13 de junho de 2011

Relatinho.

FICA ASSIM:




  • Uma tristeza que vejo e reparo. Digo: "-você está com a cabeça dura." Ela pede explicações e falo que ela tá com a lateral da cabeça tensa. Explico: "-parece que tá fazendo força pra mexer a orelha, sabe?" Ela diz que sabe, mas não sei. E tanto faz. Penso: "Se ela fosse minha mulher, eu estaria neurótico por essa agonia velada." Deixo-a em paz.


  • Queria beber em paz. Assim: livrinho da vez, duas cervejas e casa. Tudo vai bem até que senta essa dupla de cinema ao meu lado. Falam sobre projetos, sobre leis de incentivo, sobre oficinas para um evento, sobre robótica, sobre... Tento abstrair, mas não consigo... sobre dinheiros atrasados, sobre o Circo Voador, sobre o cachê que não cobre o transporte... A segunda cervejinha desce com pressa e sinto algo que deve ser ódio. Quero pagar a conta. Resmungo à caminho de casa: "- Esse bar é meu, eles estão no lugar errado, por que sentar tão perto de alguém que bebe sozinho com um livro à tira colo?" Triunfo: "-Em Curitiba não teria esses problemas."


  • Ouço algo que me deixa triste. Pela primeira vez pensei em telefones, em mensagens de otimismo, em porres inofensivos de ex-amantes. Gostaria de dizer que não é assim. Que ter opinião não é assim. Que se impor não é assim. Que inteligência não precede conflitos ou desconfortos. Que cada um faz o que tem que fazer e que atrapalhar a vida dos outros é apenas uma pauta do CQC. Queria, na demonstração de afeto mais sincera, dar-lhe um tapa na cara e dizer: "- Para com isso, se enxerga. Deixe de querer provar algo que não precisa de provas. Sua solidão não será aplacada por gritos no escuro."


  • Descobrir que alguém tem fama de pau pequeno é algo que não vale a pena. Simplesmente porque agora, toda vez que ver o alguém em questão, lembrarei: "Ele tem a fama pau pequeno" E essa é uma informação estúpida e que só se descobre ao conviver com mulheres. Porque mulheres, mais do que homens, falam sobre isso. Até porque, entre homens, como esse assunto surgiria? Então lamento o conhecimento adquirido e, inevitável, pergunto pra mim mesmo:"Será que tenho pau pequeno? Ou pior: será que tenho fama de pau pequeno?" Mas eu mesmo me consolo: "Pelo menos poucas mulheres viram, de fato, meu pau."

11 de junho de 2011

Faço contas, faço testes.

Não consigo comprar o livro que eu queira e minha desconfiança aumenta. Primeiro porque sou desconfiado e segundo porque uma boa distribuição é o mínimo que se exige. Estou falando sobre mim e sobre coisas boas que ocorrem, mas que, mesmo boas, causam-me desconfiança. (Poderia chamar isso de curitibanice, mas nem. Ta aí a Banda Mais Bonita da Cidade e A Gazeta do Povo mostrando que esse papo de identidade é ultrapassado... "somos todos um só" é o subtexto que nem fede nem cheira. E viva a rede e foda-se o resto. Mas, cá com meu umbigo, ainda prefiro o Leminskão e seu deboche cheio de requinte.)
Mas volto. Tem algo a ver com ''medo de sonhar'' - coisa que volta e meia falo pra gente próxima e que, de maneira geral, é bem entendido. Porque sonhar é bom e é fácil e alimenta. Porque tenho feito isso há anos e, porque, com os anos que passam, a gente se torna, em maior ou menor grua, vítimas dos próprios sonhos.
Então recebo a boa noticia e sorrio. Daí, ainda sorrindo, vou desconfiando. Faço pesquisas, descubro lapsos e implico com cortes de cabelos.
Resta esperar. E também, entre um cigarro e outro, assistir ao ótimo Mad Man.

9 de junho de 2011

poesia contemporânea, eu aprendi.

é uma poesia aí
feita sempre
em versos curtos
e que nunca
usa vírgula
ou ponto

a síntese é um
fetiche
e as rimas
são muito suspeitas:
não rima falar de beliches,
não rima falar em efeitos

deve-se privilegiar a crueza
das palavras que nunca
por nada emitem opinião.

poderia dizer "geração tanto faz"
mas seria errado
porque certo é pensar
"tudo pode ser",
mesmo que vírgulas
e pontos
e aspas
desapontem minha
tímida clientela

estou só
e vejo charme
em rimas
e
sinto dó
de quem não fode
nem sai de cima

mas estou
por fora
não tenho twitter
e nem creio
que
amor verdadeiro
dure segundos

para meu
prejuízo
não acredito
em ternuras súbitas
e tão pouco em vídeos
postados no youtube

8 de junho de 2011

um dia faço um tratado

O tema é óbvio e velho. Enquanto o tratado não chega, eu cago regras. Com prazer, ora pois. Fica assim:

Breve caga regra sobre um arquétipo negligênciado: o imbecil.



  1. Ele tem dentes brancos e sorri com facilidade. Gosta de exaltar a dor, o prazer, a alegria ou a tristeza. Tanto faz. O imbecil é um exaltador compulsivo.


  2. Como bom imbecil, ele procura coerência. Gosta de aplicar na bolsa, de aproveitar a valorização do Real em Buenos Aires e ama, como todas suas forças, as reprises da década de 80 no Canal Viva. O imbecil sente nostalgia pela década de 80. É um "ploc".


  3. Em festas ou bares, ele canta alto. Lembra de todas as músicas que ninguém mais lembra. Leu Paulo Coelho para poder criticar com embasamento e acha que as mídias sociais são o coqueluche dos artistas anônimos. O imbecil, como sempre, julga-se um visionário. Vê arte onde arte não existe. Faz curadoria de blogues e artístas plásticos virtuais.


  4. Como não poderia deixar de ser, o imbecil se julga um homem de seu tempo. Mas o imbecil, por imbecil ser, julga errado. Fala sobre a falta de tempo e sobre o suor que é o pão de cada dia. O imbecil super valoriza o cansaço e, sem saber, repete lições bíblicas. O imbecil, pra piorar, compartilha seu cansaço em feeds virtuais.


  5. O imbecil, em 2011, acha graça em ser múltiplo. Ele é escritor, diretor, ator, poeta, DJ, blogueiro, video-maker, inventor de coletivos e, entre outras coisas, pai de uma linda menininha de 3 anos. O imbecil é múltiplo e vasto, atua em várias áreas sem nunca ter a dignidade de usar um simples pseudônimo.


  6. O imbecil se supõe vários e está certo. Ele é nenhum.



6 de junho de 2011

Expremo limão no gim e vislumbro grandes possibilidades. Estou falando de sonhos, de desejos realizados, de generosidade do mundo.

(Queria pôr no Facebook o Rebento com o G. Gil cantando, mas só tinha uma versão da E. Regina - que, a gente sabe, canta como ninguém. Mas nessa música - e em algumas outras também - ela canta como quem precisa provar que é uma grande cantora. Coisa que ninguém questiona além dela mesma.)

E, na procura, passei pelo Realce: música pérola-manifesto contra o marasmo comedido das manifestações artísticas. E lembro do Zé Celso dizendo sobre a nomeação do G. Gil como ministro: " - a melhor coisa que ele faz pra Cultura Brasileira são suas músicas". E o Zé tinha razão. E Rebento e Realce tem a ver com isso.

E, inevitável, lembro que sou solidário aos que não gostam do C. Buarque como escritor. Porque, tirando as peças, os dois livros dele que li (Fazenda Modelo e Benjamim) são chatices presunçosas e afetadas que, cá comigo, "só" ( e as aspas desse só são honestas) foram publicadas porque ele é o Chico, aquele mesmo, que tem músicas fodas e que, mesmo sem querer, balbuciamos desde que nascemos. Chico Buarque, o das músicas, é um gênio.

E, como era de se esperar, vou falar do C. Veloso. Porque ele é ótimo e tem músicas absurdas e belíssimas - como a Tropicália e suas rimas e misturas verdadeiramentes modernas ou Muito Romântico, onde ele parece explicar seu gosto por falsetes e também sua ambiguidade sexual que, mesmo legítima, às vezes aparenta ser apenas uma jogada de artista que usufrui da Pop-Arte. E ele agora tem, além do banquinho e do violão (em outras palavras: a MPB mais pobre do mundo), uma Maria Gadú à tira colo - coisa que não entendo e nem quero. Porque, sejamos francos, M. Gadú é chato e velho. Imagine um Zumbi simpático e eis que surge a M. Gadú em cinema 3D.

De forma que encerro por aqui. Pode não parecer, mas estou sendo otimista como M. R. Paiva é. Estou falando algo antigo e repetido: o jôio e o trigo devem ser separados. Não porque haja o melhor e o pior, mas porque temos escolha e Deus, que nem precisa existir, nos deu uma árvore proibida como opção. E a gente optou. E assim seguimos.

4 de junho de 2011

* * *

A agonia deve ser uma elegância. Ou então deve ser contida. Quero dizer algo simples: divulgar a própria agonia esperando flores é algo muito (mas muito mesmo) idiota. É como alguém que tenta causar interesse em outrem pelo ato de respirar.
*
Sumir pode ser uma saída. Mas, nesse caso, sumir é sumir. Não se pode sumir anunciando que esta sumindo. Sumir é sumir, eu repito. Isso tem a ver com algo bastante cotidiano: a diferença entre pensar e fazer.
*
Não vou me estender sobre punhetas ou sobre sexo. É um assunto antigo. Sexo se faz por aí. Você pode cometer sexo ou se acometido(a) por sexo. Isso não importa. A questão é simples: não misture alhos com bugalhos, mesmo que, como disse o Millôr, ninguém saiba o que são bugalhos.

3 de junho de 2011

Fernandinho escreve torto.

Elas eram quatro.
Por algo que nem quero saber me chamavam de "Fernandinho."
Uma delas, se não me engano a mais velha, estava bêbada pela primeira vez.
26 anos e primeiro porre. Há algo errado aí.
Tenho bebidas, tenho comidas, moro sozinho, sou educado e simpático também. Ofereço gin, ofereço vinho, ofereço whiskey. Sou super educado, pensando bem. Faço pão de queijo.
Elas conversam. Eu ouço e meio que participo. Assuntos comuns: paus grandes ou pequenos, quantidade de paus per vagina, amor e sexo, paixões que se supõem maiores do que foram.
Há vozes altas, ameaça de reclamação de vizinhos e as quatro dizem estar bêbadas. Acredito.
Vislumbro: peitos sardentos, primeiros beijos lésbicos, risos eufóricos e (por que não?) uma boquete com 2 ou 3 bocas.
Uma delas se vai. Outras ligam para suas casas pra avisar que dormirão na casa da amiga. Eu aperto quem eu posso apertar. É bom, é bem bom.
Sono da apertada e há duas que falam e acompanham no gin e no cigarro. Imagino ataques, imagino segredos e nem tento nada porque, é bom lembrar, sou educado e simpático.
É tarde, bem tarde e o sono da apertada atinge a todos.
Há sacanagem na cama e vómito no banheiro. Vómito (óbvio) da bêbada tardia, mas quem se importa?
Há uma bela bunda, peitos que são melhores do que sua dona acredita e dedos instruídos para dentro de uma buceta.
O vómito termina e meu quarto-e-sala está cheio. Há chances. Siriricas? Punhetas? Quem sabe algo de ladinho? Mas nada de nada.
Falta paciência, falta espaço, falta qualquer coisa que nem imagino o que seja.
-
Quando acordo penso se ronquei ou não. Concluo que sim porque simplesmente ronco.
Vejo-as saírem e penso que ainda falta.
Faço café e lembro do que gosto:
voz aguda, falsa segurança, meias-calças que desaparecem, medo discreto e - ainda que em menor grau - jogo cujas regras desconheço.
Mas quem se importa?
-
-
(Domingo à tarde. Assim: sem ser à noite e sem ser dia útil. [Almoço talvez]. Domingo à tarde. Tem O Globo e as horas arrastadas. Tem a casa e o cinema às 18:20. Domingo à tarde...)

1 de junho de 2011

1 metro e 58 centímetros, ela disse.

Ela fala sobre "fodas fantásticas" e sobre "Rock'n'Roll".

O problema não é o Rock ou a atração irresistível que ela sente por gente suja. O problema, claro está, é a crença em "fodas fantásticas".

Ela diz: "pica de mel", "caceta de ouro" e "macho fodedor".

Eu não entendo, eu sou católico. Eu tento e pergunto: - de que você tá falando?

Ela nem liga e diz que quer um Macintosh. Comenta sobre as vantagens do Mac e ressalta que o "último macho fodedor" que conheceu era um cara que entendia tudo (tu-do, ela diz) de Mac.

Eu tenho limites e tento me impor. Falo de Deus, do Diabo, da Árvore Proibida. Ela ri e pergunta se eu curto o Metállica. Digo "não sei" e ela diz "eles são super católicos".

Fico surpreso e sorrio. Eu sempre sorrio.

Esse papo não tem sentido, mas, quem sabe?, ela me dá. Penso isso e penso o óbvio: não dá pra acreditar em quem acredita em "fodas fantásticas".

Daí, depois de pedir uma tequila (ela disse: tequila now), comentou sobre o câncer do pai e sobre como sua mãe parece satisfeita em ter um marido moribundo.

Ela riu, eu ri e a gente ria. Confesso que nunca vi tantos dentes em uma mesa. Tesão, seu nome é dentes.

Mão na mão, mão na coxa e beijos como mordidas.

Dane-se o "Rock'n'Roll", os sujos e as "fodas fantásticas."

- Se você é católico mesmo tem que me dizer 'eu te amo.'

- Eu te amo, eu te amo.

31 de maio de 2011

Relato.

Uso pontos por simplificação. Até porque nem sempre há o que dizer e blogue, eu garanto, é coisa de bêbado solitário. E que fique claro que "bêbado solitário" é, no encantado mundo de fernandinho, uma figura bastante simpática.

Fica assim:



  • Tudo está bem, ainda que nada seja perfeito. Perfeição é uma ambição própria dos idiotas.



  • Adolescentes gostam de fazer escândalo e de chamar a atenção. Você pode negar atenção e ignorar o escândalo. Mas, particularmente, acho uma tática estúpida. Dê atenção para quem pede, nem que seja por condescendência. Generosidade não é o mérito da questão.



  • Dorme-se bem no frio . O peso dos cobertores moldam um sono que deve se parecer com a morte. Há elegância no frio também: garotas com saias e meia-calças grossas, por exemplo. De qualquer maneira, o frio faz você sair pouco de casa. E isso (em coerência interna) é um grande problema. Para dar um exemplo falo um nome: Flávio.



  • "A união faz a força" é um clichê que faz sentido. O que realmente te ameaça quando se está dentro de um grupo? Acho, e acho mesmo, que a NECESSIDADE de grupo é a pior forma de solidão. Mas acho, e acho mesmo, que pertencer à um grupo em momentos de crise é algo que faz toda diferença. Estou dizendo: nada nos ameaça porque somos nós e porque, assim sendo, somos fortes. Fortes porquê unidos e não o contrário.



  • Existe uma criança perdida que vocifera contra monstros invisíveis. É uma criança, mas, mesmo assim, é capaz de causar danos e dores. Essa criança precisa de uma mão que, inevitavelmente, morderá. Então deixo a dica: com a poeira baixada assuma a partenidade e ofereça sua mão às dentadas. Isso, e só isso, será a tal GENEROSIDADE.



  • Há um otimismo velado e discreto. Falo, como sempre, de mim. É porque, à distância, nota-se a estupidez alheia e se vibra por não ser estúpido. Estou falando uma coisa bíblica: "por seres assim, por não seres frio nem quente, por seres morno, eu te cuspirei da minha boca."



  • Era noite e a TV não era interessante. Meu pau ficou duro e olhei pra ele. Tentei entender a espontâniedade daquela pau-durecência, mas ela era o que era e não precisava de explicações. A verdade é que meu pau duro me incomodava. Não por nada, mas porque impedia o conforto do cobertor. Toquei a punheta mais estúpida da minha vida: o Jô Soares fazia suas piadinhas e eu gozava. O filho da puta do meu pau, mesmo depois de gozado, insistiu em ficar duro. Olhei novamente pra ele e reconheci sua autonomia. Fui dormir.



  • "Talvez daqui 2 anos" é a consciência que eu gosto de escutar. Porque, infelizmente, as coisas são lentas e a indecisão é parte da jogada de quem TEM que decidir alguma coisa. "Daqui 2 anos" é toda sabedoria que preciso para ter paz e para me contradizer em paz. Nada pior do que alguém que, após 1 mês de separação, afirma: estou ótimo, melhor resolução da minha vida. Então cutuco: sua maturidade não existe, é apenas um grito que diz: - eu não preciso de ninguém. Como se "não precisar de ninguém fosse uma dádiva". Cutuco com faca: ter alguém pra amar não é amar alguém.

Olá e Até Logo. É um problema e é um prazer. Que estando só bebo mais e como mais. Que com outros escrevo menos e cometo menos excessos. Então é isso: somos mornos e seremos cuspidos. Uma pena. Uma grande pena. (E que não me falem de caminho do meio).

23 de maio de 2011

(*)

O grito é desagradável
e pertubador.
Mas a sala está vazia
e, por isso, nenhum ouvido
será ferido.
É uma lei antiga:
cão que ladra, não morde,
mesmo que gire em torno de si mesmo
e tente morder o próprio rabo.

19 de maio de 2011

A Merda Estoura.

á muito tristeza no ar e muita coisa para se dizer. Por isso, e por ter alma, fico quieto e disfarço.
Não fico muito quieto e nem disfarço tanto. A culpa é do blogue, que tenho e alimento. Porque terapia tem formas variadas e porque, para minha tristeza e glória da realidade, apenas meia dúzia de gatos pingados lêem isso aqui.
Então, ao invés de levar galinha morta à encruzilhada, cago minhas regras em ordem numérica:



  1. O diabo existe e é bastante real. Mas há pessoas que precisam ir ao inferno e ver o caldeirão e o tridente para ter certeza de sua existência. O risco de descer ao inferno é claro: pode-se morrer queimado ou voltar vivo e tostado. Há quem viva melhor depois de torrar e há quem morra precocemente. A chance é a mesma e o erro é o de sempre: supor que o sofrimento (per si) melhora as pessoas.


  2. Minha tristeza não importa. E nem a de ninguém. Existem crianças que ainda não possuem os instrumentos mínimos para encarar a vida real. Tem um treco de psicologia que fala mais ou menos assim: "a infância deve ser um ensaio pra vida adulta. Por isso o abuso contras as crianças é tão prejudicial: elas ainda não estão preparadas para encarar os abusos que serão inevitáveis na vida adulta".


  3. Há um único foco: que não seja exigido de uma criança uma decisão que, mesmo no mundo adulto, é difícil e dolorosa. As crianças, de maneira geral, precisam de uma única coisa: estabilidade ao seu redor - uma vez que a vida interna de uma criança é uma montanha russa de sensações e sentimentos.


  4. Disfarçar a dor é inútil. Crianças percebem tudo porque são permeáveis. Elas precisam saber que, mesmo com dor, o mundo delas não vai desabar. Vale lembrar os contos de Fada e suas enormes desgraças. Nesses contos há um ensinamento: mesmo com toda a merda, há a chance de "felizes pra sempre." Em outras palavras: aprender que ''tudo passa" é um dos aprendizados da infância. Não é à toa que, muitas vezes, nos contos de Fada , há enormes lapsos de tempo. Exemplo fácil é a Cinderela que dorme 100 anos.


  5. (O tempo, quando o percebemos relativo, torna-se menos cruel. A dor da morte só é dor quando pensamos na eternidade imutável. Enquanto estamos vivos as coisas mudam pela ação do tempo. E o tempo, em si, não melhora ou piora nada. O tempo não é uma idéia abstrata, o tempo é real e age. O tempo passa e passando está e estará. Não se trata de viver o presente, mas de lembrar que a dita "linha do tempo" engloba o passado, o presente e o futuro. O que quero dizer é: resolver certas coisas demoram e devem demorar. Porque, enfim, resolver certas coisas não é de um dia pro outro).


  6. Os problemas existem. Há dois tipos de problemas: os que você acha que pode resolver e os que você não acha que resolverá. A decência mínima é atacar os problemas que você pode resolver. E, então, empenhar-se neles. Os problemas sem solução não devem ser esquecidos. Até o contrário.


  7. Problema sem solução é o que precisa ser encarado. Como quem vê o monstro e pensa "esse monstro não existe", mas, contra si mesmo, resolve encarar o monstro inexistente. Porque o monstro não precisa existir. O monstro torna-se real a partir do momento em que você o chama de monstro. Parodiando o bom Dr. House: saber que sim e achar que sim dá na mesma.


  8. Não acredito em Deus. E digo isso pra minha infelicidade. Espero que Deus exista e que minha morte seja uma transição e não um fim. Se tenho "esperança" é porque tenho convicção e porque, de fato e mesmo, acho que as coisas mudam. Estou falando sobre mim como sempre e, claro está, falar sobre mim é falar sobre os meus e sobre as coisas que podem mudar. Se as coisas não mudam, ou mudam menos do que gostaríamos, é porque as coisas são lentas e nosso tempo é curto.


  9. A gente sofre. E sofre porque o tempo existe. E o tempo - esse diabo com ou sem caldeirão - é um enigma que nôs desafia à o desafiar. (Quem em sã consciência nunca pensou que não resistiria e resistiu?).


  10. Por ora, concluo: façamos o que podemos; e desejemos que haja força para resolver o insolúvel. E desejar muito, a gente aprendeu com o budismo, é sofrer. Soframos então... é parte da jogada, eu digo... que seja. Em outras palavras: Amém.

17 de maio de 2011

mistureba.


  1. Meu benzinho tem olhos tristes, mas não me incomoda. Talvez o contrário, quem sabe. Dias desses vi uma foto velha do meu benzinho. Tinha 10 anos, não tinha peitos ou pêlos, mas os olhinhos tristes já estavam lá. Pensei se tesar em sua fotinha de criança era sintoma de pedofilia.

  2. Uns dois anos atrás. Era meio que uma festa. Na casa da colega dela, ela me dizia sobre o porta-treco que a colega tinha e que achava lindo. Quando chegamos em casa mostrei o porta-treco que eu havia roubado, mas ela não entendeu minha ternura e me chamou de "doente mental".

  3. Ele fez muitas contas. Era seu estilo. Nunca, jamais, cogitou pagar a conta sem dividir tudo certinho. E agora, mesmo com bastante dinheiro, continuava com as contas. Demorou, mas entendi: fazer contas é um prazer em si.

  4. Tem coisas que não se pergunta, mas eu perguntei: - você acha mesmo nosso sexo fantástico? Ela disse "tem coisas que não se pergunta" e eu disse "mesmo assim". A história é curta: nunca mais nos vimos.

  5. Sexo fantástico é exceção, eu concordo. Ao mesmo tempo não é algo que se diz sem se achar porque simplesmente não tem porquê. De modo, que cá comigo, concluo que ela realmente achou nosso sexo fantástico. Ou então é louca - o que, enfim, é bem possível.

  6. Lembro de quando começei a amar. Na minha cabeça era claro. Foi no dia em que lambi o ceú da sua boca. Ela, pelo que lembro, achava que já me amava antes. Mas isso não faz diferença. Como um diálogo que vi no House: - mas ele apenas acha que me ama. Ele não me ama de verdade. E o House, fodão como sempre, replicava: - e qual a diferença?

  7. "Pé na bunda" era uma expressão que ela sempre usava. Depois, bem depois, reparei que mulheres usam essa expressão muito mais do que homens. Pensei se tinha a ver com a velha guerra dos sexos ou se era apenas um recalque biológico. Não cheguei a nenhuma conclusão, mas volta e meia penso: - mulheres pensam de um modo muito estranho mesmo.

15 de maio de 2011

Pelo prazer.





  • Idas e vindas. É o mundo. Grande jogada isso de dizer "é o mundo". Eu rio mais do que deveria, é minha conclusão.




  • Sofrer e ralar são coisas que as mulheres admiram, eu aprendi. Ok, vocês ganharam: me chamem de machista, me chamem de idiota. Digam-me ao pé do ouvido: eu quero mui-ii-to trepar com você. Em outras palavras: homem entende a buceta aberta da mulher amada como uma demonstração de amor - mesmo que o "eu te alimento" ainda seja fatal.




  • Entre desabafos e confissões percebi o óbvio: quase nenhuma mulher suporta a cobrança de um homem que é menos rico do que ela. Mais ou menos assim: "Se eu te amo e te sustento, eu não preciso provar que te amo." Ou melhor: "Eu não tenho a obrigação de provar que eu te amo já que estou contigo e você é pobre."




  • Ganhar na Loto é um tesão. Não precisa ganhar, precisa jogar. E, então, com os números na mão, se faz os planos com a patroa. A patroa gastaria o dinheiro da Loto de um jeito estranho e divertido. Porque alí, na brincadeira de ''o que eu faria se eu fosse rico?'', ela te diz de sonhos consumistas jamais imaginados: plásticas, viagens ao Japão, personal treiner da Débora Secco... E você, quase inocente, pensando em comprar um bar que terá as melhores comidas de boteco do Rio de Janeiro.




  • Há uma boa amiga em crise com seu casamento. É normal e é decente: casamento em crise é quase o subtítulo do "estou casado". Seja como for, lhe fiz uma proposta bastante lógica. Eu disse: "Seja minha amante". Então expliquei: fosse ela minha amante as coisas seriam mais simples. Primeiro, ela me teria como cúmplice de suas queixas. E segundo, o mais importante, por ser minha amante, ela teria essa coisa chamada culpa. E culpa, a gente sabe, é bastante prática. Com a culpa ela seria mais generosa com seu marido e, por isso, seu casamento seria melhor. Então fica a dica: arranje uma culpa que exija reparação e viva melhor. Se na minha dica eu estava incluso é apenas porque garanto que seria o amante mais discreto do Sudeste Brasileiro.




  • Por incrível que pareça - e meu blogue tem umbigo no nome - falei muito pouco de mim. Informo, então: comerei um refogado de batata com carne moída e bacon acompanhado por um feijão carioquinha que nem fui eu que preparei. Havendo, inclusive, uma salada de tomates.




  • Digo "oiés" e sinto-me bem. É tão idiota quanto quando digo "ni" e sinto-me mal. E a merda, a merda toda, é essa: a vida, ela mesma. A vida é a porra dum empate. Isso mesmo: 0x0, 1x1, 2x2, etc. A coisa morna que será cuspida da boca de Deus (se não me engano) no Apocalipse de João. Que seja. É domingo à tarde e há sol depois de dias cinzas. O que fazer? Deus, que nem tem nada a ver com isso, que abençoe o Rio de Janeiro e suas praias... Fica assim.




  • Mais tarde: ou um papo cibernético com a mulher que me disse "eu adoro novos desafios" ou o jogo do Corinthians contra o Santos que, ao que tudo indica, deve ser um jogão - seja lá o que ''jogão'' queira dizer. O fato é que hoje sai o campeão: ou no tempo regulamentar ou nos penaltis. Melhor assim: empates não serão aceitos.

14 de maio de 2011

fica assim:



Meu mi-mi-mi

Meu cré-cré-cré
Meu blá-blá-blá.


Tudo pra dizer
que boa mãe
é do cacete.


E porque
(cá entre nós)
sentimento de posse
em mãe
é um anjinho com asas
e, vale destacar,
AÚREOLA também.

12 de maio de 2011

Antes da Mega.

Falta ser filho de alguém, amigo de alguém, apadrinhado de alguém.
Falta ter musos, falta ter ídolos, falta puxar saco de gente sem queixo ou sem alma.
Falta gostar de todo mundo, engordar a ficha técnica com gente pop, escolher um autor que faça 100 anos de vida ou de morte em 2012.
Há que ser legal, há que ser generoso, há que se cumprimentar as pessoas após seus espetáculos chatos e indecifráveis.
Há que se manter um sorriso no rosto até que o estranho sorriso fique normal.
Há que se fazer reuniões em cafés, em cinemas cults, em livrarias que usam o ar condicionado como um simulador do clima Europeu.
É bom ter viajado muito, falar línguas desconhecidas e ter visto performances e happenings que jamais chegam à América do Sul.
Ser judeu pode pegar bem, mas ter uma mãe escritora ou um pai cartunista é ainda melhor.
Falta o interesse por astrologia, falta o network, falta a auto promoção nas redes sociais.
Mas o bom mesmo é ser rico,
muito rico,
e perceber que a Arte é a coqueluche dos exibicionistas.

11 de maio de 2011

sobre idéias*

É como um fogo lento que rói a cabeça da gente. Vem vindo, acende e apaga, parece queimar, parece doer, mas nem queima nem dói e, em um dia de chuva, volta.



Os motivos são variados e amplos: a própria vida, os futuros empregos, os problemas na família ou a gúria que lhe deixou mais tesudo do que imaginaria. Tudo isso queima sem queimar e tudo, sempre e sempre, voltará em dias de chuva.



Há idéias que exigem ação e que, por isso, fazem você pensar em seu campo de ação: onde posso meter o bedelho com eficiência, quando fazer o retorno triunfal, com que números contar os humores produzidos por um pau duro...



Considero-me calmo e analítico. Vejo o mundo e faço contas: há pessoas pra quem tenho o que falar e que, muito provavelmente, eu ajudaria. Mas há o silêncio também - que é como uma capacidade de escutar, mas que não é só isso. É mais um esperar pra ter certeza.



Então mantenho minha discrição e olho, ao passar pelo aterro do Flamengo, o oceano. Que está lá e é estúpido. Porque o oceano, o mar e o verde-azul que colore as águas dos oceanos são estúpidos também.



E estupidez, nesse caso, é quase o sentido da vida.



*tudo o que se pensa e/ou imagina, com razões objetivas ou não; por influência ou não.

10 de maio de 2011

9 de maio de 2011

pensar durante o domingo.



  • Meu afeto diz mais ou menos assim: - eu mastigaria os seus cabelos. E não vai aí nenhuma figura de linguagem. Mastigar cabelos é uma ação que fala por si. Seria assim: - Por que você sente atração por ele? / - Porque ele mastiga meus cabelos. Ou então: - Por que ela é bonita? / - Porque eu adoraria mastigar os cabelos dela.


  • Hoje, quando acordei, reparei que havia em minha cueca aquele úmido que podemos chamar de pré-porra. O pré-porra é natural, mas nem sempre acontece. É como se o pau existisse para independente do corpo.... Como explicar? Difícil... mas a lógica é: como o pau não sabe falar, ele usa a pré-porra como meio de comunicação.


  • A passagem do tempo não é boa nem ruim. O tempo passar não garante nada. É apenas parte da natureza. Em 10 anos pode tudo ter sido péssimo ou ótimo, tanto faz. Tempo não equivale à melhor ou pior. Tempo passa apenas. Querer que o tempo resolva coisas é burrice. Achar que a experiência de alguém com mais tempo no mundo é superior à de pessoas com menos tempo no mundo é como achar que o tempo, per si, melhora as coisas. Com isso, quero dizer: infelizmente não é o tempo que resolve as coisas, é você.


  • O terrível sou eu mesmo e o prazer de julgar as malucas que existem ou não, que invento ou não. Malucas que me deixam de pau duro e pras quais toco as mais delirantes punhetas. É como um ensaio que não pensa na estréia.


  • Meu adeus e meu até logo. Meu umbigo e eu mesmo: a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas mentiras e o mesmo jardim. É algo que chamo de DIVERSÃO.

7 de maio de 2011




  1. pensei em M ontem. E hoje vi uma tirinha do genial Laerte que deveria copiar e mandar pra M. Mas nosso "caso" é de outra ordem e antiquado. Porque, entre outros mofos, acreditamos em palavra no fio do bigode.



  2. Erasmão toca na minha rádio. Contra mim mesmo, afirmo: Marisa Monte sabe das coisas. Que Erasmão rock's e ela tava ligado sobre o que o Midane(?) falou: - Erasmo é o gênio da dupla.



  3. sou uma criança satisfeita. Implico com crianças como eu. É que intimidade em feeds de facebook me irritam. Meu limite, nesse sentido, é meu blogue. Inclusive confesso: sinto-me um bocado decente e ciber-vampirismo está na moda.


  4. Foder é necessário. Toda vez que saco 300 reais no banco cogito gastar com um puta. A merda é que 300 é pouco - não para a foda, mas para o mínimo de ternura que me garante uma boa ereção. Acho que com mais 200 resolvo a questão. Ternura, além da garantia de boa ereção, tem a ver com o que surge com a generosidade - financeira ou não.


  5. Filmes baixados no computador e a lembrança do caga-regra que me disse: - somos móveis. E isso é uma verdade cruel e fatal: - somos móveis. Que se vai e se volta. Que mudanças não quebram armários. E a gente vai levando - como a música que lembrei ao lembrar de M.

6 de maio de 2011

*


Saudades

é a gente

rindo

porque não

tínhamos guarda-chuva.

depois.

(06 de maio às 00:44)

tudo está bem sem estar bem e isso é que importa. Que a vida não é legal ou perfeita. A vida é a vida e aí estamos. Que estar morto é, no mínimo, feio: o algodão nas narinas e a desagradável palidez.
então falamos. Choramingos dos bons e quem, além de nós mesmos, entende nossas dores? Por isso somos amigos. Choramingamos em dupla sem sequer saber que choramingos são. Tá tudo certo e assim que é.
Devo, por justiça, dizer: falei pra caralho. E gordo falando é uma beleza: a língua fofa, o risco de infartos e a falta de fôlego que entre corta as exclamações.
Então finalizo dizendo que meu mundo está mais organizado. O desabafo, ouvido ou falado, parece sempre ser eficiente. "Não teremos câncer", é uma piadinha que eu e/ou meu bom amigo acharíamos graça.
Ficam os planos, os delírios e a certeza de que jamais haverá acusação de contradição. Que só idiotas acham que contradição é errado. E eu e meu bom amigo, juro pela minha mãe mortinha, não somos idiotas - a despeito da aparência de O Gordo e O Magro que temos quando andamos lado à lado.

5 de maio de 2011

antes e depois.

Antes(20:31 em 03 de Maio).

vou ligar pro meu bom amigo e ouvir o que ele fala. Que ele fala pra caralho e eu sei. Mas a gente não se fala faz tempo e saudades, quando bem usada, é uma palavra linda.

Vou ouvir ele falar e ele é tipo carioca otimista: um inferno pra mim, curitibano cinza. Mas é por essas que tenho certeza quando o chamo de "amôr", sempre acentuando meu sotaque curitiboca enrustido.

Seja como for, estou animado e o puto que me aguarde. Que tenho mil coisas pra contar e ele que, depois de falar pra caralho, terá que me ouvir.

Nossa amizade não tem porquê e isso é o belo da coisa. Que "identificação" é coisa de idiota.

E disso, garanto, nós dois sabemos.

p.s. volto para o depois que sim sim, sou um nerd com blogue. (o nome disso é mea-culpa)

4 de maio de 2011


Dentro da sua cinta-liga

mora meu tesão mais discreto,

porque toco punhetas com fotos

e imagino mulheres de quatro.

3 de maio de 2011

na pág. 23 de ACC

É um peido fininho

e fedorento,

mas, ela me disse, não peida assim.

Que come fibras e,

toda manhã, dá colheradas

em seu iogurte activia.

Evita carnes, ela me disse também.

E seus peidos (isso ela não me disse)

devem ser como as brisas suaves

do outono no litoral Catarinense.

2 de maio de 2011

Benedito tenha dó.

Os pretos dançavam enquanto pensavam em Deus.
Aquilo tinha sentido. Dançar ao invés de rezar. E a dança era uma reza.
Dava pra ver uns padres que não gostavam nada daquilo: cruzavam os braços, sorriam duros e, meio inconscientes, faziam gestos obscenos com as mãos.
-
Os cigarrinhos dos católicos, as cervejinhas dos católicos. Lembro do J. Fante falando sobre catolicismo e acho tudo legal, bem legal. Que católicos dizem 'pecadinho' e sabem que a carne é fraca. O cordeiro de Deus deixando a gente a morrer tranquilo. Que católico bom vive pra morrer bem - a vida aqui não importa, eles ensinam. O lance, eu entendi, é a Nossa Senhora da Boa Morte.
-
Nossa miséria brasileira dando lição pra todos eles. Que eles proíbem burca em local público e coisas do tipo. Que eles não entendem que tudo se mistura e tudo fica bem - e bem não é perfeito. E há batuques em igrejas, Nossa Senhora Pretinha e padres que, por trás do colarinho, têm um cordão de umbanda.
-
Então vou dançar enquanto me lembro da frase que acho ser do Nietzsche: "não acredito em um deus que não dance".

26 de abril de 2011

antes que.


A cabeça é uma pipa e está tudo certo. A vida besta me seduzindo com suas garras e a velha brincadeira de "eu não sou eu". E tudo está ótimo. E há paz e indiferença. Que sem indiferença, paz não haveria no encantado mundo de Fernandinho, eu mesmo, muito prazer.

Por ora ouço o Ramones e concluo que os Strokes são uma versão saxônica dos Los Hermanos. Ou seja: pode ser bom e/ou legal, mas nem tenho saco de ouvir. O desejo de ser sedado dos Ramones é mais fodão no mundo encantado de Fernandinho, eu mesmo. E também o "hey, ho, let's go" - que isso é sim tem o tal poder de síntese ufanado geralmente em coisas zen e blablablas orientais.

Daí que imponho minha rotina indo ao Coimbra. Levo meu livro e beberico entre uma ou outra olhada na TV. E na TV tinha esse Japa tarado por estatísticas que faz um jornal com curiosidades estatísticas nos jogos. E o Japa tarado disse que o ideograma Japa pra sorte também quer dizer felicidade. E pensei que acredito em sorte, mas não em felicidade. E agradeci muito, muito mesmo, por ser brasileiro e não japônes.

Descobri uma mulher histérica. Com "mulher histérica" quero dizer a histeria que o Freudinho explicou e que era bastante comum no fim do séc. XIX. Ou seja: é uma histeria clássica, dessas que vem da incapacidade de obter qualquer satisfação sexual. Algo que mudou muito de lá pra cá já que que a prática masturbatória perdeu o status de tabu. O caso da mulher histérica que descobri é bem raro: não é que falte a satisfação sexual real durante o ato sexual; é que a idéia de satisfação sexual é desconhecida - já que ela considera indecente (anti higiênico) uma mulher que mexe na própria buceta. Por exemplo: ela assume ter feito sexo anal, mas renega qualquer chance de tocar a própria buceta. Um mistério, no mundo de Fernandinho.

Eu não sou eu, a vida besta e nada importa. É a santíssima trindade do que posso chamar de felicidade. De forma que não confundir felicidade com sorte se torna fundamental. E além de Strokes e Ramones, tem o Chuck Berry que nos tira todas as dúvidas. A ausência de dúvidas poderia ser chamada de paz (como a morte que é a "paz eterna"), mas isso, agora, não vem ao caso.

18 de abril de 2011

Entendia o amor como perseguição.

Dizia coisas lindas quando estava de porre. Arranhava-me durante o orgasmo e soltava em voz fina: eu-te-a-do-ro.
Adorar, pela voz que usava, tinha a ver com dor, com sofrimento, com agonia.
Devo confessar que eu gostava e me achava macho. Muito macho. "Macho é ela dizer que me adora com essa voz".
Inventei regras pro jogo. Disse de dor, de sofrimento e de agonia. Era um campo de pesquisa... falava as palavras e reparava como ela reagia. Como ela sempre ria e/ou gargalhava, eu achava que sabia onde estava indo.
Fui pra São Paulo sem avisar. A viagem mudou de repente e durou mais do que eu pensei. Telefonei de Curitiba. Tinha dor, sofrimento e agonia na voz. Quase gostei. Expliquei que ía ficar 2 dias fora, mas que tinham virado 6.
A voz veio com mágoa:

- Eu só adoro quem me persegue.
Ri porque a frase era boa e denotava humor. Errei. Errei feio. Era uma frase séria e que exigia respostas. Fiquei quieto.
- Quem me ama, me persegue, tá ligado?
Disse que ligava assim que estivesse no Rio. Mas ela nem riu nem gargalhou.
Disse:
- Até logo.
Ela disse:
- É.

16 de abril de 2011

a alegria suspeita.

Meu pau duro tinha condições:
ou raiva,
ou desprezo,
ou amor.
A merda é que foder é oscilar.
Em outra palavras: fode-se mais com outras coisas do que com essas três.
Eu sofria,
eu sofro.
Tinha raiva por força,
fodia por tédio
e dormia muito muito mal após a foda.
Mas dormia abraçado quando abraçar era o caso.
Era legal,
sou legal.
Contentei-me:
as pequenas fodas,
os orgasmos eufóricos,
o sexo oral como substituto da penetração:
sêmem desperdiçado em tetas ou bocas...
Lamentava,
lamentei e lamentaria.
#
Vieram as estrelas,
vieram os gritos,
vieram as velhas histórias sobre ser ou não ser feliz.
Adeus.
#
À merda a felicidade
e o otimismo dentro da gaveta
que só espera a abertura da gaveta.
À merda o entusiasmo de três noites
e os amores por doentes terminais.
#
Eu,
cá comigo,
acho
a
solidão
bem
decente.

declaração:


Eu gosto tanto
de você,
mas tanto,

que se

você

morresse

agora,

eu

ia

te

amar

pra

sempre.

15 de abril de 2011

mmc -

minha raivinha me maltratava e eu estava só. não podia fazer nada, não podia reclamar de nada. caçava culpados e ria por não achar nenhum. pensei que prefiro dinheiro. não gosto de gente fina e não me impressiono com prêmios. di-nhei-ro. que todo resto é pélasaquismo e um gostar de todo mundo que é impossível. quem, tendo alma, pode gostar de todo mundo?
minha raiva era discreta e eu tinha duas vantagens: saber sorrir e ser discreto. mostrava meus dentes e alisava minha pança. estava delirante e murmurava pra mim mesmo no mictório: o único afeto que quero é de quem vê minha peça, porque quem vê minha peça pode falar de mim, porque afeto é ver a minha peça porque me conhece. o xixi era um amarelo escuro e encorpado, sentia-me macho com aquele mijo. lembrava dos videos de "chuva dourada" na internet.
então eu voltava e virava mais um copinho. coisa de criança, eu pensei. beber, fuder, cheirar, fumar, falar palavrão... tudo coisa de criança. eu era uma criança estranha, minha mãe me disse. coisa de criança... quem entende? é como ontem: vi a moça e reparei no quanto seus olhos eram apáticos. ela exalava apatia, mas só eu notava. por isso estava só.
meus cigarrinhos se multiplicavam e eles são meus brinquedos. mesmo com tosse, mesmo com catarro. soltei minha última fumaçinha e me despedi educadamente. o ônibus chegou rápido e eu sentei na janela. olhei a orla e fechei os olhos pra sentir o vento que vinha. sorri e balançei a cabeça. coisa de criança.

12 de abril de 2011

Abano a mão para o cachorro que me abana o rabo. Sinto-me bem e tenho sete histórias pra contar. Lá fora não há ameaça de chuva ou de sol. É um dia comum, muito embora a coxinha da padaria estivesse com uma aparência especialmente apetitosa. Eu chacoalho as minhas mãos e não dou dinheiro pros pedintes. Me nego a dar dinheiro pra quem me desafia a dar dinheiro. Sou um homem antiquado, é minha conclusão. Seja como for, meu vizinho ouve ópera e as pombas não cagam mais no parapeito da minha janela. Lembro do que se diz sobre liberdade e resolvo: liberdade é um mundo sem pombos.

11 de abril de 2011

Mil é nenhum - há urgência.


  • Os dedos crispados. Aquele tesão que não sabia o que fazer e arranhava. Era coisa de criança, resposta de bicho: dois adolescentes que, repentinamente, descobrem o inferno que burramente se chama de orgasmo. Eram dois animais juntos fazendo o que os animais treinam separados. Orgasmo vinha com dor. Tesão era pavor. E amor era compartilhar essas loucuras.

  • Nenhuma paciência para desentendimento. Que estou velho e gosto de quem me entende e de quem por mim é entendido. Distrair-se é legal, mas nem é o caso. Graças ao bom Deus inexistente eu não gosto de tensão sexual. E graças ao bom inimigo de Deus, o Diabo, eu desconfio de quem gosta de tensão sexual. É meu preconceito velho: quem valoriza a tensão tende a preferir a tensão. E, cá comigo e meus Lowens, a tensão deve ser esvaziada e não acumulada à ponto de nunca se esvaziar.

  • Ver bundas me acalma. Se eu estivesse com a Branca e dissesse isso ela teria raiva e/ou ciúmes. E eu gostaria do ciúmes e/ou raiva dela. Porque a raiva/ciúme tinha sentido de ser e a recíproca seria a mesma. Porque ciúmes não precisa ter sentido ou porquê. É parte do lance do amar. Lembro quando Sônia teve ciúmes. Ela me disse que seu desejo era escrever com batom no meu computador. Nesse dia entendi que Sônia gostava da cena do ciúmes. Sônia não tinha ciúmes. Era o bafo do óbvio: a gente não se amava.

  • Casais são terríveis e sofrem. Estar só é bem mais simples, garanto. Digo isso porque recebi um telefonema no qual mais um casal sente sua agonia de casamento. Porque estar só é mais fácil mesmo que mais triste. Confesso que gosto de telefonemas como esse: sinto-me útil, sinto-me preparado pra compartilhar dores que já senti. E isso é mesquinho e verdadeiro ao mesmo tempo... não sei explicar...

  • Então dou meu tchauzinho. Porque terá gente em casa e devo ser útil. Há utilidade no mundo, mesmo sem sabermos qual é. Estar vivo é essa mumunha mesmo: um dia de cada vez. E seja lá o que for. Que venham os milagres, os grandes acontecimentos. Que o roer ossos é toda minha especialidade.

9 de abril de 2011

como tudo fosse a mesma coisa.


Tusso igual um filho da puta


e assôo do meu nariz


o que parecem litros de ranho.


E meus cigarrinhos ganham ares de vilão


quando abro um novo maço.


Mas baixo séries americanas


e preparo tortas de palmito no forno.


De modo que espero o fim da tosse,


do rânho e da torta.


8 de abril de 2011

Ver o oceano e se acalmar.

Eu, eu mesmo, muito prazer: o animal mais pacífico do planeta. Que tenho raiva, mas dura pouco. Que legítimo o ódio, mas esqueço rápido. -
Lembro do pouso do avião no Santos Dumont. O Rio de Janeiro constrange a gente, é uma cidade linda, com morros, praias e uma gente folgada que é só aparência. O Rio é um lugar que deixa saudades. Não é Curitiba e todas as soluções, não é São Paulo e as mil oportunidades... É um lugar que índio, preto e português se misturam sem fazer da mistura uma virtude. -
E, por isso, amanhã vou ver oceano. E vou ficar triste e vou ficar feliz e vou achar que a vida é boa de maneira geral. Porque sou um otimista mesmo que não aparente, porque me acalmo vendo o oceano e porque, de vez em quando, uma música do Chico Buarque volta a me comover como me comovia quando eu tinhas 16 anos de idade. -
E penso: No meu pai e na minha mãe, o amor capengo que eles aceitaram. Na minha irmã e meu cunhado, um casal que tantas vezes parece adolescente. Na minha avó que se anima e divulga suas viagens. Nos atores e suas inseguranças eternas. E penso em mim: eu mesmo, muito prazer, a pessoa mais calma do planeta.

7 de abril de 2011

do ônibus.

( foi mais ou menos isso que eu ouvi. a idéia era essa. a primeira frase é uma reprodução exata. em outras palavras: diversão de nerd.)


O tesão é tipo uma criança triste, tá ligado? Se você dá atenção, te ama pra sempre. E, de repente, aquela criança esquece que era triste e que foi por ser triste que ela te amou. Daí ela vai continuar te amando pra caralho, mas vai achar que não é feliz. E pior: vai achar que tem que buscar a felicidade. E ela vai buscar a felicidade, ainda te amando e tudo e não vai achar. É quando chega a hora em que ela te culpa por ser infeliz... aí tu tá fudido. Todo dia uma cobrança, todo dia uma tristeza que agora é sua culpa. Então chega a hora de falar sério. Ela vai falar de insatisfação, de falta de liberdade, de como antes ela era feliz. Mas ela nunca foi feliz. Só que disso ela não se lembra e se você a lembrar, tá na merda. É a hora em que você vira o algoz, tá ligado? Porque todo mundo precisa de um algoz e porque foi você que teve tesão. Pinto duro vira ofensa, vontade de não fazer nada vira indiferença e a raiva vira culpa. Ela voltou a ser uma criança triste, mas se esqueceu que sempre foi uma criança triste... nessa hora... amigo... é melhor nem estar perto.


E é por isso que eu me separei, tá ligado?

6 de abril de 2011

Teatro Irresponsável.



É tipo um vício, um recalque.

E como todo bom vício é algo sério, bem sério.

(ou alguém nega que os vícios revelam pessoas?)

Porque a gente se fode um bocado, sofre um bocado, mas sempre, e sempre tímidos, teremos um puta tesão se tudo der certo.

É que há migalhas que alimentam um batalhão: uma frase bem escrita, uma foda com risco de morte, um bêbe que sorri num berço ou uma boa apresentação na reestréia de uma peça teatral.

Porque uma BOA apresentação é toda resposta que quero dar ao mundo. Porque o sentido está em 3 ou 4 segundos de silêncio ou então no aplauso que costuma vir após uma tampa que encaixa numa panela.

E tem a vida real... que nem importa muito e que é sempre menos intensa.

Que sobre 'intensidade' só faz sentido em falar em termos artísticos ou atléticos: as mulheres do Picasso, a revolta de Arturo Bandini ou a insistência da maratonista que está torta na linha de chegada.

Particularmente prefiro os artísticos. Questão de gosto.

Só isso e tudo isso.

E isso mesmo.

5 de abril de 2011

É Tudo Sobre Mim e Minhas Mentiras.

Eu não entendo o que eles falam, eu não entendo o que eles fazem, eu não entendo quando eles sorriem para mim como se eu entendesse.
Então assumo: o problema sou eu.
Eu me impressiono com a facilidade que garotas novas praticam sexo anal, com o sucesso dos cantores omissos, com a peça cult que ninguém entende, mas é super recomendada.
Então simplifico: o mundo é uma merda.
Eu gosto de ver a senhora que alimenta pombos, as crianças que brincam no corredor do meu prédio, o bêbado que conversa sozinho em sua anônima decadência.
Então deliro: há que se ter uma camêra para tudo filmar.

3 de abril de 2011

Fui Assim.

Rio de Janeiro, 08 de Fevereiro de 2004.

A tarde esteve abafada, amor. Lembrei de ti enquanto suava e quase te liguei, mas não liguei. É que eu sou durão, né? Como era domingo imaginei você acordando cedo e comprando Abacaxis. Daí me acordava pra minha irritação e dizia que conversou com o cara do caminhão e que, na verdade, é Ananás e não Abacaxis. E falaria que ficou conversando meia hora com ele e que ele é do Espirito Santo e que têm 3 filhos e que sua esposa tem muito ciúmes de quando ele pega a estrada.
Porque você adora falar, né mô? E porque você me irrita, mas eu te adoro.
Fiz, pra almoçar, aquele risoto que você adora. Sei que já tá achando que eu bebi cervejinhas antes do almoço, mas eu não bebi. Comi apenas um prato e muita salada.
Já sabe quando vem? Fiquei pensando que páscoa é muito legal e que vou esconder o seu ovo no prédio. Daí você terá que encontrar ele de noite e só de pijama. O que acha? Mas não pode ser pijama transparente... que sua bundinha é minha e só minha e nem comento sobre a peitaria porque sou elegante. rá.
Sabia que a mulher do André tá grávida? Eu falei com a tia dele e ela me disse que os dois tão super animados... Lembra que ele acha Robson um nome bonito? A mulher dele me disse aquele dia que odiava esse nome e que só não comentou nada porque ficou com vergonha de você... quando você tiver aqui a gente pode ir visitar eles, né?
Bem. Vou dizer beijinho, vou dizer até logo, vou dizer eu te amo e vou me deliciar com um pouco de risoto.
E seu concurso? Saiu a data? Bem que podia antecipar, né? Daí a gente brincava de casinha por 4 meses e você me falava mais sobre o cara do caminhão de Abacaxi que é Ananás e não Abacaxi... (hoje, as 10 e meia, ele já não tava lá...)
Beijos na boquinha que me chupa... rá... (e imagino você dizendo "ai, seu fernando") falamos falamos amo amo e PÉQUENTECABEÇAFRIA. Fê.

1 de abril de 2011

blopunheta



  • a falta de solução. os sorrisos que eram bonitos e tristes. a guria que me faz sonhar e prova que nem larguei o osso como gostaria.


  • as bancas de livros do metrô de botafogo. os achados à 1 real, 5 reais. o livro da Ana Cristina César que não consigo ler sem esquecer que ela se suicidou. o livro de uma suicida é um preconceito, né? e os anos 80 berrando em sua escrita: love, baby, essas coisas... um americanismo quase virginal para nossos tempos de facebook.


  • o Rio de Janeiro como problema: como deixar essa cidade? gente calma e folgada, botecos a cada meia esquina e o descompromisso que parece tão natural aqui. largar o osso é largar o Rio de Janeiro.


  • meu prédio da perspectiva do Coimbra é como um milagre. penso: por que nunca pego elevador com essas bundinhas que vejo entrando no prédio daqui? e lembro da injustiça do planeta e das gracinhas do mundo.


  • a merda do mundo, a merda do povo. o cretino que diz que o tsunami veio pra provar a força da natureza e a força de Deus. porque, ele explicou, os japas não acreditam em Deus, mas em Budas de ouro. e ele, o cretino, acha que Deus é mais cretino do que ele. à ponto de promover tsunamis para quem Nele não acredita. e ele dizia aos berros: alguém aqui conhece um japa que acredita em Deus? e ficava radiante diante da negativa generalizada.


  • pizzas com broa é a mania da vez. deveria chamar de brusquetas, mas não tenho estilo ou saco. pizza de pão, minha mãe falava. minha mãe sabe das coisas. e não chamar pizza de pão de brusquetas prova isso.

30 de março de 2011

fica assim:



Linda

de maneira geral.

Chata

de maneira específica.

O pau balançava e a vida seguia. (s.r)

Imaginava milagres, imaginava fugas incriveis. Lembrava do 007, do Kerouac na estrada, dos churrascos que fazia com os amigos quando tinha treze anos de idade. - Esqueceu o nome da primeira garota que beijou, mas lembra que quando perdeu a virgindade lembrou-se da garota sem nome que lhe fez pensar o mesmo que pensou quando trepou pela primeira vez: "Então é isso que eles fazem..." E pensou no sexo entre seus pais, nos beijos de língua dos seus avós e nas primas com quem assistia videos pornôs do Tio Zé aos treze anos de idade. - Daí o teatro, os sonhos e os primeiros livros que leu com tesão. O Rubem Fonseca, a professora de português que era ruiva e falava palavrões, a turma reunida em sua primeira viagem sem os pais ou a irmã com quinze anos de idade. Na cidade de Antonina dançou e fez parte de rodinhas de violão pela primeira vez. O Caetano era um gênio, o Djavan era um gênio e O Mundo de Sofia era um livro super importante que rendia papos fantásticos na cidade de Antonina. - Veio o olho cego, a última brincadeira de substituir a irmã e a Nova Zelândia sem nenhum sentido para um garoto de quase Dezeseis anos. O retorno, a língua inglesa e novamente Antonina. E turma. E teatro. - Daí a cidade enorme, a Av. Paulista, o curso com D.R.T e todas as profundidades que parecem realmente profundas aos Dezesete anos. - Foi a vez do tiro na perna, do retorno da ameaça do olho cego e do terrível e fatal primeiro Amor aos dezenove anos de idade: o sexo como milagre, a mulher que mais lhe amou e a cidade mais linda com praias, samba e calor escaldande mostrando suas garras vermelhas. - (continua...)

27 de março de 2011

Eu rodava porque eu rodo.

Sentia-me bem e ouvia músicas do Charlie Brown Jr.

Porque gosto dessa banda mesmo sem ter disco deles e porque ele, o Chorão, deu um bom murro na cara do Los Hermanos, que esqueci o nome agora, mas que é aquele que deflorou a menina Internet Malu Magalhães com a autorização dos pais.

Ele tinha 3o e algo e ela 16 - sei que é bobagem, mas minha moralidade católica se manifesta assim também.

(Além da verdade absoluta: esse cara dos Los Hermanos é um chato. Chato tipo perguntador maluco, tipo o que procura essências e coisas do tipo).

Então simpatizo com o Chorão e não com o chato. Porque o Chorão é feio, maloqueiro e tem um rosto digno de Bukowski, mas principalmente por ter a atitude de socar um chato.

Socar um chato... quantas vezes desejei socar um chato? Jesus, lá da cruz, abençoa minha justiça primitiva: olho por olho e dente por dente. E o fato de eu não socar chatos faz com que eu simpatize com quem soca chatos...

É que tem essa coisa que enaltece o bom mocismo apático e cuzão. "A ordem da ternura"... como explicar? Não sei... mas há uma nova ordem que berra: todo afeto é afeto. E essa nova ordem se manifesta em redes sociais e twitters variados com o papo "Bom Dia à Todos" ou "Dia Astralizado Pra Todos!"

Então ouço as músicas do Charlie Brown Jr. e concluo que, quase sempre, são músicas de amor e de otimismo. Mesmo que haja raiva, rap, palavrões e adolescentes neo-nazistas como público.

O olho roxo do Marcelo Camelo (viva o google) é uma forma primitiva de justiça.

Jesus entendia.

E Deus, quando fez o dilúvio, também.

trivoé.

Sentir tesão é tão bom, tão inofensivo.
Que hoje tarei as coxas da loira que estava ao meu lado no busão.
Conversamos:
- foi pra praia, é?
- fui.
(É que o ônibus estava vazio e ela sentou ao meu lado,
o que fez com que eu perguntasse sobre a praia.
Mas isso só depois d'ela se mexer no banco e
encostar sua coxa em mim.
Pediu desculpas, a bobinha.)
Após uma início de pau durecência, ela mudou de banco.
Achei estranho, mas não muito.
O ônibus é um circo variado e sem controle;
e as mulheres, loiras ou não, querendo ou não, confundem os homens.
Daí que cogitei ir ao seu banco, mas não fui.
Imaginei uma bela cena onde ela ficaria surpresa e eu sorridente, falante e cheio de atitude.
Mas como não fiz o que pensei
voltei ao meu livro e li.
Ler, muitas e tantas vezes, é uma atitude desesperada:
ignora-se a realidade para apreciar o mundo controlado que as palavras propiciam.
Então chega o meu ponto e reparo que há um negro lindo ao lado dela.
Olho de soslaio, mas ela me vê e abre um riso que é uma borboleta branca.
Eu rio também e desço.
-
À caminho de casa descubro o óbvio:
mulheres não apenas confundem os homens,
mulheres têm um enorme prazer em confundir os homens.

26 de março de 2011

A culpa é da escuridão.

  1. Sem luz as pessoas berram de suas janelas, fazem piadas e brincam com lanternas. O escuro como proteção e a euforia em ver que Botofago inteiro sofre do mesmo mal. Somos animais interessantes, mas limitados. A euforia dura os cinco primeiro minutos, talvez dez. Concluo que não ter uma lanterna em casa é um erro.
  2. Porque o mundo é engraçadinho meu celular não tinha carga para ouvir rádio. Imaginei-me no escuro de Botafogo ouvindo um radinho e pensei que seria legal. Mas o mundo é cheio de gracinhas e meu notebook é viciado em energia.
  3. Hoje bebi por culpa da falta de luz. Geralmente bebo pelo tédio. Por mais estúpido que pareça, devo dizer: beber é fazer algo. E, sem luz, desci pra ver a escuridão e me informar melhor. Parei no bar da esquina e reparei que eram dez e pouco da noite e que havia muita gente se preparando para a balada de sexta. Grupos variados de mulheres que rachariam o táxi. Pensei que gosto da moda atual, na qual saias curtas com cintura alta estão em voga. Tesão. Tesão sobretudo nas mulheres altas com esse traje.
  4. Quando a luz volta todos batem palmas e fazem barulho. Repito: somos animais interessantes. Gostamos da luz. Somos mariposas. E ficamos em volta da luz. Mesmo batendo a cabeça na luz, adoramos a luz. Mariposas não são borboletas, claro está.
  5. Acontece que bebi mais do que beberia e cá estou. Blogue é (ou deveria ser) coisa de bêbado. Lembro dos ótimos textos que o Bortolotto escrevia quando estava bêbado e aproveitava a in-utilidade de todo blogue. E salve Leminskão.
  6. No mais, banho quente e energia na tomada. Que nem gosto de mato ou acampamento. Que tenho dificuldade pra compreender quem acha que a falta de recursos e o excesso de natureza tornam as pessoas melhores. Porque tenho um blogue e gosto de beber. Porque bebo e escrevo. Porque tanto o álcool quanto a internet são maneiras de combater o tédio.
  7. E finalmente: gostamos de explicações. Porque explicar é uma tentativa de entender o mundo. O mundo, essa coisa que nos carrega e que entendemos tão mal. Explicar é caçar sentido. E sentido a gente quer, inventa e formula. Porque é assim. Porque eu, infelizmente, não acredito em Deus.

24 de março de 2011

Tem enxofre na água, eu aprendi.

Dentro da água eu observava meu pau. Ele flutuava. Mas reparava mesmo na pentelheira. Enorme, preta e quase a esconder meu pobre pau. Pensei que assim não haverá generosidade em possíveis boquetes.
Era uma banheira com água sulfurosa. Eu estava em Águas de São Pedro no Balneário Municipal. 12 reais para 20 min. de uma água escura, melada e com péssimo cheiro. Dizem fazer bem, dizem operar milagres. Eu acredito. Até porque a pessoa que faz o tratamento completo toma um banho todo dia durante 2 semanas. E, inevitável, pensa sobre a própria cura.
Eu pensei sobre minha cura. Sobre milagres. E sobre essa coisa ancestral que é ficar imerso em águas que vêm do fundo da terra para nos curar.
Quem tem câncer não pode ir. Segundo os funcionários do Balneário Municipal, a água sulfurosa acelera o processo. Uma velhinha que estava com a gente não foi por isso e ficou decepcionadíssima. Ela, como todo mundo, queria se curar. Mas a cura dela era mais objetiva: além do câncer, anda torta e de bengala. Pede ajuda pra se levantar. Mas, surpreendentemente, tinha uma gargalhada de Dick Vigarista.
Em Águas de São Pedro as casas são lindas e não têm muros. A cidade é pequena, estúpida e só é conhecida por suas águas. Por essas razões as pessoas de lá pareciam tranquilas: por morarem em uma cidade estúpida, pequena e com águas milagrosas. A paz está nisso: nessa falta de tudo. Vive-se bem bestamente, eis uma verdade. A ambição, por mais divertida que seja, é sempre dolorida. Em Águas de São Pedro a dor não sabe que é dor porque o tédio não sabe que é tédio. Como explicar? Não sei. Somos nós, os urbanos com várias opções, que sofremos de tédio.
Daí que houve parabéns surpresa e uma vela. E, já na varanda, houve a lição de vitalidade que não temos, mas admiramos. E dormimos bem nessa noite. Porque em Águas de São Pedro tudo parecia possível. Inclusive a paz.

17 de março de 2011

Confundia charme com indiferença.(s.r)

"Ser ignorada me dá tesão", ela confessou.
Por um lado fazia sentido e era óbvio. Por outro, o óbvio ululava alto demais.
(E Nelsão, que nem tem nada a ver com isso, se revirava no caixão).
Falava "pau", mas não falava "pinto".
Dizia, como se sua sacada fosse divertida: "pinto só se amarelo".
E advertia: "Já transei com um japa, tá ligado?"
Eu não tava ligado. Eu não queria estar ligado. Eu não gostava das informações desnecessárias que ela me dava:
1. Foi umas fase antropológica, sabe? Testei as raças, todas as raças: africanos, amarelos, europeus e asiáticos. Concluí que gosto mesmo da América do Sul. Saca o Belchior? Sou da turma dele.
2. Eu li na revista. Olha só. 83% das mulheres casadas têm problemas intestinais. Mas o bizarro é que a faixa etária não determina isso. Mesmo mulheres nascidas na década de 90 e que casaram sofrem disso. Vê? Ainda acha o machismo ultrapassado? Hein?
3. Pra mim não importa. Eu quero é que se foda. Mulher traída merece a traição. Já tive homem casado. Lindo ele. Casado! Eu morria de tesão. Acho que é o proibido, né? Uma vez eu viajei de navio com a minha tia e me masturbei pensando nos marinheiros que poderiam, se quisessem, me estuprar... mas é fetiche, né? Coisa de adolescente... sei lá... A verdade é quando uma amiga minha se envolve com um homem comprometido eu dou a maior força. Eu digo: 'se joga amiga, você não tem nada a ver com a traição dele, você não tá traindo ninguém, tá?' E nem adianta que eu sei: não to errada, tô? Sou mó cabeça aberta, não sou?
Eu não sabia. E também não queria saber. E tinha praticidade. A buceta dela era quente, abraçava meu pau e, às vezes, parecia ser um tipo de caixão que me deixava em paz.
Foram meses. Antes do ano virar ela precisava de alguma coisa que eu não tinha. Fazia sentido. Eu não tenho um monte de coisas que ela precisaria. Era justo ela ir e ela se foi.
Eu fiquei porque eu fico. Porque eu gosto de ficar.
Porque me sinto vivo ficando.
E ela foi porque vai. Porque gosta de ir.
Porque se sente viva indo.
Foi quase perfeito. Quase.
Tua tristeza me incomoda.
Talvez porque não te conheça
e estranhe coisa que julgo minha
em pessoas que me prometiam e falavam,
com uma desenvoltura que quase me constrangia,
sobre felicidade e paz no mundo.
-
Porque teve um dia que sonhei com Jesus
que me disse, coçando a boa barba:
- você é um anjo, gordinho.
E Ele, o filho de Deus disse anjo,
e, talvez por vaidade, eu acreditei.
-
Então me mantive gordo,
olhei pro céu
e agradeci ter sido batizado.
-
Daí que Jesus voltou:
- gordo bom olha muito e fala pouco.
E eu sorri pr' Ele
e Ele me deu uma piscadela
e disse:
- gordinho... só manera o cigarro, OK?
E eu ri de novo
e ele sumiu sorrindo
dentro da nuvem onde Ele passeava.

14 de março de 2011

7 curtinhas, eu roubei.

  1. O tempo passa e não há jeito. Quero ler outro livro do García Marquez pra ter certeza que seu assunto é o tempo. E se não for, é a saga de uma (ou duas ou três ou várias) existência (as). E se mesmo assim não for, dane-se: tio Gabo é um puta escritor e nem precisa de defensores.
  2. Então me reduzo. Reduzir-se é legal. Vejo à mim. E vejo aos meus. E eles e eu estamos juntos. Na glória e na desgraça. E até, como não?, no bar da esquina onde vejo as melhores bundas do Rio de Janeiro inteiro.
  3. Se seu afeto é ver meu blogue, eu digo: você me adora. Se não, eu deduzo: você é pior do que eu pensava.
  4. Foder é uma coisa. Foder com prazer é outra coisa. Foder e amar é um céu. Amar enquanto fode-se é o próprio sentido da existência. E isso só acontece à cada 12 anos, como o Horóscopo Chinês.
  5. O telefone toca e é Vovó. Ela ficou feliz com o que escrevi e fez com que meu blogue tivesse mais visitantes do que jamais imaginaria. Vovó rocks e tem uma rede na Internet que trascende qualquer feed de facebook. Vovó não tem Facebook ou Orkut, mas vovó consegue ser viva - V Maiúsculo - até nessa coisa virtual.
  6. Mando minhas cartas e meus recados. Acho, e acho mesmo, que o asfalto cinza em baixo dos pneus são um belo divã sem - é bom ressaltar - a opressora figura do analista e seus cabelos grisalhos e óculos minúsculos.
  7. Fumar é minha muleta. Se fosse Curitiba e seu frio, estaria na TV e no sono. O Rio de Janeiro é difícil de largar também por essas coisas. E o Aramis que concorde comigo.

13 de março de 2011

Porque sou implicante. (s.r)

Devo dizer que o seu sorriso é verde. E também que sua frequência em feeds e mostras de fotografia digital fazem com que eu pense mal de você.
Aproveito pra lembrar que falar sobre amor na Internet é piegas e sem sentido. Que amor na Internet é como os feeds que ficam em páginas não atualizadas. Amor e Ternura estão na moda de tal forma que se tornaram suspeitos e nada espontâneos. Coisas de Neo-Hippies, em outras palavras.
Volto a ressaltar que comida japonesa é Fast Food. Não dá pra dizer "Bora comer um japa" como se isso fosse cool ou cult ou pop ou descolado. Fast Food. Tá provado.
Dê uma volta no Shopping (aquele lugar de consumo, você chama) e repare: Japas em excesso e com kombos à lá o original Mc"Donalds.
- número 1, por favor
- 6 salmão skin e 3 sashimi atum, confirma senhor?
- confirma.
Entre outros detalhes, lembro que:
a vibe oriental não é natural;
natural, de natureza, não tem nada de bonzinho porque na natureza, essa coisa supervalorizada, reina a cruel lei do mais forte;
achar que um índio é uma pessoa boa por ser índio é como a Regina Casé que inventou que qualquer coisa da periferia é ótima por ser da periferia - o nome disso é preconceito;
o cinema americano ainda é o melhor cinema do mundo, mesmo que haja um esforço muito nobre do cinema nacional.
Então encerro aqui e deixo a dica: você é comum e todo seu lance alternativo vem daquilo que você nomeia de ilhas de consumo. E até aí tudo certo. A gente vive num mundo de merda que, querendo ou não, nôs influencia. O que não dá e pega mal e achar que você tem autenticidade. Simplesmente porque ninguém que seja autêntico fala por aí "sou atêntico, sou autêntico."
E muito menos "ilhas de consumo".

Vovó - s.r

Eu vejo as mortes que não são minhas com bastante ternura. Estou falando de gente que carrega morte: mães, pais, primos, tios e tias próximos, grandes amigos, etc. Na minha vida não há mortes. Perdi meus avós maternos e meu avô paterno. Os outros que morreram não contam muito pra mim: o Batata, pai do Tél, a menina da UNIRIO que caiu de moto, a irmã da Gabi em acidente, etc. Não tenho mortos de forma geral, posso afirmar. Sou o tipo de gente que não carrega morte. Não é vantagem ou desvantagem, é fato.
Quando e se minha vó morrer, vou me abalar. Porque ela é um tipo que não morre. É uma velha com quase 83 e que, muitas vezes, imagino me enterrando. Simplesmente porque ela tem uma vitalidade invejável e vive de um jeito que eu gostaria de viver quando tivesse sua idade.
Uma vez, já faz um tempo, em um aniversário meu, ela telefonou e me disse: "espero que tenha uma vida feliz como a minha." E eu chorei pra caramba depois porque ela tem uma relação com vida que não é pacífica, ela briga com a vida, mal diz a vida. Mas, mesmo assim, ela fala de sua vida com a felecidade no meio. E chorei. E ela nem sabe. Mas chorei.
Minha avó tem uma relação com a vida que admiro e invejo. Ela vive. E vive. E é uma das poucas pessoas que conheço que realmente vivem. Sem fazer com que a vida seja um mar de rosas ou um mar de espinhos. Ela vive e fala sobre felicidade, mesmo sabendo das merdas todas, das dores no corpo e das injustiças do mundo. Ela não faz de conta que merdas não existem, por exemplo. E isso, isso de ter as merdas e poder falar sobre felicidade é que fazem dela alguém que importa e que, mesmo sem saber, me serve de exemplo. Porque se for pra ser velho como ela é, eu topo.
Bem, esse post virou isso e eu sei porquê. Vovó Rocks e faz tempo. Desde que morei com ela sei que faz tempo. Vovó é duca e não pode morrer. Vovó não morre. Ela tem um nome lindo e vive. Está viva bem mais do que eu, meu pai ou suas netas. Vovó nunca mentiu pra viver melhor e por isso vive como nunca eu, meu pai ou suas netas entenderão.
Vovó não pensa na vida, vovó vive. E sabe que tudo tá certo e que é como é: seja as dores no corpo, os espinhos de flores ou não, Vovó vive e viverá. Vovó, mesmo sem saber, sabe das coisas.