19 de dezembro de 2011

A gente toma sorvete de frutas no verão e faz amor nos domingos em que há chuva e o frio aproxima os corpos.

Em dois ou três anos ela pensa em engravidar, mas eu mesmo não sei se é isso que quero.
Uma vez por mês ela fica louca com sua TPM e ouvi na rádio que os casos de depressão pós-parto são mais comuns em mulheres que sofrem de TPM severa.
Também ouvi que a capacidade orgástica da mulher pode estar relacionada a intensidade de sua TPM, o que, pelas poucas namoradas que tive, me pareceu uma verdade absoluta, pois quanto mais loucas na TPM, mais intensos eram seus orgasmos.
A mais louca, inclusive, me brindava com jatos de sua transparente secreção.
 

15 de dezembro de 2011

Acho que foi em 1996 que comecei a ter tesão em mulheres desesperadas.

A gente tinha 'ficado' e ela era minha primeira 'ficante' completa. Quero dizer: era constante, havia incursões à bunda, aos peitos e roçadas que ostentavam meu pau duro de adolescente. Antes dela, por algo que amigos haviam me dito, eu sempre disfarçava o pau duro. (Os amigos diziam que pau duro por causa de beijo era coisa de quem nunca havia beijado... Amigos idiotas e idiota eu). 
Não lembro como foi, mas lembro que um dia ela teve ciúmes e, pela primeira vez, discuti a relação - que, à bem da verdade, não havia. O fato é que o ciúmes dela fez com que houvesse a pergunta fatal: - você quer ou não quer que eu seja a sua namorada?
Lembro que essa pergunta veio inesperada e me pegou de surpresa. Pela cara dela, eu entendia que era uma pergunta que desejava respostas. Eu não sei se queria que ela fosse minha namorada ou não, mas lembro que na minha cabeça de 14 ou 15 anos parecia ridículo namorar com alguém de 12 ou 13 anos. E tinha também meu amigos. Deus! Nessa época, os amigos influenciam muito a gente. De alguma maneira, eu sabia que seria 'zoado' caso eu tivesse uma namorada tão novinha.
(A lógica adolescente, se bem me lembro, é que peitos pequenos eram coisa de novinha. Não era lógico. Era idiota e confuso. Caso uma menina de 11, 12 anos tivesse peitos grandes - ou mesmo médios - nós, os caras de 14, 15 anos, a consideraríamos uma mulher. Vai entender...)
O fato é que fugi dela - infelizmente esqueci seu nome - e atrasei minhas experiências sexuais em dois anos.
Quando perdi a virgindade, aos 16, entendi que essa coisa de mulher desesperada sempre se repetiria. Não que a Dani - dela eu lembro o nome - fosse desesperada, mas é que ela também queria namorar e eu não.
E o mesmo ocorreu com a Júlia, que nem me deu nem nada, mas que me masturbava na época em que eu nem desconfiava que outra pessoa poderia fazer isso por você.
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Termino aqui. Pela decisão de terminar. Porque 1996 durou mais do que eu imaginava.
E porque, não resisto, recebi uma cartinha importante.  

14 de dezembro de 2011

O amor estava na esquina.

Era barato e razoavelmente generoso.
Não fazia promessas que não podia cumprir e explicava tudo tintim por tintim:
- cu é mais caro, neném.
Expliquei que não ligava pra cus e fui chamado de homem raro.

11 de dezembro de 2011

só de mim, monamur

Fugir da pena de si mesmo e tentar achar as grandes soluções. No meio do caminho ouvir o disco do Criolo, que é meio bola da vez e porque é um jeito de acompanhar o mundo. Ler a coluna da Martha Medeiros desse domingo e gostar de tudo menos da frase estúpida. Justamente a frase que a editoria escolheu para destacar. Pensar o óbvio e ver o mundo: estúpido e bom ao mesmo tempo.
Bom: a coluna da M. Medeiros. Estúpido: a frase destacada da coluna da M. Medeiros.
O fim de ano e os planos inevitáveis. Coisas que não dependem só de mim e que é melhor assim. Ser sozinho eu já sei e aprendi. Não acho vantagem, não acho bonito, apenas reconheço. E penso nas coisas grandiosas que ficaram pra trás.
Tantas coisas pra trás, tanto sonho abandonado, tanta gente que ficou e se achou e se perdeu e mudou para o bem e para o mal. Coisas que ficaram pra trás. De todos os tipos e por todos os motivos. Por tristeza, por cansaço, por medo, por comodismo. E a certeza mais dolorosa de todas: "porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca."    
Os passinhos ensaiados, a vida planejada, as etapas concretizadas de uma vida burocrática e mesquinha. A satisfação de ser fiel a si e de nunca se abalar. A força como virtude é a coisa mais triste do mundo. Gente forte, com casca e preparada para as piores desgraças do mundo. Como se fosse um jogo, no qual quem sofre menos ganha mais. Como a matemática mais comezinha: em casa com um lápis entre contas de mais e menos.
Fumando meus cigarrinhos e vendo o belo sol do RJ. Meio teimosia meio desejo. Lembrando que nada disso foi planejado, mas que, mesmo assim, prefiro as grandes frustações aos chatos que passeiam blasés em suas auto-suficiências. Porque alma ainda me parece importante, porque sou antigo e deliro com grandes sonhos. Porque ainda é permitido e porque poucos são os REALMENTE satisfeitos. Que satisfação não tem nada a ver com felicidade. E ser satisfeito é mais relevante do que ser feliz.  

24 de novembro de 2011

você mesmo até o fim. seja lá o que isso for. blo-punheta-gue-solidão. pensar em si. essa coisa que a gente faz. a gente pensa em si mesmo, não é? pode ser na praia, na natureza, no bar. confesso que tenho preconceitos. assim: as pessoas acham que um banho de mar é mais importante do que um metrô cheio. como explicar? nada pra explicar. faço contas, penso em mim e implico com gente que acha que no campo(seja lá o que isso for) existe algo que não existe em outros lugares. idealismo de idiotas. gente chata. os mesmos que acham são paulo a meca do teatro nacional. repare: se há a meca, vá até ela. s.p ou campo. sobram questões. todos falam em questões. eu também. não queria, mas adimito: estou entre eles. deveria ter trepado mais e menos com camisinha. quem sabe uma doença ou um filho faziam algo que as questões não fazem. quem sabe. e é nessas que a meca atrai. porque ela é a possibilidade. a meca não precisa ser real, é a meca. uma ideia, uma bela ideia por sinal. teatro? pufff, aprendi. gente? puffff. eu mesmo.
tarde demais. vontade é fácil ter. desejo também. ouvir o que sempre se ouve quando se espera ouvir algo diferente é a morte gargalhando. a risada da morte. não acho graça, mas entendo porquê a morte ri. a morte, imaginando que ela é uma mulher e que usa uma foice, ri porque ela acha um absurdo que se surpreendam com o fato d'Ela existir. a morte ri. eu rio também. não porque acho graça, mas porque reconheço o riso que a morte dá antes de usar a sua foice. tem quem ache que a morte é uma questão. o bom é que não é. a morte é a morte e mata. só isso, tudo isso. bem melhor que o marasmo da normalidade.  

22 de novembro de 2011

'só falta de sorte.'

O amor era um detalhe e ela não existia, mas, mesmo assim, passeava pelas calçadas de Copacabana e repetia pra si que um dia amor havia existido.
Ao mesmo tempo em que chorava, achava a vida boa. Tinha estilo. Tinha um otimismo irritante. Tinha o único dedo que me fez fio-terra.
Amor é bom porque daí a gente trepa sem camisinha, eu aprendi ao assistir Sex and The City. E meu papo era bom e variado. Sabia tudo, ela achava. Deus abençoe a TV a cabo e os nossos pecadinhos.
Música, porre e piada barata. Eu conquistava mulheres como ela e ficava cada vez mais triste, cada vez mais gordo. Linda demais, livre demais, leve demais. Eu ria.
Ria e ria e ria. Ela concordava e eu era o amor pra sua vida.
Filhos, móveis retrô e café da manhã com mamão para os intestinos. (E se não falo sobre peidos reprimidos é porque sou discreto).
Veio o natal, veio o ano-novo e eu pensava em coisas erradas: caminhões, Argentina, Norte do Paraná e caronas que não levavam à lugar algum.
Adeus, coração - foi ela quem disse.
Peido preso e eu te amo também.
Até logo, até breve, até daqui a pouco e até nunca mais.

16 de novembro de 2011

Amar as garotinhas, ver a lua e gostar da chuva. Uma vida besta, uma vida boa. Vontade do caralho que me dá de chorar quando vejo fotos das minhas sobrinhas. Deus deve saber porquê. O inferno quentinho dos nossos sonhos, a procrastinação das nossas obrigações, a idade veloz que se aproxima da velhice e da morte. Sem fim de ano na praia, sem projetos aprovados para o próximo ano, a reunião eternamente adiada que talvez seja hoje.

12 de novembro de 2011

tão linda com sua cara tímida.

Eu pensava em amores, em delicadezas incríveis, em paixões movidas a esforço de vontade.
Ela linda e protegida. Sua máquina, seu mundo. Os sapatinhos baixos que tinham tudo para serem bregas, mas não eram.
Ela me falou sobre os "Rolling Stones" e riu quando fiz uma piada idiota. Poderia me apaixonar, poderia ser feliz pra sempre, poderia a levar em um show do Erasmo Carlos.
Pequena, quase gorda e com um tipo de sorriso que me comove. É estúpido e sem explicação. Tinha também o queixo meio pra frente, algo que sempre retorna nas minhas ideias sobre beleza e mulheres lindas.
Falou seu nome, me adicionou no facebook e virou curtidora de minhas frases tristes.
Pensei em amor, em destino, em filhos de férias em casas de campo.
Uma foto, duas fotos. Eu mais gordo do que deveria e ela sem nunca aparecer. Pensei em mortes repentinas, em gente que trabalha todo dia de 8 às 18:00, em assistir o Faustão para ouvir a opinião da Suzana Vieira sobre o sexo após os 60.
Um dia, uma semana, um mês. Medos de velho e novelos no umbigo por causa das camisetas de algodão.
Ela acharia graça, eu beberia menos e nós dois... ah... nós dois seríamos minha mais séria invenção.

7 de novembro de 2011

tipo twitter.

&
nosso amorzinho reverbera:
ela não se interessa pelo o que eu falo,
eu não me interesso pelo o que ela fala.
Por que, então, Meu Deus?
&
A menina do ponto de ônibus nunca será superada.
As coisas que a ignorância e a miopia faz por você.
&
Ela falava de tesão como se tesão fosse algo de fora dela. Via espíritos, tinha fotos de ectoplasmas. Ela, linda por sinal, dizia tesão de um jeito lindo. Mas trepava mal porque trepava mu-ii-to bem. Quero dizer: não era uma mulher, era uma atriz de filme softcore.
&
O coração, a alma. Sou esse tipo de viado. Viado que diz "coração", "alma". Gostar de homens e ser viado são coisas distintas. Quero dizer: há viados muito machos por aí. A macheza, eu aprendi, é ser indiferente ao máximo possível de coisas. As mulheres que me ensinaram. Elas, cada vez mais, provam que conseguem ser machos. Uma pena, uma tristeza.
&
Se eu viro outro, posso até virar deus. Assim: foi ele que disse que aquilo. E o ele é mais importante que o aquilo. Como o discurso do S. Jobs, o discurso mais lugar-comum com estatus de sabedoria. Concluo: mundo de merda.
&
Quando mamãe comprou meu laptop no Carrefour pareceu um grande lance. É que o tempo passa e as parcelas ficam cada vez mais suaves. Quero dizer: uma beleza como o tempo engana a gente, né?

6 de novembro de 2011

começa de dia e termina de noite.

*
Há noites frias em que a gente tenta entender o mundo. E pensa nisso e naquilo e sorri meio besta olhando o volume da própria barriga deitado na cama: a pança que estufou, os pentelhos que há tempo não são aparados, os pés que uma namorada achava lindos porque têm, ela explicava, a curva mais perfeita.
*
Saudades da primeira namorada é o retrato da estupidez. Estou sorrindo nele. Estou também com uma camisa florida, bermudas branca e minhas mãos fazem um sinal que, à época, era engraçado. Não há mal nenhum e nem tristeza há. S-a-u-d-a-d-e-s, essa palavra que não denota nem tristeza nem alegria.
*
Ela dizia que tinha tesão na imagem de uma mulher dando o cu. Mas ela não dava o cu. Dizia ter dado e sofrido pra um primeiro namorado que não era eu. Eu queria comer seu cu. É normal, em certo sentido. O namoro faz com que você ache que pode tudo. E o cu é parte desse tudo. O cu, inclusive e de modo geral, é a parte menos problemática. Seja como for, eu penso: não comi o cu dela e nem ouvi eu te amo. Não consigo deixar de pensar: "realmente não era amor."
*
Nunca mais cartinhas. Estou falando de uma moça que pisca como poucas e por quem me esforço pra não sentir seja lá o que: tesão, amor, paixão, etc. Alimento apenas a fraternidade. Mas o mundo ta aí e oferece sua ironia: "O risco de desejar sem controle deve ser domado pelos animais que dominam a palavra e a linguagem. Ou seja, os humanos. O desejo carnal é a forma mais natural de se relacionar com outrem, por isso é perverso: faz com que humanos se comportem como animais.", diz o livro que leio com a barriga encostada no balcão.
*
No bar há gente triste e decadente. Estou entre eles, mas me sinto especial. É parte da jogada ''decadente'' se sentir especial. Aprendi um bocado por lá e, por ora, confesso: a tristeza concentrada é uma visão infernal. Meu sonho, se sonho há, é não perder minha alma. Pode parecer pouco e talvez seja. Importa-me menos as grandes conquistas do que a certeza de que tenho uma alma que resiste. Estou, agora e deliberadamente, me comparando com os outros. E, a gente sabe, a comparação é um método idiota e ineficaz. Mas, mesmo assim, eu insisto: tenho alma. tenho alma.

3 de novembro de 2011

R$ 3, 80 de salaminho.

  • Tive um amigo que se intitulava "adestrador de fêmeas" e ele era imbecil porque era vaidoso, mas era verdadeiro porque era imbecil. Ele realmente era hábil com as fêmeas e comia as melhores mulheres do mundo, dessas que só não oferecemos a própria alma porque, um dia, o seu amigo escroto a vulgarizou e porque sim, e infelizmente, somos muito impressionáveis.
  • O tesão é bom e passageiro. Assim, na mesma proporção. O equilíbrio mais cruel e a mais dura realidade. Tesão, onde se chega? Tesão, meus orgasmos já foram melhores. Tesão, mulheres nuas quase sempre são melhores do que mulheres vestidas. Tesão, onde foi parar o sexo tabu que, mesmo sem sentido, ainda entendia a importância do sexo?
  • Com o tempo fui sentindo mais desejo por mulheres com narizes enormes. Meus amigos gays falam de falos, Freud e repressões variadas. Penso nos narizes e penso nos meus amigos gays. Não quero nada com homens e/ou falos, mas quero que essas mulheres com narizes enormes me dêem. Por que, enfim, os gays se importam tanto com isso?
  • Sair do esquemão. Não ter amigos na rede e nem ter conquistas pra compartilhar. Fugir com o circo, mudar de vida, deixar de querer participar, essas coisas. Tem as cervejas, eu sei. A pulsão gregária também. Mas... ah.... mas... Que tal eu mesmo como RP de mundos que não os meus? Eu seria feliz e ainda assim saberia que felicidade não importa. Sentiria-me bem e casava com a melhor trapezista do pior circo. Em outras palavras: seria invulnerável.

2 de novembro de 2011

=(.¨)(.¨)=

tento desvendar mistérios e nada acontece. Talvez a vida seja apenas isso, mas e daí? Quem suporta a vida assim, sendo isso, apenas isso? Não estou falando de milagres nem nada. É mais simples: se a vida é mesmo só isso, eu jogo a toalha e me dedico a atividades que não exijam alma ou sangue.
é só jogada. Uma gente distraída que tem coqueluche por arte, poesia ou coisas do tipo. Quem se importa? Sou eu no balcão. Houve uma época em que eu no balcão parecia levar à alguma coisa. Hoje o que? Um gordo que descansa a barriga e folheia um livro.
devo sumir, devo mudar, devo tirar o sitemeter do blogue. É velho, antigo e gasto. E se não sou claro é apenas porque, agora e assim, minha vontade é um caminhão ladeira abaixo. É velho, eu disse. Como a vagina mais larga que se apaixona pelo pênis mais fino e não entende porque o amor não deu certo.
tem atum aberto na geladeira e, ao que tudo indica, a energia permitirá que a TV fique ligada. Enquanto isso, ouço vozes que não são minhas e escrevo no blogue que perdeu o sentido que nunca teve. "Sonhei demais e os meus olhos arregalados ficaram viciados", diz o livro que leio enquanto finjo não procurar soluções para problemas insolúveis.
ser chato não é bom. Ser quem se é, é inevitável.
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a criança tão linda que brincava com armas de brinquedo e matava as pessoas por pura diversão. era justo, era decente e, sobretudo, era belo. daí que a criança cresceu. e a arma de brinquedo continuou. e os anos passaram e passam e passarão. ficou a criança, ficou a arma de brinquedo. a inocência não ficou. e o touro, o velho touro, foi para poço.

30 de outubro de 2011

por ora.

É tipo um fetiche, um fetiche no ar. Sonho baixinho, solto meus resmungos e tento entender. Entendo menos do que eu queria, mas paciência. Fosse precipitado acusaria à todos: bundões, limitados, satisfeitos com migalhas, felizes por terem saúde, aventureiros mequetrefes com visto, motivo, passaporte e objetividade tacanha. Mas nem sei. E nem é isso. Sei do meu sonho, dos meus problemas, do meu ronco, de ser grosso pela manhã. Mas não é isso também. É meio romântico, assim: - o que é que você quer da sua vida? E nem vale dizer "felicidade", "simplicidade" ou "horinhas calmas de alegria distraída." Acho que a melhor palavra é TESÃO. Porque a vida comezinha, o dia a dia já é e já tá dado. Estou falando de grandes experiências, de gente que crê sem provas e que te convence que essa mania de controlar tudo é a fuga mais covarde dos mais covardes dos seres. Pra sonhar posso sonhar sozinho. Mas, por se só e nem achar a solidão é ruim, insisto: o TESÃO precisa ser compartilhado.

25 de outubro de 2011

antes da janta.

Era um jeito de sentar e passar o tempo. Se sentir bem, achar que a vida tá boa, essas coisas. A mesa era farta e havia uma mulher que me alimentava. Beleza.
Dia depois de dia até o dia mais besta e mais triste.
O verdadeiro adeus não tem acenos de mãos ou epílogos. É uma bobagem, uma distração, um até logo.
O incrível é que as crianças gostam de aniversário, mas já sabem que com 30 não gostarão tanto assim.
O tempo gotas. As coisas acontecendo. Não como os belos planos, mas como são: lentas, lindas às vezes, ordinárias geralmente.
Cigarrinhos que cansam, mania de culpar os outros e devaneios de ano-novo são coisas que passam. Não é bom, não é ruim. É o que é: a vida comesinha que não passa nos filmes da sessão da tarde.

23 de outubro de 2011

é domingo e tem r. charles na vitrola.

  • ouvir as músicas dos pretos e achar que o mundo é bom. Não resolve nada e isso não é importante. Prazer: essa delícia que é tirar as casquinhas de uma ferida.
  • fosse paixão escolha, resolvia: a moça que tirava fotos e de quem não ouvi a voz. Descobri seu nome por facilidades de facebook, mas concluí: essa coisa de romance pela Internet é um bocado brega.
  • os coleguinhas estão tristes e eu também. É falta de coisas antigas. Utopia, por exemplo. É difícil sem o mínimo de utopia. A realidade é uma cidade feia; a utopia é a satisfação de um desejo. Tenho que entender isso melhor. Porque é fatal e tem que querer ser fatal, desejar ser fatal. Ou então será apenas mais um aspecto da vida. Assim, como um super-mercado que divide seus produtos em gôndolas. É prático e eficiente, ninguém duvida; mas, ah, vamos lá, ainda é legal sonhar que a vida pode ser inteira.
  • onde está sua realização? Sentir-se realizado é o fino e o sentido. Sentido inventado, é bom lembrar. Então cumpre-se missões, dedica-se a projetos, esforça-se para fazer junto o que poderia ser feito separado. O que há? O que sustenta? Devo estar numa fase mística-amorosa e, por isso, respondo: ou sua vida tem importância para além de si mesmo ou sua vida é um monte de cacos reunidos num suspeito mosaico. Ter bons cacos não é ter uma boa vida. Se é pra ser utópico: que a vida seja inteira e enorme e, não a soma de diversas 'coisas positivas.'
  • o amor é bom e acalma. A merda é que deixa as pessoas apáticas e satisfeitas. Ama-se com facilidade e conveniência. O amor é um bem que facilmente vira mal. Torna-se o deposito de tudo que pode ser e não é. Amor que é apenas coqueluche. Amor como caixinha dourada, como plantinha semeada para que vire árvore e forneça sombra. Sombre pra quê? Amor que só dá paz e não produz, que não se mistura com a vida e nem cria coisas novas.
  • lembrei hoje: o cara do ônibus que fez um discurso choroso dizendo ser HIV positivo. Fiquei encarando ele porque acho apelativo esse tipo de coisa. Ser HIV não justifica nada. Ele pedia dinheiro. Não lembro se só pedia ou se vendia algo para pedir. Eu tava no meio do ônibus. Antes de passar por mim, teve duas pessoas que deram dinheiro pra ele. Fiquei olhando. Ele passou e foi até o fim do ônibus. Depois voltou, parou onde eu estava e disse: "- obrigado por me olhar enquanto eu falava". Ele falou choroso como antes e fiz um sinal de cabeça. Pensei o óbvio: o mundo tá todo errado. Eu o olhava por desconfiança e não por generosidade. De qualquer maneira - e também por gracinhas do mundo - acreditei que ele era realmente HIV positivo. Mas não dei dinheiro pra ele. Jamais daria.          

18 de outubro de 2011

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Seu sorriso tem rugas e meu pau tem sardas.
Poderíamos considerar um destino, um milagre,
um mistério a ser desvendado... essas coisas.
Meu pau tem sardas e seu sorriso tem rugas.
Mas gente é simples: basta-nos um empate.
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Tenho os meus sonhos e faço contas. Sinto um medo terrível dos meus sonhos. Porque são bons de sonhar e porque a euforia me agrada. Sinto tesão e deliro com facilidade. Parece simples e isso - isso de parecer simples - é algo muito suspeito. Porque sonhos não são simples e porque sonhos são construídos lentamente: um dia após o outro, uma dor depois da outra, um furúnculo do qual nunca se extrai o carnegão. Sonhos: não os realizar é uma tristeza, realizá-los é um perigo.
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Em 2003 a vida era mais simples. Em 2006 também. Se tudo der certo, em 2012 a vida será ótima, mesmo sem ser simples. As continhas são boas e o impossível é apenas um detalhe lógico que não deve ser levado em consideração. Estou falando de radicalidades, por mais discreto que eu seja.
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Há muita confusão: o fato de eu escrever um blogue não faz de mim um escritor.
Há muito confusão: o fato de ter livros publicados não faz de mim um bom blogueiro.
Há muita confusão: um bom blogueiro não é necessariamente um bom escritor. E vice-versa.
Há muita confusão: um autor publicado não é um bom escritor.
Há muita confusão: um bom escritor não é necessariamente um artista.
Há muita confusão: um artista não faz bem tudo que ele faz.
Há muita confusão: fazer tudo não é ser eclético, é ser bundão.
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Controlar a ejaculação é simples. Requer alguma técnica e um bocado de punheta. O lance é, e continua sendo, o pau duro e a buceta úmida. E, veja, nem estou falando, dos encaixes perfeitos que podem rolar, mesmo sendo mais comuns em amor e coisas do tipo. Quero dizer: depende-se do mínimo (nem tão mínimo assim) que é uma buceta verdadeiramente úmida e um pau verdadeiramente duro. Isso porque existe muita buceta seca que satisfaz e muito meia-bomba que causa comoções. Em outras palavras: há muito erro nessas jogadas.      

14 de outubro de 2011

Bukowski, Pé Na Estrada - Volta Redonda, Petrópolis e Macaé.

O Governo do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura apresentam o projeto SIGA O BUK, adaptação de contos de Charles Bukowski - da Anti Cia de Teatro.
Em cartaz desde 2008,
Buk na Rua - Teatro Noturno Para Adultos Insones
foi visto por aproximadamente 15.000 pessoas; e se apresentará pelo Circuito Estadual das Artes nas seguintes cidades:

Volta Redonda:............ 14 e 15 de Outubro às 22:00 na Praça da Colina.
Petrópolis:.............. 21 e 22 de Outubro às 21:00 na Praça D. Pedro II.
Macaé:................. 28 e 29 de Outubro às 22:00 na Praia dos Cavaleiros.

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TEATRO GRÁTIS.
Faixa Etária Recomendada: 16 anos.

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Serviço:
· Realização: Anti Cia de Teatro.
· Peça: Buk Na Rua – Teatro Noturno Para Adultos Insones.
· Autor: Charles Bukowski.
· Adaptação: Anti Cia de Teatro.
· Duração: 50 min.
· Elenco: Bruno Aragão / Fabiana Fontana / Helen Miranda / Janaína Russeff.
· Direção: Fernando Maatz.
· Cenário: Ricardo Marques.
· Luz: Aramis David Correa e Anderson Ratto.
· Trilha Sonora ao Vivo: Rodrigo Rua e Henrique Martins.
· Sinopse: Contos de Charles Bukowski encenados de noite na rua.

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Sinopse dos Contos:
“A mulher mais linda da cidade”: história sobre Cass, a mulher mais linda, que não tolera a própria beleza num mundo que se basta com as aparências.
“Uma senhora ressaca”: alcoólatra convicto não se lembra do que fez na noite passada e é acusado de ter molestado uma criança.
“Todo grande escritor”: um dia na vida de Henry Mason, editor que é obrigado a aturar os escritores malucos que não se conformam em não serem publicados.
“Dei um tiro num cara lá em Reno”: colagem de textos de Bukowski onde os 4 atores preparam drinks que oferecem pra platéia.

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11 de outubro de 2011

A invasão do mundo e os textos solitários.


Enquanto ela passeia por cidades-maravilhas e vislumbra que tudo é possível. Enquanto ela faz comida para agradar um homem que gosta de comer hot-dogs na rua. Ali, do outro lado da cidade, tem uma criança chorando por motivos que os pais jamais entenderão, por mais legais que sejam.
Tem um show fantástico de uma banda de Rock que eu não fui. Tem uma festa, festinha, celebração caseira, que eu deixei de ir. Tem a mulata magrela que passa na Rua da Passagem e que, embora linda, é apenas uma desculpa para pensar e sentir tesão.
(Assim também o livrinho à tira-colo enquanto beberico no bar... as cervejinhas, meu deus.... as cervejinhas... álcool e literatura combinam tanto... como explicar?...)
Foi ontem mesmo. O verão do Rio de Janeiro mostrou suas garrinhas e me veio um terrível arrepio na alma: não suportarei esse calor. E ainda ontem me surpreendi: nem houve gritos lancinantes para a virada do Flamengo.
Ontem, a missão. Ontem, as cinco laudas. Ontem, o dormir cedo.
Querer explicação é normal, conseguir explicar é complicado. Falar o quê? Falar pra quem? Porque falar é fácil e bom, e até decente; mas falar, falar mesmo, como um carioca que não se sente ridículo ao comer um milho após pegar uma praia em Ipanema, eu não consigo.
Lamento. Fosse mais volúvel, menos tímido e um pouco mais limpo estaria participando das grandes jogadas, dos dinheiros, dos coletivos bem intencionados, da revolução pela internet, do clube otimista, dos professores frustrados, das dívidas dos cartões de crédito, sei lá, o diabo.
Fosse não é; e Fernandinho escreve sempre em seu blogue enquanto engorda a olhos vistos.
(E teve uma adolescente cretina que me deixou enfiar os dedos em sua vagina e nunca mais apareceu. A adolescente cretina lia meu blogue e me chamava de "fernandinho", o que, à época, não percebi como a ironia que é...o tempo... o maldito tempo... minutos atrás eu era um gênio.... o tempo)
Fica o calor que volta e voltará e essa sensação de solidão que só importa mesmo quando penso que pra ser sozinho não se precisa de grupos. 
Tocar o gado, eu toco. Ser gado, eu sou. Gosto de gente, mas não gosto de toda gente. Sou chato, sou chatérrimo, sou o Fernandinho da cretina adolescente que permitiu meus dedos em sua vagina, mas não me deu.
Alguém explica. Alguém sempre explica. "A lógica é o método de questionamento de todos os que acham que conquistaram o que tem", diz o Frings Blá-blá que esqueci o nome. Ele, o tal Frings Blá-blá ainda diz que "nada pior do que não reconhecer que sorte existe. Deus jamais perdoa aos que não acreditam em sorte. Deus sabe que o fato d'Eele existir foi determinado por isso."
Um choro quando nasce,
um choro quando descobre que morre.
Um pena:
o empate agrada a todos.

6 de outubro de 2011

diversão de nerd.

é meu marcador e explico. tem a ver com coisa gratuita e estúpida. dessas que fazem rir um sem prejudicar outro; e que são mais divertidas na teoria do que na prática.
tesão deveria ser sinônimo apenas de algo muito teso. simples assim. porque o tesão virou um mal. assim: se você não tem tesão, você não tem alma. e alma, bá... vamos lá... tem mais a ver com milagre do que com paus duros ou clitóris pretuberantes...
quero dizer: tesão é super-valorizado hoje em dia.
como se tesão fosse algo além do que é: uma complexa reação hormonal - o que, convenhamos, não é, e nunca será, pouco.
o fato é que meu tesão nem sempre tem a ver com pau duro ou com bucetas úmidas. estou sendo deliberadamente vulgar. e.... bá... vá lá... nem é esse o caso...
tesão é inventar frases e autores. é inventar textos apócrifos para a rede. é divertir-se sozinho como quem toca uma punheta ou trepa olhando a própria imagem no espelho.
tesão. essa coisa hormonal e sem sentido que faz bem à quem sente, mas que é apenas o que é.
tesão: meu facebook fazendo de conta que não tem inimigos e que gosta de tudo e todos.
tesão: um peido fedido que soltamos com a certeza de que jamais seremos identificados.

4 de outubro de 2011

Pai, os cavalinhos estão presos no carrossel!

  1. Os e-mails são frios e o óbvio ulula dentro de caixas que se pretendem feitas com esmero. Meu peido pra você; e também a triste confirmação da merda velha: muita pose pra pouca carne.
  2. Melhorar a própria vida. Estou velho. Porque penso nisso, estou velho. Não que vá começar a ter aulas de ioga ou ser simpático com idiotas. Mas, como velho, penso em melhorar a própria vida e concluo: tem a ver com ignorar por completo os idiotas.
  3. Falar é fácil e escrever aqui é prazeroso. Ou seja, estou fudido, estou mal pago e nem tenho as tendências gregárias que acho belas por aí. Meu limite são dois ou três que juntam mais quatro ou seis e que, em união, fazem seu barulho com satisfação e sem tirar vantagem de ninguém. Acho que é o meu ideal mais romântico: não tirar vantagem de nada e de ninguém.
  4. Beber é contar carneirinhos. Mas quem me entende? Estou falando de textos que não escrevi para coletivos de que não participo. Não estou triste e nem estou reclamando. Mas, cá comigo, o raio é velho: estou só. E atualizo: estou só demais.
  5. Tem mamãe, tem papai, tem a irmã e as sobrinhas. É coisa de sangue. É família e é sagrado. O Corleone e o Papa sabem, mas há imbecis que rejeitam qualquer vínculo que não seja controlado. Os amigos, que a gente escolhe, são super-valorizados por essa gente. Amigo, amigo mesmo, a gente torna parente. Chama pra padrinho, madrinha, esposa ou coisa que o valha. Sangue, bebê - esse vermelho lindo que você menstrua mensalmente com tanta indiferença.
  6. Fiz piadinha com um colega que tem filho e que me perguntou quando eu teria filhos. Eu: - a merda é achar uma mulher que presta. Ele: - arranja uma mulher que quer ser mãe que já tá de bom tamanho. "Gênio", eu pensei e não disse.
  7. Acordar às 7:00, fazer exercício e comer maçã. Planos que faço e realizo. Às vezes. Fumar menos também é importante. No mercado compro seis energéticos genéricos e penso que isso não é lá muito saudável. Mas fazer o quê? Cocaína é pior e, de um tempo pra cá, nem quero saber porque associo a lares destruídos e idiotas vitimizados. Fazer o quê? Guaraná em pó é pra gringos e não há estômago que aguente impunemente aquele líquido preto e quente o dia inteiro. Fazer o quê? Overdose de maçãs ou pedir remédios para o primo da farmácia?... Mas o primo mora longe e remédios de farmácia são alcalóides legalizados... Fica o sono, o soninho, essa coisa de dormir e achar bom: o tempo voa e dormir é só outro jeito estúpido de matar o tempo. Fazer o quê? Despertador regulado e a esperança que as maçãs, combinadas com os energéticos, sejam a solução dos meus problemas.