordo.
10 de junho de 2009
Excitamento de cadáveres.
Uma bicha lambe o cu da outra. Não é bonito ou excitante. Mas há uma ternura no ato. Não se trata de enfiar a língua cu adentro, mas sim de lamber, com calma e afeto, as bordas do cu que se oferece para ser lambido.
Lambe-se o cu um do outro. Um troca troca, um ‘primo de bundinha’, uma verdade com prazo de validade. É uma grande loucura tudo isso. E segurar os demônios pelos chifres ainda é uma espécie de dança.
Imbecis não erram, imbecis não se arrependem, imbecis quando erram super valorizam o erro, imbecis berram aos 4 cantos do mundo: - faria tudo da mesma forma!
Imbecis são imbecis.
A roda gigante tem uma fila imensa: 40 min. na fila para 5 min. de giro e diversão. Imbecis preferem a fila, esquecem que estão nela pela roda gigante. Confundem o giro e a diversão com esperar na fila.
A loucura é que essa confusão é real, profunda e concreta. Lembro de uma ótima professora que disse: “quem super valoriza o processo não sabe onde quer chegar”.
Lamber cu é bom, ter o cu lambido é melhor ainda. Mas nada se compara à um pau duro dentro das carnes. É por esse inferno que lambemos os cus.
A roda gigante existe sem a fila.
Mesmo o parque de diversões existe.
Eles estarão lá, com ou sem filas.
Eles estarão lá, com ou sem filas.
9 de junho de 2009
O frio tem alma e faz com que dormir seja um grande prazer. Dorme-se pesado, envolvido por mil cobertas grossas e cheias de lãs dos mais diferentes animais.
Outro prazer imenso que o frio proporciona é cutucar o nariz. O ranho seco e sólido, o trabalho com o dedo e a conquista que sai inteira e pesada, pronta pra ser lançada no chão ou na janela.
Tem também a boa comida e as lembranças da doce P. É só me deitar na velha cama que lembro de tudo. A euforia do se esquentar junto, o pé mais gelado que conheci e aquele riso fácil, que é como uma foto na minha cabeça de tão bem que me lembro.
A pena é a cervejinha, que perde seu charme e seu sentido. Claro que há o whiskey e o vinho. Mas sou um cara de cerveja, por assim dizer.
Acho que o tempo de embriagues da cerveja é perfeito. O whisky é ótimo, mas veloz. O vinho é bom, mas enjoa.
Seja como for, reparo que escrevo menos por aqui. Há algo na solidão que me provoca mais, como se o excesso de mim mesmo me deixasse mais ‘falante’. Sei lá.
E lembro agora do livro da vez. O cara que ta preso é o narrador e comenta que o pior da prisão é a promiscuidade. Promiscuidade não no sentido sexual que usamos hoje em dia, mas na coisa de sempre haver alguém por perto, de nunca conseguir estar sozinho.
Segundo ele, isso é o pior de se estar preso: “numa prisão sempre há alguém do seu lado.”
Faz sentido.
Eu acho.
5 de junho de 2009
¨
Puxação de cabelo pra que? Meu bom deus, meu bom jesus. Tantas fitas, tantas jogadas, tantas habilidades. Um horror. Era uma coisa profissional: bem feita e fria. Alma nenhuma, mas um corpo colossal e brilhante. A voz incompatível, os dentes com pequenas manchas brancas e a casa era a minha, mas de outra cor. Com outra vista.
Aí uma sensação de desmaio e a última visão do copo - como filme: a camêra explicando que havia alguma droga ali dentro. Tenta-se resistir, mas não consegue. A lombra lenta fechando os olhos. O misto de medo e prazer antes da queda.
3 de junho de 2009
é tudo sobre mim.
- Mais uma história pra contar.
- Há quem ache que isso é uma grande coisa, mas eu mesmo não concordo. Idiotas geralmente são seres cheios de histórias, medem sua vida pela quantidade de histórias que têm e são, como já disse, idiotas.
- Eu me comovo mais com aquele velho triste que repete sempre o mesmo causo. Pra mim é o velho triste que entende/entendeu alguma coisa. Ele sim tem UMA história. O resto é aquela gastação de saliva que acredita que ser articulado é ser inteligente.
- E ser inteligente é bem mais em baixo.
- Claro que ter histórias pra contar é bom, facilita a vida e dá a impressão de que se é muuuiiito inteêêênso numa mesa de bar.
- Enganar gente estúpida é fácil. Não chega a ser um grande mérito.
- E digo isso porque essa história é uma daquelas que eu vou contar sempre que puder.
- Claro que darei meus recados, melhorarei a mim mesmo e, por que não?, até acreditarei na minha invenção.
- Mas de qualquer maneira, ainda prefiro o velho que se repete. É aquele papo conhecido de que um escritor escreve apenas um livro, um ator tem só um papel e um jogador um único blefe. Eu entendo, e desejo, essa pegada.
- Bem, sem me estender ainda mais, escrevo pra mim mesmo e penso: também sei fazer micro contos. Micro contos é a instituição da sacadinha na literatura. Não precisa desenvolver a escrita, mas sim, e como não?, ter uma sacadinha.
- Que seja:
- o nome da nossa prática sexual era amor.
Ela me disse antes de começarmos uma nova amizade.
2 de junho de 2009
pra confortar o imbecil que existe dentro de nós.
*Muita loucura e doença por aí.
Não há muito a fazer. Dia bom dia ruim. A repetição é parte da jogada: as vezes confirma a loucura e a doença, as vezes confirma o encanto e a plenitude.
Não se ganha sempre e não se perde sempre. Claro que essa afirmação não quer dizer que perder é melhor. Ganhar é melhor. Ganhar seja o que for ou de quem for. Querer ganhar também é parte da jogada.
Nesse pacote profundo e desnecessário, eu digo: ninguém consola ninguém. Dor é a prova da solidão e cada um sabe dos seus próprios dêmonios. Minha única recomendação é pra que eles não sejam ignorados. Dançar com dêmonios é uma catequese que busco seguir, mesmo que nem sempre eu consiga.
Fala-se demais, sofre-se demais. A única fuga seria a morte, mas se matar é deselegante e egoísta. "Nunca confie num suicida", eu ouvi uma vez. Ainda acho que é uma boa frase.
Dia após dia até o suspiro final. E que seja um suspiro. E que seja dormindo. Morrer dormindo é bonito e calmo. É um desejo fácil de ser compartilhado.
Mas que da morte, Deus me livre. Viver pra sempre é também um desejo bom e compreensível. Como se as coisas não tivessem fim, como se a eternidade fosse uma matemática e não um sonho. Desejar o impossível é rolar os dados e crer na sorte.
A sorte existe, eu acho. Assim como acredito em destino e amor. É o meu pano verde, por assim dizer.
*apenas pra dizer que isso passa e que haverá uma saída. passar pela saída ou não é uma história completamente diferente e/ou mais cruel do que essa.
quem decide somos nós. mas isso não quer sejamos bons em tomar decisões.
Não há muito a fazer. Dia bom dia ruim. A repetição é parte da jogada: as vezes confirma a loucura e a doença, as vezes confirma o encanto e a plenitude.
Não se ganha sempre e não se perde sempre. Claro que essa afirmação não quer dizer que perder é melhor. Ganhar é melhor. Ganhar seja o que for ou de quem for. Querer ganhar também é parte da jogada.
Nesse pacote profundo e desnecessário, eu digo: ninguém consola ninguém. Dor é a prova da solidão e cada um sabe dos seus próprios dêmonios. Minha única recomendação é pra que eles não sejam ignorados. Dançar com dêmonios é uma catequese que busco seguir, mesmo que nem sempre eu consiga.
Fala-se demais, sofre-se demais. A única fuga seria a morte, mas se matar é deselegante e egoísta. "Nunca confie num suicida", eu ouvi uma vez. Ainda acho que é uma boa frase.
Dia após dia até o suspiro final. E que seja um suspiro. E que seja dormindo. Morrer dormindo é bonito e calmo. É um desejo fácil de ser compartilhado.
Mas que da morte, Deus me livre. Viver pra sempre é também um desejo bom e compreensível. Como se as coisas não tivessem fim, como se a eternidade fosse uma matemática e não um sonho. Desejar o impossível é rolar os dados e crer na sorte.
A sorte existe, eu acho. Assim como acredito em destino e amor. É o meu pano verde, por assim dizer.
*apenas pra dizer que isso passa e que haverá uma saída. passar pela saída ou não é uma história completamente diferente e/ou mais cruel do que essa.
quem decide somos nós. mas isso não quer sejamos bons em tomar decisões.
31 de maio de 2009
ouvindo cazuza e pensando em lulu santos. isso não pode ser um bom sinal.
domingo é um dia lento. meus dêmonios são mais fortes aos domingos.
e geralmente os encaro nesses dias. não combinei nenhum almoço, desmarquei a janta marcada e vejo o cazuza no youtube falando que o tempo não para.
o cazuza e o lulu santos têm grandes momentos. a vantagem do cazuza é que ele morreu.
mas nada disso importa.
escrevo uma carta, vejo mais um episódio do seriado americano da vez e faço um peixe que cheira bem, mas que não me dá apetite.
de qualquer maneira é bom saber que a comida tá pronta.
o cazuza tá magro e feio no clipe. a aids era uma doença que deixava as pessoas feias. agora, graças as evoluções da medicina que idiotas acham que é besteira, é uma doença crônica e mais ou menos controlável. melhor assim, né cazuza?
domingo depois de sábado depois de sexta e antes de quinta. reconhecer a profunda tristeza numa pessoa é sempre um experiência chocante. há tristezas que não têm tamanho e que, provável e tristemente, nunca terão fim.
estar errado, nesse caso, é uma esperança.
domingo é um dia lento. meus dêmonios são mais fortes aos domingos.
e geralmente os encaro nesses dias. não combinei nenhum almoço, desmarquei a janta marcada e vejo o cazuza no youtube falando que o tempo não para.
o cazuza e o lulu santos têm grandes momentos. a vantagem do cazuza é que ele morreu.
mas nada disso importa.
escrevo uma carta, vejo mais um episódio do seriado americano da vez e faço um peixe que cheira bem, mas que não me dá apetite.
de qualquer maneira é bom saber que a comida tá pronta.
o cazuza tá magro e feio no clipe. a aids era uma doença que deixava as pessoas feias. agora, graças as evoluções da medicina que idiotas acham que é besteira, é uma doença crônica e mais ou menos controlável. melhor assim, né cazuza?
domingo depois de sábado depois de sexta e antes de quinta. reconhecer a profunda tristeza numa pessoa é sempre um experiência chocante. há tristezas que não têm tamanho e que, provável e tristemente, nunca terão fim.
estar errado, nesse caso, é uma esperança.
30 de maio de 2009
===
Nada como uma bela ressaca pra fazer você pensar na vida. O mau humor lhe provocando azia, a boca azeda de cigarro e a pança proeminente do excesso de cerveja. Você até pensa que isso não é vida, mas é sim e é por aí que caminhamos.
A ressaca melhora quando você estala a lata de cerveja que sobrou da noite anterior. É uma verdade antiga e popular: a melhor coisa pra ressaca é beber uma.
(A verdade não é relativa. Os imbecis que acham isso pedem desculpas por existirem e serem quem são.)
No meio da tarde, com a ressaca provocando peidos realmente fedorentos, você finalmente consegue responder àquela coisa que lhe martelou a cabeça em todo esse processo de loucura e desespero.
A resposta é simples e vem como um raio. Você fica surpreendido por não ter entendido antes. Tão óbvio e tão invisível.
Pra cortar a boca azeda, você masca chiclé e lê um novo blogue de uma garota que parece perfeita pra você: arrogante, genuína, boa de escrita e mais velha.
No sua imaginação semi bêbada você se casa com ela, manda flores e tem direito a sexo anal uma vez por mês.
A ressaca melhora quando você estala a lata de cerveja que sobrou da noite anterior. É uma verdade antiga e popular: a melhor coisa pra ressaca é beber uma.
(A verdade não é relativa. Os imbecis que acham isso pedem desculpas por existirem e serem quem são.)
No meio da tarde, com a ressaca provocando peidos realmente fedorentos, você finalmente consegue responder àquela coisa que lhe martelou a cabeça em todo esse processo de loucura e desespero.
A resposta é simples e vem como um raio. Você fica surpreendido por não ter entendido antes. Tão óbvio e tão invisível.
Pra cortar a boca azeda, você masca chiclé e lê um novo blogue de uma garota que parece perfeita pra você: arrogante, genuína, boa de escrita e mais velha.
No sua imaginação semi bêbada você se casa com ela, manda flores e tem direito a sexo anal uma vez por mês.
#*#
Por Deus.
A loucura ocorre as vezes e quase nunca há charme nessas coisas. Copacabana bêbado ninguém merece. Muito assédio de travesti, muita investida de puta. O Rio de Janeiro é os travestis e as putas numa bela paisagem. Cidade linda e idiota. Só o Rio de Janeiro pode produzir essas coisas, como a Lapa: um shopping de miséria e gente estúpida.
Seja como for, há horas em que se deve desistir das coisas. Ir pra Copacabana bêbado é, e sempre será, uma idéia de merda. Travestis e putas podem ficar muito parecidos. Um risco imenso.
No quiosque do calçadão tomo uma saideira. Olho pro Copacabana Palace e pra areia. A diferença é menor do que se pensa. Os mistérios desvendados perdem seu encanto. Bom mesmo é ver o Rio de Janeiro pela televisão.
A loucura ocorre as vezes e quase nunca há charme nessas coisas. Copacabana bêbado ninguém merece. Muito assédio de travesti, muita investida de puta. O Rio de Janeiro é os travestis e as putas numa bela paisagem. Cidade linda e idiota. Só o Rio de Janeiro pode produzir essas coisas, como a Lapa: um shopping de miséria e gente estúpida.
Seja como for, há horas em que se deve desistir das coisas. Ir pra Copacabana bêbado é, e sempre será, uma idéia de merda. Travestis e putas podem ficar muito parecidos. Um risco imenso.
No quiosque do calçadão tomo uma saideira. Olho pro Copacabana Palace e pra areia. A diferença é menor do que se pensa. Os mistérios desvendados perdem seu encanto. Bom mesmo é ver o Rio de Janeiro pela televisão.
27 de maio de 2009
[]
um dia depois do outro até a loucura completa.
se pensarmos que no máximo, e com sorte, em 60 anos estaremos todos lá: do lado Dela e finalmente desvendando o último mistério.
por essas é importante gastar bem o seu tempo. aproveita-se como quer ou pode, mas o fato é que ninguém ganha tempo.
perde-se tempo. gota boa ou ruim, tanto faz. gasta-se sempre, independente de tudo.
o lance é não cagar muito sobre a própria vida. uma cagada ou outra faz parte da jogada. dá até um charme.
o risco é confundir merda com ouro e cagar como quem ganhou na loteria.
espalha-se merda e deseja-se fortuna.
deus que me livre.
se pensarmos que no máximo, e com sorte, em 60 anos estaremos todos lá: do lado Dela e finalmente desvendando o último mistério.
por essas é importante gastar bem o seu tempo. aproveita-se como quer ou pode, mas o fato é que ninguém ganha tempo.
perde-se tempo. gota boa ou ruim, tanto faz. gasta-se sempre, independente de tudo.
o lance é não cagar muito sobre a própria vida. uma cagada ou outra faz parte da jogada. dá até um charme.
o risco é confundir merda com ouro e cagar como quem ganhou na loteria.
espalha-se merda e deseja-se fortuna.
deus que me livre.
26 de maio de 2009
enquanto os vizinhos gritam
Lentidão estranha e prazerosa. Quase não me suporto: falo com todos, me dou mal com todos e me sinto bem. Tão bom ninguém dizer que você é maluco, que você tá errado e que tem que melhorar. Meu livro aberto me conforta. Meus arquivos de textos também. Eu era eu em 2005. É curioso comparar datas e inventar coincidências: meu delírio de anjo, meu amor mais perfeito, os gritos que servem pra chamar a atenção de imbecis e, por fim, a manipulação dos imbecis que consideraram seus gritos.
Sem mais, sem menos. Indo bem e cuspindo melhor ainda: minhas gracinhas verbais, minha escrita vaidosa e minha rainha com uma coroa que lhe pesa a cabeça por excesso de ouro.
É bom não acreditar na felicidade. É conveniente ter pai e mãe que lhe apoiam. Se meu grupo é uma pessoa a considero a única pessoa importante.
Nem feliz
Nem triste
pois um ou outro
é burrrice.
25 de maio de 2009
A Maldição do Bem.
Que fique claro. Que sejamos francos. Não por obrigação, mas por prazer.
Porque simplesmente fiz o óbvio. E óbvio pode ser tudo, mas nunca deixará de ser óbvio.
Claro que eu julgo. Meu Deus! É normal, e honesto, julgar! Não confio em gente que não julga! Não confio em quem acha que julgar é feio!
Julgar é simples. E, por que não?, natural.
Requer apenas um mínimo de discernimento: se saímos pro mundo, estamos no mundo e o mundo faz com que julguemos as coisas.
Pode ser um julgamento tímido ou extravagante, tanto faz.
O ponto é que julgar é óbvio - e honesto - na minha não humilde opinião.
Mas essa palavra pega mal: julgar. Julgar. J-u-l-g-a-r.
Lembra -se logo dos chavões que se disfarçam de diversas virtudes:
humildade, beleza, fazer o bem, fazer sua parte, oferecer a face ao inimigo, telefonar pro criança esperança, dar sopa aos pobres, não dizer 'dar sopa aos pretos', não associar os pretos ao crime, não falar preto, mas afro, achar que a suzana vieira é forte, admirar as pequenas ações sociais, valorizar a colheta seletiva, ser contra o desmatamento, crer na função social das novelas, amar ao próximo, participar das passeatas, preservar a água do planeta, fazer sua parte, fazer sua parte, fazer sua parte, tratar todos como iguais, acreditar que todos são iguais, não julgar sem conhecer, não dar esmolas pra não colaborar com a exploração, e por aí vai.
Mas o ponto, se é que há ponto, é que vivemos num mundo bundão. Num mundo onde a omissão virou virtude e a coisa clean pega bem. Tudo muito discreto e elegante, tudo muito sútil e razoável. Mas o clean é frio, a omissão carece de alma e os elegantes apenas seguem têndencias ditadas por revistas ou grupos cult.
Nenhum pau na mesa, nenhuma alma. Nenhum pensamento próprio, apenas sacadinhas e subversões delicadas: o casseta e planeta, as cruzes na areia de copacabana, os vários parceiros sexuais da ivete sangalo, o jô soares e suas meninas, etc.
Bem, o texto está longo e não sei se fui claro.
É mais ou menos assim:
Porque simplesmente fiz o óbvio. E óbvio pode ser tudo, mas nunca deixará de ser óbvio.
Claro que eu julgo. Meu Deus! É normal, e honesto, julgar! Não confio em gente que não julga! Não confio em quem acha que julgar é feio!
Julgar é simples. E, por que não?, natural.
Requer apenas um mínimo de discernimento: se saímos pro mundo, estamos no mundo e o mundo faz com que julguemos as coisas.
Pode ser um julgamento tímido ou extravagante, tanto faz.
O ponto é que julgar é óbvio - e honesto - na minha não humilde opinião.
Mas essa palavra pega mal: julgar. Julgar. J-u-l-g-a-r.
Lembra -se logo dos chavões que se disfarçam de diversas virtudes:
humildade, beleza, fazer o bem, fazer sua parte, oferecer a face ao inimigo, telefonar pro criança esperança, dar sopa aos pobres, não dizer 'dar sopa aos pretos', não associar os pretos ao crime, não falar preto, mas afro, achar que a suzana vieira é forte, admirar as pequenas ações sociais, valorizar a colheta seletiva, ser contra o desmatamento, crer na função social das novelas, amar ao próximo, participar das passeatas, preservar a água do planeta, fazer sua parte, fazer sua parte, fazer sua parte, tratar todos como iguais, acreditar que todos são iguais, não julgar sem conhecer, não dar esmolas pra não colaborar com a exploração, e por aí vai.
Mas o ponto, se é que há ponto, é que vivemos num mundo bundão. Num mundo onde a omissão virou virtude e a coisa clean pega bem. Tudo muito discreto e elegante, tudo muito sútil e razoável. Mas o clean é frio, a omissão carece de alma e os elegantes apenas seguem têndencias ditadas por revistas ou grupos cult.
Nenhum pau na mesa, nenhuma alma. Nenhum pensamento próprio, apenas sacadinhas e subversões delicadas: o casseta e planeta, as cruzes na areia de copacabana, os vários parceiros sexuais da ivete sangalo, o jô soares e suas meninas, etc.
Bem, o texto está longo e não sei se fui claro.
É mais ou menos assim:
22 de maio de 2009
Sexta Feira. Dia dos loucos. Não saio nem por um decreto.
Estou exausto. Acho que foi essa simpatia toda. Exercer simpatia cansa. Suga.
O mundo lhe suga quando você quer participar da coisa. Talvez seja por isso que alguns escritores que eu gosto tenham sido hostis ou reclusos. Participar da coisa, cansa. Ver é mais tranquilo, você se senta e apenas olha. Como sexo quando a mulher está por cima.
Estou exausto. Acho que foi essa simpatia toda. Exercer simpatia cansa. Suga.
O mundo lhe suga quando você quer participar da coisa. Talvez seja por isso que alguns escritores que eu gosto tenham sido hostis ou reclusos. Participar da coisa, cansa. Ver é mais tranquilo, você se senta e apenas olha. Como sexo quando a mulher está por cima.
a irmã do imbecil.
O imbecil sorri sempre e tem olhos pequenos. Fala com todos, anda de um lado pro outro e me disse, assim que chegou, que se sentia radiante. Radiante, ele repetiu.
Depois disse sobre seus três projetos de arte e, como não poderia deixar de ser, me convidou pra participar de um deles. Eu aceitei. Patrocínio quase certo. Sou simpático e tô legal.
- Quantas coisas geniais já não foram resolvidas na mesa de um bar? Crianças acreditam nisso. E hoje eu era uma criança. Limitada e dependente, como todas as crianças são.
A irmã do imbecil e eu, simpático e falso, lhe disse maravilhas. Uma moça que fazia fisioterapia. Fisioterapia! Coisa encantadora! 22 anos de idade e já pensando na velhice! Ela tem lá sua inteligência, não é?
Nem bonita nem feia. Faz parta da média. Tem lá seu repertório de filmes cults, leituras convenientes e amores fracassados. Deu pra muitos e amou pouco. Sente que sente: acho que hoje em dia a situação feminina é mais delicada do que era na época do Feminismo.
Ela tem razão. Ela tem - e terá - sempre razão. Eu sou simpático e tô legal e precisando de mulher. Ela é perfeita, pensando bem. Nem bonita nem feia. Peito ok, bunda ok, cérebro ok. Quem sou eu, afinal?
O imbecil interrompe o papo e diz que ela é a única irmã que ele poderia ter. Os 2 são os únicos filhos, então o que ele disse foi uma piada radiante. Eu rio. Sou simpático e tô legal.
Eu sozinho bebo mais do que a mesa inteira. A tragédia se configura e me ponho no meu lugar. Tomo 1 coca, 2 cocas, e continuo sendo simpático e legal.
40 min. e deu pra mim. Não preciso comer uma mulher, mesmo que ela tenha uma buceta e seja fisioterapeuta. Os verdadeiros males do cigarro só um fumante conhece.
Dou tchau pra todos que estão na mesa e combinamos de nos adicionar no orkut.
Pensando bem, hoje eu também estava radiante.
Depois disse sobre seus três projetos de arte e, como não poderia deixar de ser, me convidou pra participar de um deles. Eu aceitei. Patrocínio quase certo. Sou simpático e tô legal.
- Quantas coisas geniais já não foram resolvidas na mesa de um bar? Crianças acreditam nisso. E hoje eu era uma criança. Limitada e dependente, como todas as crianças são.
A irmã do imbecil e eu, simpático e falso, lhe disse maravilhas. Uma moça que fazia fisioterapia. Fisioterapia! Coisa encantadora! 22 anos de idade e já pensando na velhice! Ela tem lá sua inteligência, não é?
Nem bonita nem feia. Faz parta da média. Tem lá seu repertório de filmes cults, leituras convenientes e amores fracassados. Deu pra muitos e amou pouco. Sente que sente: acho que hoje em dia a situação feminina é mais delicada do que era na época do Feminismo.
Ela tem razão. Ela tem - e terá - sempre razão. Eu sou simpático e tô legal e precisando de mulher. Ela é perfeita, pensando bem. Nem bonita nem feia. Peito ok, bunda ok, cérebro ok. Quem sou eu, afinal?
O imbecil interrompe o papo e diz que ela é a única irmã que ele poderia ter. Os 2 são os únicos filhos, então o que ele disse foi uma piada radiante. Eu rio. Sou simpático e tô legal.
Eu sozinho bebo mais do que a mesa inteira. A tragédia se configura e me ponho no meu lugar. Tomo 1 coca, 2 cocas, e continuo sendo simpático e legal.
40 min. e deu pra mim. Não preciso comer uma mulher, mesmo que ela tenha uma buceta e seja fisioterapeuta. Os verdadeiros males do cigarro só um fumante conhece.
Dou tchau pra todos que estão na mesa e combinamos de nos adicionar no orkut.
Pensando bem, hoje eu também estava radiante.
21 de maio de 2009
-
Aquele papo reto e alguma luz no fim do túnel.
Bebo uma cervejinha com meu bom amigo e fico ali, olhando pro lado e reparando na quantidade de gente que passa:
Nerds neo hippies, crianças desengonçadas, bêbados burros, bundinhas claras e escuras, mendigos charmosos, adolescentes modernos, senhoras com gatos em coleiras, etc.
Eu estou no circo, mas agora, e só agora, me sinto um espectador privilegiado. É um mistério, mas tem dias que a gente se sente ótimo e dá bom noite pra todos que passam. Um mistério, eu repito.
E as horas passam rápido e o papo é bom e as visões do inferno nem me afligem.
Volto pra casa meio manco e converso horas com o porteiro.
Antes de dormir ligo o rádio e ouço as noticias. Durmo com a voz do locutor que anuncia alguma desgraça, mas que nem chega a me abalar.
Apenas lembro do Kléber e sua morte sem sentido.
Bebo uma cervejinha com meu bom amigo e fico ali, olhando pro lado e reparando na quantidade de gente que passa:
Nerds neo hippies, crianças desengonçadas, bêbados burros, bundinhas claras e escuras, mendigos charmosos, adolescentes modernos, senhoras com gatos em coleiras, etc.
Eu estou no circo, mas agora, e só agora, me sinto um espectador privilegiado. É um mistério, mas tem dias que a gente se sente ótimo e dá bom noite pra todos que passam. Um mistério, eu repito.
E as horas passam rápido e o papo é bom e as visões do inferno nem me afligem.
Volto pra casa meio manco e converso horas com o porteiro.
Antes de dormir ligo o rádio e ouço as noticias. Durmo com a voz do locutor que anuncia alguma desgraça, mas que nem chega a me abalar.
Apenas lembro do Kléber e sua morte sem sentido.
20 de maio de 2009
tricot.
Bem chatinho, sejamos francos. Podia até ser. Mas todo aquele esforço. E o excesso de sorriso. E também a mania de descascar o esmalte com os dentes. E isso sem falar em como é estúpido unhas pintadas de roxo.
Então é melhor encerrrar. Bem rápido, bem fulgáz, como é, como deve ser. Como acontece nessa coisa moderna e pop. Aquela mania que gente burra tem de achar inteligente o que não consegue entender. Como se 2 mais 2 pudessem ser diferente de 4. Ou mesmo o pop e moderno que tem uma sacadinha com isso: quando 2 mais 2 nunca são cinco e explicação é fraqueza.
Podia ser, eu sei. Tudo pode ser, não é? Mas, olha, sabe, nem quero discutir isso. Nem mesmo acho que tudo pode ser. Quer dizer: sim, tudo pode ser, mas desde que tudo seja apenas um 'jeito de falar'. Me desculpe, mas usar 4 vezes 'meu jeito de falar' em menos de 1/2 hora de papo é, pra mim, que sou antiquado e ainda acho que 2 e 2 são 4, uma coisa insuportável e que atesta sua burrice.
Olha, eu também disse isso. A gente diz muita merda. É normal. Não é pecado nem nada. Mas depois de um tempo a gente entende que o que díssemos foi merda e então assumimos. Sem achar que assumir seja uma grande sacada. Apenas dizemos pra nós mesmos: aquilo que eu disse foi uma merda. E de preferência em casa, na paz do próprio banheiro e segundos antes de passar a primeira leva de papel higiênico.
Claro que há sempre um barato pela jogada. Foi legal. Domingo é um dia ruim pra nós e, por isso mesmo, ideal pra que a gente sempre faça isso. Distrai e faz a gente pensar menos na gente mesmo. Todo domingo até o fim da vida. Assim poderia ser, mas só aos domingos. E só por poucas horas. Não é inteligente abusar da sorte. É só meu jeito de falar.
Assinar:
Postagens (Atom)
