24 de junho de 2008

meu doce umbigo, eu digo:

Meu saco são duas bolas de chumbo que me puxam. Pesadas e feias. No entanto me orgulho da força que elas exercem. Demoram pra pegar no embalo, mas quando vão me levam junto e acho que sou eu mesmo o dono das minhas pernas.
Elas produzem um esperma preto e encantador, diferente de todos os espermas que as mocinhas dos filmes costumam espalhar no próprio corpo.
Nesse momento elas me estão na beira da cadeira e sinto que, a qualquer momento, elas podem rolar pro chão. E isso fará com que eu vá junto e fique lá até me recompor. Portanto me ajeito na cadeira e deixo a coluna reta. Elas, mais atrás, quase me espremem aqui. Melhor assim, pois a chance da queda diminui bastante. E nunca gostei de cair, afinal.
depois:
Levanto calmo e vou até a cozinha. O cheiro da pizza parece o mesmo cheiro da virilha dela. Coisas que não se explicam, mas satisfazem.

19 de junho de 2008

Pra mim: do Aramico

Para meu doce
amigo
de sujo umbigo eu
digo isto:
Uma pérola só
tem valor fora da
ostra,
Antes disso é
um caroço
machucando o
marisco.
(obs: o engraçado é que faz sentido. o curioso é que ele, através disso, prova que entende tudo. o humor da coisa toda é o que vale: eu falo o que só eu falaria e ele diz o que só ele diria - e nem somos um casal... é sempre bom gostar de quem lhe discorda. a liberdade aí é mais possível, mesmo que sem trocas de roupas. não é? )

17 de junho de 2008

e tenho dito!

bem claro e direto:
gosto de gente. pode até não parecer, mas gosto. é apenas porque sou tímido em público e porque sempre acho tudo chato e falso pra cacete. dos 3 que importam os 3 não fazem questão de parecer o que não são. 1 vai lá quase sem graça e dá o seu recado, outro é ótimo mesmo sendo afetado e o 3 tem o único defeito de ser cuzão. e mais não digo, além de outras mentiras:
  • - a mocinha me olha com ternura, mas é devassa. seu único tesão é saber que estou bem acompanhado.
  • - sem problemas e vamos que vamos. eu desconfio de você assim como você desconfia de mim. minha arrogância é não trocar de figurino. somos merda do mesmo cu sujo, meu querido.
  • - meu benzinho nega, mas adora essa porra toda. tá mais implicante por influência assim como estou mais elegante pra a impressionar. o bom é saber disso e crer que meu benzinho sabe disso também.
  • - meu amigo querido: sou curitibano mesmo. mas o que você não diz é que há todo um desejo de, de fato, não participar dessas coisas que só dizem respeito à quem se leva à sério. e isso de não se levar à sério é toda a minha ambição que você já escutou em bares mais sujos e aconchegantes. merda do mesmo cu sujo, embora possa não aparentar.
  • - aleatório: vou, desde hoje, lhe negar os cigarros que tenho e que não me fariam falta. é que você sempre pergunta como estou antes de me pedir algo tão honesto como um cigarro.
  • - minha solidão me comove e ganha novo valor, pois agora é exceção. cago com um gosto tremendo porque deixo a porta aberta e faço todos os sons verdadeiros que solto. o som está alto e todas as luzes e aparelhos ligados. a liberdade tem sempre mais valor depois da prisão. meu velho discurso cristão, afinal.
  • - com seu cabelo de fogo você chega mais longe do que imaginaria. sua graça é ser legal e não ser agradável. saia da casquinha e exagere no desejo-de-falta-de-pudor. sua potência me agrada e vou com sua cara de maneira gratuita. quem precisa de aprovação é calouro e isso, definitivamente, não é o seu caso.
  • - tenho vontade de conversar com você porque você pensa. mas desisto porque sua esquisitice é quase um tipo e isso nem me agrada. seu tipo seria melhor se você fosse apenas o que é: uma solitária que faz piadinha da própria desgraça. você deveria fazer piada do seu próprio desejo de ser engraçada.
  • - o duro é ter que concordar com um idiota que tem mais de 25 e usa boné: cerveja com gorgonzola é mesmo imbatível.
  • - penso na possibilidade de ser gay olhando uma bicha muito bonita que me impressiona, mas desisto quando lembro que ele tem pau.2 paus é meu tabu, eu concluo. um homem que tivesse cortado o próprio pau eu olharia com mais carinho, ainda que sempre desconfie de quem se mutila por conta própria.
  • - táxi é solução pra se sentir livre. 6 reais ao invés de 2,10. quase dentro de casa eu me lembro: há sempre aquele discurso bonito de quem se comove com as dificuldades da vida.
  • - e concluindo: quero morar na mesma casa que meu benzinho, mas preciso ter dinheiro para ter uma casa grande o suficiente pra exercer minha solidão mesmo sabendo que dormirei sempre ao lado dela. é complicado, mas resolvi: dinheiro pra viver e dinheiro pra seguir.
*
e agora sim eu calo:
*
me sinto ótimo, afinal.
quase chato, afinal.

12 de junho de 2008

7 de junho de 2008

Doce gêmea.

As pequenas diferenças
entre mim e ela
no amor:
Eu gosto de butecos
e fedor.
Ela gosta de vernissages
e glamour.

5 de junho de 2008

***

Cada vez mais doce e dedicada
ela me frita bifes as duas da tarde.
Purê de Batata e Vagem com Manteiga.
Nada do que eu comeria
se ela não estivesse aqui.
Eu agradeço a comida e ela
diz que gosta de me alimentar.
Beijinhos na boca e bom apetite.

4 de junho de 2008

realatinho: a vizinha quando passa...

A vizinha mais simpática que o hábito. Estranho, bem estranho. Ela sempre com cara de má. Daí que a encontro no elevador de baixo e ela tá com um sorriso imenso e diz quanto tempo. E eu digo pois é. E ela tá com uma amiga que nunca havia visto, mas que tem uma cara tão amável quanto a dela. Penso em amantes lésbicas e logo desisto. Não por nada, mas porque isso nunca explicou simpatia. Não pra mim, pelo menos. O nosso papo continua.
- Tá sumido.
- Tô nada. Eu sempre te ouço cantando.
- ( riso sem graça, quase uma garotinha) Ai, ai, desculpas...
- Nada. Fica tranqüila. Nem me incomoda.
- Que bom, que bom ( ela diz enfiando a cara na porta do elevador, o que é uma grande ousadia pra nossa 'relação') .
Subo desconfiado e sou recebido com surpresa e susto. Maravilha. Abro uma cervejinha e cago num único movimento: lento, progressivo e eficaz. Dou uma tragada e concluo:
A Vizinha tinha bebido.

1 de junho de 2008

A. F. D. C.

Um novo projeto, uma nova punheta. Compro um livro novo pra começar. Um livro da pesada, desses que tem que se ler quando se pretende ser artista. Ao mesmo tempo que me sinto estúpido vejo que não há saída: querer - se artista é mesmo um tipo de pretensão. E é por essas que me seguro e sento minha bunda pra ler um livro cascudo. Leio como quem suga uma alma: lento e sem euforia. Deixo as frases e ideias irem me tomando. Resisto pra não me levar à sério de maneira precipitada. Nada de definir possíveis cenas, nada de criar uma trajetória dramática possível. E li o Sr. Gzinho que fala muito sobre a tentação. E ouço o que ele diz e faço com que a tentação aumente com a minha resistência. É um tipo de prazer frio que eu sinto, um prazer que vem do cérebro forjar as próprias sensações. Não sei se sei explicar, enfim.
E claro que faço isso tudo com um copo cheio do lado. Porque esse copo me ajuda a ser frio e pretensioso e também me ajuda a não me sentir um idiota por querer ser um gênio. Sim, sim, sim, eu também quero ser gênio. E, sim sim sim, se penso nisso me sinto idiota.
E conforme o copo esvazia vou ficando mais condescendente com as minhas ânsias idealistas. E confesso: é melhor ser mais condescendente consigo próprio, ainda que na louca pretensão da genialidade.
E leio que leio. E fumo que fumo. E bebo que bebo. As coisas borbulhando e a crença de que ainda é possível. Mais uma gota contra o tédio, mais um brinde pro copo vazio. Numa noite chuvosa de domingo as minhas possibilidades são as mesmas e ainda acontecem no mesmo lugar: em baixo do meu abajur.

30 de maio de 2008

Paulo Fernandinho Coelho.

Essa vida triste e bonita. O lance é segurar a ansiedade. Os momentos fantásticos vêm só de vez em quando. Nada de tão extraordinário e, no entanto, a gente vai que vai e segue que segue. Tem dias que é bem bom acordar de manhã: ela mais carinhosa que de hábito, mais beijoqueira. Uma delicadeza de pernas entrelaçadas que é difícil de explicar. Então você começa o dia entendendo que você tem que ter calma mesmo. Que as coisas acontecem mesmo que você não note. Que a vida não é aquilo que você esperava que ela fosse. Que a vida já vem acontecendo a mais tempo do que você imagina.
E tá tudo muito bem, embora nem sempre ocorra milagres.

29 de maio de 2008

toda vez que acordo tarde.

raiva súbita e desnecessária.
vontade de morder o próprio dedo,
de bater na mãe,
de passar álcool no pau.
mas
daqui a pouco volta o paraíso
e os milhares de anjinhos pelados
com seus pintinhos sem pentelhos.

26 de maio de 2008

Esse chiclete de merda na minha barba. Nem sei o que faço. Descobri ele agora, mas já deve estar grudado a mais tempo. Sabor tutifrutti o desgraçado. E tá de tal maneira que passo a língua e sinto seu gostinho. O desgraçado mantém o açúcar apesar de tudo.

Melhor é nem fazer nada. Deixo ele lá grudado que ninguém sabe mesmo. Se não lambo ele hoje eu lambo amanhã.

Outras Mentiras.


21 de maio de 2008

lógica infantil: genial.

(by Inaie Duarte)

Laerte

ROUBADO DA SR. FERNANDA D'UMBRA, MOÇA DE MUITO BOM GOSTO.


*

Daqui donde eu vejo, eu digo: sou chato, sou chatérrimo. Quase qualquer merda pode me incomodar. E sei que é merda, mas me debato com isso. Não gosto sempre de quem eu sou e nem da minha falta de tranquilidade. Acho até 'bonitinho' eu não ter aproveitado as chances de suruba que tive, mas preferia ter trepado com essa gente sem alma que já apareceu. Eu, aqui, sou uma criança, ela diz. Ou o homem caverna que, pelo menos, tem humor. Tudo muito divertido e cínico, como dever ser, afinal.