24 de julho de 2008

Mordendo as unhas.

Eu gosto daquela peituca. Não adianta. Todo vez que eu olho pra ela, eu lembro disso. Peituca boa de morder e meter a mão. Já fiz o diabo ali. É um tipo de orgulho que eu carrego nessa vida triste. Quando estou pensando em suicídio eu lembro que já tive aquela peituca e me acalmo.
Eu sempre tirava pra gozar nas peitucas. Fazia voltinhas no mamilo com meu dedo lambuzado de porra. O sexo em si não era nada demais, mas fazer aqueles desenhos na peituca valiam até os gemidos grossos e exagerados que ela dava. Gemidos que me irritavam e me tiravam do prumo. Que entravam de tal forma na minha cabeça que, mesmo depois de dias, acordava ensopado de suor num pesadelo alucinante onde o final era sempre um despertador que reproduzia os tais gemidos.
Difícil descrever um gemido. É algo que não sei como fazer.
E vejo aquelas peitucas que hoje me ignoram. Ela até me sorri e me diz bom dia no elevador, mas nada mais faz sentido. Eu não toparia mais aquelas peitucas de qualquer maneira. Só de lembrar os gemidos me sinto mal. As coisas acabam e morrem. Eu também acho uma pena.

23 de julho de 2008

Puta Que La Merda.

obs. o site meter é uma ferramenta simples. ele mostra quem visita seu blogue, de onde vem, pra onde vai, quanto tempo fica, etc. e é grátis.

Domain Name veloxzone.com.br ? (Brazil)
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22 de julho de 2008

´

Meu pai me telefona. Ele está graciosamente bêbado. É uma prática que nós temos. Eu também havia comprado cervejas. No meio da tarde tinha sacado que ele me ligaria. Circunstância conhecida. Pai e filho sempre têm um tipo de conexão, não é?
Minha namorada diz que sou muito parecido com ele. Não somos bom de telefone à não ser com nossas mães. Ele com a dele e eu com a minha. Minha namorada diz que nós dois ficamos observando tudo e que só depois é que falamos. Ela acha ele mais sorridente que eu, mas isso não vem ao caso. O curioso é que quando ela fala isso parece que ela tem a ilusão de que eu melhore.
Meu pai me conta suas notícias de bêbado e, infelizmente, estou no mínimo 3 cervejas atrás. Me conta um tipo de dor que só bêbado mesmo pra contar. Penso nisso e em tudo aquilo que nunca saberei. A solidão mora por aí, nesse lugar que a gente nunca sabe ou que, se sabe, sabe apenas porque foi revelado.
O papo é bom, mas ele se incomoda. Estou na 1° e ele na 4°. Lamento que eu não tenha começado a beber antes. As histórias são boas e meu pai vai fazer, até que se prove o contrário, um troço que deseja.
Fazer as coisas que se deseja é mesmo importante. É isso que forma uma pessoa. Somos frutos do que deu certo e não do que deu errado. Acho que ele concordaria comigo.
Ouço uma música depois do telefone. Bato um papo bom com a minha adorável garota. Lembro do meu pai fazendo ode à solidão.
É, a vida sempre tem seus momentos.

20 de julho de 2008

Sabe como é?


Essa gente se reúne aos sábados pra beber vinho e jogar cartas.
Eles se sentam em volta da mesa e tiram fotos.
Milhares de fotos onde todos sorriem.
Gente que tem abajures e sutilezas.
Gente que se interessa por arte e cultura.
Na foto que vejo todos aparentam estar muito à vontade e satisfeitos.
Eu sinto meu velho ódio e penso que devo escrever sobre isso.

1-
A luz indireta é onde começa toda a desgraça. Todos ficam bonitos porque não se pode ver direito. A mesa é grande o suficiente pra que não haja cabeceira. Mesa redonda da época do velho Arthur. Justiça derramada em coisas que se lê. Eu também li esses livros e tenho orgulho de os ter lido quando era jovem e afetado. As Brumas de Avalom, Sidharta, A Erva do Diabo. Coisas que parecem ser algo quando se tem 22 anos.
2-
Reparo melhor na foto e meu ego tem um tilte de tanta satisfação: a única lésbica presente na mesa-foto faz questão de não sorrir. Sorrir pra que, não é? Sorrir é coisa de fêmeazinha ou de otário. A lésbica carrancuda é que tá com a razão. Quem sorri em fotos é perdedor, quem sorri é apenas porque não sabe como é bom um belo dedo em sua buceta...
3-
Tudo certo. Tudo realmente muito perfeito.
Quem sou eu pra discordar de uma mulher que não têm pau apenas por acaso da maldita natureza? Quem sou eu pra dizer que um dedo na buceta é melhor que um pau? Quem sou eu que despreza as lésbicas apenas por acreditar que todas elas são mulheres maus comidas?
Eu sou o que tem dedos e o que tem pau. E que usa língua também com a graça do bom Deus. E viva minha vaidade sem fim.
4-
E ufa-lá-lá e vamos que vamos que não é agora que vou revelar toda minha revolta contra o mundo gay. Um mundo que leva à sério a aparência e que se acha muito ousado e moderninho. Um mundo que é tão preconceituoso quanto os pretos americanos. Um mundo que gosta de lounge e talheres e pratos bonitos e sem gosto. Um mundo que exige sua fatia de mercado.
4a-
E que fique claro que fatia de mercado é o termo mais escroto que existe. E também que esteja claro que toda regra tem exceção e que é a exceção que faz a regra ser uma regra. Há gente que é gay sem pertencer à esse mundo. Há esperança mesmo quando tudo é colorido e alegre demais.
5-
Volto à foto porque o preconceito é bom e rende na escrita: os quadros são de muito bom gosto, mas não têm alma. Sou antigo e acredito em alma. Eles posam pra foto com uma facilidade que me choca. Sou fresquinho o suficiente pra me chocar com coisas que eu mesmo faria, mas como não estou na tal foto fico aqui e falo mal de quem está lá.
(Conveniência de quem sonha nunca depender de nada ou de ninguém. Conveniência de quem crê que dá pra ser anjo nesse mundo mau. Eu não estou lá e tenho frieza e inteligência pra analisar essa gente da pior maneira possível. Gente que joga cartas aos sábados sem se quer apostar dinheiro. Gente que não entende que o barato do jogo é a vitória. Uma pena).
6-
Volto a mim mesmo e esqueço tudo. Meu barato é ter o meu blogue e lamber meu próprio cu. Ela tá distante e hoje dormirei sozinho, ela tá lá e eu poderia estar com ela. Poderia ser mais sensível, poderia ser mais esperto, mas não sou. Uma pena também. Mas a gente se adora e tá tudo certo, só reclamo por prazer ou por falta do que falar. É o caso agora.
O mundo é perfeito e nem me importo com nada. As 10:00 da manhã estarei preparado pra tudo.

18 de julho de 2008

Se eu soubesse o que dizer, eu diria.

E nem há nada a dizer além do nhém-nhém de sempre. E também há a dureza de admitir que você tem mais razão que eu. E fico quietinho. E me viro e reviro e faço força pra achar os problemas que nem existem. E, as vezes, e que fique claro que nem sempre, mas, as vezes, surge essa coisa que parece outra e que mesmo assim me agrada. Porque há sangue em mim. Porque há sangue em você. Porque a insistência ainda me parece um milagre. Porque eu não resisto à acreditar em milagres.
E nem ligo cré com cré. Nunca fui assim e agora sou. O 1° nem sempre é o mais importante. O milagre sempre surgiu em noites estreladas.
E é tudo bonito e fico sem graça. Só fujo do que me amedronta.
Os milagres são sempre milagres e dependem mais de nós do que nós gostaríamos.

17 de julho de 2008

Ele reclama. Ele sempre reclama.

- Ai, puta merda, os lambe cus estão soltos! Se reúnem diariamente e transitam por bares de música lounge. Dizem maravilhas um do outro e pregam o velho e eficiente a união faz a força. Claro que entre eles há os preferidos. Um que acha que o 2° é viado inrrustido, outro que acha a 5° recalcada demais, e também os que se odeiam de maneira silenciosa e limpa - esses são os mais admiráveis.

16 de julho de 2008

Não sonho mais.

3 tapas na cara. Desses bem ardidos e humilhantes. Raiva brotando e diante de mim 3 santos insuportáveis. 1 tapa de cada um. 1 fila de tapas. Eu apenas os recebia com raiva e resignação. Eu não podia revidar porque os 3 eram santos. 3 santos feios, mas santos. Me ajoelhei e fiz um belo risco no chão que se rompeu quase que imediatamente. Os 3 santos feios ao invés de caírem ficaram alí, flutuando, como se nada tivesse ocorrido. Me levantei e olhei pra eles com bastante calma. 1 não tinha boca, outro não tinha olhos e o 3° não tinha pés. Fiquei intrigado com aquilo e berrei:
- Puta que Pariu! Era o que me faltava! 3 Santos idiotas e deformados...!!!
Quando acordei olhei pra mulher que dormia comigo. Conferi e estava tudo lá: os olhos, a boca e os pés. Voltei a dormir aliviado.

14 de julho de 2008

Zumbi Sensual.

A cabeça daquela mulher parece estar descolada do pescoço. 3 centímetros que sobram num pescoço que é bem torto quando se repara bem. Os malditos olhos pretos bóiam numa paz conquistada com muito álcool e cinismo.
Ela chega e cumprimenta todo mundo. Tem um andar lento de elefante, embora seja magra. Senta na mesa e puxa papo com todos. Tem a voz triste e melancólica, mas sorri sem parar. Se ela tivesse apenas a voz triste e melancólica eu me apaixonaria por ela. Não é o caso, graças a Deus.
Ela fala sobre você com terceiros, mas você duvida de si mesmo e se esforça pra não se levar a sério. A melhor amiga dela lhe olha com raiva e pena e você acende outro cigarro. Não preciso gostar de todo mundo é o que você pensa. Você se sente calmo e tranqüilo, sua indiferença ainda é eficaz.

10 de julho de 2008

O " se - mágico " do velho Stanis.

Se eu morresse hoje
seria muito belo e trágico.
Morrer aos 26 é sempre uma tragédia bonita.
-
E todos lamentariam sobre todas as coisas que eu poderia ter feito,
e meus colegas falariam do meu talento
e as mulheres que comi falariam do meu pau tremendo e enorme.
Meus 2 amores diriam que sou inigualável e que jamais conseguirão amar alguém como me amaram.
E eu seria um espírito muito faceiro vendo essas pessoas dizerem essas maravilhas de mim.
e sorriria indiferente já que estaria morto.
A dor seria ver meus pais sofrendo,
minha irmã me enterrando
e minha avó de 80 anos deixando o neto no chinelo.
Ser mais uma morte para o meu benzinho também seria de uma dor sem fim que aqui nem conto.
E minhas sobrinhas guardariam minha imagem como se eu fosse um fantasma risonho e idiota
e todos meus primos lembrariam das minhas gracinhas com uma melancolia que nem eles prórpios conheciam.
E haveria a dor senil da minha Tia Rosa
e a desconfiança sem certeza de que alguém não voltou pra casa do meu cachorro amarelo.
-
Se eu morresse aos 26 anos
eu seria aquele que poderia ter sido
tudo aquilo que nunca saberíamos
se acaso eu realmente morresse.
-
O suor escoando no ralo
em um piripaque fatal durante o banho,
as lágrimas sinceras até de quem me odiava.

-

Se
eu
pudesse
ser
outro,
eu
seria.

Isso,
de
poder
ser
esse,
me
angustía.

7 de julho de 2008

Relatinho:

Sento no balcão e sorvo meu veneno. O prazer louco de uma solidão inventada. Tudo bem lento e agradável. Olho pros lados e vejo essa gente sem cara e sem alma que me agrada. Me sinto muito bem acompanhado.
Termino mais uma nova histórinha do meu escritor bêbado e lembro como é bom o ler assim: as palavras mal iluminadas pela luz fria, uma olhada ao redor a cada parágrafo, essa gente feia e suja que me agrada. Me pergunto porquê, mas sem realmente pensar numa resposta.
A história é boa e o veneno faz o meu sangue circular mais lento e constante. Lentidão e constância, uma trepada perfeita.
Penso em tudo que me aborrece e porquê, afinal, sinto tanta raiva. Minha vida é boa na média. Dinheiro que não é meu, mas que me facilita, algum reconhecimento aqui ou ali e uma buceta que você ama fuder como puta.
O veneno sempre facilita as coisas. É um preço que se paga. Os milagres mais bonitos sempre foram os mais inacreditáveis. Explicações que parecem brilhantes no meio da merda no fundo do rabo.
-
Quando atravesso a rua tem uma criança que está de mãos dadas com a mãe. A mãe a arrasta dois passos à frente, mas, mesmo assim, a criança parece muito feliz e satisfeita e fala o que só uma criança de três anos pode falar. A mãe não dá bola, pois está acostumada com isso.
E eu insisto em achar o mundo bonito e triste. Como deve ser.

6 de julho de 2008

vontade de casar.

muito cigarro e um ódio tremendo por conta da fome.
sua mulher não para de falar e você deseja que ela escoe pelo ralo junto com o esmalte vermelho.
a mulher amada é sempre a mais terrível.
um sorriso exagerado que você gosta e implica,
uma confusão que não é sua, mas da qual você acaba participando.
histórias que você ouve com sofreguidão.
-
e cheio de sacolas na rua vazia de horário de almoço de domingo
você descobre que, mesmo assim, você a ama.
ela de alguma maneira percebe sua irritação e lhe deixa em paz.
arruma a comida, não pede ajuda, diz fique à vontade...
-
você se repete e senta pra escrever,
o cigarro na mão e as pernas cruzadas.
da cozinha uma voz calma lhe anima:
bayb, quando você quiser vamos comer.

1 de julho de 2008

*

Sua doçura é excesso de açúcar. Seu desinteresse é apenas esforço. Sua masculinidade é apenas ódio do mundo.
Arranco os papéis colados do caderno e ligo meu eficiente foda-se. No meio da merda espalhada só sobrevive minha vitalidade egoísta e doente. O prazer de inventar o que não existe ainda é dos melhores. Então vou que vou e berro minhas verdades pra idiotas inexistentes:

29 de junho de 2008

Domingo.

Acordamos devagar e trocamos alguns carinhos, nada demais: aperto no braço, encochada de pau mole, essas coisas.
10 ou 15 min. de preguiça na cama.
Ela levanta num raio e antes de mim. Alguma surpresa, mas nada demais.
Ela liga o computador. Rápida e veloz. Eu resmungo da cama:
- Viciada...
10 ou 15 min. de preguiça na cama.
Faço café e lavo a louça. A porta fechada porque a cbn tá no ar e o radinho não tem lá um volume muito confiável. Tudo bem lento e matinal. O radinho anuncia: 11:32; 11:45, etc. Café pronto e só faltam as panelas pra lavar.
Abro a porta e as cortina e ela na frente da máquina. Está louca e angustiada. Sofre pelo que nem entendo. Ela reclama, ela chora, ela lembra das violências sofridas. Ela é a própria tragédia as 12:32 de uma manhã de domingo. Agradeço ao Bom e Triste Deus por eu ter acordado calmo e suave.
Ouço tudo e a consolo na medida do possível. Ela chora e reclama mais. Ela senta no meu colo e eu conto minhas histórias. Mil bla-blá-blás e também o velho e eficiente:
- Calma...não pensa nisso agora...agora você não tem condições de pensar...
Mil coisas ditas e esquecidas. No meio de tudo a única possibilidade que parece mesmo proceder. Vamos pra praia e o combinado me agrada: bebo uma cervejinha enquanto ela mergulha no mar que tanto adora. Na 1° cervijinha um papo tranqüilo e calmo. Ela bebe água de côco.
- O mar tá meio bravo...
- Fica depois da rebentação...
- Hum...não sei...
- Quando eu era criança sempre ficava depois da rebentação...meus pais ficavam na pousada e eu no mar, mais ou menos a essa distância...
- Eu também ficava. Acho que era porque sabia que minha mãe tava me olhando. Você também só devia ficar por isso...
- É, pode ser...(tempo) Vai lá, eu fico te olhando...
Dois órfãos num domingo. Eu longe dos meus e ela longe dos dela. Fico pensando nessas coisas enquanto a observo andando na areia. A bela bundinha dela rebolando ainda mais. Penso que pode ser a força que a perna faz pra andar na areia ou então o fato dela saber que olho a bundinha dela. Tanto faz.
Acompanho ela até onde posso. Há uma grande área a esquerda onde eu a veria com toda tranqüilidade, mas ela vai pra direita entre as barracas e a muvuca de gente e guarda-sóis e cadeiras. Penso que tipo de rebeldia será essa. Quando ela tem alguém pra a olhar depois da rebentação, ela resolve se esconder.
Outra cervejinha e uma calma boa. No meio das cadeiras eu vejo o cabelo dela. Só o cabelo. Olho a cada parágrafo ou gole. Livrinho bom, cervejinha nem se fala, uma mulher bonita e triste resolvendo sua vida com algo tão besta quanto o oceano.
Vejo uma criança e penso em ter filhos. Lembro da minha mãe querendo saber se nós nos cuidamos.
Ela volta e faço questão de mostrar que a observava esse tempo todo. Reparo nos vagabundos que olham pra sua bundinha, mas nem ligo. A vida é boa porque ela foi no mar e voltou sorrindo.
Ficamos ali e comemos um peixe que nem custou tão caro. 20 reais prum domingo agradável. 20 reais que não são meus, mas que tornam a vida suportável.
Alguns papos e algumas reclamações. Somos 2 tipos que reclamam. Ela imagina nossos filhos reclamando ainda mais e a gente sorri. Falo que talvez eles nem reclamem já que os pais são reclamões e a gente sorri de novo.
A tarde passa lenta e voltamos pra casa.
Uma torta no shopping e outras miudezas que nem vêm ao caso.
Não houve nenhuma perfeição ou milagre, mas foi um dia simples e agradável.
No caminho de volta ela procura minha mão pra que andemos de mão dadas.
O mundo ainda pode ser bom, eu penso.

28 de junho de 2008

etc

Eu mesmo sozinho como sempre. Minha intuição de ET me retraindo. As pessoas que adoro e que me contam histórias velhas e chatas. E essa enorme clareza de que o problema sou eu e que as pessoas, na média, são bem mais disponíveis do que eu.
Eu-durão, eu-babaca, eu sendo do contra por uma vaidade doentia e triste.
Mania de quem sonhou que era anjo e levou isso à sério.
O tédio profundo, o papo com o taxista, a lembrança de que uma moça simpática tentou conversar comigo e desistiu. Eu mesmo com toda a falta que sempre sinto.
Como seu eu mesmo fosse mais do que sou. Como se houvesse um milagre melhor do que as coisas legais que têm acontecido.
Está claro que não tenho do que reclamar e reclamo mesmo assim. Porque minha natureza é imbecil, porque a Natureza é imbecil, porque nosso campo de ação é mesmo mais limitado, porque só desejamos aquilo que não temos.
E o taxista me deseja 'saúde e paz', que é algo que meu pai sempre diz. E em casa ela sorri calma e pergunta coisas boas de se responder.
E o mundo corre e o ET dentro de mim me perturba.
E continua aquela insatisfação sem sentido.
Etc, etc.

26 de junho de 2008

Merda Velha.

Não há princesas nem virgens.
Algum tédio e a repetição de si mesmo.
Um cara durão com cara de bolacha não é convincente.
Uma bunda bonita que ri de você quando a tara.
-
Apenas o desvio de 1/2 quadra pode ser uma gentileza. E gentileza nem é bom caráter, é apenas educação antiga e maníaca. As delicadezas de um vampiro que chupa sangue por obrigação. E lembro que nunca achei o sangue da menstruação nojento. E lembro que na escola me disseram, pra minha surpresa, que a coisa mais pura que saía do corpo humano era isso: sangue de menstruação e sêmem de homem. E, ainda chocado, entendi o mundo quando lembrei das outras coisas que saem do nosso corpo.
E ainda resistem alguns mistérios: 1 - toda vulgaridade é fetichismo, 2 - todo amor teme apenas a si próprio, 3 - a vulgaridade só tem sentido como jogo de cumplicidade. Sabedorias que surgem dentro dos biscoitos da sorte dos restaurantes chineses da Av. Atlântica.
E assim como o gato lambe o próprio cu por ser capaz disso, eu mantenho esse blogue. Minha língua pode ter sido mais comprida, mas agora é mais eficiente. Maneiras de se proteger de um mundo mau.