20 de fevereiro de 2009

Cachorro, Gato, Galinha.

Daqui a pouco minha mãe chega.
Então acordo cedo e dou um conferes em tudo. Farei barba, cabelo e bigode. Mãe é um ser que se impressiona com a aparência. Se ela me ver com essa barba e esse cabelo, vai achar que to péssimo e coisas do tipo. E nem custa nada eu cortar o cabelo.
Meu Carnaval será com os meus por aí. Meu pai chega amanhã e maravilha. Ainda tentarei convencer minha vó pra vir pra cá.
E minha mãe vai me mimar e querer melhorar a minha vida. Coisa de mãe. Vai dar mil palpites sobre tudo e é isso aí. Coisa de mãe. Faz sentido ela querer melhorar minha vida. Ela é minha mãe, afinal.
Meu pai chegará amanhã e iremos à restaurantes e beberemos à larga. Ele me fará umas perguntas que eu acho difícil de responder: - mas você não vai mesmo na praia?
E eu direi não e ele fará não com a cabeça sorrindo e semi inconformado. Também tentará melhorar a minha vida.
"Não acredito, Fernando, não acredito", ele dirá por causa de alguma lâmpada queimada.
E minha mãe concordará com ele e os 2 tentarão melhorar a minha vida.
Coisa de família. Faz sentido.

19 de fevereiro de 2009

Evaniracatibiribira.

Minha
tem 80 anos e caiu pela primeira vez.
É claro que ela tá arrasada e que se sente mais velha agora, depois que caiu.
Quando falei com minha mãe ela me disse pra eu ligar pra ela porque ela tava meio amuada em função da queda e etc.
Não liguei no dia que minha mãe falou porque eu não sabia o que dizer. E eu tenho essa coisa de pensar antes de falar.
E pensei e descobri o que falar:
- olha, vó, eu to te ligando porque eu to sabendo que você caiu e, como eu te conheço, imagino que você deve tá arrasada...mas o seguinte: você caiu pela primeira vez agora, aos 80...quantas velhinhas que você conhece que já caem com 60? você tá no lucro...sabe disso.
E ela me contou a história da queda e disse que foi dirigindo seu 'vermelhinho' pro massagista e que só depois de chegar em casa, com seu 'vermelhinho', que ela foi no médico e viu que nem quebrou nada.
Claro que ela tá com dor e tomando uns remédios. Quem quer que seja que chegue aos 80 sabe que isso pode acontecer.
O lance da minha vó é que ela é animada. Tem blogue, transita em computador e ganha várias multas de velocidade toda vez que pega uma pista lisinha.
No ano passado ela me ligou no meu aniversário e disse:
- eu não sei o que dizer, mas eu quero que você tenha uma vida tão boa quanto a minha.
Isso, como desejo pra aniversário, pode ser simples, mas como eu morei com ela 2 anos, sei que nem é assim. Foi algo que me impressionou. A vida dela nem sempre foi BOA, mas ela, com 80 anos, diz isso pra mim.
Não sei explicar, mas entendo. E entender é mais importante que explicar, afinal.
Dona Evanir, uma mulher que reclama, mas que, mesmo assim, acha que a vida foi boa.
Ela não acha que tudo é uma maravilha. Ela segue e inventa coisas pra seguir. E sua conclusão, depois de tudo, é que é a vida foi boa. Uma maravilha.
Vou sempre guardar o que ela disse depois de ver uma peça do Oficina: eu vi o cu do Zé Celso!
E todos rimos e foi um dia bom.
Os dias ruins nunca importam.
Não é mesmo?

18 de fevereiro de 2009

relatinho.


noite imensa.
45, mas parece 35.
descobri porque tem uma filha de 19.
na verdade 2 filhas e 2 casamentos fracassados.
conversou comigo por causa do filme 'o lutador' que eu também tinha visto.
ela e o namorado cocainômanos.
ela mais pegajosa e chata.
ele mais tranquilo e sempre mal tratado por ela.
ela fala mais e sempre pega no braço.
avisa que o cara do lado não é legal.
traficante de pó ruim.
vende vidro moído, segundo ela.
diz pra eu não falar com ele.
diz que ele a odeia.
os 2 falam de filme.
ele explica que eles, o casal, vêem 1 filme por semana.
não gostam do d. de oliveira.
eu não vejo 1 filme por semana.
ela é jornalista, mas trabalha na receita federal.
ele na petrobrás e mais nem consegue falar.
os 2 tem grana.
ela saiu de Brasília.
o irmão morreu e ela saiu.
não entendi se ele se matou ou não.
ela saiu de lá com 25 e adora o rio.
ele não gosta desse papo, segundo ela.
eu faço teatro e eles me elogiam.
alguém que pensa, eles dizem.
falam do Nelson Rodrigues.
leram tudo do Nelson Rodrigues.
a cabra vadia, o reacionário, tudo.
ele tenta falar, mas ela não deixa.
ele sorri mais e cheira menos.
carro bom e vida boa.
amanhã ela acorda cedo e reclama.
ele também.
quando me despeço eles dizem que é bom conversar comigo.
eu sorrio.
eles dizem 'até amanhã'.
sinto medo.
ir no bar pra conversar com viciados é estúpido, eu penso.
o elogio dela é porque a deixo falar.
medo de novo.
hoje não apareço.
único fato.
o resto, histórias.

do Galhardo. Fodão.




-

Na média tem sido igual: dia bom dia ruim. Hoje, se a média valer, será dia bom. Tenho que escrever as coisas e empaco. Então eu leio pra tentar desopilar. No sábado passado deu muito certo e escrevi numa só sentada algo que realmente gostei. Mas nem é simples. E o calor no Rio de Janeiro é insuportável. Em último caso, no fim do dia, andarei como um louco pela Urca. É outra maneira de desopilar.

noite fria.

A menina corre
pra atravessar a rua
e chega no bar.
Lá descobre
que o mundo é grande,
mas pode ser menor.


17 de fevereiro de 2009

Artaud e o calçadão de Copacabana.

Toda loucura pode ser comovente, mas nem todas podem nos envolver. Sabe como é. Há muito tédio espalhado nas calçadas e mais ainda no belo e fedido calçadão de Copacabana. Se eu fosse capaz de me alegrar com o mar ou com o sol ou com o carnaval, eu não seria eu. É simples assim. E confesso que acho o mar, o sol, o Carnaval e até o calçadão fedido de Copacabana, coisas belíssimas de se ver. Então eu vejo e acho belo, mas não me envolvo. E também não faço força pra me envolver - porque aqui, cá comigo, essa força que é feita por aí, pra fazer parte, pra agradar, pra não criar caso e etc, é um tipo de força que tem mais de desespero do que de desejo.
E eu gosto mais é do desejo, do desejo e sua loucura, e mesmo do desespero que o bom desejo causa. Lembro do Artaud, aquele louco genial, falando que é impossível viver sem exasperação. E que quanto mais exacerbado, mais puro. Questão de sentir a vida. E também que só se pensa na vida quando se tem da vida uma ideia de grandeza.
Ah! Isso sim é uma beleza!
Ainda mais bela que o belo e fedido calçadão de Copacabana.

4 contra 1.

Meu caralho é doce e eu olho pra ele com admiração. É mesmo uma pena não dar pra chupar o próprio pau. Foi o Bukowski que me ensinou isso, " geralmente é por milímetros que não conseguimos chupar o próprio pau." É fato. E como fato, é triste.
Seja como for, meu pau resiste bravamente a punhetas. Um auxílio cibernético aqui ou ali, mas tudo certo.
Já superei a ferida que surge onde roça o dedo indicador.
Aprendi a me masturbar com 4 dedos.
Maravilha.

15 de fevereiro de 2009

17 anos.

Ela passa
andando
e
balançando
os braços.
Mini saia
muito apertada.
Bunda imensa,
infantil
e infernal.


14 de fevereiro de 2009

sim sim sim.



chorando baixinho durante o filme. céus, como é bonito algumas coisas nesse mundo. e a vontade de chorar era justamente nos momentos sublimes, veja só. tudo lá. o melhor da américa é o meu caga regra. tem que ver e ver assim, apenas como quem vê mais uma histórinha. e faça força pra achar que é apenas mais uma histórinha. as coisas que importam estão sendo ditas, basta apenas reparar.

12 de fevereiro de 2009

sobre os butecos e pés sujos.

Há qualquer coisa ali que só se pode observar desse jeito: entre uma cerveja e outra, semi embriagado, com a t.v ligada e nenhum foco específico. Se um bêbado invade a espelunca surge um foco e, portanto, a observação discreta é limitada. Mas quando não há nenhum foco é uma maravilha.

Vejo coisas que entendo, mas que nem sei se sou capaz de explicar.

Sem dúvida ler o bom e velho Bukowski me ajudou a entender essa ternura que surge no meio da merda. Sou um tipo que me influencia, embora quem não me conheça ache que não. Sou mole e vulnerável como só um bêbado legítimo pode ser.

Mas o ponto é o bar e suas histórias. Então volto à ele.

Foi onde eu vi:


  1. Uma mulher, verdadeiramente vulgar, cantando e dançando uma música da Alcione que era um tanto feminista e tola, mas que ganhou um sentido absurdo com aquela preta ruim berrando aquilo como a última verdade do mundo. Depois de 1 min. o bar, que estava cheio e barulhento, calou e ficou por 2 min. a vendo cantar e dançar. Houve aplauso no final e foi sincero. Ninguém alí abordou àquela preta ruim depois disso. Só o "show" importou e, em um bar, isso é respeitado.

  2. A Solange e o Antônio discutindo porque ele não poderia estar no aniversário dela. Eu, mais que ele, vi a cara frustrada dela. Ela é mais bêbada do que ele e, confesso, ele é quase um santo. Ela e ele são incrivelmente parecidos, desses casais estranhos que parecem irmãos. Ele é agente da funerária daqui de baixo e ela é doméstica de uma velhinha que lhe libera pra beber e acordar tarde, "11:30", segundo ela. "Pra preparar o almoço", segundo ela ainda. O fato é que eles são amantes há 10 anos e ele tem família em Maricá. No dia do aniversário em questão ele não estaria no Rio e...sem chance. Mas ela, mesmo sendo bêbada e desagradável, sentiu uma dor grande e imensa. Dessas que a gente sente junto porque entende que não há mesmo solução pra algumas coisas.

  3. Um solitário que quer conversar com o Coimbra e traz um livro. Ele fica ansioso e, afinal, consegue mostrar o seu livro. Ele tá lá, citado no livro, pois, "sim sim, ele fez parte da Jovem Guarda". É um músico bêbado que responde ao desafio do maldito Coimbra atendente: "- olha aí, olha aí, eu te falei." E o Coimbra nem dá muita bola pra ele e ele fica ali, abraçado ao seu livro e ao seu orgulho de si. É um homem justo, por assim dizer. Tem aquele sorriso de bêbado melancólico e se agarra com o livro que tem a sua foto. É um homem justo, eu repito.
  4. O quanto os cocainômanos são desagradáveis e desnecessários. Com a palavra o próprio Coimbra: "- pô! só da confusão! nem consomem e sempre reclamam da conta! ah...meu amigo Alfredo é pra quem eu ligo amanhã!." O Alfredo é PM e toma coca-cola de graça. Apenas isso, por mais simples que pareça. ( O Coimbra fala isso pra mim porque sabe que eu, como ele, acho os cocainômanos uns chatos de galocha.)
  5. Uma mulher de uniforme entra. O Coimbra a respeita, o que não é comum. Ela é nova e deve trabalhar em alguma farmácia de manipulação. Comenta pro Coimbra que "o dia foi fogo e que precisava de uma cerveja hoje." Mas depois, quando venho pra casa e passo bem próxima à ela, eu reparo: é mais uma bêbada solitária que não chegou a decadência total. Conserva o corpo, eu penso. Sabe que o corpo acaba e fica feliz por ainda o ter, eu penso também. E ponho a mão no fogo que ela bebe em casa, escondida, pois ir ao bar todo dia 'pegaria mal'.
  6. A velha que bebe e é cheia de opinião. É uma velha de uns 70 que acabou de perder a mãe. E ela sempre chora quando bebe muito. E sempre lembra de sua "mãezinha' nesse momento. E todos do bar dão atenção à ela. E mesmo o Coimbra lhe dá atenção. Ela paga bebida pra alguns e se acha muito inteligente porque recebe O Globo diariamente em sua casa. E, invariavelmente, toda vez que me encontra no elevador ela pergunta: "E a globo? Como que é vai?"
  7. "Melhor encontrar essa velha no bar do que no elevador", eu penso, apenas antes de dormir e terminar a postagem diária do blogue.

11 de fevereiro de 2009

oiés.

Nada melhor do que um belo e besta Pipocão Americano para abrandar os nervos. É nessas horas que a gente pensa que o mundo é justo. Sem desejo de beber, ensaio cancelado, cansado de se forçar a ler pra se sentir útil. Prepara uma sopa e pensa que a noite será longa.
Então liga a televisão e vê que em 10 min. começará A Feiticeira. Finaliza a sopa e vê o filme.
A Nicole Kidman é mesmo linda.

pé quente cabeça fria.

- Alô?
- Alô. Tudo bem, Fê?
- Tudo.
- Sabe quem tá falando?
- Sei.
- Rs. Então. Como tá?
- Tô bem. E você?
- Bem também. Tá surpreso, né?
- Ô.
- Eu tive um sonho. E fiquei impressionada. Por isso que eu tô ligando.
- Um sonho?
- É, um sonho ruim. Você sabe.
- Ah...
- Tá bem mesmo?
- Tô sim. Nada demais ou de menos.
- Jura?
- Rs. Juro.
- Sabe que eu tenho as minhas manias, né?
- Sei sim. Só não imaginava...
- O que?
- Que a gente ainda tinha esse tipo de conexão...
- Rsrsrs.
- Que foi?
- Cê tá mudado, hein?
- Como assim?
- Nunca imaginei você falando 'esse tipo de conexão'...
- Rs...é...acontece...a gente muda...
- Parou de fumar?
- Nem tanto...
- Cervejas, amendoins?
- É, mudei, mas só um pouco.
- Bem, Fê, liguei só pra ver se tava tudo bem.
- Certo...
- Bem...
- Ah...posso te falar uma coisa?
- Claro, Fê.
- Eu to fazendo terapia, né? E aí...
- Rsrsrs...
- O quê?
- Tem certeza que não parou de fumar? Rs.
- Tenho, tenho...mas daí ela, a terapeuta...
- Rs.
- ...falou uma negócio que eu achei bonito a beça...e que na hora eu pensei que você ía gostar...
- Diz.
- Eu tava comentando uma coisa sobre você e ela disse: "ela, pra você, é uma dessas pessoas que a gente pensa em reencontrar quando tiver velhinho".
- Ela disse isso?
- Disse.
- Jura?
- Juro.
- Nossa, bonito mesmo, Fê.
- É. Eu também achei. E achei que você acharia bonito também.
- Putz, que legal, Fê. Quem diria? Terapia...Rsrsrs...
- É, é.
- Rs. Bem, vou desligar.
- Tá.
- Beijos. Se cuida.
- Beijos. Você também.

*

você sente cansaço, mas não consegue dormir. a cabeça frita. 30 pensamentos diferentes que não servem pra nada. um atravessa o outro. nenhum segue, nenhum. ler revista legal, ler peça sobre o descobrimento, ler livro chato. nada de nada. televisão, cigarro, pizza requentada. água, água, água. senta na beira da cama, olha pra fora, luz apagada e lua cheia. lua imensa. lua quase irritante de tão brilhosa. barulho de morcego, cigarro, computador. 04:47.
tudo pesado, tudo leve, tudo indiferente. nada pra fazer. esperar, esperar. ler mais. fritar mais. tomar outro banho. calor infernal. rio de janeiro. cansaço sem sono, cansaço sem sono. blogueblogueblogue.

10 de fevereiro de 2009

da janela do ônibus.

A cabeça é uma marofada de fumaça e dor.
Os olhos ficam se apertando num esforço de aparentar inteligência.
A boca sorri de lado e acha que o charme é fazer um tipo assim,
descolado assim,
que dança sempre do mesmo jeito em qualquer ocasião.



9 de fevereiro de 2009

no crepúsculo



garotas bonitas passam pela calçada quase indiferentes.


umas fazem uma força tremenda para terem aquele charme da indiferença.


outras são vampiras naturais.


e ainda há umas que nem olham e nem reparam,


que se você lhes dissesse: - como você é bela,


elas ficariam assustadas e chorariam de raiva.




8 de fevereiro de 2009

7-1,6

No meio da merda solitária
outra merda se espalha.
Uma merda que sempre esteve aqui,
um palmo acima, uma dose além.
Uma merda que concorda contigo
e que diz que não há problema
em se desejar mais do que se tem.
.
Uma merda boa,
que é gorda como você.
Uma merda que tem opinião
e que não tem medo do que quer dizer.
.
Uma merda de 11 anos atrás
e que volta calma e sem forçar nada,
uma merda que não será sugada
pela força mecânica, e óbvia,
da privada.

7 de fevereiro de 2009

/=

Hoje não bebi com a rapaziada e lembrei da minha mãe dizendo como é curioso ficar sem beber entre bêbados. Na verdade adoro beber e bebo sempre, mas, na média, tomo 2 ou 3. Mais do que ficar bêbado, gosto de ficar embriagado.
Gosto de sentir a primeira cerveja agindo. Ela vem lenta e delicada, só pela metade da garrafa é que realmente sentimos o álcool no sangue. Acho isso bem prazeroso e sempre tenho essa imagem do álcool sendo espalhado gradativamente pela corrente sanguínea.
A segunda é mais definitiva, afinal a primeira já fez seu serviço. A terceira, na verdade, não deveria existir. Quer dizer, não pra essa coisa embriagado que to falando.
Acho que o ideal são duas cervejas. Duas cervejas apenas acalmam o pensamento, não chegam a criar pensamentos novos. Acho que é mais ou menos por aí.
(Na verdade a terceira cerveja é ideal para dar uma bela cagada. Calça arreada, copo cheio e cigarro aceso. Cada tragada é um troço. Mas não quero entrar nessas aqui. Não agora, pelo menos.)
Ontem tomei várias. Já tava desconfiado, mas sabe como é: amigo liga, amigo que nem sempre se vê aparece, papo bom e por aí vai. Várias cervejas e alguma ressaca. Meu estômago não é tão forte quanto eu gostaria. Ele faz seu protesto e pede coca cola e água e balas de morango.
Converso com os meus e me sinto em paz. Tive um dia cheio de euforia porque inscrevi uma esquete prum festival aí. E finalmente a gente fez o Buk na lapa. Foi foda, uma bravata. Mas os atores são valentes e fizemos o nosso. Quando acabou a peça disse pra Helen que a gente vai direto pro céu. Ela concordou, riu e disse que a gente vai ter champanhe lá. Eu prefiro mesmo é a cerveja, mas tudo certo.
Também teve o lance legal do Atyla, um cara que gosta das nossas peças, ter feito a guitarra ao vivo. Ele topou a roubada e sofreu junto. Essa é uma das coisas legais de teatro.
No mais volto pra casa pensativo e calmo. Vejo que o Coimbra tá cheio de cocainômanos.
Fico feliz por não ter saideira hoje.
-
Ponho esse video que é mesmo genial e verdadeiramente engraçado. Na tal esquete enfiei essa música. Se formos selecionados tamo fudidos, mas uma merda de cada vez.

5 de fevereiro de 2009

de resto, o sonho imbecil


Crianças berram pela noite e não há muito a se dizer.
Verdade ou mentira é coisa de fracos.
O jogo ainda é ganho, a repetição ainda é feita, a lua segue seu curso besta e natural.
Solidão é estado e não desejo.
E os loucos, os verdadeiros loucos, ainda esperam o sublime.
Nada de mais ou menos, apenas a velha batida que repete: continue, continue.
Beleza é real e não simulacro.
Força ainda é suor e não esperança.
E reparo em tudo que existe além de mim
e repito, quase secreto:
que se foda, que se foda.
Me dou melhor agora e essa é a única grande tristeza.
De noite todos gatos são pardos.
E pardos é apenas a maneira préconceituosa de se dizer sem cor.
Bundas que pululam em sonhos que diminuem a ideia de humanidade.
Loucuras com prazo de validade e alma semi-pronta.

O riso eterno e triste do único desdentado que importa: Deus!
Porque Deus é o último tabu e a última violência,
porque Deus, mesmo sem existir, se faz presente e determina as vidas.
Porque Deus não existe, mas, mesmo assim, a gente fala Dele.
Porque o infinito ainda é o último desafio da espécie humana.