18 de julho de 2008

Se eu soubesse o que dizer, eu diria.

E nem há nada a dizer além do nhém-nhém de sempre. E também há a dureza de admitir que você tem mais razão que eu. E fico quietinho. E me viro e reviro e faço força pra achar os problemas que nem existem. E, as vezes, e que fique claro que nem sempre, mas, as vezes, surge essa coisa que parece outra e que mesmo assim me agrada. Porque há sangue em mim. Porque há sangue em você. Porque a insistência ainda me parece um milagre. Porque eu não resisto à acreditar em milagres.
E nem ligo cré com cré. Nunca fui assim e agora sou. O 1° nem sempre é o mais importante. O milagre sempre surgiu em noites estreladas.
E é tudo bonito e fico sem graça. Só fujo do que me amedronta.
Os milagres são sempre milagres e dependem mais de nós do que nós gostaríamos.

17 de julho de 2008

Ele reclama. Ele sempre reclama.

- Ai, puta merda, os lambe cus estão soltos! Se reúnem diariamente e transitam por bares de música lounge. Dizem maravilhas um do outro e pregam o velho e eficiente a união faz a força. Claro que entre eles há os preferidos. Um que acha que o 2° é viado inrrustido, outro que acha a 5° recalcada demais, e também os que se odeiam de maneira silenciosa e limpa - esses são os mais admiráveis.

16 de julho de 2008

Não sonho mais.

3 tapas na cara. Desses bem ardidos e humilhantes. Raiva brotando e diante de mim 3 santos insuportáveis. 1 tapa de cada um. 1 fila de tapas. Eu apenas os recebia com raiva e resignação. Eu não podia revidar porque os 3 eram santos. 3 santos feios, mas santos. Me ajoelhei e fiz um belo risco no chão que se rompeu quase que imediatamente. Os 3 santos feios ao invés de caírem ficaram alí, flutuando, como se nada tivesse ocorrido. Me levantei e olhei pra eles com bastante calma. 1 não tinha boca, outro não tinha olhos e o 3° não tinha pés. Fiquei intrigado com aquilo e berrei:
- Puta que Pariu! Era o que me faltava! 3 Santos idiotas e deformados...!!!
Quando acordei olhei pra mulher que dormia comigo. Conferi e estava tudo lá: os olhos, a boca e os pés. Voltei a dormir aliviado.

14 de julho de 2008

Zumbi Sensual.

A cabeça daquela mulher parece estar descolada do pescoço. 3 centímetros que sobram num pescoço que é bem torto quando se repara bem. Os malditos olhos pretos bóiam numa paz conquistada com muito álcool e cinismo.
Ela chega e cumprimenta todo mundo. Tem um andar lento de elefante, embora seja magra. Senta na mesa e puxa papo com todos. Tem a voz triste e melancólica, mas sorri sem parar. Se ela tivesse apenas a voz triste e melancólica eu me apaixonaria por ela. Não é o caso, graças a Deus.
Ela fala sobre você com terceiros, mas você duvida de si mesmo e se esforça pra não se levar a sério. A melhor amiga dela lhe olha com raiva e pena e você acende outro cigarro. Não preciso gostar de todo mundo é o que você pensa. Você se sente calmo e tranqüilo, sua indiferença ainda é eficaz.

10 de julho de 2008

O " se - mágico " do velho Stanis.

Se eu morresse hoje
seria muito belo e trágico.
Morrer aos 26 é sempre uma tragédia bonita.
-
E todos lamentariam sobre todas as coisas que eu poderia ter feito,
e meus colegas falariam do meu talento
e as mulheres que comi falariam do meu pau tremendo e enorme.
Meus 2 amores diriam que sou inigualável e que jamais conseguirão amar alguém como me amaram.
E eu seria um espírito muito faceiro vendo essas pessoas dizerem essas maravilhas de mim.
e sorriria indiferente já que estaria morto.
A dor seria ver meus pais sofrendo,
minha irmã me enterrando
e minha avó de 80 anos deixando o neto no chinelo.
Ser mais uma morte para o meu benzinho também seria de uma dor sem fim que aqui nem conto.
E minhas sobrinhas guardariam minha imagem como se eu fosse um fantasma risonho e idiota
e todos meus primos lembrariam das minhas gracinhas com uma melancolia que nem eles prórpios conheciam.
E haveria a dor senil da minha Tia Rosa
e a desconfiança sem certeza de que alguém não voltou pra casa do meu cachorro amarelo.
-
Se eu morresse aos 26 anos
eu seria aquele que poderia ter sido
tudo aquilo que nunca saberíamos
se acaso eu realmente morresse.
-
O suor escoando no ralo
em um piripaque fatal durante o banho,
as lágrimas sinceras até de quem me odiava.

-

Se
eu
pudesse
ser
outro,
eu
seria.

Isso,
de
poder
ser
esse,
me
angustía.

7 de julho de 2008

Relatinho:

Sento no balcão e sorvo meu veneno. O prazer louco de uma solidão inventada. Tudo bem lento e agradável. Olho pros lados e vejo essa gente sem cara e sem alma que me agrada. Me sinto muito bem acompanhado.
Termino mais uma nova histórinha do meu escritor bêbado e lembro como é bom o ler assim: as palavras mal iluminadas pela luz fria, uma olhada ao redor a cada parágrafo, essa gente feia e suja que me agrada. Me pergunto porquê, mas sem realmente pensar numa resposta.
A história é boa e o veneno faz o meu sangue circular mais lento e constante. Lentidão e constância, uma trepada perfeita.
Penso em tudo que me aborrece e porquê, afinal, sinto tanta raiva. Minha vida é boa na média. Dinheiro que não é meu, mas que me facilita, algum reconhecimento aqui ou ali e uma buceta que você ama fuder como puta.
O veneno sempre facilita as coisas. É um preço que se paga. Os milagres mais bonitos sempre foram os mais inacreditáveis. Explicações que parecem brilhantes no meio da merda no fundo do rabo.
-
Quando atravesso a rua tem uma criança que está de mãos dadas com a mãe. A mãe a arrasta dois passos à frente, mas, mesmo assim, a criança parece muito feliz e satisfeita e fala o que só uma criança de três anos pode falar. A mãe não dá bola, pois está acostumada com isso.
E eu insisto em achar o mundo bonito e triste. Como deve ser.

6 de julho de 2008

vontade de casar.

muito cigarro e um ódio tremendo por conta da fome.
sua mulher não para de falar e você deseja que ela escoe pelo ralo junto com o esmalte vermelho.
a mulher amada é sempre a mais terrível.
um sorriso exagerado que você gosta e implica,
uma confusão que não é sua, mas da qual você acaba participando.
histórias que você ouve com sofreguidão.
-
e cheio de sacolas na rua vazia de horário de almoço de domingo
você descobre que, mesmo assim, você a ama.
ela de alguma maneira percebe sua irritação e lhe deixa em paz.
arruma a comida, não pede ajuda, diz fique à vontade...
-
você se repete e senta pra escrever,
o cigarro na mão e as pernas cruzadas.
da cozinha uma voz calma lhe anima:
bayb, quando você quiser vamos comer.

1 de julho de 2008

*

Sua doçura é excesso de açúcar. Seu desinteresse é apenas esforço. Sua masculinidade é apenas ódio do mundo.
Arranco os papéis colados do caderno e ligo meu eficiente foda-se. No meio da merda espalhada só sobrevive minha vitalidade egoísta e doente. O prazer de inventar o que não existe ainda é dos melhores. Então vou que vou e berro minhas verdades pra idiotas inexistentes:

29 de junho de 2008

Domingo.

Acordamos devagar e trocamos alguns carinhos, nada demais: aperto no braço, encochada de pau mole, essas coisas.
10 ou 15 min. de preguiça na cama.
Ela levanta num raio e antes de mim. Alguma surpresa, mas nada demais.
Ela liga o computador. Rápida e veloz. Eu resmungo da cama:
- Viciada...
10 ou 15 min. de preguiça na cama.
Faço café e lavo a louça. A porta fechada porque a cbn tá no ar e o radinho não tem lá um volume muito confiável. Tudo bem lento e matinal. O radinho anuncia: 11:32; 11:45, etc. Café pronto e só faltam as panelas pra lavar.
Abro a porta e as cortina e ela na frente da máquina. Está louca e angustiada. Sofre pelo que nem entendo. Ela reclama, ela chora, ela lembra das violências sofridas. Ela é a própria tragédia as 12:32 de uma manhã de domingo. Agradeço ao Bom e Triste Deus por eu ter acordado calmo e suave.
Ouço tudo e a consolo na medida do possível. Ela chora e reclama mais. Ela senta no meu colo e eu conto minhas histórias. Mil bla-blá-blás e também o velho e eficiente:
- Calma...não pensa nisso agora...agora você não tem condições de pensar...
Mil coisas ditas e esquecidas. No meio de tudo a única possibilidade que parece mesmo proceder. Vamos pra praia e o combinado me agrada: bebo uma cervejinha enquanto ela mergulha no mar que tanto adora. Na 1° cervijinha um papo tranqüilo e calmo. Ela bebe água de côco.
- O mar tá meio bravo...
- Fica depois da rebentação...
- Hum...não sei...
- Quando eu era criança sempre ficava depois da rebentação...meus pais ficavam na pousada e eu no mar, mais ou menos a essa distância...
- Eu também ficava. Acho que era porque sabia que minha mãe tava me olhando. Você também só devia ficar por isso...
- É, pode ser...(tempo) Vai lá, eu fico te olhando...
Dois órfãos num domingo. Eu longe dos meus e ela longe dos dela. Fico pensando nessas coisas enquanto a observo andando na areia. A bela bundinha dela rebolando ainda mais. Penso que pode ser a força que a perna faz pra andar na areia ou então o fato dela saber que olho a bundinha dela. Tanto faz.
Acompanho ela até onde posso. Há uma grande área a esquerda onde eu a veria com toda tranqüilidade, mas ela vai pra direita entre as barracas e a muvuca de gente e guarda-sóis e cadeiras. Penso que tipo de rebeldia será essa. Quando ela tem alguém pra a olhar depois da rebentação, ela resolve se esconder.
Outra cervejinha e uma calma boa. No meio das cadeiras eu vejo o cabelo dela. Só o cabelo. Olho a cada parágrafo ou gole. Livrinho bom, cervejinha nem se fala, uma mulher bonita e triste resolvendo sua vida com algo tão besta quanto o oceano.
Vejo uma criança e penso em ter filhos. Lembro da minha mãe querendo saber se nós nos cuidamos.
Ela volta e faço questão de mostrar que a observava esse tempo todo. Reparo nos vagabundos que olham pra sua bundinha, mas nem ligo. A vida é boa porque ela foi no mar e voltou sorrindo.
Ficamos ali e comemos um peixe que nem custou tão caro. 20 reais prum domingo agradável. 20 reais que não são meus, mas que tornam a vida suportável.
Alguns papos e algumas reclamações. Somos 2 tipos que reclamam. Ela imagina nossos filhos reclamando ainda mais e a gente sorri. Falo que talvez eles nem reclamem já que os pais são reclamões e a gente sorri de novo.
A tarde passa lenta e voltamos pra casa.
Uma torta no shopping e outras miudezas que nem vêm ao caso.
Não houve nenhuma perfeição ou milagre, mas foi um dia simples e agradável.
No caminho de volta ela procura minha mão pra que andemos de mão dadas.
O mundo ainda pode ser bom, eu penso.

28 de junho de 2008

etc

Eu mesmo sozinho como sempre. Minha intuição de ET me retraindo. As pessoas que adoro e que me contam histórias velhas e chatas. E essa enorme clareza de que o problema sou eu e que as pessoas, na média, são bem mais disponíveis do que eu.
Eu-durão, eu-babaca, eu sendo do contra por uma vaidade doentia e triste.
Mania de quem sonhou que era anjo e levou isso à sério.
O tédio profundo, o papo com o taxista, a lembrança de que uma moça simpática tentou conversar comigo e desistiu. Eu mesmo com toda a falta que sempre sinto.
Como seu eu mesmo fosse mais do que sou. Como se houvesse um milagre melhor do que as coisas legais que têm acontecido.
Está claro que não tenho do que reclamar e reclamo mesmo assim. Porque minha natureza é imbecil, porque a Natureza é imbecil, porque nosso campo de ação é mesmo mais limitado, porque só desejamos aquilo que não temos.
E o taxista me deseja 'saúde e paz', que é algo que meu pai sempre diz. E em casa ela sorri calma e pergunta coisas boas de se responder.
E o mundo corre e o ET dentro de mim me perturba.
E continua aquela insatisfação sem sentido.
Etc, etc.

26 de junho de 2008

Merda Velha.

Não há princesas nem virgens.
Algum tédio e a repetição de si mesmo.
Um cara durão com cara de bolacha não é convincente.
Uma bunda bonita que ri de você quando a tara.
-
Apenas o desvio de 1/2 quadra pode ser uma gentileza. E gentileza nem é bom caráter, é apenas educação antiga e maníaca. As delicadezas de um vampiro que chupa sangue por obrigação. E lembro que nunca achei o sangue da menstruação nojento. E lembro que na escola me disseram, pra minha surpresa, que a coisa mais pura que saía do corpo humano era isso: sangue de menstruação e sêmem de homem. E, ainda chocado, entendi o mundo quando lembrei das outras coisas que saem do nosso corpo.
E ainda resistem alguns mistérios: 1 - toda vulgaridade é fetichismo, 2 - todo amor teme apenas a si próprio, 3 - a vulgaridade só tem sentido como jogo de cumplicidade. Sabedorias que surgem dentro dos biscoitos da sorte dos restaurantes chineses da Av. Atlântica.
E assim como o gato lambe o próprio cu por ser capaz disso, eu mantenho esse blogue. Minha língua pode ter sido mais comprida, mas agora é mais eficiente. Maneiras de se proteger de um mundo mau.

24 de junho de 2008

meu doce umbigo, eu digo:

Meu saco são duas bolas de chumbo que me puxam. Pesadas e feias. No entanto me orgulho da força que elas exercem. Demoram pra pegar no embalo, mas quando vão me levam junto e acho que sou eu mesmo o dono das minhas pernas.
Elas produzem um esperma preto e encantador, diferente de todos os espermas que as mocinhas dos filmes costumam espalhar no próprio corpo.
Nesse momento elas me estão na beira da cadeira e sinto que, a qualquer momento, elas podem rolar pro chão. E isso fará com que eu vá junto e fique lá até me recompor. Portanto me ajeito na cadeira e deixo a coluna reta. Elas, mais atrás, quase me espremem aqui. Melhor assim, pois a chance da queda diminui bastante. E nunca gostei de cair, afinal.
depois:
Levanto calmo e vou até a cozinha. O cheiro da pizza parece o mesmo cheiro da virilha dela. Coisas que não se explicam, mas satisfazem.

19 de junho de 2008

Pra mim: do Aramico

Para meu doce
amigo
de sujo umbigo eu
digo isto:
Uma pérola só
tem valor fora da
ostra,
Antes disso é
um caroço
machucando o
marisco.
(obs: o engraçado é que faz sentido. o curioso é que ele, através disso, prova que entende tudo. o humor da coisa toda é o que vale: eu falo o que só eu falaria e ele diz o que só ele diria - e nem somos um casal... é sempre bom gostar de quem lhe discorda. a liberdade aí é mais possível, mesmo que sem trocas de roupas. não é? )

17 de junho de 2008

e tenho dito!

bem claro e direto:
gosto de gente. pode até não parecer, mas gosto. é apenas porque sou tímido em público e porque sempre acho tudo chato e falso pra cacete. dos 3 que importam os 3 não fazem questão de parecer o que não são. 1 vai lá quase sem graça e dá o seu recado, outro é ótimo mesmo sendo afetado e o 3 tem o único defeito de ser cuzão. e mais não digo, além de outras mentiras:
  • - a mocinha me olha com ternura, mas é devassa. seu único tesão é saber que estou bem acompanhado.
  • - sem problemas e vamos que vamos. eu desconfio de você assim como você desconfia de mim. minha arrogância é não trocar de figurino. somos merda do mesmo cu sujo, meu querido.
  • - meu benzinho nega, mas adora essa porra toda. tá mais implicante por influência assim como estou mais elegante pra a impressionar. o bom é saber disso e crer que meu benzinho sabe disso também.
  • - meu amigo querido: sou curitibano mesmo. mas o que você não diz é que há todo um desejo de, de fato, não participar dessas coisas que só dizem respeito à quem se leva à sério. e isso de não se levar à sério é toda a minha ambição que você já escutou em bares mais sujos e aconchegantes. merda do mesmo cu sujo, embora possa não aparentar.
  • - aleatório: vou, desde hoje, lhe negar os cigarros que tenho e que não me fariam falta. é que você sempre pergunta como estou antes de me pedir algo tão honesto como um cigarro.
  • - minha solidão me comove e ganha novo valor, pois agora é exceção. cago com um gosto tremendo porque deixo a porta aberta e faço todos os sons verdadeiros que solto. o som está alto e todas as luzes e aparelhos ligados. a liberdade tem sempre mais valor depois da prisão. meu velho discurso cristão, afinal.
  • - com seu cabelo de fogo você chega mais longe do que imaginaria. sua graça é ser legal e não ser agradável. saia da casquinha e exagere no desejo-de-falta-de-pudor. sua potência me agrada e vou com sua cara de maneira gratuita. quem precisa de aprovação é calouro e isso, definitivamente, não é o seu caso.
  • - tenho vontade de conversar com você porque você pensa. mas desisto porque sua esquisitice é quase um tipo e isso nem me agrada. seu tipo seria melhor se você fosse apenas o que é: uma solitária que faz piadinha da própria desgraça. você deveria fazer piada do seu próprio desejo de ser engraçada.
  • - o duro é ter que concordar com um idiota que tem mais de 25 e usa boné: cerveja com gorgonzola é mesmo imbatível.
  • - penso na possibilidade de ser gay olhando uma bicha muito bonita que me impressiona, mas desisto quando lembro que ele tem pau.2 paus é meu tabu, eu concluo. um homem que tivesse cortado o próprio pau eu olharia com mais carinho, ainda que sempre desconfie de quem se mutila por conta própria.
  • - táxi é solução pra se sentir livre. 6 reais ao invés de 2,10. quase dentro de casa eu me lembro: há sempre aquele discurso bonito de quem se comove com as dificuldades da vida.
  • - e concluindo: quero morar na mesma casa que meu benzinho, mas preciso ter dinheiro para ter uma casa grande o suficiente pra exercer minha solidão mesmo sabendo que dormirei sempre ao lado dela. é complicado, mas resolvi: dinheiro pra viver e dinheiro pra seguir.
*
e agora sim eu calo:
*
me sinto ótimo, afinal.
quase chato, afinal.

12 de junho de 2008

7 de junho de 2008

Doce gêmea.

As pequenas diferenças
entre mim e ela
no amor:
Eu gosto de butecos
e fedor.
Ela gosta de vernissages
e glamour.

5 de junho de 2008

***

Cada vez mais doce e dedicada
ela me frita bifes as duas da tarde.
Purê de Batata e Vagem com Manteiga.
Nada do que eu comeria
se ela não estivesse aqui.
Eu agradeço a comida e ela
diz que gosta de me alimentar.
Beijinhos na boca e bom apetite.

4 de junho de 2008

realatinho: a vizinha quando passa...

A vizinha mais simpática que o hábito. Estranho, bem estranho. Ela sempre com cara de má. Daí que a encontro no elevador de baixo e ela tá com um sorriso imenso e diz quanto tempo. E eu digo pois é. E ela tá com uma amiga que nunca havia visto, mas que tem uma cara tão amável quanto a dela. Penso em amantes lésbicas e logo desisto. Não por nada, mas porque isso nunca explicou simpatia. Não pra mim, pelo menos. O nosso papo continua.
- Tá sumido.
- Tô nada. Eu sempre te ouço cantando.
- ( riso sem graça, quase uma garotinha) Ai, ai, desculpas...
- Nada. Fica tranqüila. Nem me incomoda.
- Que bom, que bom ( ela diz enfiando a cara na porta do elevador, o que é uma grande ousadia pra nossa 'relação') .
Subo desconfiado e sou recebido com surpresa e susto. Maravilha. Abro uma cervejinha e cago num único movimento: lento, progressivo e eficaz. Dou uma tragada e concluo:
A Vizinha tinha bebido.

1 de junho de 2008

A. F. D. C.

Um novo projeto, uma nova punheta. Compro um livro novo pra começar. Um livro da pesada, desses que tem que se ler quando se pretende ser artista. Ao mesmo tempo que me sinto estúpido vejo que não há saída: querer - se artista é mesmo um tipo de pretensão. E é por essas que me seguro e sento minha bunda pra ler um livro cascudo. Leio como quem suga uma alma: lento e sem euforia. Deixo as frases e ideias irem me tomando. Resisto pra não me levar à sério de maneira precipitada. Nada de definir possíveis cenas, nada de criar uma trajetória dramática possível. E li o Sr. Gzinho que fala muito sobre a tentação. E ouço o que ele diz e faço com que a tentação aumente com a minha resistência. É um tipo de prazer frio que eu sinto, um prazer que vem do cérebro forjar as próprias sensações. Não sei se sei explicar, enfim.
E claro que faço isso tudo com um copo cheio do lado. Porque esse copo me ajuda a ser frio e pretensioso e também me ajuda a não me sentir um idiota por querer ser um gênio. Sim, sim, sim, eu também quero ser gênio. E, sim sim sim, se penso nisso me sinto idiota.
E conforme o copo esvazia vou ficando mais condescendente com as minhas ânsias idealistas. E confesso: é melhor ser mais condescendente consigo próprio, ainda que na louca pretensão da genialidade.
E leio que leio. E fumo que fumo. E bebo que bebo. As coisas borbulhando e a crença de que ainda é possível. Mais uma gota contra o tédio, mais um brinde pro copo vazio. Numa noite chuvosa de domingo as minhas possibilidades são as mesmas e ainda acontecem no mesmo lugar: em baixo do meu abajur.

30 de maio de 2008

Paulo Fernandinho Coelho.

Essa vida triste e bonita. O lance é segurar a ansiedade. Os momentos fantásticos vêm só de vez em quando. Nada de tão extraordinário e, no entanto, a gente vai que vai e segue que segue. Tem dias que é bem bom acordar de manhã: ela mais carinhosa que de hábito, mais beijoqueira. Uma delicadeza de pernas entrelaçadas que é difícil de explicar. Então você começa o dia entendendo que você tem que ter calma mesmo. Que as coisas acontecem mesmo que você não note. Que a vida não é aquilo que você esperava que ela fosse. Que a vida já vem acontecendo a mais tempo do que você imagina.
E tá tudo muito bem, embora nem sempre ocorra milagres.

29 de maio de 2008

toda vez que acordo tarde.

raiva súbita e desnecessária.
vontade de morder o próprio dedo,
de bater na mãe,
de passar álcool no pau.
mas
daqui a pouco volta o paraíso
e os milhares de anjinhos pelados
com seus pintinhos sem pentelhos.

26 de maio de 2008

Esse chiclete de merda na minha barba. Nem sei o que faço. Descobri ele agora, mas já deve estar grudado a mais tempo. Sabor tutifrutti o desgraçado. E tá de tal maneira que passo a língua e sinto seu gostinho. O desgraçado mantém o açúcar apesar de tudo.

Melhor é nem fazer nada. Deixo ele lá grudado que ninguém sabe mesmo. Se não lambo ele hoje eu lambo amanhã.

Outras Mentiras.


21 de maio de 2008

lógica infantil: genial.

(by Inaie Duarte)

Laerte

ROUBADO DA SR. FERNANDA D'UMBRA, MOÇA DE MUITO BOM GOSTO.


*

Daqui donde eu vejo, eu digo: sou chato, sou chatérrimo. Quase qualquer merda pode me incomodar. E sei que é merda, mas me debato com isso. Não gosto sempre de quem eu sou e nem da minha falta de tranquilidade. Acho até 'bonitinho' eu não ter aproveitado as chances de suruba que tive, mas preferia ter trepado com essa gente sem alma que já apareceu. Eu, aqui, sou uma criança, ela diz. Ou o homem caverna que, pelo menos, tem humor. Tudo muito divertido e cínico, como dever ser, afinal.

19 de maio de 2008

&

Essa bundinha até parece um sol. Olho pra ela e vou ficando quentinho. Branquinha como o quê e com 2 curvinhas em cada banda. Meu pau ficando duro por cada curvinha: 4 x duro. Meu pau duro fica feliz. Eu também, afinal. A bundinha passeia pra sair do banho, passa toalha pra secar e creminho pra ficar macia.
Anda devagar e empinada pra abrir a geladeira e beber água do gargalo. E eu só finjo que leio enquanto coço a cabeça do meu pau.

15 de maio de 2008

i love you.

O fato é que eu não tenho o que falar. E é por isso que eu me repito nas velhas formas. Porque aquilo sou eu ao avesso no meu estereótipo antigo e já superado por nós. Porque eu não sou meu umbigo e você também não é envenenada. E essas coisas acontecem pra que eu, que sempre falo muito e sei de tudo, fique burro e em silêncio. Porque falar disso é sempre pouco. Porque ninguém vai entender nunca e porque sempre haverá os olhos dos outros sobre nós. E eles não importam porque eles não sabem das tardes e dias e noites e berros e gemidos e beijos. Porque eu sou outro contigo. Outro que me agrada mais, mas que me obriga a assumir as fraquezas e ficar cheio de remelas nos olhos. Porque agora tem essa luz terrível lá no fim de tudo. Essa luz que dá medo porque cada vez mais e mais e mais e mais. Porque sinto saudades da minha potência aparente e do meu mundo simples e auto suficiente. Porque desprezar é simples e mentir encanta. Porque, afinal, o amor dói e aumenta o medo da morte.

14 de maio de 2008

____

Não sei se toco uma punheta com esse pau mole desgraçado.
_
A Filha da Puta não me chupa a 3 semanas. Eu pedi com toda delicadeza possível e ela disse que não era assim que essas coisas funcionavam, que tinha que vir de dentro, de ser um ato espontâneo. Blá-blá-blá. Espero apenas que essa coisa de dentro surja quando eu estiver por perto. Porque se não é bem capaz dessa espontaneidade toda me enfiar um par de chifres. Aí eu vou tá na merda de vez. Prefiro ser punheteiro do que corno. E todos meus amigos sabem que sou paranóico com essa coisa de corno. Já fiz o diabo pra descobrir um chifre e nunca descobri. E o pior é que o fato de eu nunca ter sido corno só me leva a crer que eu serei. É uma vida desgraçada essa.
E agora essa Filha da Puta deu pra regular o sexo. Fica alí com a bunda empinada e se ofende quando eu me aproximo. Diz que eu não sou romântico e que só gosto dela por causa da buceta. Como se buceta não fosse motivo suficiente. 3 semanas sem uma chupada e 16 dias sem trepar. É foda. Assim não dá. Aí é melhor voltar aos velhos hábitos, ligar pras mesmas piranhas de sempre e voltar a fazer aquele sexo sem alma que, pelo menos, eu fazia.
Mas não, eu tinha que ser um viadinho fresco. Tinha que ter essa mania de sexo com alma. Porra. Enfia a piroca e futuca pra ver se a alma sai. Nunca se sabe onde cargas d'agua a alma se esconde.

12 de maio de 2008

1-

ESSES GRITOS QUE ELA NÃO DISSE E QUE ME TORTURAM.

QUE A LOUCURA VENHA RÁPIDA E NUM ÁTIMO DE DOR E RAIVA.

NÃO QUERO O SORRISO TRISTE DA CRIANÇA QUE NÃO TEM MÃE.

NÃO QUERO O CARINHO LIMITADO DE QUEM NÃO TEVE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

NINHARIA POR NINHARIA EU PREFIRO AS MINHAS.

CÉU AZUL É VISTO ATÉ POR CEGO.

ASFALTO CINZA É LÓGICA DE CAIPIRA-CULT.

-

E TODOS OS MEUS SONHOS SÃO BELOS E TRISTES,

E SÓ SÃO BELOS PORQUE SÃO TRISTES E NÃO O CONTRÁRIO.

E AS DESCULPAS QUE EU OUVI NÃO ME CONVENCERAM E

OS MEUS PAIS SÓ ME AMAM PORQUE NÃO ME CONHECEM

E AS MULHERES FRIAS QUE EU COMI ERAM APENAS PERNAS ABERTAS COM PÊLOS NO MEIO].

-

( E FICO EM CASA SONHANDO SOZINHO

E PENSO NO MUNDO E ACHO UMA MERDA

E PENSO NA IMAGINAÇÃO E ACHO UMA MERDA

E VEJO EU MESMO NO ESPELHO E ACHO UMA MERDA COM HUMOR.

"O HUMOR, OH CÉUS, O HUMOR":

A ÚNICA SALVAÇÃO DOS IDIOTAS PREPOTENTES).

-

E LÁ FORA HÁ GENTE DE TUDO QUE É TIPO

E TODOS ELES SÃO ELES E, EM NENHUM DELES, HÁ NENHUM RESQUÍCIO DE MIM

E EU OS DESPREZO POR ISSO.

PORQUE SOU PREPOTENTE,

PORQUE SOU IDIOTA,

PORQUE ESCREVO PARA SER LIDO PELA MULHER QUE TOMA BANHO NO MEU CHUVEIRO.
-
( E REPARO, QUASE SEM VIDA, QUE OS MORCEGOS FAZEM UM BARULHO FINO E SEM DEFINIÇÃO E LEMBRO QUE SÃO OS ÚNICOS MAMÍFEROS QUE VOAM DAS PEGADINHAS DE ESCOLA QUE DANIFICARAM MEU CÉREBRO).










*

Minha mesquinharia gosta de boa companhia e é por isso que ando com poucas pessoas.
-
Claro que gosto de falar merda e ser admirado. Não gosto é de pedir coisas, mas gosto de exigir. Diferença mais sutil do que imagina a criança velha com quem gosto de rivalizar mentalmente.
Dane-se.
Eu me sinto muito bem, obrigado. Não peço migalhas publicamente e nem faço questão de parecer bem informado e/ou pop-com-muitos-amigos. Meu orgulho é de outro tipo: é nunca ter ido ao "Democrático", é nunca ter nadado no mar de merda de Copacabana.

11 de maio de 2008

Homenagem ao Dia das Mães.

Qualquer idiota com o mínimo de decência já pensou em comer a própria mãe. O Sr. Freud falou disso e vamos combinar que o Sr. Freud era mesmo um judeu espertinho. Ele deu o nome do outro, o Édipo, que, enfim, chegou as vias de fato com mamãe. O que não é bacana e sim sim, Sr. Fátima, é tabu no sentindo tão profundo que você queria que eu dissesse e eu não disse.
Mas o fato é que mãe é mãe e que todo o resto gira em torno disso. Uma vez, conversando com o Aramico, eu disse e ele aprovou: o único amor real é o de mãe. E ficamos os dois bebendo, lembrando de nossas mães e as coisas que elas têm e que todas as outras mulheres nunca vão ter. É mesmo uma pena. Sorte de papai, pelo menos. Ele come sua mãe e se lambuza, e ainda pode fazer isso sem culpa. Uma maravilha.
E mãe é pra vida toda. É aquela buceta sagrada pela qual passou*. Aquela que foi dona dos primeiros peitos que chupou, que o alimentou do modo mais brutal que poderia: com as excrescências do próprio corpo. Mãe é a prova que somos todos animaizinhos tristes em busca da própria autonomia.
E afirmo, com os meus 26 anos, que minha mãe é gostosinha pacas. Ela tem 53 e uns peitinhos que resistem ao tempo. A bundinha também, sem marcas aparentes e empinada na medida do possível. Mamãe é um espetáculo e papai continua se dando bem.
Mas o que importa é que quero ter filhos e que, um dia, serei eu à comer a mãe deles. Uma maravilha: até imagino a inveja que eles terão de mim.

* E realmente me sinto muito frustrado por não ter nascido de parto natural.

10 de maio de 2008

-

De manhã tem essa tristeza louca e quase bonita. Uma dorzinha que você lida com certa indiferença porque sabe que passa. Todos gritos da noite e todos os pesadelos de humilhação e desprezo. O mesmo medo de sempre: medo da morte que é o medo do fim, medo do mundo que existe independente de nós mesmos.
É claro que tem que ser assim. É grande e é terrível e é assim. Não é simples e nunca será. Não pra mim que invento manias de grandeza e faço de conta que a vida pode ser mais do que é.
Sou bem infantil, afinal.

9 de maio de 2008

-

Durmo demais e fico num puta mau humor. Todo café é pouco e a rotina é parecida.
Vejo os blogues de sempre e outros de estranhos. Comprovo minha matemática que sempre me protege: um péla-saco se afirma na repetição.
Gente demais por todos os cantos. Desesperos parecidos e antigos. Toda opinião é uma vaidade mal disfarçada.
Um friozinho bom e uma mulher do meu lado. Não tenho do que reclamar, mas reclamo assim mesmo .
( E lembro que um chato é um chato e sorrio sozinho me sentindo muito bem, obrigado).

7 de maio de 2008

¨

A técnica dessa piranha é óbvia e previsível: ou me trata muito bem ou me trata muito mal. Alterna de um pra outro sem transição. Tenta me confundir com excessos. Nos momentos em que está inspirada ela aperta seus olhinhos miúdos e faz um tipo de chiado com a boca. Eu aproximo meu ouvido e ela solta uma gargalhada louca. Depois vira de costas e sai fazendo barulho com as botas do exercito que herdou sei lá de que morto.

%

Sem nenhum saco pra nada. Bla-bla-blá demais. Velho demais. Repetido e gasto demais. Já me basta a gorda com cheiro de morango que sentou do meu lado na peça mais estúpida dos últimos anos. Prefiro eu mesmo como sempre. Não quero ouvir o que já foi dito. Não quero saber das mesmas merdas que todos fazem pra se sentir vivo e confortável. Eu sou isso, eu sou aquilo. Uma legião de idiotas e eu no meio deles: falando sobre mim como se eu soubesse algo de oculto.
Não sou modelo de mim mesmo. Não sou grato por nenhuma das minhas trapalhadas. Minhas invenções sem alma eu asfixio rapidamente. Minha vaidade ainda me salva por excessos.

5 de maio de 2008


Sua
boquinha
aberta
me
deixa
satisfeito,
mas
seus
olhinhos
miúdos
ainda
não
me
convencem.

29 de abril de 2008

poizé. clica já.


SE UM DIA VOCÊ QUISER VOCÊ ME DIZ:
-
POSSO SER QUALQUER COISA QUE EU MESMO INVENTE.
POSSO DAR O CU SE ASSIM EU DECIDIR.
O QUE ME IMPORTA É A FORÇA E A RADICALIDADE.
O PARAÍSO OU O INFERNO.
(NO PURGATÓRIO SEMPRE HÁ POSSIBILIDADE DE ESCAPATÓRIA, E É ISSO QUE NELE ME IRRITA.)
OU SIM OU NÃO.
OU SEMPRE OU NUNCA MAIS.
-
QUERO APENAS
UMA FLOR ESTÚPIDA
QUE NASÇA NO MEIO
DA TESTA
DE UM IDIOTA
QUE EU MESMO
DESPREZE
E QUE
EU MESMO
ENGANE.

Passarinhos esmagados na mão.

Alimente meu ego devagar e com volúpia. Eu posso ser meu avesso com mais facilidade do que imagina. Posso mentir tanto que a confusão seja tanta que nem mesmo eu seja capaz de decifrar as bobagens que existem entre o sim e o não. Minha loucura é bonita e comovente. E se eu não a aciono é apenas por instinto de manutenção.
Sim, sim, eu também posso fazer as coisas mórbidas e vulgares que me excitam. Eu também posso alimentar os animais fracos que eu manipulo. Tudo muito confortável e frio: eu acima de todos que não sou eu: rasgando carnes que imploram por perdão, regando flores com a água de coliformes de Copacabana.
Matar com crueldade é mais prazeroso que matar por vingança.
E todas as possibilidades ainda existem apesar do que eu faça. Com um telefonema sou capaz de mudar minha própria vida. Basta convencer uma mulher a me dar o cu pra provar do meu próprio veneno.
Sou comedido por precaução. Sou fraco por estratégia.
Toda profundidade é manifestação de desespero.

26 de abril de 2008

3° cervejinha num sábado às 15:00 hrs.
Benzinho, devo te dizer: agora eu sou um gênio. Esse álcool delicioso no meu sangue e minha leitura e solidão. Nada de mais, mas nada que aconteça quando estou com você, minha senhorinha eleita e decidida.
( E penso que se casarmos devemos ser ricos e termos uma casa enorme. Tão grande que eu fique sozinho mesmo sabendo que você está à metros dalí)
É que tem essa coisa: solidão que dá conta de mim, como se eu me bastasse, como se você nem mudasse minha vida que só muda mesmo contigo. Não sei se sei explicar.
Mas é que pra mim é pouca gente. É mesmo pouca gente que importa. 5 da família que são do sangue e foram dados e não escolhidos. E 1 outra que é você. Que pode me trazer outros, mas que será sempre resultado daquilo que eu quis. E você já sabe que o que eu escolho e decido é minha maior glória e alegria. O que tá fora disso é o imponderável. E o imponderável é real, mas não divertido. Sei lá, sei lá. Escrevo só pra você e nem me preocupo com quem não me entende.

http://depositodocalvin.blogspot.com/


Relatinho

Bem simples e bem direto:
No Coimbra me acalmo e parece que sou eu mesmo. Cervejinha e livrinho aberto.
Os dois adolescentes chegam. Faço que leio, mas só reparo na conversa deles. O de sempre: ele deprimido e ela dando conselhos. Ele mais velho e ela mais nova. Com certeza 16. Garrafa de vodka e uma sprite meio cinza que ainda não vi por aí. Presto atenção na conversa. Perco o interesse e volto ao livrinho. Leio e me animo. Ela interrompe:
- Você tá lendo Bukowski?
- Não. Jonh Fante. Um cara que o Bukowski gostava...
- Parece a capa do Bukowski...
- É a mesma editora.
Falo pro moleque que a acompanha. Quero ser simpático. Comento que trabalho com teatro e fiz uma peça com textos do Buk. Eles falam e comentam. Adolescentes descolados e interessados, um estereótipo às avessas. Ela é bonitinha e já tinha reparado. Ele o tipo pateta clássico: fala de mulheres pra mulher que ele quer pegar. O de sempre. Fazia isso também.
Ela fala mais que ele e revira o piercing da língua que eu ainda não tinha visto. Ela fala:
- A gente tá indo pro bar bukowski. É bem legal lá. Mesa de sinuca...
- Sei onde é.
- O engraçado é que descobri o bar depois do livro que tô lendo dele. Bem legal. Você devia conhecer.
- É, é.
- Um monte de bêbado...
O garoto fala e ri. Ela não. Ela é mais esperta.
- A gente tá indo. Vai um dia. Você vai gostar. A gente tá sempre lá. Tem sinuca.
- Um dia eu vou sim...
- Até.
- Até.
- Até.
Leio mais um capitulo e trago 3 pra casa. Quando chego não tem Internet e leio mais um pouco. Telefono e descubro que o problema é da Net. Relaxo e leio mais um pouco. Penso que Madama Suspiro me lançou uma praga. A Internet volta e escrevo.

25 de abril de 2008

mau humor:

Tem que fazer o diabo e chegar junto. Descobrir endereço, achar telefone, rezar em latim. Tem que ser tanto que eu não suporte. Porque esse conta gotas de bom senso eu mesmo tenho. E até acho comovente e tudo mais. Mas não assim. Não com códigos loucos e indecifráveis.
Arromba a janela e me tira do marasmo. Arranca minha carne e prove minha alma. Velhas regras que inventei e não segui.
Nada me basta e meu saco enche como o saco de qualquer outro. O turbilhão ainda me seduz, a mentira ainda se mistura com a verdade. As mulheres que apanham ainda são cúmplices dos homens que lhes surram.

24 de abril de 2008

22 de abril de 2008

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ADORO ESSAS MULHERES QUE FICAM ME ESTOURANDO ESPINHAS, CRAVOS E OUTRAS MERDAS QUE SAEM DO MEU CORPO. AS MÃOS À POSTOS, OS OLHOS ARREGALADOS E FIXOS. A BOQUINHA CONTRAINDO ENQUANTO O SEBO BRANCO SAI DA MINHA PELE. E DEPOIS O MOMENTO INFALÍVEL:
- OLHA SÓ, MEU AMOR, ESSE ERA DOS GRANDES.
E VEJO AQUELA MINHOQUINHA BRANCA NA UNHA VERMELHA E PENSO QUE A FELICIDADE É POSSÍVEL.

do blogue do solda: clica cá.

(DESENHO FODÃO DE ORLANDO PEDROSO)

16 de abril de 2008

Cada um escolhe suas torturas e suas glórias.


Eu sou eu mesmo e sigo como sou. Não vou fazer concessões para mendigos que me comovem, mas fedem. Meu desprezo é meu melhor e sempre foi. Dona Terezinha que sempre me diz: saiba de si, meu filho, saiba de si. E Dona Terezinha nem sempre emplaca, mas o que me interessa eu uso e fico mais egoísta. E melhor.

exorcismo messiânico

- Sabe como é?
Você olha pro mar e acha bonito. Seus pés tão mais ou menos firmes na areia suja de Copacabana. Os bichos rondam sem parar.
Você se distrai vendo aquele mar cinza que é o mar de Copacabana e ouve os pequenos grunhidos que se aproximam. Milhares de ratinhos à sua volta. Mostram os dentinhos e arregalam aqueles olhos pretos e sem pupila. Param e coçam o fucinho quase com ternura. Você sente asco, aquele bicho nojento que mora no esgoto e que revira na merda. Você faz o que o pode fazer: bate palmas e chacoalha os braços. Faz um Xô! Xô! com a boca e eles recuam sem muita pressa, sabendo que daqui a pouco voltam.
Os piores são os mosquitos. Você não os vê e só sabe que eles estavam alí depois que já lhe picaram. Claro que se você os ver na hora em que picam, quando estão concentrados em tirar seu sangue, você pode os matar. É simples: basta dar um tapa em si mesmo. A mordida ainda coçará, mas não se pode ter tudo e, pensando bem, ainda é você que tá no lucro.
Os urubus sobrevoam e nem chegam a lhe ameaçar. São os mais feios e asquerosos, mas estão metros acima. Os urubus têm essa coisa de nunca estarem sozinhos. Eles são pacientes e comem muita carne podre por aí.
Eles esperam que você apodreça, mas você resiste. Você lembra que só ficará podre depois que morrer.
Antes de chegar em casa você senta de novo no bar e toma uma cerveja e pensa que bicho é você. Você não chega a nenhuma conclusão, mas se sente muito satisfeito. A cerveja lhe acalma e você nem é de praia. Os fantasmas só existem pra quem acredita neles.(13/02/08)

14 de abril de 2008

A velha rotina:
É estranho. Quase sem sentido. Parece até que to afirmando uma coisa pra uma pessoa morta.
Vou pro bar e bebo 1 lá. Bato um papo besta com o Sássa e descubro que o filho dele é locutor da Nativa e que a filha termina a faculdade de teatro em Agosto.
Subo com duas e tudo é imediato e rápido. Viro a chave e acendo a luz. Direto pra direita e outra luz e porta 1 aberta e porta 2 também. Sacola na pia e separo uma e outra fecho dentro das duas portas. Abro a separada e pego o copo largo com desenho do Ziraldo em comemoração da copa que já perdemos. Encho o copo e dou um gole. Ligo a máquina e vejo se ela tá acordada. Tudo ok e aperto enter pra logo em seguida acender um cigarro e ir cagar de porta aberta. Um grande peido no primeiro trago é tudo que sai de mim. Leio um poema do livro preto que tá no chão e o cigarro já tá na metade. Lavo mãos com o cigarro entre as páginas do livro que já tá no fim após tantas cagadas.
Volto: e-mail, janela de msn, orkut, blogue dela, blogue meu. Login e a página branca e brilhante na minha frente. Escrevo o que pensei no bar, escrevo o que pensei cagando. Lembro dela. Agora lembro sempre dela. Penso: o mundo é melhor agora. Boa noite, meu bem.
-
( Agora é tudo pra você e parece até ironia. A J. me disse que meu blogue perdeu a graça porque tô como eu tô. Ligo o foda-se pra J. e continuo assim mesmo).
você olha o suor na minha testa

e acha bonitinho

eu penso que o tempo passa

e também o carinho

13 de abril de 2008

Um chato é um chato é um chato.
É simples: ele entra na mesa e tem cara de panaca. Se veste muito bem e está claro que é um cara saudável e com muitas opiniões. E ele fala todas.
Estamos num boteco e a regra deveria ser clara: papos cruzados, assuntos variados e, de preferência, breves. Nada de falar uma única coisa durante horas. Ainda mais se essa coisa for sobre si e/ou sobre sua nova obra genial.
Mas um chato é um chato e ele manipula a mesa em segundos. Você se sente preso, sufocado. Vai no banheiro e mija apenas duas gotinhas. Volta e ele tá lá ainda. Agora ele comenta as emocionadas reações das pessoas sensíveis à sua obra. Depois comenta a velha e repetida verdade sem graça: "impressionante como a platéia de São Paulo é diferente da do Rio de Janeiro".
E um chato precisa de apoio por mais chato que seja. E o apoio vem: "uma vez fiz uma peça no sul, realmente a diferença é brutal". E o chato retorce sua boquinha num sorriso que usa pra engolir saliva. Saliva engolida e o chato tem mais meia hora de história sobre o mesmíssimo assunto.
Você se retorce sozinho e acende outro cigarro. Pensa na mãe, pensa na morte, pensa, enfim, por que estou aqui? Cada comentário que fazem ao chato é uma ponta afiada nos olhos: elas dão mais 5 min à ele.
E fuma que fuma e viva os cigarrinhos que o chato, como não poderia deixar de ser, despreza. E você, o único fumante da mesa, tenta não se manifestar sobre esse novo interessante assunto único do chato.
Você se segura e solta um resmungo sem muita força, apenas pra deixar claro que você sabe que ele é chato. Ele te olha e insiste na piada. Ele é engraçadíssimo e simpático: como todo bom chato, afinal.

9 de abril de 2008

coerência interna.

e não é que a danada da faca cortou o meu dedo bem na hora que eu dividia a enorme bucha em dois?
ai ai ai. esse mundo é cheio de gracinhas.

8 de abril de 2008


o estranho é que seus olhos estavam belíssimos. e o mais estranho é que eles só estavam assim porque havia chorado. eu reparei muito neles naqueles poucos minutos. onde é branco estava vermelho e o verde/azul era roxo, quase roxo, quase escuro de tão roxo. Eu pensei: bonitos agora no meio das trevas: púrpuras.

confusãootimista

Celebre a vida como ela for. Sem mais nem menos, celebre. Não há pecado e não há perdão. Há apenas a turbulência e a loucura diária. Mil formas em mil corpos que realizam mil metamorfoses.
Uma das maiores tristezas é a eterna necessidade de explicação. Nem tudo se explica e as explicações se aproximam mais do desespero do que da verdade. A verdade não existe e, se um dia existir, não deve ser revelada. Uma verdade revelada é estúpida e fraca. A verdade real nunca deve ser dita. Podemos apenas relatar as verdades do tempo e do espaço, dos ocorridos com ou sem alma.
O mundo é justo porque não sente perdão. A vida passa veloz e quem bobear corre atrás dela. Os milagres são possíveis, mas exigem sangue, esperma, suor, dor e desespero. Eu não salvo ninguém e ninguém salva ninguém e ninguém me salva também. A melhor justiça humana ainda é feita no olho por olho e dente por dente. Somos macacos crescidos e apenas isso. Somos bichos no cio procurando se reproduzir.


7 de abril de 2008

coisa rica -
sinto saudades
e também minha pica.

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Então tem essa gorda horrorosa que me espia. Não posso fazer nada: bunda na janela é a regra. Mas nunca gostei de gordas. Explico: é que também sou gordo e dois gordos trepando é uma coisa dos infernos. E digo isso por experiência própria. Barriga demais e meu pau nem é tão grande assim. Fora que vi a imagem no espelho e fiquei horrorizado: meu pau diminuiu uns 2 centímetros na hora. E a gorda berrava e tinha esse gemido grosso de gorda baixo tenor.
Agora essa gorda tá obcecada e me espia como uma louca. Vejo meu site meter e se tenho 10 visitas, 7 são da gorda.
Falei sobre isso com a minha mãe que me aconselhou a emagrecer e fazer exercícios. Como sou um filho rebelde escrevo esse textinho aqui com esperança de espantar a gorda.
Até prevejo seus olhinho miúdos entristecidos com esse texto: - come chocolate, criança, come chocolate.

5 de abril de 2008

É uma dor enorme: a minha e a do mundo.

Mas a minha é maior porque eu caibo em mim

e o mundo não.

A gente só lamenta pelo que já sabia de antemão,

minha vó sempre dizia isso com os olhos arregalados e vermelhos.

E hoje passeio distraído pela casa velha e feia

e tem gente nela e essa gente me agrada e me arranha.

E lembro da minha vó que tantas vezes me acusou de sujar sua casa com os meus pés sujos.

- É vó...! Você tinha razão!

por uma vida melhor.

Sempre achei rídiculo homens que bebem champanhe: aquele líquido com uma cor insossa numa tacinha delicada e fazendo bolinhas. E ainda há os que defendem o champanhe e que convidam mulheres para beber uma 'tacinha'. E essas mulheres acham lindo e comovente o convite. E bebem bastante e o homem delicado consegue comer um cu de mulher depois do encontro. Tudo bem calculado e feminino: beijinho na nuca, mocinha de lado e a cabecinha do pau sugerindo o caminho.

4 de abril de 2008

há todo esse delírio embutido. minha cabeça dando nó e um suor filho da puta me empapando durante a noite. e rezo pro deus gordo que eu não acredito. e peço perdão por pecados alheios que eu não compreendo. e tento tomar distância e me sinto frio e oco. e me aproximo e o desespero aumenta e a luz apaga. uma multidão inteira em volta da cama: danças loucas e chatas que só satisfaz quem se basta. eu não posso dançar, mas sempre há quem pode. um passinho pra frente e um passinho pra trás: a estabilidade vulnerável dos artistas de gaveta.

2 de abril de 2008

de novo na casinha verde.
umas conchinhas bacanas e outras pra catar.
sou quase um monge agora:
nu e de tênis saindo pra comer um sanduiche natural.

24 de março de 2008

Esse é o primeiro texto no meu primeiro dia de note book. É mais uma bela punheta pra se seguir em frente. Punheta que ilude bem durante longo ou curto tempo. É uma dessas conchinhas que me alimentam. Tanta bobagem, bom Deus. E isso é que é o mundo e a vida: a gente segue que segue e baba que baba. Muitas revoltas futuras acontecerão, muita desgraça e muita tristeza também. É essa a louca justiça: haverá os milagres, as fodas fantásticas, a esperança louca no sorriso que a mulher amada lhe lança depois de um orgasmo.

E também não há frescura. Há a vida em toda sua loucura e glória. Só isso, tudo isso.

Virá cada coisa. Nem sei se posso esperar. Essa loucura diária, esse hálito louco de cigarro e rosas. Essa delícia de sentir a vida sem sentido escorrendo lenta e, no entanto, com exatidão.

A maravilha do mundo, nesse momento, está num note book.

21 de março de 2008

BUK NA RUA - TEATRO NOTURNO PARA ADULTOS INSONES.




ANTI CIA DE TEATRO


DE 25 À 29 DE MARÇO


NO FESTIVAL DE TEATRO


DE CURITIBA


ÀS 22:00 NO LGO. DA ORDEM -


PRÓXIMO AO BEBEDOURO.
EMAISNÃODIGO!


20 de março de 2008

me arranca de mim me entorta o pescoço me cospe tudo na cara. abre as pernas e põe seu riso cínico na boca. me chama de tesão me chama de canalha. geme tão alto que até esquece que trepa comigo.

19 de março de 2008

Natureza? Humpf!



Nem revolta nem teste. Apenas as soluções. Milhares de formiguinhas que trabalham juntas para matar o invasor do formigueiro. Tudo é mesmo muito bonitinho e comovente, mas nem acho fodão. É a natureza e seu maldito curso natural e bla-bla. Tão chatinha essa natureza. Sempre com a coisa do tempo, das estações, do plantar e depois colher. Bem mais divertido os arroubos: seja a terrível bomba atômica, seja o intestino com virose. Nada de cagar 3 vezes por dia sempre no mesmo horário.

( E agora lembro que a minha garota preferida cuida muito dos próprios dentes: fico na dúvida se é pra sorrir ou morder melhor. Sim, sim, tenho lá minhas diversões, não é?)

E quando chegava em casa vi uma mulher que mancava. Ela era muita exagerada e ridícula. Mancava como se fosse quase impossível andar. E o namorado ao lado dela lhe apoiava o corpo e dizia: mais um passinho, coração, mais um passinho. O amor tem mesmo suas armadilhas.

18 de março de 2008

toda essa loucura e todo meu excesso de cigarros. toda minha dor só e minha indecisão. minha necessidade de saber o que faço, se faço não faço, se insisto ou não. tem esses dias de tortura quando minha mão treme.
Reviro do avesso.
Penso penso penso.
Maldito bicho de pé
que me coça os dedos.

17 de março de 2008

enquanto isso...

(foto do blogue do Solda - clica no título pra ir lá)

Aquelas malditas girafas ficam me encarando. Comem suas folhas e me encaram. Até abaixam o pescoção pra me intimidar. Elas são várias e eu um. Tá certo que sou mais esperto que elas. Eu me escondo e tenho as minhas manhas. Elas só olham pra cá com aqueles olhos-bolotas-pretos e acham que se esconderem o pescoço eu não vejo seus corpos. A minha vantagem é que sou mais esperto. Sempre fui esperto. Minha mãe me disse e ela sabe tudo sobre girafas.

Tenho só que decidir. Tenho algumas horas pra isso: antes do sol ir embora e eu ficar no escuro. Porque no escuro sou péssimo e sei que perco minha clareza e tudo mais. Mas o escuro ainda tá sob controle, há não ser que venha uma maldita tempestade pra escurecer tudo antes. E, de qualquer maneira, mesmo uma tempestade se anuncia.

Posso começar a correr e bater os braços em cima do corpo e fazer muito, mas muito mesmo, barulho. As girafas se impressionam facilmente e disso eu sei faz tempo, pois mamãe ensinou. Eu era bem pequeno e ela já dizia: é só berrar e bater os braços, elas não resistem, mesmo que sejam maiores que você.

Tem o risco de elas ficarem me olhando e nem saírem do lugar. Mas tanto faz. Risco por risco, eu prefiro os grandes riscos. Quem resiste à pouca coisa nem sempre é forte...Bla bla bla.

A opção de ir embora sem sequer encarar as girafas também me agrada. Nunca precisei de girafas pra viver, afinal. E também, mesmo que eu as vencesse, em nada isso melhoria minha vida. Apenas ficaria contando pros meus amigos: teve uma vez, numa selva terrível, que eu fiz várias girafas correrem...

De forma que eu vou mesmo é esperar ficar quase noite. Quando faltar 15 min. para o maldito lusco fusco eu me decido. As opções são apenas duas. Entre duas é mais fácil escolher. Prefiro assim.
A garota mais legal do mundo com os olhos mais bonitos que já vi. Ela me contou algumas histórias, me enrolou em outras e me deixa puto e satisfeito em questões de segundos. A garota da bundinha de ouro que tantas fez que me ferrou e que fica rindo como louca quando eu mexo em seu nariz. Que chupa meu pau que reclama de frio que tenta fugir no meio da noite. A garota séc XIX sempre dividida no que quer e no que pode ser, entre o laranja e o vermelho, entre o requeijão e a maionese. A garota bacana que tem medo de si. Que me assusta e me encanta. (fev/2003)