9 de novembro de 2008

'

procurando sentido onde não há. o desespero nos comendo pelas beiradas. você tem o costume de ler e nem se lembra o porquê. parecia, não há muito tempo atrás, que ler lhe traria coisas. nem tudo é tão simples. e, no entanto, você quase afirma que tudo é parecido com o de sempre. você é meio velho e o mundo é meio óbvio. os alívios combatem o desespero, como um playboy idiota que paga cerveja pra todos porque acredita que é cheio de amigos. o repetido sistema de compensação:
- ao emanar energias positivas pro universo você também as recebe.
- é, pode ser, meu querido imbecil. nunca se sabe, não é? melhor prevenir.
- hahahaha.
entender uma piadinha é sempre importante. você segue. você reclama. você se repete. você tem uma idéia brilhante para sair do país.
- sonhar não custa nada.
- é, não custa.
e meu dia está ótimo, embora não tenha acontecido nada de mais.

6 de novembro de 2008

*


Ah! Que minha pica balança
mais do que imaginei.
Minha pica com olhos
procurando ovnis
na tarde ensolarada
antes da chuva.
Minha sorte
é que sou eu
quem ainda manda nela.
Antes da meia noite
eu sempre a ignoro,
é só uma maneira discreta
de dizer eu te amo.

3 de novembro de 2008

ANEDOTA DE UM FUTURO AMASSADO.

tem aquela garota bonita

que você ama

que você quer amar mais

que você deseja tornar única.




Aquela garota bonita
que você olha a buceta
por horas e horas
com a cabeça deitada
entre as coxas .
Enquanto a própia cabeça
ainda recebe cafunés.


E ela também:
lhe chupa a pica cada
vez melhor,
tem orgasmos cada vez maiores
e ganha mais viço com
suas aulas de Iôga.


Aquela garota bonita.


Aquela garota que as vezes
nem sabe porque é bonita.


Que deseja a solidão
que confunde amor e sofrimento
que cogita
lhe deixar,
como tantos outros,
na velha estante.


A garota bonita
que rasgou as dedicatórias
que queimou suas fotos
e trocou suas senhas...

A segunda mulher bonita
que voçe conheceu.

*
Dias desses vi essa garota na praia
passeando de mão dadas com um desconhecido.
Parecia estar feliz.

Mas depois
fiquei sabendo
que eles
não se amavam,
embora vivessem muito bem.

2 de novembro de 2008

pras gracinhas de sempre

Que se danem as fofocas. Eu quero mais do que posso ter. Sou óbvio e me repito, me sinto bem assim. - Mas, Fernando, você reclama demais. Como se isso dissesse alguma coisa, como se por isso eu não pudesse falar.
Com a graça do bom deus e da infalível terezinha eu sei de mim: meu ego me protege quanto maior ele se torna. Confiar em quem? Confiar em si.
Gente chata que quer se adequar à tudo, que quer ser amigo de todos. Gente chata que se repete: - Mas, Fernando, você reclama demais.
Li um bucado pra ser assim. Estudei pra ser chato e egocêntrico. Sou honesto nesse sentido.
Fiel a mim mesmo me torno imbatível. Imbatível e solitário, mas é melhor assim: nada de aceitar miudezas pra consolar os vazios, nada de punhetas que substituem bucetas. Sexo no seu lugar e masturbação também.
Sou melhor quando sou desagradável é a minha conclusão.
Sou um cara de conclusões.
Meu ego imenso se sente bem dessa maneira.
Sou honesto, eu repito.

*


Pra
mim
apenas
importa
a
alma.


O
resto
é fuga,
excesso
de calma.

31 de outubro de 2008

d.

  1. Sempre do mesmo. Eu. Pouca gente que passa. Um ou outro pra quem se dá bom dia. Ser egoísta é a solução pra viver em paz. Mas paz também cansa. Tudo cansa. Si mesmo cansa.
  2. Eu quero gostar de você. É uma cisma. Quero gostar porque sua história é boa e sua máscara é simples. Quero gostar por aquilo que você esconde. Minha mania é desconfiar de tudo. E isso é ruim e bom. No seu caso, é bom. Repito: quero gostar de você.
  3. O dia quase cheio. Eu, quase útil. Todos nós sonhando. Todos. Deveria ter um documentário sobre isso: os idiotas de editais que postam no Rio-Sul. Seria um documentário engraçado. Todos nós sonhando. Novo sonhozinho à vista! Estamos no páreo! Cavalo que paga bem é azarão! As conhecidas gracinhas do mundo. Nunca se sabe.
  4. A única coisa é auto-controle. Não sei ser mais claro do que isso. Auto-controle. O mundo vem e vai, tudo acontece independente da gente, mas mesmo assim, eu repito: auto-controle. São essas coisas raras que me importam. Tento sempre ser honesto, fui educado pra isso. Prefiro o mundo que depende de mim.

29 de outubro de 2008

Fidelidade.

Tinha beleza e loucura naquilo tudo. É tão difícil explicar. Uma delicadeza que transbordava e quase irritava. Não sei ser claro quando lembro disso. Minha memória é idiota e meu delírio de grandeza mais me prejudica do que me salva. É o que Aramis diria com aquele sorriso estúpido e familiar - o lábio superior segurando a boca em "v": Uma sinuca de bico!
É que eu tenho minhas manias e, embora seja graças a elas que eu sou quem eu sou, são elas mesmas que me fodem. Porque algum dia - não sei quando, mas é sempre em algum dia que as coisas ocorrem. Porque nesse dia eu decidi que seria do contra e que ia querer sempre mais e mais. Mais tudo, fosse o que fosse. E todo idiota sabe que querer mais é justamente a causa da insatisfação e do sofrimento. Blá-blá-blá. Sou mesmo um falador de merda.
Mas seja como for fico me perguntando se eu mesmo sou capaz de me transformar. Sabe como é: mudar tudo, virar outro, deixar tudo pra trás, viver o presente, não pensar, curtir mais, esquecer o futuro, ser só desejo, gostar das coisas simples, ser menos sério, ter mais amigos, sair mais, beber menos, fazer mais comida em casa, fumar menos, comedir a pornografia disponível na rede, ser mais condescendente, sorrir pra desconhecidos, mudar o nome do próprio blogue, ter mais ambição, desistir do que se é, virar viado, comer mais legumes, dançar nas festas, telefonar pros amigos no dia de aniversário, não se levar à sério, prestar concurso público, desenvolver a espiritualidade, ver menos House, fumar menos, ignorar a morte, pagar as contas em dia, abrir um negócio próprio, ir à praia, etc, etc, etc.
Mas isso também não me agrada e ainda me soa como fraqueza:. mudar quem você é para tentar viver melhor. Vive melhor: quem não pensa, quem não se leva à sério, quem apenas brinca sempre, quem esquece as mágoas, quem perdoa como se fosse simples, quem ignora a própria desgraça, quem tem sacadinhas prontas pros constrangimentos, quem vive o presente, quem sonha com melhoras, quem espera as soluções, quem faz exercícios diários, quem casa com a 1° namorada(o), quem não saiu do próprio quintal, quem esquece a própria morte, quem crê que todos são iguais, quem acha que todos são diferentes, quem vê o jornal da globo e dorme depois, quem acorda todos os dias no mesmo horário, quem quer a vida como ela é, quem se satisfaz apenas por ver o bem alheio, quem cora com piadas sexuais, quem acredita em Deus, quem faz sopas às sextas, etc, etc, etc.
E como essa merda é um blogue e não um livro eu posso acreditar que eu escrevo bem.
É simples. É idiota. E causa bem estar.
Conclusão: ter um blogue é a vaidade mais recalcada que pode existir.

28 de outubro de 2008

-

a bunda pra lua com o cu na reta.
Tem que ter tomada de postura e decisão. Não é nada abstrato, é direto e definitivo. Mesmo que sem a obrigação de ser fiel a si mesmo. Tem aquela merda que te revira, aquela merda que é a mola e que te faz falar de várias coisas. Mas que é uma só, uma de cada vez pelo menos.
Tem que ter obsessão. E obsessão não pode durar meses ou estações, tem que durar pelo menos 2 anos.
Há certas defesas que se devem fazer: das suas ideias, das suas taras, dos seus preconceitos. Gente sem preconceito não presta e quem aceita tudo não morre. E quem não morre não pode entender a merda da vida.
A merda. A mesma merda que te revira. A merda que é mola. A boa merda.
E tem mais: você tem que querer ser grande, não pode se bastar com pouco. Claro que pode, mas não deve, não se você tem a pretensão de ser artista. Porque ser artista é uma pretensão. Sempre será. E se essa é a sua pretensão, você tem que ter uma merda bem grande te revirando e te sujando por dentro.
Aqueles caras que você admira tinham essa merda, se remoíam por essa merda e alguns deles até morreram por essa merda. Por isso que aqueles caras eram aqueles caras, por isso que eles continuam por aí, invadindo a cabeça dos outros, espalhando a merda póstuma deles. E isso que faz deles gênios. Isso e outras coisas mais, mas que não vêm ao caso agora.
E é por essas que posso falar mal de quem faz teatro. Teatro tem sido a minha merda. É onde tenho, melhor ou pior, revirado minha merda-mola por dentro. E que fique claro que não estou falando de qualidade ou competência, mas de ambição e pretensão artística. É claro que a gente nem sempre emplaca e que quem muito fala pouco faz, mas dane-se. Minha merda também se manifesta assim.

27 de outubro de 2008

+

Você não vai ser a minha vítima. Não adianta fazer essa cara de lamentação quando me vê. Eu não me comovo, não por isso certamente. Suas desgraças são apenas suas e é assim que deve ser.
Nada demais, apenas o mundo funcionando.
Eu não lhe conheço e você me conhece mal, não há porque partilhar segredos com quem nos é indiferente. Questão de estilo e de zelo pela própria privacidade. Eu zelo pela minha e acho que isso é bem claro. Gosto apenas de quem quero gostar e não assumo amizades em conversas de bar.
Sou simples e óbvio.
Ser livre, pra mim, é poder lhe mandar a merda e, mesmo assim, não o fazer.

26 de outubro de 2008

'

o sentido da insistência.

tremor e desespero,
o mundo quase belo,
quase completo.
a cadência aumentando
lenta e compassada,
a força pra baixo -
a imbatível força pra baixo.
mais força e mais pressão.
a abertura maior do que o costume,
a velha sensação
de que uma buceta
pode mesmo engolir.
o choro convulsivo,
o riso histérico:
o equilíbrio combinado
entre dois extremos.


24 de outubro de 2008

a gratuidade pelo meu cu.

meu caralho não é grande, mas eu tenho lá algum vigor. é claro que eu reclamo, é claro que eu sofro, é claro que devo fazer exercícios físicos e cuidar da minha saúde. todos os idiotas têm. e eu estou entre eles, infelizmente. idiotas saem dos ralos e são como formigas perto do açúcar: sentem o cheiro e se aproximam. óbvio. os idiotas abusam do óbvio. por isso, e só por isso, sofro pela minha idiotez. sofrer disso é o óbvio, afinal. a tristeza é que caminhamos de mãos juntas para o abismo abaixo. a tristeza é que a queda é mais longa do que pensávamos.

23 de outubro de 2008

1 X 1

Maravilha.
A mesma estratégia, mas eu estava esperto.
Ele ameaça, fuxicando a pochete: - olha aqui, é bom você...
Não deixo ele nem terminar: - então mostra, porra, não fala, mostra...
Continuo andando e ele olha pra mim sem reação, me ameaça sem nenhuma crença, resmunga.
Eu, já distante, arrebato com os punhos em riste: - perdeu, filho da puta, perdeu! ou vai querer sair na porrada?
Céus! O mundo é bom! Mais um desse e saio do empate! Oiés, eu digo!!!

-

o bar estava extremamente triste hoje.
uma puta que dizia que pensar era ruim.
um casal de bêbados com um filho que brincava sozinho com 2 bonequinhos.

21 de outubro de 2008

diga 33.

Os inocentes morrem cedo
de câncer ou de doença cardíaca.
Eles rondam a própria vida
crendo que estão acertando,
assim como a maioria de nós.

Os inocentes se parecem com o seu vizinho
e até com você mesmo.
Eles têm os mesmos olhos
e a mesma esperança tola
que desde que cada um faça a sua parte
o mundo inteiro vai melhorar.
Como você.

Eles acreditam nas esperanças do amor,
na continuidade da especíe
e na tecnologia como meio
de rendeção sincera e possível da humanidade.
Os inocentes são inocentes, afinal.

Em momentos poéticos, eles berram bem alto.
Em momentos tristes, eles esperam uma surpresa.
Em outras horas,
eles bebem cervejas nos bares,
eles vão ao cinema com amigos,
eles valorizam o renascimento do samba na lapa.
Também podem assistir uma peça teatro,
apenas pra valorizar as coisas que não têm valor.

Os inocentes brigam contra Golias
e sempre perdem a briga.
São inocentes, afinal.

Nas esquinas tristes
de lua cheia
os inocentes
reparam na lua.
Acham que a lua pode mudar o ânimo
e acreditam que o ceú pode mudar de cor.
Os inocentes tapeiam a si mesmos
porque acham que sobreviver ainda é importante.

Os inocentes não sabem das coisas
e, apenas por isso,
são inocentes.

20 de outubro de 2008

sorriso aberto pra uma lua quase cheia.

A merda tá espalhada
e os risos amarelos ainda são os mesmos.
no bar as pessoas de sempre
e os pensamentos também.
Nada para ser salvo e
tudo pra ser observado,
a delicadeza da Maria
que sempre será comovente.

Delicadeza é tudo que se pode ter,
é o único milagre real
e plenamente aceito.
Nada de porcos que voam,
nada de mares que se dividem,
nada de suicídio que salva a humanidade.

Delicadeza é simples e envolvente.
Como um pastel velho e enrugado,
mas feito apenas pra você.

E penso:
qual é a dor que aproxima,
quem será o próximo na lista,
com quantos paus se faz uma canoa.

As perguntas sem respostas,
a merda velha variando
entre quente e fria.
As esperanças e as crenças.
as crenças,
as crenças,
as crenças...

18 de outubro de 2008

sem assunto

ela sempre me comove
com suas delicadezas
bonitas e singelas.
talvez eu possa a amar.

no mesmo dia
em que eu a chame
de cadela?

pro meu umbigo

você pode ter tudo,
você pode ter nada.
a questão é simples:
em qual
merda
haverá
sua privada?

14 de outubro de 2008

#

e nem faz uma semana.
Ela estava bonita com aquele vestido florido. Sem soutien, as belas costas. Eu não lembrava desse vestido.
Enquanto eu arrumava as coisas reparava nas roupas que preferia, nas que usava pouco, nas de vovó.
Tudo muito estranho e doloroso. A carta que recebi ontem, o disparate de um reencontro desnecessário. A ironia fina do planeta fazendo rasgos na minha pele amarelada de quem bebe pra fugir. E no meio do disparate - enquanto quicava e suava e comia maçã ao mesmo tempo em que fumava um cigarro - lembrei do proverbiozinho que diz "o que não tem solução, solucionado está". Proverbiozinho de merda. Na verdade não quer dizer nada. É um proverbio vazio usado por burocratas de papelão. É um proverbio que não considera que as pessoas têm alma e outras coisas do tipo.
A solidão só em boa em duas situações. 1 - quando se deseja peidar alto e 2 - quando realmente não a ninguém com quem se queira estar. E peidar alto é possível mesmo quando não se esta só, basta ligar o rádio na cbn, fechar a porta e lavar a louça.
E eu também sei de mim e do que eu acarreto.
Dos meus problemas, da minha insatisfação, da minha obsessão por plenitude, do meu idealismo doentio, do querer mais, do chifre em cabeça de cavalo, do sonhos de Quixote, do corpo de Sancho, da falta de leveza, da descrença no simples, do risco da loucura, da mania de eternidade, do deboche arrogante, do desprezo pelos restaurantes de luz indireta, da cara inchada, do pau duro na hora errada, do amor que é a morte, da ilusão da insistência, dos discursos articulados, da loucura.
E também das coisas boas que nem sempre compensão as ruins.

13 de outubro de 2008

12 de outubro de 2008

N. R

Aquela putinha de olhos arregalados no meio do bar.

Ela tem um tipo de charme estranho e eficiente. Talvez seja a música, talvez seja o álcool, talvez o fato dela olhar pra mim achando que a acho incrível. Tanto faz. Cocaína sempre fez bem, o problema é o vício e a inevitável decadência.
Mas voltando a putinha.
Ela tem aquela vulgaridade que essas mulheres ditas moderninhas querem ter, mas não têm. Não por nada, mas porque ela não tenta ser vulgar. Ela é vulgar, ela tenta ser charmosa, mas é vulgar. É algo maior do que ela. Não é uma escolha ou uma opção intelectual. Ela é. E como toda pessoa que é, ela nem sabe disso.
Com toda a certeza ela se ofenderia caso eu dissesse que ela tem a vulgaridade mais encantadora que já vi. É óbvio e quase palpável. Apesar de putinha, ela é uma mulher honesta e coerente. Ela não faz aquilo que ela inventou/descobriu ser legal. Ela é o que é. E isso é merda velha, mas nem tanto.
Seja como for, sempre sorrio quando lembro do esforço sobre humano da minha ex amante-educadora pra parecer puta: a cor vermelha nas unhas e calcinhas, uma boquinha tesa e a idéia idiota de que uma puta gosta de ser puta.
O óbvio ululante revirando o caixão de Madame Classy.