8 de agosto de 2009
6 de agosto de 2009
a bicha teatral diz:
Que seja e venha. Se é autoridade que eles querem, é autoridade que eu lhes ofereço.
Mesmo achando isso uma babaquice sem tamanho, mas bem, sabe como é, há quem só acredite nas coisas após ouvir um grito autoritário dizendo que as coisas existem. Que seja. A roda é grande e fazer uma farsa sabendo que é farsa eu também sei fazer, mesmo preferindo não usar esse recurso.
Mas isso não é o importante. O importante é outra coisa e é bem mais simples: os que importam estão lá, ficam lá e querem entender as coisas desconhecidas. Eles flertam com o mistério. Eles sentem prazer em se relacionar com o indizível.
É um processo instintivo e não uma matemática. A bicha chata apareceu no primeiro dia e depois sumiu. E meu Deus, isso tem tanto sentido, mas tanto sentido, que meus nervos se acalmam e até cogito emagrecer e fumar menos.
É por essas horas que a vida vale. 12 pessoas querendo descobrir um troço que não se sabe qual é, mas que se pressente.
O resto são discursos velhos e repetidos, que mudam de objeto, mas não de conteúdo. Otários esquecem o próprio padrão e reclamam por serem incompreendidos. Esquecem - se que se repetir e ser incompreendido é, e sempre será, parte da jogada.
Basta estar vivo.
Mesmo achando isso uma babaquice sem tamanho, mas bem, sabe como é, há quem só acredite nas coisas após ouvir um grito autoritário dizendo que as coisas existem. Que seja. A roda é grande e fazer uma farsa sabendo que é farsa eu também sei fazer, mesmo preferindo não usar esse recurso.
Mas isso não é o importante. O importante é outra coisa e é bem mais simples: os que importam estão lá, ficam lá e querem entender as coisas desconhecidas. Eles flertam com o mistério. Eles sentem prazer em se relacionar com o indizível.
É um processo instintivo e não uma matemática. A bicha chata apareceu no primeiro dia e depois sumiu. E meu Deus, isso tem tanto sentido, mas tanto sentido, que meus nervos se acalmam e até cogito emagrecer e fumar menos.
É por essas horas que a vida vale. 12 pessoas querendo descobrir um troço que não se sabe qual é, mas que se pressente.
O resto são discursos velhos e repetidos, que mudam de objeto, mas não de conteúdo. Otários esquecem o próprio padrão e reclamam por serem incompreendidos. Esquecem - se que se repetir e ser incompreendido é, e sempre será, parte da jogada.
Basta estar vivo.
4 de agosto de 2009
E hoje aconteceu.
E foi bom e eu tava lá e o fato de eu estar lá fez a diferença.
Empurra-se umas coisas, se salva outras e descobre, com algum medo de errar, que sim sim, é possível.
Nem sempre é possível, mas as vezes é. E quando é, é bom à beça e bato palminhas e digo é isso aí.
Depois um monte de coisas solitárias e preciosas. A vida calma, o desprezo no gatilho e a mira do revólver que nem quer mais lhe ameaçar.
-
Um risco ou outro,
a marca de bala na perna
e a chance do sim que é a mesma do não.
E foi bom e eu tava lá e o fato de eu estar lá fez a diferença.
Empurra-se umas coisas, se salva outras e descobre, com algum medo de errar, que sim sim, é possível.
Nem sempre é possível, mas as vezes é. E quando é, é bom à beça e bato palminhas e digo é isso aí.
Depois um monte de coisas solitárias e preciosas. A vida calma, o desprezo no gatilho e a mira do revólver que nem quer mais lhe ameaçar.
-
Um risco ou outro,
a marca de bala na perna
e a chance do sim que é a mesma do não.
3 de agosto de 2009
2 de agosto de 2009
Mais um ano na fita e vamos que vamos.
Ontem, conversando com uma menina que fez 28 recentemente, fui perguntado se era tranquilo pra mim se aproximar dos 30. E eu disse que sim e ela perguntou como é que faz.
Aí me lembrei que meu lance, desde muito cedo, é tentar ter a idade que tenho. Com 11 anos já era assim. Faço aniversário e fico meio que dizendo pra mim mesmo: agora tenho 28 e não 27, 28 é diferente de 27.
Acho que fico um mês nessas.
Claro que é estúpido, mas é um tipo de mania antiga. Lembro desse mesmo pensamento em várias idades: com 17 em São Paulo, com 19 sabendo que me mudaria pro Rio, com 21 ao lado da garota que mais me ensinou coisas no mundo, com 25 e um tipo de agonia porque a vida parecia não estar acontecendo. E por aí vai.
Nesse mesmo breve papo, ela comentou que os pais dela, nessa idade, já tinham família, emprego e etc. Meus pais também, mas até aí. 09 é diferente de 81.
Sei que meus próximos dias serão bons e que ficarei dizendo pra mim mesmo: agora é 28, agora é 28. Como se só isso já fosse uma mudança. Como eu disse, é estúpido.
Seja como for, 28 é mais que 27 e é possível ficar mais esperto ao longo do tempo.
Pra que na hora fatal, velho e bem humorado, eu diga pra Dona Morte: - você venceu, batata frita.
Ontem, conversando com uma menina que fez 28 recentemente, fui perguntado se era tranquilo pra mim se aproximar dos 30. E eu disse que sim e ela perguntou como é que faz.
Aí me lembrei que meu lance, desde muito cedo, é tentar ter a idade que tenho. Com 11 anos já era assim. Faço aniversário e fico meio que dizendo pra mim mesmo: agora tenho 28 e não 27, 28 é diferente de 27.
Acho que fico um mês nessas.
Claro que é estúpido, mas é um tipo de mania antiga. Lembro desse mesmo pensamento em várias idades: com 17 em São Paulo, com 19 sabendo que me mudaria pro Rio, com 21 ao lado da garota que mais me ensinou coisas no mundo, com 25 e um tipo de agonia porque a vida parecia não estar acontecendo. E por aí vai.
Nesse mesmo breve papo, ela comentou que os pais dela, nessa idade, já tinham família, emprego e etc. Meus pais também, mas até aí. 09 é diferente de 81.
Sei que meus próximos dias serão bons e que ficarei dizendo pra mim mesmo: agora é 28, agora é 28. Como se só isso já fosse uma mudança. Como eu disse, é estúpido.
Seja como for, 28 é mais que 27 e é possível ficar mais esperto ao longo do tempo.
Pra que na hora fatal, velho e bem humorado, eu diga pra Dona Morte: - você venceu, batata frita.
1 de agosto de 2009
-
Vermezinhos me roem na manhã de sábado. Mau humor como azia, e café e cigarro pra dentro. Realizar as pequenas tarefas e saber que o mau humor passará.
Gosto da coisa da cura com o veneno que causa a doença. A lógica da vacina. Um tiquinho de vírus que prepara o corpo pra quando o vírus vier.
É nessas que não me poupo de certas coisas: ter raiva, ficar puto, xingar desconhecidos, amar, delirar, querer mais, etc.
Há bons paliativos pra isso. Nem todo dia a gente tá com saco pra provar do próprio veneno.
Então, pra dias assim, se aplica as boas e belas técnicas: beber sucos naturais, olhar as bundas das adolescentes de botafogo, ler um livro que já leu, conversar com uma mosca de bar, etc.
-
30 de julho de 2009
não faz mais.
É que o excesso de confete lhe estragou, meu benzinho. Você não devia ter acreditado nas mentiras que se conta por aí.
Os mentirosos são tristes e sozinhos e precisam de gente.
Então eles elogiam tudo e todos.
Benzinho, você deve lembrar que lhe avisei. Eu segurei sua cabeça com minhas mãos e disse que ela era apenas uma garotinha triste que lhe queria como amiga, que ela precisava de você porque não tinha ninguém e não porque tinha achado você especial.
Eu disse que ela era má, benzinho, mas você achou que era só implicância e disse que eu não entendia nada porque eu era arrogante e solitário.
E eu lhe disse que eu não era solitário porque eu tinha você e que você, que me tinha, me conhecia bem e sabia que minha arrogância não era de nada e que só escondia meu medo do mundo.
E você deu uma risadinha, mas logo fez questão de bancar a brava de novo e me disse coisas feias que sei que você nem pensa.
Mas deixa pra lá, benzinho, eu nem sempre tenho razão mesmo querendo isso.
É que vejo você falar da sua nova amiguinha e acho tão errado isso. Porque você dá tudo pra ela, e ela, nem por mal, só lhe suga esse sanguinho doce que eu tanto adoro e que é só meu. Porque é só meu o seu sanguinho, meu benzinho. E é assim que deve ser porque o meu sanguinho também é só seu.
E nossos sanguinhos juntos, benzinho, você sabe, são uma coisa quentinha e boa de ver.
Os mentirosos são tristes e sozinhos e precisam de gente.
Então eles elogiam tudo e todos.
Benzinho, você deve lembrar que lhe avisei. Eu segurei sua cabeça com minhas mãos e disse que ela era apenas uma garotinha triste que lhe queria como amiga, que ela precisava de você porque não tinha ninguém e não porque tinha achado você especial.
Eu disse que ela era má, benzinho, mas você achou que era só implicância e disse que eu não entendia nada porque eu era arrogante e solitário.
E eu lhe disse que eu não era solitário porque eu tinha você e que você, que me tinha, me conhecia bem e sabia que minha arrogância não era de nada e que só escondia meu medo do mundo.
E você deu uma risadinha, mas logo fez questão de bancar a brava de novo e me disse coisas feias que sei que você nem pensa.
Mas deixa pra lá, benzinho, eu nem sempre tenho razão mesmo querendo isso.
É que vejo você falar da sua nova amiguinha e acho tão errado isso. Porque você dá tudo pra ela, e ela, nem por mal, só lhe suga esse sanguinho doce que eu tanto adoro e que é só meu. Porque é só meu o seu sanguinho, meu benzinho. E é assim que deve ser porque o meu sanguinho também é só seu.
E nossos sanguinhos juntos, benzinho, você sabe, são uma coisa quentinha e boa de ver.
29 de julho de 2009
Olerêeolará.
Bem, bem,
é mais ou menos assim:
Aproveita-se o que pode e o que surge. Controla-se a ansiedade porque jogar bem nem sempre é marcar gol.
E o gol ainda é o grande momento do futebol.
E nem acompanho futebol, mas fui garoto bem educado e meu pai me levou pros jogos do Atlético Paranaense e isso, hoje vejo, foi vital pra mim e minhas coisas.
É parte daquelas coisas que meu pai fez comigo e que farei com meus filhos.
Meu pai também não acompanha futebol.
...
Mas nem importa, meu pau tá duro e vamos que vamos. Mesmo ainda faltando uma buceta com alma e quentinha pra eu meter ele lá dentro do melhor jeito que há.
É como eu disse pro meu bom amigo: cutuca-se a xota, mas sempre se deseja a alma.
Como se o pau fosse um caçador de almas.
As vezes acontece, mas nem sempre.
...
No mais, esse bem estar besta que se sente ao ter que fazer tarefas.
Ainda somos bichos, afinal.
Ainda achamos que ter o que fazer é estar vivo e blá-blá-blá.
...
A liberdade é saber que isso passa e que os demônios voltam e passam também.
No mais: aquele velho conhecido que surge e os milagres que talvez também surjam.
As chances são sempre as mesmas. Arrisca-se o que se pode ganhar, e não, e nunca!, o que se pode perder.
As apostas ainda são feitas pelas esperanças de vitória, não é?
é mais ou menos assim:
Aproveita-se o que pode e o que surge. Controla-se a ansiedade porque jogar bem nem sempre é marcar gol.
E o gol ainda é o grande momento do futebol.
E nem acompanho futebol, mas fui garoto bem educado e meu pai me levou pros jogos do Atlético Paranaense e isso, hoje vejo, foi vital pra mim e minhas coisas.
É parte daquelas coisas que meu pai fez comigo e que farei com meus filhos.
Meu pai também não acompanha futebol.
...
Mas nem importa, meu pau tá duro e vamos que vamos. Mesmo ainda faltando uma buceta com alma e quentinha pra eu meter ele lá dentro do melhor jeito que há.
É como eu disse pro meu bom amigo: cutuca-se a xota, mas sempre se deseja a alma.
Como se o pau fosse um caçador de almas.
As vezes acontece, mas nem sempre.
...
No mais, esse bem estar besta que se sente ao ter que fazer tarefas.
Ainda somos bichos, afinal.
Ainda achamos que ter o que fazer é estar vivo e blá-blá-blá.
...
A liberdade é saber que isso passa e que os demônios voltam e passam também.
No mais: aquele velho conhecido que surge e os milagres que talvez também surjam.
As chances são sempre as mesmas. Arrisca-se o que se pode ganhar, e não, e nunca!, o que se pode perder.
As apostas ainda são feitas pelas esperanças de vitória, não é?
28 de julho de 2009
adoráveis estúpidos
Não falo tudo o que eu penso. Parece-me uma coisa decente. Só um estúpido fala tudo o que pensa. E o estúpido, como tal, acha que é inteligente justamente por falar tudo o que pensa. Meu Deus. O inferno é um lugar cheio de gente falando tudo o que pensa. E dizendo, com aquele riso bestial: - é que eu sou muiito sincero.
E nessas o inferno, que era apenas um lugar quentinho, se torna de fato O inferno.
Viver por aí é um grande risco. Estúpidos e cretinos são sempre solícitos e generosos. E, bem, mesmo que com tristeza, devo assumir que já fui engambelado algumas vezes por essa espécie.
É que eles são poderosos e tem o instinto de sobrevivência de um vírus: mutam-se com as vacinas.
Das coisas que desejo, reconhecer um estúpido à distância é o que ainda mais ambiciono.
Do mal da busca pela felicidade não sofro, já que ter paz ainda me parece mais palpável e útil. Com paz se encara as tristezas e espera passar.
Com felicidade se espera apenas.
Encarar me parece decente.
Ser feliz, e acreditar na felicidade como objetivo de vida, ainda me parece estúpido.
Ou inútil, tanto faz.
27 de julho de 2009
Meu bom Jesus me afagando como um gato.
Não, que não gosto de gatos. Quer dizer, nada definitivo ou eterno, mas fui um cara educado com cachorros.
Minha família tem cachorros e não gatos. E, bem, claro está que sou um cara de família.
Não tenho vocação pra desgarrado e, dentro das minha implicâncias preconceituosas, acho essa gente dita desgarrada um tipo bem mal resolvido. Aquele lance de amar o inimigo ou de odiar quem lhe quer bem. Credo!
Seja como for, Jesus tem sido bacana e me afaga. Aquela mão esquelética e cheia de cicatrizes. É meio nojento e tudo o mais. Ainda há pus, mas até aí é uma mão que, mesmo com o pus sagrado, me afaga.
E, bem, gosto de ser afagado.
Agora é contar os dias e esperar o milagre possível.
Mesmo que os milagres impossíveis ainda me encantem mais.
Não, que não gosto de gatos. Quer dizer, nada definitivo ou eterno, mas fui um cara educado com cachorros.
Minha família tem cachorros e não gatos. E, bem, claro está que sou um cara de família.
Não tenho vocação pra desgarrado e, dentro das minha implicâncias preconceituosas, acho essa gente dita desgarrada um tipo bem mal resolvido. Aquele lance de amar o inimigo ou de odiar quem lhe quer bem. Credo!
Seja como for, Jesus tem sido bacana e me afaga. Aquela mão esquelética e cheia de cicatrizes. É meio nojento e tudo o mais. Ainda há pus, mas até aí é uma mão que, mesmo com o pus sagrado, me afaga.
E, bem, gosto de ser afagado.
Agora é contar os dias e esperar o milagre possível.
Mesmo que os milagres impossíveis ainda me encantem mais.
26 de julho de 2009
"Estou aqui sentado no sol, bicando o ceú, fumando só..."
Cheiro de Chato.
Lembro de um outro chato que um dia me disse, na hora de dizer tchau, valeuuuu.
Acontece, agora, que esse chato da vez é muiiito simpático, artístico e criativo. Ele lhe obriga à ouvir músicas que só ele conhece e só ele canta. E na mesa de um bar. E claro que ele 'interpreta' as músicas que canta: cara de triste pra letra triste, gingadinho pro refrão e sorriso com bafo de hortelã pro gran finalle. É o chato que diz, antes de terminar, e agoraaa o grannn finallleee...
Tática de guerra ou de indiferença. Opto pela indiferença. Menos energia pra gastar e, bem, qual a vantagem de guerrear com um chato?
E o chato, como não poderia deixar de ser, tem muiiitooss amigos. E o pior, pra cada amigo que apresenta, tem uma pequena fala:
O telefone toca e há a ameaça de um 6° chato chegar. Como o mundo é cheio de gracinhas, o 6° chato é justamente aquele que me disse valeuuu há quase um ano atrás. Fico imaginando como eles se conheceram e imagino uma grande confraria secreta de chatos.
Hora de ir embora. Muitos por que já vai?, fica mais um pouco e amanhã é domingo depois, me despeço com a promessa de nos adicionarmos no orkut.
Antes de subir pra casa, bebo uma no Coimbra e lembro da Bíblia: Diga com quem andas e te direi quem és.
E também do belo comentário do Millôr - ou seria do Max Nunes?: Jesus andava com Judas e Judas andava com Jesus.
Assim: entrando pelas narinas através de um bafo de hortelã que sai do super sorriso que solta ao dizer muiiitto prazer esticando as vogais.
Lembro de um outro chato que um dia me disse, na hora de dizer tchau, valeuuuu.
Acontece, agora, que esse chato da vez é muiiito simpático, artístico e criativo. Ele lhe obriga à ouvir músicas que só ele conhece e só ele canta. E na mesa de um bar. E claro que ele 'interpreta' as músicas que canta: cara de triste pra letra triste, gingadinho pro refrão e sorriso com bafo de hortelã pro gran finalle. É o chato que diz, antes de terminar, e agoraaa o grannn finallleee...
Tática de guerra ou de indiferença. Opto pela indiferença. Menos energia pra gastar e, bem, qual a vantagem de guerrear com um chato?
E o chato, como não poderia deixar de ser, tem muiiitooss amigos. E o pior, pra cada amigo que apresenta, tem uma pequena fala:
O José eu conheço desde criança, foi com a família dele que eu viajei pra praia pela primeira vez.
A Renata eu conheço tem só 6 meses, mas parece que faz anos. Se duvidar a gente se conheceu em outras vidas.
E por aí vai: 5 amigos, 5 prólogos e o bar inteiro cheira à hortelã.O telefone toca e há a ameaça de um 6° chato chegar. Como o mundo é cheio de gracinhas, o 6° chato é justamente aquele que me disse valeuuu há quase um ano atrás. Fico imaginando como eles se conheceram e imagino uma grande confraria secreta de chatos.
Hora de ir embora. Muitos por que já vai?, fica mais um pouco e amanhã é domingo depois, me despeço com a promessa de nos adicionarmos no orkut.
Antes de subir pra casa, bebo uma no Coimbra e lembro da Bíblia: Diga com quem andas e te direi quem és.
E também do belo comentário do Millôr - ou seria do Max Nunes?: Jesus andava com Judas e Judas andava com Jesus.
25 de julho de 2009
é só sobre mim e as minhas mentiras.
é bonito e me comovo:
sou eu as vezes ao quadrado,
mas apenas assim
antes de quebrar o ovo.
23 de julho de 2009
eu mesmo e como não.
Os risinhos presos dentro da garganta.
Rir da própria desgraça é estúpido, mas faz bem. Ainda mais assim. Eu sabia e como. O óbvio que se afirma é uma beleza quando você já sabia que o óbvio era óbvio. E você diz pra si mesmo - com a pança enorme e radiante - eu sabia, eu sabia.
E ter certeza disso é mesmo uma coisa, um desejo, uma possibilidade que se torna real no discurso sincero que o óbvio, quando é bom, carrega.
Claro que tudo poderia ser diferente. Tudo sempre pode ser diferente. Mas ser diferente, nesse sentido, não quer dizer ser melhor.
E nessas o idiota se confunde: estarei eu me revirando na minha própria merda ou estarei eu me revirando numa merda que não é minha?
E o idiota, porque é idiota, não responde a sua pergunta, mas continua com a mesma pergunta ad eternum.
Tudo isso pra dizer:
meu caso é outro e idiota não sou e nunca fui.
Mas a verdade é que escrever é mentir com consciência da própria mentira, coisa que é impossível na vida real e sem graça.
Seja como for, a vida tá boa e sim sim a vida tem lá suas fases de bonança.
O que não deixa de ser um chafurdar na própria merda com convicção e estamos aí.
-
Claro que também pode ser o retorno de Saturno, mas, bem, essa não é lá a minha onda e/ou idiotia.
22 de julho de 2009
meu cré-cré, meu vai-que-vai. meu desejo é de conversar com duas pessoas. assim, com uma distância elegante, que aprecio e estimo. duas pessoas. só duas. nessas de falar o que não se fala ou fala pouco. nessas de tirar proveito da visão turva que a distância elegante produz. talvez pelo sonho estranho, talvez pela boa novidade, talvez apenas pra variar. escolher com quem se compartilha segredos é coisa que quero e importa. o resto, repetição dos vícios, da ressaca e dor no pulmão.
dsbndnh.
Mais uma jogada e mais um prazer. A vantagem do escuro é o lance de que todos os gatos são pardos. Sem emoção e sem critério, mesmo que haja, por algumas horas, a velha sensação de estar vivo.
Mesmo que se esteja morto, mesmo que seja mentira.
Que seja: não é simples mentir pra si mesmo, mas, mesmo assim, é possível.
Então: cola que cola, diz que diz, viva que viva, curte que curte. Curtir? Curtir! Como o couro ensanguentado e estendido que virará uma calça belíssima enfiada numa bunda de gente realmente muito fina.
Ah! Que me comovo! Ah! Que te conto uns segredos legais e divertidos! Ah! Que o amor pode esperar enquanto brinco no vai e vem dessa buceta que não tem cara nem nome nem alma! Ah! Que pensar em alma é virtude dos fracos! Ah! Que meu pau tá dentro e com borracha! Ah! Que daqui a três horas tenho que acordar! Ah! Que acordo com ódio e desejo de assassinato! Ah! Que isso não são coisas pra se pensar nesse momento! Ah! Que café preto na cama é quase uma promessa de felicidade!
E tudo deixa pra depois. Conta-se mais uma história e se ri sozinho ao lembrar que as desgraças são as mesmas e vêm à cavalo. Como a tristeza disfarçada em riso que não cola, como o 'eu te adoro' que marca um território desconhecido, como o desejo de sumir numa multidão que é alegre, burra e íntima. Como o despertar do prazer dentro da solidão.
Porque ontem vi um filme com a minha turma e a minha turma é a mesma de sempre. E lá entendi o que parece óbvio, mas nem sempre é: a esperança é a mesma e tristes somos todos nós. Porque o milagre anda perto do vislumbre. Porque o vislumbre é o desejo que não pensa no real. Porque o real é lavar roupa suja e não comprar um novo terno. Porque um novo terno é mentir pra si mesmo sabendo da própria mentira.
E
lá
fora
gatos
cantam
a
música
do
Chico
como
se
o
Chico
fosse
o
único
compositor
do
oeste.
19 de julho de 2009
Era uma borboleta no meio da cara dela, batendo asas e mostrando aqueles dentes brancos e grandes que me agradavam. Os caninos não se destacavam, mas ao olhar com cuidado dava pra ver quer eram mais pontiagudos do que a média.
Eu gostava disso. Mulher carnívora que não se importava com o sofrimento da vaca ao ser abatida. Parecia uma coisa rara nesse mundo de teatro e fêmeas vegetarianas-engajadas.
Ela não. Adorava pernil e cupim. Comia em boteco, pedia miúdos ao molho e sempre colocava mais comida na boca do que sugere o bom gosto.
E comia como um peão, prato cheio e sem medo de perder sua feminilidade fina que se manifestava quando ela mexia as mãos e falava sobre suas preocupações.
E falava muito e com muito detalhes, como uma mulher deve falar.
A gente conversou 3 vezes apenas. Os mesmo papos, as mesma comidas, porções de torresmo e a cerveja abundante quase inofensiva pela ação da gordura. Ela que me explicou: - torresmo com cerveja é quase tão perfeito quanto whiskey e cocaína. É como se o óleo do torresmo estabilizasse o álcool.
No último dia houve um silêncio longo enquanto almoçávamos comida nordestina barata e farta. Estávamos tristes, mas não falamos sobre isso.
Quando nos despedimos, eu disse: - nôs falamos.
Ela me mostrou pela última vez a borboleta branca do meio da sua cara e disse: - não, não nôs falamos.
Virou-se e foi andando. Fiquei olhando pra ela até que entrasse no prédio de sua amiga. Usava uma bermuda até o joelho e uma camisa xadrez com um nó na frente e, mesmo assim, era linda.
Ela sabia das coisas.
17 de julho de 2009
Fazendo os deveres de casa de novo. Na escola há toda aquela coisa encantada e misteriosa que revivo ao ver o genial "Anos Incríveis". Estou baixando tudo e prepararei um dvd pra minha sobrinha. É o tipo de coisa que faz um bem danado de ver na época certa. Mesmo agora, ao rever, acho fodão e vejo que é ainda mais fodão do que eu imaginava. Winnie Cooper é a única mulher que importa.
Agora, algumas missões de leitura e ter sorte. Porque sorte é real e faz mais diferença do que imagina o idiota que acha realmente que decide tudo que faz. O idiota quer ter controle e isso é normal. O anormal é achar que se controla TUDO ou que não se controla NADA.
Seja como for, a sensação estúpida de dever cumprido consola os bons animais que somos. Melhor assim. Um animal satisfeito não ameaça seus pares.
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