5 de fevereiro de 2011

que não há.

Se eu te disser EU TE AMO bêbado, você acredita?
E se, por acaso, eu tiver cheirado e te ligar pra dizer QUERO TE VER AGORA, você vem e pergunta algo como O QUE DEU EM VOCÊ HOJE?
Talvez, depois de fumar um baseado,
a gente se falasse pelo msn, o que acharia:?
(- nossa, quanto tempo.
- pois é, pois é.
- vai achar idiota eu dizer TO COM SAUDADES.
- claro que vou.
- hum... que pena...
- tá mesmo com saudade?
- sim. cheio de saudades.
- sério?
- nunca minto, lembra?
- rs.)
E se o Rio De Janeiro estivesse sob ameaça de traficantes articulados e - verdadeiramente - organizados e eu descobrisse o telefone da sua melhor amiga pra falar com você.
Acharia isso admirável?
Desculpas, você aceita?
(- Desculpas pelo o quê?
- Desculpas por tudo).
Acharia minha barriga branca uma coisa charmosa?
Repetiria ESTRANHO COMO UMA PESSOA PODE FICAR BONITA?
E se eu fosse legal e quisesse ser seu amigo e confidente? Você me chamaria de BOBO e sorriria com os dentes mais brancos que já vi?
E se nos encontrássemos, por exemplo, na Argentina, você iria dizer EU SABIA ou NÃO ACREDITO?
Casaria comigo? Brincaria de escolher nomes pra filhos no pós sexo?
Falaria SEU ANJINHO EU NÃO ABORTO?
E se me procurasse e eu me fizesse de durão, seria esperta o suficiente pra saber que gosto de você e que até TE ADORO?
NUNCA IMAGINEI VOCÊ DIZENDO 'EU TE ADORO', você diria?
E no Carnaval? (Meu Deus, o Carnaval!)
Você toparia ficar em casa e ver filmes em preto e branco?
COMÉDIAS ROMÂNTICAS... EU PRECISO SABER O QUE VOCÊ ACHA DE COMÉDIAS ROMÂNTICAS...
Você teria coragem de dizer EU ADORO COMÉDIAS ROMÂNTICAS?
E se você fosse espírita, acreditasse em Karma, Jesus e Allan Kardec, diria pra mim?
Falaria O GRANDE BUDHA e explicaria o porquê do H?
Diria EU TE AMO MESMO ASSIM ou DEUS SABE O QUE FAZ?
E se o mundo acabasse em 2012 na data final do calendário Maia, você me passaria uma mensagem com as palavras EU-TE-AVISEI?
E se eu tivesse uma doença fatal? Teria coragem de me ligar? Ligaria quando sua mãe morresse?
Pediria conselhos sobre o que fazer com seu filho rebelde que vai mal na escola e me confessaria que o nome dele é Fábio porque começa com F?
Teria coragem de largar sua vida pra viver comigo?
E dizer ABANDONA A IDIOTA DA SUA NAMORADA, teria coragem?
E se fosse Segunda Feira, Quatro da Tarde, e eu telefonasse porque sonhei contigo?
Ouviria ou nem atenderia?
Diria DESISTE ou diria NÃO DÁ PRA TE ENTENDER?
Se eu te perguntar VOCÊ ACREDITA EM AMOR, você tem coragem de dizer NÃO?
E o contrário? Você suportaria?
(O dinheiro. O dinheiro é importante.)
Se mais do que não ter dinheiro eu fosse um cara que faz dívidas, você casaria comigo de papel passado?
Teria capacidade de jurar na frente de um padre NA POBREZA E NA DOENÇA?
Teria coragem de dizer PRA SEMPRE? ETERNO? ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE?
E se o padre fosse lindo, você o julgaria menos ou mais sincero?
E se o padre fosse acusado de pedófilo, você acharia que as juras que ele pede são apenas sintomas de um mundo doente?
CORAGEM.
Você me perguntaria se eu gosto dessa palavra?(CORAGEM) Se eu uso essa palavra?(CORAGEM)
Se eu falo essa palavra por aí? (CORAGEM)
CORAGEM É VIRTUDE OU ESTUPIDEZ?, você perguntaria isso?
E se a resposta fosse a errada, você desistiria?
Se eu acreditasse em CORAGEM e fosse medroso, desistira de mim?
E seus peitos?
Se eu reclamasse dos seus peitos?
Se eu, sem querer, espalhasse que você tem displasia mamária, você me perdoaria?
Você acha possível um homem amar uma mulher feia?
Acha que existe chá de buceta?
Amor de pica?
Sexo simples?
Amor a primeira vista?
Destino?
Sorte?
Encontro de Almas?
Azar é real?
Orgasmos múltiplos são bons ou ruins?
Vagina e clitóris são duas coisas ou uma é apenas extensão da outra?
A velhinha do Multishow ajudou seu desempenho?
Você goza melhor por que leu? Por que viu? Por que se masturba? Por que ama?
O amor melhora o orgasmo?
Quem ama menos goza menos?
É real a diferença entre orgasmo vaginal e orgasmo clitoriano ou é apenas um recalque machista?
A Marina Colasanti já foi Utilidade Pública?
Se um homem (ou uma mulher) diz EU TE AMO, isso te oprime ou liberta?
Amor é ideia? É texto? É invenção? Fetiche?
Desculpa para broxas? Para frígidas? Para promiscuidade? Amor é real ou é apenas uma ideia que dá frutos?
Ama-se porque quer ou porque é inevitável? É legal? Pega bem? Ou não? Amor tá na moda ou fora? Ter discursos pró amor é coisa de quem ama? Ou discursos pró amor é resultado de quem nunca amou?
Filhos promovem amor? Filhos podem salvar o amor? Filhos podem materializar o amor?
Misturar os gametas dá tesão? E um homem e um homem? Uma mulher e uma mulher? E o pan sexualismo? O bi sexualismo? O tran sexualismo?
E filhos de viados têm Complexo de Édipo? De lésbicas de Jocasta? Como é que é?
E, de novo e de novo, o amor?
Que porra é essa?
Que assunto é esse?
Por que, afinal, se fala tanto nisso?
Quem ama é melhor?
Quem nunca se sentiu amado se tornará um serial killer?
E o resto?
E a vida?
E o medo?
E a loucura?
Amor tá na moda, não tá?
Diria TE AMO PORQUE AMOR TÁ MODA?
Diria AMAR É BOM PARA TREPAR MELHOR?
Diria SÓ AMANDO SOU FELIZ, mesmo sabendo que isso é estúpido e triste e que felicidade não existe?
QUERO TE AMAR, MAS NÃO CONSIGO, você diria?
E, estando bêbada, explicaria
CHORO PORQUE TE MALTRATO,
TE AMO PORQUE VOCÊ ME INCOMODA e
TENHO MEDO DE TE AMAR PRA SEMPRE?
Falaria sobre exames de DST'S?
Sobre camisinha e falta de contato real?
Sobre dar o cu apenas por generosidade?
EU TE AMO SEM TITUBEAR, você diria?
Gostaria da frase QUEM AMA, NÃO TITUBEIA?
Ou então QUEM AMA, NÃO PECHINCHA como uma tatuagem alí, bem alí, no lombo e em letras coloridas? Apenas acima do fim do fio da bunda?
-
E se depois do não a cada pergunta
eu disser que nem ligo e que nem acredito,
você me achará esperto ou otário?
Você se importa?
Vai me adorar por eu negar o óbvio
ou me odiar por eu insistir no óbvio?
Tem coragem de me dizer?
Ou é melhor fazer de conta que NÃO SEI QUEM SOU?
Você sabe, não sabe?
E se eu não souber é porque sou fraco?
E você?
E eu?

3 de fevereiro de 2011

relatinho - blablabla

Vou ao cinema para interagir com o mundo. É estúpido, mas é o que é. Três filmes desde segunda feira e nenhum que realmente valesse a pena. Mas não importa. Ir ao cinema sozinho em dias de semana é uma boa maneira de ser solitário. Todos somem diante da tela. E em teatro isso nem sempre rola. Fora o risco de um conhecido, ou pior: um semi-conhecido. Então cinema, mesmo achando que teatro é mais útil. Com "útil" quero dizer que peça ruim é melhor do que cinema ruim. Sei lá. Teatro pode ser chato pacas, mas, mesmo assim, há a certeza de que só aquele dia rolou aquilo. Talvez o lançe do ao vivo. Que é diferente de show, onde o ambiente é disperso e o show, em si, nem é o motivo da maioria estar lá. Mas estou falando de mim. Só falo de mim. Não to falando de teatro, cinema ou show.
Então vejo esses filmes mais ou menos, bebo uma única cervejinha no bar e volto pra casa. Não é sensacional, mas é bacana e me sinto bem. Em casa ponho música, estalo uma possível cerveja da geladeira e abro meus arquivos de texto. E é estranho, estúpido e meio triste.
Leio o que escrevi/escrevo, penso continuar isso ou aquilo, futuco blogues meus e alheios e um leve desespero me arrebata. Como explicar? Arquivos abertos e nada de nada. Escrever. Escrever apenas nunca é apenas quando há arquivos abertos. Parece que tem um lugar pra chegar, mas é bobagem. Não há lugar pra chegar. Não há nada.
Então cogito ler a Bíblia, pra ser mais exato O Livro de Jó. Porque hoje vi uma entrevista de um cara falando sobre esse pedaço do velho testamento, onde, segundo ele, Deus deixa claro: o problema é de vocês, eu os inventei e me arrependi, se virem. Mas não vou ler O Livro de Jó, vou? Talvez. Mas, mesmo assim, os arquivos estarão abertos e a tristeza estará presente. Escrever...cada idéia. Talvez apenas me falte canais à cabo.
Seja como for, semana que vem quero ver Cisne Negro(?). Semana que vem que eu é que não vou ao cinema sexta, sábado ou domingo. Esse filme quem dirigiu foi o cara de O Lutador, que vi e entendi tudo. Lutador de Telequete preso ao passado... claro que adorei e entendi tudo.
Chega agora: talvez a Bíblia, talvez o X-Salada, talvez os arquivos abertos.

2 de fevereiro de 2011

Se você fosse chata apenas comigo

me sentiria exclusivo.

Mas como é chata com todos,

resolvo: é só chata mesmo.

1 de fevereiro de 2011

minha visita excessiva.

Certezas estúpidas porque inúteis:
  1. Faltou trinta coisas, mas principalmente amor. Quando se ama! Ah... Quando se ama! Queríamos amor, acreditávamos no amor, desejávamos amor. Mas amor, amor mesmo, é. Não diz respeito a desejo ou impressão. Só um idiota diria: "acho que ele/ela me ama". Amor é certeza sem margem para achismos. A regra é clara: ou amou ou não amou, ou foi amado(a) ou não foi. O amor é real e palpável, não é um UFO que vemos no céu. É, no máximo, o balão à gás que soltamos e chamamos de UFO. Ñão é, definitivamente, um objeto voador não idenfiticado.
  2. O erro também é bastante claro: supôs-me apaixonado e não recebeu as delicadezas como simples delicadezas. Isso deturpa. Põe o tempo na frente sem nem sequer pensar no atrás. Erro. Meu, seu e nosso. Somos (seríamos) um casalzinho cheio desses defeitos que encantam a humanidade. Casalzinho que vira assunto de filme e teses de doutorado. Casalzinho moderno e estúpido como é, enfim, todo casal moderno.
  3. O amor é uma invenção, a gente sabe. O fato de sê-lo não o faz menos real e até o contrário. Leminskão falou disso com bem mais inspiração. Seja como for, digo: o amor é o que sempre foi desde inventado: uma teimosia, uma rejeição ao mundo apenas real. Amor não é o amor de hoje, amor é o amor de sempre. Não é mutável nesse sentido mesquinho de um dia após o outro ou de regar plantinhas. É fatal como uma planta carnívora, dessas que se alimentam de insetos voadores e outros sangues.
  4. Pra me culpar: meu erro é velho. Espero superar o primeiro-idealizado amor. Erro terrível e inevitável: ou você é melhor do que ela ou não é. Se não foi, a culpa é minha. Porque ela é minha e porque nem me deixei levar. Tem a ver com crença. E com teimosia. E, como não?, com insistência. Insistência que seria nossa, assim: por que essa mulher/homem me ama tanto? Resposta: porque o amor existe.
  5. Ao notar que seu afeto se manifestava por patadas e agressividades eu me senti feliz. Ora, eu havia entendido seu afeto. Mas entre entender e topar há um lapso enorme. O mesmo que separa o UFO do balão de gás que eu soltei. Se notei isso e te falei foi pra dizer "deixa disso" e não pra repetir "é um UFO, um UFO."
  6. Meu tesão existe porque você é bonita. Como explicar? Impossível. Mulher bonita é mulher bonita. E ser bonita é ser bela, gostosa e tesuda e, ainda assim, deixar um naco de alma transparecer. É por esse naco de alma que não serei seu amigo, seu bródinho ou seu confidente. E bonita é bom pra mim: sou gordo e pouco atraente. Sinto-me ótimo em desfilar com belezas que me dão ou querem me dar.
  7. Se você acha que o você desse texto é você, eu afirmo: você está errada e nunca entendeu o que digo. Eu falo de mim, apenas de mim. Por incompetência e limitação. E se misturo verdade e mentira é porque também dependo das minhas invenções. Fraquezas antigas e desejos bregas de ser original. Ser original? Sim, como a cerveja que todo mundo bebe e acha ser encorpada. Em outras palavras: uma imagem bem vendida.
  8. O UFO são meus sonhos e sua data de nascimento. Eu gostava daquilo: signos, cadomblés e Jesus Cristo no pacote. Um lindo exemplo de sincretismo, uma beleza mal disfarçada em insatisfação. Sua bela e irritante insatisfação. A gente amava quando queríamos amar e não quando estávamos juntos. Era inocente, pensando bem... como se amor fosse apenas desejo de amor.
  9. Pra terminar: o tempo avançando e nós deixando que o tempo passe. Como vítimas, como quem berra "as coisas mudam" sem perceber que a mudança ocorre também por causa da gente. Amor, nosso sonho. Sinceridade, nosso delírio. Erramos porque não houve nós, porque não soubemos de tudo aquilo que seria inventado. Porque, enfim, achávamos que o amor era natural e espontâneo.

30 de janeiro de 2011

relatinho.

Baixo um disco do Otto e ouço a Amy Winehouse na rádio da UOL. Penso se isso quer dizer alguma coisa ou se é apenas mais uma aleatoridade da vida. Porque é triste, mas é isso: a vida não tem nenhum sentido. E espero estar errado, espero que o Chico Xavier apareça e diga ''tudo é pra sempre... a alma tem consciência''. Mas ele não vai aparecer e eu vou continuar tentando achar lógica onde lógica não há.
Mas quem se importa? Nem eu me importo. Estou no blogue. E com isso quero dizer que estou escrevendo por tédio e falta de sentido. Porque sou tímido demais pra fazer do facebook meu palanque. Meu máximo de discrição é o blogue. 6 leitores fiéis e uns que vem ou vão, mas que o querem mesmo é socializar. E não quero socializar. Simplesmente porque não tenho habilidade e porque se for uma mulher, vou pensar (e nem importa o real) que ela quer me dar.
A exceção é mamãe que me lê sempre simplesmente porque ela é minha mãe e eu seu filho.
Então, de novo, fui ler jornal na esquina. Isso quer dizer cervejinhas e jornal. E cervejinha e jornal não quer dizer nada. Mas, mesmo assim, é lá que formulo meus delírios enquanto vejo as mulheres lindas que passam e crio uma frase que só eu entenderei: A MULHER PERFEITA NÃO TEM ENDEREÇO. E adoro minha frase porque ela é só minha, só minha, e sou dado a pretensões de exclusividade. Que bela palavra: EXCLUSIVIDADE. Mas quem entende?
(É como os sonhos eróticos dessa noite. Tão perto e tão longe. O W. Wenders com sua camêra que se arrasta pra focar anjos feitos de mármore. Eu tô lá também, mas nem sei: a beleza engana, a feiura engana também. Porque queria mesmo não pensar e jogar nessa espera que jogam os que acreditam que o presente é importante.)
Ontem fiz pastéis e hoje fritarei um bife. Baterei nele com um martelinho e cortarei alface e tomate. É minha saúde após a cervejinha. É minha tia falando: - importante é ter saúde. E, bem, ter saúde não é importante, é necessário. Importante é outra coisa: algo que não tem a ver com necessidade, mas com o ine-cessário. E isso aprendi com Leminskão e outra galera. Que a gente aprende apesar de tudo.
Então concluo: domingão e trinta mil vantagens e desvantagens. Otto, quase chato, me disse: pra morrer é preciso existir. Penso nos peitos sem dono que quero chupar, nas bucetas que quero comer e nos domingos de inverno que estão acima da linha do Equador. E também no Chico Buarque que, ao se tornar escritor de livros, se tornou mais chato e mais óbvio do que deveria.
Mas, em verdade-verdade, digo: isso tudo porque tenho blogue e porque, como não?, sou mais tímido do que gostaria.
Trinta coisas
e nada na fita.
Ser esperta é melhor
do que ser bonita.

27 de janeiro de 2011

mi corazon que nunca entende

Fumar era um dos traços antigos da minha personalidade. E também dizia que a minha falta de fé lhe parecia muito grave. Quando me dava anunciava transcendências que nunca eram alcançadas. Falava: liberdade, justiça, superação, auto-consciência(?), aprimoramento, etc. Quando estava inspirada, soltava: - bora comer um japa, monamur?
Eu não tinha estilo nem elegância. Eu era fraco também, ela dizia. Falava que eu desconhecia a nocividade da nicotina... (logo eu que fumo tanto?) e fazia planos que nunca executaria: viagens, vendas e compras de imóveis, projeto de integração(?), livros para adolescentes com síndrome de down.
Por ironia e tédio a gente se adorava. Mil discussões, mil questões, mil trepadas sem transcendências, mas ainda assim boas trepadas. Quando falei de jantar com um casal amigo ela disse ECOLOGIA e nunca mais tocamos no assunto.
Faltava. Ela que falava. Pra mim era bom. Lento, estúpido e sem sentido: a vida. Ela queria mais e caí na burrice de perguntar o quê. Haviam várias constelações e mundos, muitas possibilidades e tudo era líquido, espécies evoluídas, tá ligado? e também "o fim do maniqueismo".
Secretamente agonizava. Buceta, punhetas: vantagens e desvantagens em tudo. Pornografia variada na rede X o quentinho real da carne.
Um dia me pediu em namoro que, por ignorância, disse não ser o caso.
Buceta-Beleza. Punheta- Eu Só.
Daí o de sempre. O até logo. O te adoro. Época errada. Momento errado. Faltou algo. Onde foi parar a intengração(?). As demandas reais(?). Meu seriados americanos. A falta...
Que falta?
Ah... não importa. Nunca importou.

25 de janeiro de 2011

*-*

Toda
mulher linda
é inventada.
Feita
pra mim
por mim.
Toda
mulher linda
é minha
e me inclui
em sua reza
quando fala com um Deus
que desconheço
ou nem acredito.
Toda
mulher linda
me frita bifes
me leva frutas
e aos sábados de manhã
fala sobre o que fazer aos domingos.
Toda
mulher que invento
e acredito
é minha
é linda
e nem precisa ser real.

23 de janeiro de 2011

Cerveja na Esquina e Jornal O Globo./s.r/

De novo e pra sempre. Imagino-me um velhinho idiota. E se aquilo e se isso. Só não sinto tédio porque bebo. E estou ali. E acho a repetição uma beleza, uma arte.
(O que não impede que eu eu pense: queria ser o Domingos Oliveira e seu otimismo, o Bukowski e seus olhos calmos já no fim da vida, o Zezé que limpa as calçadas como se contribuísse prum mundo melhor)
Jornal de Janeiro. Aquela coisa. O Caetano tem uma das piores colunas dos últimos tempos, mas ele é o Caetano. Prefiria ele antes. Quando era novo, morava com meu pais e apenas ouvia suas músicas. O Caetano e o gênio que fui ao 19 anos são da mesma ossada, aprendi com Mirisolão.
Mas é domingo e o Rio de Janeiro é ótimo. No facebook quase todos falam sobre praias, dias azuis e coisas que, ao serem comentadas, se tornam idiotas. Penso em culpar alguém, mas não consigo. O Rio é realmente lindo e o dia está de fato azul. As pessoas precisam compartilhar suas alegrias, não precisam? Até acho que sim, mas prefiro as mais discretas às que não fazem de qualquer movimento intestinal um feed atualizado. Questão de gosto e preconceito. Preconceito... meu amor. O papo bom que o facebook estragou: quem seria eu sem os meus preconceitos?
Então penso no meu cu inchado, na mistura de álcool e antibiótico e na minha irmã. Pensar é tão estúpido e sem sentido. Pensa-se em tudo, mas e daí? Tá lá o Zezé varrendo a rua e se sentindo ótimo. Eu, por ora, tenho o meu jornal.
Leio sobre economia criativa e concluo que isso é uma nova moda e que, por ser o que é, é uma chatice que ganhou status de conceito e secretaria no novo Ministério da Cultura. Meu Deus, eu não devia ler essas coisas. Me irrito, me confundo. Penso sobre velhas idiotias: o eterno lapso ente criar(inventar) e fazer(faz a invenção ocupar espaço).
E isso me lembra outros horrores como "viver no presente". Meu Deus. Como aguentar? "Viver no presente" como sacada contemporânea. E o presente que nem existe, que está esmagado entre o antes e o depois, como se o tempo fosse uma simples abstração capaz de ser manipulada por não-físicos. O tempo tão real... data de nascimento, hora do óbito, essas coisas. Porque o presente não existe, o presente está sempre passando, eu aprendi com o chato do Bergson.
Fecho o meu jornal e deixo o dinheiro na mesa porque estou no Rio e os atendentes não são tão atenciosos quanto a gente gostaria. Dou adeus pra Maria que me acena atrás dos seus óculos. A Maria vive no presente, pensado bem. Mas quem se importa? A Maria é uma bêbada de bar e óculos fundo de garrafa. Ela não faz nada, mas aparenta viver bem. Em outras palavras: a Maria não tem facebook.

21 de janeiro de 2011

Arranque a camiseta

e tenha pressa

daqui a pouco a gente morre

e como é que faz?

Sentindo o último suspiro,

a última imagem de um sorriso maternal

e as flores que não compramos

decorando a casa que não tivemos.

O tempo é veloz e fatal.

Daqui 30 anos onde poderemos estar?

Duas carcaças se arrastando pelo mundo

tentando descobrir os erros que não existiram?

17 de janeiro de 2011

diante do conta gotas.

A bobagem confunde a cabeça
e ter foco é difícil e raro.
Que há o papo do mundo líquido e fluído
e que esse papo, cá pra mim,
não presta: diz mais respeito à incapacidade de afirmação
do que ao erro convicto.
Gente radical ainda me comove mais.
O Jesus cheio de vigor vingativo dos Evangélicos,
a implacável justiça olhoporolho dos Espíritas
e o delírio de beatitude resignada dos Católicos
são as crianças mais lindas pro meu colo.
Que decidir e fazer as cisões é o humano todo em toda dor, loucura e faniquitos.
E esse jogo de dados, esse é-não-é, esse sim-sim-não-não é uma coisa inútil que nunca fecha portas e que vive em eternos corredores sem quartos, camas ou lençóis limpos.
-
Porque adoro o cheiro do lençol limpo e
quando durmo pelado meu pau fica facilmente duro
ao roçar no algodão que acumula meu amaciante FOFO - onde um ursinho marrom me faz promessas de ótimas noites.
O ursinho FOFO que me diz alguma coisa
e faz promessas de cuecas cheirosas e meias renovadas.
O ursinho FOFO que diz sim sem medo de dizer sim -
que, em seu corpo de pelúcia, faz a plena falsa promessa:
a afirmação de conforto.

16 de janeiro de 2011

A belezinha é aquela praia. E também o sono. E o domingo passando lento. Fazer o que nunca se faz pode ser um prazer.
E têm as tesudas mulatas do Rio. Cada bunda, cada peito... A pele morena e o recheio impossível. Mulatas cor de prata com minúsculos bíquines saindo da água. E meu tesão sem direção se consumindo sozinho entre um trago e outro. Mulata da bela bunda, eu te amo.
Os pés na areia... estupidez cheia de sentido e paz. Ver tudo como quem rói distraidamente uma espiga de milho.
(Que teve essa hora que me lembrei dela. Que sempre lembro dela. E que hoje, ao lembrar novamente dela, pensei que é culpa. Tenho culpa por ela. Porque a culpa ficou e ela foi. Porque acredito em culpa e não confio em ninguém que ache que culpa não existe. Que culpa é saber que se está vivo e que se age no mundo e que toda ação tem consequência. Em outras palavras: não ter culpa é nunca ter feito nada consequentemente.)
E as horas passam e de repente é noite e o lusco-fusco parece melhor do que era.
Então travo meus dentes e entro no táxi. Home sweet home. Uma punheta pra ti: mulata da boa bunda.

15 de janeiro de 2011

De novo o inferno passeava pela cabeça.
As perguntas chatas:
- o que faço aqui?
- quem são essas pessoas?
- como se resiste?
- por que a solidão parece tão doce?
A mesa cheia, os rostos calmos e os momentos em que se esquece de si - a paz lenta até o estranhamento que diz: "você se esqueceu de si".
Então voltam as garras do inferno, o lar quentinho, o anonimato pleno que é estar em casa sozinho numa sexta feira à noite.
-
(As paisagens do Win Wenders com aquela maldita camêra lenta. Tão bonito, tão bonito. Vejo aquilo e não entendo porque gosto, mas gosto. E é tão bonito e calmo e decente. E apenas vejo aquilo. Horas e horas de paisagens. Calma e decência. A vida mais ou menos regulada.)

14 de janeiro de 2011

Era uma criança triste que babava de noite. Às vezes fazia xixi na cama e achava engraçado não acordar com o próprio mijo quentinho. Os faniquitos noturno, o pau duro pela manhã e as cuecas com freadas incríveis eram a inocência manifestada em suores, porra e merda.
Achava graça de tudo e ria muito. Gostava também de falar no diminutivo, de ver cachorros atrás de cadelas no cio e de Sessão da Tarde, onde jovens se reuniam para atravessar com um carro roubado a imensa América.
Era feliz.

10 de janeiro de 2011

O tesão era um bebê em seus braços e eu me perguntava se isso estava certo ou se era apenas mais uma jogada para se sentir vivo. Havia o belo pescoço comprido que ela usava mal; e também aquele jeito meio desafiador que ela tinha e supunha ser charmoso.
Pra mim era uma chatice que eu não gostava e não entendia.
Os amigos dela usavam chapéus e ficavam bêbados e amorosos e eu me sentia deslocado com aquela felicidade toda que era manifestada em sorrisos sinceros e roupas claras e, vale ressaltar, o uso de chapéus como se usar chapéus fosse super normal.
E eles fazem vídeos de sua felicidade e colocam no youtube onde são vistos por milhares e milhares de pessoas.
Eu inclusive.

5 de janeiro de 2011

faniquitos de ano novo 3.

pau duro em piscinas aquecidas.


  • Lolita tesão, Lolita, meu amor. Livro bom começa logo e logo diz à que veio. Lolita, mil punhetas e Lolita porra pelo ralo. As palavrinhas se juntam, as frases saem boas e, após 15 páginas, tenho a certeza de que as meninas de 12 anos são a coisa mais tesuda que existem. Deus abençoe a América. Deus super-abençoe os russos que escreveram na América.
  • O casal de adolescentes estava em polvorosa. Pelo que entendi, era assim: pai separado em férias com os filhos - um de 8 anos e outro de 14. A namorada do mais velho tava junto: pais tranquilos ou liberais ou irresponsáveis ou confiantes, tanto faz. Ela tinha 14 ou 13 e os dois se amassavam lindamente em todas as piscinas. Ela pequena com aparelho nos dentes e ele mais alto. Brincadeiras incríveis de sunga e biquine. Joguinhos lindos na água: passagens embaixo de pernas, suportar o peso do outro com o benefício da gravidade da água, sumiços de beijos submarínicos, etc. Tesão é aquilo. Tesão não é o super-sexo narrado em mesas de bar.
  • Primas que afirmam nunca terem tocado siriricas. Eu acredito e lamento. Pelo que entendi há nojinho da própria buceta. Não sabem nada de nada e desconhecem, em absoluto, os benefícios da auto satisfação. Roçar o próprio púbis é tão cristão, tão católico... causa uma culpinha tão boa de purgar. Mas elas nem sabem disso, elas acham o órgão feminino muito feio.

4 de janeiro de 2011

faniquitos de ano novo 2.

as noites tristes depois do natal:


  • Casais se matam e se agridem. As unhas, postas pra fora, arranham as carnes que aparentemente se amam em noites menos (ou seriam mais?) frias. Ranhetices com prazo de validade suspeito: casais novos e velhos se matam com mais ou menos intensidade - ou seria competência? Seja como for, sinto-me ótimo estando solteiro. Meu inferno é apenas eu e não o outro. Parece-me justo e decente.
  • Ou você melhora com o tempo ou você tá morto. Isso não é virtude, é um mínimo de decência. Se você reclama há 30 anos da mesma coisa, há qualquer erro fatal que passa despercebido. Se você reclama há cada dia de uma coisa diferente, você tá fudido e mal pago, inventando micro-inimigos pra se sentir vivo. Uma mesma queixa a cada 3 anos me parece um bom número.
  • Ficar no banco do passageiro reclamando do motorista é um filme velho, chato e previsível. Pode-se dormir, assumir o volante ou simplesmente cutucar o nariz. Há a alternativa de ler ou ouvir música, mas nada disso será feito. Reclamar é quase um prazer - como alguém que inflama a unha do dedão do pé para sentir aquela dorzinha "gostosa" a cada passo.
  • A necessidade de plateia para mostrar os próprios sentimentos é uma dessas coisas que cada vez reparo mais e entendo menos. Por um lado é apenas vaidade, por outro é um golpe baixo que aproveita o grupo para se esconder. É como falar sobre sexo numa mesa de bar: todos se tornam muitos sexuais e lascivos.

3 de janeiro de 2011

faniquitos de ano novo 1

toda loucurinha amiga.


• Encontra-se pessoas e a tensão mútua é quase satisfação. Segundo minha irmã eu estava amarelo. Devia estar. Fazia sentido estar amarelo. 3 anos e uma vida. O tempo agindo. As mudanças sem volta e o constragimento inevitável. Foi tudo lindo e é tudo terrível.

• A tensão no rosto dela me acalmou. Eu conhecia aquela tensão. Já a vira antes e me era íntima. De uma forma gratuíta e estúpida, eu afirmo: entendia tudo, sabia de tudo, mesmo que visse pouco. Era como um cheiro que volta e que reconhecemos mesmo que sem decifrá-lo.

• Durante a volta, no carro cheio, entre as músicas e as brincadeiras com as crianças, sentia essa euforia sem mira que me subia e descia o estômago. Imaginava explicações, imaginava textos para o blogue que falassem sobre isso. Explicações sobre essa época (natal e ano-novo) que, inevitavelmente, nos fazem pensar em mudanças e transformações. Após o golpe de vista, da certeza do encontro improvável e à caminho do banheiro, pensei amarelo num riso bestial: - euforia sem mira explicada.

22 de dezembro de 2010

Dezembrão.

E todo calor e toda loucura.
E um tipo de fim que se aproxima
e o inevitável
que é pensar no ano que passou
e no ano que virá.
Que existimos no tempo e morremos no tempo,
que somos o tempo.
E o tempo passa mesmo que se fale sobre a importância do "agora" -
como se o agora fosse real...
como se ao dizer "agora" o "agora" ainda fosse o que não mais é.
E tem Natal
e Ano Novo.
E as datas todas.
E o fato de serem inventadas não quer dizer nada.
Que tudo que importa foi inventado: o amor, os laços, a arte, o sexo como descoberta, a ficção, os livros, a família, o espirito, Deus...
E daí que vejo meus amigos e tenho vontade de falar
e falo e lembro que somos amigos e vejo a fraternidade do planeta
sendo concentrada numa data inventada e bela e humana.
E lembrei dessa música.
Que tem a ver com tempo,
com coisas que existem no tempo,
que fala de gente que se vê
e se pensa e não se conhece
e, mesmo assim, se consome.
Que é Dezembrão e o sol é como um punhado de agulhas à entrar em nossa pele.

a música. pra quem tiver saco. e nem é uma boa versão.

20 de dezembro de 2010

o que se vê, o que se pensa, o que se lembra.

  1. Gor-delícia dentro do trem a caminho de Campo Grande. Entra depois da Central. Usa microshorts, blusa colorida que amarra sem sutiã e os malditos óculos escuros enormes que estão na moda. Mama um LATÃO de Bramha. Tesão. Gor-delícia, meu amor. Puxa papo com o coroa que vai pr'onde eu vou. LATÃO de Bramha substituído por LATÃO de Antárctica. Nariz fino, coxas brancas e exibição discreta. LATÃO mamado com calma e dignidade. Coisa fina. TESÃO.
  2. (Pau Duro e imagens infernais. Culpa da pornografia internética e do balanço do trem. Sem fumaça, sem piuí, sem belas paisagens. Pau Duro imbecil. Duro agora justo agora. Meu Pau, uma criança. Inocência por culpa de trilhos de trem.)
  3. Morena-Toda-De-Branco. Vestido ou vestidinho, não sei. Livro grosso de Biologia na mão e os mesmo óculos escuros da moda e enormes. O dela era marrom. Levanta os braços e vejo as axilas. Axilas são sem graça é a minha conclusão. Olho pra ela com ostentação. Quase idiota e quase santo. Ela nota e fico satisfeito. Quase santo e quase idiota. Ela limpa os óculos no vestido-vestidinho branco. É pra mim. Sobe o vetido-vestidinho e faz que nem nota. É pra mim 2. TESÃO. Livro de Biologia. O vestido-vestidinho subiu muito, muito mesmo e ela fez que nem notou que eu a olhava ostensivamente. É pra mim 3.
  4. (TESÃO. Pau Duro cheio de inocência infantil. Maldito trem. Há que se culpar alguém. Pau Duro, meu amor, a estação tá chegando e minha bermuda explana).
  5. Trem ainda. O puto - meio bicha, meio imbecil - comprou um sorvete de côco e jogou o papel de embrulho no chão. Fiz minha cena mais fraternal. Curitiba e menino-folha. Se-pa-re. Olho pra ele e pro papel. Mexo a cabeça mais do que o necessário. Ele se toca e empurra o papel com o pé pra baixo do banco. Sinto-me desafiado. Olho agora com a boca aberta e ele vira o rosto. Vitória é uma idéia estúpida que agora fez sentido.
  6. 60 questões que podem mudar sua vida. É estranho e sem sentido. Mudanças de vida são sempre suspeitas. Vejo velhos e muita gente conhecida. É triste. Decadente. Estamos todos ali. A tristeza se manifesta com "você por aqui?" ou "fez para o município?"
  7. Carona pra volta e carro de desconhecidos. Sou simpático e descolado. Os desconhecidos são fáceis de lidar. Dureza são aqueles que se conhece pouco ou que já se viu. O desconhecido absoluto não causa temor.
  8. Casais são tudo aquilo que entendemos por coerência interna. Tenho andando com casais. Eu e um casal, no caso. Lembro que segurar vela era terrível há uns 15 atrás. Agora não. Ser adolescente é mesmo terrível.
  9. Na VAN da Lapa o cara que cobra e berra é super descolado. Tenho delírios. Imagino-me milionário e o chamando para uma conversa. Eu diria: tu é esperto pacas, vou te montar um negócio próprio, pensa bem o quê pode ser. E ele se tornaria um homem de confiança do fernandinho-milionário.
  10. Entre o Rio-Sul e minha casa há esse mobiliário urbano que anuncia que o Planetário faz 40 anos. Lembro da Branca - a mais doce, a mais eterna. Ela queria que eu a levasse ao Planetário e eu não a levei. Ela nunca havia ido em um e dizia que poderia ser um ótimo passeio de sábado à tarde ou domingo de manhã. Eu era burro e não entendia. Reclamava das crianças estúpidas que lá estariam. Eu era burro e me achava esperto.
  11. Culpa, culpa, culpa. E lembro de todos idiotas que supõe culpa ser uma mera invenção da Igreja.

18 de dezembro de 2010

Eles são bonitos e jovens. Vestem-se bem e têm um estilo que eu desconheço por pura ignorância. Tênis com temas de grafite, mochilas com alças flutuantes, cabelos calculadamente desgrenhados. Eles sorriem e conversam com facilidade. Têm planos, são otimistas e têm desenvoltura para fazer elogios. Pra meu constrangimento eles não falsos ou coisa do tipo. Olho pra eles e tento desvendar algo que não existe. É que eles são o que são e, creio, vivem em paz. Consideram-se pessoas de sorte - e nem importa se a sorte é real ou não, importa que eles crêem nela e vivem bem.
#
Despeço-me com o máximo de educação e volto pra casa. No bar da esquina tomo cerveja e, ao saber que pegam cartão, invisto num gurjão de peixe. 2 cervejas e quentinha.

15 de dezembro de 2010

óvulo e espermatozóide.

papai e mamãe se matam em doses homeopáticas. é estúpido e pouco eficiente. há que se morrer com elegância: um ato suicida, uma queda no banheiro, uma cãibra de riso que chegue ao cérebro.

os demônios existem e é um fato. as possibilidades são poucas: enfrenta-se o demônio com suas garras e sede de sangue ou ignora-se o demônio como se fosse um brinquedo quebrado. o dêmonio, enfrentado ou ignorado, continuará existindo. o que fazer com o demônio é, nesse caso, a grande questão.

deve-se também tomar cuidado com ameaças que não existem. culpar os outros por mal próprio é tão natural quanto estúpido. se sua vida é ruim, a culpa - se culpa há - é sua. e digo isso sem nenhuma alegria. (adoraria culpar o mundo e os que nele vivem por minhas desgraças. mas o mundo apenas existe e os outros, como nós mesmos, vivem como conseguem e podem).

de forma que dou meu recado: pra mim mesmo, pra atualizar o blogue e também para a família e amigos. a vida é uma tortura lenta e, segundo o marcelino freire, o tempo é longo demais e daí o problema. que se fosse mais curta a vida, as dúvidas e as dores seriam menores. como um namorico que durou três meses e nem chega a afetar a existência.
fica a dica e o desabafo indireto fica também.
o tempo urge e, infelizmente, não há culpados. somos nós, nós mesmos, e toda nossa agonia de ser humano que existe ao longo do Tempo.
os problemas e os inimigos sempre existirão. e, por sempre existirem, devem ser renovados. porque há muita confusão e falta de foco por parte de quem encara os próprios demônios.
via de regra eles são vermelhos, chifrudos e carregam tridentes. também costumam espetar quando você está no caldeirão do diabo.
mas, em defesa dos demônios, eu afirmo: eles são o que são e obedecem ordens que não controlam. a exitência dos demônios nunca impediu que as coisas sigam e surjam, em outras palavras.
há que se parar de viadagem, frescura, demônios, previdências privadas e sonhos de se aposentar a beira mar. como se todos velhinhos fossem felizes, como se demônios pudessem ser eliminados, como se dinheiro fosse o único problema e não apenas um dos problemas.
tenho blogue, escrevo livros rejeitados e faço teatro sem patrocínio. e meus velhinhos? o que andam fazendo?

13 de dezembro de 2010

:~/

Mãozinhas para o alto
e danças desconhecidas.
Viver e se divertir
como o bom bichinho que sou.

Ao mesmo tempo as conclusões estúpidas:
- não gosto de Dezembro.
- sonhar cansa.
- animais são melhores quando são capazes de lamber a própria genitália.
- saber o que importa nem sempre é solução.
- o impossível seduz pelas impossibilidade.
- envelhecer não produz sabedoria.
- viciados em analgésicos são pessoas que tentam combater a dor.

E logo mais o natal e seu amor,
o ano novo e seu otimismo,
o Carnaval e sua alegria.
Bichinho sazonal eu também sou.
Antes disso:
- o conta gotas fatal.
- as rugas adquiridas.
- a pança que cresce.
- as cartas a serem escritas.
- os sonhos somados para o ano que virá.
- as tarefas de tédio e hipocrisia.
E mais um ano que vai
e um outro que vem.
E tudo que pensamos pralá e praqui:
bichinhos competentes
criando afetos, ternuras e derrotas.
Bichinhos que se salvam.

11 de dezembro de 2010

Machismo, idiotas diriam.

O problema das bucetas são as mulheres em volta.
Não que não haja mulheres cujas bucetas nem importariam muito,
não que apenas de entra-e-sai viva uma alma.
Mas a buceta - ela apenas e sem contexto -
parece melhor do que todo o resto.
Buceta-solução
como uma caixinha
que guarda mil encantamentos.
Uns bons e outros ruins
que nem dá pra ser/ter tudo depois do jardim de infância.
Mas tem que conversar antes,
desenrolar e fazer charmes dementes
que seduzem por mais estereotipados que sejam.
(somo animais, meu amor.
precisamos de carne e de sangue e de sal.
somos "parte da natureza" como você adora dizer.
e natureza, a gente sabe, não tolera as diferenças.)
Lembro da guria que disse: - minha especialidade.
E engoliu minha porra com tanto profissionalismo
que até esqueci que eu gozava.
Depois, bem depois, pensei sobre isso:
dedicação é diferente de especialidade,
uma alma dedicada ainda causa mais espanto.
É que fui batizado e sou católico,
à mim impressiona o sacrifício e o suor.
Gosto de ter tudo que todos têm,
mas, confesso, ainda prefiro o que é só meu.
(são limites, benzinho.
eu avisei que eu era limitado.
mas você errou ao me por no pacote.
não que eu não saiba que sou parte do pacote,
mas sim que não precisava berrar isso tão alto.
sou um machista 'bichinha', lembra?
gosto de me enganar.)
Concentro-me no bom triângulo
e me esforço pra ignorar o que é dito.
Como me dou mal
sempre repito pra mim mesmo:
- sou tão fraquinho, sou tão fraquinho.

8 de dezembro de 2010

minha vaidade se supõe elegante.

Tem o telefone e os gritos. E também a super valorização da Internet e uma idéia toda errada sobre 'democratização da informação'. As repetições são um resquício daquilo que, um dia, e com sorte, poderia virar alma. Repete-se mal, em outras palavras. As repetições que poderiam, por fim, mostrar algum traço ou mesmo um jeito de ser não rola. Repete-se na burrice e na voz, na simpatia sem noção e nos discursos de quem se julga muito sincero.
Erros, tudo certo. Erros chatos, Deus me poupe.
Tem o correio também. E os discursos contra o Lula e o uso partidário da máquina pública. A seta que vai pro lugar certo sem nunca acertar o alvo. Como se o alvo fosse tudo em volta e não apenas o centro negro e minúsculo pra onde sempre apontamos. O alvo é real. O alvo não está na Internet ou nos telefones ou no Lula partidário... O alvo: ver o alvo e mirar o alvo. Errar o alvo é normal, mas não é bom ou positivo. Valorizar o erro é uma coisa bem estúpida e que está na moda: seja no teatro, no cinema ou no academicismo que sempre supõe que tudo pode ser. Tudo? Sim, tudo. Quem aguenta?(É a retórica ganhando estatus de verdade. Os imbecis, entre uma consulta ou outra na cartomante, adoram, a-d-o-r-a-m, a retórica sem mira).
De modo que fico com o meu blogue. Minto pra mim mesmo e afirmo: eu minto. Essa é minha vaidade e minha retórica e também meu alvo que se esquece da mira. Como o amigo viado que me disse ontem: se você não é viado e eu sou viado, você não entende nada de mim.
O amigo viado, claro está, sabe das coisas.

Minha belezinha cheia de tesão me faz sentir tédio.

É que sou fresquinho
e fraco também.
Ela insiste em papos gastos, mas fala como se novidade fosse:
- e o sexo, cara?
- e as menininha? buceta nova na parada?
E sou elegante
e bocejo
e digo:
- nem te importa.
- nem quero falar disso contigo.
E ela diz que somos amigos
e meu tesãozinho cheio de tédio
vai pro ralo enquanto miro seu decote
com peitos deliciosamente imensos.
É uma despedida:
meus olhos mirando seus peitos
até sua barriga é como um sinal de adeus.
-
No caminho chuto pedras
e penso que nem sempre o álcool deixa as coisas melhores.
Em casa ordeno uma pizza e fico de cuecas e tênis allstar.
Sou ridículo, mas a pizzaria aqui perto
aceita meu cartão
e funciona até meia noite.
-
Lamento baixinho entre o bacon e o catupiry.
A TV à cabo e o azeite me deixam
surpreendetemente satisfeito.
Em outras palavras: acho que amadureci.

6 de dezembro de 2010

SE VOCÊ EXISTISSE
SERIA A MULHER MAIS BELA.
COMO NÃO EXISTE
É, DE TODAS, A MELHOR CADELA.

5 de dezembro de 2010

Mi-Mariazinha.

Mariazinha tinha as mãos frias. E finas também. Chamarem ela de Mariazinha a irritava. Mas fazer o quê? 1 metro e meio dá nisso. Era bem branquinha e já que era chamada por todos de Mariazinha tratou de estudar. Gosta do estatus que os estudos dão: especialização, mestrado, doutorado e pós-doc.
Mariazinha estava em Nova Iorque e era um luxo. Ótima atriz e pesquisadora de mão cheia. Teatro-Educação, a especialidade dela. Inglês impecável, salto alto e Mariazinha era a única aluna terceiro-mundista que tinha respeito de todos. Se ela fosse negra seria imbatível. Mariazinha, 1 metro e meio, terceiro mundo e pós-doc. Terceiro Mundo... uma bênção... ah... seu eu fosse pretinha, ela delirava.
Descobriu que o lance era ficar sentada. Os homens gostavam dela e ela gostava dos homens. 1 metro e meio é uma bênção. Tanta agilidade. Faz-se o que quiser. Ela sorria e era vaidosa: salto alto, gestos delicados e sorrisos que fingiam timidez.
Gostava de homens enormes. Paus imensos, pra ela, eram uma libertação. Sentia-se bem, sentia-se grande, imaginava sua vagina surpreendentemente funda e ria sozinha: Mariazinha é os cambau.
Daí conheci Mariazinha. Em pé. Com salto tinha 1 metro e 58 cm. Usava uma saia preta e uma blusa colada verde. Tesão. Peitos pequenos sem sutiã me dão tesão desde sempre. Acho que é culpa da minha mãe. Mariazinha me maltratava. Ignorava meus convites enquanto eu a seguia e via ela saindo dos bares da rua 43 com aqueles homens enormes.
Pensei em usar um sapato masculino com salto, mas desisti. Mariazinha, além de pós-doc, era sagaz.
Um dia, após a seguir, entrei no bar da 43 e sentei na mesa dela. Antes que ela dissesse qualquer coisa, segurei o rosto dela e enfiei minha língua na sua boca pequena e de lábios finos. Ela se ofendeu um pouco, mas expliquei que já a seguia a 2 meses. Ela sorriu.
- eu sei.
- sabe?
- claro. vamos embora daqui?
- onde?
- ué... me faz o convite.
Casei com Mariazinha. A gente tem três filhos. Ele são pelo menos 5 centímetros maiores do que eu e ela tem um orgulho danado. Às vezes ela reclama deles não serem negros ou mulatos.
- Eu queria tanto ter um filho pretinho.
- Bobagem...
- Bobagem nada, em Nova Iorque faz mó sucesso.
- Deixa pra lá, amor.
- Eu deixo, eu deixo.
E ela ri e a gente faz amor.
Nossa filha mais velha apareceu com um namorado mulato e a Maria o adorou, disse que eles têm que estudar bastante e ir pra América com alguma bolsa. Há muitas bolsas pra isso, sabiam?
Ontem mesmo conhecemos nosso primeiro neto. A mais velha engravidou sem querer para a revolta da mãe que havia a ensinado sobre todos os anti conceptivos.
É um menino. Não é negro, mas é quase. A Maria tá mais satisfeita do que nunca. Voltamos a fazer sexo e ela até cogitou que é hora de parar de estudar.
O nome do nosso primeiro neto é José. A Maria que escolheu. A gente tá bem feliz. Ela parou de usar salto alto e eu acabei de terminar meu Doutorado.
Ao que tudo indica, ano que vem nós passamos o Natal e o Revelion em Manhatam. A Maria têm o convite para uma banca de mestrado lá e a oportunidade parece única.
Vamos em família. O caçula talvez não vá porque ele faz competições de Judô e, segundo seu técnico, é um grande judoca.
Mas isso ainda não sabemos. Essa coisa de filho atleta é muito confuso.

sábadu.

  1. Não gosto de conversas que mantêm um único assunto por mais de uma hora.
  2. Não acredito em gente que fala de si como se estivesse se descobrindo. Ou pior: em processo de auto descobrimento.
  3. Desconfio de seguidores de blogues e também de quem faz confissões em twitter ou coisas do gênero.
  4. Duvido de todo mundo que acha que está evoluindo e que - inevitavelmente - faz questão de tornar público a tal da evolução.
  5. Curtir comida JAPA e ser budista é antiquado e sintoma de afetação. Quem que você conhece que é budista sem divulgar à sua crença?
  6. Príncipes encantados são o fetiche mais antigo que existe. Tanto faz se o princípe é princesa ou se ele tem particularidades que o tornam único. Ser ÚNICO é um desejo decente e óbvio na mesma proporção.
  7. Valorizar os erros é o sintoma mais gritante da Estupidez. Errar é parte da jogada, mas não é virtude. Errar é igual respirar - coisas que todos fazem e que não têm importância real.
  8. (Insisto: ainda sobre erros.) Não repetir erros é a função da natureza. Não há sabedoria alguma em quem, após errar que 2 e 2 são quatro, começa a chutar números aleatórios. Gato escaldado tem medo de água fria é o óbvio ululado sem nunca ter a atenção merecida.
  9. Pra dizer fim: sou eu mesmo e repito: tesão todo mundo tem, sonhos também. Sonhar e ter tesão é como estar vivo: algo que se faz mesmo sem se pensar sobre a vida, o tesão ou os sonhos.

4 de dezembro de 2010

  1. Dar tchau me parece bom. Dar até logo me soa bastante estúpido.
  2. Os imbecis gostam de girar sobre si mesmos. Eu giro sobre mim mesmo, mas não me acho imbecil. Vaidade, em outras palavras. É que não peço à ninguém pra ver eu girando sobre mim mesmo e descobri que o nome disso é elegância.
  3. Eu faço planos e você faz planos. Todos nós fazemos planos. Planos... parece importante, mas não é. Fazer planos é como viver: você está fazendo mesmo sem saber.
  4. Gosto de mentir. E de cagar. E de dizer coisas sem pensar. E também gosto de mim. Mas gostar de si não precisa ser aprendido em lições espirituais, precisa? Sou arrogante e digo que não.
  5. Ela, um dia, me falou de uma árvore. Essa árvore tinha sido muito importante na infância dela. Ela disse que subia na árvore, via o mundo lá de cima e ficava por horas lá em cima. A árvore era sua casa, ela disse. Perguntei da casa de verdade dela e ela me chamou de estúpido, disso que eu só gostava do que não existia. Mesmo sem ela imaginar porquê, eu concordei.
  6. Dou dois beijinhos e digo OI. Chacoalho as mãos e dou TCHAU. Tenho charme e cinismo. Equilibro-me entre o idiota que fui e o idiota que serei. Parece profundo, mas não é. Acusar à si próprio tá na moda e pega bem. O erro é acreditar que você é quem você imagina ser.
  7. O faz de conta é uma grama verde. O Leminskão sabia disso e achou graça. O Tio Caetano cantou e também achou graça. Eu não posso falar dos outros, tenho limitações graves e nem sempre sou capaz de amarrar meus cadarços. Mas, mesmo assim, me considero bastante engraçadinho.

3 de dezembro de 2010

Olhos abertos e futuro indeciso.

Apenas mulheres tristes têm me abraçado.
Talvez o falso conforto que todo gordo aparenta, talvez a falta de habilidade de sair para caçar piranhas em noites de néon e brilhos e drogas.
Lembro de garotas nuas, lembro da primeira vez que vi M nua e fiquei surpreso com sua brancura e também que achei lindo ela não ter marcas de biquíni. Os mamilos rosas e empinados, o rosto confuso que ela fazia quando me masturbava apenas para me agradar.
(M que um dia me disse eu te amo e aquilo não tinha nenhum sentido, e ela repetia eu te amo, eu te amo, mas a única coisa visível era seu próprio sofrimento e sua própria agonia de amor.)
E cada vez essas mulheres ficam mais loucas e mais tristes e mais problemáticas. E eu sou o elo de ligação entre elas. O óbvio sussurra no meu ouvido que de alguma maneira eu as atraio e por elas sou atraído - de forma que dei para chorar ao assistir Comédias Românticas onde o destino parece existir e juntar casais impossíveis.
Então sinto saudades de coisas que não existiram e de coisas que eu inventava para produzir poemas melosos e mal escritos..."eu era o tempo".
A realidade não importa ou importa pouco.
A invenção é mais poderosa, a ficção mais agradável e a beleza... bem, a beleza... vale como ideia, mas não como ponto de chegada.

2 de dezembro de 2010

Cartas para desconhecidas
nunca têm resposta.
Talvez seja o lixo eletrônico,
talvez um monte de bosta.
  1. Compro carpaccio e me sinto ótimo. Carpaccio é a bola da vez, a obsessão do momento. Carne crua, pimenta, alcaparra e azeite. Deus até parece me dar uma piscadela. Faz sinais pra mim como se fossemos velhos amigos.
  2. No som um preto canta com aquele jeito de preto. Deve ser do caralho ser preto e cantar como preto. Os pretos quando sabem cantar têm essa voz estranha e antiga que deixa tudo que se vê parecendo cenas de filme do Win Wenders. E a vantagem é que na voz preta do preto bom quem me dá uma piscadela não é Deus.
  3. Há a rúcula e a carne crua. A NET liberou uns canais e a TV é uma idiotia agradável. Os cigarros continuam bons, mesmo fazendo mal. A ironia, a NET liberada e o boi que, generosamente, morreu para me salvar.

29 de novembro de 2010

Era sexta, mas poderia ser quinta.

- tesão é coisa pra criança. É simples: basta roçar o pau (ou a buceta, tanto faz) em uma quina de mesa.
Mas ela não me entendia. Dizia que eu nunca tinha tido tesão na vida. Que tesão é foda, que tem tesão que surge do nada e vira paixão, amor e sei lá mais o quê. Ela falava que havia vários graus de tesão. Tesão de amigo, tesão de amor, tesão de primo, tesão de cuca, tesão de... Era infinito os graus de tesão, ela me explicou:
- tipo os céus do Chico Xavier, tá ligado?
Eu não tava ligado. Eu tava bêbado. Eu tava satisfeito de estar ali. Eu queria conversar. Apenas conversar. Eu não queria discutir tesão ou Chico Xavier ou filmes de arte.
Conversar. Tão decente conversar. Um fala e o outro fala. Ninguém prova nada pra ninguém e as horas passam agradáveis entre uma cerveja e outra.
- quero ficar bêbada, cara! quero tomar vodka, cara!
- bebe aí.
- me acompanha?
- nem...
- chatinho você, hein?
Sorri balançando a cabeça. Não entendi nada de nada. Por que alguém que quer ficar bêbado precisa anunciar isso? Por que não querer vodka faz de mim chatinho? O mundo é complicado. Vodka deve ser mais legal pra ela do que pra mim. Vai ver eu sou chatinho. Vai ver eu deveria ter dito:
- pode crer, vodka-bayb.
As cervejinhas me bastavam. Eu não me incomodava dela beber vodka, cachaça ou o que fosse. Eu só não queria beber vodka, cachaça ou o que fosse. Era simples. Deveria ser simples.
- mó caído você não me acompanhar na vodka.
Minha cabeça balançava e eu sorria. Eu pensava que devia sumir, cair fora. Que é melhor ficar só do que ficar numa mesa com um mulher que acha que discussão é o maior barato.
Ela também falava "questões", "contemporaneidade", "geração Y" (ou "X", tanto faz) e, como não podia faltar, "transcendência" e "atitude zen".
Conversar. Apenas conversar. Parece tão decente. Não precisamos foder, não precisamos sentir tesão, não precisamos de questões. Conversar é uma coisa simples, não é?
- o que você não entende é que tudo, tudo mesmo, têm um significado. Não há acaso, há destino. Tudo fala. Seu corpo fala, sua respiração fala. Tá tudo conectado, cara... não há coincidência.
Eu fazia contas. Deveria ir embora assim que a vodka acabasse. Talvez pagar a conta direto no balcão e desaparecer. Talvez dar tchau e levantar. Eu precisava sair. Eu estava satisfeito, já disse. Mas precisava sair, sumir, etc. A saideira e a conta pedida direto pro garçom foram a solução. Sem consultas, sem histórias, sem "caras" e sem "caído" isso ou aquilo.
Vem a conta. Há um milagre no ar, mas ela se esqueceu que coincidências não existem. Ela tá no telefone e é a minha brecha. Deixo a metade do dinheiro, engulo meu copo e faço sinal pra ela de que "vou nessa". Antes dela falar me levanto e me despeço. Sou simpático e digo "até a próxima".
Na rua a vida volta a ficar boa, ter dinheiro pro táxi é outro milagre que ela não percebeu. Tenho whisky em casa e um maço cheio no bolso. Finalmente converso. O taxista é um cara bacana que gosta de música boa e têm uma foto da patroa no carro. Selma, o nome da patroa. Casado há 8 anos e continua apaixonado, ele diz.
- minha mulher é linda, tá vendo? Claro que é difícil, mas eu sou apaixonado por ela até hoje. Amanhã é dia da gente sair. Todo sábado saímos. A gente vai prum barzinho perto da área e fica bebendo e conversando. No domingo a gente almoça na casa dos irmãos dela.
- mas vocês nunca brigam?
- claro que a gente briga, pô... mas olha pra ela... ela linda ou não é?
Mexo minnha cabeça dizendo sim enquanto reparo nas belas sardas que a mulher dele tem. Digo que mulher sardenta é um charme e ele retruca sem nem pensar no que diz:
- não é? E nos peitos então...nossa senhora!!!!
Ele ri e eu também. Saindo do táxi eu solto um "bom passeio com a patroa amanhã". Ele diz que amanhã a coisa é séria, que vão num baile aí e que ele terá que dançar. Ele nem gosta de dançar, mas dança com ela, ele explica.
- as mulheres gostam de dançar, você sabe.
Resmungo um "sei, sei" e dou boa noite.
É sexta. É quase uma da manhã. Subo pra casa e lembro da Selma Sardenta.
Se ela tivesse falado sobre "tesão em sardas" eu teria entendido o que ela disse. Mas ela não falou sobre isso e eu não entendi.
É... devo ser mesmo chatinho.

27 de novembro de 2010

O-l-í-v-i-a.

Mirar o pau como quem vê um abismo.
E gosta do abismo e é amigo do abismo.
Mirar o pau porque assim se carrega a alma.
Diante do abismo há a buceta perfeita,
com flores e cheiros e orgasmos verdadeiramente violentos,
desses que na contração quase lhe arrancam o pau.
Abismos e mulheres que podem lhe arrancar o pau são como o próprio sentido da vida - e isso supondo que tal sentido que não existe, exista.
As flores aprecem sempre depois.
É decente.
Primeiro existir e só depois adquirir alma.
Porque sem alma não há abismo nem altura nem...
Alma.
Fetiche por almas retraídas ou por almas que têm medo de ser almas ficou pra trás.
Liberdade é outra bobagem que só se pode acreditar após certas coisas.
Como abismos, como bucetas floridas, como ataques de ternura quando a ternura ainda estava fora de moda.
Suportar-se à si
e dizer que o idiota diante do espelho
é você mesmo.
E sofrer um pouquinho,
e lembrar de nomes lindos,
e sonhar com as mulheres lindas que inventa
e que nem precisam existir.
Como um treinador de cães
que adora os cachorros
após muito treino.

25 de novembro de 2010

fifiti/fifiti.

Quiçá que seja
ou não seja.
E isso faz tempo
que tempo faz,
mas nunca me acostumo.
Culpa dessa vaidade
de querer mais.

Quem sabe com raiva,
quem sabe sem jeito,
quem sabe a palavra certa
acerte e seja nunca.
Ou sempre.

Quem sabe quiçá de repente?
Que também gosto de festa
e também sinto tédio.
Que há bucetas boas
e fumos de qualidade
e as noites lentas
onde mesmo o durante
provoca saudades.

Quiçá num dia cinza,
onde uma garota estrangeira
que não fale a minha língua
diga algo que eu não entenda
para dizer que a chance
é sempre igual:
erra-se bem
ou
acerta-se mal.

24 de novembro de 2010

o cretino com asas.

ele voa. e a cada três meses se manifesta. nesse caso, a cretinice é não saber morrer.
morrer decente, de terno, como foi o Seu Batata, pai do Tél. a vida inteira um bebum de chinelos.
mas no caixão a morte decente e formal: terno, algodão no nariz e mãos sobre o peito.
mas o cretino não. o cretino não entende nem mesmo que morreu e que, como morto, deve estar num caixão, desfrutando a paz gelada e inevitável de quem está embaixo da terra.
mesmo lá de baixo o cretino põe suas mãozinhas pra fora. é como um filme de terror b que se esquece do humor que ser 'b' deveria ter. mãozinhas em agonia que se levam à sério.
o cretino é isso. leva-se à sério e nem desconfia da estupidez que lhe é própria e percebida por todos. o cretino é puro e cheio de boas intenções.
ele dança, ele ressuscita, ele multiplica peixes e faz ressalvas sobre suas ações estúpidas. o cretino é sempre sincero e, ainda pior, sensível. ele sempre faz questão de dizer: sou muiito sensível.
quando ele tira férias, ele anuncia: vou tirar férias.
quando ele come sushi, ele diz: comi sushi.
quando ele participa de uma promoção, ele põe o site no facebook para os amigos desfrutarem: www.cretinofeliz.com e, na mesma hora, ele curti a si mesmo.
o cretino sempre curti a si mesmo, além, claro está, de compartilhar qualquer coisa com qualquer um.
quando o cretino morre, ele não morre. porque o cretino é eterno e sempre será. a cada aniversário de morte do cretino haverá uma festa. se há uma chance do defunto-cretino aparecer, ele aparecerá.
o cretino sempre aparece.
além de curtir à si próprio, ele é coerente: nasceu cretino, viveu cretino e morrerá cretino.
e... bem... para o cretino...a morte... - até ela - ... é apenas uma passagem.

22 de novembro de 2010

Os infernos são particulares e assim devem ser.

O mínimo de dignidade é isso: levar à sério os próprios infernos: sem excesso de simpatia e sem sorrisos abertos que não dizem nada.
Minha desconfiança com gente simpática demais é uma tônica.
Quem, que possua alma, confia nesse eterno otimismo TUDO LEGAL?
Prefiro o tio Buk que, como diz o Bortolotto (tio também), "descobre a pérola no fundo do copo".
E isso é gosto. E gosto, a gente sabe, não se discute. Só os chatos discutem tudo - incluso gostos.
Seja como for, peido alto e sinto o cheiro fabricado nas minhas entranhas. E isso é real e patético.
Cada um se protege como pode e vive como dá.
Eu entre idiotas é meu bordão da vez.
Participar do mundo não é virtude, é apenas (e apenas!) uma necessidade.