8 de abril de 2011
Ver o oceano e se acalmar.
Lembro do pouso do avião no Santos Dumont. O Rio de Janeiro constrange a gente, é uma cidade linda, com morros, praias e uma gente folgada que é só aparência. O Rio é um lugar que deixa saudades. Não é Curitiba e todas as soluções, não é São Paulo e as mil oportunidades... É um lugar que índio, preto e português se misturam sem fazer da mistura uma virtude. -
E, por isso, amanhã vou ver oceano. E vou ficar triste e vou ficar feliz e vou achar que a vida é boa de maneira geral. Porque sou um otimista mesmo que não aparente, porque me acalmo vendo o oceano e porque, de vez em quando, uma música do Chico Buarque volta a me comover como me comovia quando eu tinhas 16 anos de idade. -
E penso: No meu pai e na minha mãe, o amor capengo que eles aceitaram. Na minha irmã e meu cunhado, um casal que tantas vezes parece adolescente. Na minha avó que se anima e divulga suas viagens. Nos atores e suas inseguranças eternas. E penso em mim: eu mesmo, muito prazer, a pessoa mais calma do planeta.
7 de abril de 2011
do ônibus.
( foi mais ou menos isso que eu ouvi. a idéia era essa. a primeira frase é uma reprodução exata. em outras palavras: diversão de nerd.)
O tesão é tipo uma criança triste, tá ligado? Se você dá atenção, te ama pra sempre. E, de repente, aquela criança esquece que era triste e que foi por ser triste que ela te amou. Daí ela vai continuar te amando pra caralho, mas vai achar que não é feliz. E pior: vai achar que tem que buscar a felicidade. E ela vai buscar a felicidade, ainda te amando e tudo e não vai achar. É quando chega a hora em que ela te culpa por ser infeliz... aí tu tá fudido. Todo dia uma cobrança, todo dia uma tristeza que agora é sua culpa. Então chega a hora de falar sério. Ela vai falar de insatisfação, de falta de liberdade, de como antes ela era feliz. Mas ela nunca foi feliz. Só que disso ela não se lembra e se você a lembrar, tá na merda. É a hora em que você vira o algoz, tá ligado? Porque todo mundo precisa de um algoz e porque foi você que teve tesão. Pinto duro vira ofensa, vontade de não fazer nada vira indiferença e a raiva vira culpa. Ela voltou a ser uma criança triste, mas se esqueceu que sempre foi uma criança triste... nessa hora... amigo... é melhor nem estar perto.
E é por isso que eu me separei, tá ligado?
6 de abril de 2011
Teatro Irresponsável.
5 de abril de 2011
É Tudo Sobre Mim e Minhas Mentiras.
Então assumo: o problema sou eu.
Eu me impressiono com a facilidade que garotas novas praticam sexo anal, com o sucesso dos cantores omissos, com a peça cult que ninguém entende, mas é super recomendada.
Então simplifico: o mundo é uma merda.
Eu gosto de ver a senhora que alimenta pombos, as crianças que brincam no corredor do meu prédio, o bêbado que conversa sozinho em sua anônima decadência.
Então deliro: há que se ter uma camêra para tudo filmar.
3 de abril de 2011
Fui Assim.
A tarde esteve abafada, amor. Lembrei de ti enquanto suava e quase te liguei, mas não liguei. É que eu sou durão, né? Como era domingo imaginei você acordando cedo e comprando Abacaxis. Daí me acordava pra minha irritação e dizia que conversou com o cara do caminhão e que, na verdade, é Ananás e não Abacaxis. E falaria que ficou conversando meia hora com ele e que ele é do Espirito Santo e que têm 3 filhos e que sua esposa tem muito ciúmes de quando ele pega a estrada.
Porque você adora falar, né mô? E porque você me irrita, mas eu te adoro.
Fiz, pra almoçar, aquele risoto que você adora. Sei que já tá achando que eu bebi cervejinhas antes do almoço, mas eu não bebi. Comi apenas um prato e muita salada.
Já sabe quando vem? Fiquei pensando que páscoa é muito legal e que vou esconder o seu ovo no prédio. Daí você terá que encontrar ele de noite e só de pijama. O que acha? Mas não pode ser pijama transparente... que sua bundinha é minha e só minha e nem comento sobre a peitaria porque sou elegante. rá.
Sabia que a mulher do André tá grávida? Eu falei com a tia dele e ela me disse que os dois tão super animados... Lembra que ele acha Robson um nome bonito? A mulher dele me disse aquele dia que odiava esse nome e que só não comentou nada porque ficou com vergonha de você... quando você tiver aqui a gente pode ir visitar eles, né?
Bem. Vou dizer beijinho, vou dizer até logo, vou dizer eu te amo e vou me deliciar com um pouco de risoto.
E seu concurso? Saiu a data? Bem que podia antecipar, né? Daí a gente brincava de casinha por 4 meses e você me falava mais sobre o cara do caminhão de Abacaxi que é Ananás e não Abacaxi... (hoje, as 10 e meia, ele já não tava lá...)
Beijos na boquinha que me chupa... rá... (e imagino você dizendo "ai, seu fernando") falamos falamos amo amo e PÉQUENTECABEÇAFRIA. Fê.
1 de abril de 2011
blopunheta
- a falta de solução. os sorrisos que eram bonitos e tristes. a guria que me faz sonhar e prova que nem larguei o osso como gostaria.
- as bancas de livros do metrô de botafogo. os achados à 1 real, 5 reais. o livro da Ana Cristina César que não consigo ler sem esquecer que ela se suicidou. o livro de uma suicida é um preconceito, né? e os anos 80 berrando em sua escrita: love, baby, essas coisas... um americanismo quase virginal para nossos tempos de facebook.
- o Rio de Janeiro como problema: como deixar essa cidade? gente calma e folgada, botecos a cada meia esquina e o descompromisso que parece tão natural aqui. largar o osso é largar o Rio de Janeiro.
- meu prédio da perspectiva do Coimbra é como um milagre. penso: por que nunca pego elevador com essas bundinhas que vejo entrando no prédio daqui? e lembro da injustiça do planeta e das gracinhas do mundo.
- a merda do mundo, a merda do povo. o cretino que diz que o tsunami veio pra provar a força da natureza e a força de Deus. porque, ele explicou, os japas não acreditam em Deus, mas em Budas de ouro. e ele, o cretino, acha que Deus é mais cretino do que ele. à ponto de promover tsunamis para quem Nele não acredita. e ele dizia aos berros: alguém aqui conhece um japa que acredita em Deus? e ficava radiante diante da negativa generalizada.
- pizzas com broa é a mania da vez. deveria chamar de brusquetas, mas não tenho estilo ou saco. pizza de pão, minha mãe falava. minha mãe sabe das coisas. e não chamar pizza de pão de brusquetas prova isso.
30 de março de 2011
O pau balançava e a vida seguia. (s.r)
27 de março de 2011
Eu rodava porque eu rodo.
trivoé.
Que hoje tarei as coxas da loira que estava ao meu lado no busão.
Conversamos:
- foi pra praia, é?
- fui.
Achei estranho, mas não muito.
O ônibus é um circo variado e sem controle;
e as mulheres, loiras ou não, querendo ou não, confundem os homens.
Daí que cogitei ir ao seu banco, mas não fui.
Imaginei uma bela cena onde ela ficaria surpresa e eu sorridente, falante e cheio de atitude.
Mas como não fiz o que pensei
voltei ao meu livro e li.
Ler, muitas e tantas vezes, é uma atitude desesperada:
ignora-se a realidade para apreciar o mundo controlado que as palavras propiciam.
Então chega o meu ponto e reparo que há um negro lindo ao lado dela.
Olho de soslaio, mas ela me vê e abre um riso que é uma borboleta branca.
Eu rio também e desço.
-
À caminho de casa descubro o óbvio:
mulheres não apenas confundem os homens,
mulheres têm um enorme prazer em confundir os homens.
26 de março de 2011
A culpa é da escuridão.
- Sem luz as pessoas berram de suas janelas, fazem piadas e brincam com lanternas. O escuro como proteção e a euforia em ver que Botofago inteiro sofre do mesmo mal. Somos animais interessantes, mas limitados. A euforia dura os cinco primeiro minutos, talvez dez. Concluo que não ter uma lanterna em casa é um erro.
- Porque o mundo é engraçadinho meu celular não tinha carga para ouvir rádio. Imaginei-me no escuro de Botafogo ouvindo um radinho e pensei que seria legal. Mas o mundo é cheio de gracinhas e meu notebook é viciado em energia.
- Hoje bebi por culpa da falta de luz. Geralmente bebo pelo tédio. Por mais estúpido que pareça, devo dizer: beber é fazer algo. E, sem luz, desci pra ver a escuridão e me informar melhor. Parei no bar da esquina e reparei que eram dez e pouco da noite e que havia muita gente se preparando para a balada de sexta. Grupos variados de mulheres que rachariam o táxi. Pensei que gosto da moda atual, na qual saias curtas com cintura alta estão em voga. Tesão. Tesão sobretudo nas mulheres altas com esse traje.
- Quando a luz volta todos batem palmas e fazem barulho. Repito: somos animais interessantes. Gostamos da luz. Somos mariposas. E ficamos em volta da luz. Mesmo batendo a cabeça na luz, adoramos a luz. Mariposas não são borboletas, claro está.
- Acontece que bebi mais do que beberia e cá estou. Blogue é (ou deveria ser) coisa de bêbado. Lembro dos ótimos textos que o Bortolotto escrevia quando estava bêbado e aproveitava a in-utilidade de todo blogue. E salve Leminskão.
- No mais, banho quente e energia na tomada. Que nem gosto de mato ou acampamento. Que tenho dificuldade pra compreender quem acha que a falta de recursos e o excesso de natureza tornam as pessoas melhores. Porque tenho um blogue e gosto de beber. Porque bebo e escrevo. Porque tanto o álcool quanto a internet são maneiras de combater o tédio.
- E finalmente: gostamos de explicações. Porque explicar é uma tentativa de entender o mundo. O mundo, essa coisa que nos carrega e que entendemos tão mal. Explicar é caçar sentido. E sentido a gente quer, inventa e formula. Porque é assim. Porque eu, infelizmente, não acredito em Deus.
24 de março de 2011
Tem enxofre na água, eu aprendi.
Era uma banheira com água sulfurosa. Eu estava em Águas de São Pedro no Balneário Municipal. 12 reais para 20 min. de uma água escura, melada e com péssimo cheiro. Dizem fazer bem, dizem operar milagres. Eu acredito. Até porque a pessoa que faz o tratamento completo toma um banho todo dia durante 2 semanas. E, inevitável, pensa sobre a própria cura.
Eu pensei sobre minha cura. Sobre milagres. E sobre essa coisa ancestral que é ficar imerso em águas que vêm do fundo da terra para nos curar.
Quem tem câncer não pode ir. Segundo os funcionários do Balneário Municipal, a água sulfurosa acelera o processo. Uma velhinha que estava com a gente não foi por isso e ficou decepcionadíssima. Ela, como todo mundo, queria se curar. Mas a cura dela era mais objetiva: além do câncer, anda torta e de bengala. Pede ajuda pra se levantar. Mas, surpreendentemente, tinha uma gargalhada de Dick Vigarista.
Em Águas de São Pedro as casas são lindas e não têm muros. A cidade é pequena, estúpida e só é conhecida por suas águas. Por essas razões as pessoas de lá pareciam tranquilas: por morarem em uma cidade estúpida, pequena e com águas milagrosas. A paz está nisso: nessa falta de tudo. Vive-se bem bestamente, eis uma verdade. A ambição, por mais divertida que seja, é sempre dolorida. Em Águas de São Pedro a dor não sabe que é dor porque o tédio não sabe que é tédio. Como explicar? Não sei. Somos nós, os urbanos com várias opções, que sofremos de tédio.
Daí que houve parabéns surpresa e uma vela. E, já na varanda, houve a lição de vitalidade que não temos, mas admiramos. E dormimos bem nessa noite. Porque em Águas de São Pedro tudo parecia possível. Inclusive a paz.
17 de março de 2011
Confundia charme com indiferença.(s.r)
Por um lado fazia sentido e era óbvio. Por outro, o óbvio ululava alto demais.
(E Nelsão, que nem tem nada a ver com isso, se revirava no caixão).
Falava "pau", mas não falava "pinto".
Dizia, como se sua sacada fosse divertida: "pinto só se amarelo".
E advertia: "Já transei com um japa, tá ligado?"
Eu não tava ligado. Eu não queria estar ligado. Eu não gostava das informações desnecessárias que ela me dava:
1. Foi umas fase antropológica, sabe? Testei as raças, todas as raças: africanos, amarelos, europeus e asiáticos. Concluí que gosto mesmo da América do Sul. Saca o Belchior? Sou da turma dele.
2. Eu li na revista. Olha só. 83% das mulheres casadas têm problemas intestinais. Mas o bizarro é que a faixa etária não determina isso. Mesmo mulheres nascidas na década de 90 e que casaram sofrem disso. Vê? Ainda acha o machismo ultrapassado? Hein?
3. Pra mim não importa. Eu quero é que se foda. Mulher traída merece a traição. Já tive homem casado. Lindo ele. Casado! Eu morria de tesão. Acho que é o proibido, né? Uma vez eu viajei de navio com a minha tia e me masturbei pensando nos marinheiros que poderiam, se quisessem, me estuprar... mas é fetiche, né? Coisa de adolescente... sei lá... A verdade é quando uma amiga minha se envolve com um homem comprometido eu dou a maior força. Eu digo: 'se joga amiga, você não tem nada a ver com a traição dele, você não tá traindo ninguém, tá?' E nem adianta que eu sei: não to errada, tô? Sou mó cabeça aberta, não sou?
Eu não sabia. E também não queria saber. E tinha praticidade. A buceta dela era quente, abraçava meu pau e, às vezes, parecia ser um tipo de caixão que me deixava em paz.
Foram meses. Antes do ano virar ela precisava de alguma coisa que eu não tinha. Fazia sentido. Eu não tenho um monte de coisas que ela precisaria. Era justo ela ir e ela se foi.
Eu fiquei porque eu fico. Porque eu gosto de ficar.
Porque me sinto vivo ficando.
E ela foi porque vai. Porque gosta de ir.
Porque se sente viva indo.
Foi quase perfeito. Quase.
14 de março de 2011
7 curtinhas, eu roubei.
- O tempo passa e não há jeito. Quero ler outro livro do García Marquez pra ter certeza que seu assunto é o tempo. E se não for, é a saga de uma (ou duas ou três ou várias) existência (as). E se mesmo assim não for, dane-se: tio Gabo é um puta escritor e nem precisa de defensores.
- Então me reduzo. Reduzir-se é legal. Vejo à mim. E vejo aos meus. E eles e eu estamos juntos. Na glória e na desgraça. E até, como não?, no bar da esquina onde vejo as melhores bundas do Rio de Janeiro inteiro.
- Se seu afeto é ver meu blogue, eu digo: você me adora. Se não, eu deduzo: você é pior do que eu pensava.
- Foder é uma coisa. Foder com prazer é outra coisa. Foder e amar é um céu. Amar enquanto fode-se é o próprio sentido da existência. E isso só acontece à cada 12 anos, como o Horóscopo Chinês.
- O telefone toca e é Vovó. Ela ficou feliz com o que escrevi e fez com que meu blogue tivesse mais visitantes do que jamais imaginaria. Vovó rocks e tem uma rede na Internet que trascende qualquer feed de facebook. Vovó não tem Facebook ou Orkut, mas vovó consegue ser viva - V Maiúsculo - até nessa coisa virtual.
- Mando minhas cartas e meus recados. Acho, e acho mesmo, que o asfalto cinza em baixo dos pneus são um belo divã sem - é bom ressaltar - a opressora figura do analista e seus cabelos grisalhos e óculos minúsculos.
- Fumar é minha muleta. Se fosse Curitiba e seu frio, estaria na TV e no sono. O Rio de Janeiro é difícil de largar também por essas coisas. E o Aramis que concorde comigo.
13 de março de 2011
Porque sou implicante. (s.r)
Aproveito pra lembrar que falar sobre amor na Internet é piegas e sem sentido. Que amor na Internet é como os feeds que ficam em páginas não atualizadas. Amor e Ternura estão na moda de tal forma que se tornaram suspeitos e nada espontâneos. Coisas de Neo-Hippies, em outras palavras.
Volto a ressaltar que comida japonesa é Fast Food. Não dá pra dizer "Bora comer um japa" como se isso fosse cool ou cult ou pop ou descolado. Fast Food. Tá provado.
Dê uma volta no Shopping (aquele lugar de consumo, você chama) e repare: Japas em excesso e com kombos à lá o original Mc"Donalds.
- número 1, por favor
- 6 salmão skin e 3 sashimi atum, confirma senhor?
- confirma.
Entre outros detalhes, lembro que:
a vibe oriental não é natural;
natural, de natureza, não tem nada de bonzinho porque na natureza, essa coisa supervalorizada, reina a cruel lei do mais forte;
achar que um índio é uma pessoa boa por ser índio é como a Regina Casé que inventou que qualquer coisa da periferia é ótima por ser da periferia - o nome disso é preconceito;
o cinema americano ainda é o melhor cinema do mundo, mesmo que haja um esforço muito nobre do cinema nacional.
Então encerro aqui e deixo a dica: você é comum e todo seu lance alternativo vem daquilo que você nomeia de ilhas de consumo. E até aí tudo certo. A gente vive num mundo de merda que, querendo ou não, nôs influencia. O que não dá e pega mal e achar que você tem autenticidade. Simplesmente porque ninguém que seja autêntico fala por aí "sou atêntico, sou autêntico."
E muito menos "ilhas de consumo".
Vovó - s.r
Quando e se minha vó morrer, vou me abalar. Porque ela é um tipo que não morre. É uma velha com quase 83 e que, muitas vezes, imagino me enterrando. Simplesmente porque ela tem uma vitalidade invejável e vive de um jeito que eu gostaria de viver quando tivesse sua idade.
Uma vez, já faz um tempo, em um aniversário meu, ela telefonou e me disse: "espero que tenha uma vida feliz como a minha." E eu chorei pra caramba depois porque ela tem uma relação com vida que não é pacífica, ela briga com a vida, mal diz a vida. Mas, mesmo assim, ela fala de sua vida com a felecidade no meio. E chorei. E ela nem sabe. Mas chorei.
Minha avó tem uma relação com a vida que admiro e invejo. Ela vive. E vive. E é uma das poucas pessoas que conheço que realmente vivem. Sem fazer com que a vida seja um mar de rosas ou um mar de espinhos. Ela vive e fala sobre felicidade, mesmo sabendo das merdas todas, das dores no corpo e das injustiças do mundo. Ela não faz de conta que merdas não existem, por exemplo. E isso, isso de ter as merdas e poder falar sobre felicidade é que fazem dela alguém que importa e que, mesmo sem saber, me serve de exemplo. Porque se for pra ser velho como ela é, eu topo.
Bem, esse post virou isso e eu sei porquê. Vovó Rocks e faz tempo. Desde que morei com ela sei que faz tempo. Vovó é duca e não pode morrer. Vovó não morre. Ela tem um nome lindo e vive. Está viva bem mais do que eu, meu pai ou suas netas. Vovó nunca mentiu pra viver melhor e por isso vive como nunca eu, meu pai ou suas netas entenderão.
Vovó não pensa na vida, vovó vive. E sabe que tudo tá certo e que é como é: seja as dores no corpo, os espinhos de flores ou não, Vovó vive e viverá. Vovó, mesmo sem saber, sabe das coisas.
11 de março de 2011
(s.r)
Escrevo aqui, como muitas vezes ocorre, quando não consigo escrever em meus arquivos. Escrever no blogue é fácil e conveniente. Escreve-se e pronto. Não tenho tantos e nem tão fiéis leitores e, pra ser franco, isso, o blogue, em última estância, é a terapia ocupacional mais barata que existe. De forma que cá estou enquanto o Erasmão dá seus recados na já recomendada rádio UOL.
Seja como for, quero escrever histórias. E escrever histórias é bem mais embaixo do que alimentar um blogue. Porque temos pretensões que nos devoram e nos machucam. E concluo que a minha vida está toda errada porque está fadada à frustração. Explico: um dia inventei-me artista e, por isso, consumi grandes artistas, repito: GRANDES ARTISTAS; e isso, como acontece, acabou por me foder ainda mais. Porque há grandes obras, há Dom Quixote e há Doistoiveski. Há essas obras realmente fodas e GRANDES. E podemos nos consolar dizendo que é um dia após o outro, que a gente vai aprendendo, que a insistência é uma virtude, etc, mas e daí? Quando inventa-se artista crê-se com talento e quando questiona-se o talento um tipo de morte começa à ocorrer. Lembro do único poeminha do W.Benjamim que conheço: cada vez mais cansado, cada vez mais cansado.
E vejo as pessoas girando e o mundo acontecendo. Noto que nem gosto do mundo ou das pessoas. Tento lembrar da tristeza mais bonita e não consigo. Então baixo uma comédia romântica americana e imagino que devo estar deprimido já que nem consigo me revoltar. Mas mesmo o papo de deprimido não cola porque há qualquer deboche que ainda me agrada. "Eu não sou um, eu sou muitos", eu deveria dizer para agradar os amigos neo-hippies que super-valorizam a ternura e o desprendimento. Como se ternura fosse simples, como se despreendimento fosse natural...
Fernandinho chato demais pintando na área.
Vou me reprimir que ainda mantenho a decência de não achar que auto-repressão é datado.
"Há limites", é um bordão que volta e meia uso. Gosto dele. Faz sentido: há limites.